O académico e sociólogo Elísio Macamo defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de Moçambique construir um “Estado que aprende”, capaz de retirar lições da implementação das políticas públicas e adaptar as suas decisões aos desafios que surgem ao longo do tempo, em vez de se limitar a produzir novos planos de desenvolvimento.
Intervindo no painel “Prospectiva e Posicionamento Estratégico: 2026–2050”, integrado na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Macamo afirmou que o país não enfrenta um problema de falta de estratégias, mas sim de incapacidade institucional para aprender com a experiência.
“Eu acho que nós temos tido bons planos desde que este país foi fundado. Então, o problema não está na qualidade dos planos”, afirmou.
Para o sociólogo, um plano representa apenas uma proposta de acção e, por isso, pode falhar. O verdadeiro desafio, explicou, consiste em avaliar continuamente os resultados obtidos e incorporar as lições aprendidas na definição das políticas públicas.
“O grande problema que nós temos é o de nós não aprendermos institucionalmente. Não aprendermos daquilo que nós fizemos”, sustentou.
Segundo Macamo, Moçambique já possui uma agenda nacional suficientemente clara, consagrada na Constituição da República, documento que, na sua opinião, define os valores, os direitos dos cidadãos e as regras que devem orientar a governação.
“Nós já temos uma agenda. E, por acaso, até a melhor agenda que um país pode ter. Qual é essa agenda? É a Constituição da República”, afirmou, defendendo que qualquer plano de desenvolvimento deve respeitar os princípios nela estabelecidos.
O académico propôs que as instituições públicas passem a adoptar uma cultura permanente de avaliação das políticas, baseada em três perguntas fundamentais: que problema se pretendia resolver, o que foi aprendido durante a implementação e de que forma essa aprendizagem alterou a compreensão inicial desse problema.
“Não é ciência astronómica. É apenas uma questão de ser pragmático na abordagem das coisas da vida”, afirmou.
Durante a intervenção, Macamo manifestou ainda algumas reservas em relação à ideia, defendida por outros participantes, de que os planos nacionais devem manter-se inalterados ao longo de sucessivos ciclos de governação.
Na sua perspectiva, os governos democraticamente eleitos devem preservar liberdade para redefinir prioridades, desde que essa mudança resulte da aprendizagem acumulada e não de decisões arbitrárias.
“Um plano nunca pode limitar a liberdade democrática de um governo de tomar as suas decisões, porque um plano reflecte o conhecimento que nós temos agora e as prioridades que nós temos agora. Essas prioridades podem mudar daqui a três, cinco ou dez anos”, argumentou.
Por isso, acrescentou, “eu não coloco a mesma ênfase na necessidade de continuidade, se essa continuidade se referir ao plano. A continuidade tem que ser ao nível da aprendizagem institucional.”
Num dos momentos mais descontraídos da sua intervenção, o sociólogo comentou a metáfora dos animais utilizada na Agenda 2025 para ilustrar diferentes trajectórias de desenvolvimento, mostrando-se crítico da imagem da abelha como modelo a seguir.
“Aquela imagem da abelha é bonita por causa do mel que é doce, mas é um horror para mim. A abelha faz a mesma coisa a toda a hora”, afirmou, defendendo que Moçambique deve inspirar-se em diferentes características representadas por outros animais.
Na sua visão, o país deve aprender com “a prudência do cágado, a curiosidade do caranguejo e a auto-suficiência do cabrito”, em vez de procurar um único modelo de comportamento.
“Ao invés de nós nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições é que nós podemos criar para tirar proveito dessas qualidades”, explicou.
A concluir, Elísio Macamo reiterou que o maior desafio do país passa pela criação de instituições capazes de aprender continuamente com a experiência e de ajustar as políticas públicas à evolução da realidade nacional.
Por: Albino Macuácua
Todos os textos lato sensu dialogam uns com os outros ou, como afirmam as autoras Graça Paulino, Ivete Walty e Maria Zilda Cury, “[…] cada produção humana dialoga necessariamente com as outras” (PAULINO; WALTY & CURY, 1995, p. 13), o que não é diferente da literatura. Esta asserção é, no fundo, a extensão ou paráfrase do clássico conceito de intertextualidade pelo qual Julia Kristeva é bastante conhecida que diz que “todo o texto se constrói como um mosaico de citações, todo o texto é absorção e transformação de um outro texto” (KRISTEVA, 1974, p.64).
