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O projecto Xiquitsi realiza a 2ª Série da Temporada de Música Clássica, na Cidade de Maputo. O primeiro concerto, Noite Clássica, terá lugar no Cine Teatro Scala, às 19h de 15 de Julho. Já o segundo, Concerto para pais e filhos, está marcado para o Centro Cultural Municipal – Ntsindya, às 16h do dia 16 de Julho.

Segundo uma nota de imprensa, os dois concertos terão um rico repertório de canções napolitanas, espanholas e moçambicanas, bem como composições dos grandes autores da música clássica. Durante a série de concertos, a Orquestra e Coro Xiquitsi irá apresentar-se com dois dos alunos deste projecto, que, actualmente, cursam o ensino superior em música, em Lisboa. São os casos de Inérzio Macome e Kleyd Alfainho, que vêm a Maputo exclusivamente para actuar.

Os concertos da 2ª série vão contar ainda com a participação da cantora Xixel Langa (soprano), Déuscio Vembane (tenor) e com as presenças de Mariana Carrilho (mezzo soprano), moçambicana residente em Espanha. Já José de Eça (tenor) virá de Portugal e Alena Bravo (piano) virá de Cuba.

Além da Noite Clássica, o Concerto de pais e filhos é um espaço aberto a todos, onde os pais e os encarregados de educação têm a oportunidade de contemplar o resultado dos alunos do Xiquitsi, interagindo com os próprios alunos, com os professores e com mentores do projecto num espaço descontraído de verdadeira aprendizagem.

Ao longo de nove anos de existência, o Xiquitsi tem sido palco marcante de inserção social, aprendizagem e socialização, onde crianças, adolescentes e jovens realizam sonhos e iniciam o percurso no mundo da música. Este percurso tem sido possível com a colaboração de artistas de vários países, como África do Sul, Alemanha, Argentina, Brasil, China, Espanha, Finlândia, França, Inglaterra, Israel, Japão, Noruega, Portugal, Suécia, Uruguai e Venezuela, que ajudam a tornar o projecto bastante versátil.

O Xiquitsi tem, neste momento, cerca de 200 alunos distribuídos entre os naipes (grupos) de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, oboé, clarinete, percussão e canto.

A colaboração entre os Estúdios Victor Córdon em Lisboa e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo para o triénio 2021 – 2023 dá início a mais dois programas: a 2ª edição do podcast “Uma coleção para Amanhã” — Lisboa|Maputo e o Workshop em Maputo com o coreógrafo Português Victor Hugo Pontes.

Os Estúdios Victor Córdon (EVC) em Lisboa e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo desenvolvem uma parceria através de uma programação conjunta ao longo de três temporadas (2021 – 2023). Esta parceria, segundo a organização, resulta de uma vontade de criar pontes entre os dois países e possibilitar a circulação e internacionalização da dança. A relação entre as duas entidades foi formalizada no dia 11 de Maio do presente ano, através da assinatura de um protocolo entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e o OPART – Organismo de Produção artística E.P.E., que gere a plataforma criativa Estúdios Victor Córdon. O protocolo visa o enquadramento das actividades desenvolvidas entre os EVC e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e alargar a colaboração entre as duas instituições.

Além de promover a colaboração entre as duas instituições, o protocolo permite que este tipo de colaboração possa ser estendida a mais pontos da rede externa do Camões I.P., permitindo uma crescente partilha entre jovens criadores. “De entre os vários programas já implementados em parceria, damos agora início a mais dois projectos que integram o triénio: a 2ª edição do podcast Uma coleção para Amanhã e o Workshop em Maputo com o coreógrafo português Victor Hugo Pontes”.

