A Organização das Nações Unidas, ONU, alertam que o financimenro da resposta humanitária em Mocambique garente apenas 30% das necessidades deste ano, numa altura que se estima que o terrorismo tenha provocado mais de 28 mil deslocados, so este.
O mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para Assuntos Humanitários aponta que Moçambique continua a debater-se com múltiplas crises simultâneas, impulsionadas pelos impactos de eventos climaticos e pelo terrorismo.
Moçambique continuou a enfrentar desafios humanitários sobrepostos em julho de 2026, impulsionados pelos deslocamentos relacionados com o conflito no norte, pelas necessidades contínuas de recuperação após cheias severas e pelo aumento dos riscos de seca associados ao El Niño, refere o documento citado pela RPT Noticias.
Quanto ao terrorismo, as Nacoes unidas relatam que só em Julho deste ano, cerca de 1.979 pessoas foram deslocadas devido ao conflito armado, elevando para 28.163 o número de deslocados registados desde o início do ano.
“O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária, da ONU, de 2026 requer 534 milhões de dólares (34,176 mil milhões de meticais), mas apenas cerca de 160 milhões de dólares (cerca de 10,2 mil milhões de meticais) tinham sido mobilizados até Julho, encontrando-se assim financiado em apenas 30% face às necessidades totais”, refere a organização.
O relatório alerta igualmente para um novo risco climático relacionado com o fenómeno El Niño, que pode comprometer a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar durante a próxima época chuvosa, de outubro a abril.
“O El Niño deverá agravar a segurança alimentar durante a época chuvosa de 2026/27. As previsões apontam para precipitação abaixo da média e aumento do risco de seca, particularmente no sul e centro de Moçambique, lê-se no relatório”, explicou.
As Nações Unidas mostram-se ainda preocupadas com a situação humanitária em Gaza, onde a organização diz ter registado 176% mais casos de malária face ao mesmo período de 2025.
Por: Manuel Mutimucuio
Não dava para acreditar que em todos anos de serviço na companhia esta era a primeira vez que punha os pés na vila da Gorongosa. Tudo que sabia do lugar era de relatos e de sua própria imaginação. Já no local, não dava para determinar se gostava ou desgostava, mas era incontestável que se tratava de uma terra de muita fartura. Sem mesmo se aventurar fora da via principal, tinha visto vários sinais de mineração artesanal, filas intermináveis de cereais expostos ao sol no leito da estrada e muita fruta que sem a pressão da escassez ou do mercado, estava perpetuamente votada a repetir o ciclo biológico.
Entretanto, algo parecia deslocado. Era impossível computar como uma vila com tantas oportunidades para fazer riqueza estava às moscas. Achou por bem perguntar a uma das poucas almas à vista, onde é que estava toda a gente.
“Saiu hipopótamo!”. Olhou para a estatura física do seu interlocutor e ficou ainda mais perplexo. Devia também desaparecer ou seguir o exemplo do rapaz enfezado que parecia imperturbado diante do perigo iminente.
“As pessoas foram arranjar caril”. Veio, finalmente, a resposta que punha tudo nos eixos. Quanto mais sabia da Gorongosa, mais compreendia a razão por que as guerras do passado, do presente e, certamente, as do futuro gostavam de ali se hospedar.
Mussa continuou a marcha e parou o carro na sombra de uma enorme figueira que servia de abrigo a um mercado que, em dias normais, devia ser um centro de vitalidade. Pelo menos, é o que denunciavam os vendedores presentes e as inúmeras bancas desocupadas. Com a vista largamente desobstruída, conseguiu ver no outro lado da estrada um restaurante construído para chamar atenção. Francamente, pelo requinte exterior e sugestões de ementa expressas em fotos e texto impressos nas paredes de vidro, podia estar em qualquer capital global. Não que soubesse algo das grandes cidades internacionais, mas ninguém podia disputar que um restaurante que servia pizza, strogonoff, byriani entre outros nomes importados de terras distantes, em sala climatizada com WiFi, assentaria como uma luva em Paris, São Paulo ou Nova Iorque. Entretanto, depois do susto em Púngue, não arriscaria mais a integridade da missão por causa dos seus apetites mundanos. Quando a fome batesse à porta, esperava poder contar com a merenda de frutas da época que foi juntando ao longo do caminho.