Esta breve introdução justifica o título que atribuí a esta também breve apresentação com a qual gostaria, sobretudo, de partilhar a minha experiência ao ler Canção de Setembro para Zamuzaria Maria, de Rafael da Câmara, e os diálogos para os quais me apelavam os vários poemas deste livro. O pressuposto fundamental que orientou a minha leitura é o de que os vários diálogos que esta Canção de Setembro… estabelece com os autores e as obras que vou apresentar concorrem para a construção das diferentes temáticas cultivadas nesta obra.
O primeiro autor – não pela ordem de aparição, mas pela reconhecida grandeza – que entremeia os poemas desta Canção de Setembro… é José Craveirinha, poeta em grande medida transversal à inteireza da obra –, por um lado pelas características temáticas absorvidas e, por outro lado, pela invocação de outras figuras e autores que Da Câmara faz, mas “retirados” de certa poesia do nosso poeta maior. Craveirinha surge aqui como que a sustentar ou reforçar o retrato da condição humana que, segundo a filósofa alemã, Hannah Arendt, é diferente da natureza humana. A natureza humana corresponderia ao conjunto de elementos sem os quais a existência do homem deixaria de ser humana, e a condição humana é explicada pela autora ao afirmar que “[o]s homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contacto torna-se imediatamente uma condição de sua existência” (ARENDT, 2007, p. 17), o que significa que a condição humana é resultado das circunstâncias em que o homem vive e, por essa razão, é influenciada pelas coordenadas tempo e espaço (o cronótopo). O retrato da condição humana em Craveirinha recai, com a devida empatia e até identidade, quase sempre sobre figuras/personagens que povoam os seus poemas como, por exemplo, a prostituta e a criança, ambas igualmente presentes nesta Canção de Setembro…, o carregador, a dançarina do cabaré, o magaíza, etc. Em Da Câmara, não só recai sobre diferentes figuras/personagens, marcadas por diversos circunstancialismos, como também sobre os sujeitos poéticos da obra, imersos nos diferentes dramas que matizam o “nosso” tecido social que, não obstante, e nisso Craveirinha e Da Câmara são parecidos, levam os referidos sujeitos poéticos a questionar a prevalência, por exemplo, das desigualdades sociais, da indigência, do sofrimento, da guerra, da governação, da violação dos direitos humanos, da corrupção, etc. Para exemplificar, podemos citar poemas como “Moscas gémeas de Bié” (p.13): “Certa vez/Na boca da noite/Sob as asas negras/Vi pela janela duas moscas gémeas/Lambendo merdas bem perto da casas ao lado/Duas moscas gémeas tímidas e parecidas/Riam-se das vozes que vinham do outro lado”; “Aqui ninguém morreu” (p. 43): “[…]//Nossa cidade pintada a cores/Negro e branco e amarelo/O projéctil aceso e lustro/Vem rente a cabeça dos meninos de Bié/E zás!…//Recolheram a arma do crime?/Os bandidos foram caçados e calcinados?/Os marginais foram julgados e presos? […]”; “Partido Político da Oposição” (p. 58): “Baixa esse machado de guerra traidor/Filho da puta!/Senta-te à mesa/Junta-te aos bons/Mesmo o Judas Iscariotes sentou-se à mesa na última ceia/Apesar da traição com trinta dinheiros/Vem…/Puxa a cadeira e senta/Os nossos parceiros já assinaram o cheque/Revemos a Constituição?/Revogamos o mandato (sic) de captura? Fomos todos amnistiados?”; e ainda o poema “Um 25 de Junho estilo a besta que pariu” (p. 70): “E a tocha vem aí/[…] Tende infinita piedade senhor: porque deles só esperamos vozes desquitadas/Vomitando cólera e parindo desilusão!//E a tocha vem aí/Faça frio faça sol/A mágica magia da chama vermelha/Vem aí…/Vem aí…/Vem aí…”
Alguns poemas desta Canção de Setembro… – como sejam “Cantiga para o meu país” (p.17), “Carcaça de tractor numa concha de caracol” (p. 18) –, remetem também para Craveirinha, quando Da Câmara invoca artistas (músicos, em particular) como, por exemplo, Daíco e Fany Mpfumo.