Os EVC retomam o programa Uma colecção para Amanhã, com a curadoria de Cristina Peres, mas desta vez com um ciclo de 10 conversas dedicadas à cena da dança em Moçambique. Segundo Cristina Peres “Lisboa e Maputo são cidades ligadas pelas marcas dos que teceram fios invisíveis associando a memória do corpo às outras todas que vamos reunir, agora de forma sistematizada, numa nova colecção de conversas.” Os EVC materializam a ponte imaginária entre Lisboa e Maputo numa segunda colecção de 10 conversas com protagonista da dança moçambicana, que serão transmitidas no canal YouTube dos EVC de julho a Novembro deste ano.

De 5 a 9 de Julho as duas instituições realizam um workshop em Maputo, com o coreógrafo português Victor Hugo Pontes, no espaço do Camões – CCP Maputo. Durante uma semana, Victor Hugo Pontes trabalha com intérpretes locais, onde os participantes exploram a linguagem e o processo criativo do coreógrafo, permitindo o desenvolvimento de destrezas físicas, emocionais e criativas, abrindo caminho para iniciativas futuras.

Os caminhos do sector musical em Moçambique: mercado, profissionalização e legislação foi o tema proposto ao debate que reuniu artistas, produtores e gestores culturas, esta terça-feira. O evento promovido pelo projecto Construindo com a música realizou-se na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na Cidade de Maputo.

 

Na manhã desta segunda-feira, iniciou, na Escola de Comunicação e Artes da UEM, um workshop subordinado ao tema Os caminhos do sector musical em Moçambique: mercado, profissionalização e legislação. Promovido pelo projecto Construindo com a música, lançado recentemente pela Ministra da Cultura e Turismo, a sessão desta terça-feira reuniu vários intervenientes do sector artístico-cultural em Moçambique, com destaque para o Director do Festival AZGO, Paulo Chibanga; o músico Cheny wa Gune; a Directora do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, Carolin Brugger; e o baterista Stélio Mondlane.

Durante a sessão de debate que decorreu esta terça-feira, um dos tópicos abordados foi a necessidade de reforma do Fundo para o Desenvolvimento Artístico e Cultural (FUNDAC). O tópico, com efeito, foi desenvolvido pela coordenadora do projecto Construindo com a música. “Com este workshop, acho que iremos conseguir enriquecer ainda mais o nosso projecto com aspectos muito concretos, que possam, realmente, responder à necessidade do sector”. Começou por dizer, Valentina Gianni. Depois, prosseguiu com exemplos: “Estamos a falar da reforma do FUNDAC, porque o fundo é muito importante. Não só porque dá o financiamento, mas também porque pode exercer um papel ao nível de pressão política”.

Segundo entende a coordenadora do projecto Construindo com a música, ao mesmo tempo que o desenvolvimento do sector artístico-cultural depende muito de reformas feitas no FUNDAC, carece de casas culturais com dinâmica, ao nível nacional. “Precisamos da revisão do papel que as casas culturais podem ter. Por enquanto, são um contentor, mesmo quase vazio, mas que, na realidade, podem ter um papel muito importante na dinamização do sector, ao nível social e ao nível económico, sobretudo nas províncias”.

Para os participantes do workshop Os caminhos do sector musical em Moçambique: mercado, profissionalização e legislação, as reflexões inseridas no projecto Construindo com a Música, implementado pela AGAPE, Ministério da Cultura e Turismo de Moçambique, Comune di Milano, Milano Música e Diapason, com o financiamento da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), são essenciais. E explicaram porquê. “É importante trocar experiências, porque existem questões sensíveis, mesmo do próprio artista, que não conseguimos perceber de uma forma isolada. Precisamos de interagir com outras pessoas para, primeiro, identificarmos o problema e, depois, a solução”, disse Deltino Guerreiro.

