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O País – A verdade como notícia

Arrancaram, ontem, os exames de admissão à Universidade Eduardo Mondlane. Há estudantes que dizem que o modelo integrado dos exames chega a ser penoso em algumas disciplinas. Os candidatos dizem que o tempo estipulado para os dois exames é curto.

Em média, 25 estudantes concorrem a uma vaga nos diversos cursos da mais antiga universidade do país. “Concorrer na Universidade Eduardo Mondlane significa ir a maior universidade do país, e eu penso que, no término do curso, poderei ter uma boa classificação e também engrenar há uma boa instituição, ou seja, a um bom emprego”, disse o candidato a um dos cursos da UEM, Abnério Américo.

“Também a UEM é uma universidade pública e, por ser pública, a pessoa não tem de pagar para estudar e isto traz vantagens para poder estudar a custo zero”, acrescentou Albertina Macamo.

Um sonho cuja realização passa pelo exame de admissão. Adzira Cruz chegou seis horas antes do exame de admissão, concorre a dois cursos e vai fazer quatro exames. Esta terça-feira fez exames de Português e História.

“Ainda não sabia onde era a sala, não conhecia o departamento e não queria correr o risco de ficar perdida antes do exame, preferi chegar cedo”, disse a candidata Adzira Cruz.

À semelhança há outros estudantes que também preferiram chegar cedo. “Era mais para conhecer a sala, este é o real motivo pelo qual cheguei cedo”, disse Nguaze Carangueira.

E até há quem teve tempo para a última revisão da matéria, como Adelina Victor: “De momento estou a fazer uma breve revisão da matéria que eu vinha preparando”.

Um dos factores que atrapalham alguns candidatos, como eles próprios dizem, é o modelo integrado criado em 2021. De lá para cá, dois exames são feitos durante três horas de tempo, sem intervalo, ou seja, uma hora e meia por cada. Aqui, gerir o tempo é fundamental, mas há quem se sente lesado.

“Só atrapalhou um pouco no momento em que faltavam uns cinco minutos para terminar o exame e adicionaram. Eu já havia passado a caneta aleatoriamente e tinha um tempo adicional que poderia ter continuado a resolver, dividir o tempo de desenho, precisa de mais tempo, no mínimo, duas horas só para desenho e ter Matemática à parte. Fazer os dois ao mesmo tempo é complicado”, lamentou Gleybes Cristina.

“É uma disciplina que exige mais tempo em relação à Matemática, mas deram mais 30 minutos, então deu para terminar aquilo que não ia conseguir terminar no tempo normal”, referiu Shentel Taila.

Já outros dizem que, apesar das dificuldades, permanece uma única expectativa: “sempre  é positiva no sentido de poder ser admitido”, disse Tárcia Uamusse.

“Espero passar, espero mesmo porque, no ano passado, foi muito renhido, não deu para concluir os estudos de forma correcta e de forma explícita”, afirmou Melanye Tembe.

“Espero ser admitido, entrar para esta faculdade”, acrescentou, expectante, Suely Gove.

Os exames de admissão decorrem até o dia 13 de Janeiro.

Por: Bena Filipe

 

Com tristeza, tomei conhecimento de 95 casos de violação sexual, durante a quadra festiva de 2022. Em 2021, a UMAR (União de Mulheres Alternativa Resposta) de Portugal, recebeu a comunicação de 299 casos de violação sexual, perfazendo 25 casos em 1 mês, o que contrasta com os ascendentes do ano seguinte 2022.

Segundo a médica legista A. Neves, no período de Janeiro a Setembro de 2022, receberam 1737 casos, dos quais 76% presenciais e 24% on line. Foram detidas 153 pessoas, mas, possivelmente, 15% das queixas eram falsas para justificar namoricos, conflitos conjugais, onde a mãe acusa o pai, e ou o pai acusa o companheiro da ex-esposa/companheira por conflitos para guarda de paternidade.

Esber (2009) aponta que os violadores são de todas as classes sociais, faixas etárias, grupos étnicos. Estão numa sociedade que legitima a sua condição. Por isso, a mulher é desvalorizada e coisificada. Em muitas partes do mundo, os perpetradores da violação/abuso sexual são do perfil descrito por  Esber (2009), mas, na nossa realidade, temos agentes da lei, frequentemente citados, o que legitima a qualquerização da mulher, bem como a fragilidade da educação familiar/formativa.

Um estudo sobre violência sexual feita em Moçambique, por Britgite Bagnol, e publicado em Fevereiro de 2011, avança variáveis como pagamento de multas e casamento para anular o crime.

