O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

O académico e sociólogo Elísio Macamo defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de Moçambique construir um “Estado que aprende”, capaz de retirar lições da implementação das políticas públicas e adaptar as suas decisões aos desafios que surgem ao longo do tempo, em vez de se limitar a produzir novos planos de desenvolvimento.

Intervindo no painel “Prospectiva e Posicionamento Estratégico: 2026–2050”, integrado na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Macamo afirmou que o país não enfrenta um problema de falta de estratégias, mas sim de incapacidade institucional para aprender com a experiência.

“Eu acho que nós temos tido bons planos desde que este país foi fundado. Então, o problema não está na qualidade dos planos”, afirmou.

Para o sociólogo, um plano representa apenas uma proposta de acção e, por isso, pode falhar. O verdadeiro desafio, explicou, consiste em avaliar continuamente os resultados obtidos e incorporar as lições aprendidas na definição das políticas públicas.

“O grande problema que nós temos é o de nós não aprendermos institucionalmente. Não aprendermos daquilo que nós fizemos”, sustentou.

Segundo Macamo, Moçambique já possui uma agenda nacional suficientemente clara, consagrada na Constituição da República, documento que, na sua opinião, define os valores, os direitos dos cidadãos e as regras que devem orientar a governação.

“Nós já temos uma agenda. E, por acaso, até a melhor agenda que um país pode ter. Qual é essa agenda? É a Constituição da República”, afirmou, defendendo que qualquer plano de desenvolvimento deve respeitar os princípios nela estabelecidos.

O académico propôs que as instituições públicas passem a adoptar uma cultura permanente de avaliação das políticas, baseada em três perguntas fundamentais: que problema se pretendia resolver, o que foi aprendido durante a implementação e de que forma essa aprendizagem alterou a compreensão inicial desse problema.

“Não é ciência astronómica. É apenas uma questão de ser pragmático na abordagem das coisas da vida”, afirmou.

Durante a intervenção, Macamo manifestou ainda algumas reservas em relação à ideia, defendida por outros participantes, de que os planos nacionais devem manter-se inalterados ao longo de sucessivos ciclos de governação.

Na sua perspectiva, os governos democraticamente eleitos devem preservar liberdade para redefinir prioridades, desde que essa mudança resulte da aprendizagem acumulada e não de decisões arbitrárias.

“Um plano nunca pode limitar a liberdade democrática de um governo de tomar as suas decisões, porque um plano reflecte o conhecimento que nós temos agora e as prioridades que nós temos agora. Essas prioridades podem mudar daqui a três, cinco ou dez anos”, argumentou.

Por isso, acrescentou, “eu não coloco a mesma ênfase na necessidade de continuidade, se essa continuidade se referir ao plano. A continuidade tem que ser ao nível da aprendizagem institucional.”

Num dos momentos mais descontraídos da sua intervenção, o sociólogo comentou a metáfora dos animais utilizada na Agenda 2025 para ilustrar diferentes trajectórias de desenvolvimento, mostrando-se crítico da imagem da abelha como modelo a seguir.

“Aquela imagem da abelha é bonita por causa do mel que é doce, mas é um horror para mim. A abelha faz a mesma coisa a toda a hora”, afirmou, defendendo que Moçambique deve inspirar-se em diferentes características representadas por outros animais.

Na sua visão, o país deve aprender com “a prudência do cágado, a curiosidade do caranguejo e a auto-suficiência do cabrito”, em vez de procurar um único modelo de comportamento.

“Ao invés de nós nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições é que nós podemos criar para tirar proveito dessas qualidades”, explicou.

A concluir, Elísio Macamo reiterou que o maior desafio do país passa pela criação de instituições capazes de aprender continuamente com a experiência e de ajustar as políticas públicas à evolução da realidade nacional.

Vídeos

NOTÍCIAS

Palmeiras-Botafogo e Benfica-Chelsea são os jogos que marcam o arranque dos oitavos-de-final do Mundial de Clubes que decorre nos Estados Unidos, este sábado. No encerramento da fase de grupos, o Manchester City goleou a Juventus por 5-2.

