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O País – A verdade como notícia

A cólera já matou 16 pessoas no país, de acordo com os dados actualizados, hoje, pelo Ministério da Saúde. As autoridades alertam que há risco de alastramento da doença em todas as províncias.

Até este domingo, informação que veio a público apontava para 13 mortes devido à cólera. Entretanto, o Departamento de Vigilância em Saúde Pública do Ministério da Saúde actualizou, esta segunda-feira, a informação.

“Nós temos um cumulativo de 1376 casos de cólera e 16 óbitos que correspondem a uma taxa de letalidade de 1,2%”, avançou Domingos Guihole, do Departamento de Vigilância em Saúde no Ministério da Saúde.

As autoridades de saúde encontram-se no terreno a fazer vigilância e lançam o alerta sobre a possibilidade de a cólera chegar a mais lugares do país.

“Todas as províncias têm um certo risco para poderem registar casos de cólera. O momento chuvoso que estamos a registar e a mobilidade de pessoas e bens podem fazer com que um caso que esteja na província de Niassa possa mover-se até Nampula.”

Mesmo com a ameaça da propagação da doença, as autoridades sanitárias reportam redução da média de novos casos na província de Niassa, que é a mais assolada.

“Vimos uma redução entre os dias 12, 13 e 14 de Janeiro corrente; reduzimos de 20 para 12 pacientes com a doença. E, ontem, houve entrada de 12, portanto estamos com uma tendência de redução à custa da actividade que é efectuada nas comunidades.”

Neste momento, a cólera está presente nas províncias de Niassa, Zambézia, Sofala e Gaza.

Cerca de 30 hectares de campos agrícolas com milho estão inundados no distrito de Chibuto, na província de Gaza, devido a inundações no Rio Limpopo. A situação deve-se às descargas que estão a ser feitas na barragem de Massingir. Perto de 19 mil  pessoas podem ser afectadas pelas inundações.

As imagens amadoras mostram o problema que as águas do Rio Limpopo estão a causar no distrito de Chibuto, província de Gaza.

A situação é causada pelas descargas que estão a ser feitas pela Barragem de Massingir, no distrito com o mesmo nome. Culturas de milho estão inundadas. “Destruiu a cultura do milho, outro ainda em desenvolvimento, outro ainda não tinha atingido a fase de maturação, os  homens tentaram recolher essa produção, o que puderam aproveitar para outro tipo de consumo, mas, para o consumo, naturalmente não poderão aproveitar”, disse Manuel Tivane, director distrital de Infra-estruturas de Chibuto.

Para evitar que o pior aconteça, as autoridades prevêem apoiar 22 produtores. “Depois de passar essas inundações, serão necessários cerca de 750 Kg semente de milho para poder apoiar os produtores que foram afectados”, disse Manuel Tivane.

O distrito de Chibuto prevê que mais de 19 mil famílias sejam afectadas pelas inundações. “Sempre tomamos providências para levar essas pessoas a um lugar seguro.”

As zonas mais afectadas foram o povoado de Eduardo Mondlane e Mulandine.

As chuvas que caíram no distrito de Chibuto tiveram contribuição significativa nas inundações e impacto nas vias de acesso.

Outro problema, mencionado pelas autoridades de Chibuto, é a travessia da lagoa de Nhagule, uma vez que a lagoa não tem água que funciona como uma via alternativa e liga a zona alta do alto Tsagano e a zona alta do posto administrativo de Changanine, portanto essa via está, neste momento, intransitável por causa da água naquele local.

O director de Infra-estrutura de Chibuto informa que os níveis de alerta para zona de Muhabe reduziram de 6 metros para 2,99, o que significa que, neste momento, os níveis estão a baixar cada vez mais.

Dom João Carlos Hatoa Nunes será o substituto de Dom Francisco Chimoio, no cargo de Arcebispo de Maputo. O sucessor de Francisco Chimoio tomou posse este domingo e passa a carregar o título de Arcebispo Coadjutor de Maputo.

Na manhã deste domingo, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, ouvia-se cantar Glória a Deus nas alturas e cânticos de agradecimento pela bondade do Senhor, não era para menos, a igreja estava em festa e,era missa que oficializava o cargo que João Carlos passa a ocupar.

