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O País – A verdade como notícia

O ciclone Tropical CHENESO desloca-se, neste momento, para o sueste do canal de Moçambique a uma velocidade de 07 quilómetros por hora, podendo se tornar uma Depressão extra-Tropical nos próximos quatro dias. Neste sentido, de acordo com avaliações feitas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), o sistema já não constitui perigo para o país.

Entretanto, os efeitos do sistema se fazem sentir ao longo dos distritos costeiros das províncias da Zambézia, Sofala e Inhambane.

O INAM prevê a ocorrência de ventos fortes, até 120 quilómetros por hora e rajadas até 165 quilómetros por hora, que poderão agitar o mar e gerar ondas com alturas até 12 metros.

Prevê-se, ainda, a ocorrência de chuvas fortes a muito fortes (mais de 200 milímetros em 24 horas) acompanhadas de trovoadas.

Cerca de 16 mil jovens ainda não foram recenseados na Cidade de Maputo na presente campanha de censo militar. Desde que arrancou o processo há mais de 20 dias, na capital do país foram recenseados sete mil jovens. Em alguns distritos municipais, o processo decorre de forma tímida.

Três semanas após o arranque do recenseamento militar obrigatório, em todo o país, a Cidade de Maputo contabiliza cerca de sete mil jovens já abrangidos pelo processo, dos 23 mil previstos. E o processo termina daqui a um mês, no dia 28 de Fevereiro.

“Fazendo uma análise comparativa ao igual período do ano passado em que a meta era de 20 670, foram recenseados 6341 mancebos, o que nos faz afirmar que estamos a caminhar muito bem”, disse Jair Tomás, delegado do Centro de Recrutamento na Cidade de Maputo

O recenseamento militar abrange todos os cidadãos que nasceram em 2005 e os que não se recensearam nos anos anteriores, desde que não tenham ultrapassado os 35 anos de idade.

Na capital do país, foram criados 71 postos para o censo militar. Entretanto, em alguns distritos municipais, o processo decorre de forma tímida.

Para o alcance das metas, o Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização da Cidade de Maputo prevê adoptar novas estratégias.

Até o fim do processo, a meta é recensear mais de 221 mil jovens em todo o país.

Apesar de alguns avanços, o país registou retrocessos na categoria de segurança e Estado de direito devido ao terrorismo na região Norte do país e pelo aumento de número de uniões prematuras. A classificação do relatório da Fundação Mo Ibrahim, que coloca Moçambique na posição 26.

O estudo da Fundação Mo Ibrahim, que analisa o desempenho de governos dos 54 países de África nas categorias de boa governação, participação, segurança e Estado de Direito, direitos humanos e inclusão e desenvolvimento humano, indica que Moçambique manteve a posição 26, registada em 2020.

No estudo que se baseia em dados estatísticos de 2021, Moçambique mostrou maior progresso na categoria de desenvolvimento humano, mas registou a deterioração nas categorias de participação, direitos e inclusão e no ponto sobre “segurança e Estado de Direito”.

Maior regressão foi registada na categoria de segurança e Estado de Direito devido aos ataques terroristas na zona Norte do país, com maior destaque para a província de Cabo Delgado, bem como pelo aumento de casos de uniões prematuras.

Embora tenha registado queda, Cabo Verde continua a ser o único país lusófono entre os primeiros cinco classificados. Já Angola é o país de língua portuguesa que mais progrediu no índice, tendo subido três lugares, menos na categoria de boa governação. São Tomé e Príncipe também subiu ligeiramente.

Em sentido oposto, está a Guiné-Bissau que perdeu três posições e está na 44ª posição, no mesmo grupo que Burquina Faso, eSwatini, Guiné-Conacri, Libéria, Madagáscar, Namíbia e Ruanda.

No geral, o relatório conclui que, apesar de ter havido melhorias na última década (2012–2021), a boa governação no continente estagnou-se desde 2019.

