A ONU alertou, nesta segunda-feira, que as reservas alimentares para o Sudão se esgotam em Outubro e a ajuda económica será suspensa em Setembro, caso não receba financiamento imediato, o que deixará 1,5 milhões de pessoas sem apoios.
Segundo o último relatório do Programa Alimentar Mundial (PMA), a organização necessita urgentemente de 288 milhões de dólares para manter os seus níveis mínimos de assistência durante os próximos seis meses, sem ser obrigada a reduzir as rações nem a excluir beneficiários.
No entanto, para operar na escala necessária e cumprir o plano anual completo no país africano, o orçamento necessário ascende a 624 milhões de dólares, indicou a agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar do défice financeiro e dos crescentes obstáculos no terreno, o PAM conseguiu prestar assistência, em Julho, a 3,7 milhões de pessoas em todo o país, atingindo, assim, o seu nível de cobertura mensal mais elevado desde o início do ano.
Deste número, um milhão de beneficiários recebeu alimentos em zonas classificadas como estando em risco iminente de fome, enquanto 1,3 milhões de pessoas beneficiaram de ajudas económicas directas para adquirir alimentos em mercados locais que ainda se mantêm em funcionamento.
As operações humanitárias continuam gravemente prejudicadas pelo recrudescimento do conflito armado – que inclui ataques com drones e confrontos entre comunidades em Darfur (região fronteiriça a oeste) e no Cordofão (centro-sul) –, bem como pelos graves obstáculos burocráticos e pelo impacto da estação das chuvas torrenciais.
No estado do Cordofão do Norte, os combates em torno de Al-Obeid – cidade estratégica que liga Cartum e o centro do país a Darfur – continuam a provocar deslocações em massa da população, enquanto nas regiões de Kassala, Gedaref, Nilo Branco e Nilo Azul, as graves inundações danificaram infra-estruturas essenciais e bloquearam a passagem de comboios.
A estes obstáculos junta-se o bloqueio de dezenas de camiões com milhares de toneladas de alimentos retidos nas estradas do interior.
Apesar disso, a agência conseguiu reativar vários postos fronteiriços essenciais, alargar a assistência médica e nutricional a mulheres e crianças e retomar a distribuição de alimentos nas escolas após a sua reabertura.
A guerra no Sudão entre o Exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) causou dezenas de milhares de mortos desde o seu início, em 15 de Abril de 2023, e forçou o êxodo de cerca de 14 milhões de pessoas na pior crise de deslocamento e fome do mundo, segundo a ONU.
A República Democrática do Congo e o Senegal despediram-se do Mundial 2026, após derrotas.
A RDC perdeu por 2-1 diante da Inglaterra, depois de ter estado em vantagem com um golo de Brian Cipenga. Harry Kane bisou na segunda parte e garantiu o apuramento dos ingleses.
Já o Senegal desperdiçou uma vantagem de dois golos e acabou derrotado pela Bélgica por 3-2, após prolongamento. Habib Diarra e Ismaila Sarr colocaram os senegaleses na frente, mas Romelu Lukaku e Youri Tielemans, este com dois golos, consumaram a reviravolta belga.
Com estas eliminações, apenas Marrocos apurou-se para os oitavos de final do mundial.
Deputados da Bancada Parlamentar do PODEMOS foram impedidos de aceder e fiscalizar o Armazém Central de Medicamentos do Zimpeto na Cidade de Maputo por alegada ausência dos responsáveis em gozo de licença disciplinar. Os deputados dizem haver um esquema de desvio de medicamentos no armazém.
Outra vez, a bancada parlamentar do PODEMOS visou instituições ligadas ao sector da saúde. O grupo parlamentar visitou de surpresa o Armazém Central de Medicamentos no Zimpeto para fiscalização parlamentar, mas as suas intenções foram frustradas. “Simplesmente, a direção do armazém não aceita que nós entremos como deputados para fiscalizar.” Disse Ivandro Massingue, porta-voz da Bancada, explicando as razões: “todos os funcionários responsáveis do armazém estão de férias.”
