Um mês depois da última revolta, cerca de 400 famílias de quatro comunidades de Chibuto voltaram a manifestar-se e ameaçam ocupar a área de exploração de areias pesadas, caso o Governo e a empresa chinesa Dingsheng Minerals não encontrem uma solução para as compensações e outras reivindicações que se arrastam desde 2016.Um mês depois da última revolta, a tensão voltou a tomar conta do distrito de Chibuto. Desde o fim da tarde de terça-feira, famílias de quatro comunidades desencadearam uma nova onda de protestos, que chegou à sede do Governo distrital, exigindo respostas concretas sobre o pagamento das compensações decorrentes da instalação do projecto de exploração de areias pesadas.
As famílias dizem que continuam sem receber, na totalidade, os valores referentes às árvores cortadas nas áreas ocupadas pelo projecto, além de denunciarem o incumprimento de responsabilidades sociais assumidas no processo de reassentamento.
“Queremos o nosso dinheiro, que foi cortado pela empresa chinesa, no valor de 6.800 meticais por árvore”, reclamam os manifestantes.
A administradora de Chibuto, Cacilda Banze, confirma ter recebido o novo caderno reivindicativo apresentado pelos reassentados, mas diz haver elementos estranhos ao movimento, o que, na sua leitura, dificulta a resolução do conflito.
“Confirmo ter recebido o documento, mas há infiltrados que apresentam novas reivindicações e, assim, fica difícil resolver o problema”, afirma Cacilda Banze, administradora de Chibuto.
A revolta, entretanto, já não se limita aos valores que as famílias dizem estar por receber. Os reassentados acusam o Governo de não pressionar a empresa de capitais chineses responsável pelo projecto a cumprir as responsabilidades sociais assumidas no âmbito do reassentamento.
“Não recebemos todo o dinheiro por cada árvore. Governo, pedimos o nosso dinheiro. Se a empresa chinesa recebeu, que seja orientada a pagar o que é nosso e a cuidar das populações”, exige Litosl, residente em Mutsikuane.
Nos locais de reassentamento, as famílias denunciam condições precárias de habitação e falta de infra-estruturas básicas. Dizem que, apesar das sucessivas reivindicações, continuam sem respostas concretas e, por isso, ameaçam regressar às antigas terras, actualmente ocupadas pela actividade mineira.
“Queremos que saiam. Queremos voltar para as nossas terras”, afirma Anal, representante do grupo de reassentados.
Perante a pressão das comunidades, a administradora diz que existem processos em curso para tentar resolver um problema que se arrasta há cerca de uma década. Segundo Cacilda Banze, seriam necessários três milhões de dólares para responder às reivindicações apresentadas.
“São necessários três milhões de dólares para resolver o problema todo. E exigimos o cumprimento da responsabilidade social”, explica Banze.
As organizações da sociedade civil consideram urgente corrigir as falhas no processo de reassentamento iniciado em 2016 e alertam que a tensão poderá agravar-se enquanto as obrigações sociais e as reivindicações das comunidades não forem efectivamente atendidas.
“É urgente resolver as falhas graves que existem no processo de reassentamento. Enquanto as comunidades continuarem sem respostas, a tensão vai continuar”, alerta Gisela Zunguze, da sociedade civil em Chibuto.
E, desta vez, as famílias dizem estar dispostas a prolongar os protestos. Ameaçam permanecer nas ruas durante os próximos 30 dias e admitem avançar para a ocupação da área de exploração mineira, caso não sejam encontradas soluções para o conflito.
O técnico do Ferroviário da Beira, Hélder Duarte, foi suspenso por vinte dias e multado em 75 mil meticais pelo Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana por alegadamente proferir palavras injuriosas contra a equipa de arbitragem do jogo entre a sua equipa e o Costa do Sol.
O fervoroso “Caldeirão” do Chiveve viveu, no passado domingo, momentos de grande emoção e tensão no duelo mais importante da 15.ª jornada do Moçambola-2023.
