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Mais de mil civis mortos em ataques de drones no Sudão entre Janeiro e Maio

Os ataques de drones no Sudão mataram mais de mil civis entre Janeiro e Maio deste ano, indicou o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos na abertura de uma nova sessão do Conselho dos Direitos Humanos em Genebra.

Ao recordar que, no quadro da guerra vigente há pouco mais de três anos no Sudão, os drones de longo alcance também destruíram colunas de veículos humanitários e infra-estruturas energéticas vitais, Volker Türk disse que o crescente recurso às armas autónomas não se pode tornar uma forma de “autorização para cometer crimes atrozes”.

Os combates e os ataques de drones intensificaram-se nos últimos meses na região do Kordofan e no Estado do Nilo Azul, perto da fronteira com a Etiópia, nomeadamente após a tomada, pelos rebeldes das Forças de Apoio Rápido (FSR), em Outubro passado, da cidade de El-Fasher, último bastião importante do exército no oeste do Darfur.

“No Sudão, o conflito terrível expandiu-se e intensificou, marcado por um forte aumento do uso de drones de guerra. Entre Janeiro e Maio de 2026, o nosso gabinete registou mais de mil civis mortos em ataques de drones”, disse Volker Türk.

A guerra civil que entrou em Abril no seu quarto ano causou mais de 200 mil mortos e gerou o que a ONU chama de “pior crise humanitária do mundo”.

No âmbito do arranque de uma nova sessão do Conselho dos Direitos Humanos, ao evocar uma série de outros conflitos actualmente vigentes no mundo, Volker Türk apontou que, no caso do Sudão, “os estupros e a violência sexual são omnipresentes”.

Desde o começo do conflito, têm sido numerosas as denúncias de toda a ordem no Sudão, tanto do lado das forças governamentais, como do lado das FSR.

Fora do Sudão, os cerca de 12 milhões de deslocados resultantes do conflito também vivem na precariedade e na violência.

No Chade, onde de acordo com a ONU sobrevive cerca de um milhão de refugiados sudaneses, há também queixas de violências sexuais.

Precisamente nesta semana, a MSF anunciou ter despedido 18 dos seus funcionários no Chade por “negligência grave” relacionada com actos de exploração e abuso sexual relatados por mulheres sudanesas refugiadas naquele país.

Após investigar 59 alegações, foi estabelecida a existência de importantes falhas.

“Quando os inquéritos revelaram a existência de faltas graves, foram tomadas medidas disciplinares imediatas”, indicou ainda a ONG ao lamentar “profundamente os prejuízos sofridos” e garantir continuar os “esforços para fortalecer” os seus “sistemas de prevenção, detecção e resposta” perante este tipo de actos.

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