“O Estado tem que parar, o país tem que parar, o governo não funciona, as instituições não funcionam porque todos os directores estão de férias?” Questionou o deputado
Os deputados dizem que a visita tinha por objectivo desmantelar um alegado esquema de desvio de medicamento denunciado por pessoas devidamente posicionadas na instituição.
“A denúncia que nós recebemos dá indicações de que tem muitos lotes, muitas caixas de medicamentos que já foram declaradas fora do prazo e que, legalmente, serão retiradas para abastecer o mercado paralelo e nós queríamos ver isso em flagra”
Assim, uma vez frustrada a intenção, o porta-voz diz que o grupo parlamentar vai preterir o convite da direção para fiscalizar o centro, assim que os responsáveis regressarem de férias.
O ministro da Planificação e Desenvolvimento desafia os municípios a arrecadar receitas que se traduzem em infra-estruturas, desenvolvimento e melhoria das condições de vida dos moçambicanos. As declarações foram feitas hoje, na Matola, durante a abertura do fórum de negócios e Feira Empresarial Matola 2026.
O Município da Matola é, de 1 a 3 de Julho, a capital do diálogo e de investimento, por acolher o fórum de negócios e Feira Empresarial, um evento cuja finalidade é fortalecer a economia da província.
O Edil da Matola, Júlio Parruque disse se tratar de uma oportunidade para juntar homens de negócios, para debater ideias de negócios, firmar parcerias, como foco no desenvolvimento das comunidades.
“Com este Fórum pretendemos proporcionar um ambiente de convergência entre os homens de negócios, para trocar informações, partilhar experiências e oportunidades, de forma a dinamizar a economia, atrair investimento privado e consequente gestão ou melhor geração de emprego, em particular para a juventude e ainda o combate à pobreza, à pobreza urbana na nossa cidade”, disse parruque, com apelos para diálogos mais intensos e produtivos.
O sector privado, representado no evento, entende ser esta uma oportunidade para o crescimento económico da província de Maputo, em áreas como imobiliária, logística e serviços.
“Precisamos transformar potencialidades em projectos concretos, precisamos transformar projectos em investimentos e precisamos transformar investimentos em emprego, rendimento e prosperidade para os cidadãos. Este Fórum de Negócios e Feira Empresarial 2026 deve ser visto precisamente como uma plataforma de construção dessas parcerias, de promoção de investimento e de identificação de soluções para os desafios que enfrentamos”, disse Onório Manuel, vice-presidente da CTA.
Manuel disse mais. apelou aos Governos a olharem, sempre, nas Pequenas e Médias empresas, na cadeia do desenvolvimento. Uma das propostas é a facilitação do acesso a financiamentos.
“Não podemos falar de desenvolvimento econômico da Matola sem destacar o papel fundamental das micro, pequenas e médias empresas. As PME’s representam a esmagadora maioria do tecido empresarial moçambicano e constituem o principal motor da geração de emprego. Precisamos, sim, criar condições mais favoráveis, facilitar o acesso a financiamento, simplificar procedimentos administrativos, promover programas de capacitação empresarial e aumentar a participação das PMEs nas cadeias de valores nacionais e regionais”, disse Manuel, afirmando que o crescimento económico sustentável só será possível quando as PMEs crescerem juntamente com as grandes empresas.
Receitas públicas devem se traduzir em riqueza para a população
Falando em representação do Presidente da República, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, diz que a fusão dos sectores público e privado deve resultar em desenvolvimento que reduza as desigualdades sociais.
“Nenhum investimento alcança plenamente o seu potencial quando não encontra instituições preparadas, mão de obra qualificada, comunidades envolvidas e serviços públicos eficientes. O desenvolvimento exige parceria, exige diálogo, exige confiança, exige capacidade de ouvir, corrigir, inovar e persistir. É precisamente por isso que fóruns desta natureza são relevantes, porque criam um espaço de encontro entre quem decide, quem investe, quem trabalha, quem produz, quem forma, quem financia e quem vive diariamente os desafios da nossa cidade da Matola, da província de Maputo e do nosso Moçambique”.
Valá defende ainda a cooperação entre os estados.
