Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.
A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.
O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.
Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.
Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).
O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).
Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.
Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.
Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.
“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.
A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.
Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.
Um comité de habitantes do Sudão lançou, este domingo, um apelo urgente a doações de alimentos para sobreviverem naquele país, devastado durante mais de três meses por uma sangrenta guerra entre o exército e os paramilitares, escreve o Observador.
Devido aos combates, sobretudo na capital, Cartum, milhões de habitantes encontram-se retidos em casa e alguns sem acesso a água, sobretudo nos subúrbios de Cartum-Nord, tendo apenas eletricidade intermitente.
Segundo os moradores, com os combates já não há mercado e, de qualquer forma, já não há dinheiro. Os alimentos são escassos e há quem se limite a uma refeição por dia, pelo que um comité de bairro na capital lançou um “apelo urgente” à população no domingo.
“Devemos apoiar-nos uns aos outros, dar comida e dinheiro aos que estão ao nosso redor”, escreveu o comité al-Danaqla.
Os salários dos funcionários públicos, por exemplo, não são pagos desde Março, noticia o Observador que cita AFP.
Os combates agravaram ainda mais a frágil situação humanitária no Sudão, já um dos países da região mais afectados pela desnutrição.
De acordo os dados com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), citado pelo Notícias ao Minuto, desde o início do conflito no Sudão, em Abril, 435 crianças morreram e 2.025 ficaram feridas.
Texto: FLM
Ana Paula Tavares (Angola), João Rasteiro (Portugal), Cristiane Sobral (Brasil) e Filimone Meigos, Dama do Bling, Hirondina Joshua, Francisco Noa, Lourenço do Rosário e Priscila Sithole (Moçambique) são alguns nomes confirmados para a presente edição da Feira do Livro de Maputo.
A programação de mesas e debates em torno do tema central da 9ª edição da Feira do Livro de Maputo, “Surge et ambula: a literatura na construção da cidadania”, traz importantes escritores e intelectuais dos países falantes da língua portuguesa. Durante os três dias de Feira – 27 a 29 de Julho –, mais de 30 convidados compartilharão suas experiências, obras e pesquisas nos debates que terão lugar no Paços do Município e serão transmitidos pelos canais digitais da Feira do Livro de Maputo com acesso gratuito.
Francisco Noa, ensaísta, pesquisador e professor de literatura moçambicana, um dos críticos literários de maior destaque no país, conversa com o embaixador Ademar Seabra da Cruz Júnior, da República Federativa do Brasil em Moçambique, o embaixador da Republica de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, o escritor homenageado Mia Couto e o professor, pesquisador e crítico literário Lourenço do Rosário, na mesa de abertura do evento subordinada ao tema “Diplomacia cultural em questão: Desafios e perspectivas de uma integração comunitária por meio da cultura ”, na quinta-feira (27/07), às 17 horas. No mesmo dia (27/07), às 19 horas, o destaque para a mesa “Literatura escrita em língua(s) portuguesa(s): Entre a palavra e o mistério”, com a participação da poeta e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares, que estará em boas mãos dos poetas João Fernando André (Angola) e João Rasteiro de Portugal, sob a condução da professora e pesquisadora brasileira Simone Schmidt.
Um dos encontros confirmados para a sexta-feira (28/07), às 10 horas, vai abordar o assunto “Globalização e multiculturalidade: a língua e a literatura como instrumentos de cooperação”, com os convidados Filimone Meigos e Lupwishi Mbuyamba, sob a mediação de Sarita Monjane Henriksen. Ainda na sexta, às 11 horas, a mesa “Literatura e Direitos Humanos: que caminhos para democratizar o livro e a leitura?” traz ao Paços do Município, como convidados do debate juristas que se dedicam a escrita literária, nomeadamente, Carlos Mondlane, Custódio Duma e Dama do Bling.
Pelas 13 horas, do mesmo dia (28/07), o destaque é para a apresentação com o assessor especial do Gabinete da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, “A experiência de nacionalização e internacionalização das Feiras Literárias da Bahia”, Jocivaldo dos Anjos. E, às 14 horas, os destacados escritores da nova geração das letras moçambicanas premiados recentemente em Portugal e coordenadores do “Objecto oblíquo”, o poeta David Bene e o prosador Mélio Tinga participam de uma conversa no Centro Cultural Moçambicano-Alemão, sobre o futuro do projecto cuja moderação estará sob o comando do poeta e ensaísta português António Cabrita.
