As cheias e inundações que afetaram a província de Gaza entre Janeiro e Março deste ano provocaram a morte e dispersão de centenas de animais no Parque Nacional de Banhine, agravando o conflito entre comunidades locais e fauna bravia nos distritos de Mabalane, Chigubo e Mapai.
O fenómeno climático teve impactos significativos sobre a área de conservação, com a destruição de infraestruturas, a fuga de espécies e o enfraquecimento dos esforços de repovoamento faunístico em curso no parque.
De acordo com residentes, a convivência com a fauna bravia tornou-se mais difícil nos últimos meses, com registo de ataques a pessoas e aumento da presença de animais em zonas habitacionais.
“O conflito com a fauna bravia é o pão de cada dia, para dizer que a população reclama dia após dia. Cerca de 60 mil hectares foram devastados”, relatou Salvador Machava, produtor da área do parque.
Já a Administradora de Mapai descreveu episódios recentes de ataques envolvendo búfalos, incluindo ferimentos a membros da comunidade.
“Temos búfalos que chegam até a menos de dois quilómetros da vila, aqui no Matadouro. Uma criança foi agredida por búfalos. Nos últimos dois meses podemos falar de seis pessoas que foram agredidas”, disse Maria Helena, Administradora de Mapai.
Além do impacto sobre a fauna, as cheias destruíram infraestruturas estratégicas do parque, incluindo um santuário de proteção e maneio da vida selvagem, com prejuízos estimados em mais de 30 mil dólares.
“Foi destruído. O santuário praticamente está destruído. Os danos podem rodar acima de 30 mil dólares”, referiu Abel Nhabanga, Administrador do Parque Nacional de Banhine.
Segundo a administração do parque, a situação foi agravada pela subida do nível das águas, que cobriu grande parte do perímetro da reserva e levou à dispersão de espécies e à perda de animais recentemente introduzidos.
“Este ano o conflito com a fauna bravia agudizou-se. Tivemos chuvas intensas e água espalhada quase em todo o perímetro do parque”, explicou o responsável, acrescentando que estão em curso medidas de mitigação.
Entre as acções em implementação estão a vedação eléctrica de machambas e a criação de equipas de fiscais especializados em mediação de conflitos entre comunidades e fauna.
As cheias comprometeram ainda o programa de repovoamento do parque, incluindo a dispersão de mais de 400 animais translocados em 2025, numa operação avaliada em cerca de 350 mil dólares.
“Perdemos muitos animais devido à cheia. Alguns ficaram entalados em lama, sobretudo impalas e cabritos-do-mato. Tivemos também uma migração de animais não comum”, indicou Abel Nhabanga.
Paralelamente aos impactos ecológicos, o parque registou a deslocação incomum de espécies como zebras e búfalos para zonas habitacionais, aumentando a tensão com as comunidades locais.
Apesar dos prejuízos, o Parque Nacional de Banhine avançou com a entrega de 20% das receitas da conservação às comunidades, como forma de reforçar o envolvimento local na protecção da área.
“As comunidades precisam sentir que o parque também lhes pertence”, referiu Claudino Soupada, beneficiário, sublinhando que os fundos estão a ser aplicados em apoio agrícola e distribuição de insumos.
As autoridades do parque estão neste momento a realizar o levantamento completo dos danos e a mobilizar recursos para reforçar a protecção da área de conservação, restaurar infra-estruturas destruídas e mitigar os impactos sobre a fauna e as comunidades circunvizinhas.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, inaugurou esta quarta-feira, no Porto de Maputo, o Slab 9A, uma nova infra-estrutura de armazenagem de minérios no Terminal de Granéis Sólidos, avaliada em cerca de 9,9 milhões de dólares norte-americanos.
Com capacidade para acomodar mais de um milhão de toneladas por ano, a infra-estrutura permitirá ao Porto de Maputo responder ao aumento da procura dos seus clientes, reforçar a sua competitividade regional e gerar benefícios económicos para o país, incluindo a criação de 51 postos de trabalho directos e indirectos adicionais.
Antes da inauguração, o governante visitou as obras de expansão do Terminal de Contentores da DP World Maputo, um projecto orçado em 164 milhões de dólares. A iniciativa prevê aumentar a capacidade do terminal dos actuais 225 mil TEUs para 530 mil TEUs por ano.
