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O País – A verdade como notícia

O Executivo diz que os médicos em greve não estão a cumprir os serviços mínimos, conforme estabelece a lei. Por isso, o Governo vai marcar faltas e abrir processos disciplinares contra todos os médicos que não forem trabalhar.

Mais uma vez, a greve dos médicos mereceu atenção do Conselho de Ministros. O Governo acusa os médicos que aderiram à greve de não estar a cumprir os serviços mínimos. Por isso, o Executivo já está a tomar medidas.

“A garantia dos serviços mínimos nas nossas unidades sanitárias é uma obrigação dos médicos grevistas, decorrente, principalmente, da necessidade da preservação da vida como um direito fundamental consagrado na nossa Constituição e em outros instrumentos. Nota-se, entretanto, que os grevistas não estão a garantir a provisão dos serviços médicos em certas unidades sanitárias”, disse Filimão Suazi, porta-voz do Governo.

Devido a isso, o Governo diz que “irá prosseguir a marcação de faltas, cujas consequências constam do Estatuto Geral de Funcionários do Estado e outros instrumentos. Em função da observância de determinado número de faltas, considera-se abandono de lugar, e instrução de processo disciplinar.”

Na lista de reivindicações dos médicos, o porta-voz do Governo, Filimão Suazi, reiterou que o Executivo apenas não reviu as fórmulas de cálculo dos subsídios de diuturnidade e de horas extras.
Sobre queixas de perseguição, o porta-voz do Executivo recomenda os médicos a denunciarem os casos às autoridades.

Na sessão do Conselho de Ministros, foram aprovados ainda os projectos de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento ao Terrorismo e de Prevenção, Repressão e Combate ao Terrorismo e Proliferação de Armas de Destruição em Massa. As propostas serão submetidas ao Parlamento.

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) alerta para o valor e ameaças à vida marinha em Moçambique e realizará a Conferência da Biodiversidade Marinha de 27 a 28 de Julho de 2023, no Museu do Mar, na Cidade de Maputo. Paralelamente, de 27 de Julho a 2 de Agosto, decorrerá uma exposição focada na adaptação baseada nos ecossistemas e na conservação marinha.

Segundo um comunicado de imprensa, a conferência, incluindo uma exposição acerca dos ecossistemas, procura estabelecer alianças e incentivar o diálogo sobre a conservação de habitats e espécies marinhas em Moçambique.

Esta conferência anual, a primeira a realizar-se ao longo de cinco anos, incluirá sessões de debates, conversas inspiradoras, uma exposição e uma experiência da vida marinha, num esforço de combinar ciência e cultura para elevar a consciência e o engajamento em acções de conservação da biodiversidade marinha.

O evento conta com a colaboração do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, da Wildlife Conservation Society e da Peace Parks Foundation, e recebe o apoio de várias entidades moçambicanas. O público-alvo são representantes do Governo, da sociedade civil, do sector privado, das comunidades locais e da academia, prestando particular atenção às crianças e aos jovens universitários.

A África do Sul destacou militares para garantirem a segurança de camiões em quatro províncias que fazem fronteira com Moçambique.

Em menos de 10 dias, mais de duas dezenas de camiões foram reduzidos à cinza nas estradas sul-africanas. Um fenómeno cujas causas ainda não se conseguiu explicar, embora a última actualização da Polícia tenha apontado existirem 12 suspeitos.

O Governo sul-africano assumiu tratar-se de sabotagem económica e decidiu envolver militares na garantia de segurança aos camionistas que circulam em quatro províncias que fazem fronteira com Moçambique.

Num comunicado divulgado na página de internet das Forças Armadas, lê-se que “as Forças de Defesa Nacional da África do Sul confirmam o seu destacamento em apoio ao Serviço da Polícia da África do Sul, nomeadamente em quatro províncias, Limpopo, Mpumalanga, Kwa-Zulu Natal e a Província de Free State”.

As autoridades sul-africanas não sabem se os ataques a camiões estão conectados entre si, pois ocorreram em várias partes do país. O ministro da Polícia, Bheki Cele, avançou que as operações são organizadas e sofisticadas.

O fenómeno está a gerar receio nos moçambicanos que se dedicam ao negócio de transporte de carga entre Moçambique e África do Sul, por temerem que os seus camiões sejam alvo de ataques.

Vai decorrer de 24 a 26 deste mês, na Cidade de Maputo, uma conferência sobre a educação, para traçar uma nova visão e estratégia para o Sistema Nacional de Educação com impacto na formação do capital humano e nas infra-estruturas.

A questão da educação tem sido manchada por diversos factores, como é o caso de muitos alunos continuarem a estudar ao relento e distribuição gratuita de manuais que, às vezes, aparecem com erros. O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano decidiu dar mão à palmatória e quer inverter o rumo do sector no país.

“Como dissemos, nós, os moçambicanos, estamos interessados em que tenhamos uma educação efectivamente de qualidade e é por isso que há muitas abordagens, muitos debates e nós achamos, como Governo, que, ao invés de falarmos de uma forma desorganizada, este é o momento oportuno”, disse Carmelita Namashulua, Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano.

