Estados Unidos da América e Irão acordaram nesta segunda-feira suspender temporariamente os ataques militares e vão realizar conversações de alto nível no Qatar na terça-feira, numa tentativa urgente de salvar o frágil acordo de paz. A informação foi avançada pelo portal de notícias norte-americano Axios.
Na tentativa de resolver os diferendos em torno do estreito de Ormuz, Teerão e Estados Unidos aceitaram suspender qualquer ataque e planeiam reunir-se no Qatar.
O avanço surge após vários dias de escalada de trocas militares que ameaçavam comprometer um memorando de entendimento provisório assinado em 17 de junho, destinado a pôr fim ao conflito iniciado no final de fevereiro e que perturbou o tráfego na via marítima vital.
Nos termos deste acordo, Teerão comprometeu-se a garantir passagem segura a navios comerciais pelo estreito de Ormuz, enquanto Washington aceitou levantar o bloqueio aos portos iranianos.
Segundo meios de comunicação norte-americanos que citam altos responsáveis dos EUA, no sábado o presidente norte-americano Donald Trump repetiu os avisos de ação militar total se os ataques iranianos contra navios forem retomados.
Segundo fontes diplomáticas, a reunião de terça-feira estava inicialmente prevista para a Suíça, para abordar questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano.
Porém, após o aumento dos confrontos militares no fim de semana, o local foi transferido para o Qatar e a agenda foi reduzida especificamente ao impasse no estreito de Ormuz.
Depois de vários dias marcados por paralisação parcial do transporte semi-colectivo de passageiros, caos nas paragens e pressão crescente sobre a mobilidade urbana, a Assembleia Municipal de Inhambane aprovou esta sexta-feira novas tarifas de chapa 100, numa tentativa de pôr fim à crise que mergulhou a cidade num dos momentos mais difíceis dos últimos anos em matéria de transporte público.
A decisão foi tomada durante uma sessão extraordinária convocada em resposta ao agravamento da tensão entre transportadores e autoridades municipais, depois da subida do preço do gasóleo em Moçambique, um aumento que os operadores consideram insustentável para a continuidade da actividade.
Durante a reunião, marcada por longos debates e negociações intensas, os transportadores defenderam um agravamento de 44,4 por cento no preço do bilhete de passagem, alegando que os custos operacionais dispararam nas últimas semanas, sobretudo devido ao preço dos combustíveis, manutenção de viaturas, peças e despesas associadas ao funcionamento diário dos semi-colectivos.
No final, os membros da Assembleia Municipal aprovaram um reajuste na ordem dos 40 por cento, decisão que altera praticamente todas as rotas urbanas e suburbanas da cidade de Inhambane.
Na prática, os novos preços representam agravamentos entre 2 e 5 meticais por percurso, dependendo da rota utilizada pelos passageiros.
Um dos exemplos mais visíveis é o trajecto entre a Cidade de Inhambane e a Paragem Espada, cujo preço sobe de 14 para 18 meticais. Já a ligação entre a Cidade de Inhambane e a Praia do Tofo passa de 25 para 30 meticais.
As alterações abrangem ainda os estudantes, num dos pontos considerados mais sensíveis do novo pacote tarifário aprovado pelo município.
Os alunos que anteriormente beneficiavam de tarifas reduzidas entre 10 e 12 meticais passam agora a pagar uma tarifa única de 14 meticais, independentemente da distância percorrida ou da rota utilizada.
A medida surge numa altura particularmente delicada para centenas de famílias que dependem diariamente do transporte semi-colectivo para deslocação de estudantes, trabalhadores e pequenos comerciantes.
A crise no transporte começou a ganhar dimensão no início da semana, quando transportadores decidiram suspender parcialmente as actividades em diferentes pontos da cidade, alegando incapacidade de continuar a operar perante os novos custos do combustível.
A paralisação provocou enormes constrangimentos nas principais paragens e terminais da cidade. Passageiros chegaram a passar horas à espera de transporte, enquanto estudantes eram obrigados a percorrer longas distâncias a pé para chegar às escolas numa semana marcada por testes e avaliações.
