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O País – A verdade como notícia

Hélder Mendonça questiona liderança de Forquilha e admite assumir PODEMOS

Hélder Mendonça alerta que, se Albino Forquilha se mantiver na gestão do partido, o PODEMOS não vai conseguir eleger nenhum deputado nas próximas eleições. Mendonça acusa a direcção de limitar a democracia interna, aponta situações que considera nepotismo e admite aceitar uma eventual indicação para liderar a formação política. O

Um acórdão do Conselho Constitucional deu 10 dias ao partido Revolução Democrática para retirar da sua bandeira símbolos ligados à Renamo, justificando que os mesmos podem confundir os eleitores. Entretanto, o partido notificado entende que a decisão é política, para acomodar os interesses da perdiz.

Da bandeira do partido Revolução Democrática, mais conhecido por RD, constam as fotografias de Afonso Dhlakama e de André Matsangaíssa, co-fundadores e antigos líderes da perdiz, já falecidos.

A RD é um dos partidos que irá concorrer nas próximas eleições autárquicas e já se inscreveu nos órgãos eleitorais. Contudo, logo após a sua fundação, a Renamo manifestou-se preocupada com os símbolos deste partido e todos os contactos junto à RD, que tinha como objectivo persuadir a retirada da bandeira dos líderes históricos da perdiz, não tiveram o sucesso desejado, e a perdiz recorreu aos órgãos de justiça.

No passado dia 3 deste mês, o Conselho Constitucional, através do acórdão número 10/CC/2023 acórdão, argumentou que a utilização, pelo partido RD, das imagens dos antigos líderes pode confundir o eleitorado que poderá facilmente ser levado a votar na candidatura da RD, quando, na verdade, pretendia votar na lista da Renamo.

Face a isso, o CC determinou que o partido RD altere o seu símbolo eleitoral, no prazo de 10 dias, a contar da data da notificação do referido acórdão.

Entretanto, o partido notificado, através do seu presidente e numa conferência de imprensa, alegou, recentemente, na cidade da Beira, que o acórdão é fruto de uma orientação política.

“Não temos dúvidas! É um comando político que surge de um pacto entre a Frelimo e a Renamo, para nos prejudicar. Mas nós não temos medo nem estamos preocupados, porque não são os símbolos em causa que irão pôr em causa os nossos ideais e dos nossos seguidores. Mesmo colocando uma caneta ou um gato na nossa bandeira, todos sabem que nós somos filhos de Dhlakama e que os antigos guerrilheiros, especialmente os marginalizados, estão connosco”, indicou Vitano Singano, presidente do RD.

Refira-se que o partido RD foi fundado por uma parte dos guerrilheiros da Renamo que não se identificam com a actual liderança da perdiz.

Moçambique e Quénia querem explorar ainda mais as oportunidades de negócios que existem nos dois países. Os quenianos, por exemplo, gostariam de usar as terras moçambicanas para produzir comida para o continente inteiro.

Os ministros dos negócios estrangeiros de Moçambique e Quénia mantiveram, ontem, um encontro no contexto da preparação da visita do Presidente queniano a Moçambique, que começa hoje.

No mesmo contexto, juntaram-se delegações dos dois países numa comissão mista. É a segunda vez que uma comissão mista de Moçambique e Quénia se reúne. A primeira foi há mais de 10 anos em Nairobi, capital queniana.

Nesta, fez-se a avaliação da implementação dos acordos da primeira reunião. São dois países que têm relações comerciais muito baixas, mas entendem que poderiam ser mais. “Entendemos que os dois países têm muitas potencialidades por explorar, exortamos as equipas das duas delegações que façam de tudo para que exploremos essas potencialidades”, expressou Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.

Já o homólogo queniano diz que essa exploração de potencialidades deve ser feita num nível maior, envolvendo princípios maiores do que financeiros. “Precisamos de reavivar o pan-africanismo. Sabem que somos um continente de 1,4 mil milhões de pessoas. Isso significa um enorme mercado e muito dinheiro.

Há pessoas que vêm fazer dinheiro em África e, nós, africanos, não fazemos isso no nosso próprio continente”, disse Afred Mutua, ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia.