Por sua vez, Albino Mbie, músico que vive há décadas nos Estados Unidos, observando que há falta de editoras no país, entende que o projecto Construindo com a música pode contribuir para o surgimento de editoras e impulsionar a distribuição discográfica. “Este projecto vai ajudar-nos a formar novos técnicos de som e produtores musicais que entendam sobre o negócio da música”

Não obstante os aspectos apontados por Guerreiro e Mbie, o gestor cultural Miguel Prista vê uma outra vantagem em reflexões inerentes a’Os caminhos do sector musical em Moçambique: mercado, profissionalização e legislação: “Acho que a perspectiva deste trabalho não é apenas estruturar reflexões pertinentes, mas também contribuir para a formação de políticas públicas, que constitui a principal intervenção que precisamos se nós quisermos pensar num Estado que tem o sector cultural como activo, gerador de empregos e de rendimento”.

Na Escola de Comunicação e Artes, o workshop Os caminhos do sector musical em Moçambique: mercado, profissionalização e legislação pretendeu, igualmente, abrir um espaço de partilha de ideias e perspectivas sobre estratégias eficazes para, em particular, a área da música no país. Mais à frente, o projecto Construindo com a música irá desenvolver programas de intervenção focados na formação: oficinas, seminários e debates.

 

 

 

 

Por Valério Maúnde

 

O ano de 2022 marca o centenário de José João Craveirinha, o pai dos poetas moçambicanos.  Para celebrar a vida e obra deste mafalalense de grande vulto, muitos são os eventos realizados, a saber: conferências, simpósios, saraus, recitais e noites de poesia.  É assim que se vê preenchida a agenda cultural do mês de Maio.

Trata-se de iniciativas louváveis e aclamáveis, pertinentes e necessárias, mas que pecam pelo seu carácter efémero. Ou melhor dito, na linguagem que nos é própria e comum, são sol de pouca dura.

“Devemos então celebrar o Zé o ano inteiro?”, perguntarão. Sim e não é a resposta.

Sim, para não deixar morrer o homem que, no breve lapso temporal de uma vida, conheceu inúmeros nascimentos.

Não, se for nos moldes em que se vê, reduzindo todo o seu legado a uma mera agenda cultural com a breve duração dos ponteiros de um relógio.

“Como, então?”, soaria insistente a inquieta e inquisitiva voz.

O como da questão (ou da resposta) pode ser encontrado numa palavra emprestada da língua alemã, a qual não ouso pronunciar, mas que suponho grafar-se assim: nachfolgen. Traduzido para o Português, este verbo germânico entende-se como suceder ou seguir (por trás, imitando). É preciso “nachfolgen” as pegadas de Craveirinha para celebrá-lo e calçar os seus sapatos para lembrá-lo.

Reza a história, e os seus escritos o confirmam, que o Zé era um homem de inabalável opinião e sólida convicção, que não vergava ante a opressão, ainda que isso acarretasse quase meia década distante da sua Maria, vendo o sol ganhar formas geométricas quadrangulares da aurora ao ocaso. Tal amargo cálice bebeu Zé, imbuído de aspirações independentistas, agarrado ao firme anelo de ver o seu povo, não de joelhos, mas de pé, não de mãos estendidas, mas de mangas arregaçadas. Por que então o celebramos sentados em conferências que reproduzem os seus escritos, mas não produzem a mudança de que o povo precisa e que Craveirinha sonhou e lutou para alcançar?

Celebrar Craveirinha é nutrir um espírito combativo, que não se sujeita às injustiças político-sociais. É não compactuar com a ilegalidade, é não ruminar o silêncio que consente, é levantar a voz da Luz como o Ed(i)son, para alumiar as mentes entenebrecidas pelo conformismo. É acreditar que as coisas podem mudar, e mudá-las, ou pelo menos tentar. É não deixar renascer as guias de marcha hoje monetizadas, baptizadas de portagens, as quais restringem e fazem perigar o direito de ir e vir. É não viver a fingir. É questionar a razão de Moçambique ser uma ilha de mendicância, sendo banhado por índicos mares de abundância.

