A denúncia foi feita ao edil de Maputo, Rasaque Manhique, no âmbito de um encontro que este manteve com agentes económicos deste distrito municipal, nesta segunda-feira. Outras preocupações apresentadas estão relacionadas à demora na emissão de licenças e à recolha deficitária de lixo.
Empresários do Distrito Municipal KaMavota denunciaram, nesta segunda-feira, alegados casos de extorsão praticados por agentes do Conselho Municipal de Maputo. A denúncia foi apresentada ao edil de Maputo, Rasaque Manhique, durante um encontro com agentes económicos daquele distrito, no âmbito da política de governação aberta, participativa e de proximidade.
No encontro, os empresários relataram que alguns fiscais municipais têm exigido documentos e licenças de forma recorrente, mesmo quando os estabelecimentos cumprem todas as obrigações legais.
“Qualquer um que esteja a passar de motorizada e veja nós a colocamos um papel de parede, qualquer coisa que seja, entram e exigem licenças. O nosso negócio pauta pela integridade, e isso inclui o pagamento de todas as taxas”, afirmou uma empresária.
A mesma empresária disse que a situação atingiu níveis preocupantes, a ponto de a família ponderar encerrar o negócio.
“Nós, como família, tínhamos decidido fechar o restaurante e deixar de fora 30 famílias”, lamentou.
Outra preocupação manifestada pelos agentes económicos prende-se com a demora na emissão de licenças, situação que, segundo os empresários, prejudica o normal funcionamento das suas actividades.
“Queremos pedir celeridade nesse aspecto”, apelou uma das participantes.
A fraca recolha de lixo na cidade e as frequentes obras de reparação das estradas foram outras queixas.
Alguns empresários consideram que os serviços prestados pelo município não correspondem às taxas cobradas.
“Não há recolha de lixo no interior dos bairros, e só estamos a pagar as taxas sem qualquer benefício”, referiu um representante dos agentes económicos.
Para responder às preocupações apresentadas, Rasaque Manhique delegou os presidentes dos conselhos de administração e vereadores das áreas competentes.
Relativamente à gestão do lixo, a edilidade rejeitou a ideia de que existam problemas generalizados de acumulação de resíduos em KaMavota.
“Para avaliar a questão do lixo, é muito fácil. Basta indicar o local onde o lixo se encontra”, disse Sérgio Zitha, convidando os empresários a realizarem visitas conjuntas aos pontos apontados.
Sobre as alegadas extorsões, o edil de Maputo apelou aos empresários para denunciarem formalmente os casos e exigirem sempre notificações escritas durante as acções de fiscalização.
“Não devemos permitir que aqueles que vêm fiscalizar os nossos estabelecimentos saiam sem deixar uma notificação”, defendeu Rasaque Manhique.
O encontro marcou o início de uma série de visitas do edil aos distritos municipais da capital, com o objectivo de reforçar o diálogo entre o município e os diferentes segmentos da sociedade.
Transportadores de passageiros do Albasine paralisaram actividades na manhã de hoje para protestar contra o mecanismo do Governo para subsidiar o transporte. Os chapeiros dizem que a forma correcta seria ajudar a converter o sistema para o gás
A manhã deste segunda-feira começou com mobilidade condicionada do bairro Albasine, na periferia da cidade de Maputo, para o centro da capital. Condutores de viaturas de 15 lugares, que suprem boa parte da necessidade de transporte urbano, estavam com viaturas parqueadas, as motivações: novos preços dos combustíveis. O impacto recaiu sobre os estudantes numa semana de avaliações trimestrais
Esta quarta-feira iniciou-se o processo de licenciamento de transportadores não reconhecidos. Segundo os motoristas, o problema não está nas licenças, e desprestigiam o mecanismo que o Governo pretende usar para financiar os transportes
Além de subsidiar as gasolineiras, os transportadores dizem que o Governo deve identificar outras formas de sair da dependência da gasolina e do gasóleo.
