O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, esta terça-feira, a primeira bispa da Igreja Anglicana de Moçambique e Angola, Filomena Teta das Neves, num encontro marcado pelo reforço da cooperação entre a Igreja e o Estado e pela promoção das relações de amizade entre Moçambique e Angola.
Durante a audiência, foram abordados temas ligados à inclusão social, ao empoderamento das mulheres e à valorização da juventude, áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento dos dois países.
À saída do encontro, a líder religiosa destacou a importância do diálogo e da cooperação entre instituições, defendendo o fortalecimento das ligações entre a Igreja e a sociedade, bem como entre Moçambique e Angola.
A bispa reiterou ainda o compromisso da Igreja Anglicana em continuar a contribuir para o desenvolvimento espiritual e social das duas nações, sublinhando a necessidade de reforçar o investimento nas mulheres e nos jovens.
Antes de mais nada, gostaria de expressar minha profunda gratidão a todos que estão aqui connosco hoje, assim como àqueles que, mesmo ausentes, partilham este momento connosco em espírito. Quero agradecer à Alcance Editores por mais uma vez apostar em meus escritos e por publicar meu livro. Um agradecimento especial à minha família por sua paciência, aos amigos que têm ouvido minhas divagações incessantes, aos apresentadores desta obra, cuja sabedoria e ilustre presença engrandecem este evento, e ao Nedbank por nos ceder este espaço acolhedor. Gostaria de aproveitar este momento para incentivar o Nedbank a continuar apoiando as artes, lembrando que há um vazio a ser preenchido desde que um concorrente patrocinava o maior prémio literário anual de nossa literatura, um prémio que infelizmente já não existe. Acredito firmemente que o Nedbank tem o potencial de ocupar esse espaço de maneira exemplar e louvável.
Quero dedicar um momento para honrar a memória do grande poeta Eduardo White, que nos deixou há dez anos, mas cujo legado continua a inspirar não apenas a mim, mas a toda uma geração de escritores moçambicanos. Sua influência e mentoria foram fundamentais para que muitos de nós estivéssemos aqui hoje. Uma salva de palmas para ele, por sua contribuição inestimável à literatura moçambicana.
Não posso deixar de expressar minha gratidão pelo generoso prefácio de Nelson Saúte, uma figura proeminente da nossa literatura, cujo incansável altruísmo e dedicação à preservação da memória das artes moçambicanas são admiráveis. Meu abraço também vai para Marcelo Panguana, um amigo e escritor cuja simplicidade e autenticidade são inspiradoras, e para António Cabrita, que constantemente me apresenta novos e variados autores, enriquecendo a minha compreensão da poesia mundial. Estendo meus agradecimentos a Matteo, Mário Secca. Ao Manuel Jesus, amigo incondicional de todas as horas, ao Moya pelos motivos para sorrir, ao Eric que me tornou pai e àJéssica por permitir ter alguém com que durma no escuro. Aos meus pais e também aos colegas, por seu apoio constante ao longo desta jornada. Um agradecimento especial também aoFélix Mula por ceder a imagem que adorna a capa do livro e aoMauro Pinto, cuja fotografia serve de inspiração para mim.
O que nos une hoje é este exemplar encadernado que chamamos de livro, intitulado “Criação do Fogo”. Por que “Criação do Fogo”? Este título encapsula o ideal de criação presente no texto inaugural “Placenta”. Nele, abordo não apenas a criação do outro, do ser humano que se reflecte em nós, mas também a criação literária, o acto de escrever e transmitir uma mensagem. Além disso, o título evoca a dualidade do fogo, o seu poder tanto criador quanto destruidor. Reflecte sobre a guerra, especialmente a vivida em Cabo Delgado e em outras partes do mundo, assim como as batalhas diárias que enfrentamos em busca de dignidade, segurança e justiça social.