“O desafio é transformar estes activos em resultados cada vez mais concretos, criando mais confiança, mais cooperação, mais organização, mais oportunidades, mais inclusão, mais sustentabilidade, mais impacto na qualidade de vida dos Matolenses, dos habitantes da província de Maputo e dos moçambicanos. Que este Fórum seja um momento de convergência em torno desta visão que o Governo procurou transmitir de forma sumária nesta intervenção. Que seja uma oportunidade para renovar compromissos, que seja um espaço de diálogo construtivo, de aproximação entre instituições”.
No final do evento, os municípios da Matola e Boane e o distrito de Moamba assinaram um acordo para a viabilização da partilha de espaços para construção de residências e industriais, bem como para a requalificação da zona costeira da cidade da Matola.
O sonho de uma vida melhor na África do Sul terminou à beira da estrada. Com crianças ao colo, mulheres grávidas e apenas alguns sacos de roupa, dezenas de cidadãos malawianos chegaram esta semana à cidade da Maxixe, em Inhambane, depois de abandonarem, à pressa, o país onde viviam e trabalhavam. Sem dinheiro para alimentação, sem transporte e sem um lugar para dormir, passaram a noite ao relento, transformando Moçambique numa rota de passagem para um regresso forçado ao Malawi.
À primeira vista, eram apenas mais alguns viajantes. Mas bastava aproximar-se para perceber que aquelas famílias carregavam muito mais do que malas improvisadas. Carregavam anos de trabalho interrompidos, projectos de vida desfeitos e o medo de permanecer num país onde, segundo contam, deixaram de se sentir seguros.
A maioria afirma ter abandonado a África do Sul depois de episódios de perseguição e hostilidade contra cidadãos estrangeiros. Sem condições para permanecer e sem recursos para pagar uma viagem directa até ao Malawi, optaram por atravessar Moçambique, na esperança de encontrar uma alternativa mais acessível para regressar a casa.
“Estamos a vir da África do Sul. Como não havia transporte suficiente e a viagem directa para o Malawi era muito cara, decidimos seguir por um atalho, passando por Moçambique. Quando chegámos aqui, a viatura deixou-nos na Maxixe e agora não sabemos como vamos conseguir transporte até ao nosso país”, conta John, um dos integrantes do grupo.
O problema é que a falta de dinheiro rapidamente transformou a viagem numa luta pela sobrevivência. Sem meios para pagar alojamento ou comprar alimentos, homens, mulheres e crianças passaram a noite ao relento, expostos ao frio e às incertezas sobre o dia seguinte.
“Estamos a passar por muitas dificuldades. Desde domingo que não comemos, não tomamos banho e estamos aqui com crianças e mulheres grávidas. A situação é muito difícil”, relata Robert, enquanto observa os poucos pertences espalhados no chão.
Ao amanhecer, o cenário pouco mudou. Alguns procuravam transporte. Outros tentavam contactar familiares. Havia quem aguardasse qualquer ajuda que permitisse continuar a viagem até à província de Tete, de onde seguiriam para o Malawi. Apesar das dificuldades, uma decisão parecia comum entre todos: não regressar à África do Sul.
“As coisas não estão boas na África do Sul. Para onde quer que vamos encontramos problemas. Se até nas ruas nos perseguem, então já não há espaço para ficarmos lá. É melhor voltar para casa”, afirma Donald.
As famílias dizem que a saída aconteceu sem tempo para uma preparação adequada. Segundo Annah, muitos tentaram negociar um prazo que lhes permitisse organizar a mudança, vender alguns bens e reunir dinheiro para a viagem, mas não tiveram sucesso.
“Disseram-nos apenas que tínhamos de regressar ao nosso país. A viagem até ao Malawi é longa e precisávamos de preparar transporte, alimentação e os nossos pertences. Mas só nos disseram que tínhamos de sair antes do fim de Junho”, conta.
Os relatos revelam o impacto humano que episódios de hostilidade contra estrangeiros podem provocar. Muitos destes cidadãos malawianos viveram durante anos na África do Sul, onde encontraram emprego e sustentavam as suas famílias. Agora regressam praticamente de mãos vazias, sem saber como recomeçar a vida no país de origem.
