A ONU alertou, nesta segunda-feira, que as reservas alimentares para o Sudão se esgotam em Outubro e a ajuda económica será suspensa em Setembro, caso não receba financiamento imediato, o que deixará 1,5 milhões de pessoas sem apoios.
Segundo o último relatório do Programa Alimentar Mundial (PMA), a organização necessita urgentemente de 288 milhões de dólares para manter os seus níveis mínimos de assistência durante os próximos seis meses, sem ser obrigada a reduzir as rações nem a excluir beneficiários.
No entanto, para operar na escala necessária e cumprir o plano anual completo no país africano, o orçamento necessário ascende a 624 milhões de dólares, indicou a agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar do défice financeiro e dos crescentes obstáculos no terreno, o PAM conseguiu prestar assistência, em Julho, a 3,7 milhões de pessoas em todo o país, atingindo, assim, o seu nível de cobertura mensal mais elevado desde o início do ano.
Deste número, um milhão de beneficiários recebeu alimentos em zonas classificadas como estando em risco iminente de fome, enquanto 1,3 milhões de pessoas beneficiaram de ajudas económicas directas para adquirir alimentos em mercados locais que ainda se mantêm em funcionamento.
As operações humanitárias continuam gravemente prejudicadas pelo recrudescimento do conflito armado – que inclui ataques com drones e confrontos entre comunidades em Darfur (região fronteiriça a oeste) e no Cordofão (centro-sul) –, bem como pelos graves obstáculos burocráticos e pelo impacto da estação das chuvas torrenciais.
No estado do Cordofão do Norte, os combates em torno de Al-Obeid – cidade estratégica que liga Cartum e o centro do país a Darfur – continuam a provocar deslocações em massa da população, enquanto nas regiões de Kassala, Gedaref, Nilo Branco e Nilo Azul, as graves inundações danificaram infra-estruturas essenciais e bloquearam a passagem de comboios.
A estes obstáculos junta-se o bloqueio de dezenas de camiões com milhares de toneladas de alimentos retidos nas estradas do interior.
Apesar disso, a agência conseguiu reativar vários postos fronteiriços essenciais, alargar a assistência médica e nutricional a mulheres e crianças e retomar a distribuição de alimentos nas escolas após a sua reabertura.
A guerra no Sudão entre o Exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) causou dezenas de milhares de mortos desde o seu início, em 15 de Abril de 2023, e forçou o êxodo de cerca de 14 milhões de pessoas na pior crise de deslocamento e fome do mundo, segundo a ONU.
Mais de 20 mil pessoas chegaram à província de Gaza nos últimos três dias, devido à vaga de xenofobia que afecta a África do Sul. As vítimas relatam mortes, perda de bens acumulados ao longo de anos e episódios de violência, apelando à intervenção do Presidente da República.
A província de Gaza está a receber uma nova vaga de cidadãos provenientes da África do Sul, na sequência de actos xenófobos. Em apenas três dias, mais de 20 mil pessoas chegaram à província, trazendo consigo relatos de perseguições, agressões, mortes e perda de bens.
Entre os recém-chegados predominam histórias de desespero. Um dos repatriados contou que a decisão de abandonar a África do Sul foi tomada quando percebeu que permanecer naquele país significava correr risco de vida.
“Corremos porque, quando dizem que já não te querem ali, não adianta insistir. Depois vais perder a tua vida”, relatou uma cidadã.
A mesma fonte acrescentou que os episódios de xenofobia não são recentes, mas que a actual escalada de violência tornou a permanência dos estrangeiros cada vez mais difícil.
“A xenofobia não é de hoje, existe há muito tempo, mas desta vez é demais. Já estamos cansados e pedimos socorro”, afirmou.
MORTES E BAIRROS SOB TERROR
Um dos entrevistados afirmou conhecer dois jovens moçambicanos que perderam a vida durante os confrontos.
“Conheço duas pessoas que morreram. Eram jovens, com cerca de 27 anos. Foram espancados até à morte”, contou.
Outros relatos descrevem grupos organizados que percorriam residências à procura de estrangeiros, obrigando famílias inteiras a abandonar as suas casas durante a noite.
“Entravam de casa em casa. Queriam identificar quem era estrangeiro. Muita gente fugiu para salvar a vida”, explicou outro cidadão.
