As cheias e inundações que afetaram a província de Gaza entre Janeiro e Março deste ano provocaram a morte e dispersão de centenas de animais no Parque Nacional de Banhine, agravando o conflito entre comunidades locais e fauna bravia nos distritos de Mabalane, Chigubo e Mapai.
O fenómeno climático teve impactos significativos sobre a área de conservação, com a destruição de infraestruturas, a fuga de espécies e o enfraquecimento dos esforços de repovoamento faunístico em curso no parque.
De acordo com residentes, a convivência com a fauna bravia tornou-se mais difícil nos últimos meses, com registo de ataques a pessoas e aumento da presença de animais em zonas habitacionais.
“O conflito com a fauna bravia é o pão de cada dia, para dizer que a população reclama dia após dia. Cerca de 60 mil hectares foram devastados”, relatou Salvador Machava, produtor da área do parque.
Já a Administradora de Mapai descreveu episódios recentes de ataques envolvendo búfalos, incluindo ferimentos a membros da comunidade.
“Temos búfalos que chegam até a menos de dois quilómetros da vila, aqui no Matadouro. Uma criança foi agredida por búfalos. Nos últimos dois meses podemos falar de seis pessoas que foram agredidas”, disse Maria Helena, Administradora de Mapai.
Além do impacto sobre a fauna, as cheias destruíram infraestruturas estratégicas do parque, incluindo um santuário de proteção e maneio da vida selvagem, com prejuízos estimados em mais de 30 mil dólares.
“Foi destruído. O santuário praticamente está destruído. Os danos podem rodar acima de 30 mil dólares”, referiu Abel Nhabanga, Administrador do Parque Nacional de Banhine.
Segundo a administração do parque, a situação foi agravada pela subida do nível das águas, que cobriu grande parte do perímetro da reserva e levou à dispersão de espécies e à perda de animais recentemente introduzidos.
“Este ano o conflito com a fauna bravia agudizou-se. Tivemos chuvas intensas e água espalhada quase em todo o perímetro do parque”, explicou o responsável, acrescentando que estão em curso medidas de mitigação.
Entre as acções em implementação estão a vedação eléctrica de machambas e a criação de equipas de fiscais especializados em mediação de conflitos entre comunidades e fauna.
As cheias comprometeram ainda o programa de repovoamento do parque, incluindo a dispersão de mais de 400 animais translocados em 2025, numa operação avaliada em cerca de 350 mil dólares.
“Perdemos muitos animais devido à cheia. Alguns ficaram entalados em lama, sobretudo impalas e cabritos-do-mato. Tivemos também uma migração de animais não comum”, indicou Abel Nhabanga.
Paralelamente aos impactos ecológicos, o parque registou a deslocação incomum de espécies como zebras e búfalos para zonas habitacionais, aumentando a tensão com as comunidades locais.
Apesar dos prejuízos, o Parque Nacional de Banhine avançou com a entrega de 20% das receitas da conservação às comunidades, como forma de reforçar o envolvimento local na protecção da área.
“As comunidades precisam sentir que o parque também lhes pertence”, referiu Claudino Soupada, beneficiário, sublinhando que os fundos estão a ser aplicados em apoio agrícola e distribuição de insumos.
As autoridades do parque estão neste momento a realizar o levantamento completo dos danos e a mobilizar recursos para reforçar a protecção da área de conservação, restaurar infra-estruturas destruídas e mitigar os impactos sobre a fauna e as comunidades circunvizinhas.
O presidente do Conselho Municipal da Cidade da Maxixe, Issufo Francisco, manifestou indignação face ao abandono de obras públicas por parte de empreiteiros contratados pelo município e garantiu que a edilidade está a avançar com a rescisão dos contratos e a recuperação dos valores desembolsados pelo Estado.
Segundo o autarca, foram identificadas pelo menos duas empresas que receberam financiamento para executar obras de infra-estruturas, mas não demonstraram capacidade técnica nem financeira para concluir os projectos, deixando prejuízos para o município e para os munícipes.
“Não podemos tolerar empreiteiros irresponsáveis, empreiteiros que fazem obras sem qualidade e que não terminam as obras”, afirmou Issufo Francisco.
De acordo com o edil, um dos contratos remonta a 2023 e outro a 2022, mas, passados vários anos, as empreitadas continuam inacabadas. Numa das obras, a empresa executou apenas cerca de 500 metros de estrada, enquanto noutra avançou apenas 600 metros, sem conseguir concluir os trabalhos previstos.
