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O País – A verdade como notícia

Reduziu de 13,2% para 12,4% a taxa de prevalência de HIV/SIDA no país, entre 2015 e 2021, segundo o Ministério da Saúde (MISAU). Entretanto, a instituição diz que o estigma e a discriminação ainda comprometem o tratamento da doença e o acesso aos cuidados de saúde.

O mundo assinalou, esta quinta-feira, o Dia Mundial da Luta contra o HIV/SIDA. Falando nas cerimónias centrais do lançamento do “Dezembro Vermelho”, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fez saber que as taxas de incidência e prevalência do HIV permanecem elevadas no país.

“Os resultados do Inquérito de Avaliação do Impacto do HIV/SIDA 2021, também designado INSIDA, mostram que a prevalência do HIV em adultos dos 15 aos 49 anos teve uma redução, embora não significativa. A média nacional da prevalência é de 12,4%, contra 13,2% em 2015”, explicou Tiago, acrescentando que as mulheres são as mais vulneráveis, pois “15% das mulheres com idade igual ou superior a 15 anos estão infectadas pelo HIV, contra os homens da mesma faixa, em que a taxa de prevalência é de 9,5%. As mulheres estão desproporcionalmente afectadas em relação aos homens, facto que resulta do triste impacto das desigualdades que enfrentamos”, disse Armindo Tiago, ministro da Saúde.

A província de Gaza é a que apresenta o maior número de prevalência do HIV, com 20,9%; segue-se a província da Zambézia, com 17,1%, e a Cidade de Maputo, com 16,2%.

Nas províncias de Manica e Maputo, as taxas de prevalência do HIV reduziram entre 2015 e 2021, passando de 13,5% para 5,1% e de 22,9% para 12,4%, respectivamente.

O INSIDA 2021 estima que, anualmente, 4,8 novas infecções ocorrem entre 1000 pessoas de 15 a 49 anos de idade.

Apesar do aumento da cobertura do tratamento anti-retroviral, para mais de 96% das unidades sanitárias, segundo a representante da Rede de Pessoas Vivendo com HIV, Alda Bripa, o estigma e a discriminação continuam a barrar o acesso aos cuidados de saúde.

“Queremos reforçar a mensagem e a dar ênfase para a igualdade de direitos para o acesso aos serviços de cuidados e tratamento. Se vencêssemos o estigma e a discriminação, teríamos menos número de pessoas a contraírem o HIV e cada vez mais pacientes a aderirem ao tratamento TARV)”, apelou Bripa.

Em 2021, entre as pessoas vivendo com o HIV do grupo etário de 15 a 49 anos de idade, 70,1% conheciam o seu estado serológico, dos quais 96,4% se encontravam a receber tratamento anti-retroviral e, destes, 88,0% mantinham a carga viral suprimida.

Ainda assim, o ministro da Saúde reitera que a incidência do HIV continua elevada, o que exige a adopção de algumas medidas para, até 2030, acabar com a epidemia do HIV como ameaça de saúde pública.

“Temos que expandir as acções corajosas e efectivas para a eliminação do estigma e da discriminação na nossa sociedade, para facilitar o acesso aos serviços; devemos reforçar o diagnóstico e tratamento do HIV nas crianças; temos que melhorar a coordenação da resposta nacional ao HIV/SIDA e reforçar a responsabilidade de todos os sectores e actores.”

Na área de prevenção primária do HIV, o MISAU destacou a intensificação de intervenções para reduzir as barreiras sociais, estruturais e legais que interferem na resposta à epidemia, o que contribuiu para que, nos últimos dez anos, mais de 10 milhões de testes fossem feitos anualmente.

“Em relação à abordagem de auto-testagem, fizemos, recentemente, a expansão nacional. O auto-teste cria demanda e permite alcançar as populações que normalmente não usam os serviços de testagem disponíveis (adolescentes e jovens, homens e as populações-chave).”

