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Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.

A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.

O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.

Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.

Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).

O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).

Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.

Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.

Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.

“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.

A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.

Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.

O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.

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A Federação Moçambicana de Patinagem diz ter submetido, há três meses, o pedido de apoio ao Fundo de Promoção Desportiva, solicitação que viria a ter desfecho negativo. Secretaria de Estado de Desporto rebate, considerando que tal pedido devia ter sido feito ano passado.

O hóquei em patins bateu fundo. De uma modalidade prestigiada, que em 2011 maravilhou o mundo ao ocupar o quarto lugar no Mundial do Grupo A, em San Juan, na Argentina, colocando em sentido a temível e respeitável Espanha, a modalidade entrou este ano para a história pela…negativa. É que, faltando dois dias para o arranque da 2ª edição do Campeonato Africano, no Cairo, Egipto, a Federação Moçambicana de Patinagem anunciou a desistência da prova do vice-campeão, estatuto conquistado em 2019 em Luanda, Angola. A polémica não tem fim à vista e ganha novos contornos a cada dia que passa.

A desistência, e outra coisa não seria de esperar,  atira Moçambique para a Taça Challenger (uma espécie de terceira divisão do hóquei em patins), onde vai medir forças com selecções menos cotadas. A modalidade que, em 2006, conquistou o Mundial do  Grupo “B”, no Uruguai, e em 2019 açambarcou o troféu da Taça Intercontinental, em Barcelona, Espanha, foi simplesmente banalizada. O futuro dirá, na verdade, se virão outras penalizações. Internamente, cresce o coro de indignação e lamentações por esta desistência que belisca uma modalidade que, ao nível de clubes, também inscreveu o some nome nos anais da mesma com a conquista, em 1991, do Campeonato Africano pelo Estrela Vermelha reforçado por Pedro Pimentel, então jogador do Desportivo de Maputo. Muita história colocada no “caixote de lixo”.

A Federação Moçambicana de Patinagem diz que precisava de cinco milhões de Meticais para viabilizar a participação das selecções sub-19 e principal no Campeonato Africano, tendo, segundo esta agremiação, submetido um pedido de apoio ao Fundo de Promoção Desportiva à Secretaria de Estado de Desporto há três meses. “Apesar da federação egípcia ter garantido que ia ajudar-nos com dois milhões de Meticais para alojamento e alimentação, a família do hóquei em patins criou um grupo para angariação de fundos. Conseguimos aproximadamente 200 mil Meticais que não dava para comprar passagens”, começou por explicar Sidique Aly, vice-presidente da Federação Moçambicana de Patinagem para Relações Internacionais. Mas, afinal, qual foi o “timing” para formalização do pedido de apoio ao Fundo de Promoção Desportiva, financiador das actividades das selecções nacionais? E qual foi a resposta da instituição dirigida pela “polémica” Amélia Chavana? “Há três meses atrás metemos uma carta a pedir apoio na ordem de cinco milhões de Meticais. O próprio disse que, se puderem pagar alimentação e alojamento, podia nos aliviar”, acusou Aly.

Agora, o país aguarda serenamente pelas penalizações que virão por parte da Word Skate. Uma coisa é certa: o hóquei em patins moçambicano, em termos de intervenção internacional, perde forças e abrem-se feridas ao nível da família desta modalidade sobre rodas. “Fizemos uma carta ao presidente da Word Skate a explicar esta situação. Vamos esperar. Vamos ver o que eles irão decidir.”

TEM A PALAVRA A SED

Após as eleições realizadas em finais de Novembro de 2020, que culminaram com a vitória de Eneas Comiche Jr (candidato da lista A) com oito votos contra três de Nelson Costa (candidato da lista B), o candidato derrotado impugnou as mesmas por alegadas irregularidades. Esta situação atirou o hóquei em patins para uma guerra fora nos “rinks”, ou seja, nos tribunais com providências cautelares atrás de providências cautelares. Este caso não passa despercebido aos olhos da Secretaria de Estado de Desporto, quando abordada sobre a polémica desistência da selecção nacional do Campeonato Africano. “Como vocês sabem, houve um processo eleitoral muito recentemente que não teve um desfecho apaziguado entre as partes, esteve em tribunal durante muito tempo. Isso levou a que a própria direcção da federação estivesse inoperante durante muito tempo”, recordou Gilberto Mendes.O tempo de submissão do pedido de apoio foi igualmente convocado por Gilberto Mendes para justificar a não providência dos dinheiros requisitados.