O transporte de passageiros no Albasine foi assegurado pelos autocarros, incluindo articulados, mas a procura era maior que a oferta.
Os governantes militares do Burkina Faso intensificaram a sua repressão sobre ONGs e grupos da sociedade civil nesta terça-feira, anunciando a suspensão de mais 247 associações. As instituições são acusadas pela junta de espionagem de fazerem acordos com jihadistas que lutam contra o exército.
A suspensão de 247 Associações neste país da África Ociental anunciada esta terça-feira eleva para mais de 900 o número de organizações encerradas ou dissolvidas pela junta desde o mês passado.
Os impactados pelo mais recente decreto ministerial incluem associações sediadas no Burkina que actuam nos sectores da saúde, educação, direitos das mulheres, agricultura, ambiente, cultura e desporto.
Em julho de 2025, o líder da junta, Ibrahim Traoré, assinou uma lei que restringe o funcionamento de grupos de direitos e sindicatos.
As ONGs internacionais e instituições de caridade que recebem doações estrangeiras são regularmente acusadas pela junta de espionagem ou conluio com jihadistas que lutam contra o exército.
Tanto a Amnistia Internacional como a Human Rights Watch expressaram a sua preocupação com os movimentos que reforçam ainda mais o controlo da junta sobre a sociedade civil.
A Amnistia descreveu no mês passado a dissolução de associações como inconsistente com a constituição do Burkina Faso, que, segundo a organização, garante a liberdade de associação e de sindicato.
A repressão surge um mês depois de o governo militar ter emitido um decreto que dissolve todos os partidos políticos.
Os governantes militares do Burkina Faso intensificam a repressão sobre grupos da sociedade civil
O Observatório da Mobilidade e Transportes de Moçambique defende que a actual política de subsídio aos transportadores de passageiros não constitui uma solução sustentável para a crise do transporte público, marcada pela subida dos preços dos combustíveis e pela pressão crescente sobre a mobilidade urbana.
A posição surge num contexto em que o Governo tem vindo a implementar medidas de apoio ao sector dos transportes, incluindo subsídios directos aos operadores, com o objectivo de aliviar o impacto da crise energética global, influenciada por tensões internacionais e pela instabilidade no Médio Oriente.
No entanto, o Observatório alerta que o País corre o risco de repetir experiências anteriores sem resultados duradouros. O analista do sector, Constâncio Machanguana, recorda que políticas semelhantes já foram testadas no passado com eficácia limitada.
“Antes de 2016, o Governo fez uma experiência de introduzir o subsídio aos combustíveis para os transportadores, um esforço para reduzir os custos que existiam com o transporte público. Nessa medida, alguns anos depois, mais ou menos dois anos depois mostrou-se que não é eficaz”, afirmou Machanguana.
Segundo o especialista, a experiência anterior revelou fragilidades estruturais na gestão do subsídio, incluindo casos de abuso e fraca fiscalização. “Alguns operadores não pagavam mais do que deviam prestar o subsídio. Houve nessa altura até alguns operadores que beneficiavam do subsídio sem mesmo fazer o transporte de passageiros porque usando a licença que eles tinham mas para viaturas que já estavam até parqueadas há bastante tempo”, explicou.
Apesar das críticas, Machanguana reconhece que a medida em curso não deve ser descartada, mas sim melhor desenhada e ajustada à realidade do sector. “Desta vez, eu não acho que a medida seja má ou incorrecta, no entanto, é que tem que pensar na forma como a medida vai ser feita e para que essa medida vai beneficiar”, sublinhou.
O Observatório chama atenção para a complexidade do sistema de transportes na Área Metropolitana de Maputo, onde coexistem operadores formais e uma forte rede de transporte informal, responsável por grande parte da mobilidade diária da população.
“A maior parte deles são completamente informais, sem nenhuma licença, com o carro completamente danificado, mas que fazem o trabalho de transporte de passageiros”, referiu Machanguana, destacando que estes operadores, apesar da informalidade, desempenham um papel essencial no funcionamento da economia urbana.
