O Governo e a sociedade civil querem maior inclusão das mulheres nas políticas de resposta às mudanças climáticas no país. O posicionamento foi apresentado esta quinta-feira, em Maputo, durante um encontro que debateu os impactos dos eventos extremos, a transição energética e os desafios enfrentados pelas comunidades mais vulneráveis.
O país continua vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando ciclones, cheias e secas.
Durante um encontro sobre gênero e mudanças climáticas, realizado esta quinta-feira, na cidade de Maputo, especialistas defenderam maior inclusão das mulheres, sobretudo as que vivem nas comunidades rurais, nos planos de mitigação e resposta aos desastres naturais.
“Que as suas vozes sejam ouvidas e que o Parlamento tome de fato em consideração a contribuição das mulheres. Que a 3ª Comissão da Assembleia da República, que o Gabinete da Mulher Parlamentar, que as Assembleias Provinciais de fato considerem e valorizem a contribuição das mulheres, não só das mulheres, mas também dos jovens muito em particular”, explicou Lourena Mazive, representante do Instituto para Democracia Multipartidária.
Segundo os participantes, as mulheres são das mais afectadas pelos efeitos das alterações climáticas, sobretudo as que dependem da agricultura para a sobrevivência.
“Sabemos que todos nós somos afetados, mas de um nível, como é afetado o cara-gênero é diferente. Então, neste debate vai-se olhar muito também a questão de como a mulher poderá ser enquadrada de modo que também possa contribuir e possa também não ser exageradamente afetada pelas mudanças climáticas”, disse Rodrigues Dambo, presidente do Conselho Cristao.
O encontro serviu ainda para discutir a transição energética, onde o Governo aponta avanços na expansão de energia solar nas comunidades.
“Nós não estamos só preparados, nós estamos já a realizar a transição energética. Se olharmos, nós já temos aqui através do FUNAE, o Fundo de Energia, nós já promovemos a energia fora da rede, através dos painéis solares. Se nós olharmos para as comunidades, mesmo onde não chega a rede de energia elétrica e de fio, nós já encontramos nas comunidades o uso da energia com painéis solares. Mas também nós encontramos vários instrumentos de política, encontramos também algumas acções concretas, como por exemplo os fogões de baixo consumo, encontramos a grande preocupação do governo em introduzir o gás de cozinha ”, afirmou Gustavo Djedje, secretário de Estado da Terra e Ambiente.
As organizações da sociedade civil defendem, entretanto, que a transição energética deve criar oportunidades económicas e melhores condições de vida para as comunidades mais vulneráveis.
Os participantes defenderam ainda que é essencial garantir que ninguém fique para trás no processo de resposta às mudanças climáticas.