Com a luta pela liderança da prova em causa (o Ferroviário da Beira precisava vencer para ascender ao primeiro lugar, após o empate a zero da Black Bulls com os “locomotivas” de Quelimane), não faltaram excessos, sendo que um dos protagonistas foi Hélder Duarte que adoptou atitude incorreta e proferiu palavras injuriosas contra a equipa de arbitragem.
Ainda no calor das emoções, Artur Faria, director Desportivo do Ferroviário da Beira, invadiu o campo e usou expressões grosseiras contra o árbitro principal.
Analisados os factos, o Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol decidiu sancionar Hélder Duarte com “vinte 20 dias de suspensão e ainda uma muita de 75 mil Meticais por adoptar atitude incorreta e proferir palavras injuriosas contra a equipa de arbitragem”
Por sua vez, Artur Faria “apanhou” uma “multa de 100 mil Meticais “por ter adoptado atitude incorrecta, invadindo o terreno do jogo usando expressões grosseiras contra o árbitro principal João Nhatave”.
No capítulo das penalizações, o Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol aplicou uma multa de 5 mil Meticais ao avançado do Costa do Sol Richard Mbulu, por ter sido admoestado o cartão amarelo pela quinta vez no Moçambola.
O Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol multou, semana passada, o treinador da Black Bulls, Custódio Gune, em 75 mil Meticais “por ter adoptado atitude incorrecta, proferindo palavras injuriosas para contra a equipa de arbitragem” no desfecho da partida entre os “touros” e o Ferroviário de Nacala, inserido na 14ª jornada do Moçambola-2023. Os “touros” perderam com os “locomotivas” de Nacala por 2-1.
O Presidente da República portuguesa considerou, esta quinta-feira, a morte do líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, “completamente irrelevante” para a guerra na Ucrânia, ou seja, não interfere no cenário do conflito.
Para Marcelo Rebelo de Sousa que falava no âmbito da sua visita a Ucrânia defendeu que o importante é perceber como é que o país invadido pode atingir os seus objectivos.
Prigozhin terá morrido na queda do jato privado em que seguia na quarta-feira e que fazia a ligação entre Moscovo e São Petersburgo.
No fim-de-semana, o Chefe de Estado e o primeiro-ministro estarão em São Tomé e Príncipe para a cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Em Kiev, o Presidente da República antecipou que iria reescrever a sua intervenção na cimeira para incluir a Ucrânia e a questão do apoio ao país invadido. O assunto fez parte do encontro entre Volodymyr Zelensky e Marcelo Rebelo de Sousa, pela posição privilegiada que Portugal tem no contacto com os países de África.
Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que há países do continente africano que mantêm uma posição neutra ou ambígua em relação à invasão russa e outros que alinham com a narrativa de Moscovo.
O presidente do Zimbabwe estendeu para hoje a realização do processo de votação para dar oportunidade aos que não puderam votar ontem. Emmerson Mnangagwa, que procura renovar o seu mandato, justificou a medida apontando a demora na abertura das urnas na quarta-feira.
Os zimbabweanos que não conseguiram votar esta quarta-feira tiveram mais uma oportunidade esta quinta-feira.
A decisão da extensão do período de votação foi tomada pelo Presidente Emmerson Mnangagwa, que luta pelo segundo mandato.
As eleições, de acordo com a imprensa internacional, estão a decorrer num ambiente calmo, embora haja queixas de tentativa de manipulação de votos pelo partido no poder.
Alguns eleitores denunciaram o envio de mensagem nos seus celulares, pelo partido no poder, apontando Mnangagwa como melhor candidato a ser votado.
A polícia zimbabweana anunciou a detenção de 39 observadores eleitorais e membros de duas organizações cívicas, que trabalham nas eleições presidenciais e legislativas.
