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O País – A verdade como notícia

Partidos irmãos reafirmam apoio e cooperação com a FRELIMO

O Presidente da FRELIMO, Daniel Chapo, reuniu-se, em Chimoio, com representantes de partidos políticos considerados irmãos da formação política no poder em Moçambique, à margem da Reunião Nacional de Quadros da FRELIMO. O encontro contou com a participação de dirigentes do Chama Chama Pinduzi, da Tanzânia, SWAPO, da Namíbia, ZANU-PF,

Os últimos dias foram férteis para denúncia de alegadas irregularidades no processo de recenseamento eleitoral, com enfoque para eleitores migrantes, situação de pessoas que recebem cartões à calada da noite, entre outras queixas dos partidos da oposição. O presidente da Renamo, Ossufo Momade, quebrou, na quarta-feira, o silêncio e instou a Procuradoria da República a agir de forma firme em defesa do Estado moçambicano face às alegadas irregularidades que estão a ocorrer no processo de recenseamento eleitoral.

Momade recordou que foi por situações idênticas e tantas outras que perigam a democracia que o maior partido da oposição recorreu às armas para protestar contra aquilo que chamou de manipulação do processo em curso pelo partido no poder. Ossufo Momade foi mais longe, ao afirmar que “não somos pela guerra, mas, se for pela defesa do interesse do povo, não temos medo”.

O líder da Renamo frisou que “o regime da Frelimo nunca quis alternância governativa”. Para Momade, “com a amputação multipartidária, o exercício do direito e liberdade dos cidadãos fica em causa. E, sistematicamente, manipulam os cidadãos. É nesta senda em que surgiu o conflito político recém-terminado que forçou Afonso Dhlakama a refugiar-se nas matas de Gorongosa. Não nascemos para fazer guerra. Mas, quando for necessário, em defesa dos superiores interesses do Estado e do povo moçambicano, não temos medo da guerra”, advertiu.

Pede, por isso, uma intervenção da guardiã da legalidade no país, neste caso a Procuradoria-Geral da República. “As irregularidades que estão a acontecer no processo eleitoral devem merecer responsabilização criminal dos seus autores. Por isso, instamos a PGR a intervir em defesa do Estado moçambicano”, apelou o líder da perdiz. Ossufo Momade lamentou ainda o suposto silêncio da sociedade civil e de confissões religiosas.

O presidente da Renamo espera destes actores um maior envolvimento e fiscalização do processo. “A sociedade civil, os cidadãos e as confissões religiosas devem travar a ditadura que mata o bem comum. Estranhamos o silêncio das forças vivas da sociedade perante as graves irregularidades que são diariamente reportadas no país.”

O líder da Renamo, Ossufo Momade, que falava em Magundi, terra natal de Afonso Dhlakama, antigo presidente deste partido, durante a celebração de cinco anos após a sua morte, criticou ainda os resultados apresentados pela Comissão de Reflexão sobre as Eleições Distritais. “Então, sem surpresas, o partido no poder pretende a todo o custo colocar em causa a Constituição da República para inviabilizar as eleições distritais por medo de uma derrota vergonhosa.”

“Em relação aos cinco anos sem Afonso Dhlakama, Momade reconheceu o contributo do mesmo, de André Matsangaissa e todos os combatentes da Renamo na construção de um país democrático.É um momento importante para reconhecer e homenagear essas figuras que nunca morrem.”

As cerimónias alusivas aos cincos anos sem Afonso Dhlakama contaram com a participação de membros, simpatizantes e familiares, tendo sido marcadas por dois momentos, nomeadamente deposição da coroa de flores na campa do malogrado e uma missa.

QUADROS DA RENAMO APELAM AO DIÁLOGO

A passagem dos cincos anos sem Afonso Macacho Marceta Dhlakama é marcada por momentos conturbados no maior partido da oposição em Moçambique com combatentes, liderados pelo antigo chefe do Estado-maior, que durante décadas foi homem de confiança de Dhlakama, se opõem à liderança do Ossufo Momade.

Os mesmos dizem que não reconhecem Ossufo Momade como presidente. Entretanto, alguns quadros da Renamo ouvidos pelo “O País” consideram que o posicionamento de alguns combatentes é resultado de uma fraca comunicação entre as lideranças do partido e os membros da base a vários níveis.

“Como partido político, como família, devemos saber que situações destas ocorrem. Cabe a nós resolvermos. Não temos que procurar culpados. O que temos que fazer é procurar soluções”, disse, convicto, André Magibire, antigo secretário-geral da Renamo.