A fase de grupos do Mundial de Clubes só encerrou na madrugada desta sexta-feira com a realização dos últimos dois jogos, nos quais o Wydad Casablanca de Marrocos somou mais uma derrota diante do Al Ain ao perder duas bolas a uma.

Nos jogos de destaque, o Real Madrid venceu o Salzburg por 3-0 com Vinicios Jr a abrir o marcador aos 40 minutos, antes de Valverde ampliar ainda na primeira parte. Na segunda parte, Gonzalo Garcia fechou as contas dos merengues e garantiu a liderança do grupo H.

Já o Manchester City goleou a Juventus por 5-2, com golos de Doku, Kalulu, Haaland, Phil Foden e Savinho para os ingleses, e Koopmeiners e Vlahovic para os italianos.

Assim, os oitavos-de-final, que começam a ser disputados este sábado, têm o seguinte quadro de jogos:

Sábado: Palmeiras e Botafogo irão protagonizar o derby brasileiro e o Benfica terá pela frente o Chelsea.

Domingo: PSG defronta Inter Miami no reencontro de Messi com antiga equipa e Flamengo cruza caminho do Bayern de Munique.

Segunda-feira: Inter de Milão joga com Fluminense e Manchester City defronta Al Hilal dos Emirados Árabes Unidos.

Terça-feira: Real Madrid e Juventus jogam e Borussia Dortmund terá pela frente o Monterrey do México. O Mundial de Clubes termina a 13 de Julho próximo.

Quatro pessoas morreram e outras 13 ficaram feridas na sequência de um violento acidente de viação, envolvendo um transporte semi-colectivo, no distrito de Nhamatanda, na EN6. Excesso de velocidade e problemas mecânicos são apontados como  causas do acidente.

A imprudência de alguns automobilistas de transporte semi-colectivo de passageiros, vulgo chapa 100, continua a ceifar vidas e a provocar elevados danos materiais, tal como aconteceu nesta quinta-feira no distrito de Nhamatanda, em Sofala.

Uma viatura, que fazia o trajeto Chimoio – Beira e que circulava a uma velocidade excessiva, segundo a polícia, estourou um dos pneus, quando chegou à localidade de  Tica, distrito de Nhamatanda,  próximo a ponte sobre o rio Pungue.

O   motorista, segundo o cobrador, não conseguiu controlar o veículo imediatamente. Aliás, ao travar a viatura derrapou cerca de 44 metros e foi tombar na faixa contraria, A viatura capotou e foi arrastada por mais 24 metros. 

Foram depois transferidos no total seis doentes para o Hospital Central da Beira, tendo um deles perdido a vida. 

José Luís, um dos sobreviventes, indicou que a viatura estava a circular a uma velocidade excessiva. Houve três sobreviventes que saíram ilesos do acidente.   

Cinco vítimas do acidente continuam internadas no hospital central da Beira, com fracturas nas pernas e braços, contudo estão fora de perigo. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, esta quinta-feira, em Maputo, a presidente da  Assembleia Nacional de Angola, Carolina Cerqueira, que trazia uma mensagem do Chefe do Estado angolano, João Lourenço.

A  audiência decorreu no quadro das comemorações dos 50 anos da  Independência Nacional de Moçambique, tendo servido para  reafirmar a amizade e a cooperação bilateral entre os dois países.

Em declarações à imprensa após o encontro, Carolina Cerqueira disse  sentir-se “muito honrada” por participar nas festividades em  representação do povo angolano. “Trazemos a solidariedade e  amizade do povo angolano para com os nossos irmãos do Índico”,  afirmou. 

A presidente do Parlamento angolano recordou a história comum que  une os dois países, desde as lutas de libertação até à reconstrução  nacional, passando pela reconciliação. “Temos a mesma trajectória  de luta contra o colonialismo, de proclamação da independência há  50 anos, reconstrução nacional, reconciliação nacional”, referiu,  destacando os desafios actuais de desenvolvimento, integração regional e solidariedade entre os povos. 