Em vários bairros, o cenário era de incerteza e desespero. Trabalhadores faltaram aos seus empregos, pequenos negócios sofreram redução de clientes e até unidades sanitárias enfrentaram dificuldades devido à escassez de transporte.
A pressão social provocada pela paralisação acabou por acelerar as negociações entre os transportadores, o Governo Provincial e o município.
Antes da sessão extraordinária da Assembleia Municipal, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, chegou a reunir-se com os operadores e pediu uma trégua de cinco dias para permitir diálogo e avaliações técnicas sobre a revisão das tarifas.
Mesmo depois desse entendimento, muitos transportadores mantiveram a paralisação, defendendo que apenas retomariam totalmente as actividades após aprovação formal dos novos preços.
Foi neste contexto de forte pressão social e económica que a Assembleia Municipal decidiu avançar para aprovação da nova tabela tarifária.
O edil de Inhambane, Benedito Guimino, considera que a decisão cria condições para o regresso imediato dos transportadores às estradas e para o restabelecimento gradual da circulação normal de passageiros na cidade.
“Solicitámos à Assembleia para que esta medida fosse observada a partir de hoje. Portanto, acreditamos que há de haver paz, porque há condições criadas para os nossos transportadores poderem exercer a sua actividade e também aliviar os nossos munícipes”, declarou o edil.
Guimino recordou que a cidade enfrentava vários dias consecutivos de paralisação, situação que afectou profundamente a mobilidade urbana e aumentou a pressão sobre passageiros.
Apesar da aprovação das novas tarifas, os transportadores afirmam que os valores ficaram abaixo das expectativas da classe e admitem algum descontentamento com os cortes feitos durante as negociações.
Segundo os operadores, algumas rotas sofreram reduções em relação aos valores inicialmente consensualizados durante os encontros técnicos realizados com o município.
“Para nós não está tão confortável isto porque praticamente mudou-se aquilo que nós combinámos ou debatemos com o Conselho Municipal”, afirmou um representante dos transportadores.
Entre os exemplos apresentados pelos operadores está a rota de Guiúa, onde os transportadores defendiam uma tarifa de 25 meticais, mas o valor final aprovado acabou fixado em 20 meticais.
Mesmo demonstrando insatisfação, a Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane garante que a tendência é para retoma gradual das actividades nos próximos dias.
A decisão final sobre o regresso completo às estradas deverá, entretanto, ser discutida internamente entre os operadores.
“Estamos aqui, vamos à praça, vamos nos reunir e informarmos aos demais. Acredito que a ideia é boa de voltar, mas o colectivo vai decidir”, afirmou Marcos Sambo, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane.
A crise expôs fragilidades antigas do sistema de transporte semi-colectivo na cidade de Inhambane, fortemente dependente dos custos dos combustíveis e com pouca margem para absorver oscilações económicas abruptas.
O aumento do preço do gasóleo acabou por desencadear um efeito em cadeia que atingiu directamente passageiros, estudantes, comerciantes e trabalhadores, levantando novamente o debate sobre sustentabilidade do transporte público urbano e os impactos sociais dos sucessivos aumentos dos combustíveis em Moçambique.
Em vários pontos da cidade, passageiros manifestavam preocupação com o impacto das novas tarifas no orçamento familiar, sobretudo num contexto em que muitas famílias já enfrentam dificuldades relacionadas com alimentação, renda, energia e outros serviços essenciais.
Ao mesmo tempo, os transportadores insistem que os novos preços ainda estão abaixo do necessário para garantir equilíbrio financeiro sustentável da actividade.
Com a aprovação formal das tarifas, o município espera agora evitar novas paralisações e restaurar gradualmente a normalidade na circulação urbana.
Mas o episódio deixa claro que qualquer alteração nos preços dos combustíveis tem capacidade de provocar impacto imediato não apenas no transporte, mas em toda a dinâmica económica e social da cidade.