Memorar Craveirinha é atentar para a sua voz, que dirigida a mim e a ti, indaga com dó e agonia, esta incómoda mas imperiosa questão:

 

“[…] perguntando

Se viver é mais ainda

Isto de rastejar vivo”

[como hoje vivemos] *

(José Craveirinha, in Moçambique e outros poemas dispersos)

(*o grifo é meu)

 

 

O espectáculo teatral Chovem amores na rua do matador estreou este sábado, no Concelho de Loulé, no Distrito de Faro, em Portugal. Depois do espectáculo, o público conversou com os autores do texto original adaptado para o palco: Mia Couto e José Eduardo Agualusa.

 

Que o espectáculo é muito bom, os actores e os encenadores da peça Chovem amores na rua do matador já sabiam (quando o espectáculo foi apresentado em Maputo, o retorno do público foi muito positivo). Por isso mesmo, a ideia de levar um pouco da cultura moçambicana a uma ousada digressão em Portugal não amedrontou a delegação de artistas nacionais. Pelo contrário, estimulou-os a capacidade de superação para mostrarem o seu potencial a um outro tipo de público.

Portanto, mesmo sabendo que estavam à altura do desafio, Horácio Guiamba, Josefina Massango, Angelina Chavango, Joana Mbalango, Violeta Mbilane (actores) e Maria Clotilde e Vítor Gonçalves (encenadores) surpreenderam-se com a maneira como o público reagiu à primeira apresentação de Chovem amores na rua do matador em Portugal. Mesmo tendo pouco tempo de ensaio no palco de Loulé, já que àquele concelho português apenas chegaram dias antes do espectáculo, os actores deram uma outra vida às personagens originalmente inventadas por Mia Couto e José Eduardo Agualusa, em “Chovem amores na rua do matador”, um dos textos do livro O terrorista elegante e outras histórias.

As peripécias de Baltazar Fortuna e as suas tantas mulheres, que variam entre o cómico e o trágico, o romântico e o dramático, transfiguram-se em Loulé, de tal modo que mesmo Josefina Massango, que viveu 17 anos em Portugal e com longo percurso artístico, ficou encantada. A actriz reagiu assim à excelente performance em Loulé: “O espectáculo não poderia ter corrido da melhor forma. A recepção foi boa. O público recebeu muitíssimo bem o espectáculo. Sentimo-nos muito felizes com isso”.

Com a boa prestação na estreia de Chovem amores na rua do matador em Portugal, Josefina Massango sentiu ter honrado a responsabilidade que teve ao voltar a subir um palco português, depois de se ter formado naquele território por muitos anos. “Espero continuar a dar essa alegria às pessoas que me formaram aqui e que eu conheço, porque este espectáculo permite. Sinto-me muito expectante e com responsabilidades porque, afinal, é o nome do nosso país que está a circular pelos 12 distritos de Portugal”.

Apesar da excelente estreia, Josefina Massango está consciente de que os próximos dias serão de trabalho intenso, até porque em algumas cidades o espectáculo será apresentado no mesmo dia que será montado no palco. Terá de ser assim porque os teatros portugueses têm uma agenda apertada.

Na voz de Horácio Guiamba, o espectáculo correu extraordinariamente bem e superou as expectativas. “Nós já sabíamos que, ao contrário de Moçambique, o público europeu guarda as reacções para o fim. No entanto, desta vez, foi diferente. O público reagiu deste o princípio do espectáculo, curtindo os momentos. Essa foi a primeira surpresa para todos nós. E mais, os portugueses disseram-nos que se nós conseguimos as reacções extraordinárias em Loulé, onde o público é muito reservado, lá à frente os espectáculos serão ainda melhores”.

Em Loulé, os artistas moçambicanos foram aplaudidos de pé, com fortes salvas de palmas. Tal gesto, para Vítor Gonçalves, “Prova de que os elementos da cultura moçambicana que tantas vezes julgamos serem demasiado regionais para serem partilhados, são, de facto, universais e permitem-nos partilhar o que somos com os outros”.

