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O País – A verdade como notícia

Ainda não há dinheiro para a construção de uma nova ponte para substituir a “ponteca” sobre o rio Umbeluzi, que liga a sede da vila municipal de Boane e mais 25 bairros que dependem daquela infra-estrutura para sua mobilidade.

Na última época chuvosa, o rio Umbeluzi no distrito de Boane, Província de Maputo, registou cheias que causaram inundações e, como consequência, a “ponteca” de Mazambanine ficou submersa.

“O caudal do rio subiu e praticamente não conseguimos passar, porque a ponte ficou coberta de água e a única via de transitabilidade são aqueles barcos a remos que, muitas vezes, não oferecem segurança e a população sofre muito”, disse Marta Cumbane, residente no bairro 25 de Junho em Boane.

“Esta ponte inquieta-nos porque, todas as vezes que há chuvas, não temos passagem nesta via”, lamentou Roque Ngovene, residentes no bairro 25 de Junho em Boane.

Com a previsão de mais chuva na presente época chuvosa, a “ponteca” voltará a estar submersa. “Posso ter opinião, mas não tenho força para fazer, porque o Governo também não consegue. O segredo é levantar esta ponte; essa seria a solução porque, com a ponte alta, não ia encher mais”, sugeriu um dos residentes e comerciantes daquele ponto da Província de Maputo.

Os cereais, o carvão, os tijolos, entre outros produtos e bens que são produzidos em Boane, tudo fica prejudicado com a mobilidade. “Foi uma coisa muito difícil, tivemos que parar uma semana para conseguirmos passar e prosseguir com o trabalho”, contou um dos camionistas.

A “ponteca”, estreita e construída no período colonial, já está degradada e foi dimensionada para uma outra realidade que difere do contexto actual em que a carga que circula não é sujeita à pesagem, o que faz com que haja desgaste da infra-estrutura que vem sofrendo com o aumento do caudal do rio Umbeluzi.

O Governo da Província de Maputo até reconhece a necessidade de se construir uma nova ponte, mas diz ainda não ter dinheiro.

“O obstáculo é mesmo financiamento, neste momento a Província de Maputo tem interesse no âmbito da diplomacia económica por forma a trazer investimentos para o sector de infra-estruturas, em particular para o sector de estradas.”

Em dias normais, a travessia é feita às escuras no período nocturno, pois não há iluminação pública.

Associação Médica de Moçambique mantém a greve de 21 dias prorrogáveis, com início esta segunda-feira. A organização diz que o Governo não respondeu a todas as preocupações apresentadas, no prazo estabelecido.

Após adiar a greve inicialmente agendada para 07 de Novembro, devido às insatisfações decorrentes da Tabela Salarial Única, os médicos convocaram a imprensa, na última sexta-feira, para reiterar que vão paralisar as actividades a partir desta segunda-feira.

“Lamentamos imenso o ponto a que chegámos, mas não estamos em condições psicológicas de continuar a prestar-vos o atendimento e os cuidados que merecem”, disse Milton Tatia, presidente da Associação Médica de Moçambique (AMM).

Resolver as 14 preocupações do caderno reivindicativo, dentro de quatro semanas, era a única condição para evitar a greve, o que não aconteceu, segundo a Associação Médica de Moçambique, mesmo após várias rondas de negociações com o Governo.

O secretário-geral da AMM disse que somente quatro foram resolvidas, e a Tabela Salarial Única apenas agravou as violações dos direitos dos profissionais.

“O Governo continua a não cumprir o acordado. No nosso estatuto, há uma definição de 40% para o subsídio de exclusividade, mas vimos reduzido em 05% sem nenhuma explicação. Este é um dos pontos em que houve uma regressão em relação ao que já se vinha pagando.”

A paralisação das actividades será parcial, ou seja, serão somente atendidas urgências em todas as unidades sanitárias.

“De forma a não prejudicar a nossa população, serão paralisadas apenas as actividades electivas (não urgentes) como consultas externas, cirurgias, exames auxiliares e procedimentos médicos de diagnóstico, autópsias, actividades de saúde pública, actividades de ensino e de tutoria em todas as instituições de formação em saúde do sector público”, explicou Napoleão Viola.

A greve nacional terá duração de 21 dias prorrogáveis, com início às 07h desta segunda-feira.

No país, 50% da população tem acesso aos serviços de telecomunicações, e a internet beneficia apenas 23% da população. O Governo compromete-se a melhorar estes indicadores.