A Sé Catedral ficou pequena diante de centenas de crentes e personalidades que queriam acompanhar a cerimónia de empossamento.

João Nunes trabalhou por quase toda vida na Arquidiocese de Maputo, mas, nos últimos seis anos, foi Bispo de Chimoio. Os crentes descreveram-no como o Bom Pastor. O representante, Padre José Moisés, disse que o trabalho de João Nunes na evangelização foi caracterizado pela simplicidade e proximidade com o povo de Deus.

De volta à capital do país, os que já o conhecem davam-lhes boas-vindas, na esperança de que o seu trabalho seja bem-feito, uma vez que conhece e bem a arquidiocese onde vai trabalhar.

“Acreditamos que será aquele pastor que, com esmero, zelo, paternal bondade e misericórdia, servirá de pastor de todos os párocos. Auguramos que, com a vossa sabedoria, possa conduzir esta porção do povo de Deus ao seu criador no cumprimento dos mandamentos e das diversas disposições da igreja”, desejou o padre Alberto Buque.

A ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, também esteve lá e desafiou o empossado a imprimir mais dinâmica no resgate dos valores éticos-morais da sociedade, que culminem com a protecção da dignidade humana, cultura de paz, harmonia e bem-estar espiritual e material dos moçambicanos.

“A nomeação da Vossa Graça acontece numa época em que Moçambique e o mundo, em geral, clamam por mensageiros da esperança, que possam dizer a verdade com amor, lançando a luz da fé sobre a escuridão da vida das pessoas”, disse Kida, acrescentando que o arcebispo deve dar o seu melhor para que haja mais harmonia entre os crentes e todos os moçambicanos.

Outro desafio colocado pela governante é o de implementar maior dinamismo à arquidiocese, para que possa responder melhor à complexidade do ministério e da igreja.

“Caro arcebispo coadjutor da Arquidiocese de Maputo, nos últimos tempos, o mundo tem estado a evoluir bastante, tanto na organização social, quanto na capacidade técnica, mas, no campo espiritual, moral e ético, a situação é deveras sombria, se olharmos para o nível de degradação dos valores morais das nossas sociedades modernas, por isso a missão salvadora da igreja revela-se urgente e incontornável nos dias actuais, para resgatará o que há e mais valioso no ser humano”, orientou.

Olhar com mais atenção para os pobres e carenciados foi outro desafio dado.

Missão dada é, para João Nunes, missão cumprida. Ele que começou o seu discurso cantando e louvando a Deus pela bondade e pela oportunidade de servir, como diz o seu lema episcopal “No meio de vós como aquele que serve”.

Segundo o Arcebispo Coadjutor de Maputo, nesta nova caminhada, “ele abraça” os desafios colocados, pois é sua missão evangelizar todas as pessoas, sobretudo as mais pobres e necessitadas. Nesta caminhada, João Carlos disse que vai guiar-se em três convicções, entre as quais a gratidão e o respeito pela história do lugar que vai ocupar e dos que já passaram.

“Segundo,  quero estar próximo de todas as realidades presentes nesta igreja, a fim de melhor conhecer e melhor servir. Só podemos ser bons servidores se tivermos uma dose de humildade, contínua busca para conhecer a realidade onde nos encontramos”, explicou o Arcebispo.

A terceira convicção é ter sempre em mente que a igreja é uma obra colectiva e não individual, por isso prometeu auscultar, integrar e envolver os vários agentes e fiéis da arquidiocese para juntos levarem avante a obra de evangelização da palavra de Deus.

Dom João Carlos Nunes foi nomeado para este cargo após Dom Francisco Chimoio ter pedido ao Papa Francisco para começar a preparar a sua saída do Governo pastoral de Maputo.

Por isso, durante o seu discurso, Francisco Chimoio não escondeu a alegria. Sem dizer muito, sublinhou que já “não estou sozinho”.

“Nós dois teremos a tarefa de continuar a ajudar a todos vocês, a conhecer o caminho que vos leva à vida eterna e que vos leva a alcançar a salvação. Juntos poderemos caminhar para que o Senhor seja sempre conhecido e amado e seja sempre anunciado”, referiu Francisco Chimoio.

Outra recomendação é que Francisco Chimoio deve dar maior exemplo de caridade fraterna e de sentido colegial; deve amar e ajudar espiritual e materialmente o bispo coadjutor.