Os fortes aplausos do público português no Concelho de Loulé fez com que os actores voltassem à cena sete vezes, para agradecer. “Eu estou muito entusiasmada! Fizemos esta estreia”, gritou Maria Clotilde logo a seguir àquele momento contagiante.

No fim do espectáculo, o público de Loulé conversou, via zoom, com Mia Couto e José Eduardo Agualusa, que se referiram ao vigor do teatro moçambicano. Mia recuou no tempo e explicou como a partir do Mutembela Gogo a arte do palco no país construiu-se, inclusive, sendo reflexo do quotidiano moçambicano. Agualusa disse mais, que o teatro moçambicano tem uma vitalidade que ainda não se vê em Angola.

No dia 6 e 7 de Julho, Chovem amores na rua do matador será apresentado em Évora.

O cantor R. Kelly foi condenado esta quarta-feira a 30 anos de prisão por crime organizado e tráfico sexual, avança a Reuters. O cantor de R&B foi ainda condenado a pagar uma multa de 100.000 dólares (cerca de 6383000,00 meticais).

O cantor norte-americano, agora com 55 anos, conhecido, entre outras músicas, pelo êxito “I believe I can fly”, foi acusado de liderar um esquema organizado de tráfico sexual e abuso sexual de menores e mulheres.

Esta quarta-feira, a juiza Ann Donnelly considerou que R. Kelly, nome artístico de de Robert Sylvester Kelly, utilizava relações sexuais como uma arma, forçando as suas vítimas a fazer coisas “indescritíveis”.

Ao longo do processo judicial, inúmeros depoimentos relataram que o artista submetia as vítimas, muitas vezes menores, a caprichos perversos e sádicos.

A acusação referiu em julgamento que Kelly usava a sua “fama, dinheiro e popularidade” para sistematicamente atrair e “atormentar crianças, jovens e mulheres para sua própria gratificação sexual”.

A Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) participou na Conferência e na Assembleia-Geral da Associação Pan-africana de Escritores (PAWA), que se realizou entre 23 e 26 deste mês, no Centro de Conferências da Universidade de Ibadan, no Estado de Ibadan, na Nigéria.

Segundo uma nota de imprensa da AEMO, a conferência sob o lema O papel do escritor na agenda pan-africana para a paz e segurança juntou escritores, políticos e outros dignitários provenientes de cerca de 40 países africanos.

A Assembleia-Geral da PAWA discutiu e aprovou o Relatório de Actividades e de Contas

do Secretariado Interino e procedeu à eleição dos membros do Conselho da PAWA, em substituição do Conselho Interino que até então funcionava. Todo o Conselho Interino foi reconduzido para o Conselho Definitivo, que terá um mandato de três anos. Moçambique retirou a sua candidatura para apoiar Zimbabwe.

No evento, a AEMO foi representada pelo seu Secretário-Geral, Carlos Paradona Rufino Roque, e pela escritora Lídia Mate, que apresentaram o estágio das letras moçambicanas junto do respeitado fórum africano. “Ficou claro que o processo de internacionalização da literatura moçambicana também passa pela sua tradução e difusão no continente, especialmente para países africanos de expressão inglesa e francesa”, lê-se na nota de imprensa.

Paradona afirma que notou com emoção o grande apreço e admiração dos escritores africanos pela cultura moçambicana e, em especial, pela literatura produzida em Moçambique. No fim dos trabalhos, lê-se na nota de imprensa, a Associação Pan-africana de Escritores (PAWA) felicitou Carlos Paradona pela sua reeleição ao cargo de Secretário-Geral.

O livro Nampula: antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante será apresentado esta quinta-feira, na Biblioteca da Universidade Pedagógica de Maputo (Museu). A cerimónia de apresentação iniciará às 17 horas.