Terminou esta semana o Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações, que visava reflectir sobre as actividades do sector. Constatou-se que houve, em termos de produção, um crescimento nominal na ordem de 11,8%, de Janeiro a Outubro de 2022.

“Neste Conselho Coordenador, constatámos que, no balanço da produção do sector, registámos um crescimento nominal na ordem de 11,8%, de Janeiro a Outubro de 2022, ultrapassando a meta fixada de 5%, para o ano de 20022”, disse Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Ainda naquele evento que decorreu em Maputo e juntou quadros do Ministério dos Transportes e Comunicações de todo o país, discutiu-se a sinistralidade rodoviária que vem causando muitas mortes nas estradas nacionais e decidiu-se que o trabalho de mitigação aos acidentes de viação deve ser integrada e multissectorial.

“A nossa visão é tratar a segurança rodoviária de forma integrada, considerando todo o ambiente envolvente, nomeadamente, as vias públicas, os meios de transporte, as instituições, a comunidade, entre outros intervenientes. Não podemos resolver este problema de forma segmentada e sectorializada. Para a eficácia da nossa actuação, contamos com o engajamento de todas as forças vivas da sociedade, pelo que exortamos para participação de todos no processo em curso de concepção e implementação de medidas a curto, médio e longo prazos para a promoção da segurança rodoviária.”

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) deve melhorar o seu desempenho, tendo sempre em atenção que a sua missão é assegurar que haja segurança nas nossas estradas, devendo explorar todos os recursos disponíveis, como as tecnologias de informação e comunicação para a educação, formação e responsabilização dos intervenientes na via pública.

Mateus Magala destacou ainda que houve crescimento na produção do ramo ferroviário que, em comparação com a produção de igual período do ano passado, registou um crescimento exponencial de 46,4%, o tráfego aéreo cresceu 21,3% e as comunicações 16,5%.

As palavras foram proferidas, na última sexta-feira, durante a inauguração oficialmente da fábrica de exploração de areias pesadas de Chibuto, na província de Gaza. O investimento está orçado em cerca de 700 milhões de dólares americanos.

A cerimónia marcou a concretização de um projecto cujo sonho começou a ser edificado em 1997, com os primeiros estudos de prospecção e pesquisa de areias pesadas em Chibuto. Entretanto, foi em 2014 em que a empresa chinesa Dingsheg assinou com o Estado moçambicano o acordo de concessão para explorar a área de mais de 10 mil hectares.

De 2020 a esta parte, a empresa estava em fase experimental. Na sexta-feira, foram inauguradas duas unidades de processamento, de um total de dez a serem construídas pela empresa. “Com a entrada em funcionamento destas duas unidades, teremos a capacidade de produzir mais de um milhão e oitocentas toneladas de minérios por ano. Para dizer que este é apenas um ponto de partida e gradualmente iremos construir mais linhas de produção, sendo que, no final, teremos a capacidade de produzir mais de oito milhões de toneladas”, referiu a representante da empresa.

No seu discurso, Filipe Nyusi recordou que muitos não acreditaram neste projecto. “Já passaram por Chibuto várias empresas que desqualificavam as areias deste local. Algumas até diziam que não tinham nenhum valor comercial e nós não desistimos. Encorajamos essa empresa a trabalhar e, hoje, notámos que estamos perante um projecto que tem pernas para andar”, referiu o Chefe de Estado, para quem é hora de Gaza também se desenvolver.

“Gaza tem que se desenvolver, como está a acontecer noutras províncias. Este projecto absorveu, durante a fase de construção, mão-de-obra nacional e estrangeira. Consta que, neste momento, a empresa emprega 500 pessoas, sendo que, na sua maioria, são moçambicanas. Ficaram ainda beneficiados com este projecto as mais de 300 famílias que foram reassentadas no âmbito da sua implementação”, regozijou.

O Presidente da República referiu que o Governo está à procura de mais investidores para transformar aquele local num parque industrial. “Temos vindo a trabalhar com o Governo da China para ver se conseguimos mobilizar mais investidores. Sentimos que, a qualquer momento, esta cintura será uma área industrial por excelência e continuaremos a trabalhar para que tenhamos aqui pequenas industrias”, garantiu.

O Chefe de Estado referiu ainda que a indústria extractiva está a crescer e a contribuir para a economia do país.