Hoje, com a escolarização, acesso à informação e aos serviços, estas notificações podem estar a ascender, não pelo número de casos, mas como aumento da própria notificação. De preocupar, existem casos de violação sexual reportados, em que os autores são menores  e  adolescentes, o que demostra que a sociedade está muito doente.

Em relação aos 60 mil casos de registo de nascimento, sem o nome do pai, predominante no Centro e Norte do país, pude apreciar que, em outros quadrantes, como Brasil, temos as cifras de 100 mil nascidos sem registo do pai, em 2021.

Em Portugal, mais de 5700 exames foram pedidos para confirmar a paternidade. A procura da paternidade no contexto norte-americano e outros países (Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Itália e Espanha), preocupa-se mais com a questão do sustento e bem-estar da criança, do que com direito à identificação pessoal.

No contexto norte-americano, o estado é o motor da busca pela paternidade (Rottisein et al: 2005; Manson, 1997). Nos casos em que a mãe omite a identidade do pai, e não depende dele para o sustento, caber-lhe-á a decisão de querer ou não que o estado identifique o pai biológico (Rothstein et al. 2005).

Em Portugal, independentemente da situação económica da mulher, a averiguação da paternidade é quase obrigatória, enquanto que a obrigatoriedade em outros países decorre de imperativos económicos. Percebe-se que o assunto é complicado, e que as políticas se adequam com a realidade, colocando em primeiro lugar a criança, não o pai ou a mãe e sua guerras ou interesses. Nós sabemos que é bom ter um filho de um pai comprometido, mas que vai pagar as mesadas, uma  vez provado a paternidade. Aqui escuso-me de comentar. Ao invés disso, incentivo as mulheres para irem atrás dos seus direitos.

A partilha desta informação, dos 60 mil casos de registos de nascimentos sem que conste o nome dos pais, é de louvar e elogiar, pois convida-nos a reflectir sobre quantos desses foram para confirmar a paternidade.

O Governo e a sociedade civil, sectores que lidam com esta matéria, devem cada vez mais fazer e cumprir as leis, e respeitar os direitos humanos.

Nos dois contextos, cria-se um espaço muito fértil para aumento de casos de HIV. Podemos assumir que, no acto de violação, ou contacto sexual com gravidez, corre sempre o risco de infecção por HIV, tanto para o agressor ou para a vítima. Ninguém tem cara, aparência de HIV. Todos temos, até prova em contrario.

Aparece agora uma nova faixa etária, que está a destacar-se na violação sexual e nas infecções de HIV. Dependendo das circunstâncias, e as razões, não gosto de as procura entender, porque nem sempre as vítimas são vítimas, o autor deve assumir e pagar pelas suas consequências. Só assim este ciclo de qualquerização vai diminuir, sabendo que a mulher sofre porque não terá um homem do seu lado, a sua criança não terá pai, e terá de cuidar sozinha da criança e enfrentar sozinha as dificuldades económicas. Temos à vista um futuro de risco para ambos, por comportamentos desviados, e um desenvolvimento como sociedade comprometido, por causa de um acto prazeroso que se podia evitar, tomando anticoceptivos e usando preservativo. Ambos sabiam o que estavam a fazer e devem assumir as consequências, salvo em menores de idade e onde temos outros elementos agravantes.

Esses problemas vão entrar nas nossas vidas, directa ou indirectamente, cedo ou tarde. Fugir para lugares mais calmos e regrados e contornar não é a solução. Mas exige-se, urgentemente, atitudes conjuntas e corajosas, independentemente de quem esteja envolvido.

 

Perto de 400 famílias estão sitiadas devido às inundações no Posto Administrativo de Catuane, distrito de Matutuine, Província de Maputo. Estima-se, ainda, a perda de cerca de 190 hectares de diversas culturas.

Quando chega a época chuvosa, os moradores do Posto Administrativo de Catuane, distrito de Matutuine, Província de Maputo, ficam com o coração nas mãos porque, a qualquer momento, podem ficar sitiados devido às inundações.

O ano de 2022 não terminou para os moradores daquele ponto da Província de Maputo. De novo, as comunidades lá localizadas estão isoladas de tudo e de todos devido às inundações provocadas pela abertura de comportas de uma barragem na vizinha África do Sul.

