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O País – A verdade como notícia

A falta de fiscalização, a falta de recursos humanos e a forte influência do partido no poder podem levar o sector das pescas no país à falência, considera o Centro de Integridade Pública, que ontem divulgou um relatório sobre a matéria.

Segundo o relatório lançado, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, antes da proclamação da independência a pesca no país era responsável por 50% das exportações.

Entretanto, actualmente o sector está em estágio de decadência e a sua contribuição no Produto Interno Bruto não supera os dois por cento.

O Centro de Integridade Pública (CIP) aponta a má gestão e alianças promíscuas para justificar o actual estágio do sector.

O problema é agravado por vários factores que levam o Estado a perder anualmente cerca de 300 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 19 mil milhões de Meticais.

“Neste momento, o país não tem barcos para fiscalizarem toda a sua costa. Há muitos barcos que estão registados em Moçambique, mas que vêm pescar e entram para a zona de mil milhas, que é onde podem pescar o camarão de qualidade e o atum. Quem quiser e como quiser pode entrar e pescar”, disse Edson Cortez.

A situação, de acordo com o director do Centro de Integridade Pública, pode levar o sector das pescas à falência.

Como solução, o estudo sugere a adopção de novas políticas para reavivar o sector.

“O país precisa de repensar o sector das pescas e de repensar o papel da pesca artesanal que é a que envolve mais de 400 mil operadores, que no período de veda são controlados para que eles se façam a pesca e tragam sustento às suas famílias. O Estrado moçambicano só tem uma política de punição que é impedir os pescadores de ir à pesca no período de veda e não paga compensação por eles não irem ao mar”, referiu Cortez para depois apontar o dedo “às políticas ligadas ao partido no poder que vendem as suas licenças para os operadores estrangeiros”.

O estudo foi realizado entre os meses de Maio e Novembro do ano passado, na Baía de Maputo e no Banco de Sofala.

As empresas e associações do sector rodoviário devem evitar práticas que consubstanciam concorrência desleal e minam um bom ambiente de negócio no mercado nacional. A advertência foi dada pela Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC), num encontro com o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO).

Há, no sector rodoviário, empresas e associações que procuram uniformizar preços no mercado, violando a legislação sobre a matéria.

Apesar de não avançar dados concretos, o Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora da Concorrência disse que há denúncias de falta de liberdade comercial sem influência no mercado.

“As associações das empresas, assim como as próprias empresas, devem abster-se de condutas que possam restringir ou limitar a liberdade e actuação dos associados, no caso das associações. Cada empresa deve actuar livremente, tem que ter a sua conduta comercial sem influência de uma outra empresa ou de uma associação. A postura das associações não deve ser a de limitar a prática comercial de forma individual”, defendeu Iacumba Ali Aiuba, PCA da Autoridade Reguladora da Concorrência.

Aiuba advoga, ainda, o bem-estar dos consumidores: “Deve-se evitar a afixação de preços, deve-se fazer a uniformização de políticas comerciais, fundamentalmente é isso, porque o que notamos é que há associações que entendem que, por ser uma entidade que congrega vários associados e empresas, devem uniformizar práticas comerciais, isso é proibido porque mina o ambiente concorrencial que se pretende ter numa economia de mercado, porque o nosso objectivo é sempre o de maximizar o bem-estar do consumidor”.

As declarações do PCA da Autoridade Reguladora da Concorrência foram feitas num encontro com o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários, empresas e associações do sector.

“Qualquer inquietação é tratada no âmbito da concorrência, mas tem que ser tratada por parte da Autoridade Reguladora da Concorrência, é o regulador que deve responder, ou seja, quando existe uma aparente inquietação por parte de um concorrente, o INATRO faz a comunicação e o assunto é tratado na concorrência. Em termos de regulador, estaríamos a extravasar aquilo que são as competências do INATRO em actuar e tratar este assunto”, disse Chinguane Mabote, PCA do INATRO.

O objectivo da reunião era discutir como acabar com a concorrência desleal, após várias denúncias de afixação e aplicação de taxas não aprovadas no mercado.