“No nosso país, tem-se registado um crescimento assinalável da indústria extractiva no Produto Interno Bruto, cuja estrutura percentual passou de 1,8% em 2011 para 10% em 2021, uma situação que evidencia uma evolução que irá atingir maior preponderância com exportação do Gás Natural Liquefeito, a partir dos empreendimentos na Bacia do Rovuma. Esta tendência reflecte-se mais nas contas externas, em que se regista um aumento considerável do volume de exportações no mesmo período, de 360 milhões de dólares americanos em 2011 para 2,4 mil milhões de dólares americanos em 2021”, destacou.

Além de empregos que já estão garantidos pelo projecto, o Estado moçambicano deverá encaixar, anualmente, mais de 38 mil milhões de dólares em impostos.

 

UM POTENCIAL DE MAIS DE DOIS BILIÕES DE TONELADAS EM MATÉRIA-PRIMA

O distrito de Chibuto em Gaza tem uma das maiores reservas de areias pesadas do mundo. Só na área concessionada à empresa Chinesa Dingsheng Minerais, há um potencial de mais de dois biliões de toneladas de matéria bruta.

“Temos aqui um grande potencial. As areias pesadas ocorrem, regra geral, ao longo da costa. Em tempos passados, passava o mar, por isso temos esse depósito. Esta é uma das maiores reservas do mundo com cerca de 2,6 biliões de toneladas de matéria bruta”, destacou Cândido Rangeiro, director nacional de Geologia e Minas.

Os três minérios (ilmenita, zarcão e rutilo) extraídos no local têm utilidade em grandes indústrias e tem como destino a Ásia e Europa. “Esses minérios deverão ser exportados para os mercados asiático e europeu e usados na indústria como matéria-prima para produção de tintas, plásticos cosméticos e para fabricação de componentes para aeronaves”, referiu Filipe Nyusi.

Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas, espera que o empreendimento viabilize o Porto de Chongoene, uma infra-estrutura prometida pelo Governo, como forma de facilitar o escoamento desses minérios. “Não sei se a quantidade de produto que esta empresa está a produzir é suficiente para viabilizar o Porto de Chongoene. Na altura, recordo-me de que o Zimbabwe e o Malawi estavam interessados em escoar o carvão através do sistema ferro-portuário.”

Lembre-se que, para viabilização deste projecto de exploração de areias pesadas, em Chibuto, foram reassentadas 371 famílias. O acordo de concessão entre o Estado moçambicano e a empresa chinesa Dingsheng Minerais, assinado em 2014, tem duração de 25 anos.

O juiz Efigénio Baptista, que julga o processo 18/2019-C, conhecido como processo das “dívidas ocultas”, entende que o réu Renato Matusse orquestrou sobrefacturações no financiamento à ProIndicus junto a António Carlos do Rosário e Ndambi Guebuza. Baptista diz que o réu foi astuto e fazia parte do grupo criminoso no caso.

Se faltava algum réu, que aguardava pela fundamentação dos crimes provados que pesam sobre si no “caso dívidas ocultas”, é Manuel Renato Matusse.

Professor reformado, Matusse era conselheiro político do antigo Presidente da República, Armando Guebuza, aquando dos acontecimentos que hoje levaram 19 pessoas a responderem em tribunal.

A acusação diz que o homem na cadeira do réu teria recebido dois milhões de dólares, mas ele negou que fosse este valor. Disse ter recebido pouco mais de 1,6 milhões e alegou que o dinheiro dado por Jean Boustani, da Privinvest, era oferta dadas algumas necessidades pessoais por que passava, e não quis avançar detalhes.

Qual oferta? Para Baptista, a razoabilidade e o bom senso não aceitam os seus argumentos.

“Não pode o réu Manuel Renato Matusse pretender que qualquer indivíduo de diligência média acredite que a quantia de 1 668,000 dólares americanos lhe foi simplesmente oferecida pelo grupo Privinvest, tão-somente porque o réu, conselheiro político do então Presidente da República os solicitou para fazer face às necessidades pessoais que, na altura, atravessava. Então, o grupo Privinvest é santa casa de misericórdia”, argumentou o juiz da causa, Efigénio Baptista.

Do valor recebido pelo Professor Doutor Renato Matusse, houve aquisição de imóveis. Uma das casas foi comprada da cidadã Neusa de Matos, tendo sido transferidos directamente da Privinvest para a conta desta credora no exterior 300 mil dólares, um valor a mais, em relação ao acordado.