Telefonou para o Sr. Bila, à espera de novas ordens. Como tinha sido instruído, descreveu tudo que observara, mas o que lhe deu mais prazer em falar foram as suas conjeturas sobre o papel estratégico da Gorongosa. Entretanto, do outro lado da linha houve pedido de mais detalhes sobre a história do hipopótamo. É como se o Sr. Bila estivesse justamente à espera dessa notícia. Fez um montão de perguntas sobre as quais Mussa não fazia a mínima ideia, mas o chefe não parecia estar à espera de qualquer resposta. As perguntas eram, como se recordava de ter aprendido nos tempos de escola, retóricas.
Depois da inquisição, o único comando que fez sentido foi o de ir ter com Bucuta e Maurício. Devia conduzir de volta a sul na EN1 até à escola de Nhamissongora e de lá Bucuta e Maurício saberiam o que fazer.
Subitamente, Mussa sentiu cãibras nas pernas e nos braços. O sangue que já lhe fervia nas veias com as perguntas impossíveis do chefe, buscava agora uma válvula de escape para transbordar. “Agora devo receber ordens do Bucuta e Maurício! Ora pensei que os tipos não se podiam governar, mas afinal podem governar-me”. Furioso, Mussa ponderou se devia exigir explicações do chefe e optou pelo silêncio. Quis dar o benefício da dúvida para a possibilidade de aquele ser o procedimento operacional padrão. Imaginar que era assim também como o João, dava certo alento. Aliás, tanto quanto sabia, estava ali em substituição do autointitulado chefe João com plenos poderes. Ainda assim, com toda a boa vontade, não conseguia espantar a pulga na orelha que lhe dizia para não se perder em cogitações, pois não havia nada de complicado senão a pura falta de confiança. “Quem no gozo do seu perfeito juízo deixaria nas mãos de um estagiário o destino de uma missão que já lhe tinha custado a vida do seu operativo mais experiente?”, pensou. Para esse receio legítimo, Mussa só conhecia um remédio santo. Dar tempo ao tempo.
Tinha ouvido falar da dupla Bucuta e Maurício e quase sempre descritos como uns patetas. Sabia da sua longevidade na empresa, embora não se recordasse de alguma vez ter ouvido um comentário abonatório a seu respeito. Vê-los, finalmente, ao vivo era uma oportunidade para Mussa construir o seu próprio juízo.
Depois das saudações e outros salamaleques próprios de pessoas que se encontram pela primeira vez, deixaram de subsistir quaisquer dúvidas em Mussa sobre por que razão Bucuta e Maurício eram sempre concebidos como um ser indivisível, do género produto e embalagem. Inseparáveis, mas somente um, pelo menos à vista desarmada, realmente útil. Olhos atentos, porém, notavam que mais do que uma relação de parasitismo, havia uma simbiose perfeita. Maurício era o porta-voz, mas Bucuta tinha, de facto, o poder de veto e talvez explicasse a precedência do seu nome. Era uma dinâmica que gerava muita curiosidade, mas Mussa decidiu-se ficar pela imaginação, porquanto para o que realmente pretendia perguntar, nem o tempo era capaz de o absolver.
Já no carro, Mussa não se arreliou por estar praticamente a prestar um serviço de táxi. Estava sozinho à frente enquanto a dupla se refastelava no banco de trás. O que causava desassossego era o labirinto em que o carreiro se tornara, nem tão pouco aligeirava o temor o conhecimento de que os companheiros de viagem estavam em terreno familiar, pois todas as ocasiões em que atirou os seus olhos ao retrovisor, fora recebido por caras de poucos amigos.
Cada vez mais preocupado com a sua integridade física, Mussa tentou fazer conversa. Falou da beleza da mata, do sol que estava a minguar, da chuva que só chovia quando bem entendesse, dos buracos vorazes da EN1, do calor que fazia no inverno. Nada. Do banco de trás não recebeu sequer um simples suspiro. Para apimentar tudo, recordou-se que em Nhamissongora, Bucuta e Maurício tinham, cada um, uma catana e agora a memória traí-lhe se as deixaram na carroçaria com outra quinquilharia que empunhavam ou se as levavam consigo na cabine. Já aflito, Mussa decidiu improvisar. Parou repentinamente a viatura e desceu. Revirou a bagagem na parte traseira do veículo e de lá voltou com dois objectos que os presenteou aos companheiros de viagem.
