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O País – A verdade como notícia

O juiz Efigénio Baptista diz que está provado que Ndambi Guebuza, Teófilo Nhangumele, Bruno Langa e Ângela Leão cometeram o crime de peculato, apesar de não serem funcionários públicos nem terem à sua guarda os valores das “dívidas ocultas”. Isto porque esses são os dois requisitos para que um réu seja condenado pelo crime de peculato, pois é exclusivamente direccionado a funcionários e ou agentes do Estado.

O juiz Efigénio Baptista esclarece que os réus em referência serão penalizados por co-autoria com Gregório Leão, António Carlos do Rosário e Cipriano Mutota, ou seja, porque tiveram um papel activo para que estes últimos cometessem o peculato e, de acordo com o antigo Código Penal, esse crime comunica-se entre os réus, independentemente de serem ou não funcionários públicos, apesar de não terem o dinheiro ou bens públicos, em associação com António Carlos do Rosário e Gregório Leão, que tinham poderes sobre a gestão do valor e, conjuntamente, decidiram que deviam apossar-se de parte do dinheiro em causa.

Segundo o juiz, o crime de peculato só ocorreu porque Teófilo Nhangumele teve a ideia de, através de Bruno Langa, fazer chegar as brochuras com as propostas do grupo Privinvest a Ndambi Guebuza, que, por sua vez, as partilhou com o seu pai, então Presidente da República, Armando Guebuza. Efigénio Baptista entende que, se não tivesse havido esta abordagem por parte de Teófilo Nhangumele, provavelmente o Estado não teria feito as dívidas que originaram o escândalo, porque até Nhangumele fazer chegar os documentos a Ndambi Guebuza, o antigo Presidente da República já tinha os recebido através de Gregório Leão, passavam três meses. Três semanas depois de Bruno Langa ter falado com Ndambi Guebuza, o processo ganhou nova dinâmica.

Por isso, o juiz diz que, com a acção dos três réus, os funcionários públicos cometeram o crime de peculato. Afirma que foi mesmo o réu Teófilo Nhangumele que acrescentou, no valor da factura, submetida pelo Privinvest, os 50 milhões de dólares que foram usados para pagar subornos. Ou seja, os 50 milhões não saíram das contas do grupo Privinvest, mas sim do valor alocado pelas instituições bancárias em resultado do crédito contraído pelo Governo, para pagar pelo fornecimento dos equipamentos para a protecção da Zona Económica Exclusiva.

Assim, já que são entes estranhos na Função Pública, os factos a si imputados, e que foram provados no tribunal, abrem espaço para que sejam penalizados pela prática do crime de peculato.

Ainda hoje, o juiz fundamentou por que Teófilo Nhangumele será penalizado pelo crime de branqueamento de capitais, apesar de ter defendido que ele fez trabalho como consultor e foi pago por isso, até porque tinha contrato com a Privinvest nesse sentido. No entanto, Baptista considera que ficou provado que Nhangumele em nenhum momento trabalhou para o grupo Privinvest, mas sim no desenvolvimento e arquitectura do esquema que culminou com as “dívidas ocultas” para o seu benefício e dos seus comparsas.

É por essa razão que, após receber os 8,5 milhões de dólares da Privinvest, que só foram pagos após aquela empresa receber do Credit Suisse o valor solicitado pelo Governo de Moçambique para pagar pela solução apresentada para a segurança da costa moçambicana, o réu desencadeou uma série de medidas para repatriar o valor sem que houvesse qualquer ligação a si.

Assim, recorreu, com apoio de seus amigos Nora Amaral Matos e Naiete Miral, às contas bancárias daqueles para transferir da sua conta bancária de Abu Dhabi valores que foram depois repassados a si. Além de ter comprado bens móveis e imóveis pagos directamente de Abu Dhabi para contas dos fornecedores noutros países e internamente, tudo num esquema, o juiz classifica como similar o valor usado por traficantes de drogas, corruptos, financiadores de terrorismo, entre outros, que querem transaccionar dinheiro entre diferentes países sem serem detectados pelos respectivos Estados.

A mesma fundamentação aplica-se a Bruno Langa, que da sua conta em Abu Dhabi fez pagamentos de bens móveis e imóveis na África do Sul, tendo sido, posteriormente, enviados para Moçambique e ou revendidos. O réu supracitado será, ainda, responsabilizado pelo crime de porte ilegal de armas.