Quem também advoga o diálogo é Manuel Bissopo, figura que também ocupou o cargo de secretário-geral da Renamo. “Isto resulta da falta de comunicação. Tem que haver uma solução. Precisamos de promover o entendimento”, apelou.

Por sua vez, Ivone Soares disse que, “quando os membros do partido se pronunciam nestes termos, temos que procurar saber o que está a acontecer. Isso tem que ser por via do diálogo. Temos que ouvir o seu sentimento”.

Entretanto, Thimosse Maquinze, que esteve presente nas cerimónias e até chegou a ser saudado pelo líder da Renamo, afirmou que o posicionamento dos combatentes se mantém, ou seja, não reconhecem o actual presidente do partido. Afirmou ainda que não houve nenhum diálogo com a liderança do partido.

“Reiteramos que Ossufo Momade deixou de ser presidente no passado dia 15 de Abril. Sobre as viagens que ele continua a fazer como líder do partido, está a violar a decisão que já tomámos. Ele já não é presidente. A Renamo está sem presidente. Continuamos em contactos para a realização de um congresso extraordinário para a eleição do novo presidente”, garantiu.

O “País” sabe que a Renamo deverá reunir-se brevemente em Conselho Nacional e um dos pontos de agenda que será debatido é o descontentamento de alguns membros do partido.

O Primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, foi recebido, hoje, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, no seu gabinete de trabalho no decurso do périplo de seis dias que o levou a quatro países africanos. Moçambique foi o último país visitado pelo governante nipónico, tendo na Presidência da República mantido um encontro tete-à-tete com Filipe Nyusi, encontro que mais tarde foi alargado às delegações ministeriais dos dois governos.

No final dos encontros, os dois governantes fizeram uma declaração à imprensa, durante a qual Fumio Kishida revelou que o seu país está interessado em financiar o combate ao terrorismo em Cabo Delgado, porque acredita que tal vai permitir que as empresas japonesas que fazem parte dos consórcios que exploram o gás natural na bacia do Rovuma possam operar num ambiente de total segurança.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, por seu lado, assim como o Primeiro-ministro do Japão, defenderam a necessidade de expansão do investimento privado japonês em “áreas estruturantes” da economia, tendo em vista resultados concretos na cooperação bilateral. “Continuamos a convencer o sector privado japonês para investir em projectos estruturantes”, disse Nyusi.

O Presidente moçambicano avançou que gostaria de ver o empresariado nipónico envolvido na exploração de oportunidades de investimento nos transportes, agricultura, indústria e turismo, pelo potencial destas áreas de criar desenvolvimento e emprego.

Nyusi apontou ainda a importância da presença de capital japonês nos projectos de gás da Bacia do Rovuma, onde o país está presente através da Mitsui no consórcio liderado pela empresa francesa TotalEnergies, com uma participação de 20%.

Referiu igualmente o financiamento do país asiático ao projecto de reabilitação do Porto de Nacala, Norte de Moçambique, e de uma central termoeléctrica a gás na Cidade de Maputo: Ficou evidente que o Japão é de facto um importante parceiro de Moçambique”

Além da área económica, Filipe Nyusi destacou o papel do Governo nipónico no apoio aos sectores sociais, com destaque para saúde, educação e formação técnico-profissional.

Já o Primeiro-ministro do Japão defendeu a intensificação do investimento privado do seu país em Moçambique, vincando a importância de se obter resultados concretos. “O Japão continuará a apoiar o sector privado para a exploração de oportunidades concretas de negócios existentes em Moçambique”, realçou Fumio Kishida.

“Além das áreas tradicionais de cooperação bilateral, como o sector energético, Tóquio acordou com Moçambique a formação de quadros do país africano na gestão da sustentabilidade da dívida, fornecimento de equipamentos agrícolas e produção agroalimentar”, acrescentou.

“Fiquei impressionado com o alto interesse do sector privado do Japão pelas oportunidades de negócios existentes em Moçambique”, destacou Fumio Kishida.

Maputo foi a última etapa de um périplo que levou o Primeiro-ministro do Japão a quatro países africanos, nomeadamente, Egipto, Gana, Quénia e Moçambique, com três objectivos na agenda, segundo explicou na conferência de imprensa que concedeu no fim da visita.