Novas minutas foram assinadas. Com elas, ficam criadas as bases para novos acordos entre os dois países, principalmente no contexto da visita presidencial que inicia esta quinta-feira. Estas duas delegações fizeram trabalhos mais técnicos e partilharam informações sobre as potencialidades. “Fomos também informados de que têm larga potencialidade para agricultura e os quenianos são muito empreendedores e gostaríamos de ver como podemos colaborar e produzir comida, não só para Moçambique, mas para África”, realçou Mutua.

Para a chefe da delegação de Moçambique, há uma outra ilação importante a tirar: “Temos de aumentar o nível de implementação dos acordos da primeira comissão mista”.

O encontro contou com a presença de altos funcionários dos ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países.

Um ano depois da aprovação da polémica lei que criminaliza a partilha de informações relativas a actos terroristas, sendo estas falsas ou deturpadas, os deputados da Assembleia da República voltam a mexer na lei.

Trata-se da Lei n.º 13/2022 , de 8 de Julho, que estabelece o regime jurídico de prevenção, repreensão e combate ao terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa, que foi aprovada apenas com votos a favor da bancada da Frelimo, uma vez que a oposição considerava haver, na lei, intensão de coartar a liberdade de expressão dos cidadãos.

Sucede que, o ponto 2 do artigo 20 da lei em questão, diz que “aquele que, sendo moçambicano, estrangeiro ou apátrida, residindo ou encontrando-se em Moçambique, fizer ou reproduzir publicamente afirmações relativas a actos terroristas, que sabe serem falsas ou grosseiramente deformadas, com intensão de criar pânico, distúrbio, insegurança, desordem pública é punido com penas de 2 a 8 anos de prisão”.

Este pode ser um dos pontos de discórdia nesta sessão de abertura da sexta sessão extraordinária da Assembleia da República, que decorre esta quinta e sexta-feira.

 

A Presidente da Assembleia da República (PAR), Esperança Laurinda Francisco Nhiuane Bias, reiterou, esta quarta-feira, em Maputo, o compromisso dos parlamentares moçambicanos, em tudo fazer para que as raparigas moçambicanas tenham um futuro mais promissor e fora das uniões prematuras.

Falando na Sessão de abertura da Conferência dos Parlamentares da SADC sobre a implementação da legislação atinente à prevenção e ao combate às uniões prematuras, Bias disse que as uniões prematuras são uma forma condenável de violação dos direitos sexuais e reprodutivo e constituem um abuso sexual contra a rapariga.

“As crianças vítimas desta prática correm sérios riscos de vida, pois ficam grávidas antes do seu organismo estar devidamente desenvolvido; correm maior risco de complicações durante a gravidez, para além de lesões físicas e emocionais ou mesmo morte durante o parto”, disse a PAR, acrescentando que Moçambique tem estado a registar progressos na protecção da criança, contudo continua a registar índices elevados de uniões prematuras.

Para fazer face a esta problemática que ainda é visível em diversos países da região austral de África e não só, a PAR explicou que Moçambique aprovou uma série de legislação com enfoque para a Lei Contra Uniões Prematuras, bem como a Estratégia Nacional de Prevenção e Combate aos Casamentos Prematuros.

“Apesar da legislação e políticas adoptadas, visando a protecção das nossas crianças e combater as uniões prematuras, continuamos a enfrentar vários desafios que exigem de todos nós redobrados esforços”, disse a PAR, indicando como alguns dos desafios do desconhecimento da existência da lei que pune a prática de uniões prematuras, as questões culturais e o encobrimento do crime por parte das comunidades.

Neste contexto, a PAR exortou os diversos segmentos sociais, em particular as autoridades locais, a sociedade civil e as organizações religiosas a redobrarem esforços na divulgação da lei e na sensibilização das comunidades visando o combate a este mal.

Falando sobre a conferência dos parlamentares da SADC, a PAR disse ser sua expectativa que os parlamentares da região façam uma avaliação do grau da implementação e da eficácia da legislação relativa ao combate, prevenção e erradicação da violência sexual contra menores e combate às uniões prematuras nos nossos países.

“Esperamos, sim, que esta conferência produza deliberações que fortaleçam as normas sociais, atitudes comportamentais favoráveis em relação às crianças”, sublinhou a PAR

Por sua vez, o representante da Plan Internacional, Gerald Magashi, sublinhou que, apesar de se registar resultados encorajadores na aplicação da lei contra uniões prematuras, desafios permanecem, como são o encaminhamento das raparigas após a dissolução das uniões prematuras, bem como a sua assistência.

