O País – A verdade como notícia

Jorge Ferrão e Amosse Mucavele estarão na 16a edição do Fórum das Letras de Ouro Preto, no Brasil, que decorre durante três dias (5, 6, 7 de Maio), voltada para a discussão dos problemas culturais atravessados no difícil contexto da pandemia.

 

O evento é promovido pela Universidade Federal de Ouro Preto, com o Camões – Centro Cultural Português em Brasília e a Câmara Brasileira do Livro e o Fórum das Letras, que comemora o Dia Mundial da Lingua Portuguesa, com uma programação riquíssima, cuja intenção é de promover o diálogo entre os autores e leitores de literaturas de língua portuguesa.

O Fórum das Letras de Ouro Preto pretende promover a valorização da identidade, da diversidade e da literatura produzida, principalmente, pelos países de língua portuguesa. A acção será realizada por meio da cooperação mútua entre Brasil, Portugal e demais nações da África onde se fala a língua portuguesa, fundamentais para a formação da cultura brasileira.

A participação de Jorge Ferrão foi agendada para 16 horas desta quarta-feira, numa conversa sobre “A pandemia e outros desafios da contemporaneidade para a união entre os países de língua portuguesa”. Já o poeta e curador do Templos de Escrita, Festa Literária Internacional da Lingua Portuguesa, Amosse Mucavele, entra em acção no dia 7 de Maio, pelas 16 horas, no painel sobre “A mutação dos festivais literários na era digital”.

Desde sua primeira edição, em 2005, o Fórum das Letras vem recebendo os mais importantes autores da literatura contemporânea do Brasil e do mundo.

 

 

O festival literário organizado pela Cavalo do Mar e pelo Camões arranca hoje, a partir da Cidade de Maputo. Nesta edição online, o evento homenageia Aldino Muianga.

Ano passado, a COVID-19 complicou tudo, por isso não houve RESILIÊNCIA – Festival de Literatura, organizado pela editora Cavalo do Mar e pelo Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Este ano, com efeito, o evento volta aos carris com um novo formato. Durante três dias (5, 6 e 7 deste mês de Maio), as conversas sobre a arte literária e sobre a vida podem ser acompanhadas através das redes sociais.

Como o habitual, o RESILIÊNCIA reúne escritores e autores de Moçambique e de outros países que têm a língua portuguesa como oficial, designadamente, Portugal e Brasil. Nesta edição, ao todo, são 14 vozes que vão romper fronteiras e contribuir para a homenagem a Aldino Muianga.

Segundo a organização, o festival literário tem como base de realização a “nova normalidade”, numa plataforma em que se encontram os escritores e todo o sistema literário, com a impossibilidade de viagens, festivais literários e lançamentos de livros com a presença do público. E porque 5 de Maio é Dia da Língua Portuguesa e das Comunidades, o evento vai “olhar para a língua portuguesa, língua de trabalho e criação do escritor, como oportunidade de fortalecimento de uma comunidade intercontinental, promovendo acções de diálogo e intercâmbio entre autores e circulação de obras literárias”.

Neste dia inaugural, o festival contará com uma conferência de abertura com o autor homenageado, a ser moderada por Lucílio Manjate, escritor e ensaísta, professor de literatura na Universidade Eduardo Mondlane. Ainda neste dia 5, haverá quatro mesas de conversas com outros autores. Por exemplo, “Escrever em português hoje: como, porquê e para quem” com a escritora moçambicana Virgília Ferrão, vencedora do Prémio 10 de Novembro 2019, o escritor português João Pinto Coelho, prémio Leya 2017, e o brasileiro Itamar Vieira Júnior, vencedor de Prémio LeYa de 2018, do Prémio Jabuti de 2020 e do Prémio Oceanos de 2020.

Nesta quinta-feira, serão transmitidas duas mesas, uma às 16 horas de Moçambique, com Nazir Can, professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Francisco Noa, ensaísta e professor de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane, que falarão da “Recensão crítica à obra de Aldino Muianga”, sob a moderação do jornalista Elton Pila. Às 17h30, será transmitida a terceira mesa com o tema “Ainda há histórias por escrever” com o escritor, jornalista e editor moçambicano Nelson Saúte, autor de obras de poesia, narrativa, crónicas e entrevistas e o escritor português Afonso Cruz, autor de mais de trinta livros, entre romances, novelas, teatro e poesia, sob a moderação da professora Olga Pires.