O que começou como uma reivindicação dos transportadores transformou-se rapidamente numa crise de mobilidade que afectou milhares de pessoas e obrigou autoridades municipais e provinciais a agir sob forte pressão pública.
Agora, passageiros e operadores aguardam para perceber se os novos preços serão suficientes para garantir estabilidade no sector ou se novas tensões poderão surgir nas próximas semanas.
A Missão de Assistencia Militar em Moçambique (EUMAM) considera que o combate ao terrorismo em Cabo Delgado não depende apenas da componente militar, defendendo igualmente maior proximidade com as populações afectadas pela violência armada. O posicionamento surge numa altura em que a União Europeia decidiu prorrogar até Dezembro, o mandato da EUMAM, para consolidar a capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e reforçar a estabilidade operacional no teatro de conflito.
O comandante da missão, César Pires Correia, explicou que a prioridade da missão europeia continua centrada no apoio às forças moçambicanas, sobretudo na sustentabilidade das unidades especiais treinadas pela União Europeia nos últimos anos. “A nossa missão aqui foca-se, essencialmente, no apoio às Forças Armadas de Defesa de Moçambique, na sustentabilidade de 11 companhias de forças especiais, as chamadas Forças de Reação Rápida”, afirmou. Segundo o responsável, o apoio europeu está virado para “as áreas logísticas, as áreas de manutenção, mas também de treino operacional”.
A missão europeia entende que a extensão do mandato permitirá consolidar os avanços alcançados desde 2024, numa altura em que vários factores condicionaram o ritmo das actividades inicialmente previstas. “Estes seis meses de prorrogação, de extensão do mandato, no fundo vão permitir uma continuidade e uma solidificação de todo o trabalho que foi feito até agora”, declarou César Correia.
O comandante recordou ainda que os eventos pós-eleitorais e as recentes cheias e inundações tiveram impacto na implementação das acções da missão, atrasando parte da execução do mandato.
Desde a sua instalação no país, a missão europeia afirma ter contribuído para a capacitação de milhares de efectivos moçambicanos. Segundo César Correia, cerca de 1.700 militares e 100 formadores nacionais já beneficiaram de programas de assistência e treino em diferentes áreas. “Recentemente, foram executados cerca de 40 programas, envolvendo 1200 militares”, na formação, envolvendo matérias como cooperação civil-militar, direito internacional militar, género, comunicação estratégica e treino operacional. Neste momento, a missão acompanha duas companhias, uma do Exército de Comandos e outra da Marinha, estando igualmente prevista a regeneração e formação de uma terceira companhia de fusileiros.
Para a EUMAM, o fortalecimento da capacidade militar das FADM é importante, mas insuficiente para eliminar a insurgência em Cabo Delgado. “O que eu posso dizer sobre a situação de Cabo Delgado é que é uma situação muito complexa, envolve várias dimensões, não só a questão militar”, afirmou César Correia. O comandante defendeu uma abordagem integrada, com maior envolvimento das comunidades locais nas estratégias de estabilização das zonas afectadas pelo conflito. “Considero que é muito importante o relacionamento com as comunidades locais” e “não será apenas com o instrumento militar que se vai resolver a questão em Cabo Delgado”, declarou, acrescentando que “tem que haver uma intervenção mais ampla, integrada com o instrumento militar, mas também com uma colaboração muito grande com as comunidades”.
O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo confirmou a decisão que suspende os efeitos da sanção disciplinar aplicada ao histórico membro da RENAMO, António Muchanga, mantendo válida a providência cautelar que anulou a sua suspensão do partido.
Num despacho datado de 12 de Maio, o tribunal refere que a RENAMO, enquanto requerida no processo, não compareceu à audiência nem apresentou qualquer contraditório juridicamente atendível, deixando de exercer o direito de defesa nesta fase processual.
Perante a ausência da formação política liderada por Ossufo Momade, o tribunal entendeu não existirem elementos capazes de contrariar os fundamentos que sustentaram o decretamento da providência cautelar, decidindo, por isso, manter “íntegros os pressupostos legais” da medida.