Na cidade da Maxixe, a presença do grupo despertou a curiosidade de quem passava. Crianças brincavam junto às bagagens enquanto adultos tentavam encontrar uma solução para continuar viagem. O ambiente misturava cansaço, ansiedade e esperança de que o pior tivesse ficado para trás.
Ao longo da manhã, as autoridades do Malawi mobilizaram apoio para permitir que os seus cidadãos retomassem o percurso até casa. Pouco a pouco, as famílias deixaram a Maxixe, encerrando uma etapa difícil de uma viagem que dificilmente esquecerão.
A travessia destes malawianos por Moçambique deixa, contudo, uma reflexão que vai além das fronteiras. Mostra como milhares de migrantes continuam vulneráveis sempre que surgem episódios de intolerância e violência nos países onde procuram melhores oportunidades. Em poucas horas, trabalhadores transformam-se em deslocados, famílias perdem tudo o que construíram durante anos e crianças passam a conhecer o significado da palavra exílio muito antes de compreenderem o mundo.
Para estes cidadãos, o Malawi representa agora um recomeço. Mas também simboliza o regresso a um país que muitos deixaram precisamente por falta de oportunidades. Voltam sem bens, sem emprego e carregando apenas aquilo que conseguiram salvar. O sonho sul-africano ficou para trás. No lugar dele restam as marcas de uma viagem forçada, feita entre o medo, a fome e a esperança de encontrar, finalmente, um lugar onde possam viver em paz.
A Xenofobia continua a transformar-se numa crise migratória e humanitária na terminal interprovincial da Junta, na Cidade de Maputo. Milhares de cidadãos continuavam ao relento até ao fim da tarde de hoje, e várias brigadas, incluindo da saúde e IGND já se mobilizaram para atender os migrantes.
Malas espalhadas ao chão, homens, mulheres e crianças dormindo ao relento e em condições improvisadas, é o cenário vivido no Terminal Interprovincial da Junto, até ao fim da tarde desta quarta-feira, por milhares de cidadãos, maioritariamente de nacionalidade Malawianos, em trânsito em Maputo de regresso ao seu país.
Embora o cenário se pareça com uma verdadeira crise humanitária, os migrantes não conseguem equipará-la ao viveram na África do Sul.
“Na África do Sul, agora mesmo, é muito difícil ficar” Descreveu Jafar Richard | Vítima um dos cidadãos Malawianos entrevistado no local, tentando encontrar um autocarro para regressar ao seu país de origem. A decisão de deixar a África do Sul é “porque essas pessoas nos perseguem, por falta de emprego naquele país”. Em fuga, o cidadão relata: “estou sofrendo muito, agora mesmo, eu não tenho dinheiro para ir para casa, em Malawi.”
Entre sacos, e poucos pertences, as vítimas divertem-se com jogos para não ver o tempo passar, enquanto aguardam pelo transporte de regresso ao país de origem, mas o medo de enfrentar o futuro incerto em Malawi, sempre reaparece.
“Eu preciso do governo em casa [Malawi], que também tente organizar as pessoas, para regressar, e tenham o que fazer lá, porque as pessoas que vêm da África do Sul tem um futuro, e podem dar continuidade lá, se o governo criar condições” Explicou Susan Betsa.
A crise expõe não apenas o drama migratório, mas também os efeitos da xenofobia na região. É que pela informação partilhada pela Delegada do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres na Cidade de Maputo Esselina Muzima Delegada do INGD Maputo que monitora a situação no terreno, “boa parte dos migrantes que chegam estão documentados 98%,” porém foram perseguidos.
No terreno, as autoridades moçambicanas tentam dar resposta à emergência através do INGD. A STV sabe que o Serviço de Saúde de Lhamakulo destacou uma equipe de trabalho para assistência às vítimas que se prevê que sejam evacuadas ainda nesta quarta-feira.
“A nossa meta hoje é transportar todas a pessoas que foram vítimas de xenofobia para fronteira de Zóbué” Disse Esselina Muzima
A Organização Internacional para as Migrações, órgão das Nações Unidas, esteve na Junta na tarde de hoje. Sem gravar entrevista, os seus voluntários asseguraram a Stv ser a primeira vez que se fazem ao local desde o início da crise.
