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O País – A verdade como notícia

Esta quinta-feira, às 16 horas, realizar-se-á, na Biblioteca do Centro Cultural Português em Maputo, a apresentação dos projetos subvencionados pelo PROCULTURA em Moçambique.

A cerimónia contará com a presença do Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, e da Ministra da Cultura e Turismo de Moçambique, Eldevina Materula, bem como do Embaixador de Portugal, António Costa Moura, e do Encarregado de Negócios da União Europeia em Moçambique.

Segundo uma nota de imprensa, em Moçambique estão em curso 10 projectos subvencionados, implementados em cinco províncias – Maputo, Inhambane, Niassa, Cabo Delgado e Nampula – representando um valor global de 4 milhões de euros. Entre os 10, sete são coordenados por entidades moçambicanas.

No país, está ainda em curso o projecto de desenvolvimento de um polo de criação artística contemporânea em Maputo. Estes projetos irão, ao longo dos próximos dois anos, contribuir para a criação de emprego no sector cultural nas áreas da Música, Artes Cénicas e Literatura Infanto-juvenil e, simultaneamente, promover a comercialização e internacionalização da produção artística dos PALOP e de Timor-Leste ao nível regional e internacional.

O PROCULTURA apoia 22 projectos subvencionados nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe) e em Timor-Leste num total de 7,5 milhões de euros.

 

 

O caçador de elefantes invisíveis, de Mia Couto; Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho; Tornado, de Teresa Noronha;  O livro do homem líquido, de Pedro Pereira Lopes; e As formigas do Tavinho e outras recordações, de Almiro Lobo, são os cinco livros moçambicanos semi-finalistas do Prémio Oceanos no Brasil.

2452 livros foram submetidos à edição 2022 do Prémio Oceanos. Desse universo, 65 títulos foram apurados à semi-final, entre os quais cinco obras da literatura moçambicana. O primeiro livro moçambicano que aparece na lista do Oceanos é As formigas do Tavinho e outras recordações, de Almiro Lobo. Na edição da Alcance, o professor universitário reuniu em livro um conjunto de crónicas sobre realidades que o marcaram desde a infância à fase adulta. O livro representa, fundamentalmente, o que Lobo captou em determinados eventos em todas as fases da sua vida.

Em segundo lugar, aparece Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, um romance que percorre várias geografias e episódios da História de Moçambique dos últimos 50 anos. O centro da história do romance editado pela Caminho de Portugal e pela Kapulana do Brasil é a personagem Jei-Jei, que contribui imenso para que, do ponto de vista técnico-narrativo, o romance seja também rico em inovação literária.

Já o terceiro título moçambicano na lista de 65 livros do Oceanos é O caçador de elefantes invisíveis, de Mia Couto, um conjunto de 26 contos que tanto retratam a situação do terrorismo em Cabo Delgado bem como os contextos da COVID-19. Editado pela Fundação Fernando Leite Couto, um dos textos do livro de Mia, “Um gentil ladrão”, foi publicado no The New York Times, nos Estados Unidos.

O livro do homem líquido, de Pedro Pereira Lopes, é a quarta obra literária na lista do Prémio Oceanos. Editada pela gala-gala, trata-se, segundo a editora, de uma opção versátil de microcontos, onde se mistura a realidade e a ficção possível de embalar o leitor em momentos de lazer, desconstrução e construção de melhores ideias.

Já o quinto e último título moçambicano na lista do Oceanos é Tornado, de Teresa Noronha, um livro editado pela Exclamação de Portugal, que, à semelhança de Museu da revolução, reconstrói certos passados de Moçambique. No entanto, tendo como foco narrativo a perspectiva de uma menina que vai crescendo enquanto narra a sua e a história de um território, ora no período colonial, ora depois da independência. A narração é cíclica e não se adivinha um discurso cronológico. Pelo contrário, desse ponto de vista, a narrativa de Teresa Noronha é imprevisível quanto diversa ao nível temático.

Além dos cinco livros moçambicanos, na semi-final encontraram-se 45 escritores brasileiros, 12 portugueses, uma luso-angolana, um angolano e um cabo-verdiano. Quer isto dizer que Moçambique é o país africano com o maior número de autores na semi-final do Oceanos e o terceiro da CPLP.