Os resultados foram apresentados, esta quinta-feira, no âmbito do Dia Mundial contra o SIDA, que se assinalou esta quinta-feira, sob o lema “Alcançar a Igualdade na Resposta ao HIV/SIDA”.

O Governo vai reintroduzir veículos articulados para minimizar o défice de transporte de passageiros nos principais centros urbanos do país.

Segundo o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, numa primeira fase, serão introduzidos 20 autocarros para a Área Metropolitana de Maputo.

Magala avançou este dado, hoje, na abertura do quadragésimo Conselho Coordenador da instituição, que decorre sob o lema: “Transportes, Comunicações e Meteorologia, Promovendo a Economia Digital”.

O anterior lote de veículos articulados, que circulou no país, provinha da Hungria.

Durante o Conselho Coordenador, Mateus Magala anunciou o término da compensação ao transportador, findos seis meses de implementação.

Neste momento, o Governo estuda a nova modalidade de atribuição deste subsídio.

A propósito, o presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, Castigo Nhamane, disse, a jornalistas, no Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações, que todos os associados esperam pelo subsídio como condição para não subir as tarifas de transporte.

O Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações analisa os instrumentos programáticos e reflecte sobre a mobilidade urbana, segurança rodoviária, digitalização, logística, desempenho dos corredores de desenvolvimento e a reestruturação das empresas do Estado no sector.

O país precisa de soluções estruturais para resolver o crónico problema de transporte, defende o ministro dos Transportes e Comunicações. Mateus Magala classifica a insegurança nas estradas nacionais como “terrorismo rodoviário” que representa uma situação anormal.

Quando faltam quatro semanas para o fim do ano 2022, o Ministério dos Transportes e Comunicações juntou vários quadros do sector num Conselho Coordenador para um debate aberto, profundo e transparente sobre os caminhos a seguir para ultrapassar os problemas estruturais, como dos transportes e segurança rodoviária.

“O país clama por soluções estruturais para resolver o crónico problema de transporte de passageiros, caracterizado pela baixa qualidade da oferta deste serviço, no segmento urbano, distorcendo o funcionamento de todas as outras actividades económicas e sociais que dependem deste serviço, como o acesso ao emprego, produtividade das empresas, educação, saúde, turismo”, disse Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Um dos factores que contribuem para a precariedade dos serviços de transportes de passageiros é o conflito na Europa.

“Problemas de transporte público urbano agravaram-se com a recente crise provocada pela guerra na Ucrânia, cujo impacto se verifica com o aumento sucessivo dos preços dos combustíveis, levando ao aumento do custo de vida e dos custos operacionais do serviço de transporte”, explicou o titular das pastas na área de Transportes e Comunicações.

Para o governante, a solução dos problemas a que se refere passa pela reforma profunda que integra diferentes tipos de transporte.

“A nosso ver, a solução passa pela reforma profunda sobre como este serviço tem vindo a ser prestado, passando do informal para a profissionalização dos transportadores, integração dos diversos modos de transporte (rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial e lacustre), incremento de transporte de massas, ao mesmo tempo que intervimos na malha rodoviária para a extensão e melhoria da rede e qualidade das vias de acesso”, elucidou Mateus Magala.

Sobre a segurança rodoviária, Magala diz que o país está a atravessar um momento crítico. “É um momento crítico, caracterizado por violentos acidentes de viação. Só nos primeiros nove meses deste ano, em Moçambique perderam a vida 658 cidadãos e outros 1418 contraíram ferimentos, resultantes de 679 acidentes de viação. Neste contexto, definimos a segurança rodoviária como uma prioridade de primeira ordem para travarmos o terrorismo de rodoviário.”

A morte de uma média de mais de duas pessoas por dia, vítimas dos acidentes de viação no país, deve ser preocupação de todos. “Esta não é uma situação normal. Precisamos de mobilizar todas as forças vivas da sociedade para reverter este quadro negro.”

