O académico e sociólogo Elísio Macamo defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de Moçambique construir um “Estado que aprende”, capaz de retirar lições da implementação das políticas públicas e adaptar as suas decisões aos desafios que surgem ao longo do tempo, em vez de se limitar a produzir novos planos de desenvolvimento.
Intervindo no painel “Prospectiva e Posicionamento Estratégico: 2026–2050”, integrado na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Macamo afirmou que o país não enfrenta um problema de falta de estratégias, mas sim de incapacidade institucional para aprender com a experiência.
“Eu acho que nós temos tido bons planos desde que este país foi fundado. Então, o problema não está na qualidade dos planos”, afirmou.
Para o sociólogo, um plano representa apenas uma proposta de acção e, por isso, pode falhar. O verdadeiro desafio, explicou, consiste em avaliar continuamente os resultados obtidos e incorporar as lições aprendidas na definição das políticas públicas.
“O grande problema que nós temos é o de nós não aprendermos institucionalmente. Não aprendermos daquilo que nós fizemos”, sustentou.
Segundo Macamo, Moçambique já possui uma agenda nacional suficientemente clara, consagrada na Constituição da República, documento que, na sua opinião, define os valores, os direitos dos cidadãos e as regras que devem orientar a governação.
“Nós já temos uma agenda. E, por acaso, até a melhor agenda que um país pode ter. Qual é essa agenda? É a Constituição da República”, afirmou, defendendo que qualquer plano de desenvolvimento deve respeitar os princípios nela estabelecidos.
O académico propôs que as instituições públicas passem a adoptar uma cultura permanente de avaliação das políticas, baseada em três perguntas fundamentais: que problema se pretendia resolver, o que foi aprendido durante a implementação e de que forma essa aprendizagem alterou a compreensão inicial desse problema.
“Não é ciência astronómica. É apenas uma questão de ser pragmático na abordagem das coisas da vida”, afirmou.
Durante a intervenção, Macamo manifestou ainda algumas reservas em relação à ideia, defendida por outros participantes, de que os planos nacionais devem manter-se inalterados ao longo de sucessivos ciclos de governação.
Na sua perspectiva, os governos democraticamente eleitos devem preservar liberdade para redefinir prioridades, desde que essa mudança resulte da aprendizagem acumulada e não de decisões arbitrárias.
“Um plano nunca pode limitar a liberdade democrática de um governo de tomar as suas decisões, porque um plano reflecte o conhecimento que nós temos agora e as prioridades que nós temos agora. Essas prioridades podem mudar daqui a três, cinco ou dez anos”, argumentou.
Por isso, acrescentou, “eu não coloco a mesma ênfase na necessidade de continuidade, se essa continuidade se referir ao plano. A continuidade tem que ser ao nível da aprendizagem institucional.”
Num dos momentos mais descontraídos da sua intervenção, o sociólogo comentou a metáfora dos animais utilizada na Agenda 2025 para ilustrar diferentes trajectórias de desenvolvimento, mostrando-se crítico da imagem da abelha como modelo a seguir.
“Aquela imagem da abelha é bonita por causa do mel que é doce, mas é um horror para mim. A abelha faz a mesma coisa a toda a hora”, afirmou, defendendo que Moçambique deve inspirar-se em diferentes características representadas por outros animais.
Na sua visão, o país deve aprender com “a prudência do cágado, a curiosidade do caranguejo e a auto-suficiência do cabrito”, em vez de procurar um único modelo de comportamento.
“Ao invés de nós nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições é que nós podemos criar para tirar proveito dessas qualidades”, explicou.
A concluir, Elísio Macamo reiterou que o maior desafio do país passa pela criação de instituições capazes de aprender continuamente com a experiência e de ajustar as políticas públicas à evolução da realidade nacional.
O Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, sancionou quatro projectos de lei sobre finanças num conjunto de importantes reformas que visam reestruturar o sistema fiscal do país, escreve o Jornal de Angola.
