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O País – A verdade como notícia

Mais de 200 caixas de diferentes bebidas alcoólicas foram apreendidas, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo. A Autoridade Tributária de Moçambique diz que se trata de produto contrabandeado, encontrado numa casa que servia de armazém no bairro Chamanculo.

Continua a venda de bebidas alcoólicas ilícitas na capital do país, apesar da campanha de combate ao fenómeno.

Esta segunda-feira, a Autoridade Tributária de Moçambique apreendeu mais de 200 caixas de bebidas alcoólicas contrabandeadas numa residência que servia de armazém, no bairro Chamanculo.

No local, foram apreendidas bebidas espirituosas, vinhos e cervejas. Ao “O País” as alfândegas não revelam a proveniência, o certo é que entraram de forma ilegal no país.

“A apreensão resulta do facto de não haver documentos que atestam a legalidade da importação da mercadoria. Ou seja, presume-se que a bebida tenha chegado ao país cortando a fronteira. Isto é, parte ínfima de um conjunto de outras apreensões que foram realizadas nas últimas semanas”, disse Fernando Tinga, porta-voz da Autoridade Tributária.

Segundo explicou o porta-voz da AT, a situação está a causar perdas avultadas aos cofres do Estado.

“Só durante os meses de Janeiro e Fevereiro deste ano, registamos 177 apreensões de bebidas alcoólicas e que resultaram numa receita recuperada em mais de 18 milhões de Meticais”, acrescentou Fernando Tinga.

As apreensões resultam de denúncias populares.

Há casas em risco de cair na Cidade de Maputo, devido a crateras abertas em resultado da chuva das últimas duas semanas. Em outros pontos, a fúria das águas arrastou areia e entupiu as valas de drenagem. Os moradores pedem a intervenção da edilidade.

A Avenida Cardeal Alexandre dos Santos é uma das vias com as valas de drenagem cheias de areia, na Cidade de Maputo.

Em vez de escoar a água da chuva, servem de passagem para peões que, interpelados pela nossa equipa de reportagem, expressaram preocupação, devido à época chuvosa em curso.

“As valas não estão funcionais nesta via. Está tudo entupido. Quando chove, isso tem sempre acontecido, a areia vem de cima e concentra-se aqui”, lamentou João Sitoe.

A vala tem mais de um metro de profundidade, mas a areia ocupou grande parte, e em alguns pontos já nem é visível.

“Temos tirado a areia para facilitar a passagem da água assim que chover. Queremos também evitar congestionamento, porque a água que acaba por invadir a estrada, por não ter onde circular, condiciona o trânsito”, disse Caudêncio Sousa, automobilista.

O cenário é descrito, pelos munícipes, como uma parte dos estragos em resultado da chuva das últimas duas semanas e que poderão piorar se a chuva continuar nos próximos dias; ou até causar mais mortes em zonas como Polana Caniço “A”, por exemplo, na Avenida Julius Nyerere, onde as paredes das casas têm rachas e algumas delas estão prestes a cair.

Na origem do problema, estão enormes crateras que se formaram e que constituem um perigo para os moradores.

“Vivemos com medo e, sempre que chove, saímos para espreitar, porque sabemos que há essa cova aqui”, contou Gina José, uma das moradoras.

Não tendo uma solução em vista para o problema, os moradores pedem a intervenção da edilidade. O Conselho Municipal de Maputo prometeu pronunciar-se oportunamente.

É difícil circular na Estrada Nacional Número Um, no troço entre a rotunda da Missão Roque e a ponte do Zimpeto. Chega-se a levar pelo menos duas horas para fazer o mesmo percurso. Nos dias de chuva, o problema agrava-se.

Buracos, poças de água e montes de areia são visíveis ao longo da EN1, sobretudo nos dias de chuva.

Da rotunda de Missão Roque ao posto de Controlo da Polícia do Zimpeto, levam-se duas horas, seja de dia, seja de noite.