O caso insere-se no actual conflito interno vivido na RENAMO, que opõe António Muchanga à liderança de Ossufo Momade, sobretudo na sequência dos resultados das eleições gerais de 2024, nas quais o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição.
Muchanga, membro da RENAMO desde Agosto de 1992, tem vindo a contestar publicamente a liderança de Momade e participou em movimentos internos de contestação que envolveram antigos guerrilheiros e a ocupação de sedes partidárias.
Em Fevereiro, o antigo deputado afirmou publicamente que participaria no afastamento de Ossufo Momade da liderança do partido, declarações que antecederam a sua suspensão por tempo indeterminado.
Na decisão agora confirmada, o tribunal considera existirem indícios de ilegalidade na sanção aplicada a António Muchanga, apontando, entre outros aspectos, a ausência de processo disciplinar prévio, a falta de garantia do direito ao contraditório e a inexistência de notificação formal ao visado.
O despacho refere igualmente dúvidas quanto à competência do órgão que decidiu a suspensão, bem como à conformidade estatutária da aplicação de uma sanção por tempo indeterminado.
O tribunal sublinha ainda que, tratando-se de um partido político, as exigências legais devem ser particularmente rigorosas, por estarem em causa direitos de participação política consagrados constitucionalmente.
O Fundo Monetário Internacional alerta que a economia mundial pode entrar numa situação próxima da recessão, caso o conflito entre Irão e Israel se prolongue. O FMI diz também que a permanência do barril do Petróleo acima dos 100 dólares até 2027 pode contribuir para esta queda da economia mundial.
A informação consta no mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional, divulgado esta semana, que apresenta três cenários para a economia global, todos dependentes da evolução da situação da guerra no Médio Oriente.
No cenário considerado mais optimista, o crescimento económico mundial deverá situar-se em 3,1% em 2026, abaixo das previsões divulgadas em Janeiro, que eram de 3,3%. Num cenário adverso, com conflito prolongado e petróleo mais caro, o crescimento poderá cair para 2,5%.
Neste contexto, o FMI aponta que a situação no Golfo representa um risco muito maior para a economia mundial do que as tarifas comerciais impostas anteriormente pelos Estados Unidos da América. O prolongamento da crise poderá provocar inflação persistente, aumento das taxas de juros e recessão em vários países.
O relatório revela ainda que as economias emergentes serão das mais afectadas devido à forte dependência do petróleo. O Irão poderá registar uma contracção económica acima de 6%, enquanto países como Iraque, Catar e Kuwait também deverão sofrer quedas significativas no Produto Interno Bruto. Na Europa, o impacto deverá agravar ainda mais os efeitos da crise energética causada pela guerra na Ucrânia.
A Índia surge como uma das poucas economias com perspectivas positivas, em 6,4%, impulsionadas pelo crescimento interno e pela redução de tarifas comerciais norte-americanas sobre produtos indianos.
Apesar do ambiente de incerteza, o FMI prevê uma recuperação gradual caso o conflito seja de curta duração.
Os deputados da oposição na África do Sul abandonaram o parlamento, numa pressão política para o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, renunciar ao cargo após acusações de lavagem de dinheiro.
O protesto levado a cabo pelos deputados da oposição no parlamento sul-africano ocorreu durante uma sessão de perguntas e respostas ao Governo deste país, liderado por Cyril Ramaphosa.
A oposição contestou a continuidade dos trabalhos parlamentares, enquanto persistem as acusações contra Ramaphosa. Os parlamentares defendem que Ramaphosa deve responder politicamente pelas acusações de lavagem de dinheiro.
O governante enfrenta acusações relacionadas com o alegado encobrimento de um assalto ocorrido em 2020 numa das suas propriedades privadas, onde teriam sido roubadas grandes somas em moeda estrangeira.
Ramaphosa rejeita qualquer envolvimento em irregularidades e insiste que não pretende abandonar o cargo.
Refira-se que na semana passada, o Tribunal Constitucional sul-africano considerou que o relatório independente produzido em 2022 deveria ter sido encaminhado para um comité parlamentar de impeachment, ou seja, de destituição, destinado a aprofundar a investigação sobre o escândalo.