“Por isso, muito ainda precisa de ser feito para garantir a sustentabilidade nas dissoluções, uma vez que algumas raparigas se envolvem em uniões prematuras por vontade própria, como mecanismo de fugir da pobreza, o que aumenta o risco de se envolverem numa união prematura como solução para a sua vulnerabilidade”, disse Magashi.

Para Magashi em Moçambique, 48 por cento das raparigas são forçadas a uma união prematura antes dos 18 anos e 14 por cento antes dos 15 anos, fazendo com que o país ocupe o 10º lugar no mundo 7º em toda a África e 2º na Região Austral de África, com maior índice de uniões prematuras.

Sublinha que, “a par das uniões prematuras, temos gravidezes precoces que têm contribuído para o aumento da taxa de mortalidade materna no país, onde 11 mulheres perdem a vida, por dia, devido a complicações de gravidez e parto, sendo que 20 por cento desses óbitos acontecem em adolescentes e jovens, bem como a desistência que prejudica o futuro das raparigas e das comunidades”.

A conferência dos parlamentares da SADC sobre a implementação da legislação atinente à prevenção e combate as uniões prematuras é organizado pela AR em coordenação com a Rede da Sociedade Civil para os Direitos da Criança (ROSC) e o Movimento de Divulgação da Lei da Prevenção e Combate às Uniões Prematuras.

A conferência tem como objectivo reflectir sobre o estágio da criação do quadro legal de cada Estado-membro para a implementação das recomendações da lei-modelo da SADC e trocar experiência sobre abordagem, programas e estratégias inovadoras de prevenção e combate às uniões prematuras, particularmente as baseadas nas leis específicas de cada país, privilegiando as boas práticas e partilha dos desafios e perspectivas.

Para o efeito, vários temas foram arrolados para serem discutidos em dois dias do evento, com destaque para a apresentação de estudos sobre a implementação da lei modelo da SADC nos Estados-membros; reflexões sobre a implementação da lei-modelo da SADC pelos parlamentares no que concerne aos avanços, desafios e boas práticas, bem como experiência do Governo e da sociedade civil na divulgação da lei de prevenção e combate às uniões prematuras.

Moçambique e a República Checa analisaram, durante a visita de Filipe Nyusi àquele país, a necessidade de maior cooperação na agricultura, industrialização, turismo e infra-estruturas. O Chefe do Estado moçambicano voltou, hoje, ao país e fez um balanço positivo da visita.

A meio da manhã desta quarta-feira, o Chefe de Estado, na companhia da Primeira-Dama e delegação oficial, desembarcou na base área do Aeroporto Internacional de Maputo, depois de ter estado na República Checa por dois dias, onde manteve vários contactos com as autoridades daquele país e sector privado e diz que a visita trouxe resultados positivos para a cooperação entre os dois Estados.

“Tivemos momentos em que discutimos as prioridades da nossa cooperação, muito mais na área económica porque, a nível político e diplomático, já estamos afinidade há bastante tempo. Nós definimos áreas como agricultura, industrialização, que eles são muito fortes também, o turismo, as infra-estruturas, energia, entre outras; consideramos que a visita foi boa, portanto a nossa avaliação à visita que fizemos é positiva”, disse Nyusi.

Nyusi fala também do combate ao terrorismo e mudanças climáticas como temas que estiveram em debate durante a visita.

“Discutimos sobre a solidariedade que aquele país tem para connosco na área de combate ao terrorismo e às mudanças climáticas”, acrescentou.

O Estadista diz que partilhou o quotidiano do país com a comunidade moçambicana residente na República Checa: “Para nós, podermos dizer exactamente o que está a acontecer, foi bom saber que eles têm o sentimento da pátria e de cidadania e explicamos não só sobre o terrorismo, mas também sobre o processo DDR na conversa descontraída, em que partilhamos com eles a vida do nosso país”.

Na mesma ocasião, o Chefe de Estado mostrou-se satisfeito com a convivência e contribuição da comunidade moçambicana naquele país.

Naquele país foi abordada a guerra entre a Rússia e a Ucrânia: “Tivemos também abordagem em torno do conflito entre a Rússia e a Ucrânia; compreenderam as nossas posições, naturalmente eles disseram a sua posição e o seu interesse e no fundo nada colide, praticamente todos queremos a paz, mas, como se busca a paz, os caminhos são diferentes”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, deu a conhecer que será reactivada, em breve, a comissão mista que vai trabalhar para relançar a cooperação entre Moçambique e República Checa.