Estes dois réus, a par de Armando Ndambi Guebuza, vão ainda responder pelos crimes de associação para delinquir, associação criminosa, peculato, crimes de falsificação de documentos e branqueamento de capitais.

A leitura da sentença contabilizou hoje já seis dias e há possibilidade de terminar no dia de amanhã, em que será conhecida a moldura penal que será aplicada aos onze réus cujos crimes o juiz considera que ficaram provados nas sessões de discussão e julgamento, nomeadamente, Gregório Leão, António Carlos do Rosário, Cipriano Mutota, Armando Ndambi Guebuza, Teófilo Nhangumele, Bruno Langa, Renato Matusse, Inês Moiana, Ângela Leão, Sérgio Namburete e Fabião Mabunda.

Outros oito réus vão ser absolvidos pelo juiz da causa por não terem sido provados os crimes de que eram acusados, nomeadamente, Mbanda Henning, Elias Moiana, Sidónio Sitóe, Khessaujee Pulchand, Naimo Quimbine, Cremildo Manjate, Simione Mahumane e Zulficar Ahmad.

O Ministro da Saúde pediu, esta noite, a todos os médicos em greve no país para retomarem as actividades o mais rápido, com vista a responder aos interesses da saúde da população moçambicana.

Falando após mais uma sessão do Conselho de Ministros, Armindo Tiago reiterou que o Governo continua disponível para o diálogo, como forma de resolver os problemas apresentados pela classe e explicou que todas “as acções do Governo foram tomadas no contexto das limitações que o orçamento impõe e da necessidade de ver que os trabalhadores da Saúde e todos os outros trabalhadores do Estado são considerados da mesma forma”.

Os médicos da região Região Metropolitana do Grande Maputo e da cidade da Beira foram os que mais aderiram à greve. Entretanto, nas províncias de Cabo delgado, Niassa e Zambézia os serviços de saúde continuam a funcionar com normalidade, segundo explicou o ministro.

A greve, que teve início às 07 horas esta segunda-feira, foi convocada pela Associação Médica de Moçambique e terá a duração de  21 dias prorrogáveis. Em causa estão insatisfações decorrentes da Tabela Salarial Única.

A Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) diz que apenas 15% da população usa energia limpa no país. Entretanto, a agremiação entende que a aprovação da Lei de Electricidade, este ano, vai permitir o aumento ao acesso a energias renováveis.

O Governo prevê que, até 2030, toda a população tenha acesso à energia, quer através da rede nacional, quer por via das energias renováveis. Um dos eixos estratégicos do sector é propor soluções mais limpas e viáveis para evitar a degradação ambiental. Contudo, a abrangência ainda é baixa.

“A electrificação está, neste momento, a 40% dos quais 30% são feitos através da rede e 15% por via de sistemas fora da rede que são maioritariamente a nível energias renováveis”, disse Ricardo Pereira, presidente da Associação Moçambicana de Energias Renováveis.

Ricardo Pereira explica que 250 mil sistemas de energias renováveis foram instalados em todo o país.

“São os sistemas de solares caseiros e as mini-redes também implementadas pelo Fundo de Energia, e garantem o acesso a modos de cozinhar de forma limpa. São mais de 250 mil sistemas instalados, mas a questão que fica é como melhorar, porque há sempre um espaço para melhorar.”

Tal melhoria no sector de energias renováveis será alcançada graças aos novos projectos que estão em curso.

“Serão implementados quatro projectos específicos, a implementação do projecto-piloto central solar Dondo de 40 megawatt, a segunda fase visa a implementação de dois projectos solares, um em Lichinga e outro na província de Tete, ambos com a capacidade de 40 megawatts cada um. Está também prevista uma central eólica na província de Inhambane também com a capacidade de 40 megawatts”, revelou o secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Os intervenientes falavam na Conferência Empresarial de Energias Renováveis, evento que não se realizava há cinco anos.

Na ocasião, o chefe da delegação da União Europeia disse que o encontro pode ser uma plataforma para atrair mais investimentos para a área de energias renováveis.

“Este instrumento é muito importante para o financiamento de projectos de energias renováveis; eu tenho a certeza de que será tratado nestes dois dias; vai ser importante para reforçar parcerias”, ressaltou Lothar Freischlader, chefe da delegação da União Europeia.

Para o período 2021–2024, a União Europeia e o sector privado alocaram perto de novecentos milhões de euros, para investimentos na área de energias renováveis.