A Liga Moçambicana de Futebol encaixou, recentemente, 61 milhões de meticais, valor desembolsado pela Vulcan Mozambique. O valor é destinado à logística do Moçambola, sobretudo para o pagamento das passagens aéreas das 14 equipas que militam na prova.
O apoio surge num contexto em que a entidade que gere o principal escalão do futebol moçambicano enfrenta enormes dificuldades para viabilizar a prova, facto que tem concorrido para sucessivos e sistemáticos adiamentos e reagendamento dos jogos. Com este apoio, está garantido o andamento normal da prova até o seu término.
A Vulcan Mozambique junta-se à Liga Moçambicana de Futebol com a intervenção do Presidente da República, Daniel Chapo, que mobilizou os representantes desta empresa mineira que opera na província de Tete a apoiar o Moçambola.
No ano passado, o Chefe do Estado interveio, também, mobilizou o apoio da Cervejas de Moçambique (CDM) a financiar a maior prova futebolística nacional, numa altura em que a LMF via-se à nora para garantir o decurso normal do Moçambola.
Na altura, a CDM desembolsou 65 milhões de meticais, valor que, conjugado com os outros apoios, contribuiu significativamente para o decurso normal do Moçambola, ainda que a prova não tenha terminado.
Com os jogos quase a serem disputados de forma tímida, o Moçambola está a decorrer no país. Já na oitava jornada, a prova é liderada pelo Ferroviário da Beira, que soma 16 pontos, frutos de quatro vitórias, quatro empates e sem nenhuma derrota.
A Associação Black Bulls segue na segunda posição com 14 pontos, a razão de três vitórias, cinco empates e zero derrotas. À semelhança do Ferroviário da Beira, os “Touros” também ainda não sofreram nenhuma derrota do Moçambola 2025.
O campeão em título, União Desportiva do Songo, continua a marcar passo na prova, registando resultados pouco conseguidos. Ainda assim, os “Hidroeléctricos” ocupam a terceira posição, com 13 pontos, mais um que a dupla Ferroviário de Nacala e Costa do Sol na quarta e quinta posições, respectivamente.
O Chingale de Tete e Baía de Pemba estão na cauda da tabela classificativa, na penúltima e última posição, com dois três e dois pontos, respectivamente.
A Ilha de Idugo, localizada no distrito de Quelimane, passa a beneficiar de um centro de saúde do Tipo II, equipado com bloco de consultas externas e maternidade. A infraestrutura surge para responder à crescente procura de serviços de saúde e melhorar o acesso aos cuidados médicos naquela comunidade. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Fundação Zalala, o Governo do Japão e o Governo de Moçambique.
A unidade sanitária, já em funcionamento, está avaliada em cerca de 79 mil dólares norte-americanos, o equivalente a quatro milhões de meticais, valor financiado pelo Governo do Japão. Numa primeira fase foi construída a maternidade e, posteriormente, o bloco de consultas externas, com o objectivo de reforçar a capacidade de atendimento.
A infraestrutura foi oficialmente inaugurada pelo governador da província da Zambézia, Pio Matos, numa cerimónia testemunhada pelo secretário da Embaixada do Japão em Moçambique, HokiGuchi Akihito, e pela população local.
A entrada em funcionamento da unidade sanitária vem aliviar o sofrimento da população, com destaque para as mulheres grávidas que, para dar à luz, tinham de percorrer primeiro um trajecto fluvial e depois cerca de dez quilómetros por terra, enfrentando diversos perigos.
Filomena Alcino, residente da Ilha de Idugo, manifestou satisfação com a inauguração do centro de saúde. Segundo ela, as mulheres eram das mais prejudicadas pela inexistência da unidade sanitária, sendo frequentes as dificuldades associadas ao acesso aos serviços de maternidade.
“Hoje não tenho dúvidas de que a situação vai melhorar para as mulheres que sonham ter os seus bebés com segurança e numa maternidade”, afirmou, visivelmente satisfeita.
Quem também mostrou satisfação foi o líder comunitário Paulino Amado, igualmente residente na ilha.