A TotalEnergies não exportará o Gás Natural Liquefeito (GNL) de Moçambique antes do ano 2027, no mínimo, pois considera que se deve reiniciar um projecto interrompido há dois anos por uma insurgência ligada a ataques terroristas.

A gigante francesa da energia declarou força maior – uma pausa legal num contrato devido a eventos imprevistos – em Abril de 2021, depois que rebeldes ligados ao Estado Islâmico invadiram uma vila-sede próxima, matando dezenas de pessoas. A retoma do projecto de 20 mil milhões de dólares é vista como crucial para o futuro económico de Moçambique e ganhou maior significado global depois que a invasão russa da Ucrânia obrigou as nações europeias a buscar fontes alternativas de combustível.

“A partir do momento em que reiniciarmos a produção, precisamos de mais quatro anos para construir a instalação”, disse Stephane Le Galles, director de projectos da TotalEnergies, durante uma visita ao local no nordeste de Moçambique, na semana passada. Isso significa que as exportações de gás natural liquefeito só começariam em “2027, na melhor das hipóteses”, acrescentou, citado pela Bloomberg.

Desde o ataque a Palma – a vila distrital mais próxima do local do projecto — o Governo moçambicano pediu ajuda militar ao Ruanda e à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para conter a insurgência. A situação de segurança melhorou, especialmente ao longo da faixa costeira, no extremo norte, onde o projecto está localizado.

Para a TotalEnergies suspender a força maior, há quatro ou cinco condições que precisam de ser atendidas, de acordo Le Galles, das quais se destacam a necessidade de funcionários do Governo retornarem às regiões vizinhas de Palma e Mocímboa da Praia; a manutenção do custo do projecto “como era antes”; condições de segurança melhoradas; e uma avaliação positiva das condições dos direitos humanos na província.

É impossível dizer quando essas condições serão atendidas, de acordo com Le Galles, que considera que o progresso está em uma “boa direcção”. Em Fevereiro, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, visitou o projecto e nomeou um especialista em direitos humanos, Jean-Christophe Rufin, para avaliar a situação na província de Cabo Delgado, antes de decidir sobre qualquer reinício.

Rufin esteve um mês em Moçambique a falar com o Governo, comunidades e agências de fomento, e está em fase final de elaboração de um relatório, de acordo com Laila Chilemba, vice-presidente para o desenvolvimento socioeconómico da unidade de Moçambique da TotalEnergies. O relatório deve ficar pronto nos “próximos dias”, garantiu a responsável à Bloomberg.

 

SUBEMPREITEIRO ANUNCIOU RETOMA DO PROJECTO DA TOTALENERGIES EM JULHO

No fim de Fevereiro, a empresa italiana de engenharia Saipem anunciou que a construção da fábrica de liquefacção de gás da TotalEnergies em Cabo Delgado deverá ser retomada em Julho.

“Esperamos reiniciar gradualmente o projecto, de acordo com informações recebidas do nosso cliente, a partir de Julho deste ano”, disse o director-executivo da Saipem, Alessandro Puliti, citado pelo portal especializado do sector petrolífero Upstream.

Alessandro Puliti falava durante uma intervenção na Internet (“webcast”) realizada, recentemente, para apresentar a analistas os resultados do quarto trimestre de 2022.

A Saipem lidera o consórcio CCS, que também inclui a japonesa Chiyoda e McDermott dos Estados Unidos da América, responsável pela construção de duas linhas de liquefacção de gás com capacidade combinada de 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) em Afungi.

A construção do complexo industrial foi suspensa em 2021 pela petrolífera francesa TotalEnregies, após um ataque à vizinha vila de Palma, na sequência da insurgência armada que atinge Cabo Delgado desde 2017.

O empreendimento tido como o maior investimento privado em aberto no continente africano, orçado em 20 mil milhões de euros, inclui linhas de captação de gás a grande profundidade, na Bacia do Rovuma, 40 quilómetros ao largo, liquefacção e cais de exportação para cargueiros especiais.

Nele está ancorada boa parte das perspectivas de crescimento da economia moçambicana, bem como de pagamento da sua dívida soberana.

A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde Julho de 2021 com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projectos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.

O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4000 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.