A instituição alerta ainda que a actual política de subsídio pode não abranger este segmento dominante, criando desigualdades na distribuição dos benefícios e limitando o impacto da medida na mobilidade real da população.
Outro ponto de preocupação levantado prende-se com a recente introdução de cerca de 190 autocarros na região metropolitana de Maputo, medida vista como positiva, mas ainda insuficiente para responder à procura crescente.
Para o Observatório, a integração destes autocarros no sistema deve ser acompanhada por políticas de gestão eficiente, manutenção rigorosa e melhor articulação com os operadores existentes, sobretudo os informais.
Machanguana defende que a solução para a crise do transporte não pode basear-se apenas em subsídios, mas sim numa abordagem integrada. “O subsidiar em si não resolve o problema”, afirmou, acrescentando que é necessário combinar várias intervenções estruturais.
Entre as medidas propostas, destacam-se a requalificação das vias de acesso, a abertura de novas estradas, a melhoria da manutenção rodoviária e o reforço da fiscalização do sector.
“É preciso juntar-se à medida de subsidiação dos transportes, à requalificação das vias, à abertura de novas vias e, sobretudo, ao melhoramento das vias existentes”, defendeu o analista, alertando que a degradação das infra-estruturas aumenta significativamente os custos operacionais.
O Observatório acrescenta ainda que a política de subsídio deveria considerar as diferenças regionais e operacionais, uma vez que o custo do combustível e as condições de circulação variam entre províncias e rotas, o que torna difícil a aplicação de um único modelo.
“O Governo tinha de encontrar aqui um meio termo… olhando para cada província, é preciso lembrar que as cidades têm desafios e potencialidades diferentes”, referiu Machanguana.
Por fim, a instituição defende que qualquer política pública no sector deve ser sustentada por estudos técnicos aprofundados e consultas com especialistas, operadores e académicos, de forma a garantir maior eficácia e inclusão.
O Observatório da Mobilidade e Transportes de Moçambique conclui que o desafio da mobilidade urbana no País exige soluções de longo prazo, capazes de integrar o sector formal e informal, reduzir desigualdades e assegurar um sistema de transportes mais eficiente, acessível e sustentável.
A petrolífera norte-americana ExxonMobil garante estar nos ajustes finais para a tomada da Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado, ainda neste ano. A informação foi avançada nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, pelo director-geral da multinacional em Moçambique, Arne Gibbs.
Depois de sucessivos adiamentos, começam a surgir sinais concretos sobre o avanço do projecto de gás natural liquefeito da Área 4 da Bacia do Rovuma, considerado um dos maiores empreendimentos energéticos de África. Com capacidade prevista para produzir 18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, o Rovuma LNG deverá posicionar Moçambique entre os principais exportadores mundiais de GNL.
Segundo Arne Gibbs, decorrem actualmente negociações finais com empreiteiros e parceiros financeiros, numa fase considerada decisiva para o arranque do investimento.
“Neste momento, estamos a fazer os negócios finais com os contratadores, então ainda não temos o número final, mas posso dizer com certeza que, no fim do dia, as riquezas deste projecto vão para o País. O Governo vai receber mais de 150 mil milhões de dólares durante a vida do projecto”, afirmou o responsável da ExxonMobil Moçambique.
O dirigente explicou ainda que, após a aprovação definitiva do investimento, serão necessários cerca de cinco anos para a construção das infra-estruturas, o que aponta para o início da produção em 2031.
O projecto Rovuma LNG é desenvolvido pela ExxonMobil em parceria com a Eni e outras concessionárias da Área 4, em coordenação com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), representante do Estado moçambicano no empreendimento.
Paralelamente ao desenvolvimento industrial, a ExxonMobil e a ENH anunciaram um investimento de 40 milhões de dólares para a criação de um centro de formação técnico-profissional destinado à capacitação de moçambicanos para o sector de petróleo e gás.