Segundo Cerqueira, as lideranças de Angola e Moçambique estão  alinhadas em torno da construção de um futuro mais próspero.  “Pensamos que as lideranças dos dois países estão atentas, estão  preocupadas com um futuro melhor para as nossas populações”,  afirmou, valorizando a importância da cooperação política e  institucional a nível bilateral e regional. 

Ao transmitir a mensagem do Presidente João Lourenço, a dirigente  sublinhou que foi reafirmada “a amizade e a importância da  cooperação bilateral entre os dois países, para no contexto regional  da África Austral, SADC, e a nível internacional possamos continuar a  avançar a favor da paz”. 

Cerqueira sublinhou que sem paz não é possível alcançar outros  objectivos nacionais. “Sem paz não há desenvolvimento, sem paz não  há justiça social, sem paz não há prosperidade”, declarou, 

defendendo que este é um dos pilares mais importantes das agendas  políticas de Moçambique e Angola. 

A representante do parlamento angolano afirmou que os dois países  devem continuar a ser uma presença activa nas grandes agendas  internacionais. “Devemos ser uma voz forte e uma presença efectiva  nas agendas, tanto regionais como internacionais, a favor da paz e da  prosperidade”, reforçou. 

No mesmo contexto, Carolina Cerqueira revelou que Angola prepara se para celebrar o seu próprio cinquentenário, e adiantou que  Moçambique estará representado ao mais alto nível, conforme  garantido pelo Presidente Daniel Chapo durante a audiência. 

“Somos irmãos não só no âmbito da CPLP [Comunidade dos Países de  Língua Portuguesa], mas também no âmbito da SADC e de uma  cooperação profícua e solidária entre os nossos povos e os nossos  países. Podem contar com Angola, e estamos certos também que  Angola pode contar com Moçambique”, concluiu.

A Associação Black Bulls recebe, no domingo, o Costa do Sol, em partida de cartaz da quarta jornada do Moçambola-2025. Na antevisão ao jogo, os treinadores das duas equipas mostraram-se confiantes na vitória.

Jogo de cartaz entre candidatos ao título do campeonato nacional de futebol. Black Bulls e Costa do Sol protagonizam o embate mais importante da quarta jornada, este domingo, na Arena Lalgy.

Trata-se de um jogo com pouca história, mas com bastante simbolismo para as duas equipas, olhando para o histórico de confrontos, onde a Black Bulls leva vantagem, já que ainda não perdeu diante do Costa do Sol.

Em 10 jogos disputados, os “touros” venceram sete e empataram três, sendo por isso um jogo que Hélder Duarte quer consolidar a superioridade no confronto directo, apesar de reconhecer a nova versão canarinha.

Já Baciro Candé diz ter estudado o seu adversário e mesmo reconhecendo as dificuldades que vai enfrentar, vai a Tchumene para vencer.

A QUARTA JORNADA TERÁ OS SEGUINTES JOGOS:

No sábado, o Textáfrica de Chimoio recebe o Ferroviário de Nampula. Domingo, para além do jogo Black Bulls vs Costa do Sol, o Desportivo de Nacala recebe o Ferroviário de Maputo, Associação Desportiva de Vilankulo defronta Desportivo da Matola, União Desportiva de Songo terá pela frente o Ferroviário de Lichinga. A jornada encerra segunda-feira com Baía de Pemba a receber Chingale de Tete.

A jornada arranca esta sexta-feira com os Ferroviários da Beira e de Nacala a cruzarem caminhos no Chiveve.

A escassez das vacinas BCG e VAP em hospitais das cidades de Xai-Xai e Chimoio, nas províncias de Gaza e Manica, respectivamente, está a criar preocupação entre as parturientes e profissionais de saúde.

Consideradas essenciais nos primeiros dias de vida para prevenir doenças como tuberculose, poliomielite e sarampo, as vacinas estão em falta há semanas em algumas unidades sanitárias.

No Hospital Provincial de Xai-Xai, a maior referência na província de Gaza, mães relatam que os recém-nascidos estão a deixar a maternidade sem receber a vacina BCG, aplicada normalmente nas primeiras 24 horas de vida.

Márcia Changule deu à luz no dia 21 de Junho e, uma semana depois,  relata que sua filha ainda não foi vacinada.