A delegação provincial do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) em Inhambane vai privilegiar as brigadas móveis para submeter alguns pensionistas do sistema de segurança social à prova anual de vida (PAV), por se encontrarem em locais ou distritos distantes, sobretudo aqueles que, neste momento, não se encontram em situação de acessibilidade facilitada.

A aposta foi feita durante o lançamento da campanha de prova de vida de pensionistas do INSS, na passada segunda-feira, cuja cerimónia foi dirigida pelo secretário de Estado naquela região do sul do país, Amosse Macamo, o qual sublinhou que a prática é um dever de todos os pensionistas e contribuintes da segurança social, de modo a garantir a actualização do seu cadastro e, assim, evitar pagamentos indevidos, além de assegurar o pagamento de pensões aos verdadeiros titulares.

Daí que, concluiu Macamo, é imperativo que todos os pensionistas, sem excepção, realizem a prova anual de vida dentro do prazo estabelecido, para evitar a suspensão da sua pensão, que, acontecendo, pode causar muitos transtornos na vida social, uma vez que muitos dependem dela para a sua sobrevivência.

Na província de Inhambane, segundo a respectiva delegada do INSS, Rabia Abacar, no presente ano serão submetidos à prova de vida anual pouco mais de 4200 pensionistas, cujo processo decorre nos postos fixos já estabelecidos, nomeadamente nas delegações do INSS de Inhambane, Maxixe, Massinga, Vilankulo, Inhassoro e Zavala, bem como nas representações distritais, podendo nas restantes zonas onde os serviços do INSS ainda não estejam instalados a solução ser o recurso às brigadas móveis, em coordenação com as autoridades locais.

Ainda durante a cerimónia de lançamento da PAV, o secretário de Estado em Inhambane procedeu à entrega de material escolar e bicicletas a 15 menores, pensionistas de sobrevivência do distrito de Inhassoro, afectados pelos impactos da tempestade tropical Freddy e que se encontram distantes das suas escolas.

O Primeiro-ministro exigiu, hoje, a transformação da postura do sector de seguros para que esteja pronto para fazer face ao branqueamento de capitais e à ocorrência de eventos climáticos que destroem património público e privado. Adriano Maleiane falava na cerimónia de tomada de posse da nova PCA do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique.

Chama-se Ester dos Santos José a nova Presidente do Conselho de Administração do Instituto Público, responsável pela supervisão e fiscalização da actividade seguradora em Moçambique.

Na cerimónia de empossamento da nova PCA do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique, o Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, lançou o repto para que a empossada e a sua equipa de trabalho dêem o seu contributo para o “aprimoramento das políticas, estratégias e planos institucionais, com vista a assegurar o contínuo crescimento do sector segurador no nosso país”.

Ademais, o governante recomendou a intensificação de campanhas de literacia sobre a importância do seguro para a “manutenção da renda familiar”.

Segundo Maleiane, o Instituto de Supervisão de Seguros deve garantir que sejam adoptadas estratégias fortes para enfrentar dois grandes desafios do sector: o branqueamento de capitais e as alterações climáticas, este último que provoca a destruição de património público e privado, devido à ocorrência cíclica de eventos climáticos severos.

De acordo com o Primeiro-ministro, apesar de estarem a ser alcançados resultados na área, como a promoção do crescimento do ramo da vida e de microsseguro no país, a actualização da legislação do sector segurador para adequá-lo à actual realidade e dinâmica de riscos no mercado de seguros, em especial aos riscos fundamentais relacionados às mudanças climáticas; assim como garantir a modernização dos sistemas de informação e comunicação, assim como de controlo do branqueamento de capitais”, exigiu o Primeiro-ministro, Adriano Maleiane.

A nova PCA do ISSM diz-se preparada para os novos desafios e já sabe por onde começar a dar o seu contributo para o crescimento e consolidação da instituição que passa a dirigir.