Em perfeita harmonia, Bucuta e Maurício, cada um tirou, sabe-se lá de que entranha, um punhal e com destreza de quem tenha feito vezes sem conta, desferiram golpes limpos e precisos no seu farnel. Animado, mas ao mesmo tempo estupefacto, Mussa abrandou a marcha, como se fosse possível andar ainda mais devagar e, com o auxílio do retrovisor, assistiu em câmara lenta à demolição dos ananases que comprara para o seu almoço.
Ansiosamente à espera de um “obrigado” ou comentário melieiro equivalente, Mussa contabilizou uma vintena de minutos até que se ouvira um som do assento traseiro que não fosse de mastigação. Maurício, após receber um sinal críptico do Bucuta, ordenou que Mussa imobilizasse o veículo ao mesmo tempo que ele e a sua alma gêmea destrancavam a porta.
Sem dizerem por que paravam ou o que se seguia adiante, levaram todos os seus pertences e começaram a caminhar. Mussa, obrigado a seguir-lhes o exemplo, sem informação sobre o que era essencial levar consigo, nem tão pouco o tempo estimado da romaria, transferiu o que pôde da carroçaria para a cabine, trancou o carro e pôs-se no encalço da dupla carregando a sua mochila, saco-cama e uma tenda. Meia dúzia de passos dados, começou logo a duvidar se era mesmo necessário estar equipado. Recordou-se da imagem romântica de exploradores em capa de revista de viagens e tudo parecia uma grande falsidade. “Como iria alguém sorrir com o lastro da sua cozinha, quarto e casa de banho nos seus ombros!”
A carga não era, aparentemente, o único peso com que se devia preocupar. Com Bucuta e Maurício na dianteira e ele nas trevas em relação ao plano, era comprovadamente um seguidor e não o líder que julgava ter sido entronado quando lhe foi confiada a missão na Beira. Tentou reclamar a iniciativa e com ar de quem tinha tudo sob controlo, gritou para a dupla que já tinha galgado um bom bocado.
“Eh! Não se esqueçam de que isso é uma maratona”. Bucuta e Maurício viraram ligeiramente a cabeça, não o suficiente para reconhecer o chamamento que viera do interlocutor atrás, mas bastante para se entreolharem. Continuaram a marcha como se nada tivessem ouvido. Mussa, disposto a preservar o que lhe restava de dignidade e não acelerar o passo para os alcançar, sentiu-se encurralado. Depois de tantas voltas que deram naquele carreiro de fim de mundo, sabia que já não era dono do seu próprio destino. Engoliu o orgulho e correu como um menino ao encontro da dupla enigmática que, pelo andar da carruagem, estava mesmo no comando da missão.
O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, promulgou ontem a polémica Lei contra a Homossexualidade no seu país, que contempla castigos mais duros como a pena de morte e prisão perpétua. Significa que a norma já está em vigor.
Mesmo com as fortes críticas e a manifesta desaprovação internacional, o presidente da República do Uganda mandou publicar oficialmente nesta segunda-feira a controversa “Lei contra a Homossexualidade de 2023”.
Num comunicado, publicado nas redes sociais, a presidente do Parlamento ugandês, confirma que Museveni concordou com a lei aprovada pela primeira vez pelos parlamentares em Março.
O projecto de lei, descrito pelo alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, como chocante e discriminatório, foi aprovado por todos, excepto dois dos 389 deputados a 21 de Março.
Crítico do movimento pró-homossexualismo LGBT+, Museveni tinha 30 dias para sancionar a lei e devolvê-la à Assembleia da República para revisões ou vetá-la. Em Abril, com a pressão provocada pelos protestos internacionais, o líder devolveu o projecto de lei aos parlamentares, com um pedido de reconsideração, intimando-os em particular a especificar que ser homossexual não era crime, desde que tal não envolvesse actos sexuais entre pessoas do mesmo gênero.