“Há empreiteiros que têm contratos com o município desde 2022 e 2023 e, até hoje, não conseguiram terminar obras de apenas 500 ou 600 metros”, criticou.
Perante a situação, o Conselho Municipal decidiu avançar com a rescisão dos contratos. Segundo Issufo Francisco, um dos processos já está a ser tratado por mútuo acordo, enquanto a segunda empresa foi igualmente notificada para a cessação da relação contratual.
O autarca revelou ainda que as empresas receberam pagamentos superiores ao nível de execução física das obras, pelo que a edilidade irá accionar todos os mecanismos legais para recuperar os recursos públicos.
“Tem uma execução financeira maior do que a execução física do próprio trabalho. Em outras palavras, estão a dever ao Estado Municipal o cumprimento das obras”, declarou.
As declarações foram feitas à margem de uma cerimónia de entrega de sementes de hortícolas e tubérculos a produtores da Zona Verde da Maxixe, uma iniciativa municipal destinada a impulsionar a produção agrícola local.
Na ocasião, Issufo Francisco destacou a importância do programa para o reforço da segurança alimentar e para a geração de rendimento das famílias produtoras.
A Assembleia da República vai ter uma academia parlamentar digital, para a profissionalização dos deputados e parlamentares. A informação foi anunciada nesta terça-feira, após a assinatura de um memorando de entendimento entre a casa do povo e a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, FDC.
A Assembleia da República assinou, na manhã desta terça-feira, três memorandos de entendimento com instituições públicas e privadas, com a visão de fortalecimento institucional.
O primeiro vice-presidente da Casa do Povo referiu-se ao evento como parte do compromisso da AR na consolidação da democracia, através do envolvimento de toda a sociedade.
“A democracia representativa não se esgota na realização periódica de eleições. Ela consolida-se através de instituições fortes, de parlamentares preparados, de funcionários parlamentares qualificados, de cidadãos informados e de uma permanente articulação entre o Estado, as instituições públicas e a academia, as organizações da sociedade civil e os parceiros de desenvolvimento.”
Com a missão de capacitar os deputados e demais parlamentares, a casa do povo rubricou acordos com a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, FDC, um parceiro antigo, com perspectivas futuristas.
António Mahumane, secretário-geral da AR, que rubricou o acordo, considera pertinente, uma vez que “prevê a criação de uma plataforma de articulação com as organizações da sociedade civil e redes de advocacia que trabalham nas áreas da criança, da juventude e da mulher, bem como o estabelecimento de um mecanismo formal e funcional para o aproveitamento integral de pesquisas produzidas por tais organizações”.
A FDC, após a troca de pastas, representada pelo seu administrador-delegado, vê na acção uma oportunidade para o fortalecer a democracia e enriquecer a actuação da Assembleia da República.
“Renovamos hoje o nosso compromisso de continuar a caminhar ao lado da Assembleia da República, procurando soluções inovadoras, partilhando conhecimento e construindo pontes entre o desenvolvimento, as comunidades e os diversos actores de desenvolvimento. Olhando para o futuro, queremos dar mais um passo importante através da criação de uma academia parlamentar digital, uma plataforma de aprendizagem que permitirá à Assembleia da República desenvolver o seu próprio currículo de formação, disponibilizar cursos de elevada qualidade e promover processos de certificação reconhecidos e credíveis”, disse Diogo Milagre.
Quem também quer partilhar conhecimentos com os representantes do povo é a Universidade Joaquim Chissano. Esta instituição comprometeu-se a formar os deputados.
“A nossa parceria sente-se em três grandes pilares. O primeiro é a promoção da inovação e da modernização institucional através da adopção de soluções e abordagens inovadoras que contribuam para o aperfeiçoamento da actividade legislativa e administrativa. O segundo consiste no fortalecimento das capacidades humanas e técnicas buscadas da Assembleia da República, reconhecendo que são as pessoas o principal activo de qualquer instituição e a garantia da qualidade dos serviços prestados ao Estado e aos cidadãos. O terceiro pilar centra-se na pesquisa científica, na produção e disseminação do conhecimento e na identificação de boas práticas internacionais”, listou João Gabriel de Barros, reitor da UJC.
