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O País – A verdade como notícia

No dia 1 de Novembro vai arrancar um programa de formação musical ambicioso no país. A realizar-se na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, a formação será desenvolvida em módulos, que pretendem equipar os formandos com ferramentas que lhes permitam não apenas registar, digitalizar e arquivar esse património, mas também preservá-lo e divulgá-lo a gerações futuras.

Segundo uma nota de imprensa sobre o evento, de igual forma, outra importante parte da formação passará a fornecer os formandos de conhecimentos técnicos ao nível da criação musical e expressão poética, bem como oferecer-lhes relevante informação sobre o funcionamento da indústria musical de forma a potenciar a criação de novos empregos.

A nota avança que o programa de formação é constituído por seis módulos, num total de 230 horas formativas teórico-práticas, designadamente, Técnicas de gravações áudio em ambientes exteriores, Processo de digitalização, regravação e masterização;  Classificação e arquivologia de conteúdos para arquivos centrais e sua gestão; Escrita criativa e edição de obras; Gestão da plataforma Marimba e comercialização digital;  Organização do ecossistema e cadeia de valor da indústria da música e entretenimento.

O projecto Marimba é apoiado pelo PROCULTURA, uma acção do programa PALOP–TL e UE, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões I.P., e tem por objectivo a promoção do emprego e actividades geradoras de rendimento no sector cultural dos PALOP e Timor-Leste.

O projecto pretende valorizar a produção musical em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste, através da sua pesquisa, digitalização, promoção e distribuição internacional, contribuindo para o resgate da identidade cultural, para a sua divulgação e para o reforço, inclusão e sustentabilidade dos agentes do sector.

 

 

 

Às 17h30 de quarta-feira, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, Juvenal Bucuane irá lançar a sua mais recente obra literária. Intitulada MASINGITA ou a subtileza do incesto, a novela ficciona uma prática que, existindo na sociedade moçambicana, muitas vezes, é ignorada. Trata-se de uma história sobre o incesto, uma união ilícita entre parentes próximos, em grau proibido por lei.

No centro da narrativa de MASINGITA ou a subtileza do incesto encontram-se Marta e Pepuka, que, para o autor, representam a personificação de pessoas reais.

De acordo com a nota de imprensa da Fundza, a mais recente ficção de Juvenal Bucuane é inspirada em acontecimentos concretos. No entanto, a fim de não ferir susceptibilidades, o autor tomou o devido cuidado, ora subvertendo o perfil das personagens, ora dando-as existência particular. “Aliás, todas as personagens do livro são fictícias, assim como os lugares-cenários e actos. Passei os diferentes estágios do meu crescimento em diversos bairros suburbanos da capital moçambicana e conheço deles o bastante para poder contar como se vive nesses lugares”, lê-se na nota de imprensa.

Segundo a mesma nota de imprensa, a escrita de MASINGUITA ou a subtileza do incesto foi, para Juvenal Bucuane, um exercício árduo, pois o seu grande desafio estava além de uma mera ficção, “por implicar algo que me parecia profundo e verdadeiro, factual, que para ser abordado com alguma probidade, tinha de ser feito com recurso a algum caso precedente, ocorrido em alguma época e em algum lugar. Assim busquei reminiscências do que estudei há bastante tempo sobre a antiguidade na história universal, mais propriamente, a relação entre o Rei Édipo e a Rainha Jocasta, que serviu de base para as pesquisas psicanalistas de Sigmund Freud”.

MASINGUITA ou a subtileza do incesto foi escrito durante o segundo semestre de 2021, numa altura em que o escritor encontrava-se confinado em casa, por causa da COVID-19. Juvenal Bucuane define MASINGUITA como uma crítica, por saber que o incesto, acto abjeto, acontece no seio de muitas famílias e é consentido mesmo sabendo-se que é moralmente condenável. “É, também, uma intervenção, pois penso que aqueles que o lerem e não se coadunam com a sua prática, não só ficarão escandalizados com esta realidade que no livro trago, como também, cientes da corrosão que o incesto provoca no seio das famílias e em geral da sociedade, algo farão para ajudar na sua erradicação”.

O primeiro livro de Juvenal Bucuane pela Editorial Fundza será apresentado no Camões – Centro Cultural Português em Maputo pelo jornalista e ensaísta José dos Remédios.

Por José P. Castiano & Ricardo Santos

 

Esta foi uma excelente ocasião proporcionada por Almeida Cumbane para poder pensar na relação entre literatura e filosofia. O pretexto para este pensar é esta oportunidade de ter sido intimado pelo autor para apresentar o livro A Distante Proximidade do jovem escritor Almeida Cumbane. O meu próprio interesse por esta matéria foi aguçado pelo facto de estar a acompanhar um rápido desenvolvimento de uma literatura moçambicana muito jovem, talvez já não refém das temáticas da Geração Charrua que a antecedeu.