Após a publicação dos meus dois primeiros livros e a conquista do prémio literário em 2019, senti a necessidade de explorar uma poesia que fosse além dos estilos anteriores. Percebia nessa altura que a poesia moçambicana estava estagnada em um ciclo repetitivo e pouco criativo, e decidi buscar para mim novos caminhos que me afastassem do que já havia criado até então. Para além disso havia-me degastado física e psicologicamentecom a escrita dos primeiros livros, pois foram livros construídos muito à custa da minha própria felicidade. Calhou por bem uma conversa curta, mas memorável que tive com o poeta Armando Artur, que me disse que era possível escrever livros feliz, confesso que até então, apenas a tristeza me servia de musa. Isso desencadeou uma jornada de autoconhecimento e renovação criativa, levando-me a explorar novas temáticas e técnicas criativas.
Durante esse período, casei-me, tornei-me pai novamente, explorei novos horizontes e vivi experiências enriquecedoras. Busquei inspiração em diversas fontes, desde a música de Bob Marley, Chico Buarque, Chico António, Djavan, Pedro Langa e Zeca Alage, Zena Bacar, Fany Mpfumo, Nas, Racionais Mcs, Baco, Djonga, Rincon, Milton Nacimento e o Clube de Esquina, MF Doom, Arthur Verocai, Fausto, Teresa Salgueiro, Toni Django, as flautas terapêuticas da Arménia, a lira de SoniaDjobarté, a música congolesa dos anos 70, o jazz sul-africano, a persistência de Adam Zagaiewsky, Wislawa Szimborka, Al Berto, Rui Belo. Minhas viagens a Lisboa, Porto, Algarve e Braga abriram portas para oportunidades de internacionalização e colaborações artísticas. Fui traduzido oficialmente pela primeira vez e o meu tradutor ganhou o prémio principal do Stephen Spender de Tradução, com um texto traduzido do meu livro Animais do ocaso. Todo esse processo de crescimento e aprendizado se reflecte em “Criação do Fogo”.
Este livro é uma expressão das minhas paixões e convicções, uma fusão de experiências pessoais, observações sociais e reflexões sobre o mundo ao nosso redor. Portanto, o amor, a morte, a fome, a doença, o abandono, a guerra, a corrupção, o medo, a noite, o emprego precário, o viver com pouco, o sentir-se frágil, o não desistir estão dentro desta criação do fogo como estão dentro de nós. A minha paixão pelo experimentalismo, pelo surreal, pela imagem, pela imersão na pintura, na fotografia, no desenho, no teatro, na música e no quotidiano das relações humanas é a minha grande motivação e ao mesmo tempo a minha técnica.
Embora este seja meu quinto livro sinto-o como se fosse o primeiro, uma porta de entrada, uma possibilidade de crescimento e a esperança de que pelo menos mais um seguirá. Acredito na importância da poesia como uma ferramenta de transformação e resistência, e pretendo continuar a contribuirpara o enriquecimento da literatura moçambicana e para o diálogo cultural global. Espero que “Criação do Fogo” não apenas inspire, mas também provoque reflexões e questionamentos em quem o ler.
Em suma, este livro é o resultado de uma jornada pessoal e criativa, uma expressão autêntica de minhas experiências e visões de mundo. Agradeço a todos que tornaram possível a sua realização e espero que ele encontre eco nos corações e mentes dos leitores. Obrigado.
Na República Centro-Africana, pelo menos 58 pessoas morreram e outras desapareceram, na sexta-feira, quando um barco sobrecarregado naufragou no rio Mpoko, em Bangui, avança o Notícias ao Minuto.
Segundo testemunhas e vídeos que circulam nas redes sociais, a embarcação transportava mais de 300 pessoas, muito acima da sua capacidade e tinha acabado de partir quando se virou. O destino era Makolo, onde ia decorrer o funeral de um chefe da aldeia.
O acidente ocorreu pouco depois de o barco sair do cais, relatou Maurice Kapenya, uma testemunha que seguia perto, “numa pequena canoa”, por falta de lugar a bordo e retirou as primeiras vítimas, incluindo a sua irmã, com a ajuda de pescadores e de outras pessoas, antes da chegada das equipas de socorro.
Até ontem, os familiares dos que seguiam a bordo continuam perto do rio à espera de encontrarem os desaparecidos.