De acordo com Magala, o Conselho Coordenador deve sugerir formas de tirar o país da crise que atrasa o desenvolvimento e aumenta a vulnerabilidade das famílias.

O quadragésimo Conselho Coordenador do Transportes e Comunicações decorre sob o lema “Transportes, Comunicações e Meteorologia, promovendo a economia digital e a mobilidade sustentável” na Cidade de Maputo.

O ministro dos Transportes e Comunicações diz que o Governo já não sabe se vai ou não proceder à proposta de subsídio ao passageiro e que a decisão final vai depender do custo de vida. A FEMATRO diz que se a compensação aos transportadores não continuar, vai agravar a tarifa dos transporte de passageiros.

Em Julho, o Governo garantiu que iria compensar, primeiro, os transportadores e subsidiar, depois, subsidiar o passageiro para aliviar o custo do transporte. A primeira proposta até foi e ainda está a ser implementada, mas, em relação à segunda, reina, agora, uma incerteza.

“Dezembro é o último mês em que este arranjo (compensação aos transportadores) tem fim; depois vamos sentar-nos com o Governo para ver qual é a situação actual, se os combustíveis continuam altos ou a situação mudou e, na base disso, vamos decidir como continuar a desempenhar o nosso papel dentro do contrato social que temos com a sociedade”, revelou Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Mateus Magala explica que, caso o Governo avance com os subsídios ao passageiro, a ajuda será dada apenas às classes vulneráveis.

“O que é certo é que alguns grupos mais vulneráveis, como os idosos, os estudantes e deficientes, vão continuar a beneficiar-se do subsídio”, garantiu o governante.

Em relação à compensação aos transportadores, a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) diz que, caso a medida não continue, o preço do transporte de passageiros vai subir nos próximos meses.

“Que se pronuncie o próprio Governo, ou se continua com o subsídio ao passageiro por meio do transportador ou nós agravamos a tarifa em sete Meticais que foram acordados e aprovados pela Assembleia Municipal de Maputo, uma das duas hipóteses deve acontecer”, frisou Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO.

A agremiação diz também que a compensação aos transportadores não obedeceu aos requisitos que pudessem satisfazer os operadores.

“O valor a ser compensado pela capacidade de cada meio não nos agrada, porque o justo seria exactamente o subsídio ao passageiro transportado por dia, mas não é o que está a acontecer. Encontrou-se uma fórmula que compensa os transportadores em função da lotação”, lamentou o presidente da FEMATRO.

As intervenções foram feitas à margem do quadragésimo Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações, com a duração de dois dias, que visa, entre várias medidas, decidir sobre o futuro do transporte público de passageiros no país.

O juiz Efigénio Baptista diz que ficou provado que Armando Ndambi Guebuza influenciou o seu pai, então Presidente da República, Armando Guebuza, para que o Governo adoptasse o projecto de protecção da Zona Económica Especial proposto pela Privinvest e, por isso, recebeu 33 milhões de dólares.

No segundo dia da leitura da sentença do “caso dívidas ocultas”, o juiz da causa, Efigénio Baptista, começou a apresentar as suas conclusões em relação ao envolvimento de cada um dos réus naquele que é tido como o maior escândalo financeiro já registado no país, tendo como base as provas apresentadas, desde depoimentos feitos pelos réus em diferentes fases do processo, documentos físicos, e-mails e outras mensagens electrónicas certificadas pela perícia de informática e que não foram contestados pela defesa dos réus, entre outros.

O juiz considerou válidos os depoimentos de Bruno Langa, co-réu e amigo de Ndambi Guebuza nas fases anteriores ao julgamento, apesar de ter alegado, na tenda da B.O., que foram feitos na PGR sob ameaça do procurador Elias Paulo, pelo que Efigénio Baptista não viu, mesmo assim, elementos que justificassem a sua nulidade, porque, segundo disse, o réu teve várias ocasiões para denunciar o ocorrido, mas não o fez. Citou, por exemplo, o interrogatório feito pelo juiz ao réu preso, a instrução preparatória, a instrução contraditória, os recursos que submeteu ao Tribunal Superior de Recurso e ao Tribunal Supremo, em nenhuma dessas fases do processo denunciou a suposta ameaça.