“Embora Dom Chimoio permaneça à frente da arquidiocese, a ele junta-se Dom João Carlos, juntos darão o testemunho de um serviço aos pobres e carenciados”, exortou Bertoldi.

Sendo coadjutor, Dom João Carlos, de 54 anos, poderá tornar-se Arcebispo de Maputo a qualquer momento e, sendo assim, será o quinto arcebispo da referida arquidiocese.

Setenta e nove mil crianças morreram em 2020, no país, antes dos cinco anos de idade, devido à precariedade dos serviços de saúde. Os dados foram avançados, semana passada, pela Organização das Nações Unidas, que acrescenta que quase 60 milhões de crianças podem morrer antes de 2030 se não se investir em saúde.

Um relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado semana passada, revela que há uma tendência de redução de casos de mortalidade infantil nos últimos 20 anos.

Segundo o documento, Moçambique tinha, em 1990, uma taxa de mortalidade, em crianças menores de  cinco anos, de 245 por cada mil nascidos vivos.

Em 2000, ou seja, 10 anos depois, o número desceu para 171 e, em 2020, 72 crianças morreram a cada mil nascimentos.

As Nações Unidas indicam ainda que o número de mortes de crianças com menos de cinco anos no país baixou de 128 000 em 2000 para 79 000, no ano 2020.

O director da Divisão de Análise, Planeamento e Monitorização de Dados do UNICEF, Vidhya Ganesh, diz que a redução da taxa é global, contudo é preciso mais trabalho.

“O progresso é possível com uma vontade política mais forte e um investimento direccionado no acesso equitativo aos cuidados de saúde primários para cada mulher e criança”, disse Ganesh.

A ONU alerta que, caso não sejam tomadas medidas rápidas para melhorar os serviços de saúde, em todo o mundo, quase 60 milhões de crianças e jovens morrerão antes de 2030, e quase 16 milhões de bebés serão nados-mortos.

“O acesso e a disponibilidade de cuidados de saúde de qualidade continuam a ser uma questão de vida ou de morte para as crianças a nível mundial. A maioria das mortes de crianças ocorre nos primeiros cinco anos, metade das quais ocorre logo no primeiro mês de vida. Para estes bebés mais novos, o nascimento prematuro e as complicações durante o parto são as principais causas de morte. Do mesmo modo, mais de 40% dos natimortos ocorrem durante o parto – a maioria dos quais são evitáveis quando as mulheres têm acesso a cuidados de qualidade durante a gravidez e o parto. Para as crianças que sobrevivem depois dos primeiros 28 dias, doenças infecciosas como a pneumonia, a diarreia e a malária constituem a maior ameaça”, lê-se no relatório, divulgado a 10 de Janeiro corrente.

O documento indica que a África Subsaariana foi responsável por 56% de todas as mortes de menores de cinco anos em 2021, e o Sul da Ásia por 26% do total. As crianças que nascem na África Subsaariana estão sujeitas ao maior risco de morte infantil do mundo – 15 vezes maior do que o risco para as crianças na Europa e América do Norte.

Peritos em educação afirmam que há fraca orientação dos alunos no ensino secundário para escolha de cursos no ensino superior. O problema pode retardar a formação dos alunos e levar a frustrações profissionais. Os especialistas apelam para a necessidade de introduzir a figura do psicólogo nas escolas para resolver o problema.

Calisto Abdul inscrevia-se para frequentar o seu último ano no ensino médio. Com cerca de dez meses para concluir, disse estar ansioso para passar de classe e ingressar no ensino superior.

O adolescente, de 17 anos, pretende fazer Licenciatura em Engenharia Mecânica no próximo ano e contou que a sua paixão por carros o fez começar a pesquisar sobre o curso desde cedo.

“Gosto de trabalhar com peças de carros, máquinas e sinto-me fascinado por isso”, contou Abdul.

Já a sua colega Alia contou que tem o seu pai como fonte de inspiração, por isso sonha em ser advogada.

A escolha de curso tem sido, na verdade, para muitos candidatos ao ensino superior, um assunto complicado, tal é o caso de Agnência Justina.