“Por que é que o grupo Privinvest transferiu dinheiro a mais para a conta de Neusa Matos? Por que é que o réu Renato Matusse reagiu de forma desagradada quando soube que a declarante Neusa de Matos transferiu o dinheiro que estava a mais para a sua conta domiciliada no Millennium BIM? É preciso destacar a astúcia do réu Manuel Renato Matusse”, disse Baptista.

Pior, a seu desfavor, estão os e-mails que terá recebido da Privinvest, ele e o co-réu António Carlos do Rosário, com conhecimento de Ndambi Guebuza sobre o aumento do financiamento à empresa ProIndicus. Para Baptista, tratava-se mesmo de sobrefacturação e ficou claro que Matusse faz parte do grupo criminoso.

Matusse comprou outra casa a 1 100,000 dólares de Isidora Faztudo, duas viaturas Toyota Hilux e Hyundai a 65 mil e 53 mil dólares respectivamente – sempre com pagamentos feitos a partir de fora do país. Quando o esquema das “dívidas ocultas” foi despoletado, o réu foi à procuradoria de forma voluntária explicar que terá recebido dinheiro da Privinvest sem saber que se tratava de verba ilícita e prontificou-se a devolver.

Efigénio Baptista afirmou que recusa de Ndambi Guebuza em partilhar os 50 milhões de dólares de subornos, que deveria compartilhar com António Carlos do Rosário e Gregório Leão, no primeiro contrato com a Privinvest, foi a razão que fez com que os três, associados a Manuel Renato Matusse, tivessem a ideia de alterar o contrato inicial, com o objectivo de subfacturar o preço dos equipamentos para ganhar mais dinheiro no negócio. O juiz disse ainda não ter dúvidas de que Renato Matusse, então assessor de Armando Guebuza, participou nas referidas negociações.

O contrato de financiamento celebrado entre a ProIndicus e o Credit Suisse para compra de equipamentos para protecção da Zona Económica Exclusiva sofreu dois aumentos em 2013, e Efigénio Baptista não tem dúvidas sobre as razões disso. “Da associação dos factos e circunstâncias que se apuraram até a este ponto, é fácil concluir com toda a certeza que o motivo das alterações do contrato inicial da ProIndicus foi a recusa do réu Ndambi Guebuza em partilhar os 50 milhões de dólares com os co-réus António Carlos do Rosário e Gregório Leão”, referiu Baptista tendo, de seguida, explicado que os réus agiram, com ajuda do Credit Suisse e da Prinvivest.

“Como o contrato de financiamento já estava celebrado, a única forma que encontraram para obter dinheiros adicionais de suborno foi alterar o contrato de fornecimento e, por consequência, alterar o contrato de financiamento. Este plano criminoso foi orquestrado pelo réu António Carlos do Rosário, em coluio com o réu Ndambi Guebuza, Jean Boustani, Gregório Leão José e Manuel Renato Matusse. Com efeito, Andrew Pearse, do Credit Suisse enviou, a 19 de Abril de 2013, um e-mail para os réus António Carlos do Rosário e Manuel Renato Matusse com cópia para Jean Boustani. No dia 22 de Abril de 2013, o réu António Carlos do Rosário reencaminhou para o co-réu Ndambi Guebuza um e-mail com assunto ‘empréstimo da Credit Suisse à ProIndicus’ com o seguinte teor: Exmos senhores, fui contactado pelo senhor Jean Boustani, que mencionou que vocês têm algumas questões relativas ao aumento de 200 milhões de dólares americanos de um empréstimo do Credit Suisse à ProIndicus. Gostaria de reiterar que o aumento proposto será providenciado pelo Credit Suisse”, detalhou.

O juiz dissipou dúvidas sobre a participação do antigo assessor particular de Armando Gebuza no esquema.

“Dúvidas não restam de que o réu Manuel Renato Matusse fazia parte do grupo criminoso que decidiu alterar os contratos da ProIndicus para poder obter dinheiro adicional para pagamento de subornos. Com efeito, o e-mail com assunto ‘empréstimo da Credit Suisse à ProIndicus’ foi enviado ao réu António Carlos do Rosário e também ao réu Manuel Renato Matusse”, esclareceu.

O juiz da causa disse ainda que a Privinvest não usou seu dinheiro para subornar os réus, mas que tais valores eram provenientes do subfacturamento dos custos dos meios, isto é, o Grupo Privinvest pagou os subornos com o dinheiro do Estado moçambicano.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas continua a ser desafiado pela pesca ilegal e poluição do mar. Por isso, o sector quer reforçar a interacção com as organizações da sociedade civil para resolver os problemas.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas (MIMAIP) reuniu-se, esta sexta-feira, na Cidade de Maputo, com organizações da sociedade civil no âmbito da quinta reunião nacional sobre a preservação e gestão dos recursos marinhos.