O festival literário vai encerrar com uma mesa em que o autor convidado especial do RESILIÊNCIA 4, Rogério Manjate, falará do seu processo criativo, às 16 horas.

 

 

O Centro Cultural Português em  Maputo e a rede de leitores do Camões em Moçambique organizaram iniciativas que se irão realizar a propósito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa. As actividades exploram diferentes domínios artísticos e promovem a diversidade e plasticidade da Língua Portuguesa.

 

Desde esta terça-feira até 21 deste mês,  decorre a exposição digital “O abismo aos pés”, realizada em colaboração com a revista Literatas. A mostra reúne rostos e testemunhos de 25 escritores de países de Língua Portuguesa sobre a eminência do fim do mundo. Esta exposição realiza-se no âmbito do projecto editorial conjunto que consiste em entrevistas aos autores participantes: Bruno Gaudêncio, Ronaldo Cagiano, Eltânea André, Sérgio Tavares, Jeferson Tenório, Mia Couto, Lucílio Manjate, Francisco Guita Jr., Celso C. Cossa, Hirondina Joshua, Pedro Pereira Lopes, M.P Bonde, Bento Baloi, Sara Jona, Amosse Mucavele, Japone Arijuane, Mauro Brito, Léo Cote, Mário Forjaz Secca, Valter Hugo Mãe, Patrícia Reis, Samuel F. Pimenta, Ana Mafalda Leite, Valério Romão e Goretti Pina.

Para esta quarta-feira, está agendada a sessão “Olimpíadas da Língua Portuguesa”, prova realizada online, através da aplicação google forms, entre às 09h00 e às 11h00. A prova é composta por um questionário que aborda questões morfológicas, sintáticas, ortográficas e lexicais da língua portuguesa, assim como temas de Cultura Geral. Através da actividade, procura-se promover uma postura reflexiva sobre a língua portuguesa; incentivar o conhecimento de temas de âmbito cultural; desenvolver competências de expressão escrita na língua oficial de Moçambique, assim como o gosto pela sua utilização correcta. A actividade é dirigida a estudantes moçambicanos dos diferentes níveis de ensino e é realizada em parceria com as Universidades Pedagógica de Maputo, Eduardo Mondlane, Save, Licungo e Rovuma.

Ainda esta quarta-feira, avança o Camões CCP, realiza-se o lançamento do Concurso Literário Dia da Língua Portuguesa: “Estórias pandémicas”, iniciativa da Rede Brasil Cultural e da Rede Camões em Moçambique.  O concurso, cujos vencedores serão anunciados no dia 5 de Maio de 2022, tem como objectivo principal estimular a criação de narrativas literárias em língua portuguesa, a partir de textos produzidos por estudantes matriculados em universidades moçambicanas.

Para este Dia Mundial da Língua Portuguesa, está prevista uma homenagem ao escritor Calane da Silva, que faleceu recentemente. A homenagem incluirá a leitura e a dramatização de textos seleccionados da autoria de Calane da Silva e uma exposição/instalação elaborada a partir de textos e fotos do autor.

Igualmente, a programação das actividades inclui apresentação do livro (físico e digital) “Contar histórias com a avó ao colo”, evento online realizado em parceria com a Escola Portuguesa de Moçambique, com representação no feminino dos países da CPLP.

 

Por: Eunice Moreira

 

O amor… tenho ouvido muito falar dessa palavra, mas, até agora, não entendo o verdadeiro sentido, só sei que amo o amor.

O amor, às vezes, nos confundi, mas não deixa de estar lá. Olha para mim, já fui iludida, mas o amor esteve lá. E não falo do amor dele, falo daquilo que sinto cada vez que o olho, quando vejo aquela postura de homem, os cabelos meio ondulados, a barba mal feita, até os espaços entre os seus dentes, vejo com amor.

Eu o amo e estou amando cada borboleta que sinto no estômago, cada sorriso bobo que sai quando o negócio é ele, a vontade que sinto de estar sempre por perto segurando na mão dele, me deitando em seu colo e acariciando-o.

Amo mesmo furiosa, afinal o amor não vai embora só por causa de uma prosa. Mesmo quando não podia, não queria, o amor não deixou de estar lá.