Durante a visita, foi apresentado o ponto de situação das obras, que registam cerca de 45% de execução global e se encontram na fase de cravação de estacas para a nova infra-estrutura portuária. A entrada em operação está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Na ocasião, João Matlombe destacou a importância dos investimentos em curso para o fortalecimento do Corredor de Maputo e para o crescimento da economia nacional. Segundo o ministro, o aumento da capacidade portuária deve ser acompanhado por melhorias em toda a cadeia logística.
“A competitividade não é determinada por uma única infra-estrutura. Não é o porto, isoladamente, que compete. É o corredor como um todo. Cada investimento que realizamos no porto deve ser acompanhado por ganhos equivalentes na ferrovia, na fronteira e nos sistemas que suportam o fluxo de mercadorias”, afirmou.
O ministro sublinhou ainda a necessidade de reforçar o transporte ferroviário, modernizar continuamente a fronteira de Ressano Garcia e integrar os sistemas logísticos para garantir maior competitividade do corredor.
Por sua vez, o Director Executivo da MPDC, Osório Lucas, afirmou que o investimento agora inaugurado surge para responder ao crescimento da procura pelos serviços do Porto de Maputo.
“Durante muitos anos, o desafio foi atrair carga para o Porto de Maputo. Hoje, o desafio é criar capacidade suficiente para acomodar a carga que pretende utilizar o Porto”, disse.
Segundo Osório Lucas, os volumes pretendidos pelos clientes já ultrapassam a capacidade actualmente disponível, tornando necessária a criação de novas áreas operacionais para evitar a perda de cargas para portos concorrentes da região.
O responsável anunciou igualmente que a MPDC prepara a próxima fase de expansão através do desenvolvimento do Slab 9B, um investimento estimado em cerca de 8,7 milhões de dólares, destinado a aumentar a capacidade do porto e responder ao crescimento sustentado da procura.
O Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República de Moçambique, reuniu-se esta quarta-feira, em Maputo, para apreciar um conjunto de matérias de interesse estratégico nacional, tendo reforçado recomendações centradas na governação, estabilidade institucional e consolidação do desenvolvimento do País.
A sessão foi presidida pelo Chefe do Estado, Daniel Chapo, e incidiu sobre questões consideradas prioritárias para a condução política e institucional do País, com destaque para o reforço da coesão social e da concertação entre as principais forças vivas da Nação.
No decurso da reunião, o órgão sublinhou a importância do aprofundamento do Diálogo Nacional Inclusivo como instrumento essencial para a preservação da paz, unidade nacional e fortalecimento do Estado de Direito Democrático.
O Conselho de Estado destacou ainda a necessidade de continuidade de políticas orientadas para a estabilidade institucional e para a promoção de um crescimento económico sustentável, defendendo que a concertação política constitui um dos pilares fundamentais para a tomada de decisões alinhadas ao interesse nacional.
Segundo o órgão consultivo, a manutenção de um ambiente de estabilidade e diálogo permanente é determinante para responder aos desafios económicos e sociais do País, bem como para reforçar a confiança nas instituições do Estado.
O Conselho reafirmou igualmente o seu compromisso de acompanhar a evolução das principais questões nacionais, contribuindo com recomendações que promovam a unidade, a estabilidade política e o fortalecimento das instituições democráticas.
No final da reunião, o órgão reiterou a sua disponibilidade para continuar a desempenhar o seu papel consultivo junto do Presidente da República, com sentido de responsabilidade e de Estado, no quadro dos objectivos estratégicos definidos para o desenvolvimento de Moçambique.
O Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se hoje à Nunciatura Apostólica, em Maputo, onde expressou solidariedade à Igreja Católica pelo assassinato do Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, sublinhando o pesar do Estado moçambicano e a condenação do crime, enquanto reafirmava o compromisso do Governo com o esclarecimento das circunstâncias do ocorrido e a preservação das históricas relações entre Moçambique e a Santa Sé.
A visita do Chefe do Estado ocorre num momento de luto para a Igreja Católica em Moçambique e para o país, que perde uma figura religiosa o estadista moçambicano a descreve como dedicada ao serviço pastoral e à comunidade, num contexto em que continuam em curso as cerimónias e homenagens fúnebres. Na Nunciatura Apostólica, residência do representante do Vaticano em Moçambique, o Presidente da República foi recebido pelo Núncio Apostólico, Dom Luís Miguel Muñoz Cárdaba, a quem expressou pessoalmente condolências em nome do Governo e do povo moçambicano.