Bruno Langa submeteu ainda uma contestação ao tribunal na qual confirma os factos que narrou no interrogatório conduzido pela PGR e em nenhum momento revela qualquer coação para esclarecer a sua participação no escândalo das “dívidas ocultas”. Por isso, o juiz diz que foi forçado a concordar com o posicionamento do Ministério Público nas suas alegações finais de que foi uma estratégia de defesa elaborada pelo réu, diante das provas irrefutáveis contra si.

A defesa de Ndambi Guebuza tentou ainda anular os depoimentos de Bruno Langa, alegando que o advogado Paulo Nhancale, que o acompanhou na audição na PGR, não está inscrito na Ordem dos Advogados de Moçambique, pelo que não podia exercer a advocacia. O juiz diz que não procede porque, após a nomeação de um advogado verdadeiro, Bruno tinha cinco dias para pedir a anulação e não o fez, aliás o pedido surge cinco anos depois.

A anulação das declarações de Bruno Langa era importante para a defesa de Ndambi Guebuza. Na PGR, o amigo do filho do antigo Presidente da República não teve filtros e explicou todos os contornos da sua participação no crime, que essencialmente foi motivada pela sua amizade com Ndambi e foi através dele que Teófilo Nhangumele fez chegar o projecto da Zona Económica Especial ao filho do Presidente e aquele para o seu pai.

Mesmo para fundamentar a sua convicção, o juiz citou um e-mail que Teófilo Nhangumele enviara a Jean Boustani depois de um encontro com Ndambi Guebuza, facilitado por Bruno Langa. No referido e-mail, Nhangumele informou ao empresário libanês que falou com Ndambi a manifestar preocupação pelo facto de o projecto estar encalhado e não estar a ter qualquer desenvolvimento mesmo depois de se terem passado três meses após ter sido submetido aos Serviços de Informação e Segurança do Estado e que teria tido o conforto de que Ndambi levaria o assunto ao pai e retornaria a Nhangumele.

O juiz diz estar convencido de que houve eficácia na actuação, porque, pouco tempo depois, foi criada a ProÍndicus e, 27 dias depois, aquela empresa assinou o contrato com uma das empresas do grupo Privinvest para fornecimento da solução de patrulhamento e vigilância da costa moçambicana.

Efigénio Baptista puxou um outro e-mail certificado pela perícia e não contestado, em que Jean Boustani o enviou a Inês Moiane, então secretária do ex-Presidente da República, Armando Guebuza, com conhecimento de Ndambi Guebuza, cujo conteúdo era destinado ao então Chefe de Estado.

No referido e-mail, mo libanês pedia orientações ao Chefe de Estado e avisava que seria necessário fazer-se um lobby junto da Anadarko e ENI, para firmarem contrato de protecção com a ProÍndicus e sugeria a concessão do Sistema Integrado de Monitoria e Protecção (SIMP) a uma empresa formada pela ProÍndicus e a sucursal da Abu Dhabi Mars através de uma resolução do Conselho de Ministros e/ou decreto presidencial para servir de prova de bala a eventuais contestações. O juiz acredita que o facto de Ndambi Guebuza estar copiado no e-mail enviado a Inês Moiane era mesmo porque ele intervinha junto do seu pai para agilizar os processos.

Por conta disso, o juiz faz notar que, após esse e-mail 16 dias depois, o Conselho de Ministros decidiu, através de uma resolução, a concessão do SIMP à ProÍndicus, o que, mais uma vez, provou a forte influência que Ndambi Guebuza exercia sobre o seu pai.