Segundo a fonte, o governo nigeriano afirma que as novas leis simplificarão a cobrança de receitas, reduzirão a carga fiscal sobre algumas pessoas singulares e colectivas e, ao mesmo tempo, ajudarão a aumentar a tão necessária receita do governo, tornando a cobrança mais eficiente.
A Lei Fiscal da Nigéria, acrescenta a fonte angolana, que reúne várias regras num código único e mais fácil de compreender e elimina mais de 50 impostos menores e sobrepostos.
A presidência nigeriana, com efeito, afirmou que a redução do número de impostos e a eliminação da duplicação facilitarão os negócios. A Lei da Administração Fiscal que estabelece regras comuns para a cobrança de impostos nos governos federal, estadual e local.
A Lei do Serviço de Receita da Nigéria, que substitui o Serviço de Receita Federal (FIRS) por uma nova agência independente: o Serviço de Receita da Nigéria (NRS). A Lei do Conselho de Receita Conjunta, que melhora a coordenação entre os níveis de governo e cria um Provedor de Justiça Tributário e um Tribunal de Apelação Tributária para resolver litígios, adianta o Jornal de Angola.
Moçambique qualificou-se ao Campeonato do Mundo de voleibol de praia em masculinos, através da dupla José Mondlane e Osvaldo Mungoi, que, na manhã deste sábado, apurou-se às meias-finais do africano que decorre no Marrocos.
Para garantir o feito, José e Osvaldo derrotaram nos quartos-de-final a dupla da Gâmbia por sets a zero, com parciais de 21-12 e 21-15, respectivamente.
Moçambique, que participa no africano de vólei de praia com quatro duplas, tem ainda a possibilidade de garantir mais vagas ao Mundial de Novembro, na Austrália, caso Denilson e Monjane derrotem a dupla do Marrocos, no jogo que decorre neste momento.
Em femininos, Ângela e Vânia falharam o apuramento às meias-finais do africano ao serem eliminadas pela dupla marroquina, este sábado, por dois sets a zero.
Outra dupla feminina composta por Vanessa e Mércia enfrenta uma dupla marroquina, dentro de instantes, também em desafio dos “quartos”.
A República Democrática do Congo (RDC) e o Ruanda assinaram, ontem, em Washington, nos Estados Unidos da América, um acordo que pretende cessar conflitos entre as partes.
De acordo com o Jornal de Angola, para o Presidente norte-americano, Donald Trump, a assinatura do documento marca “um grande dia para o mundo”. Já o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que o acordo marca “um momento importante após 30 anos de guerra” no Leste da RDC.
Ainda segundo o Jornal de Angola, o acordo, assinado pelos ministros das Relações Externas dos dois países africanos – Thérèse Kayikwamba Wagner, da RDC, e Olivier Nduhungirehe, do Ruanda – e testemunhado por Rubio, também ajudará as empresas norte-americanas a obter acesso a minerais essenciais necessários para grande parte da tecnologia mundial, como o cobalto, num momento em que os Estados Unidos e a China estão a competir activamente por influência em África.
Sobre os compromissos assumidos pelas duas partes, estes inspiraram-se numa Declaração de Princípios aprovada em Abril, entre os dois países, e que prevê “o respeito pela integridade territorial e o fim das hostilidades” no Leste da RDC.
Segundo o chefe da diplomacia ruandesa, a RDC concordou em cessar todo o apoio aos militantes hutus ligados ao genocídio de 1994.
O acordo de paz é “baseado no compromisso assumido aqui de pôr fim, de forma irreversível e verificável, ao apoio do Estado (congolês) às FDLR (Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda) e às milícias associadas”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros ruandês, Olivier Nduhungirehe, citado pelo Jornal de Angola.
O conselheiro de Donald Trump para a África, Massad Boulos, indicou que Kigali se compromete a “levantar as medidas defensivas do Ruanda”, mesmo que o acordo não mencione explicitamente o Movimento 23 de Março (M23), até ao momento alegadamente apoiado pelo Ruanda e que no início do ano realizou ofensivas e conquistou cidades no Leste da RDC.