Na fase da semi-final, entre os membros do júri intermediário, que fará a selecção dos 10 finalistas, encontram-se a professora universitária Teresa Manjate (Moçambique), Jeferson Tenório, Nina Rizzi, Paulo Scott e Prisca Agustoni (Brasil), e João Luís Barreto Guimarães e José Riço Direitinho (Portugal).

Portanto, na última fase, a final, o júri do concurso irá eleger três vencedores. O primeiro classificado ficará com 120 mil reais (cerca de 1.500.000 meticais), o segundo ficará com 80 mil reais (cerca de 960 mil meticais) e o terceiro ficará com 50 mil reais (cerca de 600 mil meticais).

Outros semi-finalistas

Entre os semi-finalistas desta edição do Oceanos também se encontram Maremoto, de Djaimilia Pereira de Almeida (luso-angolana), O mais belo fim do mundo, de José Eduardo Agualusa (Angola), Safras de um triste outono, de Arménio Vieira (Cabo Verde), A pediatra, de Andréa Del Fuego, O réptil melancólico, de Fábio Horácio-Castro, Minha raiva com uma poesia que só piora, de Carol Braga (Brasil), As doenças do Brasil, de Valter Hugo Mãe, eus Pátria Família, de Hugo Gonçalves, Introdução à pintura rupestre, de José Tolentino Mendonça  (Portugal)

 

Luís Bernardo Honwana considera que a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) enfrenta uma situação de crise. Por isso mesmo, o autor de Nós matamos o cão-tinhoso entende que os escritores devem voltar a unir-se para que a agremiação não caia no abismo. Honwana reuniu-se com os seus confrades esta terça-feira, na AEMO, a propósito dos 40 anos da agremiação que hoje se celebram.

A primeira vez que Luís Bernardo Honwana entrou na actual sede da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), na Cidade de Maputo, aquele edifício tinha a designação Casa da Metrópole, no período colonial. Algum tempo depois, passou a designar-se Centro de Informação e Turismo. Nessa condição, lá organizaram-se exposições de arte. Inclusive, o autor de Nós matamos o cão-tinhoso, então membro do Núcleo d´Arte, expôs alguns trabalhos.

Ora, depois da independência, no processo da criação da AEMO, Honwana convidou Rui Nogar, que se encontrava em Nampula, a ir a Maputo e, subsequentemente, a assumir a responsabilidade de executar tarefas concretas no processo da criação da agremiação, sendo pago por uma verba da Presidência da República.

Na verdade, a Comissão Instaladora da AEMO, presidida por Luís Bernardo Honwana, foi formada em 1980. Alguns anos depois, o escritor, então Chefe do Gabinete do Presidente da República, Samora Machel, envolveu-se na procura da sede da Associação Moçambicana de Fotografia, de que também era membro. Convidado por um amigo, o escritor foi visitar um certo edifício e, imediatamente, decidiu que serviria de sede para os escritores, pois a fotografia precisava de um espaço de exposição e o recinto não era o mais apropriado. Reservou-se, assim, o espaço para os escritores. Portanto, “Foi uma decisão perfeitamente unilateral. Estas coisas de democracia, a gente aprende com o tempo”, gracejou Luís Bernardo Honwana, na sessão com os membros da AEMO, esta terça-feira.

Quando a AEMO foi criada, a 31 de Agosto de 1982, os escritores entenderam que, se estivessem organizados, poderiam, de uma forma mais concertada e articulada, contribuir no processo da construção do país, fazendo uma chamada de atenção para certos aspectos que, eventualmente, representantes de outros sectores não tivessem ou a sensibilidade ou os instrumentos necessários. “Nós estávamos em condições de fazer isso, mas faríamos melhor se estivéssemos articulados. Nesse sentido, penso que temos cumprido o nosso papel. Ao longo desses muitos anos que o país tem, o peso da Associação dos Escritores tem-se feito sentir, bem ou mal”.