Na sua posse, estavam computadores e telemóveis supostamente usados para coordenar a publicação de resultados eleitorais por certas organizações cívicas
Já foram concluídas as obras de melhoramento do Aeroporto de Chimoio, na província de Manica. As mesmas consistiram no melhoramento da pista de aterragem e reabilitação do edifício, tendo custado cerca de seis milhões de Meticais.
Inaugurada há 22 anos, a pista do Aeroporto de Chimoio já estava degradada. Há cerca de um mês, no entanto, foram concluídas as obras de reparação. No mesmo pacote, foi também incluída a reabilitação do edifício, agora com nova imagem.
Para já, segundo avançou Imeldina Dimbane, directora do Aeroporto de Chimoio, trabalha-se a todo vapor para se requalificar a infra-estrutura, de maneira que possam aterrar e descolar aviões de carga ainda este ano, estando-se a trabalhar nalguns aspectos.
O Aeroporto de Chimoio recebe um voo por dia e, com a reabilitação, espera-se mais fluxo de aeronaves.
Os deputados da Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) da Assembleia da República (AR) enaltecem o trabalho que está a ser realizado pela empresa Dingsheng Minerais, que explora as áreas pesadas de Chibuto, com vista a retoma da exportação de minérios a partir de Dezembro próximo.
Este sentimento foi expresso, esta semana, pela Relatora da CAEA, Glória Salvador, naquele distrito da província de Gaza, durante uma visita de trabalho que um grupo dos deputados daquela comissão efectuou àquela mineradora, no âmbito de fiscalização parlamentar, tendo explicado que a retoma de exportação de minérios é bem-vinda, na medida em vai contribuir para impulsionar o desenvolvimento da economia do país.
A parlamentar sublinhou que a empresa deve fazer a exploração de minérios sempre com a observância rigorosa de questões ambientais para o bem-estar das comunidades, fechando, no fim do projecto, por exemplo, as covas abertas aquando da extracção dos mineiros, para que as comunidades possam voltar a usar aquelas terras.
Por seu turno, o técnico de laboratório da Dingsheng Minerais, Dicla Chirima, informou aos deputados que a empresa vai recomeçar a exportar o seu minério em Dezembro próximo, logo que as obras de construção da Doca do distrito de Chongoene terminar em Novembro do corrente ano.
De acordo com a fonte, a empresa tinha iniciado a exportação do minério, antes da COVID-19 em regime experimental. “Agora, estamos a produzir, temos, nos nossos armazéns, mais de 25 000 toneladas de minérios disponíveis para o mercado, à espera da conclusão das obras de construção da Doca, para, a partir do mês de Dezembro do presente ano, começarmos a escoar o produto que já tem mercado à espera devido ao seu maior valor comercial”, disse Chirima.
Questionado como é que a empresa tem acautelado as questões ambientais, Chirima disse que a empresa não foge daquilo que a legislação do país prevê, explicando que existe um plano de reposição das áreas retiradas.
“A nossa legislação é rigorosa quanto a este aspecto, pois, nela, estão patentes os procedimentos de como é que as empresas devem corrigir os danos ambientais causados pela exploração mineira, frisou Chirrima, para quem a empresa tem a obrigação de criar condições de fazer com que a lei seja cumprida.
O técnico de laboratório da Dingsheng Minerais acrescentou que “a empresa está ciente das suas obrigações, mas é prematuro dizer quando é que começa o processo de tapamento das covas, pois a empresa está na fase inicial de exploração”.
Avaliado em 400 milhões de dólares norte-americanos, o projecto das areias pesadas de Chibuto emprega, actualmente, cerca de 642 trabalhadores, dos quais cinco mulheres moçambicanas, que trabalham nas machambas e limpezas, e uma chinesa, que trabalha na logística, número que poderá aumentar com a retoma de exportações, para 3000 postos de emprego até 2024.
O reduzido número de mulheres naquela mineradora preocupa os parlamentares, que instaram o Governo local e a direcção da mineradora a capacitarem a mulher, por forma a fazer parte da empresa, desempenhando tarefas nas áreas técnicas.