Ao longo de mais ou menos um ano, a Ethale Publishing concentrou-se na edição de Nampula: antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante. Coordenado por Jessemusse Cacinda, o livro reúne textos de 12 autores. Entre eles, Baptista Américo, Arsénia Ressique Amade, Hermínia Francisco, Belchior Domingos Eduardo e Celso Augusto Folege.

Em geral, a antologia da Ethale Publishing traz um conjunto de historias inspiradas e/ou sobre eventos que ficcionam o espaço urbano da maior cidade do Norte do país. Referindo-se ao que motivou a edição da obra literária, Jessemusse Cacinda lembrou que tem sido comum, na literatura, a referência às cidades. E dá exemplos de autores que escreveram sobre cidades: Gabriel García Márquez, Almeida Garrett, Peter Kimani, Mukoma Wa Ngugi ou Nelson Saúte.

Para o coordenador da antologia, que também assina um texto no livro, Nampula: antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante traduz uma reafirmação do conceito clássico de cidade que se refere a pessoas, partindo do princípio que são as pessoas que fazem as cidades enquanto pontos de entrada e de saída. Logo, “escrever uma antologia sobre a cidade é uma forma de celebrar a diversidade de olhares. Por isso, pensei que podia juntar autores que têm algo em comum (conheceram-se na cidade de Nampula e lá iniciaram a sua actividade literária) para escrevermos um livro”.

Nampula: antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante pretende demonstrar que uma urbe é um espaço onde pessoas diferentes encontram-se, partilham suas experiências e aprendem umas com as outras. “É uma história dos que estão na cidade, mas também dos que chegam à cidade, dos que lá estiveram, como dos que um dia vão chegar”, reforçou Cacinda.

A antologia editada pela Ethale Publishing é constituída por 122 páginas e será lançada esta quinta-feira, a partir das 17 horas, na Biblioteca da Universidade Pedagógica de Maputo. Judite Chipenembe é uma das pessoas convidadas a apresentar o livro.

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, procedeu ao lançamento do projecto Construindo com a música, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo. A iniciativa pretende contribuir para o fortalecimento das indústrias culturais e criativas no país.

Construindo com a música é uma iniciativa que junta o Ministério da Cultura e Turismo, a organização não-governamental AGAPE ONLUS da Itália, em parceria com Comune di Milano, Milano Música e Diapason, e é financiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).

Na cerimónia de lançamento do projecto, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo, Eldevina Matrula referiu-se ao que se pretende com Construindo com a música: “O projecto visa contribuir para o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas através do fortalecimento da indústria da música em Moçambique”.

Construindo com a Música é uma iniciativa que pretende, igualmente, influenciar as novas práticas no desenvolvimento socioeconómico no país, através da arte musical. Os intervenientes do projecto acreditam que, assim, podem impactar na vida social moçambicana em geral. “Acreditamos, fortemente, que a arte e a cultura, em particular a música, sejam factores-chave na criação e activação de processos de inovação, crescimento e desenvolvimento do país inteiro, não só do sector da cultura”, afirmou, esta segunda-feira, Valentina Gianni, a Coordenadora do projecto.

De igual modo, Cecília Balestra, representante dos parceiros na cerimónia, acrescentou que “a música é um instrumento de transformação de sociedades e desenvolvimento socioeconómico, na Itália e em Moçambique”. Por isso mesmo, o projecto irá desenvolver uma série de programas de intervenção focados na formação e no apoio ao melhoramento curricular nas instituições públicas que leccionam cursos de artes. De igual modo, realça a organização, o programa irá garantir a criação de ecossistemas capazes de estimular a inovação e a criação de novas empresas e o crescimento das existentes no sector artístico-cultural nas províncias de Maputo, Inhambane, Zambézia e Nampula.

Construindo com a música irá durar três anos e, embora a incidência seja em quatro províncias, garantiu a Ministra da Cultura e Turismo, o impacto será visível em todo o país, pois os beneficiários directos, secundários e terciários serão providos de habilidades e competências para o desenvolvimento das suas actividades.

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