“Toda a logística para ser feita tem que se preparar com antecedência, a requisição de apoios por aí adiante. Ficou estranho uma modalidade conceituada como hóquei em patins não ter conseguido nenhum apoio. Isto é sintomático de todo o problema que esteve por detrás de toda a administração. Três meses é este ano. Eles deviam ter submetido ano passado. Sabe que o orçamento do Estado é feito no ano anterior. Por vezes a gente consegue intervir e noutras vezes não porque os desafios são enormes. Veja quantas selecções nos temos a trabalharem fora”, argumentou.

A finalizar, Mendes deixou claro que o Governo reconhece o historial desta modalidade. “O hóquei em patins já nos habituou a grandes resultados. Sempre trouxe glórias para o país. É uma modalidade que o Governo acarinha muito. Infelizmente, estão a passar por um momento meio conturbado.”

O grupo de economias emergentes (BRICS) anunciou, esta quinta-feira, a adesão da Argentina, Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

“Decidimos convidar a República da Argentina, a República Árabe do Egito, a República Federal da Etiópia, a República Islâmica do Irão, o Reino da Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, para serem membros de pleno direito, efectivo a partir de 01 de Janeiro de 2024”, disse o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

Cyril Ramaphosa falava falava em conferência de imprensa sobre o resultado das deliberações da 15.ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo do BRICS, que termina hoje em Joanesburgo.

Com a entrada da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irão, o bloco de economias emergentes passa também a representar seis dos nove maiores produtores de petróleo do mundo, juntamente com a Rússia, China e Brasil.

A Arábia Saudita é o segundo maior produtor de petróleo do mundo, depois dos Estados Unidos, com uma produção média diária estimada em 11 milhões de barris e 17% das reservas mundiais, segundo dados divulgados em julho por operadores ligados ao sector.

O bloco BRICS representa actualmente mais de 42% da produção mundial e deve mudar a economia mundial até 2030, sendo os maiores parceiros comerciais de África.

Na cimeira dos BRICS, que decorreu de 22 a 24 de Agosto, Brasil, Índia e África do Sul estiveram representados pelos respectivos Chefes de Estado. A Rússia, que também faz parte do grupo, esteve representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse, ontem, que o grande culpado da guerra na Ucrânia é o ocidente que, movido pela vontade de preservar a hegemonia, está a patrocinar a guerra. Neste momento, Putin garante que tudo está a ser feito para que o conflito tenha fim.

Os trabalhos da 15ª sessão dos BRICS até começaram na terça-feira, com o fórum de negócios, mas a abertura oficial foi feita ontem pelos Chefes de Estado dos cinco países-membros. Cada um dos líderes foi focalizando o discurso no que mais é do seu interesse.

Vladimir Putin não teve como participar no encontro e mandatou o seu ministro dos negócios estrangeiros, Sergey Lavrov, mas a intervenção fê-la pessoalmente, ainda que de forma virtual. Falou da guerra na Ucrânia, disse que é patrocinada pelo ocidente, que quer manter a sua hegemonia, e explicou o que está a acontecer agora no campo de operações.

“As nossas acções na Ucrânia são guiadas por uma coisa apenas, dar o fim a uma guerra que foi criada pelo ocidente contra as pessoas em Donbass. Nós agradecemos aos nossos colegas do BRICS que tomam uma parte activa para colocar fim à situação e uma resolução pacífica”, reconheceu Putin.

Entre os líderes presentes está Lula da Silva, recentemente reeleito à presidência do Brasil. Uma das suas bandeiras é a necessidade de se criar uma frente de paz que possa negociar tanto com a Rússia, assim como com a Ucrânia.