O primeiro objectivo prende-se com a necessidade de ouvir o ponto de vista africano sobre o papel que o Japão deve desempenhar durante a sua presidência do Grupo das Sete maiores economias do mundo; o segundo visava avaliar a implementação das decisões que saíram da oitava Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento de África de Tóquio (TICAD – sigla em inglês) que determina que o Japão deve crescer junto à África e que decidiu disponibilizar mais de 30 mil milhões de dólares para o financiamento no continente.

E o terceiro ponto na agenda era coordenar com os países africanos a estabilização da situação militar e política no Sudão. Durante a conferência de imprensa, anunciou o envio de apoio humanitário para o Sudão. Depois da reunião em Maputo, Fumio Kishida seguiu viagem com destino a Singapura, onde vai manter, amanhã, uma cimeira com o Primeiro-ministro daquele país asíatico.

O académico Lourenço do Rosário diz que há cinco anos que Moçambique não tem uma liderança de peso na oposição, depois da morte de Afonso Dhlakama. Já Dom Dinis Sengulane destaca o carisma e a influência que o líder da perdiz tinha na oposição.

Passaram, ontem, cinco anos depois que o antigo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu vítima de doença. Para Lourenço do Rosário, que, vezes sem conta, teve de interagir com o malogrado para aproximar as partes com o Governo, o país está há cinco anos com uma fraqueza na liderança da oposição.

Do Rosário tem uma “sensação de que não há oposição”, que, para si, se justifica pelo facto de que “não existe uma figura, que não seja do poder, e que seja um líder político, que pensa diferente”. É uma percepção sobre a qual “ninguém, na oposição, tem carisma suficiente para dizer as coisas com peso”. Está tão certo que afirma que “ninguém” o pode “convencer disso, neste momento”.

Carisma é também destacada por Dom Dinis Sengulane, que busca, do passado, o poder que Dhlakama mostrou ter aquando da assinatura do Acordo Geral de Paz. É que “estávamos em guerra e, 24 horas depois do cessar fogo, os dois líderes tinham conseguido silenciar as armas, o que mostra o poder de influenciar”, disse Dom Dinis Sengulane.

DHLAKAMA ALERTOU SOBRE A NECESSIDADE DE SE TER UM SUCESSOR

Na última vez que Afonso Dhlakama orientou uma reunião da Comissão Política Nacional da Renamo lançou um alerta. Foi em Setembro de 2017 e a reunião alargou-se a outros quadros do partido.

O alerta foi: “não vejam Dhlakama como pedra e dizerem que têm um bom presidente e que puxa o partido. E se eu morrer hoje?”

Não morreu em Setembro de 2017, mas isso veio a acontecer cerca de oito meses depois, a 03 de Maio de 2018, ou seja, há exactos cinco anos. Foi-se o interlocutor de Joaquim Chissano, nas negociações de Roma, o interlocutor de Armando Guebuza no acordo de cessação das hostilidades em 2014 e de Filipe Nyusi nas matas da Gorongosa, nas negociações que culminaram com o Acordo de Paz Definitiva de Maputo.

Um homem que, embora usasse armas para mostrar insatisfação, sabia que, por exemplo, a solução para os conflitos pós-eleitorais no país estava num e único procedimento: o diálogo, que, segundo ele mesmo, não devia ter “prazo, devia-se sentar sempre que houvesse algo de errado; mas, para eliminar de uma vez por todas, é preciso entendermos as razões de fundo”.

Nas vezes que a fórmula funcionou, Afonso Dhlakama arriscava até alguns passos nos seus comícios quase sempre cheios e, até, contava, com algum humor, as peripécias dos embates entre a Renamo e as Forças governamentais. “Nós disparávamos um tiro em Morrumbala e as FPLM saíam a fugir e nós ficávamos cinco meses a carregar armas”.

Até carregavam as armas, mas ele era claro em dizer que não era isso o que queria. “O que eu quero é andar com a minha mulher com segurança, por saber que alguns dos nossos estão no topo das Forças”.

Esse não era um posicionamento que ele deixava apenas consigo, fazia questão de partilhar com quem se aproximasse, tal como fez com o Professor Doutor Lourenço do Rosário, que revelou ao “O País” que “a partilha do poder era uma das formas de garantir a pacificação deste país”.

Lourenço do Rosário foi, por várias vezes, mediador entre o Governo e a Renamo. Nessa qualidade, conheceu como poucos a figura de Afonso Dhlakama. “Afonso Dhlakama falava comigo em Sena, isso revelava a nossa cumplicidade”.