Já no Paços do Município, à mesma hora (14), o jornalista José dos Remédios dirige a mesa cujo o mote do debate é uma frase de Mia Couto, “A minha pátria é outra e ela está ainda por nascer”, na companhia dos poetas moçambicanos Armando Artur, Hirondina Joshua e da escritora brasileira Cristiane Sobral. Ainda na sexta-feira, pelas 15h50, a Ethale Publishing orienta uma oficina no Átrio do Município intitulada “ Digitalização e Indústria do Livro em Moçambique”.
De seguida, os escritores Felisberto Botão e Valério Maunde sob os auspícios da Ethale Publishing protagonizam uma sessão de conversa sobre os seus livros “Ser espiritual: o poder do seu eu invisível” e “Ausências, intermitências e outras incompletudes”.
Teresa Manjate e Gustavo Cerqueira, pesquisadores e professores de literaturas moçambicana e brasileira, respectivamente, apresentam o livro por eles coordenados “Estórias para além do tempo: Paulina”, às 15 horas. E o Presidente do Conselho Municipal, Eneas Comiche, fecha a programação do dia, com Homenagem ao poeta e nacionalista Rui de Noronha (a título póstumo), às 17 horas.
O último dia da Feira do Livro, sábado (29/07), a programação de debates tem abertura às 09 horas e 30 minutos, com a mesa virtual “Minha pátria é minha língua”. E, às 9 horas e 45 minutos, a escritora Priscila Sitole apresenta o seu livro de estreia “Amor? Às vezes sim. Outras vezes não”.
As 11 horas, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche e a Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua, dirigem a Cerimónia de entrega de prémios aos vencedores do Concurso Literário de Prosa e Poesia. De seguida os escritores brasileiros Rómulo Neves e Cristiane Sobral apresentam seus livros, nomeadamente, “Terminal e Ponto Cego” (poesia) e “Caixa Preta” (conto) e ás 16 horas, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, fecha o certame, com a Homenagem ao escritor moçambicano Mia Couto.
A consultora Oxford Economics considerou, esta semana, que a inflação em Moçambique, depois de cair para níveis de Março de 2022, poderá aumentar para 8,8% no último trimestre do ano em curso, impulsionada pelas informações de regresso da TotalEnergies a Cabo Delgado.
“Antevemos que a TotalEnergies vá recomeçar a construção do Parque Afungi LNG em Cabo Delgado no segundo trimestre deste ano, o que vai aumentar significativamente as importações, o que, por seu turno, vai colocar pressão nas reservas em moeda estrangeira, levando o Banco de Moçambique a abandonar a actual indexação de facto no último trimestre do ano”, escrevem os analistas num comentário à inflação de Junho último.
Na nota, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, a Oxford Economics escreve que “a consequente depreciação da taxa de câmbio do Metical vai aumentar os preços dos bens importados, como os produtos alimentares, e levar a inflação para 8,8% no quarto trimestre”.
O comentário dos analistas surge poucos dias depois da divulgação do aumento dos preços em Junho, que subiram apenas 1,4 pontos percentuais, para o nível mais baixo desde Março de 2022.
“Apesar de a inflação ter caído para menos de 7% face ao período homólogo pela primeira vez desde Outubro de 2021, antevemos que a taxa já vai começar a subir gradualmente no último trimestre do ano devido às importações necessárias ao recomeço do projeto da TotalEnergies e à depreciação do Metical”, concluem os analistas.
A inflação a um ano em Moçambique reduziu-se para 6,81% em Junho, de acordo com os dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor mais baixo em 14 meses.
“A redução da inflação em Junho é explicada pela queda do preço dos cereais no mercado internacional e a maior oferta interna de frutas e vegetais”, lê-se no relatório sobre o Índice de Preço no Consumidor do INE, relativo a Junho de 2023, consultado pela Lusa.
Em Maio passado, a taxa de inflação a um ano em Moçambique tinha atingido os 8,23%, que, segundo o INE, foi então o valor mais baixo (crescimento mensal) em 13 meses.
Na comparação face ao mês anterior, de Maio, a taxa de variação mensal da inflação em Moçambique caiu 0,58%, mas o acumulado desde o início do ano aponta para uma subida de 2,57%, segundo o histórico do INE.
INFLAÇÃO AUMENTA E A FOME TAMBÉM
A consultora Oxford Economics Africa considerou recentemente que o aumento da inflação, em África, vai acentuar a situação de falta de alimentos e da fome.