A Associação Provincial de Sofala e a Cornelder de Moçambique voltam a juntar-se pelo sétimo ano consecutivo, na cidade da Beira, numa légua que contará com 3750 atletas, entre eles nacionais e estrangeiros. A iniciativa que já é uma marca, terá um percurso de aproximadamente sete quilómetros e tem como lema correr pela saúde.
A Cornelder de Moçambique, patrocinadora do evento, diz que pretende com a légua contribuir para aprimorar a relação entre a instuição, os colaboradores e as comunidades que vivem nos arredores do Porto da Beira e não só.
A légua da Beira tem proporcionado prémios aliciantes aos participantes, aliás é a competição com os melhores prémios no país e na região Austral de África.
Os atletas que pretendem participar na 7ª edição da légua da Beira poderão fazer as inscrições a partir da próxima segunda-feira, até ao dia 12 de Julho, numa plataforma electrónica, no Pavilhão de Desporto da Beira.
A légua terá lugar no dia 19 de Julho, e os participantes estarão divididos em seis categorias, nomeadamente, populares, estudantes veteranos, federados, trabalhadores da Cornelder de Moçambique e comunidade portuária.
Por Melo Munguambe
“Ouvi dizer que o grande senhor aparentemente desconhecido é um dos principais candidatos ao cargo de Secretário-Geral da Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO”
Foi nos meados do ano 2022, quando concluí os meus estudos em Nampula, após 5 anos fora de casa, minha terra natal, meu primeiro perímetro urbano cultural, Maputo.
Naquele ano finalmente eu regressava à casa, uma das metas era restabelecer e reconstruir parcerias no panorama cultural ao lá chegar, mas não foi tão fácil o quão pode parecer. Chegado lá, numa cansativa busca de potenciais parceiros para em colaboração materializarmos alguns dos projectos culturais escritos faz tempo por mim no papel, recordei-me do digníssimo professor Manecas Cândido quando sugeriu-me procurar à Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO ao chegar em Maputo, mas no início confesso que hesitei procurar à AEMO.
Lembro-me que naquela época eu precisava primeiro de um espaço na cidade de Maputo para realizar eventos multidisciplinares de forma bimensal. Antes bati várias portas sem sucesso que quase saíram-me calos pelos dedos, foi quando eu quase já sem opções, meio fatigado, localizei e cheguei na Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO, pela primeira vez pisei o espaço sede da AEMO e nem senti-me arrepiado por isso, naquele dia infelizmente cheguei meio atrasado, procurei falar com o escritor Alex Dau, segundo a recomendação do professor Manecas Cândido, e disseram-me que o escritor acabava de se ausentar, olhei para as horas e espantei porque já era 15h e tal, lamentei o meu atraso enquanto caminhava lentamente em direção ao palco do jardim, quando vi um senhor aparentemente desconhecido com uma voz chamativa, meio roca que parecia falar com alguém ao celular soltando gargalhadas nas proximidades do jardim.
Sentei-me por aí uns 5 à 7 minutos refletindo sobre a linha do horizonte entre o sucesso e o fracasso. De seguida levantei-me dalí meio cabisbaixo para casa, mas determinado a não desistir. Voltei no dia seguinte, mais cedo, obviamente, sem sombras de dúvidas naquele dia encontrei o escritor Alex Dau, aliás, ele foi quem encontrou-me sentado à sua espera.
–Você é o Melo? Melo Munguambe?
–Sim. Bom dia, como está?