“Em 2021, concorri para fazer Licenciatura em Administração Pública. Decidi mudar porque se eu tivesse sido admitida, não estaria bem nem feliz, por isso agora me candidatei ao curso de Cultura e Literatura Chinesa”, contou Agnência Justina, que cedo descobriu que devia repensar a sua escolha, diferentemente de Elton Chone, que, por influência da sua família, assistiu a aulas durante um ano, sem pensar que a frustração viria mesmo antes do fim.

“O primeiro curso a que concorri e foi-me admitido foi de Licenciatura em Jornalismo. Ao longo do ano, apercebi-me de que aos poucos me ia frustrando. Por isso mesmo, no ano seguinte, a minha família achou conveniente que eu me candidatasse novamente para fazer o curso que sempre quis, para futuramente evitar problemas”, explicou Chone.

Segundo o psicólogo clínico Hachimo Chagane, casos como estes não são raros e o resultado, quando ignorado, reflete-se no exercício da profissão.

“Há pessoas que estão a fazer o ensino superior e mudam de curso quase anualmente. Começam um, e depois descobrem que não é aquilo que queriam, inscrevem-se num outro. E, ao fim de quatro anos, percebe-se que não conseguiram concluir sequer dois anos. Já no trabalho, tem frustração. Na docência, por exemplo, os professores podem até formar-se e exercer a função, mas não são docentes”, explicou Chagane.

Por isso mesmo, Alfredo Maposse chamou atenção para a necessidade de olhar para a orientação vocacional, como factor crucial para a escolha do curso.

“Para termos bons profissionais amanhã, precisamos de capacitá-los desde a base. E, para que sejam bem formados, é preciso descobri-los desde muito cedo e a orientação é um dos remédios para o efeito, porque, logo à partida, se descobriria a inclinação de cada um”, explicou o psicólogo educacional e orientador.

A falta de orientação dos alunos têm-se também reflectido a nível das universidades. “Em 2021, tivemos números que não nos foram confortáveis. Cerca de 100 casos de admitidos estavam desalinhados em relação à sua área de formação. Para fazer o curso de Medicina, por exemplo, é necessário que haja uma formação prévia que se ajusta o curso”, explicou Betuel de Jesus, director do Registo Académico da Universidade Eduardo Mondlane.

As escolas secundárias orientam os alunos, a partir do segundo ciclo, mas reconhecem que não é o suficiente.

“Este processo de orientação não é fácil e, se o fazemos, não é como deveria ser porque também requer disponibilidade de meios. Seria bom se, a nível das escolas, tivéssemos psicólogos que estivessem a trabalhar nas próprias escolas, não só para a questão da orientação vocacional, mas também para todas outras intervenções que são necessárias para os alunos”, referiu Orlando Dima, director da Escola Secundária Francisco Manyanga.

Os psicólogos e especialistas em orientação vocacional e profissional defendem o reforço da orientação vocacional nas instituições de ensino médio.

“O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano deve institucionalizar órgãos de orientação vocacional nas escolas, porque este é um trabalho terapêutico e a decisão de escolha é difícil”, explicou o psicólogo clínico Hachimo Chagane.

A orientação vocacional ajuda na descoberta de habilidades apropriadas para o exercício de uma profissão, através de sessões de aconselhamento e testes práticos.

Subiu para 13 o número de pessoas mortas vítimas de cólera no país. Dados recentes indicam que há 1360 internados devido à doença. O Presidente da República chama atenção à sociedade para redobrar os cuidados.

O surto de cólera afecta Moçambique desde Março do ano passado e, de lá para cá, tem-se alastrado pelas províncias de Sofala, Tete e Niassa. Desde o último sábado, houve registo de casos de cólera no distrito de Xai-Xai, província de Gaza, e Milange, província da Zambézia.

“A cólera está a dar sinais de se espalhar, já está em mais seis a sete distritos; precisamos de ter cuidado com isso. Temos em Mecanhelas, Milange, Caia, Xai-Xai, Lago, Lichinga. Já temos, cumulativamente, mais de 1360 casos. Até ontem, tivemos três mortes, o que significa que a taxa de letalidade é de 1%, então temos que ter cuidado”, alertou o Presidente da República.

De acordo com as autoridades de saúde, a província de Tete já está livre do surto de cólera.

Em relação à COVID-19, desde as últimas duas semanas, o país tem registado o aumento de casos em alguns pontos.