O encontro anual tem em vista debater em conjunto os desafios e as soluções para a exploração sustentável do mar e fortalecer a cooperação intersectorial.

Estima-se que o país perca, anualmente, cerca de 60 milhões de dólares norte-americanos devido à pesca ilegal, que, associada à poluição do mar e à destruição do mangal, compromete o desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos, segundo fez saber Felismina Antia, directora nacional de Políticas Marítimas e Pesqueiras.

“Os fenómenos impactam, por exemplo, espécies consideradas em extinção, ecossistemas marinhos, nos corais, e os recursos pesqueiros começam a ter algumas dificuldades em termos de existência”, explicou Antia.

Por isso, Rodrigo Fernandes, representante do Fórum da Sociedade Civil para a área Marítima e Costeira (FOSCAMC) defendeu a adopção de estratégias nacionais para garantir o desenvolvimento sustentável das espécies marinhas.

“Esperamos contar, muito em breve, com outros avanços importantes, como a estratégia nacional e plano de acção para a gestão de recifes de corais, o plano de acção para a gestão e conservação de tubarões e raias, a regulamentação da pescaria do polvo, a finalização da estratégia de economia azul, a aprovação da proposta do Plano de Acção de Combate ao Lixo Marinho, e da proposta de Regulamento sobre o Banimento da Produção, Importação, Comercialização e Uso do Saco de Plástico, bem como outros regulamentos e políticas específicas para a redução do lixo plástico no mar”, referiu.

Em representação da ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, Simeão Lopes destacou a necessidade de fortalecer a interacção entre os diferentes actores que exploram a área marinha e costeira.

“Soluções baseadas na natureza e que envolvam as nossas comunidades costeiras continuam a ser a grande aposta para a identificação de soluções para os diversos desafios já elencados e que impactam na saúde do mar, visando assegurar o futuro das gerações mais novas. Há necessidade de manter as organizações da sociedade civil que actuam na área marítima e costeira actualizadas quanto ao quadro político e legal aprovado, ou em elaboração”.

A quinta reunião nacional contou com a participação de organizações da sociedade civil provenientes de todas as províncias do país e quadros do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

O álcool ilícito que entra no país e o meio de transporte usado poderão ser incinerados. O objectivo é combater o contrabando de bebidas alcoólicas. A proposta é da Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE).

Em 2017, o prejuízo fiscal total do álcool ilícito em Moçambique atingiu 344,8 milhões de dólares. A Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) vai propor a incineração de bebidas alcoólicas contrabandeadas e o seu meio de transporte, isto é, os veículos envolvidos, como forma de dissuadir a entrada ilícita no país.

Excepto bebidas alcoólicas fora do prazo ou impróprias para o consumo, Moçambique não destrói esta categoria de mercadorias. A nível do Tribunal Aduaneiro, são abertos processos fiscais, que podem resultar em reversão mediante pagamento de impostos, taxas e multas ou venda em hasta pública.

É neste sentido que a INAE quer propor a revisão da lei para que seja mais rigoroso com vista a travar o contrabando de bebidas alcoólicas.

“Incinerar os veículos é, sim, uma forma drástica de desencorajar. Quando isso acontecer, o número de processos vai reduzir. Actualmente, estamos longe de resolver o problema”, defendeu Tomás Timba, director de Operações da INAE.

Entre Janeiro e Maio deste ano, as Alfândegas de Moçambique apreenderam 108 viaturas contrabandeadas e realizaram 144 apreensões de bebidas alcoólicas e outras mercadorias. São números que deixam a CTA preocupada e que elevam o tom na exigência de respostas: “reconhecendo os avultados investimentos realizados no seio da indústria nos últimos anos e o seu contributo na geração de empregos directos e indirectos, impostos e outros encargos para o tesouro público, impõe-se a necessidade de combater, de forma rigorosa, o contrabando, contrafacção, descaminho, produção e introdução fraudulenta no mercado de bebidas alcoólicas, o que configura uma concorrência desleal, para além dos riscos à saúde”, disse Agostinho Vuma, presidente da Confederação das Associação Económicas (CTA).