As moedas africanas têm depreciado, nos últimos meses devido à queda global dos preços do petróleo, e prevê-se que vá continuar a depreciar-se
No comentário, enviado aos clientes, o departamento africano da Oxford Economics considera que “o impacto desta desvalorização vai começar a mostrar-se numa inflação moderadamente mais alta no segundo semestre deste ano, ainda que bem melhor que o aumento de preços.
Segundo alguns economistas, a desvalorização do câmbio é o segredo para impulsionar a indústria e o sector exportador de qualquer país. Ao desvalorizar-se o câmbio, segundo eles, as exportações são estimuladas e, liderada por um aumento nas exportações, a indústria volta a produzir e, por conseguinte, toda a economia volta a crescer.
O primeiro grande problema é que, no mundo globalizado, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, os seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar maquinaria de ponta para fazer os seus serviços. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. O mesmo vale para qualquer indústria.
Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem – e irão aumentar -, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.
Um país de moeda forte e estável envia um sinal bem diferente ao mundo: “tragam o vosso dinheiro; mandem para cá os vossos especialistas; construam as vossas fábricas aqui; ensinem-nos tudo o que vocês sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e numa moeda que mantém o seu valor”.
E é exactamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o crescimento económico. Quando a moeda é estável, os investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe. O investimento em tecnologia é maior. O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento em infra-estruturas é maior.
A Rússia atacou Odessa, cidade costeira da Ucrânia, na madrugada desta sexta-feira, pela quarta noite consecutiva.
De acordo com um representante da Administração Militar da região ucraniana, citado pelo Notícias ao Minuto, os ataques russos atingiram depósitos de cereais de uma empresa do sector agrícola e destruíram 120 toneladas de produtos.
A fonte afirmou que cem toneladas de ervilhas e 20 toneladas de cevada foram destruídas. Duas pessoas ficaram feridas com cortes causados por vidros partidos durante as explosões.
O responsável disse ainda que o atentado contra o sector agrícola ucraniano foi realizado com mísseis de cruzeiro kalibr.
A Rússia tem atacado diariamente, desde terça-feira, portos e infraestruturas dedicados à exportação de produtos agrícolas, sobretudo cereais, da região de Odessa, onde se situam os três portos incluídos no chamado acordo dos cereais que Moscovo abandonou no início da semana.
Boleia à chave da felicidade, da autoria de Roberto Savanguanni, é o título do mais recente livro da Editorial Fundza, que será lançado às 17 horas desta sexta-feira, na Biblioteca Central da Universidade Pedagógica de Maputo (Museu).
Com aproximadamente duzentas páginas, o livro de Roberto Savanguanni é constituído por sete capítulos, designadamente: Apresentação; O despertar da iluminação do sonho; A esperança alimenta o sonho; A persistência cria ideias; Relatórios especiais; Resumo relatórios 16: os três diamantes; e Resumo do relatório: conclusivo.
Conforme sugerem os capítulos, trata-se de um livro que, não obstante o seu carácter literário, pretende ser um exercício motivacional, capaz de apoiar o leitor rumo a uma postura positiva em relação aos eventos diários e à vida em sociedade. Por isso mesmo, na Boleia à chave da felicidade, o amor é um belo complexo que se constrói no solo insubstituível do próximo.
No livro de Roberto Savanguani, é com o amor que a vida se torna útil para nós e para o outro, pois nos protege da erosão do coração e da mente. Tal fundamento proporciona condições mais do que suficientes para a edificação do bem-comum ao nível individual e social.
Roberto Savanguanni, pseudónimo de Roberto Armando Savanguane, nasceu a 06 de Dezembro, em Maputo. É escritor, poeta, empreendedor e estilista moçambicano. Estudou Gestão de Transportes. Foi actor de teatro e gestor.
Embora casos de desmaios na escola continuem preocupantes na Escola Secundária Geral 4 de Outubro, em Morrumbala, a Direcção da escola diz que os casos tendem a abrandar. Nos últimos dois dias, não houve registo de nenhum caso, depois de semanas conturbadas. De acordo com o director pedagógico do primeiro ciclo, curso diurno, Sidónio Ferrão, algumas alunas com histórico de desmaios estão em acompanhamento familiar.
Casos de desmaios na Escola Secundária Geral 4 de Outubro, em Morrumbala, na província da Zambézia, ocorrem desde o início deste ano com alguma preocupação. Até aqui, são contabilizados pelo menos 96 casos envolvendo apenas raparigas. A situação preocupa não só a Direcção da escola, como as comunidades ao nível do distrito, tendo já sido criada uma comissão técnico-científica para esclarecer as principais causas da situação.