“A minha filha ainda não apanhou a vacina BCG e ainda não recebi nenhuma recomendação dos médicos. A vacina é tão importante para o crescimento e prevenção de doenças nas crianças”, lamentou.

Por sua vez, Joice Matavel está há três dias no hospital à espera da vacina para o seu bebé e receia que o mesmo possa contrair doenças por conta da não administração do imunizante.

“Facilmente ela pode ter tuberculose. É muito importante que o Ministério da Saúde nos forneça essas vacinas.”

Apesar dos relatos de várias mães, a direcção do Hospital Provincial de Xai-Xai nega haver ruptura.

“Penso que não temos ruptura do ‘stock’ de vacinas”, afirmou Stélio Tamele, responsável da unidade, reforçando que “os técnicos de medicina preventiva deviam explicar o tipo de vacinas que estão sendo administradas. Nunca recebi informação de que há escassez da BCG”.

Já em Chimoio, capital da província de Manica, o cenário é ainda mais preocupante. Segundo o director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Ação Social, o distrito enfrenta uma escassez prolongada, que já dura cerca de oito meses.

“Estamos com escassez desta vacina, e o esforço para conseguirmos aplicar as doses às crianças tem sido contínuo. Temos recebido pequenas quantidades, que não cobrem toda a demanda”, declarou o director, Alberto Diomba.

Ele confirmou que as vacinas BCG e VAP — fundamentais para a imunização dos bebés — são as mais afectadas. Contudo, garantiu que há previsão de normalização da situação já no próximo mês.

A vacina BCG é a primeira a ser administrada aos recém-nascidos e tem como principal objectivo prevenir formas graves de tuberculose. A VAP, por sua vez, protege contra a poliomielite, uma doença viral que pode causar paralisia permanente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que ambas sejam aplicadas nas primeiras semanas de vida. A ausência delas pode aumentar consideravelmente os riscos de surtos de doenças.

A Primeira-Dama da República,  Gueta Chapo, encaminhou, hoje, ao Ministério da Saúde e  ao Ministério da Educação e Cultura um total de 140 bolsas de estudo,  atribuídas ao Gabinete da Primeira-Dama na sequência da sua  recente participação na VII Edição da Iniciativa das Primeiras-Damas,  realizada no Dubai, sob a égide da Fundação Merck. 

O gesto insere-se num memorando de entendimento assinado entre a  Primeira-Dama e a CEO da fundação, Rasha Kelej, visando o reforço 

da formação médica e a promoção da educação inclusiva para  raparigas em situação de vulnerabilidade. 

Durante uma audiência concedida aos dois ministérios, Gueta Chapo  anunciou que das 140 bolsas, 100 são destinadas à formação de  médicos e enfermeiros moçambicanos, em áreas consideradas críticas  para o sistema nacional de saúde, enquanto as restantes 40 visam  apoiar raparigas de comunidades vulneráveis no prosseguimento dos  seus estudos. 

O ministro da Saúde, Ussene Isse, saudou a iniciativa como “uma boa  nova para o sector da saúde” e afirmou que as bolsas irão contribuir  para a formação acelerada de especialistas em áreas prioritárias.  “Temos área de cancro, área médica, área cirúrgica para adultos e  crianças […], cuidados paliativos, hipertensão, diabetes, neurocirurgia,  cuidados intensivos, tratamento da coluna. São valências que o nosso  país precisa”, explicou. 

Para o governante, a formação dos quadros nacionais é uma resposta  directa ao Programa Quinquenal do Governo, nomeadamente no  eixo da transformação social e demográfica, e representa um avanço  importante na redução da dependência externa em matéria de  cuidados especializados. “Com esta oportunidade iremos reduzir  gradualmente esta dependência e vamos tornar o sector de saúde  cada vez mais forte, mais robusto e mais equitativo para o povo  moçambicano”, garantiu. 

Isse assegurou ainda que o processo de selecção será rigoroso e  transparente. “Estes critérios de selecção serão critérios muito  objectivos e transparentes, e serão publicados para todos tomarem 

conhecimento como é que as pessoas serão elegíveis. Teremos que  obedecer e seguir os critérios para haver justiça social”, declarou. 