O importante a reter na relação entre a filosofia e a literatura é que esta é muito íntima, de uma amizade muito profunda. É uma amizade em que cada um está atento ao outro, vive com o outro, no entanto não se mistura. Albino Chavale acha que existem “fronteiras porosas” entre a filosofia e a literatura[1]. Até podíamos aventurar dizer que é uma relação de “desconstrução” mútua:

O defeito (será que devo dizer o perfeito?) da filosofia é construir um pensamento crítico. A crítica, em termos de pensamento, encontra-se no ponto de inflexão que leva à reflexão sobre fenómenos naturais, sociais, políticos e outros. De uma crítica resulta uma outra forma alternativa de interpretar uma certa realidade.

Todavia, a crítica filosófica se diferencia ou afasta da opinião porque nesta não precisamos necessariamente de nos dar conta ou citar o que o Outro ou os outros pensam sobre o mesmo assunto. Também, para emitirmos a nossa opinião sobre as coisas não precisamos de cogitar muito.

Já para uma crítica filosófica, entretanto, temos a obrigação de nos envolver com o objecto do debate (fenómeno ou processo) e, o mais importante, com as diferentes interpretações existentes, disponíveis no passado e na sociedade que vivemos. Quase que diria, temos que passear pelo mundo das interpretações diferentes primeiro – e isso se faz, por exemplo, por via de citações de outros autores – para depois emitirmos o nosso ponto-de-vista ou juízo de valor sobre o mesmo fenómeno. Assim, o pressuposto para uma boa crítica, é também uma boa interpretação prévia. Olhar para o que os outros já disseram ou escreveram sobre um mesmo fenómeno ou processo é a condição necessária e imprescindível para uma boa crítica filosófica. É por isso que somente por via de uma profunda reflexão sobre as coisas se chega a uma boa crítica. É também por isso que uma boa crítica pressupõe diálogo e não monólogo. Quem monologa está em seus devaneios.

Uma das formas através das quais a filosofia exerce o seu dever crítico é propor categorias novas ou recriar das velhas categorias do “entendimento humano”, para falarmos com base em Kant. São categorias que ajudam o homem a entender o seu mundo natural, social e espiritual.

A filosofia cria estas categorias não somente para entender esse mundo fora de si, como também e sobretudo para que os homens se entendam universalmente e possam falar entre si. Na verdade, para que se compreendam mutuamente.

Neste seu papel crítico, a filosofia em Moçambique, enquanto uma das formas de pensamento sobre Moçambique no Mundo, deve estar atenta ao que se produz na machamba da literatura moçambicana, sobretudo aquela que é escrita pelos mais jovens. A Filosofia ocupa-se do futuro, das utopias; concomitantemente, não é possível ocupar-se “do” sem saber o que ocupa as almas das pessoas mais jovens. À questão, qual é o tempo que nos espera no futuro, os jovens escritores respondem provavelmente com uma maior propriedade do que os mais velhos.

Desta forma, como sabemos desde Hegel, a filosofia ocupa-se em resumir o tempo vivido no pensamento e a Literatura a umas das “pistas” que auxiliam a filosofia a construir as tais categorias de entendimento.

Na verdade, a literatura é uma das fontes mais antigas para a filosofia viver. Foi graças à literatura que a filosofia sobreviveu em seus momentos menos gloriosos, porque muitos filósofos recorriam à literatura como refúgio para esconderem as suas ideias. Nós podemos denunciar um golpe de estado por via de uma escrita crítica directa ou por via de um conto.

Já os românticos alemães do movimento Sturm und Drang reconheciam na literatura um campo de saber mais sublime, acima da filosofia porque nas artes, segundo eles, se podem juntar o belo, o justo ao pensamento. Este movimento privilegiava sobretudo as emoções, a subjectividade e o individualismo. No fundo era uma criação burguesa que cultivava o sublime, como uma reacção contra o iluminismo e o racionalismo exacerbados. Nos romances, vencia o carácter subjectivo.

A este movimento literário romântico se seguiu um outro denominado realismo. Enquanto aquele era mais elitista com o seu subjectivismo, o realismo inclinava-se a descrever as pessoas, os lugares as circunstâncias e condições dos pobres tais como elas são.

Podemos, para já, concluir que as narrativas contidas em livros literários nos levam, a nós almas que se ocupam da filosofia, ao conceito do tempo em que vivemos ou ao tempo no conceito.

Como disse atrás, estas estórias contadas pelos jovens da literatura moçambicana são, na verdade, as pistas que construímos para compreender o nosso tempo. E, por sua parte, a filosofia olha para estes contos como momentos de concretização do seu tempo. As estórias contidas num livro de contos são as marcas das “circunstâncias” (Ortega & Gasset) que cada época nos oferece para serem objectos da nossa escrita. Se, por um lado, as circunstâncias constituem as marcas do tempo, por outro, o homem somente é entendível por via das circunstâncias do teu tempo.