As areias pesadas de Chibuto, com grande valor comercial, compreendem cinco tipos de minérios, designadamente, terras raras, rutilo, zircão ilmenitite e titânio, destacando-se o titânio, matéria-prima, a produção de tintas, plásticos, cosméticos e para a fabricação de componentes de aeronaves.
Em Moçambique, 50,1% de Agregados Familiares (AF) têm acesso a energia eléctrica, dos quais, 32% através da rede eléctrica e 18,1% por outras fontes. Isso significa que 49,9% dos AF está sem conexão à rede e nem outras soluções de electricidade, segundo o Inquérito sobre o Impacto do Acesso à Energia Sustentável 2022 do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). No que refere à área de residência, os resultados indicam que 71,2% dos AF da área urbana tem acesso à energia eléctrica da rede nacional enquanto na área rural, o maior acesso à electricidade é através de outras fontes (23,6%). Refira-se que na área rural a maior parte dos AF vive sem conexão à rede, sem outras soluções de electricidade (63,3%).
O Inquérito sobre o Impacto do Acesso à Energia Sustentável 2022 do INE revela que o acesso e ligação à electricidade no país é de, 50,1% de AF, sendo 32,% através da rede eléctrica e 18,1% através de outras fontes. Isso significa que 49,9% dos AF estão sem conexão à rede nem outras soluções de electricidade, situação mais grave nas áreas rurais (86,8%), províncias de Tete (84,7%) e na Zambézia (83,3%).
Segundo a distribuição geográfica, a Cidade e Província de Maputo apresentam maior percentagem de AF com acesso à energia eléctrica através da rede nacional/local, com 96,5% e 69,8%, respectivamente. Destacam-se, ainda, as províncias de Cabo Delgado (73,4%), Tete (69,8%), Zambézia (59,1%) e Niassa (57,6%) por apresentarem maior número de AF sem acesso a qualquer fonte de energia eléctrica.
Os poucos domicílios com electricidade na área rural têm maior acesso através de energia solar (85,3%), baterias recarregáveis (74,9%) e baterias de células secas (71,4%) face a área urbana que usa electricidade da rede nacional (72,2%) e gerador eléctrico (58,3%). 8. Cerca de 73% de AF carrega o telefone celular na sua própria casa, da qual a Cidade de Maputo apresenta maior percentagem (95,9%).
Quanto aos níveis gerais de acesso à electricidade destaca-se: Para dimensão de capacidade, ressalta-se que 56,9% dos AF usa electricidade com menos de 3 Watts (W) por dia ou menos de 12 Watts por horas (Wh), ou não têm acesso à electricidade, principalmente em Tete (78%), Cabo Delgado (76%), Zambézia (67,8%), Nampula (67%) e Niassa (65,6%) contra 34,0% de AF com consumo diário de 8,2 kWh, sobretudo na Cidade de Maputo (97,8%) e nas províncias de Maputo (72,6%) e Gaza (59,1%).
Para disponibilidade, 93,6% dos consumidores têm disponibilidade de energia eléctrica por, pelo menos, 23 horas por dia. Para a qualidade, 78,6% dos consumidores não presenciou problemas de interrupções que danificam electrodomésticos. No entanto, 21,4% de consumidores registou interrupções de corrente que danificaram electrodomésticos, com destaque na área urbana (24,3%), na Cidade de Maputo (39,6%), nas províncias de Sofala (27,4%), Maputo (26,5%) e Zambézia (22%).
Para fiabilidade da energia fornecida, o Inquérito revela que 65,9% dos consumidores têm mais de catorze cortes de energia por semana, destacando-se as províncias de Manica, Inhambane e Cidade de Maputo com mais de 80% de AF nessa situação.
Em termos de acessibilidade, 50,5% dos consumidores gastam mais de 5% do rendimento anual com electricidade. 9.6 Quanto à legalidade, quase todos consumidores pagam ao fornecedor de electricidade (96,7%). Todavia, as províncias da Zambézia (15,6%) e Niassa (13,9%) registam maior percentagem de consumidores que não pagam o consumo da electricidade.
