O País – A verdade como notícia

O romance A varanda do frangipani, de Mia Couto, será lançado em árabe, ainda este ano, pela editora iraniana Ofoq Publishers.

 

Numa publicação promocional sobre A varanda do frangipani, a Companhia das Letras do Brasil observa que o romance de Mia Couto faz um retrato poético e crítico da realidade de Moçambique, cruzando a História, elementos fantásticos e o carácter policial. Publicado em 1996, o livro tem no universo fictício Ermelindo Mucanga, personagem que morreu às vésperas da independência nacional. A determinada altura do enredo, as autoridades do seu país desejam transformar Ermelindo Mucanga num herói, mas essa honraria não está nos planos do morto. Por isso, os eventos subsequentes conduzem o leitor a uma história policial cheia de aventura.

Mia Couto lançou A varanda do frangipani aos 41 anos de idade. Nessa altura, já era um autor consagrado. Também por essa razão, a obra literária teve oito edições em 10 anos, isto é, entre 1996 e 2006. Como que partindo de uma varanda a servir de ponte, o romance de Mia viaja, agora, para o outro lado mundo. No Irão, esse país que tanto combina com o verbo ir, o romance será lançado numa edição em árabe ainda este ano.

A varanda do frangipani não é o primeiro livro de Mia Couto a ser traduzido para o árabe. Terra sonâmbula, A confissão da leoa e Mulheres de cinzas foram traduzidos em 2002, 2014 e 2017, respectivamente, pela editora Dar al Adab, do Líbano. Ano passado, o livro Terra sonâmbula também foi traduzido para árabe pela editora iraniana Ofoq Publishers, a mesma que este ano irá lançar A varanda do frangipani.

Para Mia Couto, “Um livro traduzido em qualquer outra língua traz sempre a sensação de uma espécie de um novo nascimento de um texto que parecia adormecido. Quanto mais distante é esse idioma mais revejo a imagem de um filho que toma uma estrada desconhecida e sentimos ao mesmo tempo orgulho e receio porque esse que parte ainda é um pouco de nós, mas já é um outro que desconhecemos”.  

Ao longo de quatro décadas de percurso literário, Mia Couto já foi publicado em 40 países. Tais como Angola, Alemanha, Brasil, Canadá, China, Croácia, Eslováquia, Espanha (castelhano, catalão e galego), Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Itália, México, Noruega, Países Baixos, Portugal, República Checa, Rússia, Suécia, Sérvia, Ucrânia e Uruguai.

Além da tradução para árabe pela editora iraniana, recentemente, A varanda do frangipani foi adaptado para o cinema por Sol de Carvalho. A longa-metragem está em pós-produção e será lançada brevemente com o título O ancoradouro do tempo.

A pintora moçambicana Cassi Namoda inaugurou, no dia 14 deste mês, a sua segunda exposição de artes plásticas no continente africano. A mostra individual A vida tornou-se uma lista de obras em línguas estrangeiras está patente na Goodman Gallery, Cidade do Cabo, na África do Sul, até 3 de Setembro.

Não são muitas as individuais de Cassi Namoda no continente africano. Na verdade, a artista tem duas exposições, ambas inauguradas na África do Sul. A segunda, intitulada A vida tornou-se uma lista de obras em línguas estrangeiras, está patente, desde 14 do mês em curso, na Goodman Gallery, na Cidade do Cabo, onde a pintora produziu as obras que agora compõem a mostra durante uma residência artística no início do ano.

Em A vida tornou-se uma lista de obras em línguas estrangeiras, com efeito, Cassi Namoda explora o imaginário colectivo dos moçambicanos, mergulhando nas memórias, nas vivências e no quotidiano sociocultural nacionais. Em geral, as obras da mostra exploram e retratam a condição da mulher moçambicana, seja urbana e/ou rural. Referindo-se ao seu processo criativo, a artista que vive entre Nova Iorque e Los Angeles destaca que se trata de “uma exposição baseada no realismo mágico, olhando para o realismo como a desconstrução do negro e explorando a alienação da mulher negra”.