O avanço do Rovuma LNG acontece numa altura em que Moçambique procura consolidar a confiança dos investidores internacionais, após os impactos da instabilidade armada em Cabo Delgado, que condicionaram alguns megaprojectos energéticos nos últimos anos.
Moçambique é a Nação da África Subsaariana que registou o maior número de deslocações devido a catástrofes, segundo o “Relatório Global sobre Deslocações Internas 2026” publicado nesta terça-feira e citado pelo Notícias ao Minuto.
De acordo com o relatório publicado pelo Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC), uma Organização Não-Governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para os Refugiados, os desastres desencadearam quase 2,9 milhões de deslocações na África Subsaariana em 2025 e Moçambique registou 669 mil deslocações.
“O ciclone Dikeledi desencadeou 167.000 deslocações na província de Nampula, no norte de Moçambique, no início de Janeiro, e 20.000 em Mayotte [arquipélago francês entre Moçambique e Madagascar] apenas algumas semanas depois de o ciclone Chido ter provocado mais de 536.000 e 142.000 deslocações, respectivamente”, contextualiza o documento.
Por sua vez, o ciclone Jude seguiu-se, em Março, desencadeando 493 mil movimentos em Moçambique, afectando muitas das mesmas populações, refere.
De acordo com o documento, a costa leste da África Austral está exposta a ciclones todos os anos entre Outubro e Março, levando frequentemente a deslocações repetidas.
“A temporada 2024-2025 ilustrou este padrão. Ciclones de alta intensidade em sucessão rápida desencadearam 826.000 movimentos em 2025, o segundo valor mais elevado numa década”, frisa.
“Os choques repetidos sublinharam a exposição do País [Moçambique] a vários perigos enquanto recuperava dos impactos persistentes da seca em 2024”, de acordo com a investigação.
Por outro lado, segundo a mesma fonte, “após anos de deslocações significativas por seca no Corno de África e na África Austral, registaram-se menos movimentos deste tipo em 2025”, em parte devido à elaboração de menos relatórios.
“Sismos e incêndios florestais, por outro lado, desencadearam alguns dos números mais elevados de deslocações registados para tais perigos na região”, acrescenta.
O aumento das deslocações por incêndios florestais, que faz parte de uma tendência global, realça a diversificação do risco de desastres na região, bem como a melhoria da monitorização, considera.
Por seu turno, Moçambique registou também 339 mil deslocações em 2025 devido ao terrorismo na província de Cabo Delgado, no Norte, acrescenta.
“Após uma redução significativa nas deslocações por conflito na província de Cabo Delgado entre Junho de 2024 e Junho de 2025, os combates (…) eclodiram novamente na segunda metade do ano”, contextualiza.
Por sua vez, um terço das deslocações registadas no país em 2025 devido ao conflito, o valor mais elevado desde 2020, ocorreu apenas no mês de Novembro, salienta.
De forma geral, a região da África Subsaariana registou 17,3 milhões de deslocações ao longo de 2025, um número inferior ao de 2024 devido, em grande parte, “ao resultado de uma redução significativa nas deslocações por desastres”, conclui.
O Grupo Yuxiao de Jinan, empresa privada chinesa, atua há 20 anos, está a levar a cabo vários projectos na área de educação na província da Zambézia, no centro do país. O projectos beneficia mais de 200 jovens moçambicanos.
Moçambique, parceiro importante da China, tem cerca de 33 milhões de habitantes e idade média de apenas 17 anos, sendo um dos países mais jovens do continente. Contudo, a taxa nacional de conclusão do ensino secundário ronda os 40%, gerando escassez crónica de mão‑de‑obra qualificada.
No contexto do Fórum de Cooperação China-África de 2024 e da visita oficial do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, à China em 2025, empresas privadas chinesas adotam a “educação como elo” para implementar projetos de capacitação local.
Entre 2015 e 2026, o Grupo Yuxiao e suas três subsidiárias em Moçambique — Africa Great Wall Mining, Cronus Minerals e Mozambique Heavysand, passaram a oferecer bolsas de estudo e formação técnico‑profissional a jovens moçambicanos.