“Melhorias no desenvolvimento humano e os fundamentos económicos são prejudicados por uma situação de segurança cada vez mais perigosa e um retrocesso da democracia, enquanto o continente luta para gerir os impactos combinados da pandemia da COVID-19 e da crise climática”, lê-se no documento divulgado pela Fundação Mo Ibrahim.

O impacto da pandemia acelerou a deterioração da segurança dos países e do Estado de Direito e expôs as fragilidades dos sistemas de saúde e da educação em África, de acordo com o IIAG que aponta como principais desafios dos governos o emprego, infra-estruturas de transporte e energia.

A tempestade tropical severa Cheneso evoluiu para a categoria de ciclone tropical esta quarta-feira. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, há probabilidade de o fenómeno evoluir, nas próximas 48 horas, para a categoria de ciclone tropical intenso.

A tempestade tropical moderada Cheneso atingiu, na última terça-feira, o Canal de Moçambique. Esta quarta-feira, o fenómeno evoluiu para uma tempestade tropical severa e localiza-se no mesmo local a 140 quilómetros da costa oeste de Madagáscar.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, os ventos chegam a atingir o máximo de 120 quilómetros por hora e rajada de 165 quilómetros por hora.

Neste momento, o sistema desloca-se para o sudoeste do Canal de Moçambique a uma velocidade quase estacionária, podendo evoluir, nas próximas 48 horas, para a categoria de ciclone tropical intenso. No entanto, a probabilidade de atingir a costa do país continua muito reduzida.

Os efeitos do sistema já se fazem sentir ao longo dos distritos costeiros das províncias de Zambézia, Sofala e Inhambane.

Já em Nampula, os efeitos das chuvas são visíveis e a rede de transporte de energia da Electricidade de Moçambique foi severamente afectada.

Segundo um comunicado, 11 postes de média tensão foram levados a baixo e, consequentemente, 31 276 famílias ficaram sem corrente eléctrica.

Com várias famílias às escuras, a EDM, sem avançar datas, promete, para breve, o restabelecimento do fornecimento normal de energia.

Mais de duas mil pessoas estão afectadas pelas chuvas, nos distritos de Gurué, Ile, Namarroi e Lugela. A situação está a criar transbordo a jusante, no distrito da Maganja da Costa, afectando o curso normal  das famílias.

“Neste momento, temos 525 casas inundadas no baixo Licungo, das quais duas estão totalmente destruídas. Estamos com duas mil e cem pessoas afectadas e, por causa mesmo da prevenção da situação, 15 famílias já foram evacuadas para o bairro de reassentamento de Pereirão e vão merecer assistência do Governo, através do INGD. Para o efeito, temos uma equipa preparada no local e em prontidão; uma tripulação dos marinheiros está igualmente no local a garantir o processo de evacuação das famílias”, disse Nelson Ludovico, delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD) na Zambézia.

Neste momento, continua a chover e os níveis hidrométricos estão um pouco acima do nível de alerta máximo, que é de seis metros. As autoridades estão a monitorar os níveis hidrométricos para que o pior não aconteça. O delegado do INGD diz que a destruição do dique de protecção, aquando da passagem do ciclone Gombe no ano passado, traz complicações na retenção das águas do rio Licungo.

“Estamos a registar subida dos níveis hidrométricos já há dois dias, a nossa preocupação cresce, sobretudo porque a bacia tinha um dique de protecção que ajudava a minorar o impacto das águas sempre que chovesse acima do normal na nossa província. Houve destruição do dique, no decurso da passagem do ciclone Gombe, e ainda não se fez a devida reposição. Enquanto este processo não acontecer, vamos continuar a ter estes problemas com as famílias”, disse Ludovico.

Neste momento, as equipas do INGD estão no terreno a trabalhar no processo de monitoria da situação.

O balanço da época chuvosa, desde o mês de Outubro até hoje, aponta para perto de cinco mil pessoas afectadas, correspondentes a mais de mil famílias, um total de 40 feridos e 16 óbitos por descargas atmosféricas e dois por incêndios.