“Como sabe, quando recebemos esta triste notícia estávamos fora do país, em Washington. Voltámos ontem e hoje achámos que devíamos vir prestar os nossos sentimentos, as nossas condolências à Igreja Católica. Perdemos um bispo, que é homem de Deus, humilde para quem conheceu-lhe. E achamos que Moçambique, tendo uma excelente relação com o Vaticano, uma relação histórica, devíamos vir aqui à residência do nosso Núncio Apostólico, que é representante do Vaticano na República de Moçambique”.
O Chefe do Estado prosseguiu, destacando a relação entre Moçambique e a Santa Sé e reiterando as condolências institucionais. “E, como sabe muito bem, temos excelente relação com a Igreja Católica e a Santa Sé. Nós queríamos, mais uma vez, não só prestar as nossas condolências à Igreja Católica, mas à família enlutada e a todo o povo moçambicano”. No mesmo contexto, o Presidente da República sublinhou que o Governo está a desenvolver diligências para o esclarecimento do caso, reiterando que as autoridades vão continuar a trabalhar na investigação dos motivos e da autoria do crime hediondo, que condena veementemente, de forma a evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer no país.
“Temos 50 anos de independência, vamos fazer 51 anos no dia 25 de Junho. É uma coisa que, durante todos esses anos de independência, nunca aconteceu e não pode, nem deve voltar a acontecer mais uma vez. Por isso continuamos a trabalhar, as investigações estão em curso para apurar a responsabilidade”. O estadista reiterou ainda a solidez das relações institucionais e diplomáticas entre Moçambique e o Vaticano, sublinhando que os laços com a Santa Sé e com a Igreja Católica permanecem intactos.
Assegurou igualmente que o Governo continuará a prestar solidariedade e todo o apoio necessário para a realização das cerimónias fúnebres em condições adequadas, bem como à família enlutada. A visita insere-se no quadro das relações históricas de cooperação entre Moçambique e a Igreja Católica, através da Santa Sé, que têm sido caracterizadas por diálogo institucional contínuo e colaboração em áreas sociais e humanitárias.
Oito médicos especialistas deixaram de prestar serviço no Hospital Central de Nampula (HCN) após atingirem a idade de reforma, numa decisão que está a gerar contestação interna e debate sobre a aplicação da legislação da Função Pública no sector da saúde.
Os profissionais afectados afirmam ter sido surpreendidos com o processo de desvinculação, que ocorreu em Maio, pouco depois da tomada de posse da nova direcção da unidade hospitalar. Segundo um dos médicos reformados, o grupo foi convocado para uma reunião sem agenda previamente definida.
“No dia 20 de Maio fomos convocados para uma reunião, sem agenda, cerca de 8 a 9 médicos, e lá chegados, a única agenda foi a desvinculação com uma única determinante que é a idade”, relatou um dos especialistas.
A situação ocorre num contexto em que a Assembleia da República aprovou alterações à Lei da Função Pública, que elevam a idade de reforma de 60 para 65 anos, prevendo ainda um regime excepcional que pode prolongar a actividade até aos 70 anos em carreiras consideradas estratégicas, como médicos especialistas, docentes universitários e investigadores.
De acordo com o Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, a medida visa valorizar a experiência profissional e garantir a continuidade dos serviços públicos.
“Permitir salvaguardar a valorização da experiência profissional acumulada ao longo dos anos de serviço, bem como a continuidade e estabilidade dos serviços públicos”, afirmou o governante durante a apresentação da proposta na Assembleia da República, a 29 de Abril de 2026.
Os médicos afectados questionam, no entanto, a aplicação imediata da decisão no Hospital Central de Nampula, sobretudo num contexto em que o País ainda enfrenta défice de especialistas em várias áreas clínicas.
“São médicos especialistas moçambicanos e, em muitas áreas do hospital, só existe um ou dois médicos. O Ministério da Saúde e o hospital contratam médicos estrangeiros, como cubanos e coreanos, mesmo em idades superiores”, afirmou outro médico reformado.