No que se refere ao acesso global ao combustível e tecnologias de energias limpas, 40,3% de AF tem acesso a energia sustentável, com maior déficit para área rural (24,8%) contra área urbana (72,7%).
Assim, relativamente aos níveis de tecnologias para cozinha, tem–se aproximadamente 72% dos AF que usa cozinha de baixa conveniência para confeccionar os alimentos, isto é, em cada 7 dias eles gastam mais de 7 horas para adquirir combustível para cozinhar e mais de 15 minutos em preparar o fogão para cozinhar.
Cerca de 95% de AF usa um fogão principal seguro, isto é, sem acidente ligado ao fogão nos últimos 12 meses. 10.3 Quase todos AF gastam mais de 5% da sua renda anual em aquisição de combustível para cozinha, situação mais grave na Cidade de Maputo (99,4%), províncias de Maputo (93,9%) e Niassa (92,1%). 10.4 91,0% dos AF experimentou uma crise de acesso à combustível para cozinhar ao longo dos últimos 12 meses, principalmente na área rural (94,0%) do que na área urbana (84,7%).
Quanto à educação, 24,% de AF com acesso à electricidade, com crianças de 6-14 anos de idade usa energia solar, face a 1,0% de AF sem acesso para fazer lições de casa. Mais de dois terços de AF com acesso à electricidade, seus filhos estudam a lição de casa durante o dia, contrariamente aos 85,6% dos AF sem acesso.
No que se refere à iluminação e segurança públicas, 22,1% de AF com acesso à electricidade tem ruas iluminadas contra 5% dos AF sem acesso a iluminação pública. Cerca de 86,0% de AF com acesso à electricidade tem iluminação pública nocturna contra 87,7% de AF sem iluminação pública nocturna.
O documento revela que mais de 60% de AF com acesso à electricidade sente se completamente segura ao andar sozinha em casa e em locais públicos durante o dia, 41,4% de AF não se sente segura ao andar sozinha durante a noite, para AF sem acesso à eléctricidade, 36,6% não se sente segura ao andar sozinha durante a noite.
A Federação Moçambicana de Patinagem diz ter submetido, há três meses, o pedido de apoio ao Fundo de Promoção Desportiva, solicitação que viria a ter desfecho negativo. Secretaria de Estado de Desporto rebate, considerando que tal pedido devia ter sido feito ano passado.
O hóquei em patins bateu fundo. De uma modalidade prestigiada, que em 2011 maravilhou o mundo ao ocupar o quarto lugar no Mundial do Grupo A, em San Juan, na Argentina, colocando em sentido a temível e respeitável Espanha, a modalidade entrou este ano para a história pela…negativa. É que, faltando dois dias para o arranque da 2ª edição do Campeonato Africano, no Cairo, Egipto, a Federação Moçambicana de Patinagem anunciou a desistência da prova do vice-campeão, estatuto conquistado em 2019 em Luanda, Angola. A polémica não tem fim à vista e ganha novos contornos a cada dia que passa.
A desistência, e outra coisa não seria de esperar, atira Moçambique para a Taça Challenger (uma espécie de terceira divisão do hóquei em patins), onde vai medir forças com selecções menos cotadas. A modalidade que, em 2006, conquistou o Mundial do Grupo “B”, no Uruguai, e em 2019 açambarcou o troféu da Taça Intercontinental, em Barcelona, Espanha, foi simplesmente banalizada. O futuro dirá, na verdade, se virão outras penalizações. Internamente, cresce o coro de indignação e lamentações por esta desistência que belisca uma modalidade que, ao nível de clubes, também inscreveu o some nome nos anais da mesma com a conquista, em 1991, do Campeonato Africano pelo Estrela Vermelha reforçado por Pedro Pimentel, então jogador do Desportivo de Maputo. Muita história colocada no “caixote de lixo”.