AR e IDEA reforçam capacitação parlamentar
A Assembleia da República (AR) e o Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA Internacional) assinaram, nesta terça-feira, dia 09, em Maputo, um memorando de entendimento que visa fortalecer a capacidade do Parlamento e promover a formação contínua de deputados e funcionários parlamentares.
O secretário-geral da Assembleia da República, António Mahumane, disse que o memorando de entendimento assinado representa a materialização do objectivo comum de consolidação de uma parceria que já vem desde 2019, no âmbito do programa então denominado “Apoio à Consolidação da Democracia em Moçambique”.
“A relevância e actualidade das questões associadas à capacitação e formação, enquanto investimento no capital humano, suscita-nos um interesse especial, e é neste contexto que a Assembleia da República tem despendido um esforço inexcedível de gestão orçamental para que o processo de formação de deputados e funcionários seja possível e sustentável”, sublinhou o secretário-geral da Assembleia da República.
De acordo com o secretário-geral da Assembleia da República, a formação e a capacitação constituem investimentos estratégicos para responder aos desafios crescentes da actividade parlamentar e garantir maior eficiência no desempenho das funções legislativa, fiscalizadora e representativa.
“O memorando de entendimento que acabamos de rubricar, cujo objectivo é o de estabelecer uma relação de cooperação mútua, para fortalecer a Assembleia da República, os seus processos e capacidade humana, bem como atender ao fortalecimento dos conhecimentos dos Deputados e funcionários, nas diferentes vertentes da actividade parlamentar, é revelador do nosso reconhecimento comum de que a formação e a capacitação são essenciais para o desenvolvimento e o progresso”, disse Mahumane.
O Secretário-Geral acrescentou que, por essa via, “somos colocados perante o desafio de respondermos às novas exigências do Parlamento, de modo a formarmos Deputados e quadros competentes e mais aptos a desenvolverem as suas actividades de acordo com as necessidades e interesses institucionais e, acima de tudo, do país”.
Por seu turno, o Chefe da Missão do Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA) Miguel Brito reiterou o compromisso de continuar a apoiar iniciativas voltadas para o fortalecimento institucional do Parlamento moçambicano, contribuindo para a consolidação da democracia e da boa governação no país.
“Nos próximos dois anos, a cooperação prevista neste memorando incidirá em áreas estratégicas, incluindo reforço das capacidades dos deputados e das suas posições de trabalho, fortalecimento do secretariado-geral, incluindo a modernização de procedimentos e desenvolvimento das capacidades de pesquisa e de assistência à produção legislativa, promoção de uma Assembleia cada vez mais aberta e próxima dos cidadãos, apoio à digitalização da produção legislativa, promovendo eficiência, melhor acesso à informação e sustentabilidade e consolidação do papel do Parlamento na promoção da igualdade de género, empoderamento da mulher e participação da juventude”, disse Brito.
O Chefe da Missão do Internacional IDEA explicou que, o memorando prevê ainda mecanismos bilaterais de planificação e monitoria de implementação para garantir eficácia, eficiência e alinhamento permanente com as prioridades institucionais da Assembleia da República, o que constitui princípios de uma parceria genuína.
Vários ataques israelitas causaram nove mortos e três dezenas de feridos na cidade libanesa de Tiro, a cerca de 80 quilómetros a sul de Beirute, noticiou esta terça-feira a agência estatal libanesa NNA. Os ataques ocorreram depois de as forças israelitas terem emitido ordens de evacuação de várias zonas da cidade milenar, incluindo pela primeira vez o bairro cristão.
Alguns dos feridos ficaram em estado grave e as autoridades libanesas admitiram a possibilidade de o número de mortos aumentar nas próximas horas, de acordo com agência espanhola Europa Press (EP).
Um dos ataques atingiu na manhã desta terça-feira um bairro de Tiro onde se encontra a mesquita de Rifai, noticiou o jornal libanês L’Orient-Le Jour.
A mesquita localiza-se a menos de 200 metros de um dos locais arqueológicos mais importantes de Tiro, classificada como património da humanidade pela UNESCO desde 1984.
Apenas alguns minutos antes dos ataques, o exército israelita divulgou novas ordens de evacuação para Tiro e várias localidades, bem como para campos de refugiados palestinianos próximos.
“Alerta urgente aos residentes da cidade de Tiro, incluindo o bairro cristão, e aos campos e bairros circundantes”, disse o porta-voz em árabe do exército israelita, Avichai Adrai.