Uma cumplicidade que fez com que fosse a Lourenço do Rosário que a Renamo entregou as armas depois que, em 2015, a casa do líder da Perdiz foi cercada por forças governamentais, alegadamente para buscar equipamento bélico perdido num ataque anterior feito contra Dhlakama. Nessa altura, Dhlakama preferiu entregar as armas aos mediadores.

Foi Lourenço do Rosário quem fez chegar o armamento ao Governo, num episódio que o marcou de forma negativa. Do Rosário diz-se ter sentido “traído e que, diante das pessoas”, acabaram por ser eles os traidores, já que tinham sido os mediadores que foram buscar Afonso Dhlakama das matas no dia anterior.

Essa é a memória que, também, não sai da cabeça de Dom Dinis Sengulane, outro mediador dos diálogos entre o Governo e a Renamo. “Foi um episódio muito perigoso para todos. Precisámos de negociar com ele para que ele não fizesse o que queria mandar fazer”.

Na altura, Dhlakama tinha revelado o que queria mandar fazer: “Queria mandar destruir tudo, mas o meu espírito cristão desceu e eu fiquei calmo”.

Por falar em espírito cristão, do fundo das memórias do Bispo Dom Dinis surge um episódio em que foi usado o livro bíblico de São Mateus 5- versículo 7 para apelar à paz. Uma mensagem que ele aceitou “e pediu que a levássemos ao Presidente da República”.

E levou-se a mensagem a Joaquim Chissano. Daí foram tratados os passos subsequentes para que o Acordo Geral de Paz tivesse lugar em 1992. Desde então, dedicou-se à política activa.

O Presidente da Frelimo diz que o Governo mantém em aberto a reflexão sobre a realização das eleições distritais de 2024, apesar de a CRED ter concluído que o país não está preparado para o escrutínio. Filipe Nyusi revelou, também, que as Forças de Defesa e Segurança desactivaram e tomaram, semana passada, uma base dos terroristas em Cabo Delgado.

O Presidente da Frelimo esteve, esta quarta-feira, na Escola Central do partido, na cidade da Matola, onde fez a abertura da segunda sessão ordinária do Conselho Nacional da Organização da Juventude Moçambicana (OJM).

Na sua intervenção, Filipe Nyusi deu a conhecer o posicionamento do Governo sobre as eleições distritais, apesar de a Comissão de Reflexão já ter dito “não” à realização do escrutínio em 2024.

“Nós, como Governo, continuamos a deixar a reflexão a toda a sociedade. Vocês são sociedade (OJM), não são proibidos de reflectir da vossa forma como os outros estão a reflectir. Continuamos e, quando chegar a altura, o órgão legislativo vai decidir como é que se quer. Não queremos influenciar nenhuma opinião”, referiu o Presidente da Frelimo, Filipe Nyusi.

Sobre as eleições distritais, a Organização da Juventude Moçambicana aplaudiu a recomendação da Comissão de Reflexão.

“O que nós, a OJM, queremos é que as chamadas eleições distritais não sejam realizadas, pois está claro que o país não está em condições financeiras nem estruturais para poder realizar as devidas eleições. Assim, apelamos a todas as forças vivas da sociedade para juntos alinharmos no consenso por não realização das eleições distritais”, defendeu Silva Livone, secretário-geral da OJM.

Ainda na abertura do evento, Filipe Nyusi revelou que as Forças de Defesa e Segurança têm tido êxito na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado. “Exaltamos a bravura coragem e espírito patriótico dos jovens das Forças de Defesa e Segurança que, dia e noite, debaixo do sol e da chuva, combatem grupos terroristas na província de Cabo Delgado”, elogiou Filipe Nyusi, sublinhando que a maior parte dos membros do exército moçambicano e da força policial são jovens “e não são jovens choramingões, mas são jovens com missões”.

E é graças às batalhas bem-sucedidas que, segundo o secretário-geral da Frelimo, a vida tende a voltar à normalidade nas zonas recuperadas.

O Presidente do partido no poder não ficou alheio ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, tendo sublinhado que os profissionais da comunicação social devem exercer o seu trabalho livre interferências governamentais.

A segunda sessão do Conselho Nacional da OJM debate, entre os vários assuntos, a ética e disciplina partidária, as propostas do Plano Quinquenal 2022–2027 e de actividades e orçamento do braço juvenil da Frelimo referente ao ano de 2023.

A Constituição da República poderá mesmo ser revista para que se adie a realização das eleições distritais em 2024. Sucede que a bancada da Frelimo submeteu, hoje, ao Parlamento o projecto de revisão pontual da Lei Mãe.