Essa mulher negra, nas obras de Cassi Namoda, por um lado, é energia, poder, sensualidade e maternidade. Por outro, é subalternização, assédio, objecto sensual e coisificação. De certo modo, a individual revela a maneira como o ser feminino é visto em vários contextos sociais de Moçambique.

A segunda individual de Cassi Namoda no continente que a viu nascer (a primeira na Cidade do Cabo, depois de Joanesburgo em 2020), está dividida em duas séries definidas por abordagens diferentes com a pretensão de explorar realidades vivenciadas por mulheres negras que tanto a inspiram, nesta e em outras exposições que tem feito ao longo dos anos. Essa é uma forma de Namoda reflectir sobre a dor, a vulnerabilidade dos seres que geram vida, mas que, geralmente, não são valorizadas como deviam. Há-de ser por essa razão que o corpo é um objecto estético caro para a artista natural de Maputo na mesma proporção que se revela uma ferramenta aparentemente contestatária.

Considerando a relevância do tema condição da mulher patente na mostra, Cassi Namoda confessa: “Pintei de forma figurativa. Nesta mostra há menos abstração e exploro a ideia da alienação”. Ao explorar tal ideia, a artista faz um jogo de cores que se cruzam nas várias obras resultantes da técnica óleo sobre tela. A cor de laranja, o azul celeste, o castanho, o preto, o verde-claro e o vermelho cruzam-se como que a enaltecer uma certa continuidade de estilo criativo.

Nas pinturas de A vida tornou-se uma lista de obras em línguas estrangeiras há ainda essa espécie de diálogo criativo com a fotografia de Ricardo Rangel, onde Cassi Namoda vai buscar o passado como ferramenta para ler o seu presente, do seu povo e do mundo a que pertence. Esta não é a primeira vez que a pintora faz com que a sua obra comunique com um artista moçambicano. Em 2018, por exemplo, expôs We killed Mangy Dog (Harper’s Books, Hamptons, Estados Unidos). Traduzindo do inglês para português, We killed Mangy Dog que significa Nós matamos o cão-tinhoso. Portanto, a mostra individual de Cassi Namoda foi inspirada na obra literária de Luís Bernardo Honwana.

Como em Honwana ou em Rangel, em Namoda a construção de narrativas é algo permanente. A cor é o universo das figuras que também se apresentam como personagens sem movimento. Já o pincel também é uma forma de viajar por atmosferas, possivelmente, revendo locais onde viveu (Quénia, Haiti, Benim, Indonésia) e configurando outros lugares idealizados.

A artista moçambicana, filha de mãe moçambicana, de Quelimane, e de pai norte-americano, estudou cinematografia na Academia de Artes em São Francisco, Estados Unidos, onde tem exposto individuais com regularidade.

 

Os artistas Celso e Lucrécia Paco apresentaram-se me concerto, esta sexta-feira, no Grebbestad Jazz Festival. Ao longo de hora e meia de apresentação, Celso Paco fez um dueto com a sueca Rigmor Gustafsson.

 

A mulher na imagem que acompanha este texto chama-se Rigmor Gustafsson. É cantora sueca e, sexta-feira, subiu ao palco do Grebbestad Jazz Festival para fazer o que gosta: cantar. Mas este texto não é necessariamente sobre a artista. Aqui é mencionada por ter partilhado o palco do Grebbestad Jazz Festival com o artista ao lado na imagem, ou seja, Celso Paco, que não se esqueceu de propor sonoridades moçambicanas ao público. No evento, participaram grandes nomes do jazz sueco, entre esses nomes, claro está, Rigmor Gustafsson, descrita por Paco como “uma cantora fantástica!”.