Falta sinalização num dos acessos da Ponte Maputo–KaTembe, na Malanga, por onde passam peões que descem de comboios ao lado da via. As pessoas que atravessam a estrada estão expostas ao risco de atropelamento. A Rede Viária de Moçambique (REVIMO) diz que deve haver uma operação conjunta com a ANE e o INATRO para evitar acidentes.

Basta um comboio apitar numa das estações que corre um grande fluxo de pessoas na estrada. Pessoas e carros partilham a via, o que coloca inúmeras vidas em risco. “Os passageiros correm porque não há sinalização de peões, nem uma sinalização visual que demonstra que há fluxo de pessoas, há uma necessidade de se fazer algo, antes que alguém seja atropelado”, disse Dalito Zimba, passageiro.

Alguns automobilistas são obrigados a partilhar a estrada e cedem para que o peão passe, mas outros nem por isso. “O comboio descarrega passageiros e nós queremos passar, então é difícil partilhar a mesma estrada com pessoas, há uma necessidade de ter uma sinalização para que se minimize o risco”, alertou Benizaldo Raiva, automobilista.

Um dos automobilistas defende que há necessidade, urgente, de sinalização, antes que o pior aconteça. “É complicado partilhar a estrada, deve-se fazer uma ponte aérea para evitar acidentes, são muitas pessoas que descem do comboio, e por vezes não temos controlo delas”, referiu Sérgio Mutemba, automobilista.

Por sua vez, a Rede Viária de Moçambique (REVIMO) entende que a solução não depende só de si, havendo necessidade de envolver a Administração Nacional de Estradas e o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO).

“Devemos juntar-nos para verificar qual é o melhor posicionamento da secção daqui da estrada, onde podemos implantar uma passadeira e uma sinalização na horizontal e outra sinalização na vertical”, advertiu o engenheiro Estalino Machoie, em representação da REVIMO.

Entidades que trabalham para reduzir a sinistralidade rodoviária, como é o caso da Associação Moçambicana Para as Vítimas de Insegurança Rodoviária, apontam para uma média de mil pessoas que morrem anualmente, vítimas de acidentes de viação.

Desconhecidos queimaram, no território sul-africano, um autocarro com passageiros a bordo, que seguia na rota Durban – Maputo. Não há, até ao momento, registo de danos humanos.

Num vídeo amador posto a circular em várias plataformas digitais é possível ver o autocarro que saiu, esta terça-feira, de Maputo com destino a Durban, no território sul-africano, com fumaça e em chamas, o que deixou assustados os passageiros.

Devido a situação a viagem teve que ser interrompida. Uma das passageiras é uma jovem negociante, que saiu ontem de Durban, numa viagem que dura, habitualmente, de 5 a 6 horas só conseguiu desembarcar na Cidade de Maputo na manhã desta quarta-feira, assustada com o que acompanhou esta segunda-feira.

“Sofremos um pouco, tivemos que voltar porque disseram-nos que havia greve, estavam a queimar machimbombo de majugar e tivemos que dormir na fronteira, dormimos na rua”.

Armando Chemane conduz um mini-autocarro e opera na rota Cidade de Maputo-Durban e vice-versa. Quando viu incendiado o autocarro, Chemane seguia com destino à Cidade de Maputo e viu-se obrigado a desviar a rota.

“Saímos ontem de Durban então quando chegamos numa zona chamada Lhilhuli paramos nas bombas a abastecer o carro, apareceu um senhor moçambicano e chegou ali a avisar que não adiantava usarmos aquela via, e, logo que tivemos essa informação viramos e procuramos alternativas”.

O impacto dessa situação não tardou, no terminal internacional da Baixa, até ao meio dia desta quarta-feira, só tinha saído um carro com poucos passageiros contra uma média diária de três carros, disse Lopes Ambrósio, Presidente das Associações de Transportadores Internacionais.