Por conta destes serviços, Efigénio Baptista diz que ficou provado que, através de Teófilo Nhangumele, Ndambi Guebuza exigiu o pagamento de 50 milhões de dólares por parte da Privinvest. E como a resposta de Jean Boustani foi de que aquela empresa não fazia esse tipo de pagamento, as partes acordaram em acrescentar na factura dos equipamentos e serviços a serem fornecidos por aquela entidade esse valor.

Das negociações entre as partes, comprovadas através de e-mails trocados entre Jean Boustani e Teófilo Nhangumele, Ndambi ficou com 33 milhões de dólares que devia partilhar com António Carlos do Rosário, Gregório Leão e Cipriano Mutota, algo que não fez. E Nhangumele e Bruno Langa ficaram com 8,5 milhões de dólares cada um, de 10 milhões negociados anteriormente, mas que Ndambi exigiu que reduzissem porque ele teria mais pessoas com que devia dividir o valor.

O juiz diz não ter dúvidas, por conta da prova documental de que dispõe, de que Ndambi recebeu, de facto, esse dinheiro, sendo que 14 milhões de dólares foram pagos através de transferência bancária numa conta por si titulada e aberta por Jean Boustani em Abu Dhabi Commercial Bank. A transferência foi feita no dia 26 de Março de 2013, no entanto a defesa de Ndambi Guebuza apresentou no tribunal para rebater esse facto um extracto bancário da referida conta de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2015, altura em que não houve nenhum movimento na conta.

O magistrado recordou que, na fase de instrução, quando Ndambi não sabia que havia a prova da conta bancária em Abu Dhabi, negou que tivesse aberto tal conta, mas, após ser confrontado no julgamento com as provas documentais, aceitou que abriu conta bancária em Abu Dhabi Comercial Bank.

No entanto, alegou que o documento assinado por ele a confirmar a recepção dos 14 milhões de dólares, tinha assinatura falsificada. No entanto, segundo o juiz, não provou se a assinatura era falsificada nem solicitou a realização de exame nesse sentido.

A outra parte dos 33 milhões de dólares terá recebido através de empresas sul-africanas, tendo, no tribunal, confirmado, mas alegando que eram resultados de uma parceria com Jean Boustani que não conseguiu explicar e provar o seu âmbito.

Iniciou-se hoje a leitura da sentença do “caso dívidas ocultas”. Segundo o juiz da causa, Efigénio Baptista, a produção do documento, com 1388 páginas, durou três meses, pelo que vai precisar de quatro a cinco dias para poder lê-lo. O juiz esclareceu que precisa desses dias porque, por lei, não pode omitir a leitura de nenhuma página do seu veredicto.

O veredicto de Efigénio Baptista devia ter sido conhecido a 1 de Agosto de 2022, tal como ele próprio prometera ao fim do julgamento, mas teve que adiar para 30 de Agosto. No início da sessão, fez questão de explicar o motivo do adiamento, que, segundo disse, se prende com o tempo que tem estado a levar o processo de arresto de bens dos réus que supostamente foram adquiridos com dinheiro das “dívidas ocultas”.

Nesse processo, segundo o juiz, houve 10 pedidos de embargo, audições de testemunhas, entre outras diligências que ainda estão em curso, tendo sido interrompidas para dar lugar à leitura da sentença.

Indo à própria sentença, a parte lida hoje correspondeu à identificação de cada um dos réus, o caminho percorrido até ao início do julgamento, as acusações que pesam sobre cada um, para além de apresentar os factos que sustentam a acusação e as provas apresentadas durante as sessões de julgamento sobre cada um dos factos arrolados pelo Ministério Público.

Para além de todos os réus, seus advogados, Ministério Público e seu assistente, a Ordem dos Advogados, e jornalistas, a sessão foi aberta ao público, destacando-se a presença do antigo Presidente da República, Armando Guebuza.