Para que a destituição de Ramaphosa avance, será necessário o apoio de pelo menos dois terços dos 400 deputados do Parlamento, entretanto, antes, o comité multipartidário encarregado do processo ainda terá de conduzir investigações adicionais.
Os Presidentes dos Estados Unidos da América e da China defenderam a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego internacional de petróleo e gás, numa altura em que o bloqueio iraniano continua a provocar tensão nos mercados energéticos mundiais. O encontro entre os governantes decorreu em Pequim e marcou uma nova aproximação diplomática entre as duas maiores economias do mundo.
Em comunicado de imprensa, a Casa Branca afirmou que Xi Jinping e Donald Trump querem a abertura do estreito Ormuz para garantir o livre fluxo de energia.
“Ambos partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o livre trânsito de energia. O presidente Xi deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a quaisquer esforços para impor taxas pelo seu uso”, disse Donald Trump.
Trump revelou ainda que Xi Jinping manifestou disponibilidade para ajudar na resolução da crise e apontou que Pequim garantiu que não vai apoiar o Irão.”O Presidente Xi gostaria de ver um acordo. Ele disse: Se eu puder ajudar de alguma forma, terei todo o prazer em ajudar (…) Ele disse que não iria fornecer equipamento militar ao Irão”.
Por sua vez, Xi Jinping defendeu que os projectos das duas nações devem avançar. “Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, afirmou o Presidente da China.
Apesar do ambiente de cooperação, houve alertas para os Estados Unidos. “Washington deve estar atento aos riscos de conflito caso os Estados Unidos desrespeitem as pretensões chinesas sobre Taiwan”, sublinhou.
As conversações terminaram com um convite formal de Donald Trump para que Xi Jinping visite a Casa Branca em Setembro.
Representantes do Governo, jornalistas, académicos e membros da sociedade civil defenderam, nesta quinta-feira, em Maputo, a necessidade de reforçar a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social moçambicanos, num contexto marcado pela transformação digital, redução de receitas publicitárias e desafios à independência editorial.
O debate decorreu durante a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, organizada pelo Jornal Evidências, sob o lema “Discutir a Sustentabilidade dos Órgãos de Comunicação Social é Também Reflectir sobre a Democracia”.
Na abertura do evento, a directora do Gabinete de Informação (GABINFO), Emília Moiane, reconheceu que os media tradicionais enfrentam dificuldades crescentes para captar receitas publicitárias, devido ao crescimento das plataformas digitais.
“Os media digitais estão, de alguma forma, a roubar aquilo que é a publicidade ou a fonte de receita dos media tradicionais. Temos também problemas relacionados às agências de publicidade. São muitos desafios”, afirmou.
Segundo Emília Moiane, o Governo reconhece que a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social constitui um elemento central para o funcionamento saudável do sector e da democracia.
“O Governo nunca vai deixar de olhar para esta parte relativa à sustentabilidade dos media com muita atenção e clareza de que é preciso fazer alguma coisa”, declarou.
A dirigente revelou ainda que o estatuto orgânico do GABINFO prevê mecanismos de apoio financeiro aos órgãos de comunicação social, embora reconheça que o modelo ainda precisa de maior regulamentação e equilíbrio na distribuição da publicidade entre media tradicionais e digitais.
Questionada sobre o risco de interferência editorial decorrente da comparticipação financeira do Estado, no âmbito da revisão das leis de comunicação social e radiodifusão, Emília Moiane rejeitou que tal represente ameaça à independência dos media.
“Não olhamos isso como um factor de redução da independência do próprio órgão. Os órgãos públicos têm participação do Estado, mas a lei garante independência aos jornalistas e aos órgãos de comunicação social públicos”, explicou.
A responsável sustentou que o Estado não interfere directamente nas linhas editoriais dos órgãos apoiados financeiramente.
“Há comparticipação, sim, mas não há interferência na funcionalidade desses órgãos. O Estado não está sentado a censurar notícias”, afirmou.
