O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, em Pequim, a centralidade do desenvolvimento como pilar da estabilidade global, alertando para os riscos que os actuais conflitos, as mudanças climáticas e as limitações de financiamento representam para a Agenda 2030, e apelando a uma acção internacional mais coordenada e orientada para resultados concretos.
Falando na III Reunião de Alto Nível do Fórum sobre a Acção Global do Desenvolvimento Compartilhado, o Chefe do Estado sublinhou a importância da participação de Moçambique no Fórum, uma iniciativa apresentada pelo Presidente da China, Xi Jinping, em 2021, no quadro da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Segundo o estadista, a presença do país enquadra-se ainda nas iniciativas promovidas ao longo dos anos pelo líder chinês, constituindo também um momento que evidencia a solidez dos laços de amizade e cooperação entre os dois países e a vontade comum de os elevar a um novo patamar.
Na sua intervenção, o Presidente moçambicano destacou a profundidade histórica das relações entre Moçambique e a China, sublinhando que os dois países estão ligados por uma história profunda que remonta às antigas rotas do Oceano Índico e que se consolidam nos momentos mais decisivos da luta comum de libertação nacional e se projecta agora numa parceria orientada para a transformação econômica, comercial e criação da oportunidade de construção de um futuro de prosperidade partilhada. Frisou ainda que esta relação sustenta a participação do país no debate global sobre o desenvolvimento.
“Importa reconhecer que esta conferência decorre num contexto internacional particularmente desafiante e complexo”, disse, referindo-se aos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, bem como os efeitos das mudanças climáticas, disrupções nas cadeias de abastecimento e dificuldades de acesso ao financiamento, fatores que, segundo disse, agravam as vulnerabilidades dos países em desenvolvimento.
Neste quadro, sublinhou a necessidade de maior coordenação internacional e responsabilidade colectiva, advertindo que o desenvolvimento não pode ser relegado para segundo plano.
“O desenvolvimento é a base da sustentabilidade e estabilidade da soberania e da dignidade dos nossos povos. Sem desenvolvimento não há paz duradoura, não há inclusão e não há futuro sustentável”, afirmou, destacando a relevância da Iniciativa para o Desenvolvimento Global.
O estadista considerou que esta iniciativa contribui para mobilizar esforços em áreas como erradicação da pobreza, segurança alimentar, industrialização e inovação, recordando que as edições anteriores do fórum consolidaram uma visão comum. Defendeu que o momento actual exige transformar compromissos em acções concretas, com impacto directo na vida das populações.
Ao abordar o papel de África, o Chefe do Estado descreveu o continente como estando numa fase decisiva, com forte potencial demográfico e económico. Referiu a população jovem superior a 1,4 mil milhões de pessoas, a criação da Área de Comércio Livre Continental Africana e os vastos recursos naturais, sublinhando que o desafio actual é alcançar a independência económica através da industrialização e criação de valor.
O Presidente da República destacou que Moçambique está alinhado com essa visão, apostando numa agenda de transformação estrutural baseada na industrialização, no desenvolvimento de infra-estruturas e na formação do capital humano. Enumerou ainda prioridades globais como o reforço das capacidades produtivas, o acesso ao financiamento, a digitalização, a energia e o investimento na juventude.
Na conclusão, defendeu uma cooperação internacional assente em parcerias e resultados.
“A cooperação internacional deve evoluir de um modelo centrado na assistência para um modelo baseado em parceria, se quisermos um desenvolvimento global.” Sublinhou que “o futuro desenvolvimento global não será determinado pelas intenções que declaramos, mas pelas decisões e acções que tornamos cada vez mais ágil para implementarmos”, reiterando a disponibilidade de Moçambique para colaborar com parceiros que partilhem esta visão e manifestando apoio às iniciativas do Presidente Xi Jinping.