Mas não é a única preocupação que Lula apresenta nesta sua volta à governação do Brasil. Tem estado a ser um polo forte de cooperação entre os países do sul global, por isso é que desta vez também falou muito da preocupação que tem com a exploração dos recursos naturais desses países.

“Os nossos recursos não podem ser explorados para o benefício de poucos, mas valorizados e colocados ao serviço de todos, sobretudo das populações locais. Para que as promessas feitas pelos países ricos se tornem reais, o financiamento climático e da biodiversidade deve ser novo e adicional ao financiamento ao desenvolvimento. Precisamos de um sistema financeiro internacional que, em vez de alimentar as desigualdades, ajude os países de baixa e média renda a implementar mudanças estruturais”, disse Lula, explicando que isso só terá lugar se as instituições do Bretton Woods tiverem representatividade nos seus fundos climáticos.

Já a China, país destacado em matérias de digitalização, chama os seus parceiros para que se tenha atenção à chegada de uma nova ferramenta. “A inteligência artificial é uma nova fronteira do desenvolvimento e pode gerar enormes dividendos de desenvolvimento, mas também traz riscos e desafios. Cinco países concordaram em lançar o grupo de estudo do Instituto dos BRICS para as futuras redes de trabalho. Temos de habilitar o grupo a jogar o seu papel completo para a expansão da cooperação tecnológica e partilha de informação. Temos de, conjuntamente, pensar sobre os riscos e desenvolver um quadro de trabalho para os Governos”.

Há mais de 40 Chefes de Estado e de Governo convidados para esta cúpula e que vão participar na sessão alargada desta quinta-feira. Espera-se que, hoje, Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, faça uma intervenção.

A Associação Black Bulls deverá encaixar 500 mil euros (perto de 35 milhões de Meticais), caso o Sporting adquira os 80% remanescentes do passe do internacional moçambicano Geny Catamo até dia 12 de Setembro, a troco de 600 mil euros. Ainda assim, Junaide Lalgy, presidente da Black Bulls, torce o nariz em relação a este negócio. E, em entrevista ao jornal “A Bola”, Lalgy não hesitou em dizer que “alegra-nos a todos mas confesso que, como já disse, o negócio foi malparido.”

Geny Catamo, 22 anos, era quase um ilustre desconhecido dos espectadores do futebol português até ao momento em que, no Troféu Cinco Violinos diante do Villarreal, após ter marcado três golos na pré-época, o talentoso canhoto enrolou dois defensores adversários e ter colocado a bola direitinha no pé de Paulinho para mais um golo.

Este foi o momento do extremo adaptado a lateral ser chamado a um palco maior, mas o moçambicano está longe de ser um desconhecido para os clubes nacionais e, inclusivamente, depois de ter brilhado nas camadas jovens do Maxaquene – clube no qual era conhecido por Messi – e, na Academia Black Bulls, esteve com um pé no FC Porto.

A história é contada por Junaide Lalgy, proprietário do Black Bulls e que foi investidor do Amora, por agora na Liga 3. “O FC Porto tinha uma parceria com o Black Bulls para receber jogadores mediante certas condições previamente definidas e queria o Geny para o integrar na equipa de sub-19. No entanto, esta parceria estava a expirar e nós entendemos que a transferência do jogador deveria ser feita noutros moldes, o que o FC Porto não aceitou. Isso foi em Janeiro de 2018, quando o Geny estava prestes a completar 17 anos. Como o acordo com o FC Porto não avançou, decidimos inscrevê-lo no Amora e, nessa época, ainda fez alguns jogos [4] pela equipa principal”, conta Lalgy.

O percurso de Catamo no Amora continuou até que na época seguinte deu o salto para o Sporting. “O acordo foi mal elaborado por quem o conduziu, pois está inclinado para um dos outorgantes e não estou a falar de verbas mas de outros trâmites”, conta o dirigente moçambicano que foi investidor no Amora até 2020, altura em que o capital social do clube do Sul do país foi vendido a capitais norte-americanos.

