Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.
O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.
Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.
O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.
Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.
No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.
Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.
Ossufo Momade diz que os Mártires da Renamo não deixaram o partido para servir de palco de vaidades pessoais. O líder desta força política falava na abertura do III Conselho Nacional do partido, na qual reconheceu divergências internas e apelou que não sejam transformadas em guerras internas.
Tal como havia anunciado, a direção da RENAMO cumpriu a sua promessa. Pouco mais de 190 delegados provinciais estão reunidos no III Conselho Nacional do partido, realizado em contexto de turbulência interna.
Ossufo Momade, presidente do partido, reconhece os conflitos internos e pede aos membros para preservar o legado de André Matsangaissa e Afonso Dhlakama.
“Nossos mártires não nos deixaram um partido para servir de palco a vaidades, deixaram-nos uma causa, e uma causa só sobrevive se for servida por pessoas unidas em torno do essencial”, apelou Ossufo Momade, na abertura do evento, reconhecendo haver tensão interna que provoca mágoas entre membros, leituras diferentes sobre o rumo do partido, no entanto.
“O que não pode existir são divergências que se transformam em ruptura, a crítica que se transforma em injúria e o debate que se transforma em guerra interna.”
O líder apelou ao respeito pelos órgãos sociais do partido e a preservação dos elementos identitários, argumentando que a bandeira e cartazes do partido que têm sido incendiados por alguns contestatários da sua liderança de Ossufo, não pertencem a nenhum indivíduo, por isso devem ser preservados.
“Destruir os símbolos e trair a causa de todos nós, os vivos e os mortos que deram a sua vida. Se esta casa foi capaz de superar a perda dos seus dois maiores símbolos, não permitiremos que seja ferida pela vaidade, pela ambição de assaltar o poder. ”
Aos membros desavindos com o partido, instou a reconciliação com a RENAMO
“Que cada um de nós deponha orgulho ferido, que estenda a mão ao irmão, e quem se afastou, que se reconcilie. Voltemos à origem, voltemos ao tempo em que partilhamos a última ração, voltemos à humildade de quem sabe que a causa é maior do que qualquer um de nós”, concluiu.
O Conselho Nacional da Renamo tem duração de dois dias, e a marcação de um congresso ordinário ou extraordinário, está entre os pontos da agenda. O encontro vai apreciar anteprojecto de Lei de reconhecimento de André Matsangaissa e Afonso Dhlakama, como herois nacionais, a ser enviado à Assembleia da República.
Membros da Renamo consideram urgente encontrar sucessor de Ossufo
Os braços sociais da Renamo dizem que é urgente o partido reflectir na sucessão de Ossufo Momade enquanto é tempo para enfrentar as próximas eleições com segurança. Já membros seniores do partido apelam à reestruturação da Renamo para adaptar-se à conjuntura actual.
A Liga da Juventude da Renamo diz ser necessário pensar-se no próximo líder com a máxima urgência possível, uma vez que Ossufo Momade já confirmou que não se vai candidatar à sua própria sucessão na presidência do partido.
“Precisamos preencher a lacuna com maior brevidade para ganhar tempo para as próximas eleições. Os nossos adversários já definiram os seus candidatos para as eleições de 2029, portanto, a Renamo não pode ficar de lado”, apelou Ivan Mazanga.
Enquanto a juventude pensa na sucessão, a Maria Celeste Cachite, da Liga Feminina, encara com tristeza os conflitos na Renamo, por isso espera que “saiamos desse Conselho Nacional mais coesos, mais unidos.”
Sobre a unidade, Victor Viandro Mudivila, que preside a Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia, encoraja membros desavindos com o partido a usar as portas abertas pelo presidente para apresentação de opiniões sobre o que vai mal na vida do partido.