Nesta nova versão do texto, foi aprovada a prisão perpétua para determinados actos entre pessoas do mesmo sexo, máximo de 20 anos de prisão por recrutamento, promoção e financiamento de actividades homossexuais e até mesmo condenação por 14 anos para quem seja homossexual.
A tipificação da homossexualidade como crime não é nova no Uganda, é, aliás, uma herança do período colonial britânico.
A selecção nacional sénior masculina de basquetebol de Angola inicia, esta quarta-feira, a sua preparação tendo em vista o Afrocan – prova reservada aos atletas que evoluem dentro das suas respectivas ligas de basquetebol-, certame a realizar-se de 8 a 16 de Julho, nas cidades de Luanda, Benguela e Huíla. Esta prova contará, igualmente, com a participação de Moçambique cujo plano de preparação ainda não foi oficialmente anunciado.
O seleccionador de Angola, Aníbal Moreira, divulgou a lista dos convocados, sábado último, para a competição destinada a jogadores que militam nas competições domésticas no continente berço, escreve o Jornal de Angola. De acordo com o vice-presidente da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), Sílvio Lemos, o grupo vai trabalhar na capital durante dez dias e garantiu que estão criadas as condições para a realização da preparação sem sobressaltos.
Está descartada a possibilidade da realização de um estágio pré-competitivo no exterior, sendo que nos próximos dias a direcção da FAB, liderada por Moniz Silva, vai detalhar o programa de preparação até o
arranque da prova. Depois de Luanda, ainda de acordo com o responsável do órgão federativo, a Selecção Nacional viaja para Benguela onde vai permanecer até o arranque da competição. A ideia é realizar a primeira etapa do AfroCAN em Benguela e Huíla e a fase final em Luanda.
De acordo com o regulamento da competição, os jogadores que vão disputar a 19ª edição do Campeonato do Mundo da Ásia, não podem fazer parte dos eleitos para o AfroCAN, segundo Aníbal Manave, presidente da FIBA África. Assim, os atletas com menos oportunidade têm, agora, mais possibilidades de mostrar o potencial para os "olheiros” da NBA e de outras ligas europeias por se tratar de uma montra. Doze selecções vão competir no evento. Deste modo, Angola torna-se no segundo país a organizar a prova, depois da edição inaugural, em 2018, em Bamako, capital do Mali. Nesta altura, decorrem as qualificativas para a competição e, nos próximos dias, a FIBA África vai anunciar os representantes de cada zona.
As selecções que chegaram às meias-finais na edição transacta estão apuradas directamente, designadamente RD Congo (campeã em título), Quénia (vice-campeã), Angola e Marrocos.
O presidente da FIBA África, Aníbal Manave, destacou as infra-estruturas existentes em Angola para albergar provas continentais, depois de confirmar o país como sede do AfroCAN 2023, em Janeiro último, durante a cerimónia que decorreu no HTCA, em Luanda.
Convocados
O seleccionador Aníbal Moreira convocou os seguintes atletas: Emanuel Sebastião, Francisco Gomes, Miguel Maconda e José Nseka (bases); Tárcio Domingos, Kenneth Miguel e Ângelo Alexandre (extremos/base); Glofate Buiamba, Geovane Kibinga, Bamba Cissé, Kenny Biongo, Edinilson Andrade, Domingos Kissingue, Josué Bartolomeu e Marcelo João (extremos); Keven Albino, Wilson Kassav, Macaxi Brás, Aloísio Andrade e Walter Lusolo (postes).
O Instituto Médio de Desporto (IMEDE) promove, sábado, no Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ), um “workshop” de actualização em treinamento e arbitragem de futsal.
A acção de formação, a ser orientada por Luís Mascarenhas, instrutor da Confederação Africana de Futebol (CAF), é aberta aos fazedores e amantes do futsal e todos os desportistas, incluindo estudantes de desporto e educação física de todas instituições de ensino com particular enfoque para os do IMEDE.
Dividido em duas partes, o “workshop” vai abarcar aulas práticas no período da tarde, sessão que versará, fundamentalmente, para o passe, condução da bola, lançamento, cabeceamento, remate, aspectos táctico-técnicos, entre outros.