Para comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a Livraria Fundza vai realizar, de 23 a 26, na Cidade da Beira, uma feira do livro. O evento inclui diversas actividades, com destaque para lançamentos e exposições de livros, conversas com escritores e sessões de autógrafos.
A nota de imprensa da Fundza avança que as comemorações arrancam às 9h do 23, na Escola Secundária Mateus Sansão Mutemba, com o lançamento do projecto Livro em Movimento, no qual todos os leitores poderão fazer troca de livros.
No mesmo dia, às 10h, os alunos da Escola Privada Luz do Futuro terão a oportunidade de fazer uma visita à Livraria Fundza. A partir das 18 horas, no mesmo local, vai decorrer uma conversa subordinada ao tema “Promoção do livro em Moçambique: limites e possibilidades”. Fernando Chicumule, Belmiro Adamugy e Pedro Fote são os convidados para debater o tema.
No segundo dia, 24 de Abril, às 9h, os escritores Diogo Vaz e Whaskety Fernando estarão à conversa com alunos da Escola Secundária da Ponta-Gêa.
No dia seguinte, no Centro Cultural Português da Beira, a partir das 18 horas, o advogado Augusto Macedo Pinto vai lançar o livro “Beira, a origem do fim”, no qual o autor defende a tese de que a Revolução de 25 de Abril de 1974, que marca o início da vida democrática em Portugal, pondo termo ao regime autoritário do Estado Novo abrindo caminho para a resolução do problema da guerra colonial, terá começado na Cidade da Beira.
Às 9h do dia 26 de Abril, os alunos da Escola Primária Completa de Macurungo vão receber os escritores David Melar e Pe. Alberto Luís Matimbire para uma conversa sobre livros e leituras.
Dezasseis cidadãos dentre funcionários e singulares, são acusados de desvio de mais de 7 milhões de meticais no distrito de Namarrói na província da Zambézia. O saque foi feito via e-sistafe.
O Gabinete provincial de combate à corrupção da Zambézia acaba de instaurar dois processos crimes contra 16 cidadãos, dentre eles funcionários públicos e singulares, estes últimos utilizados como veículo para o saque de mais de 7 milhões de meticais.
Dos funcionários Parte deles estão vinculados a secretaria distrital, serviços de infraestruturas, de educação, juventude e tecnologia de Namarrói na província da Zambézia.
O desvio de fundos públicos ocorreu em 2021 sendo que dos 16 arguidos, três foram recolhidos à prisão preventiva aguardando os demais, ulteriores termos em liberdade sob termo de identidade e residência.
A data dos factos, parte dos arguidos com a qualidade de servidores públicos, exerciam cargos de direção e chefia e outros detinham perfis de usuários de e-sistafe. Este comunicado de imprensa do Gabinete de combate à corrupção provincial refere que: como forma de lograrem os seus intentos, cadastraram como usuários de e-sistafe sem o seu conhecimento, funcionários sem qualificações técnicas, atribuindo-os as senhas de usuários. Efectuaram transferências a favor de terceiros estranhos a instrução, simulando serem credores das instituições públicas em alusão. Como consequência, causaram prejuízo ao estado no valor de 7.556.200,00Mt.
Os processos acima identificados, foram acusados no dia 11 de Abril do ano em curso, tendo sido remetidos para o tribunal judicial da Zambézia para ulteriores termos processuais.
É abril, Roberto Chichorro celebra 60 anos de carreira e aos olhos de Naguib, este renomado artista plástico que levou Moçambique além fronteiras, não é devidamente valorizado no seu próprio país.
Contrariamente ao pensamento que paira entre os artistas de que “arte não tem explicação”, passam-se 60 anos desde que através do seu píncel, Chichoro descobriu que aliar cor à beleza e à suavidade explica na plenitude as suas emoções.
Para comemorar, de Portugal, Chichoro decidiu enviar a sua terra natal, uma coletânea de quadros que resumem seu percurso artistico e a beleza do país, uma vez que as suas principais mensagens reflectem o carisma da mulher moçambicana.