Manuel Bissopo e membros seniores do partido apelam à revisão de estatutos, e diálogo entre a liderança e Ossufo Momade
“É imperativo que se faça a revisão do estatuto para adequar as regras à dinâmica da sociedade, e a questão da divergência, eu penso que é um assunto que pode ser resolvido, tem que ser resolvido, porque afinal de contas todos nós somos da Renamo”, apela Bissopo
Já Glória Salvador, membro sénior do partido, apelou a conversa com António Muchanga.
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, alertou a Eritreia na segunda-feira que o país enfrentará “severas consequências” se continuar a apoiar os rebeldes em seu território.
Rebeldes no estado de Tigray, no norte da Etiópia, lançaram uma ofensiva contra o governo federal no mês passado, mas acabaram sendo forçados a recuar e perderam o controlo do estado.
Os combates aumentaram os temores de uma guerra regional, já que os rebeldes contavam com o apoio da vizinha Eritreia, que mobilizou milhares de soldados em território etíope. Mas eles também foram forçados a recuar após serem atingidos por ataques de drones.
Abiy recusou-se em grande parte a comentar as semanas de conflito no norte do país, mas fez um discurso na língua local, o tigrínia, na segunda-feira, no qual alertou a Eritreia contra novas interferências.
“Servir de base para os inimigos da Etiópia em vez de ser um parceiro no desenvolvimento não trará benefícios. Acredito que ignorar nossos apelos terá consequências muito, muito, muito graves”, disse Abiy.
Os rebeldes da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), que controlavam o estado do norte há décadas, abandonaram suas cidades, e uma nova administração nomeada pelo governo federal assumiu o poder na última sexta-feira.
O novo prefeito da capital do estado, Mekelle, disse à AFP na segunda-feira que as eleições serão realizadas dentro de seis meses.
“Nosso papel é criar as condições adequadas para as eleições, garantindo a paz e a estabilidade em toda a região de Tigray”, disse o prefeito Shishay Amare à AFP.
A TPLF já governou toda a Etiópia, até que Abiy, natural da região central de Oromia, assumiu o poder em 2018.
“A TPLF não existia há 50 anos, e agora sua existência está chegando ao fim”, disse Abiy.
“Vamos implementar projetos de desenvolvimento em todas as partes de Tigray. Até que uma administração regular seja estabelecida por meio de eleições, nosso povo deve preservar sua unidade e suas instituições”, acrescentou.
A região de Tigray, controlada pelos rebeldes, não participou das eleições parlamentares nacionais de Junho, que viram Abiy e seu Partido da Prosperidade retornarem ao poder com uma vitória esmagadora contra uma oposição em grande parte neutralizada.
A Eritreia conquistou a independência da Etiópia em 1993. Agora, teme que a Etiópia, país sem litoral, invada o território para tomar o acesso ao Mar Vermelho.
“Quando a Eritreia fazia parte da Etiópia, suas cidades eram vibrantes e belas. Hoje, as cidades eritreias parecem cidades fantasmas”, disse Abiy em seu discurso.
“Boas relações de vizinhança e parcerias são o único caminho a seguir.”
Organizações marroquinas de direitos humanos pedem ao Governo e ao Parlamento que acelerem a abolição da pena de morte, num país onde 55 pessoas estão condenadas à morte.
Durante um encontro em Rabat, a presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH, estatal), Amina Bouayach, apelou ao recém-empossado Governo e ao Parlamento de Marrocos, país em que vigora uma moratória há mais de três décadas, para que coloquem a questão entre as prioridades dos respetivos mandatos.
“O Governo e o Parlamento têm a responsabilidade de avançar no sentido da abolição explícita da pena de morte e de pôr fim a esta hesitação legislativa”, afirmou Bouayach, que apelou à aplicação do artigo 20.º da Constituição de 2011, segundo o qual “o direito à vida é o primeiro direito de todo o ser humano”.
A presidente do CNDH recordou que Marrocos tomou medidas favoráveis à abolição desta pena, entre as quais o perdão concedido pelo rei Mohammed VI a 240 pessoas condenadas à morte, 185 das quais nos últimos cinco anos.