A componente da arbitragem na modalidade e organização de competições internamente estão também entre os temas elencados para o curso.
O período da manhã está reservado para aulas teóricas, onde os participantes terão a oportunidade de saber mais sobre as regras do futsal.
No passado dia 25 de Maio, o IMEDE promoveu um debate sob o lema “ o desporto escolar e a educação física como factores para o desenvolvimento do desporto profissional: contextos e experiências”.
O evento que teve como oradores Alcides Chambal, director Nacional Adjunto para o Alto rendimento na Secretaria de Estado do Desporto; Domingos Torres e Pedro Agostinho (Angola), Rui Mendes (Portugal) e Bernardo Matsimbe, docente universitário.
Aliás, ao longo dos sete anos de existência (completados no passado dia 17 de Maio), o Instituto Médio de Desporto tem levado a cabo várias actividades que visam promover a educação física e desporto.
Um dos principais objectivos do Instituto Médio de Desporto é expandir as suas actividades para mais províncias e fazer parcerias internacionais.
No próximo mês de Junho, a instituição tem programada uma formação de voleibol com técnicos amadores, atletas e outros profissionais que praticam a modalidade nas cidades de Maputo, Beira e Nampula.
O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano é o principal parceiro do IMEDE pelo apoio técnico que tem dado às delegações da instituição como a sede, na Cidade de Maputo, através das delegações provinciais e distritais.
O ministro da Saúde diz que a greve não é o caminho para resolver as preocupações da Associação dos Profissionais da Saúde. Armindo Tiago diz que estes devem recorrer ao diálogo e apresentar as suas reivindicações ao Governo.
Há cerca de duas semanas, um grupo de profissionais de saúde, designada Associação dos Profissionais da Saúde, anunciou a paralisação de suas actividades, a partir de 1 de Junho, com duração de 20 dias, em protesto contra a suposta falta de equipamento de protecção nos laboratórios das unidades sanitárias e contra as irregularidades da Tabela Salarial Única.
O ministro da Saúde, Armindo Tiago, reagiu ao assunto e afirmou que paralisar as actividades não é o caminho a seguir para resolver as preocupações da classe e apelou ao diálogo.
“Nenhuma greve resolve o problema, por isso apelamos aos colegas para que não adiram à mesma. Nós, como Ministério da Saúde, já começámos as negociações com as associações. A nossa intenção é que elas sejam capazes de entender que só na base do diálogo se poderá ter alguma solução”, disse Armindo Tiago.
A Associação dos Profissionais da Saúde queixa-se de irregularidades na Tabela Salarial Única e de falta de equipamentos de protecção nos laboratórios das unidades sanitárias. Entretanto, Tiago disse que os profissionais devem recorrer aos canais apropriados para apresentar reclamações. “Existe um mecanismo normal de canalização de problemas”, afirmou.
Ao todo, a delegação moçambicana conquistou 11 provas. Terminou em segundo lugar em duas e em terceiro numa outra. Quase todos os atletas conseguiram conquistar medalhas nos Campeonatos Nacionais de Atletismo de eSwatini, aonde foram como convidados.
A armada da Federação Moçambicana de Atletismo, convidada para disputar os nacionais do país vizinho, eSwatini, regressou ao país carregada de muitas conquistas e medalhas.
Foram, ao todo, 11 medalhas de ouro pelas conquistas de igual número de provas em várias especialidades.
Cecília Guambe, na espacialidade dos 100 metros barreiras, com o tempo de 14 segundos e 42 centésimos, Nhacuane Guambe, nos 400 metros barreiras, com o tempo de 56 segundos e 90 centésimos, Rita Francisco Muchate, nos 800 metros, em dois minutos, 25 segundos e 67 centésimos, venceram nas provas de pista as respectivas medalhas de ouro em femininos.
Em masculinos, nas provas de pista, Alex Macuácua conquistou o ouro na prova dos 1500 metros, fazendo com o tempo de 03 minutos, 53 segundos e 39 centésimos, enquanto Nelson Vitorino venceu a final dos 400 metros, com o tempo de 49 segundos e 27 centésimos.
Nas provas conjuntas, Moçambique venceu a estafeta de 4×400, fazendo o tempo de 03 minutos, 16 segundos e 50 centésimos.