A conversa fluiu, falámos das artes em Nampula, da minha relação com o professor Manecas Cândido, entre vários assuntos, até que, naquele mesmo dia foi-me apresentado a sua excelência Secretário-Geral escritor Carlos Paradona. Apresentei-me formalmente de forma breve, e seguidamente o escritor Alex Dau deu permissão a minha explanação no âmbito dos meus objectivos profissionais com a AEMO naquele momento, sem cerimônias eu contextualizava o Projecto Ritmo Arte & Poesia, aquilo foi tão natural que até penso que antes nem eu mesmo percebia que estava entre 2 grandes senhores da literatura Moçambicana conversando abertamente sobre artes, sobretudo dos meus projectos artísticos. Foi quando repentinamente a porta do gabinete do Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos-AEMO se abriu, era aquele senhor aparentemente desconhecido pedindo permissão para entrar e lhe foi concedida. O senhor entrou, saudou-nos e sem proferir algo mais naquele instante, puxou uma cadeira e sentou-se conosco, aquilo deixou-me meio inseguro, mas disfarcei e continuei falando do meu exercício artístico e dos meus objectivos dentro duma possível parceria com a AEMO. O meeting durou cerca de meia hora, mas parecia menos, sua excelência Secretário-Geral ficou de entrar em contacto nos próximos dias, agradeci por isso, e levantei juntamente com o escritor Alex Dau, dispensado-me do gabinete.
Já lá fora, no exterior do edifício da Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO, mostre-me grato ao escritor Alex Dau, despedindo-me com tamanha gratidão. Uma semana depois recebi um telefonema do escritor Alex Dau, informado-me que sua excelência Secretário-Geral Carlos Paradona aprovou as minhas actividades artísticas, para realizá-las no espaço da Associação dos escritores Moçambicanos a partir de Janeiro do ano 2023.
–Muitíssimo obrigado Sr. Alex.
Ao encerrar aquela chamada, de seguida liguei ao professor Manecas Cândido com muita satisfação e contei-lhe a boa nova.
Esvaziou-se a ansiedade, enfim, o ano 2023 iniciou, estávamos no mês de Janeiro, e eu já tinha parceiros suficientes para dar início aos eventos do Projecto Ritmo Arte “Poesia, no jardim da Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO. Em colaboração também com a jovem Editora Moçambicana Kulera, Coach the Vibez, Ler e Brilhar, Ka Zimpeto Beatz, entre outros simpatizantes do projecto, projecto este que tornou-se marca mais tarde. Realizamos as primeiras edições com sucesso no espaço da Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO.
Nos meus dias de lazer, quase sempre fazia questão de visitar à AEMO, as visitas ficaram cada vez mais frequentes quando também descobri oportunidades de ler bons livros naquela casa cultural. Até que num certo dia, de forma inusitada reconheci o senhor aparentemente desconhecido quando ouvi-lo sem querer, falando dum casting sobre uma peça de teatro infantil: "A fogueira de letras”, naquele momento entendi que aquele era uma chance singular de poder trabalhar com uma lenda da Dramaturgia Moçambicana. Me inscrevi no casting e felizmente fui apurado como membro do elenco daquela peça infantil da AEMO. Eu não sabia ainda, mas ali iniciava a minha carreira como actor profissional, foi a partir dali que trabalhei com grandes e reconhecidos artistas Moçambicanos como: Lucrécia Paco, Aurélio Furdela, Huwana Rubi, Lírico Poético, entre outros. Foi naquele ano que tive o prazer de participar pela primeira vez no Festival internacional de teatro de inverno-FITI. Além das produções e realizações dos eventos culturais na AEMO, em pouco tempo eu já me sentia também parte da família dos artistas da Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO, sendo que todos os dias era lá onde me encontrava, mesmo sem ser membro oficial e muito menos pagar quotas.
Os meus trabalhos na AEMO já eram frequentes, eu já não tinha um tempo razoável para usufruir das agradáveis leituras de lá. Naquela época, eu ainda não tinha muitos livros, por isso, respirei fundo e procurei ao menos um pingo de coragem nas profundezas dos meus interesses literários, podendo aproximar-me ao senhor Furdela pedir emprestado alguns livros na biblioteca da AEMO, e para o meu espanto, o senhor Furdela respondeu-me o seguinte:
– Venha amanhã puto.