“A travessia, geralmente, Catuane à Bela Vista ela está intransitável por causa do galgamento das águas da chuva que vêm do rio Maputo e que deixa as famílias da zona de Maduvula 1 e Pazmane sem ligação terrestre”, revelou Shelton Costa, director distrital das Actividades Económicas no distrito de Matutuine, Província de Maputo.

E são, ao todo, perto de 400 famílias afectadas que recorrem a canoas e uma embarcação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres para poderem fazer a travessia.

“Está lá um barco alocado pelo INGD que facilita a travessia destas duas comunidades que é da zona de Maduvula 1”, confirmou o director distrital das Actividades Económicas.`

Além de condicionar a ligação terrestre entre as comunidades, o transbordo dos rios Maputo e Pongolo afectou a produção agrícola.

“Nós estamos a falar de mais ou menos e 3350 hectares afectados pelas inundações e, dessas áreas, 190 hectares consideramos perdidos com culturas, afectando mais ou menos 910 famílias”, referiu Shelton Costa.

E estas perdas, de acordo com Costa, não são tão preocupantes quanto às do ano passado por uma simples razão.

“Este ano, tivemos uma sorte porque tivemos a informação muito cedo, através de um comunicado da ARA-SUL, anunciando que, a partir do mês de Dezembro, teríamos inundações por causa da abertura das comportas na barragem de Kongola Port, na África do Sul”, explicou o director distrital das Actividades Económicas.

Com estes hectares perdidos, tranquiliza o director distrital das Actividades Económicas, não haverá bolsa de fome nas comunidades de Catuane. “Geralmente, em algum momento, nós temos as áreas inundadas e elas (as áreas) até aos meses de Março e Abril já não estarão inundadas, então haverá muita humidade e nós vamos sensibilizar os produtores das zonas baixas a massificar a produção para poder recuperar o que foi perdido por causa das inundações”, justificou Shelton Costa.

Nos três postos administrativos de Matutuine, nomeadamente, Catuane, Bela Vista e Zitundo, contabilizam-se mais de 900 famílias afectadas por inundações.

Ministério da Defesa Nacional lançou uma ofensiva de perseguição e destruição de bases terroristas no limite entre os distritos de Muidumbe e Macomia. Designada “Vulcão IV”, a operação militar conta com as forças nacionais e estrangeiras.

Através de um comunicado datado de 01 de Janeiro de 2023, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique anunciam o lançamento de uma operação designada “Vulcão IV”, que tem como foco o território a norte do rio Messalo, onde os terroristas continuam a aterrorizar as populações.

O território em causa compreende a área que vai do distrito de Muidumbe à parte do distrito de Macomia, mais concretamente, no Posto Administrativo de Chai.

A operação, “(…) visa intensificar medidas de perseguição e destruição das bases terroristas do inimigo que aterroriza o Norte do rio Messalo, distrito de Muidumbe e o Ocidente de Chai, no distrito de Macomia”, lê-se no comunicado.

Esta segunda-feira, o Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, esteve no distrito de Malema, na província de Nampula, onde lançou oficialmente a campanha de recenseamento militar, edição de 2023. Sobre a operação “Vulcão IV”, nada disse, mesmo depois de a nossa equipa de reportagem perguntar sobre os resultados.

No documento que temos citado, explica-se que a operação “Vulcão IV” é a continuação da operação “Vulcão I”, que foi realizada em Julho do ano passado e que culminou com a destruição da base Katupa, que era descrita como o principal refúgio dos insurgentes no distrito de Macomia.

Falando sobre o recenseamento militar, o ministro da Defesa Nacional pediu aos jovens para aderirem em massa e passou a mensagem que lhe foi dada pelos militares em Cabo Delgado, para transmitir a outros jovens.

“Os militares que estão lá disseram: caros jovens moçambicanos, o país é nosso e não deixemos que o terrorismo se alastre. Protejamos as nossas famílias; juntemo-nos como um povo para erradicar este mal, porque juntos somos mais fortes. Exortamos à participação massiva de todos os indivíduos elegíveis para a presente campanha de recenseamento militar de defesa nacional”, disse Chume, falando a uma plateia de algumas centenas de jovens que estiveram na vila-sede do distrito de Malema.

Para este ano, está previsto o recenseamento de mais de 221 mil jovens a nível nacional.

Está submersa a estrutura que serve de ponte na zona de Mazambanine, em Boane, o que condiciona a circulação de pessoas e bens. São 25 bairros com a mobilidade limitada. Os moradores clamam pela construção de uma nova ponte.