Antes do início da sessão, o advogado Abdul Gani, que defende Gregório Leão, disse esperar que o tribunal faça justiça, ou seja, olhar nos factos arrolados pelo Ministério Públicos, a prova apresentada durante as sessões de julgamento e tomar as medidas adequadas previstas na lei. O advogado alerta que é sobre esses factos que o juiz deverá tomar a sua decisão e não sobre qualquer outro facto ou percepção que não seja o que está nos autos.

O mesmo posicionamento é do advogado Rodrigo Rocha, que defende Cipriano Mutota, acrescentando que espera que o juiz tenha em conta também as atenuantes. Alerta, por outro lado, que a leitura da sentença não será o fim do processo, todos os réus terão ainda a oportunidade de requererem, se quiserem ou se não concordarem com a decisão que foi tomada por Efigénio Baptista.

O advogado de Banda Hening, Mahomed Bachi, diz igualmente esperar que se faça justiça e que, no seu entender, tal passa pela absolvição da sua constituinte por entender que o Ministério Público não conseguiu apresentar qualquer prova do seu envolvimento no crime a que lhe é imputado, e ela própria na sessão de julgamento apresentou elementos que provam a sua inocência.

Cerca de uma tonelada de diferentes medicamentos, supostamente subtraídos do Sistema Nacional de Saúde (SNS), foi apreendida numa residência pela PRM em Tete. Em conexão com o caso, um indivíduo encontra-se detido, suspeito de ser proprietário da residência e de estar ligado ao desvio de fármacos.

São medicamentos para diferentes patologias, todos do Sistema Nacional de Saúde. Foram apreendidos pelas autoridades numa residência supostamente abandonada, no bairro Josina Machel, na cidade de Tete. Do conjunto dos fármacos apreendidos, consta antibióticos, anti-maláricos, suspensões, paracetamol, anti-retrovirais e seringas.

Em conexão com o caso, foi detido um cidadão de 59 anos de idade, suspeito de ser proprietário da residência onde os fármacos foram encontrados. O acusado nega ser dono da casa e de estar envolvido no desvio de medicamentos.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) diz tratar-se de reincidente. Neste momento, as autoridades trabalham para neutralizar outros integrantes a monte, todos da mesma família, e apurar a proveniência dos fármacos.

Henrique Gouveia e Melo diz que no centro de qualquer sociedade estão os seres humanos, e ela só progride quando as pessoas têm acesso ao desenvolvimento. O almirante Melo falava ontem, em Maputo, num debate sobre Responsabilidade Social 2022 organizado pela Câmara de Comércio Portugal–Moçambique.

Moçambique e Portugal estiveram, esta segunda-feira, no recinto da Fundação Leite Couto, para falar sobre a responsabilidade social 2022.

Intervindo no evento organizado pela Câmara de Comércio Portugal–Moçambique, o almirante Henrique Gouveia e Melo defendeu a ideia de que o centro do desenvolvimento das sociedades é o ser humano.

“O ser humano é que é a sociedade. Não há nenhum grupo de seres humanos ou uma minoria de seres humanos. As sociedades só progridem quando um grande número elevado de seres humanos nessa sociedade tem acesso ao desenvolvimento”, referiu Henrique Gouveia e Melo, chefe do Estado-Maior da Armada de Portugal.

E para que as sociedades se desenvolvam, Gouveia e Melo diz que é preciso combater as desigualdades sociais. “Todas as sociedades com classes médias fortes são sociedades que se desenvolveram e que estão hoje no topo do desenvolvimento. Sociedades muito díspares, com uma pequena classe média, gente muito rica e gente muito pobre, normalmente, não é uma sociedade desenvolvida”, defendeu o Chefe do Estado-Maior da Armada de Portugal.