Fui traída, mas continuei amando, não como forma de justificar o erro ou convencer-me a ficar, mas porque o amor esteve lá, mesmo ferida o amor não me deu outra escolha se não continuar a amar-lhe.

Amo não só porque ele merece ser amado, mas porque hoje em dia o amor não passa de um teatro e, nesse mundo de cinema, eu escolhi marcar a diferença, até porque o amor não passa de uma crença.

Quando eu amo, tem que ser de verdade. Sim, amar sem restrições, sem limites, amar enquanto ainda se pode amar, amar enquanto o amor existe.

E quando falo de amar, não me limito apenas ao amor de um homem e uma mulher, falo também do amor que o mundo pode ter, o amor que não chega a ser palpável, nem mensurável, mas de um amor insaciável e inexplicável.

Amo porque o amor é bom, e quando acaba, não me arrependo de ter amado. Não amei apenas a ele, amei a mim também e fui feliz em cada momento, sem excepção. Porque amar, para mim, sempre será a melhor sensação.

A Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, reabriu, semana passada, com a exposição Debaixo do sol, de Mário Tique. A individual de artes plásticas reúne um conjunto de 17 telas e pode ser visitada até dia 30 deste mês.

 Mário Tique conta que a ideia inicial não era fazer a exposição Debaixo do sol. No entanto, a pandemia chegou a Moçambique e isso lhe exigiu capacidade de adaptação. Reformulou os seus projectos. Pôs-se a pintar incessantemente para uma individual cheia de cor e imagens verosímeis.

Nas 17 telas de pintura de Mário Tique, observam-se imagens de mulheres, homens e crianças a desempenharem actividades diversas. Na percepção do pintor, as telas transmitem um certo quotidiano e esmeram-se em veicular alguma esperança, daí retratarem vidas e emoções.

Em Debaixo do sol, Mário Tique investe na intensidade da cor e no impacto da forma. É no que à composição diz respeito que se percebe o interesse de o autor comunicar com a realidade.

Não obstante, de acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, “Mário Tique, propositadamente, quer colocar o sol nas duas dimensões de compreensão, pois tanto o bem quanto o mal acontecem debaixo do sol. É por baixo do sol onde a vida humana se desenrola em ciclos repetitivos: as crises, as guerras, as desigualdades sociais, a fome, as flores, os milagres e outras pequenas alegrias”.

A individual Debaixo do sol marca a reabertura da Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, depois do decreto do Conselho de Ministros. Assim, a mostra com curadoria de Yolanda Couto pode ser visitada presencialmente até dia 30 deste mês.

Mário Tique é artista plástico e designer gráfico. Em 1992, ganhou o prémio de pintura do Banco Fomento Exterior, português, num concurso internacional com artistas de mais de 30 países. O prémio, avança a nota da Fundação Fernando Leite Couto, deu-lhe a oportunidade de estagiar na cooperativa Árvore do Porto (Portugal), trocando experiências e novas técnicas com artistas portugueses e latino americanos. Em 1993/94 participou, com Naguib, em exposições de pintura no Porto e em Lisboa (Portugal), tendo tido oportunidade de aprender outras técnicas com Chichorro no seu atelier. Em 1994, recebeu uma bolsa para estudar design gráfico em Paris (França), onde desenvolveu a sua aprendizagem em artes plásticas, conheceu outros artistas de várias partes do mundo e visitou museus conceituados. Ainda em França, participou em exposições de pintura em Paris, Lyon e Marsseille.

Em 2009, Mário assume a realização da sua primeira exposição individual no Camões (Maputo). Este ano, depois de um longo período de interregno, Tique volta a expor as suas obras numa individual.

Na passada sexta-feira, na Cidade de Maputo, foi concretizado acordo de financiamento com vista a realização da curta-metragem de ficção “Nhinguitimo”, Licínio Azevedo.

Na cerimónia, banco BCI rubricou com a produtora Ébano Multimédia o memorando que formaliza o patrocínio que concede para a efectivação do projecto. De igual modo, segundo avança a nota daquela instituição bancária, foram firmados outros protocolos, envolvendo, entre outras instituições, a Vodacom Moçambique, numa cerimónia que contou, ainda, com a presença do académico Jorge Ferrão, na qualidade de produtor; do escritor Luís Bernardo Honwana e do próprio realizador do filme, Licínio Azevedo.