A Conferência Empresarial de Energias Renováveis 2022 decorre de 6 a 7 do mês em curso, na Cidade de Maputo.

Moradores do Posto Administrativo de Matola Rio querem que a elevação a Município traga melhoria nos serviços de transporte, saúde, educação e vias de acesso. A preocupação foi partilhada, hoje, durante uma auscultação promovida pela 4ª Comissão da Assembleia da República.

As comissões de Administração Pública e Poder Local e dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, da Assembleia da República, procederam, esta segunda-feira, a mais uma auscultação aos moradores das autarquias recentemente criadas pelo Governo. Desta vez, foi a vila da Matola Rio.

“Em todos os locais por onde passamos, as populações estão satisfeitas com esta proposta, mas ainda há certos desafios ligados às delimitações”, disse Lucília Hama, presidente da 4ª Comissão, depois do encontro com moradores, partidos políticos, empresários e estruturas locais.

Segundo a presidente da 4ª Comissão, as populações acolhem a iniciativa, pois vêem a possibilidade de melhorar as condições de vida, o que até acontecia, porém sem acompanhar a velocidade das comunidades.

Com a municipalização da vila da Matola Rio, acredita-se que problemas como transporte, saúde e educação poderão ser resolvidos localmente e com a devida celeridade. Quem o diz é o chefe da Localidade de Matola Rio, que fala de uma vila com condições económicas, demográficas e políticas para assumir a posição de Município.

“Acreditamos que algumas medidas serão tomadas de forma local, através dos órgãos decisores que o Conselho Municipal possui a nível do seu ordenamento jurídico, por isso acreditamos que a municipalização da Matola Rio poderá realmente trazer este desenvolvimento. Importa relembrar que há situações em que o Governo, por si, não tem a possibilidade de trazer a resposta, em tempo oportuno, segundo os anseios da comunidade, mas, com o município, será possível”, disse Viriato Magarira, chefe da Localidade da Matola Rio.

Um dos apelos dados foi a necessidade de o novo Município ter zonas de expansão e a localidade de Mulotana é eleita. Contudo, o arquitecto Alfredo Manhiça apela à cautela neste capítulo.

“Parece que Matola Rio já está lotado, mas não. Ainda temos muito espaço vazio. Nós precisaremos de infra-estruturas para responder à municipalização, por isso as estruturas locais devem avaliar qual é o modelo ideal para a sua implantação”, sugeriu o arquitecto.

A proposta de lei que cria as 12 novas autarquias, aprovada recentemente pelo Governo, já foi depositada na Assembleia da República. Contudo, é incerta a sua apreciação, ainda no decorrer da 5ª sessão ordinária ou se ainda poderá ser convocada uma sessão extraordinária, por forma a acautelar as eleições autárquicas de 2023.

O juiz Efigénio Baptista revelou, hoje, que há erro grave do legislador no Código Penal, que beneficia os réus do “caso dívidas ocultas”, acusados de peculato. O erro faz reduzir de 12 a 16 para 8 a 12 a moldura penal aplicável do crime. O juiz defende uma revisão urgente do código.

No dia reservado à explicação da relação entre os factos e os crimes que pesam sobre os 19 réus, Efigénio Baptista disse ter identificado, no Código Penal, um erro que vai tornar mais branda a moldura penal aplicável aos réus acusados de peculato.

A lei diz que o peculato é punido com a pena imediatamente superior à que se aplica ao crime de furto, cuja moldura é de 8 a 12 anos. E é aí onde nasce o problema.

Por se tratar de questões criminais, o juiz diz que não pode acrescentar situações não suficientemente claras, quanto menos completar as lacunas deixadas pelo legislador, até porque, na legislação penal, não há espaço para analogias.

Assim, decidiu o juiz que, entre os 19 réus, àqueles que são acusados de peculato será aplicada moldura penal de 8 a 12 anos e não de 12 a 16 anos, como deveria acontecer.

No entender de Efigénio Baptista, o erro constante do actual Código Penal é manifestamente grave e deve ser corrigido com urgência.

De resto, o juiz do “caso dívidas ocultas” disse estarem preenchidos os requisitos para se concluir que António Carlos do Rosário cometeu os crimes de peculato e associação para delinquir.

Efigénio Baptista diz que estão preenchidas as condições legais para que Gregório Leão seja penalizado por seis crimes, apesar do seu esforço de se afastar dos subornos pagos pela Privinvest.