Fiquei tão feliz, mas tão feliz que senti-me até com vontade de pular e lhe abraçar de tão agradecido que estive, mas não consegui fazer isso, simplesmente disse-lhe:
–Muito obrigado Sr. Furdela, virei amanhã.
O tempo passava, a confiança brotava, e as ofertas de livros já não mais eram raras para mim, de quando em vez, ajudava o Sr. Furdela em alguns trabalhos na Associação dos escritores Moçambicanos-AEMO, quando às vezes ele mesmo pedia-me para o fazer. Eu fazia tudo com muito gosto porque no fundo sabia que não era qualquer um que tinha a sorte de estar ali trabalhando lado a lado com o carismático e grande artista Aurélio Furdela, mesmo que não seja de forma oficial, eu estava ali com ele, e isso para mim já bastava. Hoje, aquele senhor que no início parecia meio desconhecido para mim, tornou-se fonte de inspiração. Eu já escrevia poemas, contos, crônicas, entre outros gêneros textuais, mas admito que para começar a escrever peças de teatro foi graças aos ensinamentos que através dele recebo, de forma voluntária ou talvez não, actualmente, uma parte da minha personalidade mudou porque respeito e admiro a maneira de ser e estar do colosso Aurélio Furdela. A humildade e compromisso com o trabalho residem no coração daquele senhor aparentemente desconhecido. Devido à isso, e muito mais do que aqui expus e não em entre linhas, a minha sincera opinião pessoal em letras garrafais subscreve-se: O ESCRITOR AURÉLIO FURDELA PARA ALÉM DE SER UM BOM CANDIDATO AO CARGO DE SECRETÁRIO-GERAL DA ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES MOÇAMBICANOS-AEMO, O ILUSTRE SENHOR FURDELA É O MELHOR CANDIDATO AO DESENVOLVIMENTO ARTÍSTICO-CULTURAL EM MOÇAMBIQUE.
Junho, 2025
Maputo
Na próxima quinta-feira, será lançado, pelas 18h, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, o livro “Canção de Setembro para Zamuzaria Maria”, da autoria do poeta e declamador Rafael da Câmara, falecido em 2023.
O livro será formalmente introduzido pelo Professor Albino Macuácua e contará com comentários do escritor e crítico Daúde Amade.
Para a Gala Gala Edições, que edita o livro, “Canção de Setembro” é uma colectânea que abrange a trajectória literária de Rafael da Câmara, reunindo 54 textos em 84 páginas. A maioria dessas composições estabelece um diálogo contínuo com as questões sociais, abordando as aflições e as angústias do quotidiano.
“Rafael da Câmara revela-se um poeta de versos por vezes melancólicos, porém sempre críticos e em constante denúncia, expressando um espírito revoltado diante das realidades que o cercam. A sua escrita navega por temas universais e locais, como a vida e a morte, a amizade e o amor, as guerras, a política e os seus intervenientes, a independência, a música, os abusos de poder (legalizados ou não), a infância, a chuva, a nostalgia, o memorialismo, a natureza e a dicotomia entre o campo e a cidade”, pode-se ler na nota de imprensa da editora.
Na percepção de Daúde Amade, adianta a mesma nota de imprensa, “Canção de Setembro para Zamuzaria Maria” é composto, na sua maioria, “de textos de uma poesia narrativizante, onde o tom do canto, a oralidade e os habituais karingana wa karingana andam de mãos dadas nos versos. Esses poemas são, por isso, histórias, como se Da Câmara contasse e cantasse o país a um só tempo”.
De acordo com a mesma fonte, o lançamento de “Canção de Setembro” não se limitará à apresentação da obra, servindo também como um momento de profunda homenagem a Rafael da Câmara, poeta, declamador e um apaixonado pela palavra falada e pelos livros. Na ocasião, os artistas Bakka Yafole, Leo Cote e Feling Capela farão leituras de excertos do livro, oferecendo ao público uma imersão na voz e no universo do autor. O evento é aberto a todos os interessados.