No entanto, nos últimos dias a Direcção da escola diz que o cenário tende a abrandar. Sidónio Ferrão, director pedagógico do primeiro ciclo, fez saber que “o problema dos desmaios tem vindo a ocorrer há bastante tempo, e envolve algumas alunas. As mesmas alunas quando estão em casa, em acompanhamento familiar. O problema na escola tende a abrandar. A título de exemplo, esta terça-feira, as alunas que sempre se notabilizam com este problema estão em acompanhamento familiar e o ambiente que se viveu na escola foi de tranquilidade. Segunda-feira também não tivemos casos e estamos expectantes que a situação prevaleça neste ritmo”.
Contudo, o que a nossa reportagem acompanhou no terreno é o surgimento de um novo fenómeno. Ou seja, quando as meninas desmaiam, elas apresentam comportamentos típicos de manifestações espirituais, tal como explicou Marta José, aluna do ensino médio.
“Estamos muito mal, pois as moças têm vindo a cair de forma assustadora. Agora são manifestações em que elas caem e começam a comportar-se como pessoas com problemas mentais. Outras até chegam a correr pelo recinto escolar”, disse a estudante pedindo o fim da situação através de intervenção de todos.
Reis Tungadza, funcionário público afecto ao Hospital Distrital de Morrumbala, formado em saúde pública, diz tratar-se de histeria colectiva um fenómeno contagioso nas meninas. Chama atenção sobre a necessidade de se controlar, para evitar o seu alastramento, porque traz consequências negativas, com destaque para a esterilidade no futuro.
“As consequências da histeria colectiva são graves e são, às vezes, a longo prazo, podendo levar à irregularidade do ciclo menstrual da menina, infertilidade em casos futuros.”
Texto: Elton Pila
Quatro filmes depois, Yara Costa coloca uma instalação na Ilha de Moçambique. “Nahota e a sereia” é um happening, não apenas para Ilha, mas também para circuitos de arte mais experimentados. Se temos um assombro pelo formato, o lugar para onde a experiência nos leva é um wake up call. A instalação imersiva nos faz olhar para o património marítimo da cultura suaíli e propõe caminhos de regresso a um passado que era já futuro. É a arte interventiva, a tentar fechar a última comporta antes do mundo se esvair dentro da sua própria lama.
Odeio a ideia de começar por aqui. Mas tem de ser. Quem é a Yara Costa?
Tento responder a essa pergunta através dos trabalhos criativos que faço. Os meus filmes e agora esta instalação artística são a forma de me ir descobrindo, definindo e de dizer quem eu sou.
Sou cineasta, com uma formação em jornalismo. Mas não é isso que me define. Não saberia dizer o que me define, mas posso dizer o que me move.
E o que lhe move?
A história, cultura, identidade, no sentido de saber o que era no passado, perceber o que acontece no presente para ajudar a revelar o futuro. E como é que todas as coisas estão interligadas. O que faço através do meu trabalho artístico ajuda a conectar todos esses pontos, ajuda-me a perceber quem sou eu neste mundo neste período histórico, neste agora e perceber qual é o meu papel e qual acho que deve ser o meu papel neste mundo.
E isso é uma preocupação até identitária?
Meu pai é da Ilha de Moçambique, o vínculo que tenho com a Ilha é através dele. Meu pai é nascido na Ilha e os meus avós são de Goa, na Índia, que teve muita ligação com a Ilha de Moçambique.
Lembramos que, durante um longo período histórico, a Ilha de Moçambique esteve sobre a governação da Índia.
Do lado da minha mãe, a minha bisavó é da Tanzânia, ela foi levada para Índia ainda criança, depois da sua aldeia ter sido atacada e ela se ter perdido dos pais. Depois de ter estado na Índia, chegou de barco a Maputo. A minha mãe é neta de duas mulheres negras africanas, que tiveram filhos com homens europeus. Parte da família da minha mãe é de Inhambane um lugar que eu gosto muito. E, na verdade, parte da ideia deste projecto nasceu quando eu estava lá em Inhambane durante a pandemia da Covid-19.
Fui nascida em 1981 na cidade de Maputo, no momento em que o país também está tentar formar-se de certa maneira. Não sei quem me deu, se os antepassados ou Deus, eu nasci assim numa incumbência de tentar encontrar respostas para estas linhas da história que determina quem somos e como os outros nos vêem.