De 24 a 26 deste mês, vai decorrer na Cidade de Maputo a Conferência Nacional sobre Educação de Qualidade em Moçambique, que terá como lema “Por uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa, em prol do desenvolvimento sustentável”.

A conferência contará com 36 comunicações versadas sobre o processo de formação. Namashulua traça as principais temáticas que vão nortear o referido evento: “Vamos falar da questão da formação do professor nas diferentes dimensões; haverá também nesta temática a questão dos recursos humanos de qualidade; vamos discutir como são feitos os currículos, os programas, os métodos e as matérias de ensino e aprendizagem; vamos falar de infra-estruturas escolares, inovação e investigação; vamos falar também da equidade, da inclusão, da cidadania, participação e relevância e também vamos ver questões ligadas à articulação nos subsistemas do sistema nacional de garantia de qualidade”.

O evento contará com 300 participantes provenientes de todas as províncias do país e espera-se a intervenção de académicos, sociedade civil, bem como parceiros do sector da educação.

Os bispos da Igreja Anglicana de Moçambique dizem que as igrejas não estão a exercer, com precisão, o seu papel, sobretudo na pregação do evangelho, de modo que os conflitos e as guerras existentes no país não encontrem espaço. Os líderes anglicanos apelam às igrejas para investirem mais na construção de vidas e mentes humanas.

A igreja tem um papel fundamental na pregação do evangelho, que preconiza a paz e a salvação de todos os seres humanos. Para tal, a mensagem deve ser pregada de modo a alcançar os corações humanos e transformar as pessoas para uma cultura de paz e de união. Entretanto, os líderes da igreja anglicana em Moçambique concluem que muitas seitas religiosas não estão a exercer com precisão o seu papel, de modo que os conflitos e as guerras existentes no país não encontrem espaço.

Os líderes da mesma igreja apontam ainda o crescimento da onda de criminalidade no país, a corrupção e os ataques armados como resultado de má gestão na difusão do evangelho. E apelam às igrejas para investirem mais na reconstrução de vidas e mentes humanas.

O bispo Paulo Sebastião secunda ainda que o trabalho das igrejas deve realizar-se junto aos fiéis e não só.

Os bispos e padres da Igreja Anglicana de Moçambique falavam, neste domingo, durante a cerimónia de ordenações e encerramento do sínodo na Diocese de Tete. O culto contou com a presença do Governador de Tete e outros membros do Conselho Executivo Provincial.

No distrito de Massinga, o jornal O País encontrou uma menina que, com passos tímidos, caminhava aliviada, depois de, com apenas 13 anos de idade, ter escapado de se juntar a um jovem de 25 anos de idade, com quem nunca teve nenhuma relação.

Em conversa com a nossa equipa de reportagem, a rapariga disse que o conhecia apenas de vista, sendo que nunca houve nenhuma relação entre os dois.

Forçada pelo pai, ela ia envolver-se prematuramente. Sem poder desobedecer ao seu progenitor, tentou ao menos negociar que não abandonasse a escola, para poder concretizar o sonho de um dia ser polícia.

Para entregar a filha, o pai da adolescente recebeu em troca 15 mil Meticais. À nossa equipa de reportagem, o homem disse que a intenção não era que a filha se envolvesse em união prematura, e afirmou que estavam apenas a fazer a “reserva” da menina, para que, depois de completar 18 anos, ela fosse viver com o seu marido.

O referido jovem, que por sinal trabalha na África do Sul, disse ao “O País” que estava disposto a suportar todas as despesas da adolescente que desejava como esposa.

A activista social Olga Macupulane, que trabalha na Associação Malhalhe, na promoção da mulher, lamenta que este não seja o único caso na província. Olga defende que a lei deve ser aplicada sem contemplações a fim de retrair estas práticas.

“Deve servir de exemplo – esta questão de prender os envolvidos – para que outras pessoas que estão envolvidas em casos similares entendam que, quando praticarem isso, irão à cadeia.”

Paralelamente à aplicação da lei, a nossa entrevistada diz que os comités locais de protecção a crianças têm um papel importante na luta contra as uniões prematuras, através da sensibilização, mobilização e monitoria de comportamentos do género nas comunidades.

“São elas que devem espalhar essa mensagem nas comunidades de modo a que todos percebam o mal que esta prática causa nas nossas meninas, porque, se formos a ver, nenhuma menina de 13 anos de idade quer ir ao lar”, finalizou Olga Macupulane.

Os pais da adolescente e do jovem que a queria como esposa estão agora detidos em Massinga e deverão responder na justiça.

O Tribunal de Brooklyn, nos Estados Unidos, negou um pedido de liberdade condicional de Manuel Chang. O ex-ministro da Finanças estava disposto a pagar uma caução de um milhão de dólares, cerca de 63 milhões de meticais. Chang também declarou-se inocente.

Manuel Chang foi ouvido esta quinta-feira neste tribunal, o mesmo em que foi julgado o executivo libanês do grupo Privinvest, Jean Boustani.