Na sua actuação, a empresa lidera três níveis de investimento: Estratégico (desde 2015), que faz o financiamento integral de 10 jovens para estudarem 5 anos na Universidade de Geociências da China (Pequim), tendo a primeira turma ter graduado em 2020 e até Julho de 2025, nove regressaram a Moçambique, integrando as equipas locais do grupo.
No Médio‑técnico (Junho de 2025), a Mozambique Heavysand financiou 30 jovens do distrito de Chinde para um curso anual de formação profissional no centro IFPELAC de Morrumbala.
Já no que diz respeito à Ampliação (Março de 2026), as três subsidiárias assinaram memorando com o IFPELAC para financiar integralmente 160 jovens de todos os 22 distritos da Zambézia em cursos como eletricidade, mecânica, refrigeração, contabilidade e gastronomia.
Na cerimónia, o Secretário de Estado da província, Avelino Pinto Muchine, declarou: “Este é um voto de confiança no potencial dos jovens da Zambézia.”
O diretor do IFPELAC em Quelimane, Jo Augusto Pililao, classificou a parceria como “um passo decisivo para o desenvolvimento da formação técnico‑profissional”.
O evento ganhou destaque como “exemplo de cooperação público‑privada”.
De 2015–2026, cerca de 200 jovens beneficiados pelo projecto. A escala da formação técnico‑profissional cresceu de 30 para 190 acumulados em apenas nove meses (expansão de cerca de seis vezes), e a cobertura passou do distrito de Chinde para os 22 distritos da Zambézia.
O presidente do Grupo Yuxiao, Wu Tao — que desde 2006 montou a primeira tenda na costa de Chinde — afirma: “Aonde o navio chega, a responsabilidade chega.” O grupo traduziu assim o compromisso de responsabilidade social em vias concretas de ascensão profissional para uma geração de jovens da Zambézia, tornando a cooperação educativa o elo mais duradouro da “Conexão entre os Povos” e a expressão concreta, em solo moçambicano, da “Comunidade de Destino Comum China‑África de todas as horas e da nova era”.
O desvio de combustível numa bomba de abastecimento na Matola terminou com o encerramento do estabelecimento e a revogação da licença do operador. O caso foi despoletado por um vídeo amador que circulou nas redes sociais, numa altura em que o país regista uma crise de combustível.
Enquanto milhares de automobilistas e transportadores passam horas à procura de combustível no Grande Maputo, um vídeo amador mostra as imagens de um camião cisterna a ser abastecido, directamente, numa bomba no bairro Tchumene.
O cenário gerou indignação pública, nas redes sociais, sobretudo porque, em meio à escassez, o combustível que deveria servir o consumidor final estava a ser canalizado para outro circuito de distribuição.
A prática foi considerada grave pelas autoridades do sector energético, que encerraram a bomba e revogaram a licença do operador, esta segunda-feira, após uma investigação conjunta da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), Inspecção-Geral do Ministério dos Recursos Minerais e Energia e Autoridade Reguladora de Energia.
“Constatamos que, de facto, esse posto abasteceu o camião cisterna, o que constitui uma violação grave à legislação em vigor. Esta é a acção máxima, a revogação da licença. Significa que esse operador já não poderá comercializar seus produtos aqui nesse posto”, explicou Emília Muchate, chefe do departamento de fiscalização da DNHC
As autoridades desencorajam práticas do género e avisam que a lei vai pesar sobre os prevaricadores.
“Desde já, apelar a todos os operadores para não enveredar por essa prática que o posto de abastecimento é um local onde abastece apenas para o consumidor final”, acrescentou Muchate. Nesta altura, o operador que viu igualmente o posto de venda de gás de cozinha encerrado, terá de seguir os procedimentos legais subsequentes.