PRESSÃO AUMENTA NOS TRANSPORTES
O impacto da crise já é visível nos principais corredores de transporte que ligam Gaza à África do Sul. A Associação dos Transportadores da Província de Gaza confirma um aumento significativo do fluxo de passageiros provenientes de várias cidades sul-africanas.
Segundo a agremiação, mais de 150 viaturas transportaram cerca de 22.500 passageiros nos últimos dias, número que continua a aumentar à medida que novos grupos decidem abandonar a África do Sul.
“Já recebemos mais de 150 viaturas. Muitos passageiros estão apenas em trânsito para outros distritos e províncias, mas chegam sem dinheiro e sem saber como alcançar os seus destinos”, explicou um representante da associação, Adenaldo Mabote.
A governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, anunciou a activação de um centro transitório destinado ao acolhimento dos cidadãos afectados pela violência xenófoba.
A estrutura deverá prestar apoio imediato aos repatriados, incluindo assistência básica, alimentação e apoio logístico, com vista à sua reintegração nas respectivas comunidades de origem.
O Governo reafirmou o seu compromisso de continuar a implementar reformas estruturantes destinadas a melhorar o ambiente de negócios no país, com destaque para a redução dos custos de transação, o aumento da eficiência administrativa e a maior previsibilidade regulatória na economia.
A posição foi expressa durante o encerramento do Décimo Terceiro Conselho de Monitoria do Ambiente de Negócios (CMAN), um encontro que reuniu representantes do Executivo, do sector privado e parceiros institucionais.
Na ocasião, foi destacado o carácter produtivo da interacção entre as partes, que permitiu avaliar e perspectivar políticas e acções orientadas para o fortalecimento do ambiente de negócios em Moçambique.
O Governo saudou o Ministério da Economia, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e demais intervenientes pelo contributo prestado na realização do evento, sublinhando a importância do CMAN como mecanismo de diálogo público-privado.
Foi igualmente reiterado o compromisso do Executivo em prosseguir com a adopção de medidas estruturantes, com enfoque na prevenção e combate à corrupção, simplificação de procedimentos, expansão da digitalização dos serviços públicos e integração de sistemas electrónicos de atendimento ao cidadão e ao investidor.
Ao longo do presente semestre, foram aprovados vários instrumentos legais e regulatórios, com destaque para a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, cuja regulamentação se encontra em fase final de elaboração.
Constam igualmente a revisão das leis do Sector Empresarial do Estado, de Minas e de Petróleos, bem como a aprovação do regulamento das Zonas Económicas Especiais e Zonas Francas Industriais, além do regime da mera comunicação prévia e do licenciamento simplificado.
O Executivo sublinhou que a implementação efectiva destas medidas exige o envolvimento de toda a sociedade, incluindo o sector público e privado, organizações empresariais, academia e demais parceiros de desenvolvimento.
Foi também reafirmado que a estabilidade macroeconómica deve ser assumida como uma responsabilidade colectiva, sendo essencial para garantir um desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.
O Governo defendeu ainda a necessidade de um sector privado forte, competitivo e dinâmico, em parceria com o Estado, como condição fundamental para impulsionar o crescimento económico, gerar emprego, atrair investimento e melhorar o bem-estar dos cidadãos.
A terminar, o Executivo reiterou a sua determinação em continuar a implementar acções concretas para a melhoria do ambiente de negócios, tendo como referência o trinómio custo, tempo e benefício.
Os dois sismos que atingiram a Venezuela na passada quarta-feira provocaram, segundo o mais recente balanço oficial das autoridades venezuelanas, 1943 mortos e 10 571 feridos. De acordo com estimativas das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas.
As equipas de busca e salvamento prosseguem as operações nas zonas mais afectadas, numa altura em que cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas, segundo estimativas das Nações Unidas.
Os dados oficiais indicam igualmente que mais de 15 mil pessoas ficaram desalojadas em consequência da tragédia, enquanto 6 461 sobreviventes foram resgatados desde o início das operações de socorro.
Entretanto, cresce a preocupação com a situação humanitária dos sobreviventes. As Nações Unidas alertam para o agravamento das condições de vida nas áreas afectadas, onde começam a surgir conflitos motivados pela escassez de alimentos, água potável e outros bens essenciais.
Os prejuízos materiais são igualmente avultados. Uma avaliação preliminar efectuada com recurso a imagens de satélite pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima em cerca de 6,7 mil milhões de dólares norte-americanos os danos causados pelos sismos em habitações, viaturas, infra-estruturas e empresas.