Desde 1994, não foi executada qualquer condenação à morte no país magrebino. No entanto, os tribunais continuam a proferir sentenças de pena de morte, que permanece prevista no Código Penal e na legislação militar.
Em Dezembro de 2024, Marrocos votou pela primeira vez a favor de uma resolução das Nações Unidas que apelava à adopção de uma moratória sobre a aplicação da pena de morte.
A 30 de Junho, durante o Congresso Mundial contra a Pena de Morte, realizado em Paris, o ministro da Justiça marroquino, Abdelatif Ouahbi, anunciou que o país está a trabalhar numa reforma do Código Penal, na qual deverá ficar consagrado este avanço no sentido da abolição, tendo também anunciado que Marraquexe acolherá o mesmo encontro dentro de três anos.
Para Abderrahime Jamai, presidente da Coligação Marroquina de Luta contra a Pena de Morte, a realização do Congresso Mundial em Marrocos representa um “compromisso político” do país com a abolição efetiva da pena de morte em toda a legislação.
Jamai defendeu que a abolição desta pena deve também produzir efeitos retroactivos.
Ao longo da Estrada Nacional Número 7 (EN7), no troço que liga a cidade de Tete ao município de Moatize, várias mulheres encontram na venda de pedras uma fonte de sustento para as suas famílias. Sob o sol, expostas aos riscos do trânsito, passam os dias à espera de clientes, numa actividade que, apesar das dificuldades, tem permitido melhorar as condições de vida dos seus agregados familiares.
É o caso de Crecia Castro, mãe de cinco filhos, que há seis anos se dedica à venda de pedras em Moatize. A actividade permitiu-lhe adquirir electrodomésticos e assegurar a frequência escolar dos filhos, graças ao rendimento obtido ao longo dos anos.
Entretanto, a vendedora afirma que o negócio já não apresenta o mesmo movimento de outros tempos, devido à redução do número de clientes, situação que dificulta a satisfação das necessidades básicas da família.
A diminuição das vendas representa um desafio para mulheres que dependem exclusivamente desta actividade para garantir a alimentação, a educação dos filhos e outras despesas domésticas. Com uma experiência de dez anos no mesmo ramo, Rita Manuel também conhece os desafios da profissão. Apesar das dificuldades, a venda de pedras permitiu-lhe construir a sua própria casa, um resultado que considera fruto do esforço e da persistência ao longo de uma década.
Além da redução da procura, as vendedeiras enfrentam diariamente os riscos associados à proximidade da estrada, onde a circulação constante de viaturas constitui uma ameaça à sua segurança. Entre Tete e Moatize, os montes de pedras expostos à beira da EN7 representam mais do que uma actividade comercial informal.
São o reflexo do esforço de mulheres que encontram no trabalho diário uma forma de sustentar as famílias e conquistar melhores condições de vida, mesmo perante a diminuição das vendas e os perigos a que estão expostas.
Pessoas com albinismo beneficiam-se de atendimento médico especializado e gratuito no âmbito da VII Expedição Dermatológica, numa campanha que decorre de 5 a 28 deste mês, nos hospitais provinciais de Tete, Inhambane e Xai-Xai, Hospital Geral da Beira e hospitais centrais de Nampula e Maputo.
A iniciativa promovida pelo Laboratório Internacional de Fotoprotecção e Dermatologia (ISDIN), em colaboração com a África Directo tem como objectivo facilitar o acesso das pessoas com albinismo aos cuidados de saúde e contribuir para a prevenção e detecção precoce do cancro da pele.
Para o efeito, profissionais especializados de vários países, com experiência em albinismo e cancro da pele, irão avaliar o estado da sua pele, identificar possíveis lesões que necessitem de acompanhamento e tratá-las directamente durante a consulta.