Por isso, um filósofo que não se dedica à leitura dos livros de literatura do seu tempo torna-se empobrecido. E ele não terá se dado conta do quão o seu tempo é rico em sugestões para o seu conceito de tempo vivido.

Almeida Cumbane divide o livro em 17 contos ou narrativas. Cada uma delas diz-nos muito sobre o tempo vivido no Moçambique actual, apesar de concentradas na região do Sul do Save. O autor vive no Distrito de Guijá e trabalha em Lionde (Gaza). Ele usa muito o conhecimento que tem sobre a natureza, a sociedade e sobretudo as culturas que atravessam esta região.

O que faz do livro A Distante Proximidade africano? Este pode ser considerado pertencente à literatura jovem africana devido à continuidade que faz da ancestralidade (pelos seus temas), da oralidade (pelo seu método escolhido para a narrativa), e dos provérbios (pelo carácter por vezes axiomático e axiológico da sua escrita).

No que diz respeito à ancestralidade, a inclusão da voz de antepassados – os que o filósofo queniano John Mbiti chama “mortos-vivos”, aqueles antepassados que nos deixaram há pouco tempo e cujos espíritos ainda chamamos ora para a protecção, ora para providenciar alguma sorte na vida – é uma característica permanente em quase todos os contos contidos no livro de Cumbane. Em Traídos pelo Sono, a intervenção activa na cama adúltera do defunto marido é evidente. No caso particular do conto Os Filhos Gémeos o autor até introduz uma inovação, dado que os protectores da riqueza são filhos já mortos, mas que “vivem” debaixo da cama dos progenitores.

Do mesmo modo que a oralidade, que eu chamei algures por oratura, é a forma de escrita que encontramos em todos os contos. Assim também o recurso a uma linguagem axiomática, baseada em provérbios africanos, encontramos transversalmente presente, em especial no conto Carta de um Invisível.

Sendo estas histórias africanas e muito moçambicanas pelas razões atrás aduzidas, o livro de Almeida Cumbane torna-se verdadeiramente universal na senda dos escritores que aprofundam o conhecimento e o pensar dos lugares mais recônditos, mostrando assim a sua universalidade.

Ao ler estas crónicas e contos apetece sentar à volta da fogueira e ouvir o seu eco nas vozes dos mais velhos porque escrever ficção é, afinal, saber contar bem uma história, na esteira da melhor tradição africana.

Na preparação para esta apresentação fiz um breve exercício que consistiu em dar títulos alternativos a cada um dos contos. E assim ficaram os meus:

 

  1. Um Infortúnio Bem-Aventurado o título alternativo seria “O Despenho do Embraer 190 na Namíbia”. Inharrime, Macia e Marracuene são balizas ou marcos a caminho de Mavalane, no chapa que precede o avião;
  2. Dona Pérola seria apenas “Moçambique” e conta a história de uma mulher que nasceu no dia 25 de Junho de 1975;
  3. Traídos pelo Sono ficaria simplesmente “Adultério”. Ela no Jonasse, ele no Chamanculo e um terceiro também no Jonasse, não se sabendo se o de Chamanculo chamaria como seu qualquer cabrito nascido no Jonasse;
  4. De A Matreca da Festa mudaria para “A Recarga”, onde se fala dos sistemas de recargas virtuais muito em uso no país para compra de serviços;
  5. O Vinho da Discórdia seria transformado em “O Drama das Cheias em Chókwè”. As cheias são iguais em toda a parte. E o Chókwè é toda a parte;
  6. O Actor que não sabe fingir recebeu o título alternativo de “Violência Doméstica”, ou quando a ficção teatral e a realidade se misturam no Dia da Mulher Moçambicana;
  7. Carta de um Invisível recebeu, por sua vez, “Coronavírus com Vida”, referindo aquele que tirou as maiores alegrias dos pobres: o abraço, o beijo e o convívio;
  8. Os Filhos Gémeos transformei em “Tradição e Riqueza” porque conta a história de um homem que mantinha duas cobras debaixo da cama, representando os seus dois gémeos mortos, para manter a riqueza;
  9. O conto Uma Casa de Alvenaria denominei por “O Paradoxo da Morte na Tradição” (eu teria gostado chamar simplesmente ZéDú para mostrar como as honras são prestada depois de alguém morrer. Na estória do livro trata-se de um velho cujos filhos só lhe fizeram as honras e festa faustuosa no seu funeral, depois de ter vivido miseravelmente. Os filhos o visitam e o reconhecem na urna, ZéDú somente teve as honras de Estado depois de morto, numa urna);
  10. Guest House transformei em “A Traição da Amiga”.;
  11. Njunju foi mudado para “A Força de um falso Amuleto de Futebol”. O que conta são as crenças e a verdade é embrulho biodegradável;
  12. O (Extra)Ordinário Condutor passou para “Alcoolismo e suas Consequências”. É a estória de um jovem que, alucinado pela bebedeira, atropelou um homem no meio da noite, confundindo-o com um animal;
  13. O Tradutor de Línguas seria “O Escorpião de Mapai”. Ngonhamo, professor cuja língua materna era o português e tinha dificuldade em aprender changana, soltou um berro em changana na hora da verdade.
  14. Um Ladrão Misterioso foi trocado por “As Manifestações das Tradições na Mulher”.
  15. O Pé de Ruca troca por “Corrupção na Polícia de Trânsito” é um conto sobre um polícia que reconhecia viaturas susceptíveis de serem irregulares na estrada por via da erecção do seu pénis, sinal que lhe foi dado por um curandeiro;
  16. A Distante Proximidade mudei para “A Facebook Society no Chapa”; por sinal, este conto dá título ao livro e tem o tom filosófico da formação do autor por retratar uma aporia típica da era digital e neoliberal: dois jovens que estavam no mesmo chapa, próximos, mas falando entre si como se estivessem distantes um do outro;
  17. (In)Voluntários Assassinos mudaria para “O Jardim Zoológico do Jardim”.