Um outro autor é Luís Bernardo Honwana, com o texto “Papá, cobra e eu”, título parecido com o título do primeiro poema do livro de Da Câmara, “A papaia, o menino e o cão”(p. 11). E por que me lembrei do conto de Luís Bernardo Honwana? Justamente por causa da personagem infantil, cuja construção, neste conto, é revestida de grande complexidade, distante da ingenuidade que se esperaria de uma criança, muitas vezes tomada como simples. Ginho, protagonista da história (que também é narrador), só a título exemplificativo, faz perguntas e afirmações ao pai que tacitamente questionam a não acção de Deus quando o seu pai, o Sr. Tchembene, faz a sua oração, após o episódio em que é enxovalhado pelo Sr. Castro que exige dele uma indeminização pelo cão morto, após ter sido picado por uma cobra que andava na capoeira da casa do Ginho. O pai do Ginho procura, em conversa com o filho, passar a ideia de que tal acontecimento só houve porque Deus assim o quis, mas Ginho desresponsabiliza Deus, dizendo que ele podia ter evitado que o cão do Sr. Castro fosse mordido. Podemos afirmar que Da Câmara revisita, através do poema “A papaia, o menino e o cão”, a complexidade a que me refiro no retrato e construção da personagem infantil, ao colocar a criança como força centrípeta (que atrai para si) e força centrífuga (que tira para fora de si) reflexões inimagináveis, aparentemente banais, mas que, no caso concreto, se relacionam com o conhecimento sobre a essência das coisas e dos seres/entes e sobre a Natureza enquanto entidade suprema:
[…]
De repente, não sei porquê, lembrei-me
Da história da papaia
Do menino e do cão
Estavam juntos sentados à mesma mesa
Estavam divertidíssimos
Conversavam de coisas banais
Diziam, por exemplo
Que todas as papaias maduras são amarelas
Que o cão quando é cachorro
É amigo dos meninos
Os meninos adoram cachorros e papaias.
Certa vez!
Aprendi que quando os meninos
Estão sentados à mesma mesa
Devem saber cantar e
Contar histórias
Do nascer e do pôr-do-sol
Que se um menino achar um búzio na praia
Deve dizer que é casa de um bichinho entre os milhões que vivem no mar
Equinodermes, Plâncton, Sirénios, Crustáceos, Celenterados
[…] (p. 11)
Eugénio de Andrade, poeta português, também parece presente nesta Canção de Setembro para Zamuzaria Maria. O poema de Da Câmara, dedicado a Sebastião Alba, que me lembrou o poeta português tem como título “Carcaça de tractor numa concha de caracol” (p.18):
Sabe: gosto dos meus amigos
Modelam a vida sem interferir
Gosto deles quando cantam e encantam
Inventam canções de embalar a alma
E sabem que também é branca a luza da madrugada
[…]
Sabe: gosto dos meus amigos
Aqueles que pintam interiores e modelam a ferrugem
Almas insípidas no exílio à luz da cidade nocturna
Onde marulham outras águas
Outras caças no sorriso irónico (p. 18)
Este retrato eufórico (e carregado de lirismo) da amizade que até, num outro viés, lembraria o “Poemazinho eterno” de Craveirinha, lembra o poema “Os amigos”, de Eugénio de Andrade, sobretudo no que à partilha de amor e alegrias diz respeito: Os amigos amei/despido de ternura/fatigada/ uns iam, outros vinham,/a nenhum perguntava/porque partia,/porque ficava;/era pouco o que tinha,/pouco o que dava,/mas também só queria/partilhar/a sede de alegria —/por mais amarga.