A Federação Moçambicana de Patinagem diz que precisava de cinco milhões de Meticais para viabilizar a participação das selecções sub-19 e principal no Campeonato Africano, tendo, segundo esta agremiação, submetido um pedido de apoio ao Fundo de Promoção Desportiva à Secretaria de Estado de Desporto há três meses. “Apesar da federação egípcia ter garantido que ia ajudar-nos com dois milhões de Meticais para alojamento e alimentação, a família do hóquei em patins criou um grupo para angariação de fundos. Conseguimos aproximadamente 200 mil Meticais que não dava para comprar passagens”, começou por explicar Sidique Aly, vice-presidente da Federação Moçambicana de Patinagem para Relações Internacionais. Mas, afinal, qual foi o “timing” para formalização do pedido de apoio ao Fundo de Promoção Desportiva, financiador das actividades das selecções nacionais? E qual foi a resposta da instituição dirigida pela “polémica” Amélia Chavana? “Há três meses atrás metemos uma carta a pedir apoio na ordem de cinco milhões de Meticais. O próprio disse que, se puderem pagar alimentação e alojamento, podia nos aliviar”, acusou Aly.
Agora, o país aguarda serenamente pelas penalizações que virão por parte da Word Skate. Uma coisa é certa: o hóquei em patins moçambicano, em termos de intervenção internacional, perde forças e abrem-se feridas ao nível da família desta modalidade sobre rodas. “Fizemos uma carta ao presidente da Word Skate a explicar esta situação. Vamos esperar. Vamos ver o que eles irão decidir.”
TEM A PALAVRA A SED
Após as eleições realizadas em finais de Novembro de 2020, que culminaram com a vitória de Eneas Comiche Jr (candidato da lista A) com oito votos contra três de Nelson Costa (candidato da lista B), o candidato derrotado impugnou as mesmas por alegadas irregularidades. Esta situação atirou o hóquei em patins para uma guerra fora nos “rinks”, ou seja, nos tribunais com providências cautelares atrás de providências cautelares. Este caso não passa despercebido aos olhos da Secretaria de Estado de Desporto, quando abordada sobre a polémica desistência da selecção nacional do Campeonato Africano. “Como vocês sabem, houve um processo eleitoral muito recentemente que não teve um desfecho apaziguado entre as partes, esteve em tribunal durante muito tempo. Isso levou a que a própria direcção da federação estivesse inoperante durante muito tempo”, recordou Gilberto Mendes.O tempo de submissão do pedido de apoio foi igualmente convocado por Gilberto Mendes para justificar a não providência dos dinheiros requisitados.

“Toda a logística para ser feita tem que se preparar com antecedência, a requisição de apoios por aí adiante. Ficou estranho uma modalidade conceituada como hóquei em patins não ter conseguido nenhum apoio. Isto é sintomático de todo o problema que esteve por detrás de toda a administração. Três meses é este ano. Eles deviam ter submetido ano passado. Sabe que o orçamento do Estado é feito no ano anterior. Por vezes a gente consegue intervir e noutras vezes não porque os desafios são enormes. Veja quantas selecções nos temos a trabalharem fora”, argumentou.
A finalizar, Mendes deixou claro que o Governo reconhece o historial desta modalidade. “O hóquei em patins já nos habituou a grandes resultados. Sempre trouxe glórias para o país. É uma modalidade que o Governo acarinha muito. Infelizmente, estão a passar por um momento meio conturbado.”
O grupo de economias emergentes (BRICS) anunciou, esta quinta-feira, a adesão da Argentina, Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
“Decidimos convidar a República da Argentina, a República Árabe do Egito, a República Federal da Etiópia, a República Islâmica do Irão, o Reino da Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, para serem membros de pleno direito, efectivo a partir de 01 de Janeiro de 2024”, disse o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Cyril Ramaphosa falava falava em conferência de imprensa sobre o resultado das deliberações da 15.ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo do BRICS, que termina hoje em Joanesburgo.