Numa audição correspondente a legalização da sua prisão, o ex-ministro moçambicano das Finanças pediu ao juiz do Tribunal Distrital de Brooklyn, em Nova Iorque, Nicholas Garaufis, liberdade condicional, mediante o pagamento de uma caução de um milhão de dólares.

No entanto, o juiz negou o pedido, concordando com os procuradores que argumentaram que há “risco de fuga e Chang poderia escapar das acusações entrando na missão moçambicana da ONU em Manhattan.

“As evidências sobre sua culpa são fortes”, disse o juiz, citado pela agência Reuters.

Os procuradores disseram durante a audição que pelo menos USD 200 milhões, dos empréstimos feitos nos bancos Credit Suisse e VTB foram desviados para vários réus e funcionários do governo moçambicano e que Manuel Chang fez, secretamente com que o governo de Moçambique garantisse os empréstimos em troca de subornos e tal actitude enganou os investidores americanos sobre a credibilidade de Moçambique.

O advogado do ex-ministro, Adam Ford, disse no tribunal que Chang garantiu os empréstimos no âmbito da sua missão profissional e não aceitou subornos.

“Ele pretende ficar aqui e lutar contra essas acusações”, disse o advogado.

A justiça norte americana acusa Manuel Chang de cometer os crimes de fraude eletrônica, fraude de valores mobiliários e lavagem de dinheiro.

A Procuradoria-Geral da República quer reforço de leis contra os crimes cibernéticos para melhor garantia da segurança cibernética no país. Paulo Cumbe, Procurador-Geral Adjunto, entende que a aprovação e a implementação das Leis de Segurança Cibernética e de Protecção de Dados vão minimizar o problema.

Nos primeiros seis meses deste ano, a Procuradoria-Geral da República instaurou 367 processos relacionados aos crimes cibernéticos, contra 293 em igual período do ano passado.

Trata-se de crimes praticados na internet, por meio de dispositivos eletrónicos como computadores e celulares, sendo que, segundo a Procuradora-Geral adjunta, Amabélia Chuquela, “os tipos legais de crime com maior enfoque no período em alusão foram as fraude relativas aos instrumentos e canais de pagamento eletrónicos, com 164 seguidos da burla informática com 90”.

Com o desenvolvimento da tecnologia, os crimes cibernéticos tendem a aumentar, o que suscita a necessidade de reforçar as medidas de prevenção.

“As fraudes onlines constituem um dos crimes cibernéticos mais comuns que acarretam elevados custos financeiros impactando no desenvolvimento económico e social dos povos. Por isso, temos que estar atentos a estes tipos de crimes cujos efeitos tem sido ampliados pelos uso massivo das tecnologias  de informação e comunicação, como são o exemplo do terrorismo, a pornografia infantil, o trafico de pessoas, drogas, burla entre outros crimes”, explicou o ministro da Ciência e Tecnologias, Daniel Nivagara.

Para a Procuradoria-Geral da República, a solução para o problema passa pela adopção de novas leis, com vista a garantir maior segurança cibernética.

Os intervenientes falavam esta sexta-feira, na Cidade de Maputo, na abertura do seminário sobre a “Cibercriminalidade”, com o objectivo de avaliar e reforçar as medidas de combate ao problema.

O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) visitou, esta sexta-feira, o Centro de Saúde de Boane, na Província de Maputo, onde garantiu apoio técnico e financeiro para a construção de um hospital com capacidade para 150 camas.

Depois de participar na conferência internacional de investimento em infra-estruturas do sector da saúde, Tedros Adhanom, director-geral da OMS, visitou o principal centro de saúde de Boane, na Província de Maputo. Trata-se de uma unidade sanitária em que são atendidas, em média diária, 80 adultos nas consultas externas e 45 crianças.

Interagindo com profissionais do sector, bem como com doentes internados em diferentes enfermarias daquela que é a principal unidade sanitária de Boane, Tedros Adhanom disse que é preciso melhorar as infra-estruturas de saúde para melhor servir as comunidades.

“Como sabe, o distrito de Boane conta com 274 mil habitantes e penso que, por essa dimensão, merece um hospital de categoria 1, um hospital com capacidade para 150 camas. Espero poder mobilizar os parceiros com vista a construção de um hospital distrital aqui. Estou aqui e estamos a ver que este é um hospital antigo. Está na hora de se construir um hospital de nível distrital aqui.”

O vice-ministro da Saúde, Ilesh Jani, que esteve junto de outros quadros da saúde a acompanhar a visita, disse que já há um trabalho avançado para a construção do Hospital Distrital de Boane, mas não avançou os montantes envolvidos assim como a data do arranque das obras.

“O Hospital Distrital de Boane é uma das infra-estruturas que está a ser negociada na nossa conferência de infra-estruturas do sector de saúde e, em breve, teremos informação precisa de quando é que esse processo se iniciará. Já há passos que foram dados na negociação, mas o anúncio será feito oportunamente.”

A malária, doenças respiratórias e de transmissão sexual são algumas das mais preocupantes no Centro de Saúde de Boane.

No Inverno, são realizados na unidade sanitária dois a cinco partos por dia e, no Verão, o número sobe para 10 partos por dia.

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