“Desde que eclodiu a doença em Moçambique, perdemos mais de 2300 compatriotas e, agora, estamos com 154 casos positivos em quase todas as províncias, apesar do aumento na Cidade de Maputo, províncias da Inhambane e Zambézia. Portanto, queria chamar atenção para continuarmos a observar as medidas de prevenção”, apelou Nyusi.

A nova variante da COVID-19 já está em circulação na África do Sul, entretanto em Moçambique ainda não há confirmação de nenhum caso associado.

O relatório é da Human Rights Watch, uma organização internacional reconhecida por investigar casos de violação de direitos humanos. Os defensores dos direitos humanos dizem que Moçambique deve usar da sua influência como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reduzir casos de violação dos direitos humanos.

O relatório, que é resultado de uma análise, examinou a situação dos direitos humanos em quase 100 países do mundo, durante o ano 2022.

Nos países africanos, os países incluídos são Angola e Moçambique. Para o caso do nosso país, o relatório, lançado no sítio da internet da Human Rights Watch, começa por abordar a evolução do terrorismo, que assola o país desde 2017 e conclui que, em 2022, a situação agravou a crise humanitária no território nacional.

Sobre o exercício do direito à manifestação pacífica, o relatório refere que o Governo continuou a usar a força e as detenções arbitrárias para restringir o direito dos cidadãos à manifestação pacífica.

Já em relação à liberdade de imprensa, o documento diz que esta esteve condicionada, devido à aprovação de algumas leis que limitam a liberdade de expressão e o trabalho jornalístico, como é o exemplo da lei contra o terrorismo, aprovada em Maio de 2022, que estabelece que:

“Qualquer pessoa que dissemine falsas informações intencionalmente sobre o acto terrorista pode ser punida com uma pena de 8 a 12 anos de prisão.”

Relativamente a casos de rapto, o relatório sobre os direitos humanos lamenta ter continuado a haver agentes de polícia implicados, em todo o país.

Apesar deste cenário, o relatório refere que a comunidade internacional continuou a prestar apoio ao país no combate ao terrorismo.

REACÇÃO DOS DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS

Em reacção ao assunto, os defensores dos direitos humanos dizem não estar surpreendidos com as constatações do relatório.

 A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique e a Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos entendem que o país pode usar da posição que ocupa como membro não-perante do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para mitigar problemas relacionados à violação dos direitos humanos.

Para a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, apesar de o relatório ter levantado elementos já bem conhecidos pelo país, estes podem ser resolvidos se Moçambique usar do seu assento nas Nações Unidas para trabalhar nos assuntos.

“O relatório foi fiel e espelhou o que se viveu no país no ano de 2022. Cabe a Moçambique garantir que a sua nomeação no Conselho de Segurança não seja apenas para constar do papel, mas que sirva como um combustível. Estamos no primeiro mês do mandato nas Nações Unidas, este relatório, de novo, despertou a necessidade de responder às violações dos direitos humanos, bem como a necessidade de responsabilização”, disse Ferosa Chaúque, da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique.

Já para a Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos, o Governo moçambicano deve conciliar a ajuda Internacional com a da sociedade civil nacional.

“Podemos usar dessa influência para ter mais apoio internacional e colher experiências sobre a paz efectiva. Outro ponto é que o Estado precisa de juntar os actores que podem influenciar neste processo, incluindo a sociedade civil, que muito tem feito neste processo”, disse Sheila Nhacale, coordenadora da Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos.

Os defensores dos direitos humanos entendem, porém, que o trabalho a ser feito para garantir o respeito pelos direitos humanos abrange não apenas o mundo, no geral, mas as sociedades, em particular, por isso apelam a cada cidadão para contribuir para a causa.

Uma equipa multissectorial deteve, esta sexta-feira, um indivíduo que exercia ilegalmente a actividade de táxi, na Cidade de Maputo. A edilidade diz que, além da falta de licença, o implicado usava uma aplicação não autorizada.

Nos dias que correm, têm surgido táxis que operam via online. Uma das aplicações usadas é a Yango. Segundo as autoridades, mesmo sem licença, particulares têm usado a referida aplicação para transportar pessoas. Sucede, porém, que a edilidade da capital não a reconhece.