As autoridades venezuelanas e as organizações internacionais continuam a mobilizar recursos para responder à emergência humanitária e apoiar as populações afectadas por uma das mais graves catástrofes naturais da história recente do país.
Pelo menos 11 cidadãos malawianos perderam a vida e vários outros ficaram feridos na sequência de um acidente de autocarro ocorrido na província de Limpopo, no norte da África do Sul, segundo avançou a emissora pública sul-africana SABC.
As autoridades indicam que o acidente envolveu um autocarro que transportava passageiros malawianos, tendo as equipas de emergência sido mobilizadas para prestar assistência aos sobreviventes e proceder às operações de resgate. As causas do sinistro ainda estão sob investigação.
O Governo do Malawi manifestou consternação perante a tragédia e acompanha a situação dos sobreviventes, bem como os procedimentos para a identificação e eventual repatriação das vítimas mortais.
As autoridades sul-africanas prometeram divulgar mais detalhes assim que forem concluídas as investigações preliminares sobre as circunstâncias do desastre.
O crescimento acelerado do turismo e da indústria do gás está a impulsionar uma nova fase de investimentos em infra-estruturas de saúde na província de Inhambane. Numa região onde chegam, todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros e onde decorrem alguns dos maiores projectos de exploração de gás natural do país, aumenta também a exigência por serviços médicos capazes de responder a situações de emergência, acidentes de trabalho e cuidados especializados.
É neste contexto que as autoridades de saúde defendem uma participação cada vez mais activa do sector privado como complemento ao Serviço Nacional de Saúde, considerando que o desenvolvimento económico exige igualmente o fortalecimento da capacidade de resposta médica.
Para o director provincial de Saúde de Inhambane, Carlos Estevão, o Estado não pode, por si só, responder a todas as necessidades da população, razão pela qual a legislação moçambicana prevê a participação do sector privado e do subsistema comunitário na prestação de cuidados de saúde.
Segundo o responsável, o surgimento de unidades privadas dotadas de padrões internacionais de qualidade representa um reforço importante para o sistema de saúde e para o próprio desenvolvimento económico da província.
“Quando surge um empreendimento desta categoria e com certificação de qualidade de serviço, é uma valia para o Estado moçambicano, para o Governo da província e para o distrito de Vilankulo”, afirmou.
Carlos Estevão lembra que o turismo é um dos principais motores da economia de Inhambane e que a existência de serviços médicos de qualidade constitui um factor decisivo para muitos visitantes internacionais no momento de escolherem um destino.
“Muitas vezes, quando os turistas procuram um pacote turístico, uma das perguntas que fazem é se existe acesso a serviços de saúde de qualidade no local. O sector privado pode dar uma resposta importante a essa necessidade”, explicou.
Na visão das autoridades provinciais, a expansão do investimento privado na saúde deverá continuar a ser estimulada, à semelhança do que acontece noutros sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.
“O Governo incentiva a participação do sector privado na saúde, na educação, na agricultura e em várias outras áreas fundamentais para o crescimento económico”, acrescentou.
Contudo, Carlos Estevão considera que o maior desafio começa depois da obtenção de certificações internacionais de qualidade.
“Conseguir a certificação é importante, mas a verdadeira batalha passa pela manutenção desses padrões e pela sua disseminação para outras instituições, públicas e privadas, para que todo o sistema de saúde evolua”, defendeu.
A aposta em cuidados de saúde especializados surge também como resposta às necessidades criadas pela crescente actividade económica no corredor Vilankulo–Inhassoro, onde operam empresas ligadas ao turismo de luxo e à indústria extractiva.
O investidor moçambicano Sérgio Dique explica que a decisão de investir naquela região nasceu precisamente da constatação de que existia uma lacuna na oferta de serviços médicos compatíveis com a dimensão dos investimentos em curso.
Segundo refere, muitos visitantes estrangeiros demonstram preocupação quanto ao acesso a assistência médica antes mesmo de escolherem Moçambique como destino turístico.
“Quando um turista pensa em viajar para África, uma das primeiras perguntas que faz é: se eu adoecer, onde é que vou ser tratado?”, afirmou.
Além da actividade turística, o empresário aponta o crescimento da indústria do gás como outro factor determinante para a instalação de uma unidade hospitalar com capacidade de resposta diferenciada.
“As operações ligadas à indústria extractiva obedecem a rigorosos padrões internacionais de saúde ocupacional. Era necessário existir uma unidade capaz de responder a essas exigências e também a situações de emergência”, explicou.