O livro sai pela colecção Biblioteca de poesia Rui de Noronha, da Gala-Gala Edições, tendo sido prefaciado pelo editor Celso Muianga.
Sobre o Autor
Rafael da Câmara nasceu em 1974, na Cidade de Inhambane. Foi um poeta, feminista, professor e antropólogo moçambicano. Tinha uma grande paixão pelas letras, livros e poesia. Publicou os seus textos na revista literária “Xiphefu”, no extinto “Caderno Cultural” do diário “Notícias” e em diversas publicações nacionais. Em 2012, Rafael da Câmara teve uma menção de honra no Concurso Literário TDM, com a proposta poética “Diário de Campo — Inventário para a Construção de uma Canção”. A par de poeta, Rafael da Câmara era um exímio declamador, com constantes presenças nos saraus culturais. Foi dinamizador do “Clube de Leitura de Vilankulo”. Faleceu no dia 24 Abril de 2023, em Vilankulo, com vários livros no prelo, pois sempre acreditou que não estava pronto para sair em livro.
O Governo promete para breve a aprovação da política de seguro agrário para a regulamentação e coordenação de actores ligados ao sector agrário, bem como permitir que os pacotes de seguros existentes no mercado possam beneficiar os pequenos agricultores.
O instrumento já havia sido montado no Governo passado e precisou de voltar a ser mexido para acomodar a nova reorganização dos ministérios.
Em mesa redonda, vários actores ligados ao sector agrário discutem saídas para melhores mecanismos de gestão da crise em tempos de seca e ciclônicas. Muitas vezes, a recuperação da produção assolada é assegurada por empresas de seguro, e o Governo promete que vai arcar com o instrumento para regulamentar o sector.
Apesar de reconhecer haver menos pessoas envolvidas no seguro agrário, o centro de excelência de sistemas agroalimentares na Universidade Eduardo Mondlane, afirma ser necessária a aprovação do instrumento.
Estima-se que cerca de 4 milhões de agricultores no país já acionaram os serviços de seguros agrários e destes 40 mil são pequenos agricultores.
Por: Eduardo Quive
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO – divulgou na quarta-feira, 18 de Junho, uma publicação intitulada “A indústria editorial africana: tendências, desafios e oportunidades de crescimento”.
Um documento que se mostra importante para percebermos como vai a vida literária nos 54 países do continente. Uma leitura genérica ao documento e a olhar para Moçambique, faz soar o alerta sobre o que está por ser feito e sobre o estranho” rumo que a produção de livros que o meu país tomou”.
A começar, o relatório fala da indústria editorial no seu todo, do livro escolar à ficção, leis e políticas culturais para a área do livro, iniciativas de promoção e estímulo ao mercado editorial. A informação foi obtida a partir de fontes governamentais do sector, organizações e através de entrevistas aos que estão envolvidos na indústria. Em Moçambique, não podemos deixar de assinalar a busca de informação que se fez na plataforma cultural independente Catalogus, que tem se dedicado a divulgação de conteúdos sobre eventos e iniciativas literárias em Moçambique.
Segundo os dados recolhidos pela UNESCO em 2023 Moçambique contava com 61 editoras registadas, com 300 títulos publicados, 14 livrarias em funcionamento, 37 bibliotecas públicas e 1.600 empregos gerados pelo sector editorial. Segundo a publicação, há uma livraria por cerca de 900 mil habitantes, numa população total de cerca de 33 milhões.
O relatório alerta para a ausência de políticas públicas que estimulem o crescimento da indústria editorial. No caso de Moçambique, menciona a Política Cultural e a sua Estratégia de Implementação aprovada em 1997, que estabelece os procedimentos básicos para a produção e comercialização de livros em Moçambique. Este instrumento apela à comercialização de livros a preços reduzidos, a fim de permitir um leque mais alargado de leitores e estimular o interesse pela leitura e pela literatura.