“O que eu constatei, mesmo antes de ter tomado posse, é que muito está a ser feito pelas seguradoras que actuam no país, mas a comunicação e as informações não são muito difundidas. Por isso mesmo, daqui para frente, vamos pegar na plataforma que o Banco de Moçambique usa na área da supervisão bancária para garantir que essa plataforma ajude essa instituições, facilite o seu trabalho no âmbito da organização de informações, estatísticas fiáveis, com o fim de criarmos uma área de seguros mais sustentável e saudável”, disse Ester dos Santos José.

Antes de assumir o cargo de PCA do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique, Ester dos Santos José exercia a função de Directora Nacional de Gestão da Dívida Pública, no Ministério da Economia e Finanças.

O Governo criou, em 2010, o Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique, uma instituição responsável pela supervisão e fiscalização da actividade seguradora, em particular de empresas e instituições de seguros, mediação de seguros e fundos de pensões complementares.

Nos últimos cinco anos, Moçambique registou o estabelecimento de 19 seguradoras, uma resseguradora, duas microsseguradoras, sete entidades gestoras de fundos de pensões complementares e 161 mediadores de seguros.

O Presidente da República exige dos municípios a antecipação na ocupação da terra, para evitar as construções desordenadas. Filipe Nyusi falava hoje, no bairro Incassane, distrito de KaTembe, durante a cerimónia de inauguração e entrega de 100 casas do projecto Renascer.

Durante anos, cerca de duas mil pessoas percorriam, diariamente, grandes distâncias em busca de água para o consumo, na localidade de Rotseko, no bairro Incassane, distrito de KaTembe, na Cidade de Maputo.

Segundo Adriano Muthemba, residente na localidade de Rotseko, a fonte mais próxima de água estava a cerca de dois quilómetros. Além da distância, uma longa fila tinha que ser enfrentada.

No entanto, este cenário ficou para trás com a entrega das 100 casas, uma iniciativa do Governo, implementada através do Fundo para Fomento de Habitação, que trouxe o sistema de abastecimento de água e energia eléctrica.

Cada uma das casas custa 667 mil Meticais, um valor que deve ser pago em 240 prestações, ou seja, os beneficiários deverão pagar, mensalmente, 2800 Meticais, durante 20 meses.

São casas do Tipo 0, evolutivas para tipo três, que têm como beneficiários jovens do sector público, privado e informal, com uma renda mensal não superior a cinco salários mínimos. Os beneficiários sentem-se felizes, apesar de o terminal de transporte estar distante.

Alice Mucavele, uma das beneficiárias do projecto, conta que, no princípio, pensava que fosse perda de tempo, devido ao local onde o terminal está.

“Conversando com o vereador, soube que o terminal poderá ser trazido para cá e isso nos anima. Estou muito feliz por ter sido escolhido, dentre os três mil concorrentes”, disse.

O Presidente da República, que procedeu, esta quarta-feira, à inauguração e entrega das casas, apelou aos beneficiários para que cuidem das casas e respeitem as plantas indicadas.

“Esta é a comparticipação que o Governo faz em torno deste projecto para os jovens, porque, quando ainda se discute a distribuição de riquezas, temos dito que isso não quer dizer que se distribui dinheiro. [A distribuição de riquezas] faz-se construindo escolas, hospitais, trazendo água, energia e, desta forma, custeando a vida. Esta é uma comparticipação que todos teremos que cumprir, igual à comparticipação que temos exigido quando fazemos estradas, o pagamento de taxas  de portagens que às vezes é discutido, mas é a comparticipação para desenvolver o nosso país, como os outros países se desenvolvem”, explicou o Presidente da República.

Ainda no seu discurso de inauguração, Nyusi exigiu que os municípios, a nível nacional, se antecipem nas construções, para evitar as edificações desordenadas.

“Este projecto constitui um marco para o desenvolvimento urbanístico organizado no Distrito Municipal de KaTembe. Vamos sentir a diferença. Quando entramos em KaTembe não se sabe por onde se entra, nem por onde sai. Na mesma fila, uma casa vira para frente, outra para o lado. Isso não vai acontecer com este projecto.”

Para Nyusi, as grandes cidades são feitas desta forma. Por isso, a pretensão do Governo é que a parcela se desenvolva de forma ordeira e harmoniosa e encoraja o desenvolvimento de projectos similares, ao longo do país, não necessariamente através do Fundo para Fomento de Habitações, mas sim através dos próprios municípios e entidades privadas.