No Grebbestad Jazz Festival, Celso Paco e banda tocaram o que o músico considera marrabenta jaizzifica, permitindo aos espectadores presentes na sessão captar passos e o ritmo que caracteriza o estilo musical cultivado no Sul de Moçambique. Mas a noite não se resumiu apenas à marrabenta. De igual modo, “Fiz um dueto com uma das cantoras que aprecio em termos de actuação musical e técnica vocal. Foi uma honra fazer um dueto de bossa nova brasileira com a Rigmor Gustafsson, um dos estilos mais clássicos do jazz”.

No dueto sueco-moçambicano, Celso Paco cantou em português e Rigmor Gustafsson em inglês. A experiência foi tão positiva que muita gente, do público, foi agradecer aos artistas pela performance musical.

Durante hora e meia de concerto no Grebbestad Jazz Festival, Celso Paco (voz e percussão) foi acompanhado por Anders Kjellberg (bateria), Alexander Lovmark (baixo), Knut Reiersrud (guitarra) e Rigmor Gustafsson (voz). Na mesma actuação, Lucrécia Paco disse um texto musicado pela banda e ainda cantou marrabenta. A actriz descreveu nos seguintes termos a experiência partilhada com o irmão e com a banda: “Tem sido fantástico poder pisar vários palcos e explorar espaços alternativos também”. E Lucrécia Paco não se limitou apenas a uma apreciação do trabalho de palco. “Temos tido muitos encontros, de forma espontânea, como um interessante abrir de portas para futuras colaborações”.

De acordo com a actriz, o artista sueco David Back, que nutre uma grande paixão por Moçambique, tem impulsionado encontros entre vários artistas, através da sua plataforma do Wolrd Music.

Além de actuar no Grebbestad Jazz Festival, Celso e Lucrécia Paco apresentaram-se na Vila Gerlesborg, sábado, e, este domingo, chegou a vez da Cidade de Gutemburgo.

Chegou à Rua Timor Leste, número 108, Cidade de Maputo, como quem vai a uma sombra. O dia estava todo cinzento, com pingos de chuva, todavia Mabjeca Tingana levava à cabeça um chapéu de palha, desses que antes eram abundantes mas que, ultimamente, quase sumiram. Restou um, felizmente. Claro está, na posse do senhor Tingana. Homem franzino, calmo, comedido nas palavras. Dispensando a maquilhagem, entrou no estúdio do programa Artes e Letras, onde nunca antes esteve um homem de chinelos. Sentiu-se em casa. Por isso, ali falou de Ndzhutini, título do seu livro de estreia que funciona, de facto, como um lugar que permite efectuar viagens pela sua língua materna. O texto abaixo, na verdade, é o essencial dessa tentativa de entrevistar um poeta que sonha em changana.

 

Ndzhutini é uma proposta para nos reunirmos num lugar, de modo a pensarmos a expressão do poeta que se está a revelar a cada dia?

Ndzhutini é um lugar que eu procuro ter um refúgio, um lugar que eu procuro ter uma sombra para poder me libertar. Esta sombra é um lugar em que estando tudo limpo, acaba estando tudo sujo. Há coisas que não se podem traduzir sobre esta obra.

É por isso que não investiu numa edição bilingue, por entender que há coisas do changana que não se podem traduzir?

Pensou-se na possibilidade de fazer uma edição bilingue, mas eu não quis. Sou investigador de línguas moçambicanas. Faço poesia em changana e traduzo do português para o changana. Então, para mim, não faria muito sentido uma edição bilingue, porque as pessoas iriam apostar em português e não no changana. Assim consigo me libertar melhor, porque eu, quando estou a dormir, não sonho em português, sonho em changana. Changana é uma forma de poder estender aquilo que pretendo, segundo a minha forma de pensar. Nunca escrevo nada em português. Tudo começa em changa e, depois, é traduzido para o português. Mesmo os poemas.

Não lhe preocupa a ideia de que pouquíssimos leitores poderão ler-lhe e compreender a sua poesia?