Julieta Matola é residente do bairro 7 de Setembro, no Município de Boane. Com as calças dobradas, nas mãos leva o seu calçado e no colo o seu bebé que não goza de boa saúde. Deve chegar à unidade sanitária, mas tudo se complicou com a água que cobriu a ponte.

“Estamos a vir de longe, o meu filho não está bem, acabamos por demorar por causa desta travessia. Assim só posso recorrer a uma clínica”, disse Julieta Matola.

A Barragem dos Pequenos Libombos está a receber muita água que vem de eSwatini e da África do Sul e sem capacidade para reter mais água. Está, neste momento, a fazer descargas acima de 50 metros cúbicos por segundo, o que está a causar esta situação.

Manuel Farnela vai usar a sua motorizada para fazer a travessia mesmo ciente do risco que corre. “Vou tentar, vou arriscar um pouco, acho que vou conseguir passar, pior que não estava informado que a situação estava crítica aqui”, lamentou.

A ponte de Mazambanine está submersa, a água tem uma corrente forte, há risco de queda e afogamento, mas as pessoas, sobretudo crianças, de forma descuidada, estão a atravessar a ponte.

“Para mudar o cenário, se calhar o Governo fizesse cá uma ponte, aí sim ia melhorar porque o actual cenário não ajuda em nada”, sugeriu Sérgio Valentim.

O Município de Boane diz que já há estudos em curso para a construção de uma nova ponte e procura-se financiamento. “Nós, como Município, tivemos que trabalhar com a Administração Nacional de Estradas, já estivemos no terreno com os técnicos a fazer levantamento e, neste momento, os colegas da ANE estão a fazer trabalho para a elaboração do projecto executivo e daí vamos ter os custos que são necessários para a construção de uma nova ponte neste local”, garantiu Augusto Mambero, vereador de Infra-estruturas e representante do edil de Baone

Entretanto, duas embarcações do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres ficaram sem funcionar durante parte do dia esta terça-feira por falta de combustível.

Uma destas embarcações precisa de pelo menos 25 litros de combustível, e para as duas, seriam necessários 50 litros e, até ao meio dia, não estavam a transportar pessoas por falta de combustível.

Amir Ibrahimo desvaloriza a situação: “Não foi demora, foi uma questão operacional porque as embarcações tiveram que vir logo de manhã cedo enquanto deviam estar cá já com combustível, mas é uma questão logística, que já está ultrapassada”.

O combustível chegou por volta das 12 horas e foi nesse momento em que começou a movimentação dos homens da unidade de protecção civil para colocar as embarcações no leito do rio Umbeluzi.

Descargas atmosféricas ferem sete pessoas quatro, das quais menores no distrito de       Mocuba, província da Zambézia. Duas crianças de 4 e 6 anos tiveram ferimentos graves. As menores estão internadas no Hospital Central de Quelimane.

Quando chega a época chuvosa, os relatos de vítimas por descarga atmosférica são constantes. A província de Zambézia tem sido o principal palco e, desta vez, sete pessoas não conseguiram escapar do fenómeno no distrito de Mucuba.

Entre as vítimas estão duas menores de 4 e 6 anos de idade que contraíram ferimentos graves. Gabriel Guil, pai das menores, conta que tal aconteceu durante a tarde da terça-feira, quando, de repente, na ausência dos pais, a casa começou a queimar com as crianças no interior.

As crianças estão, neste momento, internadas nos cuidados intensivos do Hospital Central de Quelimane. “As crianças chegaram num estado grave, com queimaduras acima de 40% no corpo. Ficaram um tempo internadas na reanimação. Depois da estabilização, foram levadas no Serviço de Cirurgia Pediátrica e é onde estão neste momento”, avançou Eugénia Merqueza, directora do Banco de Socorros do Hospital Central de Quelimane.

Ainda na cidade de Mocuba, uma mulher foi atingida por raios, nos membros inferiores. “Começou a chover durante a madrugada e eu, quando dei por mim, já estava no chão. Já não consigo ficar parada por muito tempo, muito menos caminhar grande distância”, contou Madalena.

O INGD tem o registo de mais quatro vítimas na cidade de Mucuba. Segundo Raul Guiliche, delegado do Instituto Nacional de Desastres, as vítimas não tiveram lesões graves.

O delegado avançou ainda que, no ano passado, as descargas atmosféricas mataram cerca de 18 pessoas e deixaram 15 feridos na província de Zambézia.

Transportadores ameaçam agravar a tarifa de transporte público de passageiros até à próxima semana, caso o Governo não dê continuidade ao pagamento das compensações. O ministro dos Transportes e Comunicações tinha prometido o pagamento até Dezembro do ano passado.