O projecto das 100 casas está orçado em 123 milhões de Meticais e conta com um campo de futebol.

Subiu de 2,2 para 2,4 milhões o número de pessoas que vivem com HIV no país entre 2021 e 2022. A informação foi revelada, hoje, em Maputo, pelo vice-ministro da Saúde.

Em 2022, pelo menos 266 mil pessoas foram infectadas pelo HIV, por dia, no país, segundo dados apresentados, esta quarta-feira, pelo Ministério da Saúde. Deste número, 230 mil Infecções ocorreram em adultos e 36 mil em crianças.

“A prevenção precisa de continuar a ser a nossa principal prioridade. Um dos desafios nas acções de prevenção, que necessita de respostas mais eficazes e sem tabus, está associado ao aumento da cobertura geográfica de intervenções para a identificação e oferta do pacote de prevenção das populações-chave, considerando as barreiras socioestruturais enfrentadas por este subgrupo populacional”, disse o vice-ministro da Saúde, destacando que o autoteste, introduzido recentemente, é uma das estratégias, pois “poderá impulsionar ainda mais o aumento do conhecimento do sero-estado, permitindo que alcancemos, até 2025, o primeiro 95 das metas da cascata 95-95-95”, disse Ilesh Jane, vice-ministro da Saúde.

As estimativas apresentadas pelo dirigente apontam que há, actualmente, 2,4 milhões de pessoas que vivem com HIV, das quais mais de 96% estão em tratamento antirretroviral, contra 74% em 2021.

“Assim, encorajamos as equipas das unidades sanitárias a continuarem com as intervenções rotineiras de discussão das causas que afectam a oferta dos serviços segundo os padrões nacionais estabelecidos, e daí implementarem, de forma consistente, intervenções para a melhoria da qualidade assistencial.”

Apesar dos avanços no tratamento do HIV, Ilesh Jane disse que o estigma e a discriminação continuam a barrar o acesso.

“O Governo de Moçambique defende que as pessoas vivendo com o HIV têm os mesmos direitos que quaisquer outras pessoas, sendo inaceitável que sejam discriminadas. A nossa conduta como profissionais da saúde deve espelhar o comprometimento com o lema de ‘zero discriminação’.”

O vice-ministro da Saúde falava na abertura da 9ª Reunião Nacional do Programa de Controlo de Infecções de Transmissão Sexual, que decorre na Cidade de Maputo.

O evento terá duração de três dias e decorre sob o lema “Juntos no Fortalecimento da Qualidade Assistencial para o Controlo da Epidemia do HIV e SIDA”.

Os clientes de telefonia móvel já podem submeter queixas à Autoridade Reguladora das Comunicações, caso as operadoras não resolvam as suas preocupações. O Instituto Nacional das Comunicações diz que tais situações poderão ser remetidas à Procuradoria-Geral da República.

É a partir do Portal do Consumidor e da Linha do Cliente lançados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional das Comunicações, que os clientes de operadoras de telefonia móvel já podem apresentar as suas queixas que não forem devidamente atendidas pelo provedor do serviço.

Através das duas ferramentas, os consumidores poderão fazer denúncias, dar sugestões e buscar informações úteis sobre o sector das comunicações, como tarifas e novos serviços.

“A partir de qualquer celular de operadoras de telefonia móvel, o cliente pode ligar para o número 1789, que estará disponível 24 horas por dia. A chamada é gratuita, o consumidor não vai pagar nada. O acesso ao Portal do Consumidor é através de.incm.gov.mz”, explicou a chefe do Departamento de Protecção ao Consumidor no INCM, Dalila Morais.

Caso fique provado que o operador foi negligente, Dalila Morais diz que o caso será remetido à justiça.

“Nós recebemos a denúncia e submetemo-la ao portal da PGR e eles fazem o tratamento. O que fazemos é dar suporte ao cliente, fazemos o acompanhamento e actualizamos ao cliente o ponto de situação”, disse.