Os profissionais alertam ainda para o impacto directo da saída destes especialistas no funcionamento de serviços essenciais, como ortopedia, cirurgia geral, neurologia, cardiologia e fisioterapia, entre outros.
Segundo os médicos, a redução de especialistas já está a provocar atrasos significativos no atendimento, com consultas a serem reagendadas para o próximo ano.
“Áreas como ortopedia, cirurgia geral, neurologia, cardiologia e tantas outras ficaram sem resposta. As consultas estão a ser marcadas para Abril ou Maio do próximo ano”, lamentou um dos profissionais.
A nova legislação ainda não foi promulgada pelo Presidente da República, o que acrescenta dúvidas sobre a interpretação e aplicação das regras de transição no sector da saúde.
O Ministério da Saúde e a direcção do Hospital Central de Nampula ainda não prestaram esclarecimentos públicos detalhados sobre o caso, embora fontes locais indiquem que a administração hospitalar poderá pronunciar-se nos próximos dias.
O caso está a gerar debate entre profissionais de saúde e entidades da província, num momento em que a escassez de especialistas continua a ser um dos principais desafios do Sistema Nacional de Saúde.
Maputo acolhe, de 10 a 12 de Junho, o Congresso do Sector da Justiça, um espaço de reflexão sobre os desafios e perspectivas da justiça moçambicana, sob o lema “Justiça, Pluralismo e Confiança Pública: Para uma Reforma Prudente, Inclusiva e Eficaz do Sistema de Justiça Moçambicano”.
Intervindo no Painel Plenário I, subordinado ao tema “Justiça, Separação de Poderes e Confiança Pública”, o Juiz Conselheiro do Tribunal Supremo, José Norberto Carrilho, defendeu que a reforma da justiça deve partir das necessidades concretas da sociedade moçambicana e ter como objectivo o reforço da confiança dos cidadãos nas instituições.
Na sua comunicação, Carrilho considerou que a independência dos tribunais continua a ser um dos pilares fundamentais do Estado de Direito, mas sublinhou que, por si só, não garante a legitimidade pública da justiça. Segundo o magistrado, a independência institucional deve ser acompanhada por uma capacidade efectiva de prestação jurisdicional, apoiada por recursos humanos, materiais, tecnológicos e organizativos adequados.
O juiz destacou igualmente a necessidade de simplificar o sistema jurídico, alertando para os efeitos da excessiva produção legislativa. Defendeu ainda uma maior articulação entre a justiça formal do Estado e mecanismos reconhecidos pela Constituição, como os tribunais comunitários, a mediação e a conciliação.
Outro dos aspectos abordados foi a formação jurídica. Carrilho referiu que a expansão do ensino do Direito representa um avanço importante, mas advertiu para a necessidade de garantir padrões elevados de qualidade, tanto na formação académica como nos estágios profissionais e na formação contínua.
No domínio da organização dos tribunais, o magistrado sustentou que a especialização das jurisdições constitui uma exigência dos sistemas judiciais modernos, mas alertou para os riscos da fragmentação institucional. Defendeu, por isso, um modelo que combine especialização técnica com unidade e coerência jurisprudencial.
A justiça eleitoral e a jurisdição constitucional também estiveram em destaque. Carrilho considerou que a confiança dos cidadãos nos processos eleitorais depende não apenas da realização de eleições, mas igualmente da credibilidade das instituições envolvidas, incluindo os mecanismos de fiscalização e resolução de litígios.
Referindo-se à experiência das eleições autárquicas de 2023 e das eleições gerais de 2024, o magistrado defendeu a construção de um modelo de justiça eleitoral próximo do cidadão, tecnicamente preparado e capaz de assegurar decisões coerentes e seguras.
Relativamente ao debate sobre a eventual transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, José Norberto Carrilho defendeu que qualquer reforma institucional deve resultar de necessidades funcionais claramente identificadas e não apenas da adopção de modelos existentes noutros contextos.
Na conclusão da sua intervenção, o Juiz Conselheiro apelou à preservação dos valores fundamentais da justiça, destacando a importância de transmitir às novas gerações não apenas instituições e leis, mas também uma cultura de justiça assente na independência, responsabilidade e esperança.
O Congresso do Sector da Justiça decorre no âmbito do Diálogo Inclusivo promovido pelo Presidente da República e reúne diversos actores para debater o futuro do sistema judicial moçambicano.