“Perante as violações do cessar-fogo por parte do grupo terrorista Hezbollah e os ataques à frente interna israelita, o exército vê-se obrigado a agir contra ele com força”, avisou.
O porta-voz militar israelita aconselhou os residentes das zonas a sair de casa e a dirigir-se para o norte do rio Zahrani.
“A vossa presença perto de elementos do Hezbollah ou das suas instalações ou meios de combate põe em perigo a vossa vida”, alertou.
Justificou que as alegadas actividades do Hezbollah no bairro cristão de Tiro eram a causa da intervenção militar numa zona que até há pouco tempo tinha ficado excluída das ordens de evacuação.
Os governos libanês e israelita alcançaram na semana passada um acordo sobre um mecanismo para aplicar um cessar-fogo no Líbano, que foi arrastado para a guerra pelos ataques do Hezbollah contra Israel em apoio ao Irão.
O acordo implicava que o Hezbollah pusesse fim aos ataques contra Israel e se retirasse para o Norte do rio Litani.
O grupo xiita libanês apoiado pelo Irão recusou estas condições por o acordo não contemplar a retirada das tropas israelitas do Sul do Líbano nem mecanismos de garantias.
O Hezbollah assegurou, por isso, que manteria as operações, o que levou Israel a continuar os bombardeamentos, incluindo um no domingo contra Beirute.
A capital libanesa deveria estar fora dos objectivos militares israelitas na sequência do acordo e o ataque levou a que o Irão lançasse uma bateria de mísseis contra território israelita.
Os ataques iranianos provocaram uma resposta israelita, desencadeando um intercâmbio de confrontos pela primeira vez desde o cessar-fogo em vigor desde 08 de Abril no Irão, por acordo de Teerão com os Estados Unidos.
Israel e o Irão concordaram na segunda-feira cessar os ataques após uma exigência nesse sentido por parte dos Estados Unidos.
As forças armadas iranianas anunciaram que suspenderiam os ataques, mas advertiram para uma resposta caso Israel continuasse com os bombardeamentos contra o Líbano.
Estes desenvolvimentos ocorrem no meio de conversações entre Teerão e Washington para alcançar um acordo de paz que encerre a guerra desencadeada pela ofensiva israelo-americana de 28 de Fevereiro contra o Irão.
O Irão está há semanas a advertir contra as acções israelitas no Líbano e na Faixa de Gaza sob o argumento de que o acordo de cessar-fogo alcançado em Abril com os Estados Unidos cobria toda a região.
Israel considerou o Líbano excluído do acordo, intensificou os bombardeamentos contra o Hezbollah e acelerou a invasão do País vizinho do Norte.
Centenas de pessoas participaram, esta segunda-feira, numa marcha contra a imigração ilegal nas ruas de Joanesburgo, um dia depois de o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ter anunciado medidas destinadas a reforçar o combate à entrada e permanência irregular de estrangeiros no país.
Os manifestantes exigiram uma actuação mais firme das autoridades na fiscalização das fronteiras e na regularização da situação dos imigrantes sem documentação válida.
A manifestação decorreu de forma pacífica, embora alguns participantes exibissem cartazes e paus, enquanto entoavam palavras de ordem como “Voltem para casa” e defendiam que os estrangeiros em situação irregular abandonassem o país até ao próximo dia 30 de Junho.
“Eles devem regressar aos seus países, regularizar a sua situação documental e, depois, voltar de forma legal. Se respeitarem as leis e mudarem de atitude, serão sempre bem-vindos ao nosso país”, afirmou Nkosikhona Ndabandaba, um dos participantes na marcha.
Durante o protesto, alguns manifestantes defenderam igualmente a construção de um muro ao longo da fronteira sul-africana, como forma de travar a entrada de imigrantes sem documentos.
“Queremos recuperar o nosso país. Não somos xenófobos. Infelizmente, temos sido mal interpretados pelo resto do mundo. Recebemos os nossos irmãos e irmãs durante muito tempo e convivemos com eles. Mas chegou o momento de regressarem aos seus países e de nos permitirem cuidar do nosso país”, declarou uma manifestante.
Manifestações semelhantes foram registadas noutras regiões da África do Sul, incluindo nas províncias do Cabo Ocidental e de Limpopo, reflectindo uma crescente mobilização de grupos que se opõem à presença de imigrantes indocumentados no país.