Como já dissemos, a construção de considerável parte das temáticas da obra de Da Câmara está ligada às intersecções que ela estabelece com vários outros textos, conscientemente ou não, e, neste domínio, podemos alagar tais intersecções referindo-nos, por exemplo, ao livro de poemas de Filimone Meigos, Globatinol – Antídoto – Ou o Garimpeiro do Tempo, presente no poema “Chamadas telefónicas (ii)”, (p. 23) que funciona, como o próprio poeta afirma, como um oráculo de Muxúngue, remetendo, por conseguinte, para os ataques armados nesta região do país, iniciados em 2013, e autorizados, teórica e paradoxalmente, por um “garimpeiro do tempo” ou, se quisermos, um dos garimpeiros da nossa história.
Com De Medo Morreu o Susto, de Aurélio Furdela, em particular com o conto “A minha morte”, o diálogo é estabelecido através do poema “Epitáfio” (p. 26), em que a morte é descrita sobretudo como um estado de sensações: “Só sei que já parti/E que vou chegando devagar/Singrando na fuligem melancólica/Sobre a planície verde com espigas de bronze/A densa madrugada tamborilando as sete balas vazias”. Além disso, o poema “Fim de citação” (p. 28) revela, por um lado, um diálogo com Chitlango, Filho do Chefe, de Chitlango Khambane e André-Daniel Clerc, precisamente com o capítulo primeiro deste livro, denominado “O escorpião dentro do pilão” e tal se pode ver pela epígrafe “Um escorpião dentro do pilão”. Por outro lado, e isto mostra a preocupação do poeta com temáticas mais universais, há um subtil diálogo com o filósofo austro-britânico, Karl Popper, a quem o poema é dedicado, cuja reflexão sobre a tolerância – conhecida como o paradoxo da tolerância – na sua obra A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos, já foi usadas para analisar a guerra entre Israel e Palestina que, no poema em causa, se resumiria na questão “A guerra próxima: o próximo judeu?”, em que, tal como o protagonista de Chitlango, Filho do Chefe esmaga um escorpião no pilão, esta seria provavelmente uma analogia do que a história nos legou até agora sobre esta guerra.
Temos ainda, neste livro, o “Let my people go” que nos lembra Noémia de Sousa (e também o Livro de Êxodo, da Bíblia Sagrada e até a canção de Louis Armstrong), “inserido” num poema intitulado “Maçanica para uma mulher de Misrata” (p. 38) que fala sobre a cidade líbia, Misrata. No poema é criticada a acção do Ocidente que muito bem se revela numa metáfora que gera uma ironia que atinge o sarcasmo nos versos seguintes: “O tanque subtil do diabo-mor ocidental/Toca piano no centro da cidade de Misrata”.
Os diálogos são vastos. Há outros com escritores e músicos que não podem ser desenvolvidos nem explicada a sua natureza e papel nesta Canção de Setembro… (como, por exemplo, diálogos com escritores como Rui Knopfli, Eduardo White, João Paulo Borges Coelho, com o músico Alexandre Langa, etc.). O importante talvez seja compreender a poesia de Da Câmara como que revestida de subtilezas diversas e de uma certa dose de lirismo, mas também de uma contundência (esta que se vê em Craveirinha), ao, por exemplo, abordar questões sociais actuais, desde problemas da maioria anónima do nosso país às atitudes e posturas reprováveis dos nossos governantes que mantêm este estado de coisas, e é provavelmente por estas e outras razões que o poeta afirma num poema com cujo título termino esta apresentação: “Sinto que este momento presente me assassina” (p. 67-68). No fundo, os momentos presentes que vivemos assassinam-nos a todos, todos os dias.
Muito obrigado pela atenção!
Fundação Fernando Leite Couto, aos 3 de Julho de 2025
Referências bibliográficas
ANDRADE, Eugénio. (1956). Até amanhã. Lisboa: Guimarães Editores.
ARENDT, Hannah. (2007). A Condição Humana. 10.ª ed. Trad. Roberto Raposo. Rio do Janeiro: Forense Universitária.
CÂMARA, Rafael da. (2023). Canção de Setembro para Zamuzaria Maria. Maputo: Gala-gala edições.
KRISTEVA, Julia. (1974). Introdução à Semanálise. Trad. Lúcia Helena França Ferraz. São Paulo: Perspectiva.