Derrota diante da Indonésia reforça série negativa de uma selecção que soma apenas uma vitória nos últimos oito jogos. Ainda assim, o seleccionador nacional destaca atitude, integração de jovens e ganhos competitivos na Data-FIFA de Junho.
A selecção nacional de futebol perdeu por 1-0 frente à Indonésia, nesta terça-feira, no Estádio Gelora Bung Karno, em Jacarta, no segundo e último compromisso da Data-FIFA de Junho.
Apesar do resultado negativo, o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, fez um balanço positivo da prestação da equipa, destacando a evolução demonstrada pelos Mambas e o compromisso dos jogadores ao longo da janela internacional.
O encontro marcou o encerramento da participação moçambicana nesta ronda de jogos amigáveis, numa partida em que os Mambas procuraram responder às exigências de um adversário motivado pelo apoio do seu público.
Na conferência de imprensa após o jogo, Chiquinho Conde elogiou a postura da delegação nacional, sublinhando a dedicação demonstrada pelos atletas.
“Antes de mais, tenho que dar os parabéns a toda a comitiva que esteve a representar Moçambique. Foi de uma extraordinária humildade e comprometimento com aquilo que era o nosso propósito”, afirmou o técnico.
O seleccionador reconheceu que a derrota sofrida no primeiro jogo da Data-FIFA, diante de Omã, teve impacto no grupo, sobretudo devido ao processo de renovação em curso na equipa nacional.
“Obviamente que foi difícil digerir o primeiro resultado negativo. Não mostramos a valia da equipa, tivemos seis estreias e três jogadores que fizeram a primeira internacionalização. É normal que as coisas não tenham corrido bem”, explicou.
Frente à Indonésia, contudo, Conde considera que a equipa apresentou melhorias significativas, especialmente na organização e na capacidade competitiva.
“Neste segundo jogo rectificamos. Eles perceberam que o mais importante é sermos competitivos e acreditarmos no processo. Não estamos satisfeitos com o resultado, mas sim com a atitude e a determinação. Interpretaram muito bem o nosso sistema táctico”, destacou.
O treinador aproveitou ainda para reforçar a importância da aposta nos jovens talentos, apontando o processo de renovação como um investimento estratégico para os próximos desafios da selecção.
“O que valeu hoje (terça-feira) foi a atitude e a determinação destes jogadores jovens. Vamos tirar ilações e já temos ideia de com quem podemos contar no futuro. Temos jovens sub-23 importantes para o nosso projecto com vista ao CAN. É um processo, vamos respeitá-lo e, paulatinamente, vamos agregar valor a esta equipa”, acrescentou.
Mambas atravessam fase delicada apesar de sinais de renovação
A seleção nacional encerrou a Data-FIFA de Junho com mais uma derrota, ao perder por 1-0 frente à Indonésia, em Jacarta, agravando um ciclo de resultados pouco animador para os Mambas. Com este desaire, a equipa orientada por Chiquinho Conde soma apenas uma vitória nos últimos oito jogos disputados entre competições oficiais e encontros amigáveis.
A recente digressão asiática, que tinha como principal objectivo testar novas opções e consolidar processos de jogo, terminou sem vitórias. Antes da derrota diante da Indonésia, os Mambas haviam sofrido uma pesada goleada por 4-1 frente a Omã, expondo dificuldades defensivas e limitações na construção ofensiva.
Os números reflectem uma fase de instabilidade. Desde a vitória por 3-2 sobre o Gabão, alcançada a 28 de Dezembro de 2025, Moçambique não voltou a vencer. Pelo caminho, acumulou derrotas frente aos Camarões (2-1), Nigéria (4-0), Omã (4-1) e Indonésia (1-0), resultados que evidenciam a quebra de rendimento da equipa nacional.
A actual sequência negativa contrasta com o entusiasmo gerado pela histórica qualificação de Moçambique para os oitavos-de-final do Campeonato Africano das Nações (CAN). No entanto, os resultados registados desde então demonstram que a equipa continua à procura de maior consistência competitiva.
Com os compromissos da Data-FIFA concluídos, os Mambas voltam agora as atenções para os próximos desafios oficiais, numa fase em que a equipa técnica procura equilibrar a renovação do plantel com a necessidade de recuperar resultados e confiança.