Quase uma semana depois de a Comissão de Reflexão sobre a viabilidade das Eleições Distritais ter dito, no seu relatório, que não há condições para este escrutínio em 2024, a bancada maioritária no Parlamento decidiu, hoje, propor que a Constituição da República seja pontualmente revista.

E o caminho está livre para o efeito, até porque os cinco anos necessários para que a Lei Mãe seja revista já terão passado até Junho. Nesse período, o Presidente da República ainda terá alguma margem para convocar as eleições, depois de o mesmo Parlamento, apenas com o voto da bancada da Frelimo, ter reduzido o tempo de antecedência com que se deve marcar o dia da votação.

“Um grupo de deputados, acima de um terço, suportados maioritariamente por membros da bancada da Frelimo, submeteu a proposta de revisão pontual da Constituição da República, concretamente para a revisão do número 3 do artigo 311 que fixa a realização das eleições distritais para 2024, passando este a ter uma redacção diferente que fixa que as eleições devem ser realizadas quando as condições estiverem efectivamente criadas porque este debate continua”, disse Feliz Silva, porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo.

A perspectiva da bancada da Frelimo é a de que se realizem as eleições distritais numa outra ocasião, que não seja no próximo ano. A revisão pontual visa, segundo assegura Feliz Silva, só retirar o ano da realização das eleições, que está previsto no número 3 do artigo 311 da Constituição da República.

“A revisão desta lei não só visa beneficiar os partidos políticos, como também toda a população. Quando auscultada pela comissão, a população disse claramente que não reunimos condições em vários aspectos, por isso achamos que vale a pena aprimorar.”

A decisão de realizar as primeiras eleições distritais em 2024 surge de um acordo havido entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama, no âmbito da descentralização do poder.

O Primeiro-Ministro japonês, Fumio Kushida, realiza hoje uma visita oficial de trabalho de dois dias a Moçambique.

O líder japonês, de acordo com o comunicado da Presidência da República, vai reunir-se em Maputo com o Presidente Filipe Nyusi, com o objectivo de estreitar as relações de amizade e cooperação bilateral existentes entre Moçambique e Japão.

A visita do Primeiro-Ministro do Japão ocorre no âmbito do périplo do governante japonês por quatro países africanos, nomeadamente, Egipto, Moçambique, Gana e Quénia.

No domingo, Kishida reuniu-se com o Presidente egípcio Abdel Fattah al Sisi e seguiu, na segunda-feira, para o Gana, onde participou numa cimeira com o Presidente Nana Akufo-Addo.

Esta terça-feira, Kishida deslocou-se a Nairóbi para um encontro com o Presidente queniano William Ruto e hoje o líder japonês reúne-se em Maputo com o Presidente Filipe Nyusi.

Esta é a primeira viagem a África de um chefe do Executivo japonês desde 2014 e acontece um mês antes da reunião do grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7) na cidade de Hiroshima, no Sul do Japão.

Os maiores partidos da oposição no país –  Renamo e MDM – assinaram um acordo para fiscalizar o recenseamento eleitoral que decorre no país. Segundo os dois partidos, a medida visa a partilha de dados colectados no decurso do processo.

As denúncias sobre irregularidades no processo de recenseamento eleitoral já soam alto. Os dois principais partidos da oposição decidiram reunir as forças para fiscalizar o processo e partilhar as ocorrências.

De acordo com a Renamo, a medida vai permitir a partilha dos registos colectados na abertura e fecho diário de cada posto ao longo de todo o recenseamento eleitoral.

Em entrevista exclusiva ao “O País”, o director do Gabinete Central de Eleições na Renamo, José Mazuane, os partidos poderão fazer a partilha de registos de ocorrências relevantes para avaliação da fiabilidade e transparência do recenseamento eleitoral.

“Vamos trabalhar em conjunto na elaboração de recursos quando houver necessidade para tal”, avançou José Mazuane.

Faz ainda parte das medidas a planificação conjunta na alocação de fiscais e de supervisores. O MDM, através do seu porta-voz, Ismael Nhacucue, disse que a medida vai compensar casos em que se verifique lacuna na representação de um partido.

“Isso vai permitir que nós tracemos estratégias mais concretas porque estamos a perceber as diversas irregularidades que acontecem no terreno. Nos próximos dias, eventualmente, vamos trazer mais dados sobre as tentativas de fraude, vamos galvanizar o povo moçambicano”, disse Ismael Nhacucue.