PAULINO, Graça; WALTY, Ivete & CURY, Maria Zilda. (1995). Intertextualidades: teoria e prática. Belo Horizonte: Editora Lê.
O Director adjunto do Gabinete Central de Combate a Corrupção defende que o fim da corrupção no país depende da mudança de mentalidade e envolvimento de todos, e não na aprovação de leis que, apesar de necessárias, são insuficientes para resolver o problema. Nazimo Mussá fez o apelo à mudança durante a sua visita a Cabo Delgado.
Para o Director adjunto do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), as leis aprovadas pelo Estado são necessárias para controlar a corrupção no país, mas a solução do problema está na própria sociedade. Nazimo Mussá diz que é preciso resgatar a ética.
O diretor adjunto do Gabinete Central de Combate a Corrupção defende ainda mudanças na administração da justiça.
Nazimo Mussá está de visita a Cabo Delgado, uma província que se prepara para acolher as cerimónias centrais do dia africano de combate à corrupção que se assinala no próximo dia 11 de Julho.
O Internacional moçambicano, Reinildo Mandava, diz que é o realizar de um sonho jogar na liga inglesa, e promete dar 120% de si para ajudar o Sunderland a alcançar os seus objectivos. Mandava foi apresentado esta terça-feira no clube inglês.
Dúvidas dissipadas. O adeus à Espanha e a chegada a Inglaterra foi confirmada com a apresentação de Reinildo Mandava no recém-promovido Sunderland. Para Reinildo Mandava é a realização de um sonho disputar a Premier League.
“Para mim, é um sonho. É um sonho realizado porque é meu sonho jogar na Premier League. É um sonho jogar no maior clube da Inglaterra. Então, é um prazer para mim estar aqui hoje. Estou muito feliz”, começou por dizer Reinildo na primeira entrevista com a camisola do clube inglês.
O internacional moçambicano contou ainda que já falava de jogar na Inglaterra desde criança e que chegado a Europa, não escondeu esse sonho. “É um sonho realizado porque quando eu era criança, sempre vivemos o futebol no meu país. Então, quando cheguei à Europa, eu disse: meu sonho é jogar na Premier League”, realçando que “o Sunderland me deu essa oportunidade”.
Disse estar “muito animado” e que não pode esperar para estar com o resto do plantel, “lutar, dar tudo de mim pelo clube”.
O lateral esquerdo torna-se, assim, no primeiro moçambicano a jogar na Premier League e quer aproveitar a oportunidade para mostrar suas valências no maior campeonato europeu.
“Para mim, é uma oportunidade, é mais uma oportunidade de mostrar às pessoas como fazer história. É outro campeonato, é outra maneira de jogar. Tive uma óptima oportunidade de representar um grande clube como o Sunderland, então estou feliz, vou agarrá-la como uma oportunidade”, frisou.
Mandava diz mesmo que ama a Premier League, embora nunca antes tenha jogado num clube inglês.
Com o Sunderland, Reinildo Mandava assinou um contrato válido por duas épocas e aos adeptos garante que chegou para mandar, até porque “eu sou a pessoa que trabalha 120% todos os dias, dou tudo em campo pelo meu clube, pelos meus colegas”.
Para já, o Rei que chegou para mandar no Sunderland espera que os adeptos apoiem a equipa até ao fim, porque “lutaremos até ao fim pelo clube e pelos adeptos, por todos”.
O lateral esquerdo, que vezes sem conta tem sido utilizado como central na selecção nacional, falou das suas ambições na sua nova aventura, pela Inglaterra. “Em primeiro lugar, é ajudar a equipa, o clube, a atingir seu objectivo, jogar mais, aproveitar a Premier League, aproveitar com meus colegas, trabalhar duro todos os dias e vencer os jogos”.
Este é o sétimo clube de Reinildo Mandava na Europa, depois das passagens pelo Benfica B, Fafe, Sporting Covilhã, B SAD, Lille e Atlético Madrid, onde disputou 257 jogos, apontou nove golos e fez três assistências.