Mas achava que era tentar encontrar respostas. Só depois percebi que não é sobre encontrar respostas e sim sobre fazer perguntas certas.
E, recentemente, depois que eu decidi me instalar na Ilha de forma definitiva passei a ter muito interesse na costa Suaíli, nesta identidade que eu acho um pouco invisibilizada em Moçambique.
Sempre me senti como se estivesse de costas para o mar. Apesar dos 3 000 km do mar, quando a gente vai ver o que está escrito nos livros, até a própria noção do país, construção do pós-colonialismo, é de costas para o mar, é como se esta identidade não existisse. Mas a maior parte das pessoas vem de lá. No mundo, 3/4 da população vive na costa e em Moçambique também muita gente vive na costa, e isso nāo é limitado apenas à actividade económica de pesca, mas é muito mais. Tudo isto pode nos servir hoje para entender como é que está a ser a transformação do planeta, do clima e de todas as mudanças que estão a acontecer. Então, tudo isso me faz quem eu sou, sou uma pessoa que está sempre a mudar. A Yara de há dois ou três anos não é a mesma. Aprendi muito durante estes 3 anos com as comunidades costeiras e hoje, tenho mais perguntas que ontem.
Sempre teve esta inquietude em relação a quem é desde a infância ou foi se desenvolvendo com o tempo?
Sempre tive inquietação sobre tudo, de entender porque é que as coisas são como são.
Qual era a tua Maputo?
A da Sommershield, não podia ser mais privilegiada. Ainda que a minha família não venha necessariamente desse lugar de privilégio, começou a estar a partir daquele momento em que se definiram as linhas do país, nos anos 80. Mas, na casa dos meus pais, entrava e saía muita gente, com muitas histórias sobre o que estava a acontecer na guerra. A minha irmã adoptiva mais velha tinha perdido os pais na guerra, o pai tinha pisado numa mina e a mãe tinha sido queimada. Eram histórias que tinha dentro de casa. E talvez posso também ter juntado com alguns filmes que via na altura. Mas sentia uma tensão de que isto pode chegar mais perto. Lembro que, quando acabava energia, o meu avô dizia Afonsinho não está contente hoje. E eu me perguntava quem era este Afonsinho que trabalha na EDM. Levei muito tempo a perceber. É engraçado que, depois de formada em Jornalismo, a minha primeira entrevista foi com Afonso Dhlakama. Aquilo foi conhecer o Afonsinho da minha infância.
A inquietação, o colocar perguntas teve alguma influência na escolha de Jornalismo para a formação?
Eu não sabia bem o que eu ia fazer. Comecei por fazer antropologia social. Mas depois andei a pensar o que ia fazer com o curso. Tinha poucas opções como dar aulas na universidade, mas eu não gosto de dar aula. Eu sempre fui uma pessoa de pessoas, de sentar e ouvir falar, não me imaginava sentada num escritório fechado. E foi um amigo que sugeriu que tinha de fazer jornalismo, porque eu tinha muitas perguntas. E eu sempre tentava imaginar como seria se Moçambique não tivesse sido colonizado, se a África não tivesse sido colonizada. Eu sempre a querer questionar estas coisas e esse amigo disse que eu daria uma boa jornalista. Então, vi que haviam anunciado no jornal um convênio Moçambique-Brasil e que podias escolher o curso que querias e a faculdade que querias, tinhas que só fazer provas na altura. Então, fiz o curso de Jornalismo e Comunicação dentro de um Instituto de Cinema e Arte da Universidade Federal Fluminense. A Escola de Jornalismo estava lá dentro, então isso permitiu-me que tivesse professores de Cinema, de Jornalismo e Comunicação. Aprendi muito sobre olhar o mundo e como fazer as perguntas certas. Eu não sabia mexer numa câmara ou fazer uma reportagem, mas deram-me as ferramentas sobre como indagar ainda mais. Isso é o mais importante.
Já via muitos filmes na infância. Vai fazer a formação em Jornalismo e calha em um Instituto de Cinema e Arte. O caminho para tornar-se cineasta estava já traçado?
Talvez. E há outros episódios.