Até há poucos anos, acidentes graves ocorridos naquela região obrigavam frequentemente à evacuação dos pacientes para hospitais situados a centenas de quilómetros de distância.
Segundo Sérgio Dique, essa realidade aumentava os riscos clínicos e comprometia a rapidez da resposta médica.
“Hoje já conseguimos estabilizar e tratar uma grande parte das situações de emergência sem necessidade de transferências imediatas”, afirmou.
Para garantir essa capacidade de resposta, a unidade investiu em ambulâncias equipadas para suporte avançado de vida, criou uma unidade de trauma e reforçou a formação dos profissionais de saúde.
O empresário explica que o investimento em qualidade começou muito antes da construção da infra-estrutura hospitalar.
A motivação surgiu de uma experiência pessoal vivida durante o nascimento da sua segunda filha, quando considerou que os cuidados recebidos pela família não correspondiam aos padrões que considerava aceitáveis.
Foi a partir dessa experiência que decidiu desenvolver um projecto assente em protocolos clínicos, formação contínua e mecanismos permanentes de controlo de qualidade.
Esse processo prolongou-se durante cerca de uma década e culminou com a obtenção de uma certificação internacional, resultado de investimentos em equipamentos, capacitação do pessoal e implementação de procedimentos técnicos reconhecidos internacionalmente.
Para Sérgio Dique, a certificação não deve ser vista apenas como um documento formal.
“Ela representa a confirmação de que os serviços prestados obedecem efectivamente a padrões internacionais de qualidade”, sublinhou.
O reconhecimento internacional abre igualmente novas perspectivas para empresas nacionais que pretendem prestar serviços a grandes multinacionais instaladas em Moçambique.
Segundo o empresário, durante vários anos algumas empresas moçambicanas ficaram afastadas de determinados contratos por não reunirem certificações exigidas pelas operadoras internacionais.
Com o cumprimento desses requisitos, acredita que as empresas nacionais passam a competir em igualdade de circunstâncias.
“O caminho não passa por reduzir as exigências das multinacionais. Passa por elevarmos os nossos próprios padrões de qualidade”, defendeu.
Na sua opinião, flexibilizar critérios técnicos pode comprometer a segurança dos trabalhadores e afectar a qualidade dos serviços prestados.
“Na saúde não pode haver espaço para relaxamento dos padrões. Temos de investir para responder às exigências internacionais e conquistar a confiança dos clientes pela qualidade do nosso trabalho”, acrescentou.
À medida que Inhambane consolida a sua posição como um dos principais destinos turísticos do país e reforça o seu papel na economia do gás, especialistas defendem que o desenvolvimento das infra-estruturas sociais deverá acompanhar o ritmo dos investimentos económicos.
Para as autoridades provinciais, saúde, turismo e investimento privado deixam, assim, de ser sectores isolados e passam a integrar uma mesma estratégia de desenvolvimento, na qual a qualidade dos serviços prestados poderá assumir um papel determinante na competitividade da província e na confiança de investidores, trabalhadores e visitantes.
O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) pretende aprimorar a sua estratégia com vista a acelerar a modernização dos serviços prestados aos cidadãos e responder aos desafios da segurança rodoviária.
Reunida na cidade da Beira, até quinta-feira, em VI Conselho Consultivo, a instituição declara que pretende dedicar especial atenção a matérias ligadas à transformação digital, modernização e qualidade dos serviços prestados.
No evento, o secretário de Estado dos Transportes reconheceu que persistem desafios ligados ao tempo de espera dos utentes, simplificação de procedimentos, uniformização do atendimento e de qualidade dos serviços.
“A resposta a estes desafios passa inevitavelmente pela transformação digital. Atenção que digitalizar não significa apenas informatizar processos. Significa repensar como os serviços públicos são concebidos e prestados”, disse Mabote.
Consiste ainda em, de acordo com o secretário de Estado dos Transportes, eliminar burocracia, simplificar procedimentos, integrar plataformas e colocar o cidadão no centro de prestação dos serviços do instituto público.
Para o secretário de Estado dos Transportes, a digitalização deve constituir uma ferramenta para aumentar a transparência, reduzir os custos, melhorar a eficiência administrativa e elevar os níveis de satisfação dos utentes.