 

Como notamos, é no cruzamento entre uma literatura moçambicana jovem como esta e a sua compreensão teórico-filosófica que se descobrem as intersecções do engajamento dos intelectuais moçambicanos com os desafios que o seu tempo lhes impõe.

E isto é ainda mais importante precisamente hoje, quando a credibilidade da função da teorização e dos estudos científicos dos fenómenos como o terrorismo, subdesenvolvimento, etc. estão sendo postos em causa, particularmente por parte de um número cada vez maior de políticos moçambicanos e pela geração pós-independência.

 

 

Texto de apresentação de A Distante Proximidade, de Almeida Cumbane.

 

 

[1] Cfr. Chavale, A. (2015): Filosofia e Literatura: Fronteira Porosa? In: Ngoenha, S.E. & Castiano, J.P. (Coord.): Filosofia: Fronteiras ou Pontes. Editora Educar. Universidade Pedagógica, Maputo. Pp.61-77

O estilista e empreendedor, Nivaldo Thierry, participou, de 7 a 9 deste mês de Setembro, na semana de moda designada Africa Fashion Week Nigéria, levando a sua marca para um dos festivais mais concorridos do continente. O evento juntou os melhores estilistas estabelecidos e young designer africanos.

De acordo com uma nota de imprensa, o desfile da marca Nivaldo Thierry foi no dia 9, último dia da semana da moda. Assim, a marca Nivaldo Thierry cumpriu um périplo internacional, com a nova colecção intitulada “Renasça”, inspirada na “fénix”, e que brevemente vai escalar outros países.

Thierry exibiu na Nigéria, em estreia internacional, o seu mais recente trabalho com glamour e requinte que sempre caracteriza as suas produções, num evento que contou com a presença do monarca nigeriano, Ooni Of Ife, que se rendeu, segundo a nota de imprensa, à marca Nivaldo Thierry.

No desfile, foram apresentadas cerca de 15 peças únicas e clássicas, com um conceito original e sofisticado da moda moçambicana, que fazem parte da colecção “Renasça”, composta por roupas pronto a vestir para homens e mulheres com bom gosto. Esta colecção foi feita na base de quatro tecidos, nomeadamente, lã, poliéster, chifon e cetim.

O estilista refere que foi oportuno apresentar a sua colecção neste prestigiado evento e veio a calhar nesta fase de pós-pandemia porque a colecção “Renasça” é para si o regresso à rotina depois do mercado cultural sofrer com a pandemia da COVID-19, sem falar na crise económica e inflação.

A  respeito da inspiração na ave fénix, o artista explicou:  “A fénix era uma bela ave que possuía uma força extraordinária e podia viver cerca de 500 anos. As suas lágrimas podiam curar qualquer doença, possuía um lindo canto e, ao final da vida, entoava uma melodia triste. Após isto, queimava-se, voltava a ressurgir e as cinzas que sobravam deste processo tinham a propriedade de ressuscitar os mortos. A fénix simboliza o renascimento, o triunfo da vida sobre a morte, o eterno recomeçar. Desta maneira, simboliza a vida e os seus ciclos, a esperança, a necessidade de dar a volta por cima nas situações adversas”.

Segundo o estilista, foi enriquecedor e marcante estar na Nigéria pelos aspectos culturais que muito se identificam com os de Moçambique, e porque a Nigéria tem a particularidade de ser uma potência mundialmente reconhecida no sector da moda. Nivaldo diz ter-se identificado com o país, sobretudo porque a moda não foge muito do conceito moçambicano.