O gesto foi elogiado por muitos, incluindo apreciadores d’arte, críticos, artistas e colegas. Aliás, nestes últimos em que cabe o artista Naguib, seu amigo pessoal, primeiro, o enalteceu e o comparou aos por si considerados embondeiros, os também renomados artistas plásticos: Malangatana Valente Nguenha e Bertina Lopes, uma italiana que nasceu em Moçambique.
Na mesma energia, o também artista Jorge Dias não poupou elogios e referiu as qualidades que diferenciam as obras do Chichoro dos demais “Chichoro não tem interesse nenhum em pintar costelas à mostra de uma criança ou esta criança com um prato de comida vazio, ele tem interesse em pintar uma criança que transmite alguma alegria, então ele é um pintor que se destaca ao fazer exactamente o oposto do que os outros fazem”, disse.
Fora os elogios, Naguib também lamentou e críticou a pouca valorização de Chichoro, ao que questionou, “por quê Chichoro manda uma dúzia de quadros para sua terra mãe e a Autoridade Tributária pega estes mesmos quadros e triplica o seu valor de vendas?, estes quadros são património nacional, nem deviam sair daqui”, questionou.
Em adição, Naguib denunciou aplicacação de taxas “injustas” pela Autorirade Tributária, “taxam-lhe imposto disto e imposto daquilo, de forma que é inviável vender estes quadros, ninguém vai comprar estas obras, até ao momento apenas uma foi comprada. A AT amputou-lhe as pernas com esses impostos”, criticou.
Exposição: Sonhos alados em azul com pássaros
A Fundação Fernando Leite Couto na cidade de Maputo, local que recebeu as 12 obras para a exposição alusiva aos 60 anos de carreira de Roberto Chichoro, através da curadora Maria Elisa, teceu agradecimentos e ao mesmo tempo, por se comemorar o mês da mulher apelou continuidade do legado de Chichoro.
O vice-ministro da Cultura e Turismo, Fredson Bacar, concordou que é inquestionável o contributo de Chichorro na cultura e na sociedade Moçambicana, também, reiterou o apelo a garantia da continuidade da “marca e identidade cultural” que Chichoro transmite.
Com 83 anos de idade, Chichorro continua sua jornada em Portugal, de onde enviou as obras que estão em exposição até 3 de Maio próximo.
A terceira edição do Festival de Teatro Cenas Curtas vai realiza-se nos dias 26, 27 e 28 deste mês de Abril. Logo no dia inaugural, o evento vai decorrer na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, a partir das 18 horas, numa conversa com o gestor de projectos culturais Pablo Ribeiro e com os actores Yuck Miranda, Maria Clotilde e Rita Couto.
Subordinada ao tema “Criação e produção nas artes performativas: desafios das limitações vs. recursos”, a sessão estará aberta aos actores, encenadores e apreciadores das artes em geral, no que se supõe ser uma tentativa de busca de respostas para as questões essenciais que afectam o sector teatral e artístico em Moçambique.
No segundo dia, 27 de Abril, às 18h30, a terceira edição do Festival de Teatro Cenas vai ao Centro Cultural Sabura, igualmente na Cidade de Maputo, apresentar o que a organização designa como uma maratona de performances, com um poema de Fernando Leite Couto, uma caneta e um par de botas como adereços.
A terceira edição do Festival de Teatro Cenas vai terminar no dia 28, com curtas de improviso a realizarem na Fundação Fernando Leite Couto, a partir das 17 horas, e com dinamização da actriz e encenadora Maria Atália.
Na última quinta-feira, decorreu o evento Women Recognition Award em Maputo, uma iniciativa da Fundação SPROWT com o objectivo de premiar mulheres pioneiras ou que se destacam nas suas áreas de vocação.
Assim, a Pioneer Leadership Network for Women in Africa, celebrou o Dia da Mulher Moçambicana, reconhecendo as contribuições das mulheres no desenvolvimento da sociedade moçambicana, alinhadas ao propósito, visão, missão, e valores da Fundação SPROWT, bem como aos seus eixos/focos estratégicos (educação, desenvolvimento, conhecimento, ciência e cultura).