A Frelimo apela à tolerância política para que as eleições autárquicas sejam um momento de festa. As palavras foram proferidas pela mandatária do partido, Verónica Macamo, após a submissão, hoje, na Cidade de Maputo, da candidatura da Frelimo para o escrutínio de 11 de Outubro.

A Frelimo tornou-se, esta quarta-feira, no sexto proponente a submeter candidatura à Comissão Nacional de Eleições para concorrer à governação dos 65 municípios do país, nas sextas eleições autárquicas de Moçambique.

O acto foi dirigido por Verónica Macamo, mandatária do partido, que, à saída do evento, disse aos jornalistas que os eleitores estão atentos aos feitos da sua formação política, e que por isso o momento deve ser de festa.

“Nós achamos que o momento da campanha eleitoral não é um período para as pessoas se dizerem palavras que não são correctas, palavras que possam ofender o próximo, porque estamos num exercício político e todos nós somos irmãos. Estamos num exercício em que cada um vai explicar o que leva na manga para desenvolver o município, para melhorar a qualidade de vida dos munícipes e isso não se compadece com violência. O que apelamos é que todos nós participantes da campanha olhemos para o momento como uma festa”, frisou a mandatária.

À margem do evento, a Comissão Nacional de Eleições mostrou-se confiante na submissão de candidaturas de mais proponentes.

“Estamos satisfeitos com o arranque dos trabalhos esta quarta-feira achamos que, nesta quinta e sexta-feira (últimos dia de submissões), também teremos muitas submissões. Não deixamos de lançar um apelo aos proponentes que desejam ainda se candidatar, porque seria muito bom que fizessem logo a marcação para não termos o problema de choques na nossa agenda”, alertou Paulo Cuinica.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, Paulo Cuinica, avisa que não haverá prorrogação do processo, que termina esta sexta-feira.

“Não há prorrogação possível, mesmo que quiséssemos, não temos como, o calendário já está fechado.”

A campanha eleitoral recorde-se, inicia-se a 26 de Setembro e termina a 8 de Outubro. Os dois dias subsequentes estarão reservados para a reflexão, antes do dia da votação.

 

MDM DIZ-SE PRONTO PARA RECUPERAR AUTARQUIA DE GURUÉ E DE QUELIMANE

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) também submeteu, esta quarta-feira, a sua candidatura para as eleições autárquicas, e o objectivo passa por recuperar as autarquias que perdeu nas eleições passadas e conquistar mais municípios.

As palavras surgem cinco anos depois de o MDM ter perdido as autarquias de Gurué e de Quelimane. O Movimento Democrático de Moçambique garante, para o feito, estar pronto para recuperar o que perdeu e conquistar o poder noutras autarquias. A convicção foi expressa por Sílvia Cheia durante a submissão da candidatura do MDM para as 65 autarquias.

“Estamos prontos, estamos preparados e vamos recuperar aquilo que perdemos nas eleições passadas e vamos continuar a trabalhar”, garantiu a mandatária do MDM.

Sílvia Cheia garante que a ideia de coligação não morreu, mas, desta vez, não sentiu vontade por parte de outros partidos. “Desde Março, quando ocorreu o nosso Conselho Nacional, houve uma deliberação na qual o MDM se mostrava aberto a coligar-se, não só com a Renamo, como também com qualquer outro partido político que estivesse interessado. Se ainda houver alguma possibilidade para coligação, o tempo dirá, teremos outras eleições, só não sabemos como se irão comportar os outros partidos políticos nos próximos pleitos eleitorais”, lamentou.

Esta é a terceira vez, consecutiva, desde as eleições de 2013, que o Movimento Democrático de Moçambique se candidata, a nível nacional, a eleições municipais.

Já são cinco as formações políticas que se candidatam para as eleições autárquicas de Outubro. O processo termina na sexta-feira e a Comissão Nacional de Eleições fala de possíveis enchentes nos últimos dois dias.

A Comissão Nacional de Eleições recebeu, esta quinta-feira, a quinta candidatura das 31 previstas para serem submetidas para disputar as eleições autárquicas de 11 de Outubro.

O Partido Humanitário de Moçambique, PAHUMO, manifestou o seu interesse em dirigir as autarquias de Pemba, Nampula e Nacala nos próximos cinco anos.