Para Luís Bernardo Honwana, o facto de existir uma associação na qual os escritores se encontravam e discutiam, talvez tenha permitido que uma parte da construção da nação tenha sido questionada ou avaliada, porque os escritores pensam e reagem às coisas e encontram caminhos que ainda não foram traçados. Ou seja, os escritores contribuíram para que os moçambicanos pudessem interrogar e encontrar caminhos que, de outro modo, não seriam assim tão visíveis.

“Alguns escritores tiveram um papel importante no processo da independência nacional. Muito dos processos desses autores é parte do processo da consciencialização dos moçambicanos e de luta. Os escritores eram algumas das bandeiras que os moçambicanos empunhavam rumo à independência. Então, era imperativo que houvesse uma associação dos escritores”, lembrou, antes de se referir ao que lhe levou ao encontro na AEMO: a união dos escritores.

 

O RECONHECIMENTO DA CRISE E A URGÊNCIA NA UNIÃO

Segundo entende Luís Bernardo Honwana, a AEMO é uma questão ética, quer dizer, o perfil ético do país é um bocado a responsabilidade dos escritores. Para o autor de Nós matamos o cão-tinhoso, durante muitos anos, a maior parte da sua existência, a AEMO foi especial. Mas isso mudou, e, criticando a fraca adesão num encontro em que estiveram mais jornalistas do membros da AEMO, desenvolveu: “Estamos todos conscientes de que esta associação vive uma situação de crise que, é minha opinião, ainda não está resolvida. Nós tivemos, não faz muito tempo, um processo eleitoral que, pela maneira como foi conduzido e pela maneira como se concluiu, fez com que nós deixássemos de ser aquilo que éramos: um animal diferente que está preocupado com questões de ética e com a própria postura histórica. Ficámos um pouco parecidos com a crise do Maxaquene ou do Desportivo. Ninguém ficou satisfeito com isso”.

Respondendo às perguntas dos jornalistas, Luís Bernardo Honwana criticou a ausência dos que deviam dinamizar a AEMO da seguinte maneira: “Os membros da nossa associação não estão aqui. Nem os actuais nem aqueles que, durante o processo eleitoral, corporizavam uma lista alternativa. Isto é o princípio do fim, não tenham ilusões em relação a isso. Quer dizer, nós ganhamos, mas também não estamos aqui. Não estamos a dar vida a isto. A associação vive das pessoas, do debate e do pluralismo de ideias. Já não estamos juntos. Estamos num momento de crise”.

Por entender que a associação que ajudou a criar está em crise, Luís Bernardo Honwana afirmou que o problema não se resolve com a afirmação de que “eu tinha razão”, mas com a humildade de dizer: “estamos nesta situação e como é que nós saímos disto e o que temos de fazer e de que maneira é que voltamos a ser aquilo que éramos”.

Aproveitando a presença de Filimone Meigos, a quem coube moderar a sessão, na ausência do Secretário-Geral, Carlos Paradona, Honwana invocou ainda mais o último processo eleitoral: “Se eu tivesse estado no processo eleitoral, talvez não teria votado na lista que está no poder. Não me pus esta questão, mas eu não vim propositadamente. Mas, muito provavelmente, eu não teria votado em vocês [referindo a Filimone Meigos]. Mas é necessário, neste momento, que todos nós nos juntemos para não deixar esta associação deslizar por esta via por onde está a deslizar a caminho do abismo. E quem tem de dirigir este processo é a direcção que nós temos. Não estamos a discutir eleições, as listas. Estamos a discutir o futuro desta associação”.

Na abertura da Conferência Constitutiva da AEMO, no então Conselho Executivo da Cidade de Maputo, Marcelino dos Santos, a presidir ao evento, afirmou que a literatura é um meio de elevar a inteligência a níveis superiores e de exercitar o raciocínio, um modo de libertar a capacidade de inovar, uma forma de atingir a plenitude da satisfação criativa e de mobilizar os obreiros da criação literária.

Na mesma sessão, intervieram Luís Bernardo Honwana, Orlando Mendes, Fernando Ganhão, Sérgio Vieira e Carlos Cardoso.