Eu, quando comecei a produzir o livro, não pensei e nem penso no leitor. Penso em dar asas às línguas moçambicanas, às 23 línguas moçambicanas que temos. Para podermos estar independentes, temos de pensar nas nossas línguas como forma de educação, ao invés de investirmos nas línguas estrangeiras nesse sentido. Então, não pensei no público, no leitor, no mercado e em nada disso. Pensei numa forma de me libertar e esgrimir aquilo que tenho dentro de mim, em changana.

O que mais quis fazer deste Ndzhutini?

Esta é uma colectânea de poemas que fala de mitos e verdades de Moçambique. Este é um livro triste. Não tem nada de alegre. Reflecte um pouco do preconceito e da situação em Cabo Delgado. Tudo triste que tem a ver com a nossa sociedade.

Portanto, está a reconhecer que, quando escreve, deixa-se guiar por uma intensão além do estético?

Não existe um povo sem cultura e sem língua. Não existe um povo sem cultura para a libertação. No nosso país, as pessoas, às vezes, confundem as coisas. A cultura não deve ser partidária, mas cá é. A educação não deve ser partidária, mas ca é. Já agora, acho que não devia existir um Ministério da Cultura, mas uma agremiação que nos representasse. O Ministério da Cultura não nos representa porque é partidário.

A quem se refere quando diz não nos representa?

Não nos representa, a nós, sociedade moçambicana.

Não é um pouco presunçoso falar em nome da sociedade moçambicana?

Não nos representa porque o Ministério da Cultura que temos é partidário, tem preconceito linguístico, discrimina os artistas, que apenas são valorizados quando chega o momento da campanha eleitoral e mais outras coisas.

O seu livro também é sobre essas coisas que lhe permitem ler o contexto social, político e cultural, tudo resumindo na poesia. O que esse todo exercício significa para si como poeta?

O texto Ndzhutini diz tudo o que pretendo dizer e não consigo responder numa entrevista como esta. Se puderem ler, poderão compreender-me melhor.

Para si é mais fácil escrever do que falar?

É mais fácil libertar-me como uma forma de colocar questões em relação ao que me preocupa. Com ou sem dificuldades, temos de exprimir a nossa dor, de modo a influenciarmos a mudança para o melhor nas pessoas.

O que significa dizer svithokozelo?  

É uma forma de exercer a liberdade.

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País

Sugiro a obra Nghozini e Mhalo, de Porto Manhiça; Gungunhana, de Ungulani ba ka Khosa; e A longa marcha duma “educação para todos” em Moçambique, de Severino Ngoenha e José Castiano.

 

Perfil

Mabjeca Tingana nasceu em Maputo. É escritor, poeta e actor. Escreve e declama poesia em changana. É activista cultural, defensor de educação e valorização das línguas bantu. Tem seus textos publicados em várias antologias em Portugal, Argentina e Brasil. Tem um poema publicado no livro Lomuku, de Severino Ngoenha. É membro do Movimento Literário Kupaluxa e da ACLA – Academia Capanemense de Letras e Artes – Brasil. Recentemente, estreou-se em livro com Ndzhutini (Na sombra), poesia escrita inteiramente em changana.

 

 

 

Por: Fernando Manhiça

O Velho Solitário, obra com que Huwana Rubi se faz anunciar no sagrado pórtico da Literatura Moçambicana, é uma empolgante experiência estética. Trata-se da sua obra de estreia, uma obra cuja desenvoltura deixa desde logo antever ou mesmo vaticinar-lhe um brilhante percurso nas lides literárias.

Em O Velho Solitário, Huwana Rubi, relata-nos uma história que se estrutura à volta de Rungo, um idoso cujas vicissitudes da vida o tornam uma pessoa amargurada. Todavia, as peripécias que caracterizam a desafortunada vida de Rungo conhecem um desenlace absolutamente inesperado.

Ora, a história que Huwana Rubi nos apresenta é aparentemente trivial, aparente porque, efectivamente, o tema de infortúnio é apenas um ponto de partida, a partir do qual a intriga se vai desdobrar em várias outras temáticas de pendor social, histórico, cultural e até politico.