No evento, estiveram presentes diversas personalidades, avança a nota de imprensa, entre elas a Presidente da Assembleia da República, Esperança Bias, e o Secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim.
“Um dos momentos mais altos da cerimónia foi aquando do anúncio do prémio Direitos Humanos a título póstumo para Dra. Alice Mabota, a emoção e as palmas tomaram conta do lugar e todos os presentes renderam vénias a tributo e legado deixado pela figura considerada pioneira do activismo pelos Direitos Humanos em Moçambique”, lê-se na nota de imprensa.
A premiação foi fruto de um trabalho árduo de uma comissão independennte do Award formada por membros da sociedade civil, diplomática e empresarial, alinhados com a visão, missão, e valores da Fundação SPROWT – a saber, Anabela Andrianopoulos, que presidiu a Comissão, Jorge Ferrão, Lina Aiuba e Maryse Bounda.
As 14 laureadas são mulheres que demonstram liderança, força, coragem, capacidade, criatividade, compromisso excepcional no progresso da mulher na sociedade através da motivação, inspiração e desenvolvimento sustentado nas áreas de economia, saúde, social, género, direitos humanos, política, negócio, educação, ciência, tecnologia, cultural, desporto e mídia
O autor Amílcar Armando Rajá vai lançar o livro de narrativas “A intimidade das sementes”, que é uma colectânea de prosa que compreende 10 microcontos e sete contos.
Na nota da gala-gala, que edita o livro, trata-se de narrativas em que Rajá aborda diferentes temáticas e passeia por diversos cenários, transportando os leitores para mundos imaginários, mas de personagens comuns. Para Daniel Mabjaia, que prefacia o livro, “as características desta obra são, de per si, multifacetadas”, e completa, “aqui, dramas de vidas e vivências são descritos com o intuito de encantar. São estórias que se confundem com histórias”.
O lançamento oficial está marcado para o dia 26 de Abril, na Mediateca do BCI, na Cidade de Nampula. A apresentação do livro estará a cargo de AC Guimarães.
O livro de 90 páginas inaugura a colecção “Out of the box” da Gala-Gala Edições. O evento é aberto ao público. Haverá ainda uma sessão de venda de livros e autógrafos, proporcionando aos leitores a oportunidade de interagir directamente com o autor.
Armindo Armando Rajá nasceu em 1997, na província de Nampula. O seu primeiro contacto com as letras ocorreu na disciplina de Português, no 12º ano, na Escola Secundária de Nampula. Teve uma menção honrosa no Concurso Literário Um Hino ao Império Brasileiro, com o texto “A poderosa voz do escravo”. A sua inspiração para escrever provém da beleza da natureza e pelo facto de saber que “a existência humana é a essência de toda beleza”.
O mais recente relatório Indicadores de Confiança e Clima Económico, do Instituto Nacional de Estatística, avança que a perspectiva de emprego registou queda no primeiro trimestre de 2024, ou seja, as projeções de absorção de mão-de-obra por parte das empresas caíram no início do ano, apesar da tendência favorável do clima económico.
Interrompendo o perfil favorável que vinha registando desde o segundo trimestre de 2023, os empresários mostraram menor disposição para contratar num horizonte de curto prazo.
Este indicador (empregabilidade), que mede o optimismo empresarial qualitativo sobre o emprego, evoluiu em contramão com o índice da actividade económica, que mostra sinais progressivos de recuperação, uma tendência iniciada em 2023.
Como explicar que, num contexto de recuperação do clima económico, apesar de constrangimentos, as empresas tenham menos disposição para contratar?
O economista Egas Daniel entende que os constrangimentos registados pelas empresas no primeiro trimestre, como a dificuldade de acesso a financiamentos, a falta de matéria-prima e a queda da procura no ramo comercial justificam a queda do “apetite” em contratar.
“O relatório cita alguma limitação no acesso à matéria-prima que aumenta o custo das empresas e, aliada à dificuldade no acesso a financiamento, priva as empresas de operarem no seu mais alto nível de produção e, muitas vezes, para compensar a baixa produção, têm de restringir alguns factores de produção, neste caso a mão-de-obra”, disse o economista que falava no programa O País Económico, da STV Notícias.