Vivia numa rua onde havia uma produtora de Cinema, a Ébano filmes. Eles estavam numa produção, acho que era uma das primeiras grandes produções com co-produção internacional. Era uma co-produção com Zimbabwe e com Estados Unidos. O filme era “Uma criança que vem do Sul”, era um pouco inspirada na história de Eduardo Mondlane e chamaram a Chude Mondlane para fazer parte da produção. O filme era muito de memória e era preciso encontrar uma criança mais ou menos parecida com a Chude para fazer o papel da actriz principal enquanto pequena. Fizeram o anúncio para o casting de crianças. E eu fui fazer o casting. Eram dezenas de crianças. Eu tinha 8 anos e o realizador gostou e disse vais ser tu e agora estas contratada para três meses de filmagens. Eu não sabia nada do que era aquilo, mas achava tudo incrível porque eu estava a dobrar o papel da actriz principal.
E, depois, veio um documentário. Eu fui assistente de um realizador senegalês, o Moussa Sene Absa já experimentado em filmes e o contrataram para fazer um filme sobre mulheres e microeconomia. O filme foi filmado na Índia, Colômbia, no México, Brasil, Senegal, Congo e Moçambique. No México, ele filmou num bordel de prostitutas reformadas. O filme era de pessoas, de mulheres e a visão das mulheres do mundo.
No Congo, foi com uma mulher que tinha um rosto de 100 anos, mas, na verdade, tinha 40. E lembro de ter ouvido ela dizer que tinha 17 crianças, todas filhas de violação durante a guerra, aquilo era pesado. Por acaso, em Moçambique foi a parte menos interessante, a história rondava o HIV, uma mulher que vivia com HIV ou trabalhava no hospital não me consigo lembrar bem.
Deste filme já adulta que era assistente de realização ao seu primeiro filme, quanto tempo se passou?
Não foi imediato. Depois da formação, trabalho com a STV como repórter-produtora de um programa que na altura chamava-se Ponto Parágrafo, apresentado no Teatro Avenida por Anabela Adrianopoulos ao vivo sobre temas não consensuais em que tinha três pessoas de cada lado. Era um pouco inspirado em alguns programas que víamos noutros países. Então fiz isso durante um tempo, trabalhei muito, ralei muito, foi duríssimo, aprendi muito. Mas tive a certeza de que a televisão não é para mim e é aí que ganhei uma bolsa de estudos Americana, a Fullbright. Fiz as provas e esperei um ano para poder estudar mestrado nos EUA em Nova York, onde me formei em Cinema-Documentário e como trabalho de final do curso era fazer um filme. Voltei para Ilha de Moçambique e comecei a interessar-me por ver imigrantes chineses e depois percebi que não era só aqui que estava a acontecer. Então, comecei a fazer esse projecto. Na Universidade, fui assistente de um professor que, ao final do semestre, levava os alunos para o Gana. E era também uma oportunidade de enriquecer o meu trabalho. Então filmei em Moçambique, Gana. E depois, de uma realizadora que conheci em um Festival, ouvi que o melhor lugar para o meu filme era o Lesotho, porque Lesotho é um lugar que nem os de lá ficam por lá, então lá fui. Encontrei lá chineses, mas era uma área muito complicada porque tinham assassinado um chinês pouco tempo antes da nossa chegada. E foi assim que eu fiz esse filme sobre chineses em África. E eu já tinha certeza de que queria fazer filmes, estar nos Estados Unidos a ver ajudou-me muito.
Como depois de 4 filmes, pensa numa instalação?
Eu já sabia da história dos Nahotas ou Nakhodhas e já tinha interesse. O Nakhodha é o capitão do dhow, embarcação à vela de origem suaíli, que conhece o mar, os ventos e as estrelas como ninguém. Alguém falou-me de um senhor que é grande conhecedor do mar e eu sempre ia conversar com ele. Era o senhor Torodji, uma grande Nahota e tivemos várias conversas. O senhor é uma biblioteca. Meu interesse aumentou. Tinha de pensar numa forma de eternizar isto. Eu absorvi tudo o que ele disse, mas não podia estar só em mim. Estava a pensar em alguma coisa. Fazer com as pessoas e para as pessoas. Então, pensei que devia fazer com os jovens da Ilha. Então fiz anúncio para quem estava interessado e acabei seleccionando seis jovens.
Começamos com formação. Era uma formação que ensinava como recolher histórias, que tipo de histórias e qual é a relevância de cada história. Na altura, só tínhamos telefones pessoais de cada um. Então, trabalhamos com os meios que tínhamos. Fomos seleccionando as pessoas com que nos interessava falar. E as histórias de Nahotas e sereias sempre passavam pelos nossos ouvidos. Não me interessava muito perceber a veracidade ou não dos Nahotas com casos com sereia mas sim como as pessoas vêem, vivem e interpretam o mundo de outras formas.