“O INATRO deve posicionar-se no âmbito desta transformação. É igualmente necessário reflectirmos sobre o futuro da regulação. As entidades reguladoras modernas já não se definem pelo volume de serviços que executam directamente. A sua principal missão consiste em regular, supervisionar e monitorar o desempenho dos operadores, estabelecer padrões de qualidade, proteger interesses públicos e promover ambientes concorrenciais equilibrados”, disse.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do INATRO, Nelson Nunes, convidou os funcionários da instituição a consolidar reformas orientadas para o fortalecimento da capacidade técnica, operacional e organizacional.
“De modo a assegurar uma regulação mais eficiente do sector rodoviário e uma prestação dos serviços públicos mais moderna, célere e transparente centrada no cidadão”, concluiu o presidente do Conselho de Administração.
No evento, o INATRO pretende fazer o balanço das actividades do ano passado e terá sessões de capacitação sobre prevenção e combate à corrupção e outras matérias para o fortalecimento da cultura organizacional.
É ainda objectivo do encontro melhorar a prestação de serviços públicos, com a aposta na competência e integridade do capital humano.
O Governo da província de Gaza confirmou o afastamento definitivo dos gestores das fazendas Muthemba e Safari, no distrito de Massangena, no âmbito de acusações de bloqueio de vias de acesso utilizadas por comunidades locais.
Em paralelo, foi aberta uma investigação a operadores suspeitos de exploração ilegal de recursos faunísticos, numa operação que aprofunda o escrutínio sobre a gestão de terras e fauna bravia na província localizada na região Sul do País.
Quem confirmou a decisão foi o secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto. Revela que os gestores visados tiveram de abandonar o País, na sequência da abertura do processo na Procuradoria Provincial de Gaza.
Neto explica que o afastamento dos gestores visa garantir que as investigações decorram sem interferências, sobretudo num contexto em que se procura apurar denúncias sobre o bloqueio da circulação de pessoas nas áreas concessionadas.
“Ele foi suspenso, foi afastado… para não perturbar o normal andamento do trabalho que está a ser feito”, afirmou o secretário de Estado e explicou que a medida visa assegurar condições para a continuidade das investigações.
Paralelamente ao afastamento dos gestores das fazendas Muthemba e Gaza Safari, as autoridades intensificaram a fiscalização sobre operadores suspeitos de exploração ilegal de recursos faunísticos no distrito de Massangena.
De acordo com o secretário de Estado, o foco da investigação passa por clarificar a legalidade das actividades, incluindo eventuais abates de animais sem autorização e o cumprimento das normas de gestão de fauna bravia.
“Precisamos de ver que tipo de animais têm autorização para abater e tudo mais, porque esses animais são o nosso património”, referiu Jaime Neto e defendeu maior rigor na fiscalização das actividades económicas ligadas à fauna.
As autoridades indicam ainda que o processo de controlo não se limita às fazendas envolvidas no caso, devendo ser alargado a outras unidades de exploração na província, com verificação de licenças, contributos fiscais e funcionamento de actividades turísticas instaladas em propriedades privadas.
No terreno, as denúncias incluem também alegações de bloqueio de vias usadas por comunidades locais, situação que tem alimentado tensões entre residentes e gestores de concessões, e por isso, está sob análise das autoridades.
Com afastamentos já concretizados, o governo de Gaza quer reforçar o controlo sobre a exploração de recursos naturais, num equilíbrio cada vez mais tenso entre interesses privados, comunidades locais e património faunístico.
O Grupo SOICO e a Televisão de Moçambique (TVM) assinaram, nesta terça-feira, um memorando de entendimento que estabelece a partilha de conteúdos editoriais relacionados com eventos oficiais e de elevado interesse público, numa iniciativa que as duas instituições consideram um marco para a comunicação social moçambicana.
O acordo visa reforçar a cooperação entre o maior grupo privado de comunicação social do País e a televisão pública, permitindo que ambas as instituições partilhem sinais de transmissão e outros conteúdos editoriais, sobretudo em coberturas de actos de Estado e de governação, garantindo uma maior difusão da informação junto dos cidadãos.
Na ocasião, o presidente do Conselho de Administração (PCA) do Grupo SOICO, Daniel David, afirmou que o memorando representa um compromisso com os moçambicanos e não apenas entre as duas instituições.
“Este memorando não é para a SOICO nem para a TVM; é para os moçambicanos. É uma demonstração de que servir o público significa garantir que a informação chegue aos cidadãos em qualquer circunstância”, afirmou.