Por sua vez, o director-executivo do MISA Moçambique, Ernesto Nhanale, considerou que a sustentabilidade dos media em Moçambique continua a ser um “paradoxo”, devido à fragilidade económica do País e à dependência do sector em relação à publicidade institucional.
“O negócio dos media depende de um mercado empresarial competitivo e de cidadãos com capacidade económica para consumir produtos e serviços”, explicou.
Nhanale alertou que, num contexto de economia pouco robusta e forte peso do Estado no mercado publicitário, a independência editorial pode tornar-se limitada.
“A maior forma de garantir independência é a capacidade de gerar receitas próprias. No nosso contexto, esse consumidor não tem grande capacidade de pagar”, afirmou.
O responsável destacou ainda a importância da educação cultural e da valorização do consumo de conteúdos jornalísticos como factores essenciais para fortalecer a indústria da comunicação social.
Também presente no evento, o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu que a sustentabilidade dos media é fundamental para consolidar a democracia, a transparência e a participação cidadã.
“O Município de Maputo reconhece o papel determinante da comunicação social na promoção da transparência, da governação participativa e da aproximação entre instituições e cidadãos”, afirmou.
Salim Valá destaca papel estratégico dos media no fortalecimento da democracia
O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que a comunicação social desempenha um papel central na consolidação da democracia, promoção da transparência e desenvolvimento económico e social de Moçambique.
Falando nesta quinta-feira, em Maputo, durante a abertura da Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, o governante defendeu que o debate sobre a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social está directamente ligado à qualidade da democracia e ao fortalecimento do espaço público.
“Discutir a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social é também reflectir sobre a democracia”, afirmou.
Segundo Salim Valá, os media vão além da simples transmissão de informação, assumindo-se como instituições fundamentais para o escrutínio público, formação da opinião e promoção da cidadania democrática.
O ministro destacou que o sector da comunicação social atravessa um período de profundas transformações, marcado pela expansão das plataformas digitais, redução das receitas publicitárias tradicionais e crescente influência das grandes empresas tecnológicas globais.
“Os media enfrentam hoje desafios estruturais impostos pela transformação digital e pela necessidade de adaptação dos seus modelos de financiamento e funcionamento”, referiu.
O governante reconheceu igualmente as dificuldades económicas e operacionais enfrentadas pelos órgãos de comunicação social no país, mas elogiou a capacidade de resistência e continuidade do sector.
“Apesar dos constrangimentos, os media continuam a desempenhar a sua missão de informar, educar e aproximar os cidadãos da vida pública”, declarou.
Durante a sua intervenção, Salim Valá abordou também o impacto da inteligência artificial no jornalismo, alertando para os desafios éticos associados ao uso das novas tecnologias, sobretudo no que diz respeito à verificação da informação, combate à desinformação e preservação da credibilidade editorial.
A Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media reúne, na Cidade de Maputo, representantes do Governo, jornalistas, académicos, organizações da sociedade civil e especialistas em comunicação social para discutir soluções sobre sustentabilidade económica, independência editorial e transformação digital dos media moçambicanos.
As autoridades do sector de recursos minerais e energia em Nampula garantem que o abastecimento de combustíveis deverá normalizar-se nos próximos dias, após constrangimentos registados no fornecimento de gasolina e diesel na província.
Segundo a Inspecção-Geral dos Recursos Minerais e Energia (IGREME), há combustível suficiente no Terminal Oceânico de Nacala e o processo de distribuição para os postos de abastecimento já está em curso.
O inspector da IGREME, Adelto Cumbana, explicou que os atrasos estiveram relacionados com questões administrativas e garantias financeiras para a descarga do produto, situação que, segundo disse, já começou a ser ultrapassada pelo Governo.
“Temos boas expectativas de que esta situação poderá ser ultrapassada nos próximos dias. Tivemos alguns impasses relacionados com algumas garantias para que o combustível pudesse ser descarregado, mas é uma situação que o Governo já acautelou. Já foi feito o pagamento de uma tranche de combustível”, afirmou.