Com efeito, parece-nos bastante notável a desenvoltura com que o narrador desta intriga, sem prejudicar a tão essencial unidade estrutural, consegue harmonizar vários temas e criar um universo ficcional de interesse.

A propósito do narrador, gostávamos de lhe assinalar a transparência e a singeleza do discurso, evitando excessos esteticistas optando efectivamente por uma linguagem, um ritmo e um tom tão cristalinos cuja textura nos remete à oralidade.

A tradição oral africana é uma marca constante em quase toda esta obra, representada, entre outros elementos, pelos mitos e provérbios.

Com a permissão da Huwana e obviamente sem levantar o “véu da noiva” ou seja sem revelar o desfecho da história, gostávamos de acrescentar que a sorte que a história reserva à personagem Rungo pode encontrar um paralelismo com o final que costuma caber às personagens principais ou protagonistas das histórias/contos da tradição oral. Efectiva e frequentemente o desfecho daquelas narrativas assume uma dimensão moralizante, procurando exaltar valores tais como a honestidade ou a bondade.

O modelo da tradição oral pode ser também aplicado na análise à modelação, percurso e destino final das outras personagens d`O Velho Solitário, tais como o Matapa, o vilão da história.

A nosso ver, o ritmo poético bem como as estratégias técnico-narrativas que Huwana adopta, pelo menos n`O Velho Solitário sua obra de estreia, põem-na a dialogar, explícita ou implicitamente, com vários outros escritores moçambicanos, de que a Paulina Chiziane é o exemplo mais flagrante.

Ainda bem que assim é, pois julgamos que esta opção, consciente ou irreflectida, pela continuidade literária, pelo dialogismo enriquece o fazer literário.

Como todos devemos estar lembrados, em arte não existem obras adâmicas. Em arte, nada vem do nada, as obras comunicam umas com as outras. Portanto, faz bem a Huwana em apropriar-se antropofagicamente do que há de bom em sua volta em termos de literatura.

Da profusão de recursos estilísticos que compõem a grandiosidade desta obra, há que destacar o ecletismo, por via do qual a Huwana vai buscar às mais áreas de conhecimento apontamentos para reflexão, trabalhando-os e reconfigurando-os e dai resultado um belíssimo efeito estético. Ao longo das páginas de d`O Velho Solitário cruzamo-nos com filosofia, psicologia, teoria de arte, conhecimento popular bem como algumas alusões ao movimento feminista.

Há entretanto que ressaltar a antítese que resulta deste recurso ao ecletismo, pois se por um lado ela reconhece a importância de um saber mais cosmopolita, por outro ela, através do seu narrador, instaura um debate sobre a relação, dialéctica, entre a cultura universal e a cultura africana, um debate que é, aliás, apanágio da literatura moçambicana.

Ora, O Velho Solitário é uma estreia notável e, como já referimos, abre uma boa perspectiva em relação à mais nova escritora moçambicana, Huwana Rubi! Estamos convictos que o tempo tratará de o confirmar o mais urgentemente possível.

Em surdina, gostávamos de referir que às imprecisões, havendo-as, próprias de um livro de estreia, sobrepõe-se a força, a coragem, a criatividade e a originalidade da poética da Huwana.

Por fim, gostava de desejar uma óptima leitura e que dela resultem muitos e bons debates. Que depois d`O Velho Solitário venham muitos mais livros da Huwana.

Marcelo Panguana considera Álvaro Fausto Taruma um dos autores que mais se destaca no país pela forma como reformula a palavra e a linguagem literária durante a construção poética. O escritor apresentou o quarto livro de Taruma esta quinta-feira, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

 

O dia de lançamento da quarta obra literária de Álvaro Fausto Taruma chegou e, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, esteve o autor e o apresentador de Recolher obrigatório do coração. Momentos antes da cerimónia de lançamento começar, Marcelo Panguana falou à imprensa, partilhando, com efeito, o que pensa da escrita do poeta da Inhaca.