Contas feitas, o Sporting tem até final do mês de Setembro para comprar, a troco de 600 mil euros, os 75 por cento do passe de Catamo que ainda estão na posse do Amora. Mas Lalgy faz uma ressalva: “Dessa parte dos direitos económicos do jogador que estão no Amora, 85 por cento são do Black Bulls.” Ou seja, caso a compra da totalidade do passe de Catamo por parte do Sporting se efetive – como tudo o indica -, o emblema moçambicano vai receber 510 mil euros.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou para que as eleições autárquicas sejam mais uma oportunidade para a exaltação da cultura e que os jovens envolvidos na XI edição do Festival Nacional da Cultura sejam o exemplo de como se convive com a diferença. Nyusi falava na abertura do evento, na Província de Maputo.

A cultura foi exaltada ao mais alto nível no Festival Nacional da Cultura, que, desta vez, tem, na Província de Maputo, o seu palco de actuação.

Canto, dança, poesia, gastronomia, artesanato, artes plásticas e outras modalidades fizeram soar alto a diversidade cultural, afinal todas províncias do país se reencontram depois da interrupção causada pela pandemia da COVID-19.

Uma vez que o intercâmbio cultural acontece num ano eleitoral, o Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou para que as eleições autárquicas sejam mais uma oportunidade para exaltação da cultura e que os jovens envolvidos sejam o exemplo de como se convive com a diferença.

“A cultura de paz, de reconciliação e de tolerância. Em suma, a celebração da democracia, e da convivência sã entre os munícipes sem vestir cores partidárias. Vocês bem viram aqui, não sabemos de que partido são os jovens que vimos dançar aqui, ou sua ideologia política, nunca ouvi dizer, por exemplo, que Marrambenta pertence a algum partido político.”

O XI festival é, segundo o Presidente da República, mais uma oportunidade de reafirmação da unidade nacional.

“Quem tem vergonha para com a sua cultura não tem personalidade. Isso nos orgulha a nós, jovens, dançar aquilo que nos pertence. Aliás, a história do nosso passado recente é testemunho de que, respeitando a diversidade, é possível unificar um país, torná-lo desenvolvido.”

Na abertura do Festival Nacional da Cultura, o Presidente da República esteve acompanhado pelo seu homólogo da Indonésia, Joko Widodo, que está de visita ao país.

São estudantes moçambicanos, em número de 25, que se vão beneficiar de bolsas de estudo para frequentar o ensino superior no país. A informação foi avançada, esta quarta-feira, durante a assinatura de um memorando entre a UEM e a agência de viagens COTUR.

Trata-se de um programa de financiamento à formação de estudantes nacionais. De acordo com a agência de viagens COTUR, o apoio poderá incluir propinas universitárias, subsídios de alojamento e material didáctico.

As bolsas de estudos a serem atribuídas pela COTUR têm a duração máxima do tempo de estudos, sendo renovada anualmente mediante a apresentação de um bom aproveitamento pedagógico, em conformidade com o Regulamento de Bolsas de Estudo.

Na ocasião, o Presidente do Conselho de Administração da agência de viagem, Noor Momade, falou do impacto social que o programa poderá trazer.

“Estas bolsas de estudo terão um papel crucial na abolição das barreiras financeiras no acesso ao ensino superior, dando oportunidades iguais de desenvolvimento académico e profissional a todos os jovens. Com isto, não abrimos caminhos, apenas, da capacitação de indivíduos e a sua aquisição de conhecimento e formações especializadas, mas também a criação de uma trajectória ascendente para as suas famílias e comunidades”, referiu Noor Momade.

Para o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme, o apoio poderá servir de estímulo aos estudantes, que, mesmo sem condições, sonham em continuar com os seus estudos.

As bolsas serão renovadas anualmente mediante a apresentação de bom aproveitamento pedagógico dos estudantes.

Desde que foi lançada a primeira pedra para dar lugar ao processo de reconstrução das bancas no Mercado Central de Quelimane, as obras propriamente ditas ainda não arrancaram. Nesta primeira fase do processo, os custos estão por conta dos comerciantes com capacidade para efeito. Neste momento, no terreno,  decorre processo de delimitação dos espaços, com todo o material, desde madeira, cordas, entre outros. Contudo, os comerciantes entendem haver morosidade no arranque da construção propriamente dita.