A história que ouvi era de um pescador abastado que encontrou com uma sereia. A sereia era uma figura não humana que mudava toda hora, às vezes era um monstro, às vezes era uma voz, uma cor. O que achei mais incrível ainda é a ideia de como é que as pessoas entendem o mar e o ambiente em que estão como extensão delas mesmas. Na verdade, respeitam aquelas criaturas ao ponto de casarem com elas e essa é uma maneira de ver a natureza. Ele então casou-se com a sereia, mas manteve uma promessa em que ele não podia ter uma relação terrena. Só que o pescador queria ter filhos e acabou casando. E a sereia foi desaparecendo e a partir desse tempo nunca mais voltou a pescar.
Parece ficção.
O meu olhar como artista me faz pensar este conceito do mar e humanidade, quando há um equilíbrio entre a natureza e o ser humano, quando as coisas estão equilibradas, este casamento – homem e natureza – as coisas correm bem. O homem tem o que comer, a natureza consegue se regenerar. Mas quando essa relação está descontrolada vivemos o que vemos agora. Estamos a viver uma ruptura nos ciclos, os constantes ciclones. Antes, era um em cada 40 anos, depois 20, agora, é um ou mais a cada ano. A nível do mar sobe a uma velocidade acelerada, aqui nesta região fala-se em 20 cm até ao ano de 2030!. O que estamos a ver é, no fundo, o divórcio entre natureza e humanos. A humanidade passou a extrair da natureza de forma desregrada para criar um estilo de vida que hoje o mundo já entende que não funciona, não é sustentável. Não se pode tirar da terra, chupar dela e achar que isso não tem consequências.
Então, para mim a relação do Nahota e da sereia é essa metáfora.
Há uma pesca industrial internacional que está acontecer que faz com que não haja peixe e quem sofre depois é o pescador artesanal que depois tem que ir com uma rede mosquiteira e é dele que depois a gente vai falar. Mas no fundo ele não é o problema, mas ele vive a consequência de um problema que a gente sabe onde começa. Todas essas histórias, a dimensão histórico-cultural, do conhecimento ambiental e climático, da arte música como é escrita tudo isso me interessou. Mas não cabia num filme de 60 minutos. Então, foi aí que comecei a pensar em gravar sons, filmar e apresentá-los de outra maneira.
Nas conversas com o Nahota, ele dizia-me que do lado de cima da água, a uma grande distância ele conseguia ver o que estava por baixo das águas, e que isso foi algo que foi aprendendo ao longo do tempo. A mim, isso pareceu-me tecnologia pura. Então, comecei a enquadrar os elementos e coordenar de uma forma coerente. Foi assim que comecei a escrever “Nahota e Sereia”.
Ao ver a instalação, a coisa que passa pela cabeça é como tudo isto foi feito, como é que este material foi levado até aquele edifício que está a acontecer a exposição. Qual é que foi o processo para que tivéssemos aquelas imagens do fundo do mar. Como foi tudo isto?
Já tinha a ideia de fazer uma coisa da realidade virtual. Era muito importante para mim gravar o som o mais próximo possível da realidade e do ouvido humano. Eu queria o som do pássaro que passa, o vento, o mar, ou seja queria poder transportar as pessoas para os espaços reais através do som. Por isso, gravamos o som em 360 graus.
O termos gravado antes com o telemóvel, ajudou a mapear que tipo de material seria importante. E isso facilitou quando começamos a gravar já a sério com o Rufus Maculuve que foi fundamental neste processo.
Como é ter um projecto deste género na Ilha de Moçambique. As questões ambientais aqui se fazem sentir imenso. Mas este formato é novo para todos. Como é comunicar estas coisas?
A Ilha em algum momento já foi o centro do mundo, eu queria de alguma forma honrar isto. O berço é a Ilha. Mas o projecto pode sair daqui para outro canto, Maputo, Cape Town, Dar-es-Salam e mais longe.
Mas as pessoas, cultura, conhecimento, ciência, sabedoria, arte e engenharia da Ilha tem um grande destaque aqui. O que estou a tentar fazer é que isso seja visibilizado, promovido, celebrado e protegido e que a gente possa olhar para nós mesmo conseguindo enxergar a riqueza e diversidade que temos em todas essas áreas. Porque eu acho que sofremos da síndrome de não olharmos para nós mesmos, para dentro, para casa, para a palhota, para o macúti, para o barco, para o pescador.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) diz que todos os partidos inscritos para as eleições autárquicas de 11 de Outubro foram aprovados. Hoje, arrancou o processo de submissão de candidaturas, mas nenhum partido apresentou a sua intenção de se candidatar ao escrutínio.