O Presidente da República manifestou hoje o seu comprometimento com o Diálogo Público-Privado, com vista a acelerar as reformas e melhoria do ambiente de negócios no país.
O Chefe do Estado falava durante uma audiência concedida à Confederação das Associações Económicas (CTA), com o objectivo a apresentação do novo corpo directivo da agremiação, bem como dos pelouros que constituem os grupos
de Trabalho Sectoriais já em pleno funcionamento.
Na ocasião, Daniel Chapo expressou a abertura do Governo em colaborar com o sector privado na agenda de reformas para atrair investimentos, aumentar a produção nacional e impulsionar as exportações.
Chapo exortou a CTA a apresentar propostas de reformas concretas, de acordo com as dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia.
Durante a apresentação do novo corpo directivo do agremiação, o Presidente do CTA, Álvaro Massinga, fez saber que a agenda de trabalho da equipa recentemente formada está ancorada num Manifesto estruturado em cinco áreas estratégicas, nomeadamente, a Promoção de Reformas Económicas Estruturantes; Promoção do Desenvolvimento Associativo e Institucional, Participação Activa do Sector Privado nas Infra estruturas e Serviços Públicos; Participação Activa do Sector Privado nas Infra-estruturas e Serviços Públicos e; Desenvolvimento do Capital Humano e Promoção do Conteúdo Local. Álvaro Massinga fez saber, igualmente, a realização ainda este mês do Conselho de Monitoria do Ambiente de Negócios (CEMAN), a ser liderado pela Primeira-Ministra e da Conferência do Sector Privado (CASP), entre os meses de Outubro e Novembro, evento tradicionalmente presidido pelo Chefe do Estado.
O Governo do Distrito de Quissanga desmente a informação que dá conta da obrigação da presença de professores nas zonas consideradas inseguras, devido aos ataques terroristas.
O administrador de Quissanga, Sidónio José, convocou uma conferência de imprensa para desmentir o suposto regresso de professores às zonas consideradas de alto risco de ataques terroristas.
Além de desmentir o suposto regresso forçado dos professores às zonas consideradas inseguras, o Governo do Distrito de Quissanga acusa a classe de propagar ondas de desinformação.
Para demonstrar a normalização da segurança e incentivar o regresso voluntário dos professores às zonas de origem, o Governo de Quissanga vai, brevemente, deixar a cidade de Pemba, onde esteve a funcionar desde o último ataque terrorista registado em Março de 2024.
Quissanga fica a cerca de 100 quilómetros da Cidade de Pemba e, actualmente, está na lista dos distritos vulneráveis aos ataques terroristas em Cabo Delgado.
O filme “O Ancoradouro do Tempo”, realizado por Sol de Carvalho, estreou no dia 26 de Junho, em salas de cinema de várias cidades portuguesas. A longa-metragem é uma adaptação do romance “A Varanda do Frangipani”, da autoria de Mia Couto, e integra as comemorações dos 50 anos da independência de Moçambique.
Segundo um comunicado de imprensa, as sessões de exibição decorreram em sete cidades, com destaque para os debates promovidos com o realizador e convidados. Segundo Sol de Carvalho, “os debates foram riquíssimos, mas constatei uma grande falta de informação sobre a realidade moçambicana e o dia a dia das pessoas”.
A mesma nota adianta que o cineasta sublinhou a importância de promover mais conhecimento e representação da actualidade moçambicana: “É preciso pensar em formas de promover informação real sobre o país”, Sol de Carvalho.
A digressão pelas cidades portuguesas terminou em Tomar, num encontro marcado pela forte participação do público e pelo interesse demonstrado nas questões sociais, culturais e políticas de Moçambique.
A estreia oficial de “O Ancoradouro do Tempo” em Moçambique está prevista para muito em breve, com planos para levar o filme a diferentes regiões do país.
O realizador explicou os motivos que levaram à estreia em Portugal: “No contexto das comemorações dos 50 anos da independência e por obrigações contratuais, o filme foi lançado primeiro em Portugal, mas a estreia no país está para muito breve”, reiterou.