Subida do preço do combustível leva operadores a suspender actividades, deixa passageiros retidos nas paragens e obriga Governo Provincial a negociar trégua para evitar agravamento da crise
O silêncio incomum nas principais praças de transporte das cidades de Inhambane e Maxixe denunciava, logo nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, que a rotina da mobilidade urbana e interdistrital tinha sido profundamente alterada. Viaturas estacionadas, terminais lotados de passageiros e dezenas de carros sem circular transformaram-se rapidamente no retrato de uma crise que começou no preço do combustível, mas que rapidamente se espalhou para o transporte público, para as famílias e para a economia local.
A paralisação dos transportadores semi-colectivos de passageiros mergulhou as duas cidades num cenário de caos e incerteza, numa altura em que operadores exigem o agravamento imediato do preço do bilhete de passagem para fazer face à recente subida do gasóleo em Moçambique.
Na cidade da Maxixe, principal ponto de ligação do transporte interdistrital na província de Inhambane, a greve afectou dezenas de rotas e interrompeu parcialmente a circulação de passageiros entre vários distritos. Em Inhambane, os efeitos também foram imediatos, sobretudo nas ligações urbanas e suburbanas que diariamente movimentam milhares de pessoas.
A decisão dos transportadores surge poucos dias depois da actualização dos preços dos combustíveis, que levou o litro do gasóleo para níveis historicamente elevados. O agravamento teve impacto directo sobre os custos operacionais dos operadores, que passaram a enfrentar maiores despesas com abastecimento, manutenção, lubrificantes, peças e remuneração de motoristas e cobradores.
Para muitos transportadores, continuar a operar com as tarifas actualmente praticadas representa trabalhar sem qualquer margem financeira sustentável.
Ao longo da manhã, grupos de operadores concentravam-se em praças e terminais, defendendo a necessidade de revisão urgente das tarifas. Alguns propunham aumentos que chegavam aos 150 meticais em determinadas rotas, alegando que o preço do combustível alterou completamente a estrutura de custos do sector.
Entre os transportadores, o sentimento dominante era de sufoco financeiro. Muitos afirmavam já enfrentar dificuldades antes mesmo da recente subida do gasóleo e dizem que o actual cenário apenas agravou uma situação que consideram insustentável.
A paralisação rapidamente produziu efeitos nas paragens de transporte, onde centenas de passageiros ficaram retidos sem alternativas para chegar ao trabalho, regressar às suas casas ou deslocar-se para hospitais, escolas e mercados.
Em vários pontos das cidades de Inhambane e Maxixe, era possível observar pessoas carregando sacos, mochilas e pastas, caminhando longas distâncias sob o sol, numa tentativa desesperada de encontrar transporte alternativo.
O ambiente era marcado por incerteza, cansaço e frustração. Muitos passageiros relatavam não ter dinheiro suficiente para suportar um eventual agravamento das tarifas, enquanto outros diziam simplesmente não ter qualquer alternativa de mobilidade.
Perante a ausência dos semi-colectivos, algumas viaturas particulares de caixa aberta começaram a transportar passageiros de forma improvisada. Durante alguns momentos, esses carros transformaram-se na única esperança para quem precisava urgentemente deslocar-se entre bairros ou distritos.
Mas a tentativa de manter alguma circulação acabou interrompida pelos próprios transportadores grevistas, que impediram a continuidade desse tipo de transporte alternativo e obrigaram passageiros a desembarcar das viaturas.
O episódio aumentou ainda mais a tensão nas paragens e elevou a pressão sobre as autoridades provinciais, numa altura em que a mobilidade começava a entrar em colapso em vários pontos das duas cidades.
A gravidade da situação obrigou o Governo Provincial de Inhambane a agir rapidamente. Ainda durante a manhã, o governador Francisco Pagula convocou um encontro de emergência com representantes dos transportadores para discutir formas de evitar o agravamento da crise.
A reunião decorreu num ambiente de forte pressão, marcado pela preocupação crescente com o impacto social e económico da paralisação.
Do lado dos transportadores, o argumento central era a impossibilidade de continuar a operar perante os actuais custos do combustível. Muitos defendiam que os valores actualmente cobrados nas passagens já não conseguem cobrir despesas mínimas de funcionamento.