O debate em torno da imigração tem ganho destaque nos últimos meses, num contexto marcado por preocupações relacionadas com o desemprego, a criminalidade e a pressão sobre os serviços públicos, questões frequentemente associadas pelos manifestantes à permanência de cidadãos estrangeiros em situação irregular.
A artista e fotógrafa italiana Patrizia Bonfanti inaugura, nesta quarta-feira, no Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA), a exposição fotográfica “15 Meticais”.
“15 Meticais” é um retrato sensível e profundamente humano da resistência quotidiana na cidade de Maputo. Através de um olhar atento e poético, a exposição revela os gestos invisíveis que sustentam o dia-a-dia urbano: o trabalho nas ruas, o movimento constante dos chapas, as longas filas e a persistência silenciosa de quem vive do esforço diário.
Entre o ruído da cidade e a azáfama dos transportes colectivos, surgem imagens que captam a dignidade escondida nos pequenos actos: a banana cuidadosamente empilhada, o vidro limpo como tentativa de devolver brilho ao quotidiano, o cobrador que anuncia as paragens enquanto carrega o peso do dia.
Mais do que uma narrativa sobre o trabalho informal, a exposição destaca o orgulho que nasce da luta diária — a luta para sobreviver, sustentar famílias e seguir em frente, muitas vezes com apenas 15 meticais de cada vez.
O Clube de Desportos do Maxaquene anunciou a saída do treinador principal Mauro Jamal e do seu adjunto, Jossias Mazive, numa decisão que surge em resposta à sequência de maus resultados registados pela equipa no arranque da temporada.
O fim da ligação entre o técnico e o histórico emblema “tricolor” foi confirmado pelo próprio Mauro Jamal, que revelou ter chegado a um entendimento com a direcção do clube para a rescisão do contrato, após apenas seis meses no comando técnico da equipa.
A decisão acontece poucos dias depois da eliminação prematura do Maxaquene na Fase da Cidade da Taça de Moçambique. No último sábado, os “tricolores” foram derrotados por 2-1 pela Liga Desportiva de Maputo, formação que compete no segundo escalão do futebol moçambicano, resultado que precipitou o afastamento da prova.
Contudo, a eliminação na Taça foi apenas o culminar de um período difícil vivido pelo clube. De regresso ao Moçambola nesta temporada, após garantir a promoção no ano passado, o Maxaquene atravessa um dos piores inícios de campeonato da sua história recente.
Decorridas cinco jornadas, a equipa ocupa a 12.ª posição da tabela classificativa, sem conhecer o sabor da vitória. Os números espelham a crise de resultados: apenas dois pontos conquistados, fruto de dois empates e três derrotas, um único golo marcado e seis sofridos.
A fragilidade ofensiva tem sido uma das principais preocupações da equipa técnica e dos adeptos, numa formação que tem encontrado dificuldades para transformar posse de bola e oportunidades em golos. A falta de eficácia no ataque contrasta com as expectativas criadas em torno do regresso do clube à principal competição nacional.
Com a saída de Mauro Jamal, a direcção do Maxaquene procura agora encontrar rapidamente um novo treinador capaz de inverter a tendência negativa e devolver estabilidade competitiva à equipa. O principal objectivo passa por assegurar a permanência no Moçambola e evitar que o histórico clube volte a enfrentar problemas de despromoção.
Fundado em 1920, o Maxaquene é um dos clubes mais emblemáticos do futebol moçambicano, com um vasto palmarés nacional e reconhecido por ter formado algumas das maiores figuras do desporto africano, entre as quais Eusébio da Silva Ferreira. O actual momento, porém, exige respostas rápidas para impedir que a crise desportiva se aprofunde.
Enquanto a direcção avalia possíveis substitutos para o comando técnico, os adeptos aguardam uma reacção da equipa que permita recolocar o clube no caminho dos bons resultados e da estabilidade competitiva.
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, recebeu, nesta segunda-feira, na sede do Parlamento, em Maputo, o embaixador da República Federal da Alemanha acreditado em Moçambique, Ronald Münch, num encontro que marcou a apresentação de cumprimentos de despedida do diplomata.