A VII Expedição Dermatológica procura não só prestar assistência médica, mas também promover hábitos de prevenção e ajudar as pessoas com albinismo e as suas famílias a conhecer melhor os cuidados necessários para proteger a pele. Por este motivo, será reforçada a educação sobre fotoprotecção e serão distribuídos protectores solares e chapéus de aba larga que protejam também as orelhas e o pescoço.
Entre as principais recomendações para as pessoas com albinismo encontram-se a necessidade de utilizar proctetor solar diariamente, cobrir a pele com roupa (camisolas de manga comprida e calças compridas), usar bonés ou chapéus de aba larga, procurar a sombra e evitar, sempre que possível, as horas de maior exposição solar.
Nas seis expedições anteriores foram realizadas mais de 5.250 avaliações dermatológicas e 911 cirurgias de tumores cancerígenos, com a participação de 77 dermatologistas. O projecto permitiu ainda formar profissionais de saúde locais e inclui a doação anual de 100.000 protectores solares.
A iniciativa tem vindo a alargar progressivamente a assistência a diferentes zonas de Moçambique e procura, paralelamente, reforçar a formação dos médicos locais para favorecer a continuidade do atendimento dermatológico ao longo de todo o ano.
As pessoas com albinismo têm pouca ou nenhuma melanina, o que reduz a protecção natural da pele contra o sol e aumenta o risco de sofrer danos solares e desenvolver cancro da pele. Por este motivo, a fotoprotecção, a avaliação periódica da pele e a detecção precoce de possíveis lesões são especialmente importantes.
O albinismo é uma condição genética hereditária que afecta a produção de melanina e não é uma doença contagiosa. As pessoas com albinismo podem ter necessidades específicas, especialmente relacionadas com a visão e a protecção da pele contra o sol, mas o albinismo não determina as suas capacidades intelectuais nem as impede de ter uma vida plena.
Em algumas comunidades, ainda existem falsas crenças sobre o albinismo que não têm qualquer fundamento científico. Entre elas, a ideia de que determinados alimentos, como a carne ou o peixe, provocam cancro da pele, quando o principal factor de risco é a exposição à radiação solar; que o nascimento de uma criança com albinismo se deve à infidelidade da mãe; ou que as pessoas com albinismo têm poderes sobrenaturais, trazem boa ou má sorte ou são vítimas de uma maldição ou castigo. Estas crenças contribuem para a sua estigmatização e discriminação.
O projecto prevê a instalação de quatro unidades de processamento de minerais a partir de 2027, na Zona Franca Industrial de Minheuene, província de Nampula.
A criação de um parque de processamento de recursos minerais em Nacala, província de Nampula, está prevista no âmbito de um memorando de entendimento assinado, esta terça-feira, entre o Ministério dos Recursos Minerais e Energia e a Nacala Park Management Co., Lda., constituída por iniciativa do grupo chinês Jinan Yuxiao. O projecto prevê um investimento inicial de 65 milhões de dólares norte-americanos e a instalação de quatro unidades industriais a partir de 2027.
O memorando foi assinado pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, e pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Yuxiao, Wu Tao, à margem da Conferência sobre Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d 2026), que contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo.
A primeira fase do projecto contempla unidades de processamento de escória com alto teor de titânio, silicato de zircónio, háfnio de ultra-alta pureza e grafite de alta pureza. As instalações deverão ser implantadas nas zonas francas industriais de Locone e Minheuene, sendo que o parque ficará localizado nesta última, a cerca de dez quilómetros do Porto de Nacala.
Com uma área de 350 hectares, a Zona Franca Industrial de Minheuene ainda não iniciou as operações, decorridos quinze anos desde a sua criação. O memorando estabelece as bases de cooperação para o desenvolvimento das infra-estruturas, o licenciamento ambiental, o financiamento e a futura operação comercial do parque. Os pedidos de aprovação dos quatro projectos iniciais foram submetidos à Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) no dia 6 de Outubro, encontrando-se em tramitação a certificação da entidade operadora.