Passam mais de 23 dias que mais de 500 barracas pegaram fogo de grandes proporções no Mercado Central de Quelimane, prejudicando mais de cinco mil pessoas que dependiam exclusivamente da renda do mercado. No dia 16 do corrente mês, Manuel de Araújo fez o lançamento da primeira pedra para dar lugar ao processo de reconstrução, com especificações que visam travar situações do género em caso de ocorrência de um incêndio no futuro. Na ocasião, o edil deixou claro que as obras devem ser exclusivamente de blocos e cimento, sendo materiais precários como estacas e chapas não.

Desde que ocorreu o incêndio, no terreno, decorre, por conta dos próprios comerciantes, o processo de medição das parcelas, para posteriormente dar lugar à reconstrução.

Manuel Hassane, comerciante que viu a sua barraca ser consumida pelo fogo, fez saber que o processo está a demorar. “Sucede que, quando o edil lançou a primeira pedra, a visão era avançar imediatamente com o processo, mas o que se nota é que os técnicos aparecem com outras abordagens. Dizem que temos de remover os cacos resultantes do incêndio até encontrar os solos, e só daí dar-se-á o seguimento do processo de construção”, disse Manuel Hassane, comerciante, tendo acrescentado que “até agora, não temos autorização na totalidade. Desde ontem, vieram aqui, disseram que devíamos procurar pessoas para cavar de uma ponta a outra, mas hoje veio outra versão, de que não devemos cavar, sendo que devemos retirar os cacos que estão na ponta do muro. Depois disseram que o município virá para autorização da escavação das bancas”.

Abrão Móbrica presidente dos Comerciantes Informais em Quelimane, entende que o lançamento da primeira pedra pelo respectivo edil devia acontecer depois de observados todos os cenários que os técnicos aparecem a dizer, retardando o arranque das obras.

“Como é que se fala de primeira pedra sem ser feita a delimitação necessária para dar lugar às obras. Como é que se fala do lançamento da primeira pedra sem a devida colocação das respectivas estacas e cordas. Entendemos que tudo visava mostrar às pessoas que o Município estava preocupado com os comerciantes. Nós queríamos passar a festa da cidade com as nossas bancas já fixadas, a vendermos, mas estamos aqui a passar mal”, disse Abrão Móbrica, visivelmente triste com o decurso alegadamente lento dos trabalhos.

Francisco Bulaunde, vereador de Infra-estruturas no Conselho Municipal de Quelimane, diz que a edilidade está a trabalhar com diversas entidades interessadas no processo de reconstrução. Para já, indica que o Município contratou um empreiteiro que vai trabalhar no processo de reconstrução, sobretudo nas infra-estruturas de base.

“Tivemos de convidar algumas entidades como os bombeiros, para que juntos pudéssemos estudar o projecto feito. Era para contar também com a visão dos outros no projecto. Já solicitámos, igualmente, o parecer da Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação, para termos o parecer na execução das obras”, avançou o vereador.

Para já, no terreno, os comerciantes e técnicos do Conselho Municipal empenham-se no processo de delimitação dos compartimentos do mercado.

O académico Eduardo Sitoe diz que são desnecessários os actos de pancadaria entre membros de diferentes partidos políticos, porque está provado que não influenciam no resultado eleitoral. Sitoe comentava os recentes tumultos envolvendo membros da Frelimo e do MDM na Beira.

O académico falava na sequência do lançamento, nesta quarta-feira, em Maputo, do seu mais recente livro intitulado “As Fronteiras da Discórdia”. Para Eduardo Sitoe, a confusão envolvendo membros e simpatizantes da Frelimo e MDD, na Beira, é desnecessária na relação entre partidos políticos.

“Acho que isto resulta de desconhecimento. Está provado que actos de violência não influenciam os resultados eleitorais dos partidos políticos. Neste termos, é completamente desnecessário que estes actos de violência tenham lugar em qualquer fase de processo eleitoral”, disse o académico.