Segundo Daniel David, a parceria traduz uma visão de complementaridade entre os dois órgãos de comunicação, colocando o interesse nacional acima dos interesses institucionais ou comerciais.
“O grande ganho deste entendimento é percebermos que, trabalhando em conjunto, conseguimos servir melhor os moçambicanos. Este acordo coloca o cidadão no centro do nosso trabalho e demonstra que o interesse nacional deve prevalecer sobre qualquer interesse individual”, sublinhou.
O gestor destacou ainda que a cooperação entre as duas instituições já vinha acontecendo em algumas ocasiões, nomeadamente na cobertura de grandes eventos nacionais, esclarecendo que o memorando apenas formaliza uma prática existente e cria bases para o seu fortalecimento.
Por sua vez, o PCA da TVM, Victor Nhatitima, considerou que a assinatura do memorando constitui um momento histórico para a comunicação social moçambicana, por aproximar uma televisão pública e um grupo privado em torno de um objectivo comum.
“Este memorando permite-nos partilhar conteúdos editoriais ligados aos eventos de Estado e amplia o alcance da informação produzida por ambas as instituições. Nem sempre a TVM está onde o Grupo SOICO está, assim como o contrário. Com este entendimento, passaremos a complementar-nos para que a informação de interesse público chegue a mais moçambicanos”, explicou.
Victor Nhatitima acrescentou que o acordo representa um importante passo na cooperação institucional e poderá ser alargado futuramente para incluir programas de intercâmbio entre profissionais das duas organizações.
“Esperamos que este seja apenas o início de uma parceria mais ampla, permitindo a troca de experiências entre os profissionais da TVM e do Grupo SOICO, contribuindo para o fortalecimento das capacidades técnicas e profissionais de ambas as instituições”, referiu.
O responsável revelou ainda que a televisão pública dispõe de equipamentos e recursos técnicos que poderão ser utilizados pelo Grupo SOICO, mediante entendimentos específicos, em futuras produções audiovisuais.
Além da partilha de conteúdos editoriais, as duas instituições manifestaram interesse em desenvolver novas formas de cooperação, incluindo a partilha de conhecimentos, experiências e recursos técnicos, com o objectivo de melhorar a qualidade da informação disponibilizada ao público e fortalecer o sector da comunicação social em Moçambique.
Já decorrem as obras de reparação de emergência no troço da Estrada Nacional Número 260, na região de Dacata, distrito de Mossurize, província de Manica. A intervenção foi desencadeada depois de, em março passado, uma erupção do solo, provocada pelas chuvas intensas, ter comprometido a circulação de viaturas e condicionado a ligação entre o distrito de Mossurize e a cidade de Chimoio.
A degradação da via dificultou, sobretudo, a passagem de viaturas de grande tonelagem, obrigando os automobilistas a redobrar a atenção naquele ponto crítico da estrada. Passados cerca de três meses, a empreitada de emergência já está em curso e as máquinas trabalham na remoção dos solos instáveis e na reposição das condições de circulação numa das principais vias de acesso ao distrito de Mossurize.
No terreno, as intervenções incidem na estabilização da plataforma da estrada, etapa considerada essencial para garantir a durabilidade da infraestrutura e evitar novos abatimentos.
“Concretamente neste ponto já fizemos a remoção de todos solos e esta actividade já foi executada que é a remoção destes solos, lembrando que era cerca de um metro acima do nível de estrada e fizemos a escavação a bivel do ponto onde tivemos o defeito”, explicou Moisés Dzimba, delegado da ANE em Manica.
Segundo o delegado da Administração Nacional de Estradas em Manica, os trabalhos decorrem dentro do cronograma estabelecido, sendo que a fase seguinte consistirá na reconstrução da estrutura do pavimento, antes da reposição da camada de revestimento.
“Nós vamos fazer a construção da base e sub-base e vamos concluir com o revestimento em conformidade com o pavimento que aqui existe. Estamos em crer que em menos de um mês teremos tudo isso pronto”, avançou.
A intervenção faz parte das acções de emergência levadas a cabo pela Administração Nacional de Estradas para repor a transitabilidade nas vias afectadas pelas chuvas da última época chuvosa. Em toda a província de Manica, os danos estenderam-se por mais de 800 quilómetros de estradas, dos quais cerca de 400 quilómetros ficaram em estado crítico, exigindo obras urgentes para restabelecer a circulação de pessoas e bens.