Por seu turno, Ana Faz Bem não conseguiu o topo, mas ficou na segunda posição em duas provas em que participou. Nos 100 metros, teve a marca dos 12 segundos e 88 centésimos e na final dos 200 metros terminou com a marca dos 26 segundos e 54 centésimos.
Em masculinos, foi Nazareno Domingos que fechou o pódio da prova dos 5000 metros, ao terminar em 3º lugar e arrecadar a medalha de bronze ao percorrer a distância com o tempo de 15 minutos, 14 segundos e 50 centésimos.
No que às provas de especialidade diz respeito, Amélia Pinga venceu a prova de Triplo Salto ao alcançar a marca dos 11,10 metros, em femininos.
Marcos Sábado Tembe venceu duas provas, nomeadamente o Salto em Altura, em que atingiu 1,70 metros, e o Triplo Salto, com a marca de 13,89 metros.
Já Barroso Pereira venceu também duas provas, nomeadamente no lançamento de Disco e Lançamento de Dardo. Na primeira prova (Lançamento de Disco), Pereira atingiu 36,62 metros, e na segunda prova (Dardo) chegou aos 41,46 metros.
Mas nem todos os que fizeram parte da delegação conseguiram atingir o pódio. Edson Deve, por exemplo, esteve próximo, mas quedou-se na quarta posição da prova dos 200 metros, ao terminar com o tempo de 22 segundos e 03 centésimos.
Onísio Pereira, por seu turno, terminou em 5º lugar na prova dos 100 metros, com o tempo de 11 segundos, enquanto Alcino Mulahe teve o pior registo ao terminar na 7ª posição na prova dos 100 metros, ao percorrer a distância em 11 segundos e 47 centésimos, ou seja, 47 centésimos de segundo do compatriota Onísio Pereira.
Os campeonatos nacionais de atletismo de eSwatini decorreram no sábado passado no Mavuso Stadium e Moçambique foi representado por uma delegação de cerca de 25 pessoas, contando atletas, treinadores e dirigentes.
A Federação Moçambicana de Atletismo considera que esta prestação dos atletas moçambicanos foi satisfatória para aquilo que eram as suas pretensões e objectivos para esta prova.
A Autoridade Tributária de Moçambique propõe a organização dos agricultores informais em sociedades cooperativas, como forma de contribuir para a redução da inflação e do desemprego no país.
Moçambique é uma referência regional na produção do milho, mapira, feijão e mandioca. Essa produção é maioritariamente feita pelo sector familiar e tem contribuído pouco para a riqueza gerada pelo país.
Para mudar essa situação, a Autoridade Tributária de Moçambique e a Sociedade de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional realizaram, hoje, uma conferência sobre o cooperativismo agrícola apontado.
De acordo com Augusto Tacarindua, director-geral do Gabinete de Panificação, Estudos e Cooperação Internacional, o Programa Nacional de Desenvolvimento Cooperativo está a promover, em todo o país, a criação de Gabinetes Estratégicos do Cooperativismo.
“Estes gabinetes são uma plataforma de comunicação permanente entre os produtores e o Governo, que, para além de dinamizarem a implementação da agenda nacional, permitirá maior celeridade e eficiência na disseminação do cooperativismo como modelo organizacional ideal e contribuirá para a mobilização dos diferentes agentes económicos assentes na informalidade para sua adesão ao cooperativismo”, disse Augusto Tacarindua.
Segundo a Sociedade de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional e o Governo do Canadá, a iniciativa já está a ser implementada em algumas províncias do país.
A conferência sobre cooperativismo agrícola decorreu sob o tema “Histórias e experiência de fusão agrocooperativa no Canadá”.
O seleccionador nacional dos Mambas, Chiquinho Conde, diz que é importante entrar a ganhar na 22ª edição do Torneio COSAFA, em que vai defrontar Angola na primeira jornada, em partida inserida do Grupo “C”.
O sorteio da 22ª edição do Torneio COSAFA ditou que Moçambique começasse a disputa da prova diante da sua congénere da Angola, desta feita no Grupo “C”, de que fazem parte ainda as selecções das Maurícias e Lesotho.