O projecto pretende reforçar o processamento de matérias-primas minerais em território nacional, numa aposta na transformação local dos recursos antes da sua exportação. Entre as matérias-primas previstas estão o concentrado de grafite proveniente do projecto DH e o concentrado de ilmenite extraído das minas do grupo.
O empresário moçambicano Daniel David apresentou, no último sábado, dia 17 de Outubro, em Óbidos, Portugal, o livro Zona do Impossível, uma obra autobiográfica que revisita a sua trajectória pessoal e profissional.
A apresentação decorreu no âmbito do FÓLIO — Festival Literário Internacional de Óbidos, que reuniu escritores, leitores e outros amantes da literatura, incluindo autores moçambicanos.
A participação de Daniel David no festival constituiu uma oportunidade para dar a conhecer uma história de vida marcada por desafios, persistência e determinação.
Através da obra, o fundador do Grupo SOICO partilha experiências pessoais e profissionais e reflecte sobre a forma como as dificuldades podem ser transformadas em oportunidades de aprendizagem e crescimento.
A apresentação esteve a cargo de Aniceto Manhique, que destacou a dimensão humana da obra, para além da vertente empresarial.
“A obra é o retrato, é a história de Daniel David, do seu empreendimento, do seu empreendimento, da sua estrutura, enquanto cidadão, enquanto pai, ”
Na ocasião, Daniel David partilhou a mensagem central do livro: as circunstâncias da vida não têm necessariamente de determinar o destino de cada pessoa.
“A primeira lição que gostaria de partilhar, é que as nossas origens nunca determinam qual será o nosso destino, nós é que construímos a nossa trajetória, os objectivos que queremos atingir e o destino que queremos chegar. A segunda lição é que sempre que estivermos em qualquer circunstância da vida, devemos aceitarmos fazer o nosso melhor nas piores condições”.
Em Zona do Impossível, o empresário revisita o caminho percorrido e apresenta um testemunho sobre persistência, humildade e determinação, sublinhando que as origens fazem parte da história de cada um, mas não precisam de definir o seu fim.
Entre os participantes, Sérgio Raimundo considerou que o livro representa uma oportunidade de encontrar referências numa sociedade que precisa de conhecer histórias de superação.
Por sua vez, Rui Motty, vice-presidente da CCPM, destacou o valor humano da obra e as lições que pode transmitir.
Na edição deste ano, que decorreu de 8 a 18 de Outubro, Moçambique também marcou presença, com a apresentação de obras de cinco autores nacionais, num programa dedicado à literatura moçambicana.
O Anamola dá 10 dias ao Presidente da República para fazer um pronunciamento público a repudiar as perseguições, agressões e assassinatos a membros do partido, que diz serem motivados por questões políticas. O partido submeteu uma carta a Daniel Chapo.
Não é a primeira vez que o Anamola se queixa de perseguição, violência física e psicológica contra seus membros, que é, segundo o partido, protagonizada por agentes da Polícia e indivíduos não identificados.
Para colocar um ponto final na onda de assassinatos, ao que a formação política considera fruto de intolerância política, o partido de Venâncio Mondlane submeteu, nesta terça-feira, uma carta dirigida ao Presidente da República, com intenções bem definidas.
“Exigimos que ninguém nos mate, só porque estamos a exercer os nossos direitos, ninguém nos mate. Que o Presidente da República declare publicamente tolerância zero à violência política e assuma um compromisso inequívoco com o fim do derramamento do sangue por razões políticas em Moçambique. Que condene todos os atos de violência política, independentemente de quem sejam as vítimas ou os alegados responsáveis, reafirmando que nenhuma divergência política justifica a agressão, a perseguição ou morte de um cidadão; Que condene expressamente o uso desproporcionado da força contra cidadãos, com particular atenção às situações onde envolvem crianças, jornalistas, pessoas com deficiência; Que instrua as instituições competentes a investigar de forma imparcial, célere e transparente todos os casos de violência política, denunciados e outros conexos, garantindo que nenhuma situação seja ignorada por razões partidárias ou institucionais”, declarou James Njiji.