O antigo director-geral do SISE, Gregório Leão, foi a julgamento com uma acusação contendo seis crimes, nomeadamente, associação para delinquir, associação criminosa, peculato, falsificação, abuso de cargo e função e branqueamento de capitais. O juiz considera que foi provado em tribunal que o antigo dirigente da secreta moçambicana cometeu esses crimes.

Para o juiz, o facto de Gregório Leão não ser casado em comunhão de bens com Ângela Leão foi a oportunidade que ele encontrou para se afastar da ligação com o dinheiro de subornos e proceder ao branqueamento de capitais.

A classe médica iniciou, hoje, a greve que se prevê que dure 21 dias. Alguns serviços dos hospitais gerais de José Macamo e Mavalane, na Cidade de Maputo, ficaram condicionados e os serviços de urgência estão a fazer o mínimo para garantir assistência aos pacientes.

Dito e feito! Os médicos iniciaram, esta segunda-feira, uma greve de 21 dias, e os hospitais da Cidade de Maputo estão com serviços condicionados. “Os serviços que se ressentem mais são de consultas externas. Estão paradas. Essas são aquelas consultas marcadas, não são situações de urgência. Neste caso, nós temos médicos em greve, por isso as consultas não estão a ser feitas, à excepção de consultas de mulheres grávidas. Estas pacientes estão a ser encaminhadas para as enfermarias porque, nas enfermarias da maternidade e outros serviços, há um médico de escala conforme as directrizes da associação. Há um médico de escala em cada enfermaria”, revelou Andrea Neves, director clínico do Hospital Geral José Macamo.

Não são só as mulheres grávidas que têm a assistência garantida. Os pacientes que precisam de cuidados de emergência também.

“O número de médicos é diferente quando comparado com os dias normais. Temos médicos a trabalharem aqui, no banco de socorro, outros na pediatria, medicina e temos um médico no balcão. Temos atendimentos que eram feitos pelos técnicos de cirurgia e esses continuam normalmente, porque a classe que está em greve, neste momento, é a médica. Os serviços da maternidade, urgência de ginecologia também estão a funcionar normalmente”, esclareceu Andrea Neves.

O Hospital Geral José Macamo, na capital do país, conta com quase 100 médicos, dos quais cerca de 20 é que aderiram à greve. “O banco de socorro funciona, normalmente, com cinco ou seis médicos e, neste momento, temos três e a maternidade está a funcionar com a escala normal, porque precisa sempre de um médico para ir operar e uma sala de parto. Esta é a escala. Ao invés de ser feito isto com o número normal de médicos, está a ser feito por um médico que está escalado e ele está, sim, sobrecarregado. Ele está a prestar assistência a todos os pacientes”, detalhou a directora clínica do Hospital Geral José Macamo.

Para o caso dos serviços que estão paralisados por conta da greve, o hospital tenta fazer algum arranjo.

“São mais ou menos 15 doentes por médico/dia e são essas consultas marcadas. Uma paciente que é a primeira consulta e que vem fazer uma marcação o faz normalmente porque as agendas chegam a ser para daqui a um mês. Essa marcação, por exemplo, é feita. Aos pacientes que vinham hoje para a consulta que estava marcada, ficamos com os números dos telefones para que, quando cessar a greve, a gente possa arranjar uma forma de chamar os pacientes e acomodar as consultas que não foram feitas”, explicou.

Alguns médicos-especialistas do Hospital Geral de Mavalane também estão em greve, mas nada está a afectar os serviços de urgência.

“Estamos a garantir todos os serviços mínimos que estão a funcionar neste momento. Estamos a falar de serviços de urgência, cuidados intensivos e intermediários”, enumerou Maria Helena, directora clínica do Hospital Geral de Mavalane.

Tal como em vários outros hospitais, os médicos de consultas externas no Mavalane paralisaram, também, as actividades. “Se um paciente vem para consulta externa, estando descompensado, tem lá um médico que transfere para o serviço de urgência. Normalmente, vê-se caso por caso e, depois, é remarcado para um outro dia”, referiu Maria Helena, dando uma garantia de que “tudo está assegurado”.

O ministro da Saúde, que esteve em três hospitais da capital do país, disse estar satisfeito porque os serviços de urgência estão a ser prestados normalmente.

À imprensa, Armindo Tiago disse que o Governo fez de tudo para que não houvesse greve, mas revelou que os médicos querem ser os únicos a ganhar numa negociação. “Estamos satisfeitos com a boa-fé que o Governo fez nesse processo. Uma boa negociação, e de verdade, é aquela em que todos crescem, mas todos ganham. Se houver a tendência de que alguém queira ganhar, então perde o conceito de uma negociação”, disse o ministro da Saúde, Armindo Tiago, em acusação à Associação dos Médicos de Moçambique.