Durante a audiência, o embaixador alemão fez um balanço da sua missão no País, destacando os principais marcos da cooperação bilateral entre Moçambique e a Alemanha. Münch sublinhou o potencial do povo moçambicano e a importância de aprofundar as relações nos domínios político, económico, social e da cooperação para o desenvolvimento.
O diplomata enalteceu ainda os laços históricos que unem os dois países, construídos ao longo de décadas através de intercâmbios académicos, profissionais e culturais. Manifestou igualmente interesse na continuidade e no reforço da cooperação entre os parlamentos de Moçambique e da Alemanha, incluindo a possibilidade de realização de encontros virtuais entre representantes das duas instituições legislativas.
Por seu turno, o porta-voz da presidente da Assembleia da República, Oriel Chemane, afirmou que Margarida Talapa felicitou o diplomata pelo trabalho desenvolvido ao longo da sua missão em Moçambique, considerando que a sua actuação contribuiu para o fortalecimento das relações de amizade e cooperação entre os dois povos.
Segundo Chemane, a presidente da Assembleia da República expressou ainda o reconhecimento pelo apoio multiforme prestado pela República Federal da Alemanha a Moçambique em diversos sectores de desenvolvimento, com destaque para a assistência em situações de emergência provocadas por desastres naturais que afectam ciclicamente o País.
A líder parlamentar agradeceu igualmente o contínuo apoio alemão ao processo de desenvolvimento nacional, sublinhando o contexto internacional marcado pela redução dos recursos destinados à cooperação para o desenvolvimento.
O encontro foi descrito como uma ocasião de reafirmação das boas relações entre os dois países e de compromisso com a continuidade da cooperação institucional e diplomática.
A selecção nacional de futebol, os Mambas, procura, nesta terça-feira, reencontrar-se com os bons resultados quando defrontar a Indonésia, em partida amigável da Data-FIFA, marcada para o Estádio Gelora Bung Karno, em Jacarta.
Depois da derrota por 4-1 diante de Omã, os Mambas chegam ao confronto com a Indonésia determinados a corrigir os erros identificados no primeiro teste realizado em solo asiático e a demonstrar uma imagem mais próxima daquela que permitiu à equipa alcançar resultados positivos nos últimos meses.
Para Dário Melo, o grupo já identificou as falhas que comprometeram o desempenho frente aos omanenses. O médio acredita que a resposta poderá surgir diante dos anfitriões.
“Para o jogo de ontem (domingo), eu acho que nos faltou um pouco de concentração e acabámos por pagar caro pelos erros. Mas para o jogo de amanhã (hoje) estamos convictos de que iremos vencer e seremos vitoriosos contra a Indonésia”, afirmou.
O jogador reconhece que a selecção moçambicana terá pela frente um ambiente difícil, num estádio que deverá estar repleto de adeptos indonésios, mas considera que o apoio do público local não será determinante.
“Sabemos que estamos no País deles e vai ser um pouco difícil por causa do apoio dos adeptos, mas tenho certeza de que iremos ser vitoriosos”, sublinhou.
Dário Melo aproveitou igualmente para deixar uma mensagem aos adeptos moçambicanos, apelando à confiança na equipa apesar do resultado negativo registado diante de Omã.
“Peço aos moçambicanos que continuem a apoiar-nos e não fiquem desanimados com o resultado de domingo. Amanhã (referindo-se a hoje), vamos procurar dar uma resposta positiva”, declarou.
Também o capitão Edmilson Dove mostrou confiança na capacidade de reacção da equipa nacional, embora reconheça que a exibição diante de Omã ficou aquém das expectativas.
“Tivemos um jogo menos conseguido e estamos cientes de que nem tudo aquilo que fizemos nos saiu da melhor forma possível. Já estamos a trabalhar para melhorar os aspectos que temos de corrigir e manter as poucas coisas boas que fizemos durante os 90 minutos”, referiu.
O experiente defesa considera que a equipa deve encarar o próximo desafio com optimismo e espírito de crescimento.
“O objectivo é sempre crescer. Nem tudo aquilo que desejamos corre da melhor forma possível, mas estamos de cabeça levantada e focados no jogo de amanhã, na esperança de conseguirmos um resultado positivo”, acrescentou.
Sobre o ambiente que os Mambas encontrarão em Jacarta, Dove reconhece a força do apoio dos adeptos da casa, mas garante que a selecção está preparada para o desafio.