De acordo com o documento, Daniel Chapo tem até ao dia 30 de Outubro para demonstrar o seu interesse em combater a violência política.
“Solicitamos que essas declarações públicas sejam feitas no prazo de 10 dias, contados a partir da recepção da comunicação formal dirigida ao chefe do Estado. Esperamos que a resposta presidencial não se limite a palavras circunstanciais, mas representa um compromisso efectivo com a prevenção da violência política, a protecção dos cidadãos, a investigação dos casos denunciados e a responsabilização dos eventuais actores”, acrescentou.
ANAMOLA INOCENTA VENÂNCIO MONDLANE
É que o Anamola diz já terem sido mortos pelo menos 65 membros, cujos autores dos assassinatos continuam desconhecidos. Em relação ao julgamento de Venâncio Mondlane, marcado para 17 de Novembro, o secretário-geral diz que o seu líder é inocente e tal será provado.
“Nós sabemos que o presidente Venâncio será absolvido neste processo e nunca pensamos em nenhum momento em vê-lo fora de ser tão político. Tudo o que nós fazemos, todos os passos que nós tomamos, é na base daquilo que os estatutos internos dizem e é assim que faremos, seja qual for a decisao”.
Recorde-se que o Tribunal Supremo rejeitou o pedido da defesa de Mondlane, para a transmissão em directo da audiência, permitindo apenas a presença de cidadãos na sala, acompanhamento e registo escrito pela comunicação social.
A nova linha de produção de clínquer por via seca de 3000 toneladas por dia da Fábrica Dondo da Huaxin, também conhecida como Fábrica de Cimento de Beira, entrou em operação no dia 6 de Outubro, na província de Sofala, no centro de Moçambique, após uma intervenção de modernização que contou com a participação da China Railway No.20 Bureau (Moçambique), Lda.
A cerimónia de ignição da nova linha marcou a conclusão de 17 meses de obras de ampliação e modernização iniciadas em Maio de 2025. A China Railway No.20 Bureau (Moçambique), Lda. concluiu com sucesso as obras civis do projecto e recebeu uma carta de agradecimento do proprietário pela qualidade e pelo cumprimento do contrato.
Fundada em 1949, a fábrica foi adquirida em Dezembro de 2023 pela Huaxin Cement e integrada ao seu parque fabril moçambicano. Com a entrada em operação da nova linha, a unidade passa a produzir clínquer localmente, pondo fim à importação externa do produto na região.
Obras realizadas em fábrica em funcionamento
Segundo a empresa, tratou-se de um projecto de reforma numa fábrica em funcionamento, com demolição de estruturas antigas, consolidação de fundações e construção de novas instalações. Para não interromper a produção, as obras foram realizadas em zonas isoladas, em paralelo com a actividade fabril.
A equipa superou desafios técnicos na execução de betão em massa e vigas circulares trapezoidais dos silos, através de projectos específicos, controlo rigoroso de temperatura, moldes e peças embutidas. Foram utilizados dois turnos de trabalho para avançar as obras do forno, silos, transporte e geração de energia residual.
Na cerimónia de ignição, gestores chineses e moçambicanos acenderam juntos a tocha da linha produtiva. O proprietário elogiou a gestão técnica e o cumprimento do contrato pela equipa, destacando a competência da construção chinesa.
Capacidade e benefício
Com a entrada em operação, a capacidade de moagem de cimento sobe para 1,3 milhão de toneladas por ano. O sistema de geração de energia residual de 5 MW reduz o consumo energético da unidade.
A produção local de clínquer reduz os custos de transporte e assegura o fornecimento estável de cimento para estradas, edifícios e outras obras de infra-estrutura, contribuindo para o desenvolvimento económico da região e para a consolidação da capacidade industrial de Moçambique.