“O Partido Humanitário de Moçambique está preocupado com o bem-estar da sociedade, queremos resgatar os valores da sociedade e estamos preocupados com a melhoria da vida dos moçambicanos, porque não estamos felizes com a situação em que o país se encontra”, disse Benildo Bule, porta-voz do partido.

O processo de submissão de candidaturas termina na próxima sexta-feira e o maior número de partidos, 26, ainda não se apresentou à Comissão Nacional de Eleições.

“Temos a esperança de que ainda virão mais partidos que estão no processo dos preparativos, para não ter constrangimentos e também não darem muito trabalho e o impacto disso é que a CNE poderá ter muito trabalho nos últimos dias”, explicou Paulo Cuinica, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições.

Segundo a CNE, Frelimo, MDM e AMUSI poderão submeter candidatura esta quarta-feira.

Ossufo Momade diz que a prorrogação da greve dos médicos revela arrogância do Governo e a incapacidade de resolver as preocupações da classe. O presidente da Renamo falava hoje, na abertura da V sessão do Conselho Nacional.

Os médicos nacionais continuam em greve, faz hoje trinta dias.

O líder da Renamo, Ossufo Momade, entende que as insatisfações dos profissionais e a paralisação das suas actividades nas unidades sanitárias revelam as fragilidades do Governo em dialogar.

“É grave que o Governo, em vez de resolver os problemas dos médicos e de todos os profissionais da administração pública, esteja a promover ameaças e intimidações àqueles médicos que, desde os tempos da COVID-19, e em outras enfermidades, fizeram de tudo, inclusive colocar em risco a sua própria vida para salvar a vida dos cidadãos”, disse Ossufo Momade, presidente da Renamo.

O líder do segundo maior partido, com assento no parlamento, foi mais longe, ao afirmar que a marcação de faltas aos médicos grevistas, a revogação do Estatuto do Médico em vigor e a contratação de mais 60 médicos são ameaças que revelam desvalorização e desrespeito pela classe.

“Os médicos são humilhados, desvalorizados, enquanto é sabido que eles são autênticos heróis num país onde ainda precisamos de muitos médicos. É grave e um erro de estratégia governativa pensar que é através de ameaças que se pode resolver os problemas do nosso sistema de saúde”.

O líder da Renamo falava na abertura da segunda sessão do Conselho Nacional da Renamo, cujo objectivo é avaliar o estágio dos preparativos do partido rumo às eleições autárquicas de Outubro próximo.

A Renamo acusa a Frelimo de mais do que adiar a realização das eleições distritais em 2024, mas sim de estar a negar a sua realização e de estar a criar um retrocesso no processo de descentralização do país.

As palavras são do porta-voz do partido, José Manteigas, para quem a revisão da Constituição da República significa um desrespeito à lei mãe, ao mais alto nível, uma vez que, conforme disse, “este linchamento constitucional foi provocado e criado pelo próprio Presidente da República”.

“As eleições distritais seriam um corolário do processo de descentralização, que iniciou em 1998, mas a necessidade de realizar as eleições distritais é um imperativo constitucional, portanto houve um acordo político, ficou consagrado na Constituição da República, daí que é repugnante que uma bancada de forma unilateral, simplesmente, rasgue a Constituição e rasgue um acordo político”, referiu Manteigas.

Segundo o porta-voz do partido, o Estado de Direito Democrático está a ser colocado em causa e isso pode gerar consequências graves, pois abre espaço para conflitos e intolerância política, principalmente numa altura em que se avizinha o processo eleitoral.

Com isso, Manteigas já antevê possíveis conflitos durante ou após as eleições, o que descreve como algo grave e que não é intenção do seu partido entrar por estas vias.

“Sempre que a Renamo foi provocada, apenas se defendeu, nunca foi interesse da Renamo provocar conflitos e sempre foi a Renamo que tomou as decisões de ir à mesa das negociações. Nós, como partido, queremos preservar este povo, para que todos possamos crescer”, clarificou.

O partido diz que vai usar todos os meios legais e de persuasão e vai mobilizar a população para repudiar e a reivindicar o acto.

O adiamento das eleições foi aprovado na última quinta-feira, apenas pela bancada da Frelimo, com 178 votos, contra os 44 da Renamo e cinco do MDM.

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