Refere-se igualmente à Lei do Mecenato, de 1999 que estabelece os princípios básicos que permitem às pessoas singulares ou coletivas, públicas ou privadas, desenvolver atividades ou apoiar financeira e materialmente atividades no domínio
das artes, da literatura, da ciência, da cultura e da ação social.
Importa referir que estes instrumentos, a Política Cultural, a Lei do Mecenato e ainda a Política Nacional do Livro, esta última aprovada em 2011, não surtem o devido efeito para contribuir para mudança do cenário cultural moçambicano, pois, pese embora a idade da sua aprovação, não estão regulamentos, por forma que o seu peso se consubstancie na prática.
Adicionalmente, os dois primeiros instrumentos genéricos, referem-se ao sector cultural no seu todo, ignorando as especificidades que o sector do livro tem. O mais próximo que se tem de específico para o livro é a Lei n.º 32/2007 (de 2007) que isenta o pagamento de imposto sobre o valor acrescentado (IVA) à importação e exportação de livros. Na verdade, tem sido muito devido a essa lei que se tem observado a uma dinâmica acelerada de edição e publicação de livros em
Moçambique, incluindo o surgimento e sobrevivência de pequenas editoras, que têm sido responsáveis por trazer ao mercado grande parte de obras que hoje circulam no país. É que os custos de impressão de livros em Moçambique são demasiado elevados e levaria a que o “apelo” feito pelo governo através da política cultural de 1997, não fosse tido em conta. Outra verdade é que sequer ocorre às editoras essa lei, já que ela não é seguida de acções concretas que influenciem maior produtividade e baixo custo, seja na produção e também na venda.
Resumindo, sai mais barato imprimir fora do que dentro e é ainda possível imprimir pequenas quantidades, com qualidade gráfica e rapidez. E os dados não enganam.
A pesquisa da UNESCO que provoca esta reflexão indica que em 2023, o valor total das importações no sector editorial, abrangendo livros impressos, brochuras, folhetos e materiais impressos semelhantes, atingiu aproximadamente US$ 31
milhões, dinheiro canalizado para as gráficas de África do Sul, Índia, Portugal, seguidos pela China e Hong Kong.
Se aos escritores, poetas e editores a preocupação centra-se nas questões relativos à publicação e venda de livros, aos leitores o custo e a qualidade, há actores que podem ver nisto outro um sinal de alerta, como fazer com que tanto dinheiro que provém da produção de livros seja canalizado à indústria gráfica nacional?
Outro dado que não deixa de ser intrigante é o facto de o financiamento para a edição de livros, segundo o relatório, vir apenas do Fundo Nacional de Investigação (FNI), com um orçamento estimado em dois milhões de meticais. Ou seja, esses
recursos vão para obras científicas. A ficção essa muitas vezes fica por ser patrocinada por empresas, sendo de destacar, a banca. Do Estado, distante está o tempo do Fundo para o Desenvolvimento Artístico e Cultural a quem se deve a
publicação de vários autores que são referência na literatura moçambicana. Mas hoje pouco se sabe sobre o papel desta instituição, se tem dinheiro e a quem se destina esse dinheiro. Aliás, o relatório sequer menciona o FUNDAC quando se
refere ao dinheiro que financia a actividade editorial.
Podemos ir mais longe, a partir do momento que foi extinto o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INLD) deixou de haver uma instituição pública dedicada exclusivamente ao livro, pois as atribuições do Instituto Nacional das Indústrias
Culturais (INICC) são generalistas. Por um lado, a tutela ao livro escolar está com o Ministério da Educação (que tem de lidar sempre com as indefinições identitárias, de Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano à altura do relatório, 2023, para Ministério da Educação e Cultura, em 2025), os livros doutras categorias, nomeadamente a ficção, estão incluídos num pacote que se resume só ao registo pela instituição tutelada pelo Ministério da Cultura (outra instituição que varia de tempos em tempos, de Ministério da Cultura e Turismo, em 2023, para Ministério da Educação e Cultura em 2025), através do INICC. Esta instituição pelas suas atribuições e competências, devia ser o braço público que atribui recursos para impulsionar o sector editorial, incluindo o financiamento, como aliás faz com o cinema. O INICC devia ser mais actuante nas propostas de leis de incentivo, bem como captação de recursos para iniciativas de promoção e divulgação da literatura nacional, que neste momento, a acontecer, é de visibilidade nula, até para os que actuam activamente no sector.