Entretanto, o desenvolvimento das sociedades e dos seres humanos não deve comprometer o meio ambiente. “[Nós] – nossa geração, como outras gerações anteriores – somos meros passageiros nesta nave espacial que chamamos de terra e não podemos estragá-la, porque esta nave espacial, se Deus quiser, vai continuar a circular por outros seres humanos. Por isso, a boa governança é o que mais está em causa hoje em dia. Fala-se muito de boa governação – há muita retórica, mas há pouca acção verdadeiramente positiva e actuante”, lamentou Henrique Gouveia e Melo.

E o presidente do Conselho Geral da Câmara de Comércio Portugal Moçambique diz que os dois povos devem agarrar-se à língua os une e cada um fazer a sua parte por um futuro melhor.

“O que nos separa é muito menos do que o que nos une. Devemos explorar o que nos une porque o mundo precisa. Cada um de nós, de certa forma, tem um talento e deve pô-lo ao uso da sociedade, da comunidade e – porque não? –, do uso essencial do futuro bem-estar da comunidade”, apelou Pedro Rebelo de Sousa, presidente do Conselho Geral da Câmara de Comércio Portugal–Moçambique.

Já o vice-reitor da Universidade de Coimbra defende que a academia deve contribuir para quebrar as desigualdades e injustiças sociais. “É que todos comprometidos, todas as universidades, excelentes universidades moçambicanas que há, e portuguesas, devem ter especial compromisso com a sociedade, com o sector empresarial, de lutar por uma igualdade de oportunidades que mitigue as desigualdades, de lutar por um mundo de mais valores, ética, que combata a corrupção, que aprofunda este fosso entre ricos e pobres”, exortou João Calvão da Silva, vice-reitor da Universidade de Coimbra.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros entende que a relação entre Moçambique e Portugal produziu talentos capazes de fazer face aos problemas. “Eu conheço muitos moçambicanos que, se não fosse o resultado desta relação, não teríamos – esses quadros de Moçambique, talentos de grande valor e capacidade de contribuir para a resolução dos problemas de Moçambique”, destacou Leonardo Simão, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Na sua intervenção, Mia Couto destaca a África como um continente produtor de solidariedade. “Nós somos muito vistos como aqueles que devem ser objecto de compaixão porque são vítima; são sempre objecto. Os europeus olham para o africano como alguém que está sempre a pedir, a mendigar. Não estamos sempre a mendigar. Nós produzimos uma grande dignidade que depois não chega à televisão europeia”, protestou o escritor Mia Couto.

As declarações foram feitas no âmbito da terceira Conferência da Economia do Mar, organizada pela Câmara de Comércio Portugal–Moçambique.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM)  prevê a queda de precipitação, entre aguaceiros e chuvas fracas, nas três regiões do país. O INAM alerta, ainda, a possibilidade de trovoadas.

De acordo com a Meteorologia, a região sul do país poderá registar céu pouco nublado, chuvas fracas locais e vento de sudoeste a sueste fraco a moderado soprando, por vezes, com rajadas.

Em graus Celsius, para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo prevêem-se máximas de 28, 27, 29 e 29 e mínimas de 19, 20, 21 e 21 graus Celsius.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, o Tete e Quelimane poderão registar céu pouco nublado, com períodos de muito nublado; trovoadas e aguaceiros ou chuvas fracas localmente moderadas e vento de sudoeste a sueste fraco a moderado soprando, por vezes, com rajadas.

As cidades da Beira, Chimoio, o Tete e Quelimane poderão registar as temperaturas máximas de 30, 28, 33 e 28 e  mínimas de 22, 22, 23 e 23 graus Celsius, respectivamente.

Para as cidades de Nampula, Pemba e Lichinga espera-se céu pouco nublado, localmente muito nublado; possibilidade de ocorrência de trovoadas e aguaceiros ou chuvas fracas locais e vento de nordeste a sueste fraco a moderado.

Em graus Celsius, Nampula, Pemba e Lichinga vão registar temperaturas máximas de 32,30,23 e mínimas de 22,24 e 14 graus.

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