Operadores de transporte semicolectivo de passageiros e utentes da cidade da Beira chegaram a um entendimento informal para o aumento de cinco meticais na tarifa de transporte público urbano, numa tentativa de reduzir a crise de mobilidade que afecta aquela cidade, devido à escassez e à subida dos preços dos combustíveis.
O acordo, alcançado sem a participação oficial das autoridades municipais ou da associação dos transportadores, permitiu o regresso gradual de alguns operadores às estradas e contribuiu para a redução parcial da paralisação dos chamados “chapas”.
Motoristas e cobradores afirmam que a decisão foi motivada pela necessidade urgente de continuar a trabalhar perante o agravamento dos custos operacionais.
“Hoje retomamos as actividades, porque, ficando parados em casa, vamos prejudicar até os nossos filhos. O preço subiu de 15 para 20 meticais”, afirmou João Lourenço.
Outros operadores reconhecem que o reajuste ainda não resolve totalmente as dificuldades enfrentadas pelo sector, mas defendem que representa um alívio temporário enquanto aguardam uma decisão oficial das autoridades competentes.
“As pessoas estão a cooperar connosco. O aumento está um pouco baixo hoje, mas vamos ver até amanhã ou depois”, disse Manuel Lopes.
Apesar do entendimento entre passageiros e transportadores, os operadores insistem que o novo valor ainda não constitui uma tarifa oficialmente aprovada.
“Não temos nenhuma subida oficial de preços, mas existem passageiros que colaboram connosco, porque nós não queremos paralisar as actividades”, explicou Gabriel Tomo.
Entre os passageiros, muitos admitem resignação perante a subida dos preços, argumentando que o aumento dos preços dos combustíveis inevitavelmente afecta o custo do transporte público.
“O combustível aumentou de preço, então ele deve aumentar também o preço do chapa”, afirmou Zélia Alberto.
Outra passageira, Lurdes Andrade, considerou que a situação deixa poucas alternativas aos utentes.
“Vamos fazer o quê? Eles querem assim, a gente tem de aguentar”, declarou.
Nos últimos dias, a cidade da Beira enfrentou fortes constrangimentos no transporte semicolectivo, com redução significativa da circulação de viaturas e longas filas nas paragens, afectando milhares de trabalhadores, estudantes e comerciantes.
O aumento recente dos preços dos combustíveis, aliado às dificuldades de abastecimento em algumas zonas do País, tem vindo a pressionar os operadores de transporte urbano, que alegam incapacidade de manter as tarifas actuais sem prejuízos financeiros.
Com o entendimento informal alcançado esta terça-feira, verificou-se um aumento do número de “chapas” em circulação na cidade, contribuindo para minimizar parcialmente a crise de transporte.
Entretanto, transportadores e passageiros continuam a aguardar um posicionamento oficial das autoridades municipais e das associações do sector relativamente a uma eventual revisão formal das tarifas na cidade da Beira.