E porque no passado já houve invasão cibernética a portais do Governo, incluindo ao do INCM, o Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora das Comunicações, Tuaha Mote, garante que, para o portal do consumidor, foram criadas condições para que seja seguro.

“Criámos mecanismos suficientes para dificultar as acções dos malfeitores no que diz respeito ao ataque cibernético à nossa infra-estrutura. Temos uma equipa de resposta dentro da instituição e acreditamos que o nosso portal estará relativamente seguro porque não há uma segurança absoluta”, explicou Mote.

O lançamento dos dois instrumentos é feito no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Consumidor, que se assinalou esta quarta-feira.

Nem mais! A apresentação do relatório sobre a segurança alimentar, hoje, foi ocasião para Celso Correia “descarregar” críticas, em jeito de resposta, sobre a que foi feita a si pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC). Diz que esta Fundação usou dados errados e desactualizados para contrariá-lo sobre os 90% dos moçambicanos que têm três refeições por dia.

O ministro da Agricultura e Segurança Alimentar foi à apresentação do relatório sobre segurança alimentar já com pretensão de rebater a crítica da FDC, porquanto já tinha a reacção daquela Fundação impressa.

“Era preciso ter cautela sempre que fizessem este tipo de análise. Nós temos equipas que podem ajudar os parceiros”, dizia reiteradamente Celso Correia durante a sua alocução, aludindo que a FDC precisa de ajuda para compreender indicadores sobre segurança alimentar.

“O IOF (Inquérito sobre Orçamento Familiar) já indica os avanços que Moçambique está a ter em termos de desnutrição crónica. Não é 42,3%, é 38%. Está errado se for esse o indicador. Depois, diz (a FDC) que 70% da população vive em situação de vulnerabilidade… é muito difícil comparar e não aconselhamos a comparar dados de pobreza com dados alimentares. Não quero dizer que não tenha ligação”. O ministro socorre-se do facto de em 2013 ter havido estudos que apontavam para 23% da população que estava em insegurança alimentar crónica, mas, na mesma altura, apontava-se para 53% a 54% de pobreza.

“E depois não descreve (a FDC) de que tipo de pobreza está a falar. Porque existe pobreza alimentar, que é a que estamos a falar dela, existe pobreza de rendimento e existe pobreza multidimensional.”

A reacção de Correia surge 12 dias depois de a FDC ter emitido o comunicado no qual afirma que os pronunciamentos do ministro da Agricultura, segundo os quais 90% dos moçambicanos têm acesso a três refeições por dia, contrastam com a realidade.

Uma vez que, no documento, a FDC diz que a maioria das famílias moçambicanas dedica 60% do rendimento para conseguir comida, Celso Correia rebate, dizendo que boa parte dos moçambicanos produz alimentos e não compra.

“Portanto, tecnicamente, eu acho que a FDC tem que trabalhar. Pedi aos parceiros para criarmos um programa. Vamos fazer um programa para capacitar as ONG (organizações não-governamentais)”, afirma Celso Correia e vai mais longe. Diz que a FDC está a projectar um país de miséria para mobilizar recursos de apoio às populações, com parte do valor a ficar no gabinete e a custear seminários que não beneficiam os que precisam.

“A FDC, quando diz ‘em Moçambique morrem pessoas’, então estamos a projectar um país de miséria para mobilizarmos recursos e, depois, o custo da administração, 30% fica no gabinete e tem workshops que não chegam às tais pessoas. ‘Em Moçambique morrem’, somos um país miserável, é assim que estamos a funcionar. Biliões de dólares para ciclos de apoio que depois não têm sustento.”

Bom, os argumentos do ministro da Agricultura rebatendo a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade foram presenciados pela própria FDC e, no fim, esta admitiu haver incongruências na sua crítica sobre as três refeições por dia.

“A carta da FDC enferma de algumas incongruências”, assume Joaquim Oliveira, director-executivo da FDC, afirmando que o relatório sobre a segurança alimentar, o mesmo que sustenta a tese de haver 90% da população moçambicana com três refeições por dia, tem mérito, dado o facto de se referir ao período pós-colheita.

O ministro da Agricultura terminou a discussão dizendo que as pessoas não estão acostumadas a boas notícias sobre o país.

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