Rodado na histórica Fortaleza de São Sebastião, na Ilha de Moçambique, o filme acompanha Izidine (interpretado por Tomás Bié), um jovem inspector da polícia encarregado de investigar o assassinato de Vasto Excelêncio, director de um asilo situado numa antiga fortaleza colonial. Combinando realismo mágico, crítica social e introspecção histórica, a obra propõe uma leitura profunda da memória colectiva e da identidade moçambicana.
A direcção do filme é de Sol de Carvalho e o roteiro de Mia Couto e Sol de Carvalho.
Quanto ao elenco, o filme conta com Maria Adamugy, Tomas Bie, Horácio Guiamba, Mário Mabjaia, Josefina Massango.
A produção é da Real Ficção, co-produção é da Promarte (Moçambique), Autentika Films (Alemanha), Gamboa & Gamboa (Angola) e Caméléon Production (Maurícias).
“Sussurros do tempo – lendas e mitos” é a exposição que se segue na Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, Cidade de Maputo.
A inauguração está marcada para esta quarta-feira, às 18 horas. A mostra reúne obras de pintura e desenho de autoria de Bruno Chichava e tem a curadoria de Yolanda Couto.
Trata-se da terceira exposição individual de Bruno Chichava, um artista multifacetado, actuando nas áreas de pintura, desenho, ilustração, design gráfico e grafíti (arte urbana).
De acordo com a nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, em “Sussurros do tempo – lendas e mitos” há uma atmosfera que conduz a um universo amplo da visão do artista, entre obras monocromáticas de desenho ou a pinturas que oscilam entre o suave e o grotesco.
Nos desenhos, adianta a Fundação Fernando Leite Couto, Bruno Chichava prefere a linguagem dos corpos, o traço, a silhueta, a nuance, ao tijolo ou ao betão armado a edificar palavras com o peso que elas transportam.
Bruno Chichava, moçambicano, nascido em Maputo no Bairro da Mafalala, Cidade de Maputo, é formado em Artes Gráficas pela Escola Nacional de Artes Visuais. Tem obras com coleccionadores de arte de Moçambique, Senegal, África do Sul, Suécia, Estónia, Inglaterra e Portugal. Participou em diferentes exposições, festivais e oficinas de arte.
A União Europeia (UE) aprovou, hoje, uma medida de assistência às Forças Armadas de Cabo Verde com um valor de 12 milhões de euros para um período de dois anos, para reforço da capacidade militar do país.
Segundo um comunicado do Conselho da UE, citado pela RTP, a primeira medida de assistência ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz para Cabo Verde tem ainda como meta a proteção da soberania do arquipélago no mar e melhorar a segurança marítima regional.
A medida de assistência reforçará igualmente a cooperação de Cabo Verde com as marinhas dos Estados-Membros da UE, nomeadamente no âmbito da iniciativa Presença Marítima Coordenada.
A decisão de hoje insere-se no quadro da Parceria Especial UE – Cabo Verde e no apoio ao seu pilar de estabilidade e segurança.
O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz fornecerá às Forças Armadas de Cabo Verde equipamento e serviços relacionados com o patrulhamento e a vigilância, incluindo a entrega de um navio de patrulha oceânica e atividades de formação.
O Município de Maputo dá um ultimato de sete dias para que os vendedores informais abandonem os passeios na Praça dos Combatentes. Se não o fizerem de forma voluntária, a edilidade diz que vai procurar formas de proibir a venda. Os comerciantes pedem que lhes seja indicado um espaço para exercerem a sua actividade.
Da Praça dos Combatentes à praça dos que estão no combate diário para ganhar dinheiro e sobreviver a todo o custo, onde quer que seja. E no meio disto, a postura municipal da Cidade de Maputo não é respeitada.
O comércio informal voltou aos passeios da Praça dos Combatentes, depois de terem sido quase desactivado entre 2020 e 2021. E o número de comerciantes que cá está cresce à velocidade da luz…tudo está abarrotado.