Embora todos os 23 partidos políticos, coligações e grupos de cidadãos que se inscreveram para as autárquicas tenham sido aprovados, o processo teve contestações.
A Renamo, por exemplo, submeteu uma impugnação para que se reprovasse a inscrição do partido Revolução Democrática. Em causa, estão os símbolos usados por esta formação política, que a Renamo entende serem semelhantes aos seus.
Ainda assim, o coordenador-adjunto da Comissão de Assuntos Legais e Deontológicos, Alberto Sabe, diz que a Revolução Democrática, formada por dissidentes da Renamo, foi aprovada.
“Todos foram aprovados, porquanto todos traziam os documentos exigidos pela lei. A CNE observa a autenticidade, a identidade e a semelhança de símbolos dos partidos. Feito isto, de hoje (referindo-se a ontem), dia 20 de Julho, até 11 de Agosto, estamos à excepção das candidaturas dos proponentes para as autarquias que anseiam desejar candidatar-se. A CNE não tem competência legal para excluir qualquer concorrente. Acima de tudo, tem positividade. Tem de ser dentro do prazo que a lei determina. Havendo qualquer vício, qualquer que seja falta de algum instrumento, cabe à CNE convidar o proponente para suprir aquela que é a falta para não enfermar o processo da sua inscrição ou candidatura”, disse Alberto Sabe, coordenador- adjunto da Comissão de Assuntos Legais e Deontológicos da CNE.
Esta quinta-feira, primeiro dia da submissão de candidaturas para as eleições de 11 de Outubro, nenhum partido esteve no Centro de Conferências Joaquim Chissano para o efeito.
“Infelizmente, até agora ainda não recebemos nenhum partido, mas estamos na fase de capacitação. Estamos prontos para receber os partidos. O apelo que nós deixamos é que os partidos não deixem para o fim. Venham logo nos primeiros dias, que é para, em caso de haver alguma falta de qualquer documento, suprir tempestivamente”, apelou.
Um incêndio de grandes proporções destruiu dezenas de bancas e barracas no Mercado T3 no Município da Matola. O fogo consumiu centenas de fardos de roupa usada.
O incêndio deflagrou na noite da última quarta-feira, numa altura em que quase todos os vendedores já tinham saído do mercado. Na secção de venda de lenha e carvão, onde igualmente funcionava um armazém, no qual se depositavam fardos de roupa usada, tudo foi destruído e reduzido às cinzas.
Líria Francisco, junto à sua mãe, tinha uma banca de venda de roupa usada e depositavam os fardos no armazém ora destruído. As duas estão agora desesperadas: “Da noite de ontem para hoje (de quarta à quinta-feira), recebi um telefonema a informar-me que o armazém onde depositámos a roupa estava a queimar. Mas, não conseguimos vir cá naquela alta noite, viemos cá esta manhã e perdemos tudo”.
Segundo os vendedores, o incêndio foi originado por fogo posto, este que queimou as cartolinas e papelões na lixeira e, com o vento desta quarta-feira, as chamas propagaram-se facilmente, segundo contou Judite Alberto: “Veio uma mana do interior do mercado, que vende comida, com cinza quente e deitou-a ali. Depois, a cinza originou fogo nós ainda aqui. Antes de irmos, tentámos apagá-lo e fomos para casa convencidos de que tivéssemos apagado, mas às 19h/20h ligaram”.
Adélia Balói, jovem que confecciona comida no Mercado T3, esteve presente na hora em que o fogo começou e lamenta que os bombeiros não tenham conseguido debelar as chamas. “O primeiro carro de bombeiros não conseguiu, voltou e veio o segundo que também não conseguiu. Por isso, nós, os vendedores, nos juntámos e tirámos a água dentro do tanque e começámos a ajudar para apagar o fogo.”
O Município da Matola já está a remover o lixo junto do mercado e garante o apoio aos afectados. João Mucavel, director de Salubridade naquela autarquia, disse que estava a ser feita a contabilização dos estragos.
“Neste momento, a actividade que está a decorrer é a de removermos os resíduos. Vamos sentar-nos para fazer a avaliação para podermos ver o tipo de assistência a prestar.”
O jornal O País contactou o porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública, Leonildo Pelembe, para obter esclarecimentos em torno do caso, mas não foi possível.