“A nossa satisfação é enorme porque sentimos que os esforços para a construção desta unidade sanitária visam salvar a nossa comunidade, que ainda enfrenta muitas carências. Para além da saúde, que agora fica parcialmente resolvida, continuamos sem energia da rede eléctrica nacional, água potável e posto policial, entre outros serviços. Por isso, quero, em nome da comunidade, lançar este apelo para que nos continuem a ajudar”, disse.
Reconhecendo as necessidades existentes, o governador da Zambézia, Pio Matos, reafirmou o compromisso do Governo em continuar a promover investimentos que contribuam para a melhoria das condições de vida das comunidades da ilha.
“Estamos cientes das dificuldades que a ilha enfrenta, mas queremos garantir que o Governo tem plena consciência desta realidade e tudo fará para assegurar mais serviços à população. Vamos trabalhar para trazer energia eléctrica, água potável e um posto policial para esta comunidade”, garantiu o governante.
Por sua vez, José Manuel, representante da Fundação Zalala, e HokiGuchi Akihito, secretário da Embaixada do Japão em Moçambique, asseguraram que continuarão a desenvolver projectos destinados a apoiar as comunidades, com transparência e compromisso, em benefício da população.
O acesso à Ilha de Idugo é feito por embarcações, através do rio que dá nome à localidade. A partir dali, o percurso prossegue a pé ou de motorizada, tal como fizeram as autoridades durante a visita ao novo centro de saúde.
Ao longo do trajecto é possível observar a realidade das comunidades locais, onde predominam habitações construídas com materiais precários. A população enfrenta ainda desafios relacionados com o acesso à água potável, energia eléctrica e outras infraestruturas básicas.
Um dado que chama a atenção é o elevado número de nascimentos registados na ilha, reflexo de uma taxa de natalidade relativamente elevada. A Ilha de Idugo alberga mais de doze mil habitantes.
O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou esta terça-feira, em Pemba, o compromisso do Governo com o empoderamento da mulher moçambicana e com a reconstrução social e económica de Cabo Delgado, destacando o papel central das mulheres no desenvolvimento do país, no âmbito da iniciativa de Governação de Proximidade com o Povo.
O anúncio da operacionalização do fundo “Pro Mulher” foi o ponto alto do encontro interactivo, onde o Executivo desenhou novas linhas de financiamento distrital e assegurou esforços contínuos para garantir a estabilidade na região Norte.
Durante uma interacção com mulheres da província, o Chefe do Estado sublinhou que a aposta em programas específicos para o género feminino decorre da confiança na sua capacidade de gestão e liderança, afirmando que o desenvolvimento de Moçambique não é possível sem a participação activa da mulher. No seguimento da sua visita de trabalho que realiza desde segunda-feira, o governante expressou o entusiasmo da liderança central com este diálogo directo.
Para sustentar a visão de inclusão do Executivo, o estadista moçambicano revisitou o percurso histórico do país desde a independência, em 1975, lembrando que a nação contou com uma única mulher no cargo de Primeira-Ministra, a falecida Luísa Diogo. A seguir, defendeu que a actual filosofia de governação assume como critério o equilíbrio de género nas tomadas de decisão na esfera do poder, estabelecendo que, caso a presidência seja ocupada por um homem, a liderança do Conselho de Ministros deve ser confiada a uma mulher.
O Presidente fundamentou que essa divisão de responsabilidades decorre do reconhecimento de que as mulheres são grandes gestoras, justificando assim a nomeação de quadros femininos para a pasta das Finanças, além dos ministérios da Educação, Combatentes, Trabalho e Negócios Estrangeiros. Em tom descontraído e próximo, o Presidente Chapo recorreu a exemplos do quotidiano doméstico para ilustrar a eficácia das cidadãs na administração de orçamentos familiares curtos, contrapondo com a facilidade com que os homens esgotam recursos.
Como resposta prática aos desafios económicos, o Chefe do Estado apresentou as directrizes do fundo “Pro Mulher”, um programa de financiamento estruturado que irá funcionar nos moldes do fundo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e que se estenderá a todos os distritos do país. Esta iniciativa surge para dar robustez financeira ao programa “Empondera”, lançado no ano passado pela Primeira-Dama em Nampula, tendo como único requisito de acesso a confirmação de que a beneficiária é uma mulher moçambicana.