O Ministério da Defesa Nacional acreditou hoje, em Maputo, cinco adidos de defesa das Repúblicas do Gana, Indonésia, Japão, Malawi e Zâmbia, numa acção que visa impulsionar a cooperação bilateral e reforçar os mecanismos de colaboração no domínio da defesa.
Durante a cerimónia, o ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, afirmou que os adidos de defesa constituem actores estratégicos na consolidação das relações entre os Estados, promovendo o intercâmbio de experiências, a partilha de informações, a capacitação institucional e o desenvolvimento de projectos conjuntos.
Segundo o governante, a acreditação ocorre num contexto marcado por desafios comuns, com destaque para o terrorismo, o crime organizado transnacional e os impactos das mudanças climáticas, factores que exigem respostas coordenadas e uma cooperação cada vez mais dinâmica.
A cerimónia ficou igualmente marcada pela acreditação, pela primeira vez, de um adido militar da República do Gana em Moçambique, facto que, segundo o Ministério da Defesa Nacional, reflecte o aprofundamento das relações de cooperação entre os dois países no domínio da defesa.
Na ocasião, Cristóvão Chume destacou as oportunidades existentes no aprofundamento da cooperação com os países representados, com enfoque para a segurança marítima, a protecção de infra-estruturas estratégicas, a formação de quadros, a segurança dos corredores logísticos regionais, a integração energética e o fortalecimento da estabilidade regional no quadro da SADC, da União Africana e das Nações Unidas.
Foram acreditados o Comodoro Samuel Walker, da República do Gana, o Brigadeiro Clive Nkwamba Bukufu, da República da Zâmbia, o Coronel Guntur Almasyih, da República da Indonésia, o Tenente-Coronel Go Abe, do Japão, e o Tenente-Coronel Frank Kelvin Nenani Timve Kayanula, da República do Malawi.
O surto de Ébola na República Democrática do Congo e Uganda ultrapassou os 600 casos confirmados e causou mais de 100 mortes, enquanto as autoridades de saúde avisam que a insegurança, a falta de recursos e as restrições de viagem estão a dificultar os esforços para conter o vírus. Por outro lado, os EUA apelam a controlos de viagem mais rigorosos à medida que os casos tendem a subir.
As infecções confirmadas de Ébola na República Democrática do Congo e Uganda subiram para 608, com 102 mortes registadas até 8 de junho corrente, de acordo com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças citadas pela AfricaNews.
A RDC continua a ser o epicentro do surto, com 589 casos confirmados após a deteção de 45 novas infeções num período de 24 horas. Uganda não registou novos casos confirmados durante o mesmo período.
As autoridades de saúde acreditam que o número real de infeções pode ser maior devido à subnotificação e às dificuldades de acesso às comunidades afectadas.
Face ao cenário, os Estados Unidos da América apelam a controlos de viagem mais rigorosos..
Os esforços de resposta enfrentam grandes obstáculos. As autoridades de saúde afirmam que a resposta ao surto está a ser dificultada por severas limitações operacionais em várias regiões afectadas.
Muitas unidades de saúde carecem de necessidades básicas, incluindo água potável, equipamentos de proteção, materiais de descontaminação e incineradores funcionais.
Um total de 1.317 migrantes morreram a tentar chegar à costa espanhola nos primeiros cinco meses deste ano, revela um relatório hoje divulgado pelo coletivo Caminando Fronteras.
Mais de 1.300 pessoas faleceram entre 01 de janeiro e 31 de Maio das quais 142 eram mulheres e 129 eram menores de idade. Além disso, 27 embarcações desapareceram com todas as pessoas a bordo, segundo um relatório divulgado pelo coletivo Caminando Fronteiras citado pela imprensa internacional.
Segundo o coletivo, a rota atlântica continua a ser a mais mortífera da fronteira, com 635 vítimas.
No que diz respeito à rota argelina, a organização indicou que o número de vítimas ultrapassou, pela primeira vez, as 507, o que representa um aumento de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, segundo a fonte, a rota do Estreito de Gibraltar duplicou o número de vítimas, passando de 52 para 99 em 2026, enquanto na vedação de Ceuta morreram 48 pessoas nos primeiros cinco meses de 2026.

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