Depois da Nigéria, o périplo continua e os próximos destinos são Londres (Inglaterra) e Roma (Itália). Por fim, a apresentação de “Renasça” será na pérola do Índico (Moçambique), onde está agendado um memorável desfile de apresentação da colecção. O estilista também participou, antes da moda de África na Nigéria, na Moda Solidária Angola e Benguela Fashion Week, em Angola, e no Mpumalanga Fashion Show Without Borders, na África do Sul.

A terceira edição do Festival Gala Gala arrancou esta segunda-feira, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo. O início do evento que junta nove centros culturais aconteceu com a inauguração da exposição A dança das sombras, de Butcheca. A apresentação da individual de pintura coube a Nelson Saúte.

A abertura da terceira edição do Festival Gala Gala teve dois momentos. Primeiro, foi uma sessão formal, que aconteceu na biblioteca do Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Nessa ocasião, intervieram representantes de várias entidades que apoiam e/ou realizam o festival multidisciplinar. Um dos intervenientes da tarde foi Antonino Maggiore, Embaixador da União Europeia em Moçambique. Para Maggiore, o apoio à cultura é preponderante porque a expressão cultural constitui uma das formas de os povos conhecerem-se e aproximarem-se. E ainda reforçou, dizendo: “A acultura, para a União Europeia, é a chave do desenvolvimento social e o que une as pessoas”.

Além de unir os artistas, os produtores, os directores e todos os entusiastas das artes, a terceira edição do Festival Gala Gala pretende funcionar como uma plataforma viável para que as pessoas se expressem e possam ser compreendidas. Intervindo em representação dos nove centros culturais que realizam o festival, Sara Jona Laisse lembrou que “150 artistas vão mostrar o seu trabalho em diferentes modalidades artísticas” ao longo de uma semana do evento. Com isso, acrescentou a Directora-Executiva da Fundação Fernando Leite Couto, o objectivo é colocar Maputo no mapa das cidades criativas ao nível mundial.

Na primeira parte do evento desta segunda-feira, coube ao Director Nacional das Indústrias Culturais e Criativas declarar aberta a terceira edição do Festival Gala Gala em representação da Ministra da Cultura e Turismo. Segundo disse Emanuel Dionísio, o Festival Gala Gala é uma iniciativa preponderante porque “Oferece mais espaço para que os nossos artistas possam expressar e apresentar as suas ideias”.

Num segundo momento, todos os presentes foram convidados a trocar a biblioteca do Camões – Centro Cultural Português pela Galeria, onde foi inaugurada a exposição A dança das sombras, de Butcheca. Durante a apresentação da individual de pintura, Nelson Saúte referiu-se ao processo criativo do artista plástico e de como, nos últimos meses, foi acompanhando a produção da mostra. Sem esconder o entusiamo e admiração, o escritor realçou que “O Butcheca é, indubitavelmente, um dos maiores talentos da nova geração de pintores moçambicanos”.

Já na sua intervenção, Butcheca referiu que A dança das sombras é uma individual de pintura que traduz vários episódios experienciados por si, sempre partindo da realidade. De algum modo, a sua preocupação foi representar algumas danças moçambicanas, entre as quais nyau e mapiko. Mas na mostra também há uma colecção de máscaras, colocadas logo à entrada da galeria: “Esta exposição toda que estamos aqui a ver é baseada numa história real”, disse Butcheca, partilhando momentos que foram determinantes  para que a imaginação fluísse durante o processo da maturação das ideias da exposição.

A terceira edição do Festival Gala Gala realiza-se entre 12 e 18 de Setembro.

Por Valério Maúnde

 

Elísio Macane é funcionário público, afecto a um dos ministérios do nosso país. Como todo o bom funcionário estatal, cumpre escrupulosamente o horário laboral: às 07h30m, está já no seu sector de trabalho e, pontualmente, às 15h30m, tem a sua marmiteira na mão e o pé na saída. É nesses exactos horários em que Elísio entra e sai do seu local de trabalho todo o santo dia, de peito cheio e de cabeça erguida, pela firme convicção de que, na função em que trabalha – logística, ou procurement como preferem alguns, tentando parecer importantes – não tem como ser envolvido no crime que ditou a transferência de Moçambique para outro hemisfério.

Ao volante do seu Toyota Run-X, mas que, pelo acelerado estado de degradação, resultante dos embates e arranhões por condução em estado de embriaguez, perdeu a última letra, lendo-se agora apenas Run (corre ou foge em Inglês). E é por este exacto motivo – fuga – que Elísio, por dois longos anos, ao invés de sair do trabalho directo para casa, na Zona Verde, faz paragens quase que obrigatórias (o mais certo é dizer aliviadoras) no bairro de Bagamoio, para passar algumas horas nos braços de Marta, sua amante, a quem eufemicamente trata por refúgio.