Segundo entende Marcelo Panguana, Álvaro Fausto Taruma é um dos autores da nova geração que está virado para o futuro da literatura moçambicana. Por isso mesmo, “Recolher obrigatório do coração, para mim, não representa apenas um salto do Álvaro Taruma. Representa, fundamentalmente, um salto da poesia moçambicana”.

Como que a resumir a sua apresentação, Marcelo Panguana disse ainda que com o seu quarto livro Taruma abre uma janela literária para dentro e para fora do país. “Atrevo-me a dizer que, com este livro, nós, os moçambicanos, mostramo-nos ao mundo e a nós próprios aquilo que somos capazes. Mostramos ainda que a literatura é uma das grandes apostas e das melhores parceiras que podemos ter na consolidação da nossa moçambicanidade”.

Já a terminar a partilha da sua leitura, Marcelo Panguana defendeu que se deve investir no autor de Recolher obrigatório do coração ou de Matéria para um grito lendo-o. E sublinhou: “Taruma subverte, de certa maneira, a forma como a poesia tem sido praticada em Moçambique. Ele inova e dá o salto. Utilizando as mesmas palavras que os outros poetas utilizam, dá um salto amais porque reformula a palavra e a linguagem e coloca-nos perante o conceito verdadeiro do que é poesia”.

Álvaro Fausto Taruma lança Recolher obrigatório do coração quatro anos depois de ter partilhado o Prémio BCI de Literatura para melhor livro do ano com Armando Artur. Tinha, nessa altura, 30 anos de idade. Taruma é formado em Sociologia com habilitação em Antropologia e teve passagem pela docência. Actualmente, tem-se dedicado à criação de conteúdos para cinema, rádio, televisão e meios digitais, trabalhando para marcas comerciais e agências criativas em Moçambique, Angola e Portugal.

A sua mais recente obra literária, Recolher obrigatório do coração, é constituída por 71 páginas e foi editada pela Alcance Editores.

A fim de homenagear, a título póstumo, o artista plástico Victor Sousa, pelos 70 anos de nascimento, está aberta, de 07 a 29 de Julho de 2022, a exposição O sortilégio estético.

 As obras que unem na mesma iniciativa a Associação Kulungwana e o Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na verdade, estão repartidas em duas exposições em homenagem ao artista Victor Sousa. Estas exposições retratam a importância deste artista no contexto das artes plásticas moçambicanas.

Lembrado muitas vezes como tendo sido o primeiro professor moçambicano de artes plásticas na Escola Nacional de Artes Visuais, foi também pintor, gravador, ceramista e escultor. Esteve sempre ligado ao Núcleo de Arte e a uma geração de artistas do seu tempo e a novos artistas que passavam frequentemente pelo seu atelier.

Segundo uma nota de imprensa, as obras apresentadas na galeria da Kulungwana, na técnica de monotipia e gravura, pertencem à colecção do Engenheiro Álvaro Henriques, importante coleccionador da arte moçambicana, que começou a coleccionar obras de Victor Sousa no início dos anos 80.

A exposição apresentada no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, pertencentes à família do artista, reúne um conjunto de cerâmicas produzidas entre os anos 80 e 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As candidaturas ao Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa estão abertas desde 1 deste mês de Julho. Os autores interessados, com efeito, podem concorrer ao galardão até 31 de Agosto.

O Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa foi instituído para distinguir anualmente trabalhos inéditos no domínio da prosa literária produzidos por cidadãos moçambicanos, ou a residir em Moçambique há mais de cinco anos.

Segundo uma nota de imprensa sobre o concurso, a 6.ª edição do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa conta com uma novidade: as candidaturas fazem-se exclusivamente online no site da Imprensa Nacional.

O vencedor receberá um prémio pecuniário no valor de 5000 euros (mais ou menos 365 mil euros) e verá o seu trabalho publicado em livro pela Imprensa Nacional, a editora pública portuguesa.

O Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa já distinguiu, entre vencedores e menções honrosas, os trabalhos Mundo grave, de Pedro Pereira Lopes, Bebi do Zambeze, de António Manna, Saga d’Ouro, de Aurélio Furdela, Sonhos manchados, sonhos vividos, de Agnaldo Bata, A ilha dos mulatos, de Sérgio Raimundo, O homem que vivia fugindo de si, de Japone Agostinho, Marizza de Mélio Tinga e Eva, de Léo Cote.

A Imprensa Nacional criou o prémio em parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo no intuito de incentivar a criação literária em Moçambique e, ao mesmo tempo, de prestar homenagem a Eugénio Lisboa, seu autor e cidadão e homem de cultura nascido na então Cidade de Lourenço Marques, Moçambique. Eugénio Lisboa é doutor honorário das Universidades de Aveiro e Notthingham, Inglaterra, e Oficial da Ordem D. Henrique.

Para a edição deste ano, o escritor Mbate Pedro, a professora Sara Jona Laisse e a editora Paula Mendes são os nomes que constituem o júri.

 

 

 

 

 

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, inaugurou, semana passada, a incubadora X-Hub. A iniciativa da Khuzula Investimentos pretende impactar na profissionalização do sector cultural e criativo no país.

 

Quinta-feira, a Ministra da Cultura e Turismo foi ao endereço 1957, Avenida Ahmed Sékou Touré, na Cidade de Maputo, para inaugurar a X-Hub – Incubadora de Negócios Culturais e Criativos. Durante a sessão que contou com a presença de vários artistas, produtores, promotores e gestores culturais, Eldevina Materula, primeiro, afirmou que a X-Hub, além de complementar os esforços do Governo, preenche algum vazio no país.

De seguida, a ministra realçou: “Precisamos de mais X-Hub (incubadoras das artes e cultura). E, nestes termos, precisamos de seguir este exemplo. Se me permitem, gostaria de desafiar a curto e médio prazo, às associações provinciais a inspirarem-se nesta iniciativa e recriarem-na em cada província para o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas”.

Quando tomou a palavra, o Director-Geral da X-Hub – Incubadora de Negócios Culturais e Criativos, Paulo Chibanga, disse que o projecto é transversal. Portanto, “Não é a casa do músico apenas. É a casa do músico, do escritor, do actor, do film maker e de todos nós que possamos aqui dentro trocar experiências, fazer networking e, acima de tudo, pensar negócios. Nós queremos que aqui, nesta casa, tenhamos mais e novos gestores criativos da indústria moçambicana”.

Segundo Chibanga, a ideia de criar uma incubadora de negócios culturais e criativos ocorreu-lhe durante a COVID-19, visando impactar no ecossistema cultural moçambicano e africano em geral. Assim, “Com a X-Hub pretende-se, fundamentalmente, contribuir para a profissionalização do sector cultural e criativo através de uma plataforma para o desenvolvimento de competências, transferência de conhecimentos e de tecnologias, bem como para a conexão de consumidores, provedores e investidores, no global, da economia criativa, facilitando o acesso a mercados nacionais e internacionais”, lê-se numa nota de imprensa sobre a inauguração da incubadora.

Além da Ministra da Cultura e Turismo, a quem coube inaugurar o espaço criativo, no evento estiveram presentes, entre outros, o Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonio-Sachez Benedito Gaspar; a Vereadora da Cultura do Município de Maputo, Isabel Macie; o Director do Museu Mafalala, Ivan Laranjeira; e a pesquisadora cultural Matilde Muocha. Entre os artistas, destacam-se Moreira Chonguiça, Simba Sitoi e Pak Ndjamena. Todos eles tiveram a possibilidade de visitar os comportamentos da X-Hub, onde funcionam estúdios de gravação e salas de edição das obras artísticas.

Portanto, a X-HUB é uma iniciativa da Khuzula Investimentos, e é financiada pelo Sound Connects Fund, da Music In Africa Foundation e do Goethe Institut.

 

 

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