A primeira direcção da AEMO foi constituída da seguinte maneira: José Craveirinha (Presidente da Mesa da Assembleia), Joshua Mbazima e Abiatar Cossa (Vice-Presidentes), Leite Vasconcelos e Rafael Maguni (Secretários), Rui Nogar (Secretário-Geral), Albino Magaia (Secretário-Geral-Adjunto), Jorge Viegas, Calane da Silva, Gulamo Khan (Vogais), Orlando Mendes (Presidente do Conselho Fiscal), Clotilde Silva (Secretária) e Álvaro Zumbire (Relator).

 

O guitarrista e compositor moçambicano falava durante uma saudação do Ministério da Cultura e Turismo, em virtude da conquista de dois prémios internacionais, no último domingo.

Depois do reconhecimento internacional, no passado domingo, na África do Sul, onde o guitarrista moçambicano, Jimmy Dludlu, foi distinguido nas categorias Carreira e Melhor Álbum de Jazz de África, esta terça-feira, foi a vez de receber os “parabéns” nacionais.

A ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula agradeceu ao artista, por considerar que o seu contributo tem servido para o reconhecimento da cultura moçambicana na diáspora.

Para Eldevina Materula, o que a África do Sul fez foi devolver ao artista o que ele tem dado à sociedade, por isso “estamos muito orgulhosos. Esta conquista prova foco e determinação. Foco porque as convicções superam quaisquer dificuldades, que são o segredo para o sucesso”.

Jimmy Dludlu agradeceu a todos os que contribuíram para a sua evolução profissional.

“Desde 1995 que gravo na África do Sul e estou muito grato pelo reconhecimento da minha contribuição na industrial cultural daquele país. Estou grato ainda pelo reconhecimento do Ministério da Cultura. Não é todo dia que se chama alguém do Chamanculo. Estamos aqui para enaltecer a nossa cultura e o nosso bairro”, afirmou.

Apesar de ser grato pelo reconhecimento internacional, Jimmy Dludlu lamenta pelo facto de não sentir o apoio e reconhecimento dos artistas moçambicanos, a nível nacional,

“O que posso fazer, irmão? Ainda que chore profundamente aqui, em Moçambique (…) nada acontece. O que posso fazer? Só posso colocar tudo nas mãos de Deus e continuar a fazer o meu trabalho. Deus é que sabe.”

History in a frame é o título do melhor Álbum de Jazz da África do Sul, designação concedida pelo concurso South African Music Awards (SAMAs). Constituído por 20 faixas originais, é o álbum de Jimmy Dludlu, um guitarrista com mais de 30 anos de carreira.

O guitarrista Jimmy Dludlu foi distinguido com os prémios Carreira e Melhor Álbum de Jazz, na 28ª edição dos South African Music Awards (SAMAs), que decorreu este domingo, no Sun City Superbowl, na África do Sul.

 Jimmy Dludlu viajou para África do Sul sabendo que seria distinguido com o Prémio Carreira, no South African Music Awards (SAMAs). Com efeito, além de tal reconhecimento que para si, à partida, constituiu uma bela surpresa, o guitarrista conquistou a estatueta referente ao Prémio Melhor Álbum de Jazz da África do Sul.

Numa sessão bem concorrida por astros da indústria musical sul-africana, discursando no palco, este domingo, Jimmy Dludlu agradeceu a todos os que contribuíram para que o seu 10º disco fosse uma realidade: “Agradeço a Deus por este prémio. O meu agradecimento especial estende-se à minha família, à minha esposa Sandra e a todos os músicos que contribuíram para este álbum”.

History in a frame é um álbum constituído por 20 faixas, no qual, pela primeira vez, o guitarrista faz uma fusão dos ritmos jazz e amapiano. Além de investir na recriação de temas do cancioneiro popular moçambicano, por exemplo, com o tema “A masiko”, o disco também é um pretexto encontrado por Jimmy Dludlu para homenagear autores como Eugénio Mucavele, Bob Marley, Aretha Franklin, James Brown, Hugh Masekela e Miriam Makeba, artistas de referência para o guitarrista de Chamanculo.

O Melhor Álbum de Jazz da África do Sul é, portanto, Made in Mozambique e conta com várias colaborações. Por exemplo, de Moreira Chonguiça, Rodhália Silvestre e Camilo Lombard. O disco foi chancelado pela Universal Records da África do Sul.