Com a entrada da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irão, o bloco de economias emergentes passa também a representar seis dos nove maiores produtores de petróleo do mundo, juntamente com a Rússia, China e Brasil.
A Arábia Saudita é o segundo maior produtor de petróleo do mundo, depois dos Estados Unidos, com uma produção média diária estimada em 11 milhões de barris e 17% das reservas mundiais, segundo dados divulgados em julho por operadores ligados ao sector.
O bloco BRICS representa actualmente mais de 42% da produção mundial e deve mudar a economia mundial até 2030, sendo os maiores parceiros comerciais de África.
Na cimeira dos BRICS, que decorreu de 22 a 24 de Agosto, Brasil, Índia e África do Sul estiveram representados pelos respectivos Chefes de Estado. A Rússia, que também faz parte do grupo, esteve representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov.
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse, ontem, que o grande culpado da guerra na Ucrânia é o ocidente que, movido pela vontade de preservar a hegemonia, está a patrocinar a guerra. Neste momento, Putin garante que tudo está a ser feito para que o conflito tenha fim.
Os trabalhos da 15ª sessão dos BRICS até começaram na terça-feira, com o fórum de negócios, mas a abertura oficial foi feita ontem pelos Chefes de Estado dos cinco países-membros. Cada um dos líderes foi focalizando o discurso no que mais é do seu interesse.
Vladimir Putin não teve como participar no encontro e mandatou o seu ministro dos negócios estrangeiros, Sergey Lavrov, mas a intervenção fê-la pessoalmente, ainda que de forma virtual. Falou da guerra na Ucrânia, disse que é patrocinada pelo ocidente, que quer manter a sua hegemonia, e explicou o que está a acontecer agora no campo de operações.
“As nossas acções na Ucrânia são guiadas por uma coisa apenas, dar o fim a uma guerra que foi criada pelo ocidente contra as pessoas em Donbass. Nós agradecemos aos nossos colegas do BRICS que tomam uma parte activa para colocar fim à situação e uma resolução pacífica”, reconheceu Putin.
Entre os líderes presentes está Lula da Silva, recentemente reeleito à presidência do Brasil. Uma das suas bandeiras é a necessidade de se criar uma frente de paz que possa negociar tanto com a Rússia, assim como com a Ucrânia.
Mas não é a única preocupação que Lula apresenta nesta sua volta à governação do Brasil. Tem estado a ser um polo forte de cooperação entre os países do sul global, por isso é que desta vez também falou muito da preocupação que tem com a exploração dos recursos naturais desses países.
“Os nossos recursos não podem ser explorados para o benefício de poucos, mas valorizados e colocados ao serviço de todos, sobretudo das populações locais. Para que as promessas feitas pelos países ricos se tornem reais, o financiamento climático e da biodiversidade deve ser novo e adicional ao financiamento ao desenvolvimento. Precisamos de um sistema financeiro internacional que, em vez de alimentar as desigualdades, ajude os países de baixa e média renda a implementar mudanças estruturais”, disse Lula, explicando que isso só terá lugar se as instituições do Bretton Woods tiverem representatividade nos seus fundos climáticos.
Já a China, país destacado em matérias de digitalização, chama os seus parceiros para que se tenha atenção à chegada de uma nova ferramenta. “A inteligência artificial é uma nova fronteira do desenvolvimento e pode gerar enormes dividendos de desenvolvimento, mas também traz riscos e desafios. Cinco países concordaram em lançar o grupo de estudo do Instituto dos BRICS para as futuras redes de trabalho. Temos de habilitar o grupo a jogar o seu papel completo para a expansão da cooperação tecnológica e partilha de informação. Temos de, conjuntamente, pensar sobre os riscos e desenvolver um quadro de trabalho para os Governos”.
Há mais de 40 Chefes de Estado e de Governo convidados para esta cúpula e que vão participar na sessão alargada desta quinta-feira. Espera-se que, hoje, Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, faça uma intervenção.