Por outro lado, o economista argumenta que a procura mais branda, típica do primeiro trimestre, e os choques climáticos que se agregam a este factor de limitação geram uma menor necessidade de produzir e, consequentemente, menor capacidade de contratação, principalmente a mão-de-obra sazonal.
“Outrossim, estamos a ter um aumento dos níveis de produção no sector industrial. Não quer dizer que este aumento de produção é proporcional à mão-de-obra, porque isso depende de se é capital intensivo ou mão-de-obra intensiva. Pode-se abrir uma empresa que produz muito e alimenta o PIB, mas se grande parte do que é preciso para produzir são máquinas, então é natural que haja essa restrição de procura por trabalho”, explicou Daniel.
O documento explica que a apreciação negativa do indicador teve maior impacto nos sectores de serviços e de comércio, onde as perspectivas de emprego diminuíram substancialmente no período em análise.
Isto acontece num contexto em que a Função Pública reduziu significativamente os sinais de contratação, o que abre portas a uma possível deterioração do cenário de empregabilidade no país.
O sector público prevê contratar 4880 novos funcionários durante o exercício económico de 2024, de acordo com o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE).
A maioria das novas contratações será destinada às áreas da saúde e educação, que vão contar com 1294 e 2909 trabalhadores, respectivamente. “Do total de novos funcionários aprovados para a educação, 2803 destinam-se ao ensino geral, 48 para o técnico, 24 para o superior e 34 para a formação profissional”, lê-se no PES.
O sector da agricultura vai poder contratar 455 funcionários e os órgãos do sistema de administração da justiça vão contar com mais 222, segundo o documento.
Nesta senda, o economista Egas Daniel julga que, enquanto a Função Pública limita o nível de empregabilidade, o número de pessoas que não conseguem aceder ao mercado de trabalho será extremamente alto.
“Se a população moçambicana está a crescer com essa proporção, 2,7% da média anual, significa que o Estado devia criar condições para que o mercado de emprego cresça na mesma proporção. Portanto, os mais de 500 mil jovens que anualmente entram para o mercado de trabalho estão entregues à sua sorte”, avançou Daniel.
Entretanto, o economista chama atenção para o facto de que o Estado não deve ser o maior empregador, cabendo-lhe ter um número de funcionários capaz de sustentar a provisão eficiente dos seus serviços públicos.
Assim, sustenta a ideia de que ao Estado cabe criar condições para que o sector privado possa ter uma dinâmica de produção e produtividade que leva à contratação de pessoas na economia.
Que soluções podem ser empregues para salvar milhões de moçambicanos do desemprego? Egas Daniel entende que a viragem não será do dia para noite. “A realidade em Moçambique mostra que 90 por cento dos empregos são informais e, se entramos para uma análise por sector, veremos que a agricultura é o sector que mais absorve, por isso grande parte das pessoas estão num sector com baixa produtividade e com que o problema da sazonalidade”, afirmou.
A viragem no contexto da empregabilidade, segundo Egas Daniel, passa pela criação de condições em sectores intermediários entre a agricultura e serviços como os de processamento e manufactura, que precisam de mão-de-obra intensiva.
Nesta ordem, julga que o Estado tem de incentivar o surgimento de indústrias intensivas em mão-de-obra, o que passa por um processo gradual de transformação da economia.
Os dados apresentados pelo INE, nos Indicadores de Confiança e Clima Económico, são consensuais aos do Índice de Robustez empresarial, apresentado pelo sector privado no primeiro trimestre. A avaliação concluiu que o indicador de empregabilidade continua frágil. A fragilidade é explicada, no documento, pelo aumento de empregos a tempo parcial ou temporários, principalmente devido à redução na demanda por mão-de-obra no sector agrícola, que superou o efeito positivo registado no sector de hotelaria e restauração.
Nesta ordem, o índice de emprego temporário e em tempo parcial fixou-se em 30,6%, influenciado pela demanda de mão-de-obra para atender à época alta do turismo.