 

 

 

Os livros vencedores do Prémio Literário Fernando Leite Couto 2021/2022, Diamantes pretos no meio de cristais, de Maya Ângela Macuácua, e Quando os mochos piam, de Geremias José Mendoso, serão lançados esta terça-feira, a partir das 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo.

Numa cerimónia que contará com intervenções de Mia Couto e do Director do Camões, João Pignatelli, os dois vencedores do prémio literário (ex aequo) irão referir-se ao seu processo criativo e, eventualmente, ao simbolismo de serem editados pela Fundação Fernando Leite Couto.

Diamantes pretos no meio de cristais é um romance que ficciona uma série de eventos inerentes à segregação racial em Moçambique, na África do Sul e nos Estados Unidos. A partir do seu exercício literário, a Maya Ângela Macuácua sugere pensar-se o presente a partir do passado e da relação que as personagens estabelecem com o outro. “Eu escrevi o livro em 2016, para um outro concurso, que, infelizmente, não consegui participar. (…) Antes de submeter ao Prémio Literário Fernando Leite Couto, um amigo ajudou-me a rever a história. Aí notei que a história tinha alguns poréns. Era necessário muito estudo para aprofundar a matéria, porque se tratava de épocas diferentes, com personagens diferentes e características diferentes. Foi aí que eu notei que tinha de vasculhar mais a História e perceber como é que poderia incluir aquilo que realmente aconteceu na ficção”, explicou Maya Ângela Macuácua, numa entrevista cedida a este jornal, em Maio.

Quanto a Quando os mochos piam, Geremias Mendoso escreveu o livro de contos explorando a tradição oral. Até porque “Em África, consideramos que, quando os mochos piam, transmitem uma informação sobre a morte. Isto tem relação com o meu primeiro livro, O gato que chora como pessoa, editado em Portugal”, acrescentou, esta segunda-feira, o autor: “No entanto, não uso o mocho como personagem, mas como narrador de todas as histórias que têm algo em comum”.

Quando os mochos piam é um livro a oscilar entre o hilariante e o trágico. Também por isso, Mendoso espera que os seus leitores se divirtam enquanto estiverem a lê-lo.

Em virtude da distinção no concurso literário, Macuácua e Mendoso dividiram 150 mil meticais. Além disso, depois da edição da Fundação Fernando Leite Couto, os seus livros serão editados em Portugal, onde também terão uma residência literária na Câmara Municipal de Óbidos, durante 30 dias, e participação no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, em Outubro.

Entre os membros do júri que distinguiram Diamantes pretos no meio de cristais, de Maya Ângela Macuácua, e Quando os mochos piam, de Geremias José Mendoso, destacam-se Francisco Noa (Presidente), Conceição Siopa, Conceição Siueia e Albino Macuácua.

 

 

 

 

 

Às 16 horas desta terça-feira, a Editorial Fundza vai lançar, no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na Cidade de Maputo, dois livros infanto-juvenis, designadamente: O príncipe Suehtan e a Aruella no Tulipix, de Andreia Edna da Silva, e O abecedário que finge ser mudo, de Ernesto Moamba.

Ambas as obras serão apresentadas pelo escritor Juvenal Bucuane e foram editadas na sequência da chamada literária aberta pela Fundza no início do ano.

O livro de Andreia Edna da Silva, O príncipe Suehtan e a Aruella no Tulipix, segundo uma nota da Editorial Fundza, começou a ser escrito em Dezembro de 2021, em Inhambane. “Recorrendo à ficção, a escritora quis projectar uma certa imagem do filho na adolescência, pensado no seu carácter, na sua educação, no seu futuro e no respeito às pessoas”, lê-se mp comunicado.

O príncipe Suehtan e a Aruella no Tulipix é uma história sobre a amizade de dois adolescentes, em que o príncipe é muito curioso e gosta de fazer muitas amizades e a Aruella é uma menina especial que se protege constantemente do mundo. A personagem assim procede porque já foi discriminada por ser albina. O príncipe Suehtan tenta ajudar a amiga, mostrando-a que os seres humanos são todos diferentes e, nessa condição, iguais. O livro foi ilustrado por Denise Mboana

Quanto a O abecedário que finge ser mudo, avança a Fundza, é primeiro livro de Ernesto Moamba editado em Moçambique e foi escrito durante o confinamento, em 2020. Em geral, trata-se de uma fábula, resultado das experiências que o autor teve vivendo no campo com os seus avôs. No livro, Moamba explora uma narrativa sobre a realidade actual em Moçambique e no mundo.