“Os adeptos vão naturalmente apoiar a equipa da casa, mas este é um momento para desfrutar e representar Moçambique da melhor forma possível, sem olhar para o resultado passado e com uma mentalidade positiva.”
O capitão destacou ainda o ambiente vivido no seio da selecção nacional, sobretudo numa convocatória marcada pela integração de vários estreantes.
“O ambiente é de harmonia e de família. Todos os que chegam são bem-vindos porque vêm para ajudar e dar o seu contributo. Aqui não existem hierarquias, somos todos iguais e estamos todos aqui para representar Moçambique”, afirmou.
O duelo entre Moçambique e Indonésia será histórico, já que marcará o primeiro confronto entre as duas selecções. Para os Mambas, a partida representa não apenas uma oportunidade de recuperação após a derrota frente a Omã, mas também um importante teste no processo de preparação para os próximos compromissos oficiais, incluindo as qualificações para o Campeonato Africano das Nações, em Setembro e Outubro.
A expectativa da equipa técnica liderada por Chiquinho Conde é que a selecção apresente maior consistência defensiva, melhor aproveitamento das oportunidades criadas e uma atitude competitiva capaz de traduzir em campo a confiança demonstrada pelos jogadores na antevisão ao encontro.
O Parque Nacional de Zinave tornou-se a primeira área de conservação de Moçambique a acolher rinocerontes brancos, numa operação que marca um momento histórico para a preservação da biodiversidade e para o turismo de natureza no País.
Os animais foram translocados a partir do Parque Nacional do Kruger, na África do Sul, numa operação que envolveu uma viagem de mais de mil quilómetros até ao seu novo habitat, na província de Inhambane. A iniciativa insere-se nos esforços de repovoamento e restauração ecológica em curso no parque.
Com esta introdução, o Zinave passa a integrar o grupo das áreas de conservação nacionais que albergam espécies emblemáticas da fauna africana, reforçando a sua posição como um dos principais santuários de vida selvagem em Moçambique.
Segundo o administrador do Parque Nacional de Zinave, António Abacar, a chegada dos rinocerontes representa um passo significativo na consolidação da diversidade animal da reserva.
“Faz com que a população cresça um pouco mais. Estamos a falar de uma população já significativa de animais dentro do parque. Esta espécie vem complementar aquilo que é a referência dos Big Five, que incluem o rinoceronte, o elefante, o leão, o leopardo e o búfalo”, afirmou.
O responsável destacou ainda que o parque regista actualmente um crescimento contínuo da fauna, resultado dos programas de repovoamento implementados nos últimos anos.
“Envolvemos 16 espécies diferentes até este momento e estamos a notar que a população vai crescer. No ano passado, fizemos uma contagem aérea simbólica e apurámos que temos mais de 5 mil animais dentro do sistema”, acrescentou.
O regresso de espécies de grande porte ao Zinave é visto pelas autoridades como um indicador de recuperação ecológica, após anos de intervenções de reabilitação do ecossistema e reforço das medidas de conservação.
Paralelamente, o parque enfrenta desafios relacionados com a exploração ilegal de recursos naturais e a caça furtiva, embora as autoridades garantam que a pressão tem vindo a diminuir.
“O grande problema, neste momento, é a exploração florestal dentro do parque, com destaque para espécies específicas. Isto nos preocupa, mas estamos a trabalhar com as comunidades. Em relação à caça, é mínima, neste momento, e não temos presença de armas de grande calibre dentro do sistema”, explicou António Abacar.
O administrador sublinhou ainda o impacto positivo das campanhas de sensibilização realizadas junto das comunidades locais, incluindo programas de entrega voluntária de armas em anos anteriores, o que contribuiu para a redução de práticas ilegais.
Parceira do processo de recuperação do parque há cerca de uma década, a Peace Parks Foundation considera que os investimentos realizados estão a produzir resultados concretos, tanto na conservação da fauna como no desenvolvimento sustentável das áreas circundantes.
O impacto já se faz sentir também no turismo. No último ano, cerca de 500 visitantes escolheram o Parque Nacional de Zinave como destino, número que tende a aumentar com a crescente visibilidade do parque como um dos poucos locais da região onde é possível observar os chamados “Big Five”.
Com a chegada dos rinocerontes brancos, Zinave reforça o seu posicionamento como destino emergente do turismo de conservação em África, ampliando o potencial da província de Inhambane como referência nacional na área do ecoturismo.

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