O sol já repousa quando Elísio buzina à entrada da casa da Marta, cuja renda, como é obvio, é paga por ele próprio, o que dá sentido à seguinte reformulação: …Elísio buzina à entrada da sua casa-2. Marta abre apressadamente o portão, para a entrada da viatura, mas não esconde a surpresa, pois, conforme o hábito e acordo, as visitas são às quartas e sextas (às vezes aos sábados), mas nunca aos domingos, jamais, pois esse dia é sagrado: é para a missa e para a família.

Já no interior da casa, conforme manda o manual de procedimentos da boa amante, Marta dá-lhe um beijo prolongado e depois tira-lhe o casaco, para ele se sentar confortavelmente no sofá. Com o seu homem, aliás, com o homem da outra já acomodado, Marta, que via uma novela, muda para o canal de desportos e, sem demora, vai à cozinha buscar uma cerveja e preparar um petisco para o seu emprestado homem.

Boas-vindas feitas, Marta senta-se ao lado dele e recosta a cabeça no seu ombro, em silêncio. Este silêncio esconde uma certa indignação e no seu íntimo protesta: “não é porque é ele que paga a renda e as contas que tem que chegar sem avisar, também tenho vida própria”, mas engole a insatisfação, pois bem sabe que reclamar é direito e ofício de esposa, então, mantém-se calada.

Minutos depois, Elísio vai à casa de banho e deixa o celular desbloqueado sobre o sofá. Uma inquietante curiosidade invade a alma de Marta, que se sente tentada e impelida a pegar no aparelho e descobrir o teor das mensagens trocadas com a esposa, a duração das chamadas, as fotos na galeria, mensagens do Ponto 24 e M-pesa, mas contém-se, pois recorda-se que inspecionar o telefone é também privilégio de esposa. Esta curiosidade, diga-se, em saber o que se esconde por trás da tela de bloqueio daquele celular é frequente, mas, felizmente sempre evitou tal indiscrição. Dizemos felizmente porque, tendo-o feito, descobriria que sempre que lhe envia mensagens com o teor “posso te pedir algo”, é do 84111 que Elísio as recebe.

Marta sacode a cabeça para espantar os pensamentos que a assombram. Nisso, Elísio regressa e ela diz as palavras próprias de amantes:

– Que bom que vieste me ver, estava com saudades.

– Eu também, eu também – repete Elísio, buscando convencer-se da veracidade das suas palavras.

– Pareces preocupado, amor. Não queres contar o que se passa?

– Não é nada, só estou cansado – abrevia.

Marta não faz ouvido de mercador, levanta-se imediatamente a preparar um banho quente e aromático para o fatigado homem. Elísio mergulha de corpo e alma nas graças da amante e esquece-se da missão que originou a sua visita intempestiva.

São quase 20 horas quando Elísio olha para o relógio. De sobressalto, pula da cama e ajeita-se às pressas. – Está tarde, tenho que ir.

Marta, sempre compreensiva e atenciosa, desce da cama, veste o roupão e ajuda-o a ajeitar-se para ir ao encontro da mulher, e fá-lo com todo o zelo, como se o fizesse em jeito de retribuição à esposa, que, com igual ou superior zelo, o arranja para si.

Já a caminho de casa, Elísio trava um diálogo consigo próprio e censura-se severamente por não ter tido coragem de pôr fim à sua relação extraconjugal, como tinha decidido há dias. O discurso estava preparado e ensaiado. Bastava chegar e dizer: – Marta, minha querida, foram maravilhosos os momentos que vivemos nestes dois anos, mas já não está a dar para mim, o custo de vida está alto e já não consigo manter a minha família e a ti. Está na hora de acabarmos.

Era isto dito e estava tudo acabado entre eles, mas faltou-lhe coragem. Para piorar, Marta não facilitou a situação. Se ela ao menos tivesse reclamado de alguma coisa, tivesse denotado alguma má vontade ou indisposição em cumprir o seu papel, qualquer coisa que o convencesse de que não valia a pena manter aquela relação, mas não, pelo contrário. Foi como se ela tivesse adivinhado o perigo e, por isso, esforçara-se a dar-lhe uma última amostra do que ele perderia caso decidisse deixá-la.

Em casa, esposa e filhos aguardam-no para o jantar. Nas travessas sobre a mesa há apenas arroz fogado e um magro carapau frito de número negativo (-16 talvez). Aquela modesta e carente refeição contrasta de forma gritante (de um grito que ensurdece) com os faustosos banquetes que Elísio financia para a sua amante. No seu íntimo, brota-lhe um misto de vergonha e culpa e jura que fará cumprir a sua decisão e voltará a ser um homem honrado, por amor à família ou por incapacidade financeira, o facto é que assim fará. Amanhã ele ser um homem novo.

Mas cá entre nós, que ninguém nos ouça, amanhã será, de facto, um novo dia, e Elísio até pode acordar mudado, mas Marta não, esta acordará igual a sempre: encantadora, amorosa, solícita e com a mesma habilidade de enredar e fazer naufragar as melhores intenções de Elísio Macane.

