A governadora da província de Manica, Francisca Tomás, defendeu a responsabilização criminal dos autores de boatos sobre alegados casos de atrofiamento de órgãos genitais masculinos, fenómeno que já provocou 13 mortos e mais de 20 feridos em diferentes distritos da província.
Os episódios de violência popular foram registados nos distritos de Chimoio, Vanduzi, Báruè, Mossurize e Gondola, sendo este último o mais afectado, com quatro mortes confirmadas.
Falando durante uma visita de trabalho ao distrito de Mossurize, Francisca Tomás condenou os ataques motivados por desinformação e apelou ao fim da justiça pelas próprias mãos.
“Não podemos matar por causa de um boato dessa natureza. Não podemos nos matar entre nós. Primeiro temos de verificar se, de facto, esse indivíduo tem órgãos genitais atrofiados. Não é logo que ouviu um boato que correm atrás da pessoa indicada e começam a bater até matar”, afirmou.
A governadora sublinhou que as autoridades de saúde têm observado os supostos casos denunciados pela população e garantiu não haver evidências de desaparecimento ou mutilação de órgãos genitais.
“De todos os casos que aconteceram, levamos as pessoas ao hospital para serem observadas, e não há nada que está desaparecendo. Isso é boato”, declarou.
Francisca Tomás considerou preocupante a propagação de informações falsas que acabam por desencadear violência colectiva e instou as autoridades policiais e judiciais a agirem com firmeza contra os responsáveis.
“Nós temos de acabar com esses boateiros. Temos de prender esses boateiros e entregá-los à justiça para serem julgados”, defendeu.
Os rumores sobre supostos casos de “roubo” ou atrofiamento de órgãos genitais têm provocado episódios semelhantes em vários países africanos ao longo das últimas décadas, frequentemente associados a crenças supersticiosas e desinformação comunitária.
Durante a deslocação a Mossurize, a governadora orientou um comício popular na localidade de Chaiva, inaugurou empreendimentos socioeconómicos e visitou obras de construção de dez residências destinadas a funcionários do Estado, incluindo a casa do administrador distrital.