Ilustrada por Ariana Kom, o conto de Moamba passa-se numa biblioteca. Nesse espaço fictício, existem um abecedário e números. Os números sempre se julgam os melhores do mundo. Pelo contrário, o abecedário sempre investe na igualdade, o que leva ao enredo um certo equilíbrio social.

A cerimónia de apresentação dos livros de Andreia Edna da Silva e Ernesto Moamba, em Maputo, acontece depois de ambos terem sido lançados no FLIK 2022, na Cidade da Beira.

Andreia Edna da Silva nasceu no dia 2 de Março de 1986, em Maputo, e vive na Cidade de Inhambane. Tem algumas participações em antologias poéticas e de contos, tendo, em Dezembro de 2020, sido seleccionada para fazer parte do e-book Um Natal experimental e outros contos, com o texto “O desejo do príncipe Suehtam”, pela Gala Gala Edições. Em Abril de 2022, foi lançada a obra “Espíritos quânticos: uma jornada por histórias de África em ficção especulativa”, organizada por Virgília Ferrão, onde tem o texto “Os guardiões da terra”.

Ernesto Moamba nasceu a 4 de Agosto de 1994, na Cidade de Maputo. A temática de sua escrita é marcada pela dor, o desespero e o sofrimento do seu continente. É membro fundador da AMCL (Academia Mundial de Cultura e Literatura), ocupando a Cadeira 21, com o patrono Cruz e Souza. Lançou e publicou, pela Editora do Carmo (Brasília, DF), o livro de estreia de poesia “Liberta-te, mãe África”. Lançou e publicou, pela Editora Folheando (Pará, Brasil), o livro infanto-juvenil “O coelho fugitivo: entre a esperteza e o medo”. Recentemente, publicou, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por meio da Editora Underline Publishing, o livro “Free Yourself, Mother África”, e, na Colômbia, pela Editorial Torcaza, “Libérate, madre áfrica”, ambas traduções de “Liberta-te, mãe África”.

 

 

O Museu Mafalala, em parceria com a Associação Cultural Boa Coisa, reinaugura, às 14 horas desta terça-feira, no Bairro Mafalala, na Cidade de Maputo, o Mural dos Poetas.

A obra de Shot-B foi inicialmente produzida em Fevereiro de 2016, segundo lembra o Museu Mafalala, fruto de um exercício de envolvimento comunitário, construção de símbolos e referências locais.

O acto de reinauguração, com efeito, busca enaltecer os feitos de grandes nomes da literatura moçambicana. Além de José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui de Noronha e João Albasini, que morreu há 100 anos.

Segundo avança uma nota de imprensa sobre a reinauguração, o mural integra-se no programa de galeria a céu aberto do Museu Mafalala, que, além da estética e do elemento pictórico, busca, por via da arte, manter viva a memória colectiva.

O projecto, acrescenta a nota de imprensa, contou com a participação do estúdio de arquitectura HUEIV e com a colaboração de estudantes da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane.

O Mural dos Poetas faz parte de um conjunto de intervenções em espaço público com a curadoria do Museu Mafalala, que também contempla as seguintes obras: Mural Diversidade Cultural | Tufo da Mafalala, 2016, de Francisco Vilanculos; Mural Xipixi xa Ntima, 2019, de Marcelino Manhula; e Mural  dos Heróis do Desporto, 2020, de Chaná de Sá.

A terceira edição do concurso de descobertas de talentos infantis, Mozkids Talents, arrancou este domingo, na Stv. Na gala de abertura, 34 crianças subiram ao palco da Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo.

