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O País – A verdade como notícia

Presidente da FIFA isolado na gestão do organismo

“Estamos cada vez mais num sistema em que já não temos palavra a dizer nas decisões do quotidiano, temos apenas de executar”, queixam-se funcionários e até executivos da FIFA, que se revoltam contra Gianni Infantino.

A proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objectivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Campeonato do Mundo), está a deixar Gianni Infantino numa posição cada vez mais insustentável, inclusive, no seio da própria FIFA.

A estação televisiva francesa RMC Sport emitiu, nesta segunda-feira, uma reportagem que teve como base testemunhos dados sob garantia de anonimato por parte de funcionários e até executivos do organismo que rege o futebol internacional, que já não escondem a revolta com os métodos de trabalho do próprio presidente.

“Nós adoramos o futebol, é a nossa vida, e, agora, estamos a ser retratados como assassinos do futebol, por causa de uma pessoa”, lamentou um assalariado da FIFA, que trabalha na sede, em Zurique, na Suíça, e que só recentemente regressou na Europa, depois de ter passado semanas na América do Norte, nos ‘bastidores’ do Mundial 2026.

Este colaborador assumiu que “vários incidentes” ocorridos durante a prova possam ter “ofendido” o público geral. A expectativa era de que o organismo tivesse “limitado os danos” provocados por estas polémicas, mas apontou a iniciativa da FFE como “a gota de água” para a credibilidade planetária do mesmo.

“Ele envergonha-nos. Estou a dizer isto sem rodeios, é uma vergonha total”, acrescentou, claramente indignado para com os métodos utilizados pelo advogado ítalo-suíço, que colocam, agora, inclusive em causa a reeleição no cargo, no sufrágio que está agendado para o próximo dia 18 de Março de 2027.

“JÁ NÃO TEMOS UMA PALAVRA A DIZER”

A publicação chegou também à fala com um alto quadro da FIFA, que sublinhou que Gianni Infantino tem cada vez menos apoiantes entre aqueles que o rodeiam: “Nós temos uma conversa de grupo, no WhatsApp, com outras pessoas que trabalham na FIFA, a não ninguém a apoiar aquilo que ele fez”.

“É importante compreender que estamos cada vez mais num sistema em que já não temos palavra a dizer nas decisões do quotidiano, temos apenas de executar”, relatou, alertando para a importância de levar a cabo uma profunda alteração da liderança do organismo, o mais depressa possível.

“Nós somos vistos como uma federação internacional que só pensa em dinheiro, que tem um presidente que fez milhões de quilómetros num jato privado, no Campeonato do Mundo, e que vive como um milionário, e vocês acham verdadeiramente que o futebol é uma prioridade e que estamos a passar uma boa imagem aos apaixonados do futebol?”, concluiu.

PAÍS DE GALES, INGLATERRA E SÉRVIA VIRAM AS COSTAS A INFANTINO

As federações de País de Gales e Inglaterra tornaram-se, nesta segunda-feira, nas duas primeiras a fazer saber que irão retirar o apoio a Gianni Infantino relativamente à candidatura à presidência da FIFA para o mandato de 2027 a 2031. No entanto, a revolta não deverá ficar por aqui, e espera-se que a decisão seja partilhada por várias outras das 211 federações-membro que compõem o organismo.

A Federação de Futebol da Sérvia (FSS) recuou no posicionamento face ao sufrágio para o papel de líder máximo do organismo que rege o futebol internacional, que está agendado para 18 de Março de 2027 (sendo o prazo limite para a apresentação de novas candidaturas o próximo dia 18 de Novembro).

“A Federação de Futebol da Sérvia retirou o seu apoio a Gianni Infantino para um novo mandato enquanto presidente da FIFA. Gostaríamos de recordar que oferecemos ao Sr. Infantino apoio escrito, a 25 de Maio deste ano, mas, depois de considerarmos cuidadosamente os eventos que danificaram seriamente a reputação, quer da FIFA, quer do seu presidente, no passado recente, esta é a única decisão lógica e racional”, pode ler-se.

“A Federação de Futebol da Sérvia acredita que o futuro do futebol mundial deve ser baseado na transparência, no diálogo, no respeito mútuo e na parceria entre todas as confederações e federações nacionais. Acreditamos que nenhuma decisão de importância estratégica para o futuro do futebol deve ser tomada sem um amplo consenso e uma consulta aberta com todos os ‘stakeholders’ relevantes”, prossegue.

“A Federação de Futebol da Sérvia permanece comprometida com a cooperação com a FIFA, a UEFA e todas as federações nacionais, de maneira a desenvolver e fazer evoluir o futebol, mas acredita que, desta feita, uma nova confiança, uma nova abordagem e uma nova liderança são necessárias para contribuir para a renovação do diálogo, da união e da credibilidade das instituições futebolísticas internacionais”, completa.

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