O combinado nacional é o cabeça-de-série do grupo, devido às suas últimas prestações da competição. Reagindo ao sorteio, o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, disse que é preciso entrar a ganhar na competição.
“Uma vitória na primeira jornada diante da Angola poderá elevar os índices motivacionais da equipa. Por isso, temos de dar o nosso máximo para ver se conseguimos alcançar tal desejo. É verdade que nem sempre vai ser possível, mas o nosso espírito sempre será esse”, disse Chiquinho Conde, que afirma que o Torneio COSAFA vai servir para potenciar jogadores jovens.
“O mais importante é que vamos, fundamentalmente, manter a espinha dorsal da selecção nacional do CHAN, incluindo alguns jogadores dos Sub-23 e Sub-20. É importante transmitir a experiência internacional e alicerçar esses jogadores, criando uma ponte para a selecção A”, sublinha o seleccionador nacional.
Nesse sentido, o seleccionador nacional garante que não pretende contar com os jogadores que militam fora de portas.
“Eles estarão no período de defeso. É preciso deixar-lhes descansar, até porque teremos compromissos nas qualificações para o CAN diante do Ruanda semanas antes de participarmos na COSAFA”, explica Conde.
MOÇAMBOLA NÃO VAI PARAR
No ano passado, Chiquinho Conde pediu à Liga Moçambicana de Futebol para que parasse o Moçambola para dar lugar à participação dos Mambas na 21ª edição da COSAFA. Esse facto criou um ambiente de crispação no seio dos clubes. Para a presente edição, o seleccionador nacional afasta essa possibilidade.
“Houve, no ano passado, o meu pedido expresso à Liga Moçambicana de Futebol e Federação Moçambicana de Futebol, tendo havido atempadamente uma resposta satisfatória. Ora, este ano, a nossa ideia não passa pela paragem do Moçambola. O campeonato deve continuar a decorrer normalmente”, explica Chiquinho Conde, para quem queria, inicialmente, convocar jogadores menos utilizados, de modo a não comprometer o andamento da maior prova futebolística nacional.
O seleccionador nacional diz ainda que, pela natureza da prova, não há necessidade de condicionar o Moçambola, sobretudo pelo facto de a prova estar no início. Recorde-se que, nos últimos cinco anos, Moçambique tem passado da fase grupos, tendo sido semifinalista na última edição, em que derrotou a África do Sul na marcação de grandes penalidades. Nessa edição, os Mambas caíram aos pés do Senegal, selecção que participou na prova na qualidade de convidado.
A 22ª edição da COSAFA terá um novo modelo de disputa, contrariamente às edições passadas. Por exemplo, em vez de dois grupos, as selecções estarão divididas em três, com quatro equipas cada. A outra inovação é que não haverá nenhuma entrada directa, facto que acontecia antes, em que algumas selecções começavam a disputar a prova a partir dos quartos-de-final.
A prova vai decorrer de 5 a 16 de Julho, na cidade sul-africana de Durban, local que já é uma referência na organização deste evento.
Por: Filimone Mieigos
O problema da arte não é saber como é.
É como fazê-la.
José Craveirinha
Certa vez, tal como hoje, o Zeca emboscou-me, claro, filho de turra sabe emboscar. E aqui estou, num domingo igualzinho ao primeiro numa exposição sobre o Sontinho. Todos os domingos são santos, mas os nossos são Sontos.
Não é sem razão que o meta título desta exposição é um poema sobre a arte e a sabedoria que lhe está subjacente, da pena do próprio Sontinho, o poeta José Craveirinha: O problema da arte não é saber como é.
É como fazê-la.
Nascido num sonto (domingo) dia melhor não haveria para explicar essa coisa de como fazer arte, particularmente nas telas do Zeca.
Pois, como fazê-la?
Em primeira instância, essa coisa do “como fazê-la ”, tem muito que se lhe diga. Aliás, depende do ângulo do motorista. Portanto, não tem nada a ver com a marca do automóvel, tão pouco com a estrada ou picada por onde o carro anda. Assim é a arte na perspectiva do “como fazê-la”. O artista é o soberano motorista do my love na madrugada do processo criativo. Segue em frente, vira à esquerda, pisca à direita e faz marcha à ré sempre que lhe der na real gana. Assim são os que sabem como fazê-la, seguem os espíritos do ser. Portanto, “Como fazê-la”, está primeiro que tudo na poesia de quem a faz, o artista. Depois, virão os especialistas, os académicos, os críticos, os jornalistas culturais e por aí adiante para do mesmo modo, e com arte, terem que enfrentar a mesma questão: como fazê-la?