“Acaba afetando todas as rotas para a África do Sul, porque as pessoas ficam com medo. Por exemplo, hoje as pessoas estão com medo. Aqui no terminal da baixa está muito fraco, quase que não há trabalho”.

Até ao momento ainda não foi possível apurar as causas deste incidente e aguarda-se igualmente pelo pronunciamento das autoridades.

Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) foi morto por mineiros ilegais na província de Nampula. O caso deu-se na manhã de domingo, no distrito de Mogovolas, depois de a Polícia ter baleado um mineiro, numa zona de extracção de pedras semipreciosas.

O local é de difícil acesso e fica no interior do posto administrativo de Iuluti, no distrito de Mogovolas, na província de Nampula. O jornal O País levou horas para chegar ao local onde recentemente foi descoberta a existência de pedras semipreciosas e, por isso, bastante procurado por garimpeiros ilegais.

A comunidade está com medo das autoridades, mas também dos próprios mineiros e os respectivos patrões, mas os poucos que aceitaram dar algum depoimento explicaram os contornos da violência que culminou com a morte do agente da Polícia. Ele foi agredido com recurso a picaretas e acabou por perder a vida no Hospital Central de Nampula, para onde tinha sido socorrido.

Depois do incidente, foi destacado um grupo de agentes da Polícia para guarnecer o local, que, por sinal, ainda não foi concessionado a qualquer empresa de mineração.

Os funcionários do Município de Namaacha, na Província de Maputo, voltaram a paralisar actividades desde a última sexta-feira, em reivindicação dos salários atrasados há seis meses. Segundo uma carta enviada aos trabalhadores, a edilidade não pagou os ordenados por falta de cabimento orçamental.

Desesperados, mais de 20 funcionários reuniram-se, esta terça-feira, no edifício da edilidade para exigir os seus direitos. “Estamos a pedir socorro, estamos a pedir os nossos salários”, reivindicou uma funcionária.

Desde Setembro de 2022 que os funcionários não recebem os seus ordenados. Durante este período, tiveram duas reuniões com a edilidade. No primeiro encontro, o presidente do Município da Vila de Namaacha, Manuel Munguambe, teria pedido calma e paciência aos funcionários, mas não resolveu o problema.

“Tivemos um encontro com o presidente, antes do fim do ano, e disse que devíamos ter paciência. Na passada quinta-feira, voltámos a reunir-nos com ele e disse que queria dar-nos salários refentes ao pagamento de um mês e nós negamos”, relatou outra funcionária.

No dia 19 deste mês, os funcionários enviaram uma carta de pedido de esclarecimentos do atraso salarial à direcção da edilidade. A resposta saiu na última segunda-feira, através de uma nota que diz que o limite orçamental comunicado para 2022 pelo Ministério da Economia e Finanças não foi suficiente para suportar os encargos com os funcionários.

O documento revela que o município previa gastar, no ano passado, cerca de 29,8 milhões de Meticais, mas o limite orçamental que recebeu do Ministério das Finanças era de 13,9 milhões de Meticais, o que representa um défice de pouco mais de 15 milhões de Meticais.

A nota esclarece ainda que a edilidade já solicitou uma cobertura orçamental ao Ministério da Economia e Finanças, estando, até ao momento, a aguardar a resposta.

Enquanto isso, mais de 100 funcionárias continuam sem salários. Como pais e encarregados de educação, os manifestantes dizem que a situação vai condicionar o ano lectivo dos seus educandos.

“Queremos todo o nosso dinheiro, um mês de salários não seria suficiente para pagar todas as nossas contas, porque contraímos dívidas para suprir este tempo que estamos sem salários. As aulas vão iniciar, as crianças vão ter que ir sem cadernos, temos que comprar material escolar. Estamos a pedir ajuda”, exigiu um funcionário, cujas palavras foram reforçadas por um outro: “O que nós queremos é que as nossas contas fiquem satisfeitas e que possamos pagar as nossas contas”.

Mais uma vez, o jornal O País tentou ouvir a direcção do Conselho Municipal de Namaacha, mas sem sucesso.

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