Do lado do Governo Provincial, a preocupação estava centrada na necessidade de evitar uma ruptura total do sistema de transporte, sobretudo num contexto em que milhares de cidadãos dependem diariamente dos semi-colectivos para trabalhar, estudar e ter acesso a serviços essenciais.
Durante o encontro, Francisco Pagula apelou à suspensão imediata da paralisação e pediu aos operadores uma trégua de cinco dias, período que considera necessário para permitir negociações formais e avaliações técnicas sobre uma possível revisão das tarifas.
O governador reconheceu a pressão vivida pelos transportadores, mas defendeu que qualquer alteração dos preços deve respeitar os mecanismos legalmente estabelecidos e resultar de diálogo institucional com os órgãos competentes.
A proposta apresentada pelo Governo Provincial consistia em criar um espaço de negociação envolvendo transportadores, autoridades municipais e estruturas ligadas ao sector dos transportes, com o objectivo de avaliar os impactos reais do aumento do combustível e encontrar um modelo considerado equilibrado entre os interesses dos operadores e a capacidade financeira dos passageiros.
Apesar do entendimento alcançado no encontro, entre os próprios transportadores persistiam sinais de divisão.
Enquanto alguns aceitavam suspender temporariamente a paralisação em respeito ao apelo do governador, outros consideravam o prazo insuficiente e defendiam medidas mais duras caso não sejam apresentadas soluções concretas nos próximos dias.
Ainda assim, prevaleceu o entendimento de retomar gradualmente as actividades enquanto decorrem negociações.
Ao longo da tarde, algumas viaturas voltaram a circular, embora de forma limitada em determinadas rotas.
A crise atingiu níveis tão elevados que até viaturas integradas na escolta do governador foram usadas para transportar cidadãos com problemas de saúde e outras situações consideradas urgentes em diferentes pontos das cidades afectadas.
O episódio acabou por expor não apenas a fragilidade estrutural do sistema de transporte semi-colectivo em Inhambane, mas também o impacto imediato que alterações no preço dos combustíveis podem provocar sobre a vida urbana, o custo de vida e a estabilidade social.
Em muitos bairros, passageiros receiam que a eventual revisão das tarifas torne ainda mais difícil suportar os custos diários de deslocação, sobretudo numa altura em que várias famílias enfrentam pressão crescente sobre alimentação, energia, renda e outros bens essenciais.
Ao mesmo tempo, os transportadores insistem que continuar a operar sem revisão dos preços poderá resultar em mais paralisações, redução do número de viaturas nas estradas e agravamento dos problemas de mobilidade.
Os próximos dias serão agora decisivos para perceber se o diálogo entre Governo Provincial e operadores conseguirá evitar um novo colapso dos transportes públicos em Inhambane e Maxixe.
A questão central deixou de ser apenas o aumento das tarifas. Passou a ser também a capacidade do sistema de transporte sobreviver a uma escalada contínua dos custos operacionais sem provocar uma ruptura social ainda maior.
O Ministério de Transporte e Logística anunciou, hoje, a aprovação de um subsídio aos transportadores de passageiros. O Secretário de Estado dos Transportes avançou que o Presidente da República fará a entrega de 190 autocarros movidos a gás, destinados à área metropolitana da Cidade de Maputo.
Um dia após o aumento do preço do combustível, o Secretário de Estado dos Transportes, Chinguane Mabote, anunciou a aprovação de uma compensação aos transportadores de passageiros.
“O valor da compensação será canalizado para cada proprietário da viatura que exerce a actividade de transporte de passageiro e esteja na base de dados”, explicou.
O Presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, explicou que a compensação vai ajudar a não alterar o preço do transporte e vai abranger os transportadores urbanos nas capitais provinciais.
“Todo o transporte urbano nas capitais provinciais será compensado, a partir da zona metropolitana da cidade de Maputo será compensado”, vincou Nhamane.
O subsídio, segundo o Ministério, é de cerca de 35 407 Meticais por mês.

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