É a continuidade de uma “novela” que começou em Julho do ano passado, quando o Ministério dos Transportes e Comunicações anunciou o pagamento de compensação aos transportadores, em alternativa ao subsídio ao transportado (que não estava a ser implementado devido à inviabilidade do mecanismo a ser usado – cartão Famba), para que não agravassem a tarifa do transporte público de passageiros.

O presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, disse, depois de um encontro de concertação que manteve com o Ministério dos Transportes e Comunicações, que o Governo reconhece a necessidade de os operadores trabalharem, mas também de os passageiros serem transportados de um lado para outro, por isso “garantiu que vai compensar todos os transportadores que operam na metropolitana de Maputo”.

Na altura, os operadores esfregaram as mãos e congelaram as novas tarifas, que já tinham sido aprovadas pela Assembleia Municipal de Maputo. Entretanto, ficaram só na expectativa, pois, segundo contam, nem todos tiveram acesso às compensações.

“Das pessoas que receberam, só receberam dois meses, faltam ainda quatro meses. O ministro dos Transportes prometeu que pagaria os quatro meses de compensação em falta até Dezembro, mas, até hoje, nada”, revelou Jorge Manhiça, porta-voz da FEMATRO.

Com ou sem pagamento, a promessa do Governo era compensar os transportadores até Dezembro do ano passado. E agora, o que se segue?

Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações, reconheceu, a 2 de Dezembro de 2022, a falha existente no processo de subsídio ao passageiro, mas garantiu que o processo de compensação ao transportador continuaria até ao mês de Dezembro. Garantiu ainda que todos estavam a ser pagos.

“Depois de Dezembro, o que nós dissemos é que vamos sentar-nos como Governo e como sociedade para ver qual é a situação actual, se os combustíveis continuam altos ou a situação mudou e, na base disso, vamos decidir como continuar a desempenhar o nosso papel dentro do contrato social que temos com a sociedade”, disse o governante.

E o facto é que o preço do combustível não baixou, por isso os transportadores submeterem, há uma semana, cartas para o Governo e aguardam por um posicionamento, senão a tarifa vai subir

“A cada dia que passa, menos transporte na via, exactamente por falta de dinheiro para as pessoas abastecerem os seus veículos e poderem trabalhar. Nós esperamos o tempo útil, isto é, aquilo imanado pela lei (quando se submete uma carta, fica-se 15 dias) para poder haver a resposta ou quem cala consente”, disse Jorge Manhiça.

Em reacção, a Agência Metropolitana de Transportes diz que não há razões para alarme e garante que o assunto está a ser gerido em fóruns próprios.

Armando Bembele acrescentou ainda que não se deve tratar assuntos sensíveis como este nos media. Há canais próprios que estão a ser usados para comunicação entre a Agência Metropolitana de Transportes e os transportadores.

Questionado sobre a falta de pagamento dos quatro meses de compensação, Bembele limitou-se a não comentar.

Com a tarifa aprovada, haveria um agravamento de sete Meticais em todas as zonas urbanas, ou seja, passaria de 12 MT para 19 MT e de 15 MT para 22 MT.

Moradores de alguns bairros da Cidade de Maputo queixam-se da inoperância das microempresas de recolha de lixo, mesmo com o pagamento de taxas. Segundo contam, chegam a esperar dias e são obrigados a acumular lixo nas ruas.

Acumular lixo doméstico nos sacos e esperar pela recolha virou hábito nos 46 bairros da Cidade de Maputo, desde que a edilidade contratou 46 micro-empresas.

O objectivo era garantir o saneamento em todos os bairros e melhorar a gestão dos resíduos sólidos.

Entretanto, segundo contam os moradores dos referidos bairros, tal realidade ainda está longe de ser alcançada, uma vez que chegam a esperar vários dias com sacos de lixo nos seus portões.

“Na minha zona eles têm recolhido o lixo somente quando entendem que devem fazê-lo”, queixou-se Stela Laura, residente no bairro das Mahotas, explicando que pela recolha ser demorada, ao fim do dia o lixo é devolvido aos quintais.

“Temos conservado o lixo nos sacos e nos plásticos, caso eles não recolham, não nos resta outra alternativa senão acumulá-lo e de seguida carregarmos para deitar nos contentores”.

O cheiro nauseabundo faz com que os moradores transformem as suas viaturas particulares em meios de transporte para o lixo.