A Polícia de Trânsito fica, vezes sem conta, de mãos atadas por falta de soluções ao problema que deixa os condutores com nervos à flor da pele.

No período nocturno, verifica-se congestionamento, e os automobilistas queixam-se de prejuízos. “Estou aqui na fila já faz duas horas de tempo. Todos os meus passageiros tiveram que descer do carro porque não estamos a conseguir andar”, lamentou Alfredo João, transportador de passageiros.

As chuvas agravam ainda mais o problema. “Há congestionamento a qualquer hora.”

Moisés Tseca, automobilista, contou que chegou ao bairro Jardim por volta das 20 horas e só às 22 horas chegou a Zimpeto.

“O País” contactou a Administração Nacional de Estradas e prometeu pronunciar-se sobre o assunto nos próximos dias.

Detido homem  suspeito de matar a  esposa e ocultar cadáver numa “machamba” em Boane, onde um outro indivíduo, que comercializa leite com prazo de validade adulterado, foi neutralizado pelas autoridades.

Marcanjo é nome fictício de um homem de 32 anos de idade, pedreiro de profissão, residente em Boane, que se envolveu em rixas com a esposa de 42 anos de idade, com quem vivia já havia alguns anos.

Na última semana, o casal voltou a confrontar-se, aliás, segundo o próprio indiciado, viviam em brigas constantes, alegadamente causadas pela esposa. A origem da última contenda entre o casal teve a ver, segundo conta o indiciado, com a sua chegada tardia à casa, na última quarta-feira, facto que enfureceu a esposa.

“Eu voltei do ‘biscate’, cheguei à casa, a minha esposa serviu-me água para beber e questionou-me a razão que me levou a voltar tarde; expliquei que estava nas obra, ela partiu para agressão, eu empurrei-a, caiu no móvel e ficou inconsciente. De seguida, puxei o corpo para uma ‘machamba’ na esperança de que pudesse levantar-se depois. Mas, quando regressei à casa, vi que não tinha voltado e, quando fui novamente àquela ‘machamba’, não estava mais lá; os do Serviço Nacional de Investigação Criminal tinham removido o corpo. Quando vim à esquadra para me informar, fui logo detido”, contou Marcanjo.

Ainda em Boane, foram apresentadas 54 latas de leite de um total de 90, cuja validade ia até 28 de Fevereiro de 2023. Uma vez que não se queria deitar fora, optou-se por “estender” o prazo para 28 de Setembro de 2023.

“Não sou eu que alterei o prazo de validade, fui dado apenas o leite para vender. A dona da mercadoria, uma senhora, contactou-me, disse-me que podia vender e que ia ganhar a minha parte.”

A Polícia em Maputo diz que, depois do trabalho, que foi feito para neutralizar os indiciados, serão encaminhados a outras instituições da administração da justiça para a sua responsabilização.

Carminia Leite, porta-voz do Comando Provincial da PRM, disse que foi através de uma denúncia que se conseguiu neutralizar os indiciados.

“Logo que recebemos as denúncias, activámos todas as nossas linhas operativas e conseguimos estes resultados. Alguns destes indiciados são confessos e serão encaminhados para o tribunal. Queremos apelar aos cidadãos para não enveredar pelo caminho da justiça pelas próprias mãos nem se dedicarem ao crime”, apelou Carminia Leite, porta-voz do Comando Provincial da PRM.

Ainda em Boane, há adolescentes e jovens que estão implicados no crime de roubo de gado bovino.

Já não é possível recuperar quase nada das diversas culturas agrícolas que continuam debaixo da água nos mais de 17 mil hectares cultivados e semeados na presente época agrícola, no distrito de Marracuene, na Província de Maputo.

Debaixo da água, há ainda culturas agrícolas e já confirmadas como perdidas depois de quase duas semanas de inundações. Este cenário verifica-se no interior do distrito de Marracuene, onde as populações vivem da agricultura. Nunes Nanza, professor de profissão em Nanza, pratica a agricultura nos campos que agora foram tomados pela água e descreve a situação como difícil.