Cada sentença sua cabeça assim é que é, ao avesso. Não vá o diabo fardar-nos de unanimismos. Se aceitarmos, não sei por que carga de água, estar em comunhão de pareceres ou de vontades nas artes, estaremos a ser outra coisa que não nós próprios. Não é assim como se faz arte.
Como se faz é como cada um revela o seu direito de vontade no andamento da emoção. Resulta claro, o artista representa e elabora mentalmente, cada um à sua maneira.
Por exemplo, esta exposição é à maneira do Zeca, é a sua elaboração sobre um sonho que se vai dissipando, embora sempre presente e imortalizado na tela.
Na pintura do Zeca, a chave de rodas na poesia do cromatismo, a subtileza no volante do pincel, o espelho retrovisor na magia do sentimento, a técnica na leveza do traço, são o som da composição que avoluma o Binga da sua criação artística. Qual drone voando na Mafalala, literalmente seguindo a mesma utopia do Sontinho, o seu norte. Isso mesmo, pessoa que se preze tem norte, mal de nós se tal não fosse. Aí seria outra coisa: “ai a passividade animal!”.
A sombra titular (não tutelar) é um decalque ao sentimento do grande poema Maria. No caso, é o filho de Maria, o Zeca, a presenciar a ausência sempre permanente do poeta, por assim dizer, agora feitos três: Zé, Maria e Stélio.
Na lonjura da tela tacteamos o bonacheirão do tio Zé namorando sua Maria, enquanto os dois assistem Stélio a saltar as barreiras da vida.
Chapéu preto, gola à maneira, sapatos como sempre bem engraxados, calça com vinco, e aquele bigode matreiro que o Zeca recria na sua própria face e nos seus quadros, esse é o tio Zé que povoa estes quadros. Afinal não fosse o poeta subversivo, coisa que o Zeca vivenciou e por conseguinte assume e inoculou.
O acentuado negro no cromatismo desta exposição, o som do escuro sugere essa presente ausência dos seus.
E ainda bem, porque a pergunta “como fazer” é respondida em uníssono pela família: “se faz fazendo-se tendo presente as nossas raízes já de si fasciculadas”.
Pois é, tal como sabemos, uma raiz fasciculada tem vários eixos, ramificados ou simples, mais ou menos iguais na espessura e no comprimento. Não é possível distinguir o eixo principal dos secundários.
É como quem diz uma verdade a la palisse: os frutos sejam de que árvore for, não caiem muito longe do seu perímetro. É assim que se vai reconstruindo uma reciprocidade, um dar e receber na base da ancestralidade, no próprio chão da árvore. Tais são as raízes que prendem a terra às nossas árvores porque a terra não pode esvair-se-nos entre os dedos, como se de água se tratasse.
Assim se manifesta a poesia do Zeca nestes quadros que têm raízes profundas e uma muito bem conseguida trans-geracionalidade nascida por debaixo dessa frondosa árvore, o embondeiro da Mafalala.
Então a arte não é essa maneira de dizer com pincéis, palavras, gestos, acordes, ou seja lá o que for, aquilo que de outro modo não seria possível dizer?
Isso responde, em boa parte, a questão como fazê-la. Estas telas dizem-nos da sinédoque do augúrio vivenciado num passado não muito distante. Uma pátria. Uma campeã olímpica. Uma cidadania. Sermos nós.
Sabemos que persistem os milícias Fakir. Do mesmo modo sabemos que é verdade que se re-configuram “essas palmas induvidosas que palmeiam os discursos dos chefes”.
Claro que a pergunta persiste: “Uma população que não fala não é um risco?”
“Deixem-me ser tambor”. É assim que eu faço, replica o Zeca nas suas altifalânticas telas:
Siavuma!
Sonto, 29 de Maio, Kanfumo 2023