Já a ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Tovela,  agradeceu as bolsas dirigidas às raparigas carenciadas e destacou o  seu impacto transformador na permanência e sucesso escolar de  estudantes provenientes de contextos desfavorecidos. “Recebemos  informação de bolsas de estudo para as nossas crianças […], principalmente para os nossos alunos mais carenciados”, referiu. 

Segundo Tovela, as bolsas irão abranger estudantes do ensino  primário, secundário e superior, sendo a selecção orientada pelo  mérito académico e vulnerabilidade social. “Estamos a falar de todas  as províncias, vermos quem são as meninas que têm as melhores notas  e que efectivamente também enfrentam dificuldades para a  continuação dos estudos”, adiantou. 

A governante enfatizou que o apoio da Primeira-Dama tem sido  fundamental na inclusão educativa. “Só com a formação é que as  nossas crianças, os nossos jovens, os nossos adultos, podem contribuir  para o seu desenvolvimento pessoal e para o desenvolvimento das  suas famílias […]. A educação é a chave do desenvolvimento do  capital humano”, concluiu. 

Além das bolsas hoje anunciadas, a ministra sabe que o Gabinete da  Primeira-Dama está a mobilizar mais apoios para beneficiar um  universo mais amplo de estudantes. “Há bolsas também ao nível do  Gabinete […], 450 bolsas. É um processo que está a sendo  efectivamente recorrente de mobilização de recursos”, indicou.

O Governo garantiu, recentemente, que a redacção do projecto de Lei do Conteúdo Local está concluída e que, neste momento, decorre o processo de auscultação pública para posterior submissão ao Parlamento. O instrumento, que deverá reger as relações entre o sector privado e os megaprojectos, deverá entrar em vigor ainda neste ano, segundo o Executivo.

A proposta de Lei do Conteúdo Local está no centro das atenções, num contexto marcado pela retoma de megaprojectos estratégicos, como o Coral Norte e as operações da Total. O debate gira em torno de três eixos principais: o impacto económico e social para as comunidades locais, o equilíbrio entre garantir conteúdo local e não atrasar a implementação dos investimentos, e a importância do processo de auscultação pública para tornar a legislação mais sólida e inclusiva.

Entre as questões em destaque, sobressai a necessidade de garantir que as comunidades e as empresas moçambicanas sejam as principais beneficiárias, sem transformar as obrigações legais numa restrição para as multinacionais. Na visão dos economistas e especialistas ouvidos, a entrada em vigor da lei não deve ser encarada como a solução para todos os problemas que assolam o empresariado local, mas sim como um instrumento que deve ser associado a vários outros elementos para tornar o ambiente de negócios mais inclusivo e gerar ganhos para todas as partes envolvidas.

Os analistas questionam o nível de preparação técnica das empresas locais, a abrangência e transparência do processo de auscultação pública e as garantias para que as contribuições recolhidas sejam efectivamente reflectidas no texto final da legislação. Discutem igualmente qual o equilíbrio ideal entre obrigatoriedade e incentivo para tornar as regras eficazes e qual o impacto esperado desta legislação para a estrutura e sustentabilidade dos megaprojectos no país. A dúvida central passa por definir o próximo passo para transformar esta proposta num instrumento claro e eficaz, num contexto marcado por pressões e prazos para a retoma de investimentos cruciais para a economia nacional.

Lei do Conteúdo Local não deve andar sozinha, defendem economistas

Elthon Chemane, especialista em gás, destaca que a futura Lei do Conteúdo Local em Moçambique é necessária e importante, mas não deve ser encarada como uma solução única para todos os desafios do sector. Explica que “esta legislação funcionará como uma estrutura para aumentar a participação das empresas locais nos megaprojectos, mas requer uma acção coordenada entre vários sectores para gerar impacto significativo”.