 

 

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, recebeu, sexta-feira, o Ministro do Turismo e Meio Ambiente do Reino de eSwatini, Moses Vilakati. A reunião, na Cidade de Maputo, teve como objectivo discutir e encontrar conjuntamente caminhos para o reposicionamento do sector, para o alinhamento das acções de cooperação no domínio da cultura e turismo e para a fortificação dos laços de cooperação bilateral e de amizade entre a República de Moçambique e o Reino de Eswatini.

De acordo com um comunicado de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, o assunto de maior destaque foi a recuperação do turismo. De forma
unânime, os dois governantes falaram do PROGRAMA TRILAND, que decorreu recentemente, abrangendo Moçambique, Eswatini e Mpumalanga (África do Sul), como destino turístico único.

De igual maneira, Eldevina Materula e Moses Vilakati ambos concordaram que a iniciativa constitui uma oportunidade bastante forte para promover o turismo dos países envolvidos e que os resultados já começaram a surgir.

O Ministro do Reino de eSwatini saudou o Presidente da República moçambicano, Filipe Nyusi, pelas medidas anunciadas, recentemente, que visam facilitar e criar condições para o restabelecimento da economia.

As partes falaram da fraca conectividade entre os países africanos e da pretensão de se criar uma feira da SADC para uma maior e melhor aproximação.
Ficou a intenção de Moçambique e Reino de Eswatini reverem os acordos de cooperação outrora assinados de modo a reactivá-los.

A Ministra moçambicana fez referência à realização do FIKANI, que terá lugar brevemente, em Maputo, aproveitando a ocasião para convidar Eswatini a expôr as suas atracções turísticas e de negócios. A dirigente destacou ainda o potencial turístico de que África detém bem como a necessidade de se investir muito no turismo, sendo este evento uma janela aberta para intercâmbio, captação de investimentos e visibilidade do Turismo de Moçambique e de África.

Por sua vez, o Ministro de Eswatini convidou a sua homóloga para participar no festival Marula, em Fevereiro do próximo ano.

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, considera que os exemplos de Dom Dinis Sengulane devem inspirar as novas gerações. Chissano defendeu essa tese na cerimónia de lançamento de Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, de Hélio Filimone, e de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, esta sexta-feira, na Cidade de Maputo.

 

Joaquim Chissano assinou o prefácio do livro Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, de Hélio Filimone. Convidado a intervir na cerimónia de lançamento daquele livro e de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, o antigo Presidente da República destacou a importância de Dom Dinis na pacificação do país, sublinhando que sempre caminharam juntos na busca da paz.

Conforme entende o antigo Presidente da República, além de buscar a paz, Dom Dinis Sengulane incutiu na consciência das populações moçambicanas uma nova forma de cultivar a paz. “Dom Dinis Sengulane enveredou pelo processo de apelo, para que quem tivesse armas as entregasse para serem destruídas de uma maneira muito inteligente, que era de transformar em instrumentos de arte ou úteis para outros efeitos. Ele incutiu um novo espírito nas populações, para a causa a paz”.

Joaquim Chissano disse que “nós somos aquilo que somos no interior, daí que temos de transmitir a nossa paz aos outros e receber a paz deles. Este é um grande ensinamento de Dom Dinis Sengulane”. Por isso mesmo, cruzando sempre o legado do Bispo Emérito da Diocese dos Libombos com a história recente do país, Chissano, igualmente, referiu-se aos ensinamentos proporcionados pelo autor de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo. “Os seus exemplos devem inspirar as novas gerações. Penso que quem vai para pastor ou para padre, deve seguir ao máximo as suas orientações, de praticar o bem com humildade. Sengulane procura materiais para apoiar também o bem-estar físico das pessoas, para além do apoio ao bem-estar espiritual”.

A propósito de apoio, o valor dos livros vendidos de Dom Dinis servirão para ajudar as pessoas que necessitam de apoio nas áreas sociais identificadas pela Fundação Dom Dinis Sengulane.

 

OBRAS QUE INSPIRAM

De acordo com o bispo anglicano, Dom Carlos Matsinhe, Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, de Hélio Filimone, e Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo são fontes de inspiração e uma luz que ilumina o futuro. “Afinal de contas, é possível contribuirmos para a reconstrução do nosso país. Todos sabemos que temos a missão de construir um país livre de violência e de tantos outros males. Portanto, estes livros ajudam-nos a ver isso, aquilo que pode constituir matéria para que as pessoas possam desenvolver no seu dia-a-dia”.

Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, da autoria de Hélio Filimone, e Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, da autoria de Dom Dinis Sengulane, são os títulos dos livros que retratam o percurso de vida e a obra do Bispo Emérito da Diocese dos Libombos. A cerimónia de lançamento dos dois títulos decorreu esta sexta-feira, no Centro de Conferências do Instituto de Formação da Tmcel, na Cidade de Maputo, tendo contado com a presença de várias personalidades moçambicanas, entre elas os antigos presidentes Joaquim Chissano e Armando Guebuza.

O auditório do Centro de Conferências do Instituto de Formação da Tmcel, na Cidade de Maputo, esgotou as entradas para a cerimónia de lançamento de Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, da autoria de Hélio Filimone, e Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, da autoria de Dom Dinis Sengulane, livros que retratam o percurso de vida do Bispo Emérito da Diocese dos Libombos.

No momento inicial da celebração dos 76 anos de peregrinação de Dom Dinis Sengulane, a cerimónia de lançamento começou com invocação a Deus, através do poder da palavra cantada. Assim, o Projecto Sonho Paraíso entoou canções evangélicas como introito. De seguida, o Bispo da Igreja Anglicana, Dom Carlos Matsinhe, assumiu a responsabilidade de dirigir a oração de abertura, de modo que tudo corresse de feição. Feita a oração, do presidium, o primeiro a intervir foi Octávio Matusse, representante da editora Patmos, que chancelou o livro Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo. “Nós, como editora que se preocupa com a literatura, encontramos na biografia de Dom Dinis Sengulane ingredientes extraordinários, que ajudam e inspiram a sociedade”.

A seguir a Octávio Matusse, sob o olhar de Dom Dinis Sengulane e dos antigos chefes de Estado, Joaquim Chissano e Armando Guebuza, coube a Dom Dinis Matsolo partilhar com a audiência do Centro de Conferências do Instituto de Formação da Tmcel as suas percepções sobre o livro do Bispo Emérito da Diocese dos Libombos. “Na sua obra, Dom Dinis Sengulane coloca ao dispor de todos os principais marcos da sua vida particular e sacerdotal”, disse o apresentador do livro Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, acrescentando: “Os seis capítulos das 262 páginas do livro retratam a vida de um homem devoto a Deus, que nos presenteia com uma lisura no seu percurso neste mundo belo”.

A seguir a apresentação de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, no Centro de Conferências do Instituto de Formação da Tmcel foi apresentado outro, Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, da autoria de Hélio Filimone. Referindo-se ao seu mais recente trabalho literário, o jornalista e escritor explicou como foi processo de produção do livro e ainda partilhou o simbolismo desse exercício. “Para mim, foi uma honra, mais uma vez na minha carreira, escrever uma obra sobre uma grande figura do nosso país. Isso levarei comigo como um orgulho”.

Apresentados os livros Olá paz: homenagem a Dom Dinis Sengulane, de Hélio Filimone, e de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, chegou o momento mais aguardado da cerimónia, a intervenção de Dom Dinis. Primeiro, o Bispo Emérito da Diocese dos Libombos pediu um minuto de silêncio e fez uma breve oração em homenagem à Rainha Isabel II. De seguida, expressou a sua gratidão a Deus por todas as obras que tem realizado na sua vida. De igual modo, Dom Dinis estendeu os seus agradecimentos a todos aqueles que irão ler o livro e, depois, permitir-se enveredar por novas iniciativas de modo a contribuírem para um belo mundo.

Além de gratidão ao Senhor e aos potenciais leitores, o Bispo Emérito da Diocese dos Libombos fez um convite a todos os presentes na cerimónia. “O convite é que, dado que cada um de nós está neste nosso belo mundo, cumprindo o plano de Deus, favor reconhecer e executar a agenda de Deus para si pessoalmente, na divulgação das coisas belas que encontrar e localizar neste mundo”.

Partindo do princípio de que a vida não é um evento linear ou previsível, ao partilhar as suas memórias, Dom Dinis Sengulane procura demonstrar que por detrás das bênçoas divinas, há sempre um trabalho árduo e comprometido por realizar. “Nesta obra buscamos compartilhar os caminhos por vezes sinuosos para implementar as soluções para que o mundo continue a ser reconhecido na sua beleza”. Logo, o autor descartou ser o seu um livro de eventos extraordinários.

Quanto aos principais pilares de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo, Dom Dinis Sengulane mencionou: “Paz, saúde, ética e espiritualidade continuam a ser os pilares que clamam pela intervenção de cada um de nós, desde os mais pequenos até aos da minha idade”.

Já a encerrar a sua intervenção, Dom Dinis Sengulane disse qual é o seu propósito com Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo: “Nós queremos ser uma nação cuja história é uma geração que caminha para uma vida plena”.

Na parte final da cerimónia, Dom Dinis Sengulane ofereceu um exemplar de Minhas memórias: uma peregrinação pelo mundo belo a alguns leitores. Entre eles, os antigos chefes de Estado Joaquim Chissano e Armando Guebuza, e também a Graça Machel, Dom Carlos Matsinhe e Daniel David.

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