O governante enalteceu a resiliência das mulheres de Cabo Delgado, classificando-as como o símbolo máximo da resistência feminina no país por manterem o foco no trabalho e no desenvolvimento local, mesmo sob o peso das adversidades. Expressou a sua gratidão pelas ofertas e mensagens de apoio recebidas durante o evento em Pemba, notando que a capacidade de agradecer pelos pequenos gestos é a base para o crescimento colectivo. Durante a interacção, o Presidente Chapo abordou a crise humanitária provocada pelo terrirismo na província, tendo manifestado solidariedade para com as famílias deslocadas e sobreviventes, asseverando que a dor de Cabo Delgado repercute-se em todo o território nacional.
O Chefe de Estado lamentou que as acções terroristas estejam a desestruturar o tecido social através da separação forçada de famílias, mortes e destruição de infra-estruturas vitais, tais como escolas, hospitais e campos de cultivo que garantem o sustento comunitário. Diante deste cenário, o Executivo reafirmou o compromisso de trabalhar ininterruptamente para a reposição da ordem pública e da paz, garantindo que as raparigas e mulheres em situação de deslocação não percam o acesso à saúde e à educação. No encerramento do encontro, o Presidente Daniel Chapo apelou a um esforço conjunto de homens e mulheres para erradicar o terrorismo, e sublinhou que a violência nas famílias, seja ela física ou psicológica, compromete a harmonia social, destacando que os Gabinetes de Atendimento à Mulher e à Criança da Polícia da República de Moçambique (PRM) estão igualmente instruídos para acolher e mediar conflitos que afectem qualquer um dos cônjuges.
O Porto de Maputo vai passar a contar com um Sistema Comunitário Portuário (PCS), uma plataforma digital que visa integrar todos os intervenientes da cadeia logística e tornar mais eficientes os processos de comércio e transporte.
O Porto de Maputo será o primeiro do país a contar com um Sistema Comunitário Portuário, uma plataforma digital que integra todos intervenientes em processos portuários.
A iniciativa foi apresentada esta terça-feira, em Maputo, no âmbito do processo de modernização do sector dos transportes e logística, e envolve operadores portuários, autoridades aduaneiras, reguladores, transportadores, bancos e outros agentes ligados ao comércio externo.
Falando no lançamento, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, destacou que a digitalização dos processos portuários é essencial para aumentar a competitividade de Moçambique.
“Este sistema representa um passo estratégico rumo a um ecossistema logístico mais integrado, eficiente e transparente, alinhado com a visão do Governo para a modernização dos transportes e a facilitação do comércio”, afirmou o governante.
O projecto será implementado em parceria com a empresa Kale Logistics Solutions, que considera a iniciativa como o início de uma transformação mais ampla do sistema de comércio e logística no país.
Segundo o director e cofundador da empresa, Vineet Malhotra,o PCS vai além de uma plataforma portuária, ao permitir a criação de um ecossistema digital integrado capaz de melhorar a circulação de mercadorias, aumentar a transparência e apoiar decisões baseadas em dados.
“Uma plataforma como essa pode ajudar os decisores a monitorar os fluxos de comércio,identificar botas, melhorar a utilização de recursos, fortalecer a compreensão e permitir decisões de política de dados que apoiem o crescimento económico”, explicou.
A plataforma deverá ainda reduzir a burocracia, acelerar o processamento de importações e exportações e melhorar a coordenação entre as diferentes instituições envolvidas na cadeia logística.
A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo espera que a plataforma posicione o porto entre os mais inovadores do mundo.
“A implementação do PCS está em consonância com a nossa visão de criar um ecossistema portuário mais inteligente, mais conectado e mais eficiente. Ao possibilitar a colaboração em tempo real e a partilha de informação entre as partes interessadas, estamos a reforçar o papel do Porto de Maputo como porta de entrada estratégica para o comércio regional e internacional”, defendeu.
A iniciativa é apresentada como parte da estratégia do Governo para a transformação digital e modernização dos serviços públicos, com impacto directo na competitividade do Corredor de Maputo e na integração de Moçambique no comércio regional e internacional.
Espera-se que a plataforma sirva de referência para a digitalização de outros corredores logísticos nacionais.