Embora o Governo esteja a avançar rapidamente para elaborar e socializar a proposta de lei, Chemane alerta para a importância de não alimentar falsas expectativas, uma vez que contratos antigos não poderão ser alterados retroactivamente por estarem protegidos por cláusulas de estabilidade jurídica e mecanismos internacionais de resolução de conflitos. Por isso, o impacto directo desta legislação só será visível nos futuros contratos e concessões.

“O conteúdo local não depende apenas de uma norma jurídica, mas de um ecossistema integrado, com destaque para o sector privado e para a capacidade das empresas locais responderem às exigências dos contratos”, explica o economista, enquanto sublinha que, actualmente, muitas PME não estão preparadas para suportar contratos de grande envergadura, especialmente no que diz respeito à disponibilidade de capital e à capacidade técnica.

Durante o debate económico desta quinta-feira na STV, o especialista destacou a importância de uma indústria financeira e de um quadro regulatório adaptado para fornecer garantias e melhorar o acesso ao financiamento. Chemane recordou, durante a sua intervenção, que a legislação deve prever uma declaração clara das demandas específicas de bens e serviços ao longo de toda a cadeia de valor dos mega‑projectos, para que o Estado e o sector privado possam identificar e priorizar investimentos estratégicos, aumentar a capacidade interna e garantir uma maior retenção de valor no país.

Para o economista Dereck Mulatinho, é necessária uma estratégia abrangente de industrialização para garantir que o investimento e o rendimento fiquem no país e não sejam simplesmente transferidos para o exterior. Para Mulatinho, um dos caminhos para alcançar este objectivo passa por aproveitar as demandas conjuntas dos diferentes projectos para tornar viáveis investimentos estratégicos no país, como, por exemplo, a fabricação de parafusos ou equipamentos básicos, cuja necessidade não se justifica num único projecto, mas passa a valer a pena quando considerada em todas as operações ao longo do tempo.

Sobre a relação entre a legislação e o sector privado, Mulatinho destaca que “o sucesso não depende apenas do Governo, mas passa pela capacidade das empresas moçambicanas de entregarem com qualidade e eficiência. Não basta ganhar contratos, é preciso demonstrar que são capazes de executá-los e, assim, ganhar credibilidade para futuras oportunidades”.

Mulatinho vai mais fundo ao afirmar que um dos grandes entraves está no sistema financeiro. “A maioria das PME não tem capacidade para suportar contratos de grande dimensão, e a banca comercial não está estruturada para financiar esse tipo de operação, dadas a legislação e as normas do regulador. Nesse sentido, uma mudança nas regras financeiras e no entendimento do risco por parte das instituições bancárias e do regulador torna‑se crucial para permitir às PME locais aproveitar as oportunidades”, conclui.

Os processos de regulamentação do conteúdo local decorrem em paralelo com a revisão da Lei do Petróleo no país.

Circular pelo troço Pambara–Save, na Estrada Nacional Número Um (EN1), na província de Inhambane, continua a ser uma autêntica provação para os automobilistas. Com um percurso de 126 quilómetros marcado por buracos e degradação avançada, esta via vital transformou-se num desafio diário, onde o desconforto e os prejuízos são quase inevitáveis.

Apesar das intervenções pontuais realizadas há mais de um ano, como o tapamento de buracos, a situação mantém-se crítica. O desgaste acelerado dos veículos, aliado ao risco constante de acidentes, tornou a travessia deste troço numa verdadeira batalha para quem depende da estrada.

Perante este cenário, o Governador da província de Inhambane reconhece a gravidade do problema e assegura que mudanças estão a caminho. Segundo o dirigente, já foi adjudicada uma empresa que deverá iniciar, em breve, os trabalhos de reabilitação do segmento mais crítico.

Enquanto isso, a população e os automobilistas mantêm a esperança de que as promessas saiam do papel e que a circulação entre Pambarra e Save volte a oferecer segurança, conforto e dignidade aos utentes desta que é uma das principais artérias rodoviárias do país.

O continente africano disse adeus ao Mundial de Clubes, com todas as equipas a falharem o acesso aos oitavos-de-final da competição da FIFA. Mamelodi Sundowns foi a última a falhar o apuramento após empate sem golos diante do Fluminense do Brasil.