As direcções dos hospitais asseguram que as escalas feitas poderão garantir a continuidade dos serviços de urgência enquanto a greve durar.

Uma avaria de quatro aeronaves originou a remarcação de voos das Linhas Aéreas de Moçambique, esta segunda-feira, o que prejudicou vários passageiros. A empresa explicou que a reparação pontual das aeronaves requer mais tempo.

Quatro aeronaves das Linhas Aéreas de Moçambique estão paradas desde a manhã desta segunda-feira, devido a uma avaria, como deu a conhecer a empresa através de um comunicado, em que anunciou já ter feito as respectivas reprogramações dos voos.

Passageiros de Maputo com destino para Beira, Chimoio, Tete, Quelimane e Pemba viram-se impedidos de seguir a viagem e, pior, sem nenhum esclarecimento.

“O nosso voo estava marcado para 11h, o que significa que, até às 10h20, já devíamos estar no avião, mas, até agora, não temos informação. Tenho um encontro marcado para 14h, não sei se chegarei a tempo”, disse Stélio Nhangala, um dos passageiros que se viu obrigado a permanecer horas a fio num banco da sala de embarque.

“A sala de embarque está um sufoco. Os aparelhos Ar-condicionado não estão a funcionar. Já não temos para onde ir. Aqui está a ficar cheio, pois todos os voos de hoje não saíram”, acrescentou.

A incerteza era de cada uma das dezenas de passageiros, entre crianças e adultos, que viram suas agendas canceladas. A indignação estava patente na face de cada um deles.

Um passageiro que não quis identificar disse que os seus planos estão todos atrasados por esta situação e acrescenta que “quando a pessoa vem para viajar a uma certa hora e chegar a hora e não poderes ir é comprometedor”.

Fernando Ferreira, dirigente da União Desportiva de Songo, chegou ao aeroporto para voar às 7h a fim de participar da Assembleia-Geral do clube, evento marcado para 9 horas, mas, até às 10 horas, estava em terra e, diante disso, sugere a privatização da companhia, como forma de sair das frequentes falhas no atendimento que a LAM tem “pregado”.

Ainda em comunicado, a LAM avançou que “após a noção de que a intervenção nas aeronaves requer mais tempo, procedeu-se à remarcação dos voos, havendo ainda a possibilidade de ocorrerem cancelamentos, o que será comunicado aos passageiros afectados. À medida que as aeronaves forem recolocadas em operação, a companhia irá comunicar”.

Uma fonte próxima da empresa revelou que todos os três aviões Q400 e o Boing pertencentes à LAM estão avariados, há algum tempo, sendo que o único avião que fazia voos é um CRJ alugado na vizinha África do Sul e um Embraer 145 da companhia Moçambique Expresso, MEX.

A Stv continua em festa de comemoração dos 20 anos de existência. O maior canal privado de televisão em Moçambique reafirma o compromisso de continuar a liderar na audiência, inovação e foco no capital humano que são os profissionais que são o alicerce operacional.

Depois da gala de celebração dos 20 anos de existência da Stv que contou com a presença do Chefe de Estado, no dia 27 de Outubro, desta vez a direcção e colaboradores do canal festejaram na Arena 3D, na KaTembe, no sábado, numa festa que marca a continuação das comemorações das duas décadas.

Em todas as vertentes, civil e empresarial, 20 anos significam maturidade. Olhar para trás para recontar a história é difícil, mas possível para quem idealizou, materializou e continua na vanguarda de um projecto que continua em construção.

Num discurso intercalado de risos e palmas, o Presidente do Conselho de Administração da SOICO, Grupo de media da qual faz parte a Stv, recorreu a uma analogia técnica de televisão para mostrar que o analógico do passado foi influenciado pelo presente tecnológico para tornar possível uma televisão que está dentro do tempo.

“A história da Stv nasceu de um sonho, o sonho é que comanda. A visão, uma visão de impactar pessoas e transformar vidas. Ontem eram emissores analógicos; passou para o digital; ontem eram emissores a cassete somatic, acho que as pessoas somatic, passou para cassetes betacam e agora nem usamos cassetes. O contexto muda, mas nós influenciamos esse contexto. Estou muito orgulhoso por fazer parte de vós e vocês fazerem parte de mim”, disse Daniel David.