De acordo com o responsável, o Terminal Oceânico de Nacala dispõe actualmente de reservas suficientes para abastecer a província. Adelto Cumbana avançou ainda que apenas a distribuidora Camelouse abasteceu 51 camiões num único dia.
“Há muito combustível nos terminais. A título de exemplo, a maior distribuidora que temos em Nacala, que é a Camelouse, só hoje (ontem) abasteceu 51 camiões”, disse.
As autoridades revelaram igualmente que um navio com mais de 10 milhões de litros de gasolina se encontra atracado em Nacala, aguardando autorização para descarga.
“Existe um navio atracado com cerca de 10 milhões e 601 mil litros de gasolina à espera de autorização para descarregar, uma questão que acreditamos que será ultrapassada antes mesmo do estoque disponível se esgotar”, acrescentou.
Enquanto persistem filas nos postos de abastecimento da cidade de Nampula, as autoridades suspeitam da existência de um esquema de revenda ilegal de combustível nos bairros periféricos, envolvendo motociclistas.
Segundo Adelto Cumbana, alguns motociclistas estariam a abastecer repetidamente para depois transferirem o combustível para recipientes plásticos destinados ao comércio informal.
“Percebemos que há tantas motorizadas nas bichas, não porque as pessoas querem abastecer para circulação. Há um sistema que estão a usar: abastecem, depois baldeiam o combustível em recipientes plásticos e voltam novamente às filas”, denunciou.
Face à situação, o Governo provincial promete reforçar as medidas de fiscalização e controlo nos postos de abastecimento para combater práticas especulativas e garantir o fornecimento regular à população.
Moçambique tem enfrentado, nos últimos anos, desafios pontuais no abastecimento de combustíveis devido à volatilidade do mercado internacional, dificuldades logísticas e pressão cambial.
O Terminal Oceânico de Nacala é considerado uma das principais infra-estruturas estratégicas para o abastecimento da região Norte do País, incluindo Nampula, Cabo Delgado e Niassa.
A governadora da província de Manica, Francisca Tomás, defendeu a responsabilização criminal dos autores de boatos sobre alegados casos de atrofiamento de órgãos genitais masculinos, fenómeno que já provocou 13 mortos e mais de 20 feridos em diferentes distritos da província.
Os episódios de violência popular foram registados nos distritos de Chimoio, Vanduzi, Báruè, Mossurize e Gondola, sendo este último o mais afectado, com quatro mortes confirmadas.
Falando durante uma visita de trabalho ao distrito de Mossurize, Francisca Tomás condenou os ataques motivados por desinformação e apelou ao fim da justiça pelas próprias mãos.
“Não podemos matar por causa de um boato dessa natureza. Não podemos nos matar entre nós. Primeiro temos de verificar se, de facto, esse indivíduo tem órgãos genitais atrofiados. Não é logo que ouviu um boato que correm atrás da pessoa indicada e começam a bater até matar”, afirmou.
A governadora sublinhou que as autoridades de saúde têm observado os supostos casos denunciados pela população e garantiu não haver evidências de desaparecimento ou mutilação de órgãos genitais.
“De todos os casos que aconteceram, levamos as pessoas ao hospital para serem observadas, e não há nada que está desaparecendo. Isso é boato”, declarou.
Francisca Tomás considerou preocupante a propagação de informações falsas que acabam por desencadear violência colectiva e instou as autoridades policiais e judiciais a agirem com firmeza contra os responsáveis.
“Nós temos de acabar com esses boateiros. Temos de prender esses boateiros e entregá-los à justiça para serem julgados”, defendeu.
Os rumores sobre supostos casos de “roubo” ou atrofiamento de órgãos genitais têm provocado episódios semelhantes em vários países africanos ao longo das últimas décadas, frequentemente associados a crenças supersticiosas e desinformação comunitária.
Durante a deslocação a Mossurize, a governadora orientou um comício popular na localidade de Chaiva, inaugurou empreendimentos socioeconómicos e visitou obras de construção de dez residências destinadas a funcionários do Estado, incluindo a casa do administrador distrital.

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