Os dois partidos poderão ainda partilhar dados na elaboração dos relatórios no fim do recenseamento eleitoral para a determinação dos resultados agregados do número de eleitores de cada região.

O porta-voz da CNE diz que só tomou conhecimento do suposto caso de violação da lei eleitoral na Zambézia – denunciado este sábado pelo vice-presidente do órgão, Fernando Mazanga – através das redes sociais. Paulo Cuinica diz ainda que uma equipa composta por membros da CNE e do STAE já estão no local para a devida investigação.

Reagindo aos pronunciamentos do vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), este sábado, Paulo Cuinica disse que as denúncias de Fernando Mazanga surpreenderam o órgão, que só tomou conhecimento das alegadas irregularidades na Zambézia através das redes sociais.

“São declarações que nos surpreendem a todos, quanto nos surpreenderam, também, as imagens que circularam nas redes sociais, dando conta de alguns acontecimentos na Zambézia, concretamente em Mocuba”, afirmou Paulo Cuinica, porta-voz da CNE.

Cuinica disse ainda que a CNE enviou equipa multissectorial, composta por membros da Comissão Provincial de Eleições e do STAE, para investigar o caso.

“De imediato, ontem,seguiu uma equipa para Mocuba, de nível provincial, para averiguar o que está por detrás das imagens que foram bastante partilhadas nas redes sociais. Depois de concluído este trabalho, veremos quais são as medidas a adoptar para que isso não volte a acontecer”, explicou.

Em relação às queixas de morosidade no recenseamento, Paulo Cuinica diz que o problema faz parte da fase de adaptação dos técnicos.

“Sabemos de casos de filas enormes. As pessoas ainda estão a familiarizar-se com o equipamento. Ainda há algumas dificuldades aqui e ali. Todos esses casos vão sendo arrolados e estão a ser corrigidos.”

O porta-voz explicou ainda que serão enviadas outras equipas para os locais onde há também relatos de irregularidades no recenseamento eleitoral, para evitar sobressaltos durante o processo.

O vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições, Fernando Mazanga, diz que há pessoas com interesses obscuros no órgão, que criam obstáculos para que as pessoas não se recenseiem. Mazanga exige que o director-geral do STAE tome uma medida que impeça o que chama de violação da lei eleitoral.

À medida que o recenseamento eleitoral avança, as reclamações por parte dos partidos da oposição sobem de tom.

E, ao nono dia após o arranque do recenseamento eleitoral, as queixas vêm de um dos responsáveis pelo processo e que ocupa um lugar de relevo na Comissão Nacional de Eleições.

Fernando Mazanga avança que todo o processo actual de recenseamento foi ensaiado a detalhe. Foram formadas as pessoas, testadas as máquinas e tudo respondia às necessidades do processo.

“Fizemos o recenseamento piloto em três províncias, nomeadamente Cabo Delgado, Maputo província e Manica. Conseguimos verificar que, de facto, as máquinas estavam em boas condições, mas quando já estamos a entrar em fase de recenseamento em si, estamos a notar elementos que são contrários aos nossos princípios e inicial constatação. Investigados os assuntos, fomos verificar que o problema não está na acção das máquinas, mas sim na acção do homem, que interfere negativamente e seguindo agendas obscuras e fora do desiderato do CNE”, explicou.

Em declarações à imprensa, no sábado, o vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições disse haver violação da lei eleitoral e, sem apontar nomes, acusou alguns membros do órgão de que faz parte e do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral.

“Em investigações, descobrimos que, em Quelimane, um técnico do STAE anda a desmontar brigadistas que se encontram a fazer recenseamento, alegadamente porque não são hábeis. Fomos constatar que há realização de recenseamento fora dos locais aprovados pela CNE”, este último facto deu-se em Gurúè, onde uma impressora foi levada para proceder às impressões num armazém, sem autorização das autoridades.

As irregularidades a que a Renamo se refere no processo, segundo explicou, são propositadas, com o objectivo de desencorajar as pessoas de se recensearem.

“Na CNE, não há ambiente para garantir eleições livres, justas e transparentes, devido à acção de um grupo restrito de pessoas, minoritário, que está na instituição a criar obstáculos”, afirmou Mazanga.

A Renamo acredita, também, que as anomalias de que se queixa são provocadas por forças partidárias que não têm a capacidade de atingir, de forma legal, resultados positivos nas eleições autárquicas, marcadas para 11 de Outubro próximo.

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