No ano em que a Stv completa 20 anos de existência, fecha-se um ciclo, mas também abre-se outro. O capital humano é fulcral no desenvolvimento de qualquer empresa, por isso Daniel David repisou o papel que cada colaborador tem no desenvolvimento.

“Se eu existo é porque vocês existem. Não é possível alguém existir sem outras pessoas. É fundamental que nós só fazemos sentido se a vida das outras pessoas fizer sentido. A Stv só faz sentido se fizer sentido à Nação e ao mundo em que ela se insere. Quem não tiver noção disso, dificilmente engajar-se-á já na transformação de qualquer coisa, começando da sua própria casa. Para quem é casado, a pessoa afirma isso. ‘Se eu existo é porque a minha mulher existe; se eu existo é porque os meus filhos existem’ e, a partir daí, escalamos para a sociedade e para a nação. A Stv hoje é a razão e o fruto da existência colectiva de todos nós, aqui”.

No evento, foram reconhecidos profissionais de diversas áreas, nomeadamente, Boaventura Mucipo, Francisco Raiva, Aristides Cavele, Ricardo Machava, António Tiua, Miguel Uassiquete, Hassan Salé, Yara da Silva, Shaida Bibi, Luís Phumula, David Guerra e Beto Sarmento.

Com projectos ambiciosos em marcha, a Stv vai surpreender em breve a sua audiência.

Até meados do próximo ano, o distrito de Marracuene, na Província de Maputo, terá uma casa de apoio a crianças com cancro. O empreendimento, cuja primeira pedra foi lançada hoje, é da Associação de Pais e Amigos da Criança.

As crianças com cancro têm, a partir deste domingo, um muro de esperança para minimizar o sofrimento que a doença as acomete. Usa-se a expressão “esperança” por vários motivos. Mas todos eles resumem-se nas dificuldades que estes petizes enfrentam no país para poder ter o tratamento desta doença.

“Moçambique só tem uma enfermaria para tratar doentes com cancro pediátrico do Rovuma ao Maputo, que está no Hospital Central. O número de médicos ainda é exíguo, o que significa que a esperança que uma criança com cancro tem em Moçambique, se estiver no distrito, é vir a Maputo. O outro problema é que, conhecendo a realidade social dos nossos compatriotas, há dificuldades de se sustentar em Maputo. A acomodação, a alimentação, a medicação e o transporte são caros”, elucidou Frederico Congolo, presidente da Associação de Pais e Amigos da Criança.

A ideia é reverter o cenário. O primeiro passo para isso é a construção de uma casa de apoio a crianças com cancro, cuja primeira pedra foi lançada este domingo, em Marracuene, Província de Maputo.

“Esta é uma casa de esperança. Esta é uma casa onde as pessoas vão poder vir e concentrar-se no tratamento médico enquanto Moçambique, no seu todo, representado por aqueles que aqui estão e os demais, tentam dar suporte noutras questões”, afirmou o presidente da Associação de Pais e Amigos da Criança.

O projecto, que vai começar em Janeiro e com o término previsto para Junho de 2023, consiste na construção de quartos para as crianças e seus acompanhantes, bem como zonas de convívio.

“A ideia é começar lá para o dia 15 de Janeiro e, se tudo correr bem, o interesse e o desejo é que, em Junho de 2023, haja a inauguração das primeiras unidades. Cada habitação com quatro quartos no mínimo ou oito andará na casa dos cinco milhões de Meticais, mas eu diria que, neste momento, há empresas interessadas em ajudar”, detalhou João Alberty, da empresa de construção Mozago, parceiro da iniciativa.

O Governo distrital de Marracuene, local onde será implantada a infra-estrutura, acredita que o projecto tem pernas para andar, por isso vai dar todo o apoio necessário.

“Eu, particularmente, vou empenhar-me, também, na procura de parceiros e apoio para que este projecto seja uma realidade a breve espaço de tempo. O nosso amigo já disse que, em Junho, vamos poder ter alguma coisa, mas vamos correr e eu tenho muitos parceiros a nível do distrito que vão apoiar este projecto. Aliás, já temos algum apoio guardado para este projecto”, garantiu Shafee Sidat, administrador de Marracuene.

A Comunidade Maometana é um dos parceiros da iniciativa e, além de apoiar com a construção da casa de apoio a crianças com cancro, ajudará com medicamentos e alimentação.

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