Sobre a obra, Sitoe disse que a semente sobre a democracia pluripartidária foi lançada em Moçambique nos anos 90, sendo necessário regar para que cresça. O Professo de Ciências Políticas na Universidade Eduardo Mondlane avançou que, nestas eleições autárquicas, há grupos de cidadãos que estão a concorrer, o que mostra que há vozes divergentes na sociedade cada vez mais democrática.

Patricio José, académico e prefaciador da obra, avançou que os textos remetem a uma reflexão sobre escolhas partidárias divergentes entre membros da mesma família. O antigo reitor do Instituto de Relações Internacionais (actual Universidade Joaquim Chissano) ressaltou que esta divergência de pensamento em termos de opções políticas é mais visível entre as gerações mais jovens, que não sentiram na pele a guerra dos 16 anos, entre o Governo e a Renamo.

Arlindo Lopes, quem apresentou o livro, falou de extractos que remetem a uma ausência de visão política por parte de alguns actores ligados a partidos políticos, na altura em que escreveu os artigos, chamando a atenção para que se fosse construindo um cenário que os actores políticos construam uma visão sobre o que querem na política para o benefício da população.

“As Fronteiras da Discórdia” é uma colectânea de textos publicados por Eduardo Sitoe, entre 1994 e 1995, na Revista Tempo, e que abordam a transição de um Estado monopartidário para uma democracia pluripartidária em Moçambique.

A cerimónia de lançamento do livro foi presenciada por familiares, amigos, académicos e estudantes da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Na sua página oficial, a Black Bulls escreve, sem avançar muitos detalhes do fim do “casamento” com Hugo Martins: “A Associação Black Bulls comunica a todos de que chegou a acordo para a rescisão amigável de contrato com o mister Hugo Martins. O clube agradece ao mister pelo empenho, dedicação e elevado sentido de profissionalismo demostrado ao longo dos meses que durou a ligação. É de certeza um de nós.”

Mais uma “chicotada psicológica” no Moçambola, mais um treinador sacrificado por resultados que não vão ao encontro da direcção do clube.

Hugo Martins, técnico português, deixa o comando da Black Bulls na sequência do empate a zero com o Ferroviário de Quelimane, resultado que conjungado com a vitória do Ferroviário da Beira diante do Costa do Sol (2-1) fez com que os “touros” perdessem a liderança da prova.

Os “touros” estão na segunda posição com 28 pontos, menos um que os “locomotivas” do Chiveve quando faltam sete jornadas por se disputar no Moçambola-2023.

Na sua página oficial, a Black Bulls escreve, sem avançar muitos detalhes do fim do “casamento” com Hugo Martins: “A Associação Black Bulls comunica a todos de que chegou a acordo para a rescisão amigável de contrato com o mister Hugo Martins. O clube agradece ao mister pelo empenho, dedicação e elevado sentido de profissionalismo demostrado ao longo dos meses que durou a ligação. É de certeza um de nós.”

Hugo Martins, que sucedeu a Inácio Soares no comando da Black Bulls no arranque da época, conquistou o Campeonato da Cidade.

A Black Bulls esta no quartos-de-final da Taça de Moçambique ZAP, sendo que no próximo dia 3 de Setembro irá defrontar, no seu campo, o Costa do Sol no jogo mais importante desta fase.

Lembre-se que, semana passada, o Ferroviário de Nampula demitiu Antoninho Muchanga do cargo de treinador desta formação por alegados maus resultados no Moçambola. Muchanga deixou a equipa na 9.ª posição com 17 pontos.

Os “axinenes” foram, igualmente, afastados da Taça de Moçambique ZAP pelo Baía de Pemba.

Antes, precisamente em Junho, Artur Makasar foi demitido do cargo de treinador do Ferroviário de Lichinga, contando-se, ainda, o afastamento de Rogério Balate (Zulu) do Ferroviário de Quelimane.

Em cinco jornadas, Balate venceu um e perdeu quatro partidas, o que provocou contestação por parte dos adeptos do Ferroviário de Quelimane.

Mas há mais treinadores afastados: Artur Comboio foi demitido do Ferroviário de Nacala, tendo sido substituído por Dário de Jesus Monteiro. O mau ambiente criado pelos adeptos acabou ditando o afastamento do jovem treinador.

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