“Estas chuvas são um desastre para nós, perdemos tudo nas nossas ‘machambas’”, referiu Nunes Nanza.

Ana Nwayeca não conseguiu recuperar nada da sua “machamba”, onde cultivava batata-doce, mandioca, milho e algumas hortaliças. “Ah, aqui, na nossa região, há inundações. Na minha ‘machamba’, perdi cana-de-açúcar e bananeiras”, lamentou.

O Governo distrital actualizou os dados em relação às perdas no sector da agricultura. Shafi Sidat, administrador de Marracuene, diz que, para já, pouco se conseguiu salvar nos campos agrícolas.

“No total, perdemos 17 mil hectares – estamos a falar de áreas agrícolas e de pecuária – mas alguma produção não se pode salvar, e a agricultura é a principal actividade económica e o sustento das nossas populações. Temos só na área de Machubo, Macandza, Objana, Matsinina, Mussize. No total, podemos falar de 8 a 9 mil camponeses afectados”, avançou Shafi Sidat, administrador de Marracuene.

No sábado, uma caravana com produtos alimentares e de higiene escalou o distrito de Marracuene, para fazer chegar cestas básicas a famílias de Machubo, Thaula, Mussize e Macanza.

Depois da desactivação dos centros de acomodação transitórios, as aulas já foram retomadas nas escolas da Província de Maputo, sobretudo no distrito de Boane que foi um dos afectados com as cheias e inundações. Entretanto há alunos que não regressaram às aulas e há salas ainda com pertences das vítimas das cheias.

Na escola secundária Joaquim Chissano, funcionou  o maior centro de acolhimento transitório de Boane. Tem inscrito 2500 alunos, um deles é Shelton Massingue que ficou três semanas sem aulas e chegou a pensar que o ano lectivo estava perdido. “Como aconteceu na altura da COVID-19 que ficamos em casa e perdemos o ano lectivo esse era o meu receio, mas tomei conhecimento através da rádio e da televisão, assim como do grupo de whatsapp da escola que hoje iniciamos com as aulas, por isso estou aqui”.

Com o encerramento dos centros de acomodação, a actividade lectiva retomou e os alunos têm a difícil missão de recuperar o tempo perdido. Josefina Covane diz que vai aplicar-se mais resolvendo fichas, assim como dedicar-se muito à leitura para ganhar o ritmo.

Na escola secundária Joaquim Chissano nem todos retornaram às aulas neste que é o primeiro dia. O Director da Escola diz que possivelmente os alunos ausentes possam estar ainda a enfrentar condições difíceis onde se encontram.

Se na escola secundária Joaquim Chissano ainda não voltaram todos alunos, na escola primária completa de Boane ainda há três salas ocupadas com bens destinados a vítimas de inundações. A Professora Ana Portugal explicou que a Direção Distrital da Educação já foi informada da situação. “Uma das salas tem o nosso material deixado pela direção da educação, outras duas salas continuam com os materiais das vítimas das cheias, mas as autoridades já foram notificadas. Nós continuamos a trabalhar assim mesmo, claro que as salas fazem falta, mas estamos a trabalhar”.

Enquanto isso, os alunos da escola primária que durante três semanas ficaram em casa ou acolhidos nos centros transitórios ou em casas de familiares começam a ganhar o ritmo das aulas.

Recorda-se que o sector da educação informou que uma das estratégias para recuperar as aulas perdidas, estes alunos não vão ter férias do fim do terceiro trimestre.

Desconhecidos voltam a incendiar um carro com matrícula moçambicana, na vizinha África do Sul, que fazia a rota Durban-Maputo. Os transportadores do Terminal Internacional da Junta sentem-se abandonados e exigem respostas do Governo.

Sem gravar entrevista, o proprietário da viatura contou que foi interceptado por três indivíduos e obrigado a abandoná-la. Entretanto, avançou que não houve registo de vítimas humanas, pois transportava apenas mercadorias.