Seguindo ainda a linha de instituições que poderiam ser relevantes no sector editorial, está uma AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos) que embora seja mencionada como promotora de eventos (debates, prémios, etc), quanto à
advocacia ou mesmo iniciativas para a melhoria do campo de produção literária não se faz sentir. Mais concretamente, a “pressão” junto do Governo para que a Política Nacional do Livro e outras leis, sejam implementados, a busca de recursos e meios para financiar a actividade literária, seja na componente de escrita ou na publicação, são alguns exemplos. Tudo isto é sobre o trabalho do escritor, que pela sua natureza seria membro da AEMO.
No meio disto tudo, é de notar o trabalho que grupos e instituições independentes tem desenvolvido e que dinamizam a indústria editorial no país. O relatório, no capítulo dedicado as instituições, menciona a Fundação Fernando Leite Couto, a
Associação Moçambicana de Autores (SOMAS), a Federação Moçambicana das Indústrias Culturais e Criativas e a Associação Moçambicana de Médicos, Escritores e Artistas, como organizações que promovem o livro e protegem os direitos do
autor.
Mas maior mérito do cenário dinâmico, ainda que pouco sustentável, que o país vive, está para as pequenas editoras que não sendo capaz de mencionar todas, facilmente se destacam, Fundza, Ethale Publishing, Trinta Zero Nove, Gala-Gala
Edições, Kulera, a editora da Fundação Fernando Leite Couto (que promove um prémio literário para novos autores), a Associação Kulemba (que promove feiras de livros e dois prémios literários importantes, um para livros infanto-juvenis e outro para os melhores livros do ano), a Xitende (que promove festivais literários), a Fundação Carlos Morgado (que através de um prémio literário publica novos autores) e a Catalogus, que além de plataforma de informação, também edita.
Escusado será afirmar o papel importante da Alcance Editores que publica grandes nomes da literatura moçambicana e outras entidades que, não sendo moçambicanas têm contribuído para a literatura nacional, a Escola Portuguesa (com
vários títulos de infanto-juvenis) e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo (com residências literárias para escritores moçambicanos).
Após a leitura deste relatório fica patente o desafio que os actores do sector livreiros estão sujeitos em Mocambique, o mesmo país que nos anos 80 publicava livros com tiragens acima de 3000 exemplares (actualmente a média é de 500) e, passados mais de 40 anos, num contexto aparentemente favorável, o Estado demitiu-se das suas funções, citando o escritor Rogério Manjate, qual “Coelho que fugiu da história”.
O Pavilhão de Moçambique na Expo Osaka 2025 em Osaka, no Japão, atingiu o marco de um milhão de visitantes desde a sua abertura a 13 de Abril.
Quando Yoshimi Shibayama, natural de Quioto, Japão, foi visitar a exposição moçambicana, não esperava sair com o título de visitante número um milhão.
“Quando decidi vir à Expo hoje, não sabia que iria visitar o Pavilhão de Moçambique mas fiquei curiosa e decidi entrar. Estou satisfeita por ser uma visitante especial. Estou surpreendida”, disse Yoshimi Shibayama, um dos visitantes.
Yoshimi recebeu um prémio simbólico pelo marco.Para os organizadores, receber um milhão de visitas em dois meses mostra que o Pavilhão eleva a responsabilidade de toda a sua equipa na promoção da imagem do País.
Moçambique expõe iniciativas tecnológicas e espera atingir até ao fim da Expo, 3 milhões de visitantes.

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