“O ‘aplicativo’ é usado de forma diferente daquilo que é a postura adaptada pelo município da Cidade de Maputo para os táxis por ‘aplicativos’ em Abril de 2022. Não têm licenças, ou seja, trabalham de forma ilegal”, disse Nelson Massango, director de Mobilidade, Transportes e Trânsito no Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Mas as acusações chegam até aos táxis de praça, que também usam aplicações sem autorização do município.

“Usam aplicativos de táxi de praça que não estão autorizados a prestar estes serviços. Neste momento, usam viaturas de outros ‘aplicativos’. Além disso, usam viaturas particulares. Não há critérios claros, e são pessoas que, na sua maioria, não possuem carta de condução para poder seguir com esta actividade”, afirmou Nelson Massango.

Esta sexta-feira, um motorista da empresa Xiami, que trabalha com a aplicação Yango, foi detido por uma equipa multissectorial.

“Quando o miúdo foi solicitado, veio, e a Polícia foi ter com ele e pediu para este apresentar os documentos, mas ele mostrou renitência dentro da viatura, e a Polícia foi obrigada a imobilizar o carro dando tiro contra o veículo, atingindo, assim, o tanque de combustível, tudo isso porque ele mostrou resistência e quase atropelou uma agente de fiscalização da TAXIMA”, contou Simeão Grasite, fiscalizador da TAXIMA.

A gestão da empresa não concorda com a detenção e alega ter todas as licenças de trabalho para operar com a aplicação.

“Tanto as empresas quanto os motoristas têm todos os documentos para poderem operar como taxistas. Existe uma licença para trabalhar com táxi por aplicativo. Por acaso, o motorista que foi detido tem todos os documentos, inclusive documentos que, até certo ponto, fomos impedidos de tratar; conseguimos tratar e exibimos todos os documentos”, explicou oresponsável da Xiame.

A Associação dos Taxistas da Cidade de Maputo refere que a existência de táxis online está a ser prejudicial ao negócio.

Ele veio às escondidas. Explodiu quando toda a gente começou a entrar. Já vinha fazendo pirataria há seis meses. Não pagam imposto, não pagam nada, enquanto nós pagamos anualmente ao município. Como se não bastasse, os carros que eles usam não têm seguros”, revelou Albino Mabelane, chefe da fiscalização da TAXIMA.

Segundo a Direcção de Mobilidade, Transportes e Trânsito do município de Maputo, desde o início das actividades da Yango, cerca de 50 viaturas foram apreendidas por falta de licença.

A medida foi anunciada, esta sexta-feira, pelo Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários. Ainda, na ocasião, o PCA da Instituição fez saber que o processo, em tribunal, entre o Instituto público e a Brithol Michcoma, está na fase conclusiva.

Como forma de reduzir as longas filas de espera nas suas delegações, o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) anunciou que está operacional, desde a semana passada, um novo portal virtual para o acesso aos serviços que oferece.

“O portal é um site da Internet com o seguinte endereço, WWW. BALÃO VIRTUAL. INATRO.GOV.MZ.”, anunciou o Presidente do Conselho de Administração, Chinguane Mabote,

Através do canal, os utentes podem tratar vários documentos, tais como a segunda via da carta de condução, consulta da situação do condutor e marcação para o atendimento e marcação para o atendimento.

Até ao momento, o balcão virtual funciona apenas para a Cidade e Província de Maputo. Mas, de forma progressiva, passará a funcionar em outras partes do país, onde o INATRO regista enchentes.

Já sobre a polémica dívida de 40 milhões de meticais, que levou à interrupção do contrato entre o INATRO e a Brithol Michcoma, empresa que fazia a impressão das cartas de condução, Chinguane Mabote disse que o processo continua no tribunal.

“ Esta questão está com as entidades competentes e estamos todos a par do processo, tanto o INATRO com a Brithol Michcoma, e satisfeitos com o processo e achamos que já está na fase conclusiva”.

No entanto, a produção de cartas de condução está garantida, com a entrada em funcionamento, na instituição, deste sistema com capacidade de imprimir até 1500 por dia.

Sobre o processo de captação de dados, que originou reclamação há alguns meses, porque alegadamente tornava morosa a realização de exames, o PCA do INATRO garante que tal vai passar a ser da responsabilidade das escolas, assim que houver condições.

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