No evento, o administrador do BCI, Rogério Lam, reiterou o compromisso do BCI no apoio à cultura, salientando que é com prazer e orgulho que o Banco patrocina a obra-prima moçambicana de enorme valor estético, informativo e educacional. Lam evidenciou ainda dois pormenores: o facto de a realização desta curta-metragem estar a ocorrer num cenário complexo de COVID-19.

Igualmente no evento, Luís Bernardo Honwana afirmou que é importante que, de vez enquando, iniciativas como a curta-metragem de Licínio Azevedo surjam para ajudar a compreender, inclusive, o actual momento que o país enfrenta. Já o realizador, disse que acredita que a sua curta-metragem poderá servir para estimular a aprendizagem na “escola do cinema” a nível nacional.

As rodagens de “Nhuinguitimo”, filme adaptado de um dos contos de Nós matámos o cão-tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, está em redoganes no Distrito de Boane, na Província de Maputo.

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

Agora que me apresentei, convém explicar como fui parar à direcção da FAMOL – Fábrica de Automóveis de Moçambique, Lda., a tal linha de montagem de camiões e manufactura de caixas de carga na Machava, vizinha da Socimol e do então Aviários Paula.

Tive a honra de ser nomeado numa reunião geral de trabalhadores, sob a orientação de Marcelino dos Santos e Prakash Ratilal, numa situação inusitada e algo caricata.

Na época trabalhava na Direcção dos Serviços de Indústria, na Praça 7 de Março hoje Praça 25 de Junho, onde ingressei em 1978 a convite de um dos meus professores da Faculdade de Economia, Ventura Leite, integrando a equipa da Célula Técnica da Metalurgia e Metalomecânica e, por inerência da função, acompanhava as fábricas deste sector. Das que me recordo para além da FAMOL, Indústria Costa e Incar, boas amizades fiz com pessoas de outras fábricas, muitas das quais também desaparecidas, como a MAQUINAG, Ciclomotores, Fábrica de Bicicletas, Fábrica de Calços TED, Forjadora, L. Duarte dos Santos.

Tendo sido convocado para a dita reunião, sentei-me ao fundo da sala ao lado do meu primo Jorge Eurico, com o intuito de passar o mais despercebido possível, até porque não estava trajado à altura das circunstâncias. Apenas umas calças jeans Wrangler e camisa de capulana aos quadrados, ao menos de manga comprida, típico da irreverência de quem tinha acabado de completar 21 anos, como diria um outro primo meu, o Carlos Eduardo.

Decorria a reunião, com a apresentação das queixas dos trabalhadores contra a Comissão Administrativa que na altura dirigia a fábrica, secundada por um rol de acusações por parte das estruturas presentes, que concluíram com a demissão imediata e prisão dos três membros da referida Comissão.

Eis se não quando, Marcelino levanta-se faz uma prelecção inicial sobre a justeza da luta dos operários e da necessidade de defesa da indústria nacional, proclamando que iria nomear um quadro da confiança do Partido e com a adequada capacidade técnica. Em surdina e galhofando, auscultei o meu primo Jorgico sobre quem seria o tão competente desgraçado que iria assumir a direcção daquela empresa, sob a lupa de tão aguerrida e reivindicativa classe operária e que também se arriscaria a ir bater com os costados na prisão.

– José Paulo da Fonseca Pinto Lobo, é o novo director da FAMOL, apresente-se e chegue-se aqui à frente, junto da mesa.

Ainda olhei em redor e perscrutei a assembleia presente, esperançado na existência de um sósia ou um homónimo, já que nem sequer era membro do Partido, mas nada a fazer, era eu mesmo, o próprio, o tal desgraçado, nomeado sem sequer ter sido previamente consultado ou pelo menos informado dessa intenção. Ao menos a fama de competente já tinha. O pior seria ter de comprovar o merecimento de tal epíteto.

Levantei-me que nem um condenado às galés e lá fui palmilhando o corredor entre as cadeiras, sob o olhar reprovador de alguns dos camaradas presentes, certamente porque nem uma balalaicazinha tinha sido capaz de vestir.

Melhor ainda só a minha nomeação para director das Carroçarias Indústrias Costa, Lda. e Incar; Sociedade Construtora de Serralharia e Mecânica, Lda. Uns meses após esta reunião na FAMOL, fui chamado ao Ministério da Indústria pelo camarada Secretário-Geral. Este entregou-me um Boletim da República onde constava a minha nomeação para director das duas empresas e desejou-me boa sorte no desempenho da tarefa.