E as razões que os levam a vender nos passeios são as de costume. “Não tenho condições para continuar os meus estudos. Não tenho casa própria. Minha mãe criou-me com base nesse negócio. Cresci nisto. Gostaríamos de sair para o mercado, mas não existe outro mercado. Por isso, estamos nos passeios”, refere Maida António, comerciante nos passeios da Praça dos Combatentes, secundada por Emília, que afirma que: “se nós estamos aqui (nos passeios), não é por falta de algo a fazer lá em casa, mas é porque precisamos de dinheiro para sustentar os nossos filhos”.
Muitas vezes é na companhia de filhos menores que homens e mulheres buscam sustento nos passeios da Cidade de Maputo. “Estou aqui na Praça desde 2021 a vender porque não trabalho, não tenho marido. Vivo com base no comércio. Tenho dois filhos. O mais novo tem dois anos e o pai faleceu enquanto ele tinha quatro meses na gravidez. De lá a esta parte, estou aqui na Praça”, contou Lurdes Bié, comerciante nos passeios de Xiquelene, Praça dos Combatentes.
Aqui na Praça há, também, comerciantes que se formaram em algumas áreas, mas, por falta de oportunidades de emprego, argumentam eles, se refugiaram no comércio. “Sou formada em electricidade e gestão de recursos humanos, mas estou em casa sentada. No ano passado, eu tentei submeter documentos na contratação de agentes sazonais, mas disseram que este ano não vão contratar ninguém. Estou aqui (nos passeios) a vender para poder dar de comer ao meu filho e pai”, justificou Sónia Pedro, comerciante.
Mas isto, entende o Município de Maputo, não deve colocar em causa a postura municipal. É, por isso, que nesta segunda-feira entrou para a última fase de sensibilização para a retirada dos vendedores que estão nos passeios.
“A Praça dos Combatentes, vulgo Xiquelene, está ocupada até aos passeios e uma parte da faixa de rodagem e na prossecução do objectivo de devolver a Praça dos Combatentes em condição de circulação livre de pessoas e, por isso, estamos a fazer a última fase de sensibilização”, revelou Naftal Lay, porta-voz da Polícia Municipal da Cidade de Maputo.
E esta última fase de sensibilização terá a duração de sete dias. Depois disso, revela o porta-voz da Polícia Municipal na Cidade de Maputo, serão tomadas outras medidas.
“Haverá uma segunda fase e, nela, a Polícia vai proibir a venda neste local. A sensibilização nunca vai faltar e a atribuição de espaços nos mercados, também não vai faltar, mas a Polícia não vai permitir que as condições de venda sejam as que se vivem neste momento”, sentenciou Naftal Lay.
Para que os comerciantes abandonem os passeios, Natfal Lay garante que o Município de Maputo já identificou alguns mercados para albergar os vendedores. “O mercado Mo Coreano não é o único. Mesmo a 100 metros da Praça dos Combatentes, temos o mercado 01 de Junho que, também tem lá condições para os vendedores exercerem a sua actividade. Temos o mercado compone e outros que dispõem de espaços”, garantiu o Polícia Municipal da Cidade de Maputo.
Entretanto, os comerciantes não têm o mesmo entendimento. Dizem que os referidos mercados não estão em condições. “Não é só dizerem saiam e contactem o mercado mais próximo. Os mercados estão cheios. Se é para nós sairmos dos passeios, que nos levem onde há condições e que permita que nós trabalhemos”, rebateu Emília, com um argumento reforçado por Sónia Pedro: “Vai ser difícil para a gente sair dos passeios. No mercado mocoreano não vamos caber todos. Esse mercado é longe da paragem. Os nossos clientes são passageiros. Não há clientes que irão até lá”.
“O País” esteve nos dois mercados mais próximos da Praça dos Combatentes. O primeiro, mais conhecido por senta-baixo, já não tem espaço para acolher comerciantes.
“O mercado está cheio, mas também passamos mal quando chove. Os que vivem nos arredores, abrem a água das suas casas de banho”, confirma Glória Castigo, comerciante que está no mercado senta-baixo.
O outro mercado, o Coreano, está sem comerciantes….Tudo porque dizem que preferem correr riscos na estrada, que é onde conseguem vender.
Lembre-se, a edilidade de Maputo tinha dito que não ia retirar os informais das ruas, enquanto as condições não estivessem criadas para o efeito.

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