 

Ao fim de dois anos, o Mozkids Talents está de regresso ao palco. Às 18 horas deste domingo, o concurso de descobertas de talentos infantis levou ao palco da Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, 34 concorrentes divididos em três categorias: Teatro, Dança e Música. Na primeira de 10 galas, os primeiros concorrentes a apresentarem-se foram Miguel e Shelton, de teatro, que apresentaram uma peça sobre questões domésticas actuais. Na interpretação, a dupla de pequenos actores reflecte sobre a leviandade de algumas mulheres, que valorizam o entretenimento em detrimento da informação. De igual modo, os meninos exploraram a situação de Cabo Delgado, colocando o público como que a visualizar o drama do terrorismo.

Na abertura do Mozkids Talents, na verdade, o teatro serviu para levar aos pais e/ou encarregados de educação, que puderam acompanhar a gala a partir da Arena 3D, momentos de introspecção, muitas vezes, com tom hilariante assinalável.

Já na dança, concorrentes como Leónidas Massingue tornaram a marrabenta uma linguagem universal. O menino fingiu ser uma dançarina de Neyma, ao dar movimento à música “Como anima a marrabenta”.

Individualmente e em duplas, os concorrentes do Mozkids Talents não só exerceram capacidades psicomotoras como puderam fazer o que gostam com o apoio dos pais e/ou encarregados de educação que também fizeram parte da festa.

Além de Teatro e Dança, a gala ainda teve instrumentistas de qualidade. Entre eles, a menina Naima, que investiu no cancioneiro popular moçambicano. A pequena pianista fez do teclado uma aliança e, por isso, conseguiu impressionar e colorir o domingo dos que acompanharam a gala, quer na Arena 3D, quer, eventualmente, pela Stv. Vestida de branco, a pianista pareceu ser um anjo a tocar. Talvez, por isso, não só as luzes do palco tornaram o seu vestido mais reluzente, bem como os olhos do público fixaram-se religiosamente nela, enquanto durou a actuação.

Ainda nos instrumentos musicais, Kennedy interpretou o tema “Aleluia”, mesmo a condizer com o primeiro dia da semana. Tocando saxofone, Kennedy quase fez do seu instrumento musical um factor de oração. O pequeno saxofonista interpretou aquele tema acompanhado por coristas profissionais, o que fez da actuação algo realmente contagiante.

Ainda nos instrumentos musicais, quem não quis ficar atrás foi Vanilson. O menino tocou bateria como ninguém. Por isso mesmo, um dos membros do júri, Joaquim Matavel, não se conteve: “Eu estava a ouvir aqui na produção que vão tocar o baterista da banda por Vanilson. Boa actuação e parabéns!”. As palavras de Matavel foram ditas entre gargalhadas do público que apoiou muito o baterista.

Ora, um dos momentos mais altos da gala de abertura foi quando os concorrentes de Música foram desafiados a cantar com banda, como nunca antes tinha acontecido. Com os instrumentistas e coristas profissionais, os pequenos iniciaram-se no palco com apresentações exigentes, e cantaram ao vivo como se estivessem habituados a estar em palco. Em geral, ouviu-se muita música moçambicana na gala de abertura. “A mensagem que nós estamos a transmitir para sociedade é que é preciso investir na cultura e nas artes porque têm mais-valia na aprendizagem e na activação de outras capacidades cognitivas das crianças”, disse Zé Pires, o Director-Artístico do Mozkids Talents.

De modo a alcançar-se os resultados artísticos pretendidos na formação das crianças, o Mozkids Talents decidiu envolver os pais na concepção dos conteúdos a serem apresentados pelas crianças ao longo das galas. “Tudo o que for a ser visto, foi cuidadosamente estudado para que preserve as crianças”, acrescentou Zé Pires.

Além do encenador Joaquim Matavel, as crianças terão, ao longo das galas, acompanhamento de outros membros do júri, nomeadamente, a bailarina e coreógrafa Memi e a cantora Lenna Bahule.

Para a apresentadora do programa, Yara da Silva, Mozkds Talents vai continuar a lapidar estrelas nacionais como aconteceu nas duas primeiras edições. “Temos várias estrelas que saíram dos nossos realty shows. Vale a pena, porque, para além de estarem a fazer o que gostam, aprendem bastante do júri.

Durante o casting desta terceira edição, cerca de 150 crianças disputaram o acesso ao Mozkids Talents. A sorte coube a 34 concorrentes, que voltam ao palco da Stv próximo domingo, às 18 horas.

 

 

 

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