Por isso mesmo, questionam o papel das microempresas, a finalidade das taxas de lixo e de saneamento que lhes são cobradas.

“É complicado e está a ser muito difícil. Temos que meter o lixo no carro para levar ao contentor. É muito mais triste ainda porque sempre pagamos taxas de lixo. Quem não tem carro para transportar o lixo até aos contentores deve acumulá-lo em casa”, queixou-se Laura Joaquim, outra moradora.

No bairro de Albasine, em algumas vias, o lixo transborda pelos contentores e a passagem está condicionada.

“O contentor encheu a mais de duas semanas e o município nunca mais veio para esvaziar e deixar este local limpo. As pessoas deitam lixo de qualquer maneira porque não têm outra saída”, lamentou Diolinda Sitoe.

E porque o problema cresce e expande-se também para outras ruas, a preocupação dos moradores é com a saúde pública.

“O lixo não está a ser controlado e isso tem causado muitas doenças. Em frente ao lixo há lojas e outros estabelecimentos comerciais, onde os produtos acabam por ser contaminados”, explicou Vicente Machaieie.

Indignados, os moradores esperam ver resolvido o problema e apelam para melhor intervenção das microempresas. Contactamos, esta segunda-feira, o departamento de comunicação e imagem do município de Maputo, sugerindo que voltássemos a manter contacto na manhã desta terça-feira, entretanto, não atendeu às nossas chamadas.

Mais de 500 pacientes deram entrada nas unidades sanitárias da Cidade de Maputo, na semana passada, vítimas de doenças diarreicas e quase 300 vítimas da malária. O sector da saúde diz que os casos poderão aumentar na presente época chuvosa e apela aos munícipes para que abandonem as zonas submersas.

A época chuvosa e ciclónica está em curso e, por isso, surgem também as doenças de origem hídrica.

Na Cidade de Maputo, em zonas propensas a inundações, as residências e as ruas estão encharcadas. Das águas estagnadas, nasce o mosquito causador da malária, que coloca em risco os moradores.

No bairro Hulene “B”, há capim e lixo, onde o insecto encontra espaço para se reproduzir.

“Estamos mesmo a passar mal. Pedimos que nos socorram para que nos livremos desta situação. Agora é tempo da malária e temos passado muito mal, por isso já não aguentamos”, queixou-se Cacilda Zacarias, que acrescentou que o problema das águas estagnadas prevalece no bairro há cerca de cinco anos.

Ao bairro Hulene “B” juntam-se também Magoanine, Maxaquene, Polana Caniço e Chamanculo com os mesmos problemas, onde as redes mosquiteiras são usadas por quase todos os moradores para evitar a picada do mosquito.

“Temos sofrido bastante ultimamente, por conta dos mosquitos que surgem com as águas estagnadas. Durante as noites, tem sido um sufoco e não dormimos devidamente por conta desta situação”, lamentou Abel Chavanguane.

Uma vez que o problema é antigo no bairro, há quem optou por abandonar a sua residência para evitar contrair doenças de origem hídrica.

“O presidente do Conselho Municipal de Maputo já esteve aqui e tem conhecimento deste problema, mas não vemos solução. E o que acontece é que as pessoas abandonam as suas casas e procuram arrendar”, contou César Muiambo.

Só na semana passada, foram atendidos, nas unidades sanitárias da Cidade de Maputo, cerca de 300 pacientes com malária.

Segundo a vereadora de Saúde e Acção Social, os casos poderão aumentar nos próximos dias.

“Nós temos recomendado às comunidades para que usem as redes mosquiteiras, reforcem a limpeza e que evitem o acúmulo de águas paradas, porque estas favorecem a proliferação do mosquito”, explicou Alice de Abreu, vereadora da Saúde e Acção Social, no Município de Maputo.

Sobre a cólera, ainda não há casos da doença na capital do país, mas as autoridades estão em alerta.

“Temos actividades que são realizadas pelos técnicos e agentes de medicina preventiva a nível das comunidades e pelos membros do comité de saúde. Basicamente, eles versam sobre três questões fundamentais, neste caso, os cuidados que a população tem com a água, a forma como faz a gestão dos resíduos sólidos e dos dejectos humanos”, explicou Alice de Abreu.

Por isso, os moradores exigem soluções urgentes, para escoar as águas paradas e retirar o lixo acumulado, de modo a evitar doenças de origem hídrica.

O Conselho Municipal de Maputo prevê que sejam afectadas cerca de 23 mil pessoas na presente época chuvosa e ciclónica.

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