Assim, aos 21 anos vi-me repentinamente director de três empresas.

Jimmy Dludlu vai lançar o seu mais recente trabalho discográfico este mês. History in the flame é um álbum constituído por 20 músicas e terá a chancela da Universal Records da África do Sul.

Com 13 anos de idade, Jimmy Dludlu frequentava a Escola Estrela Vermelha, na Cidade de Maputo. Nos finais dos anos 70/ início de 80, num ápice, Stewart Sukuma descobriu o talento do guitarrista e, aí, iniciou uma relação musical que, mais tarde, resultou na participação de Jimmy Dludlu na gravação de oito músicas do álbum Afrikiti, do seu mentor. Teve de acontecer, contra as expectativas de produtores sul-africanos. “Na África do Sul, não conhecendo Jimmy, quando gravávamos para Afrikiti, os produtores disseram que havia grandes guitarristas em Joanesburgo e questionaram-me por que queria gastar dinheiro ao chamar um guitarrista em Cape Town. Eles disseram assim: ‘queres gastar dinheiro por causa de uma guitarra? Eu respondi que sim, por causa de uma guitarra especial”. Os mesmos produtores que confrontaram Stewart Sukuma, com efeito, passaram a ter Jimmy Dludlu como guitarrista de eleição.

O autor de Tonota, Echoes from the past ou Afrocentric não se esquece do peso que o seu mentor teve na sua carreira. “Foi Stewart que me chama de Cape Town para fazer gravação do Afrikiti, com Hugh Masekela. Foi aí que eu aprendi o afro/jazz”. Jimmy aprendeu e, ao longo da viagem pelo ritmo que escolheu, nunca cessou. Lá vão nove discos. O 10º, History in the flame, será lançado este mês. Primeiro, na África do Sul, e, depois, em Moçambique.

Constituído por 20 músicas, no novo álbum, pela primeira vez, Jimmy Dludlu faz uma fusão dos ritmos mapiano e jazz. Com efeito, mais do que música, o disco é uma homenagem a Bob Marley, Aretha Franklin, James Brown, Hugh Masekela e Miriam Makeba, artistas que marcaram, profundamente, a carreira de Jimmy. Do mesmo modo, o guitarrista homenageia Eugénio Mucavele, com uma música sobre o metical, recriação feita ao original daquele astro da música ligeira moçambicana. A música que diz “metical não tem azar está disponível nas redes sociais desde esta sexta-feira, em jeito de contributo para as celebrações do Dia Internacional do Jazz.

“Quero dar parabéns ao Jimmy pela carreira fulgurante. Em termos musicais, é dos que atingiu níveis impensáveis. É uma boa referência para os músicos novos e engana-se quem pensa que ele apenas toca jazz, ele toca tudo e escolheu o jazz como forma de estar e de viver a música”, afirmou Stewart Sukuma, numa sessão em que, na companhia de Ótis, os três músicos lembraram velhos e bons tempos.

Com colaborações de Moreira Chonguiça, Rodhália Silvestre e Camilo Lombard, fazem parte do 10º disco de Jimmy Dludlu músicas como “Get up stand up”, “Vamu Txadile”, “Fruitf spirit”, “Human trafficking”, “Gove”, “Mediterrean crossing”, “Levanta poeira”.

History in the flame sai sob a chancela da Universal Records da África do Sul.

Esta sexta-feira, a partir das 16 horas, Moreira Chonguiça vai celebrar o Dia Internacional do Jazz, no Hotel Radisson Blu, na Cidade de Maputo. No entanto, devido à necessidade de prevenção a COVID-19, a actuação do saxofonista será restrita.

Logo à tarde, no concerto, Moreira Chonguiça vai apresentar-se numa colaboração com Onésia Muholove, Hélder Gonzaga, Nicolau Cauanhaque e Vando Infante.

Além de música, a sessão alusiva ao Dia Internacional do Jazz inclui algumas intervenções. Por exemplo, do Representante da UNESCO em Moçambique, Paul Gomis, de Embaixadores, parceiros de cooperação, representantes de marcas parceiras, gente de negócio e celebridades.

O concerto propriamente dito, com Moreira Chonguiça e sua banda, vai durar uma hora.

 

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