Com o aumento de casos de queimas de viaturas, o ambiente que se vive no Terminal Internacional da Junta é de pânico, segundo contou Ananias Madeira.

“É muito triste a situação. A pessoa sacrifica-se durante anos para comprar um carro e em fracções de segundos aparece alguém para queimar. Isso é bastante complicado”, disse o transportador.

Os ataques às viaturas moçambicanas na vizinha África do Sul condicionaram as viagens e os transportadores já nem contam os prejuízos.

“Não temos vias alternativas, porque por onde nós vamos, lá estão os malfeitores para nos atacar e queimar os nossos carros. Estamos com os carros parados nos parques e o negócio não é mais rentável”, lamentou Raimundo Muchanga.

E porque o negócio não vai bem, os transportadores nada podem fazer, senão esperar sentados por respostas do Governo.

“Nós até tentamos resolver indo fechar a fronteira da Ponta do Ouro, para que o Governo reagisse, mas mesmo assim, não ouvimos, nem vemos respostas e as nossas viaturas continuam a ser atacadas”, queixou-se Muchanga.

Segundo os transportadores, totalizam-se 14 viaturas com matrícula moçambicana queimadas na África do sul.

Na semana passada, delegações dos dois países estiveram reunidas para resolver o problema, mas ainda não foram apresentadas soluções.

A Tempestade Tropical Moderada “FREDDY” está a regressar para o Canal de Moçambique, alerta o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM). Zambézia e Sofala podem ser os alvos, segundo as projecções.

O sistema, segundo os meteorologistas, move-se à uma velocidade de 13 km/h em direcção ao sudoeste da costa de Madagáscar, podendo atingir o estágio de Tempestade Tropical Severa na segunda-feira.

O INAM prevê a continuação chuvas intensas (mais de 200 milímetros em 24 horas) sobre o oceano e ventos de até 110 quilómetros por hora, acompanhados de rajadas de até 150 quilómetros por hora, que poderão agitar o estado do mar e gerar ondas com 10 metros de altura.

Neste sentido, recomenda-se a tomada de medidas de precaução e segurança.

O Serviço Nacional de Salvação de Salvação Pública (SENSAP) está preocupado com o aumento de pontos de venda de gás de cozinha em condições impróprias. O SENSAP alerta para o risco de explosões devido à má conservação.

Nos contentores, nas bermas das estradas, até mesmo nas residências, há venda de gás de cozinha, que dantes era apenas comprado nas bombas de combustíveis.

“Existem algumas formas de comercialização de botijas de gás que não são as mais apropriadas em função da natureza e da perigosidade que o material tem. Portanto, na maioria das vezes, estas são colocadas em frente aos contentores, em locais com algum revestimento, como uma pequena grade, por exemplo, mas não é de segurança o suficiente para garantir que não haja nenhuma acção externa que possa criar alguma explosão”, explicou Leonildo Pelembe, porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública.

Com o alastramento dos pontos de revenda, cresce a preocupação das autoridades com o surgimento de estabelecimentos que não observam as medidas de segurança, segundo o porta-voz do SENSAP.

Por sua vez, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), entidade responsável pelas distribuidoras, recorda as condições de segurança obrigatórias: “Comercializar o gás em condições inapropriadas não é legal. Uma das condições é que se deve ter um espaço devidamente preparado onde as botijas são armazenadas correctamente, e no mesmo local, deve haver material de combate a incêndios, na perspectiva de que, se acontecer alguma coisa, haverá condições de controlar”.

Na ronda feita pelo “O País” em alguns pontos de revenda, constatou-se que há deficiências, desde a exposição das botijas de gás ao sol até à falta de extintores de combate a incêndios.

“O embate violento de uma botija de gás e uma viatura que vem a uma alta velocidade, desgovernada, pode constituir um grande perigo. Pode haver uma explosão no local”, referiu Leonildo Pelembe.

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