Para que o álcool que entra no território nacional seja legal, há um conjunto de requisitos que o importador deve verificar. “O rótulo, segundo a legislação, tem que estar em português, dentro do rótulo, há lá o teor do álcool. Significa que os produtores, antes de levar o produto ao mercado, tem que seguir normas”, apelou Arlindo Mucone, director-geral-adjunto do INNOQ.

Combater o contrabando de bebidas alcoólicas é garantir uma sã concorrência no mercado. “Fazer um engajamento aos próprios actores partes desta indústria para que estejam cada vez mais cientes da necessidade de operar de forma íntegra”, indicou Hugo Gomes, administrador das Cervejas de Moçambique.

Além do combate à entrada de álcool ilícito no país, há que controlar os níveis de consumo para prevenir acidentes de viação. “Estamos a entrar para quadra festiva e este é um momento de agitação e consumo desregrado de álcool, daí que nós achamos que esta campanha é bem-vinda porque vai ajudar-nos a consciencializar as pessoas para o consumo moderado do álcool”, referiu Artur Tualufo, chefe do Departamento da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo.

As declarações foram feitas, ontem, na Cidade de Maputo, no lançamento da campanha de prevenção do comércio e consumo ilícito, uma iniciativa das Cervejas de Moçambique, em parceria com o Ministério da Saúde, INAE, Embaixada dos Estados Unidos da América, CTA e Associação dos Produtores e Importadores de Bebidas Alcoólicas.

São notórias histórias de milhares de pessoas que vivem com HIV/SIDA e que optam pelo activismo para partilhar informações sobre a doença, depois de descobrirem o seu estado de sero-prevalência. O objectivo é contribuir para a prevenção e erradicação daquela doença. Este é o exemplo recente de três mulheres jovens, residentes na Cidade de Pemba, na Província de Cabo Delgado, que descobriram o seu estado de sero-prevalência do HIV ano passado, mas que não se deixaram desanimar. Ao todo, aquela província conta com 165 026 pessoas vivendo com HIV, segundo revelou, esta terça-feira, o Médico-chefe provincial de Cabo Delgado, Edson Fernando, à ONG Iniciativa Regional de Assistência Psicossocial.

Marina, Nádia e Laura (nomes fictícios para preservação de identidades reais), com idades compreendidas entre os 21 a 23 anos de idade, têm-se mostrado na linha da frente em Pemba ajudando no combate à doença através de palestras. Assim, um dos principais desafios para elas é combater a discriminação e desinformação que existem sobre a doença em causa. Durante entrevistas, as jovens destacaram a necessidade de colaboração da sociedade para incentivar as pessoas que vivem com HIV a aderirem e não desistirem do tratamento anti-retroviral. “Ter HIV não é o fim do mundo, apesar de ser desafiante porque se deve ter muito cuidado em relação à saúde. Então, a melhor solução é erguer a cabeça e lutar para sobreviver e com dignidade”, referiu Marina.

Por sua vez, Nádia apontou o défice no acesso ao financiamento para campanhas de sensibilização como um outro desafio que está a retroceder os trabalhos de prevenção. Por isso, as jovens defendem maior atenção aos programas de combate ao HIV com vista a promoção de tratamento digno aos pacientes nas unidades sanitárias.

Ciente dos desafios enfrentados pelos pacientes do HIV, a Iniciativa Regional de Assistência Psicossocial (REPSSI) tem trabalhado com vários segmentos da sociedade com vista o resgate da dignidade dos doentes. A coordenadora de projectos da REPSSI em Moçambique, Rabeca Boane, destacou a importância da assistência psicossocial como elemento importante sobretudo na elevação da auto-estima dos pacientes do HIV, bem como para promoção à adesão aos programas de tratamento anti-retroviral.

Entretanto, os ataques terroristas estão a colocar em risco a saúde de muitas pessoas que vivem com HIV. O facto é que alguns infectados pela doença são obrigados a abandonar suas zonas de origem, onde também recebiam o tratamento anti-retroviral, por receio de perder para os terroristas. Para tentar contornar a situação, segundo o Médico-chefe da província de Cabo Delgado, foram criadas brigadas para distribuição de anti-retrovirais nas zonas de reassentamento da população deslocada no âmbito dos ataques armados. “Apesar da dispersão das pessoas que vivem com HIV, conseguimos actualmente garantir tratamento anti-retroviral a maioria das pessoas infectadas. Temos registo de 165 026 pessoas vivendo com HIV, das quais 114 244 em tratamento” referiu Médico-chefe da província de Cabo Delgado.

 

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