Fim da linha para África no Mundial de Clubes. A última esperança de garantir a continuidade na prova caiu esta quarta-feira quando o Mamelodi Sundowns da África do Sul empatou sem golos diante do Fluminense do Brasil, em partida do grupo F.

A equipa sul-africana precisava de vencer os brasileiros para seguir em frente e, apesar das várias oportunidades criadas ao longo do jogo, mesmo contando com apoio dos adeptos nas bancadas, o nulo teimava em não se desfazer.

Cai por terra o Mamelodi Sundowns, levando consigo o sonho africano de ter uma equipa nos oitavos-de-final, depois das eliminações do Espérance de Tunis, Al Ahly do Egipto e Wydad Casablanca, equipa marroquina que ainda tem um jogo para cumprir calendário.

Quem segue para os oitavos-de-final no grupo F, para além do Fluminense, é o Borussia de Dortmund, que no seu jogo venceu o Ulsan Hyundai por uma bola sem resposta, com golo solitário apontado por Daniel Svensson, aos 36 minutos.

Pelo grupo E, o Inter de Milão terminou em primeiro lugar sem derrotas, após vencer o River Plate da Argentina por duas bolas sem resposta. Francesco Pio Esposito abriu o marcador aos 72 minutos, enquanto Alessandro Bastoni fechou as contas aos 90+3 minutos. Os argentinos ainda ficaram reduzidos a nove jogadores depois de duas expulsões.

Acompanha o Inter nos oitavos-de-final o Monterrey do México, que na derradeira jornada goleou o Urawa do Japão por claros 4-0.

Oitavos-de-final começam no sábado

Assim, depois da disputa dos jogos da fase de grupos, entra-se, a partir deste sábado, para a fase do “mata-mata”, com os oitavos-de-final em perspectiva, com dois jogos por dia.

Para o arranque da segunda fase, sábado às 18h00 há um derby brasileiro entre Palmeiras e Botafogo, duas equipas que se conhecem perfeitamente, porquanto disputam o Brasileirão.

Palmeiras e Botafogo já se defrontaram por 81 ocasiões na história, com a balança a pesar para o lado do Flamengo, que venceu mais do dobro das vitórias do adversário, ou seja, 36 vitórias contra 15 do Botafogo. Há ainda registo de 30 empates entre ambos.

Nesse confronto directo, Flamengo balançou as redes do Botafogo por 110 vezes, contra 80 do seu adversário. Será, do resto, um jogo com lotação garantida dos brasileiros e não só, e cujo resultado final permanecerá incógnita até ao apito final.

No mesmo dia, mas às 21h00, entram em cena duas equipas europeias. Benfica e Chelsea medem forças naquele que será o adeus de uma das duas equipas surpreendentes da fase de grupos.

Os encarnados nunca antes venceram os Blues e querem voltar a fazer história, tal como fizeram no último jogo do Mundial de Clubes, quando venceram pela primeira vez na história ao Bayern de Munique. Em quatro jogos, Chelsea venceu todos os jogos diante do Benfica.

Desta vez, permanecerá a tradição ou haverá quebra do gelo?

Reencontro entre Messi e PSG no domingo

No domingo haverá reencontro entre o maior vencedor de bolas de ouro, Lionel Messi, com a sua ex-equipa, o PSG. O campeão europeu defronta o Inter Miami naquele que é o teste de fogo para os dois clubes, atendendo e considerando as ambições de ambos.

Este é o primeiro encontro de sempre entre as duas equipas, com o PSG a ser claramente favorito a vencer. Surpresa neste jogo seria o Inter Miami eliminar o vencedor da liga milionária europeia com todo seu poderio, mas apenas o final dos 90 minutos ditará o vencedor, se a experiência de Messi, Suaréz e companhia, ou a força e união de Mendes, Dembele e companhia.

A fechar o dia de domingo será Flamengo a medir forças com o Bayern de Munique. Mais um jogo entre equipas de continentes diferentes e sem muito histórico de confrontos, prevalecendo o que ditará o final dos 90 minutos, já que as duas equipas são claras favoritas a vencerem o jogo a, inclusive, a conquistar a prova.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria