O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a trabalhar com o Ministério das Finanças para regularizar dívidas aos professores e mobilizar recursos para a impressão e distribuição do livro escolar para o ano lectivo de 2027.
Segundo uma actualização divulgada esta segunda-feira, está em curso a validação de dívidas relacionadas com horas extraordinárias, segunda turma, salários, progressões e actos administrativos.
O MEC informa ainda que o pagamento das horas extraordinárias referentes a 2023 está a ser feito de forma faseada, mediante disponibilidade financeira, enquanto prossegue a validação das dívidas relativas ao período de 2024 a 2026.
Os dois ministérios comprometeram-se a manter encontros mensais para acompanhar e avaliar o andamento do processo.
A falta de clareza nos termos do contrato entre o Estado e a Operadora de Estradas do Zambeze, concessionária da Estrada Nacional Número Sete (EN7), é apontada como um dos factores que contribuíram para a degradação da via, apesar da cobrança de portagens aos utentes.
A informação foi avançada esta quarta-feira pela Secretária de Estado na Província de Tete, Cristina Mafumo, durante uma visita às obras de reabilitação da EN7. A dirigente respondia às questões dos jornalistas sobre as razões que levaram à degradação da estrada, mesmo estando sob gestão de uma concessionária e sujeita à cobrança de portagens.
Cristina Mafumo não especificou os aspectos do contrato que careciam de clareza, mas explicou que o Governo e a empresa concessionária foram obrigados a rever o acordo e a introduzir ajustamentos, com o objectivo de evitar a repetição de situações semelhantes.
As obras de reabilitação da EN7 registam actualmente 20 por cento de execução e representam um investimento estimado em 100 milhões de dólares, abrangendo duas fases de intervenção.
Para além da EN7, a Secretária de Estado anunciou que outras estradas não classificadas na província de Tete deverão beneficiar de intervenções no âmbito da iniciativa “Mais Estradas”.
Segundo a dirigente, as intervenções têm como objectivo melhorar as condições de circulação e contribuir para a maior durabilidade das infra-estruturas rodoviárias na província.
A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) lançou, no Campus da Lhanguene, na Cidade de Maputo, o projecto EcoArte Jovem, uma iniciativa que pretende recorrer à arte e à cultura para sensibilizar a sociedade, particularmente os jovens, sobre a necessidade de reduzir o desperdício de electricidade e promover o uso eficiente da energia.
Promovido em parceria com a Electricidade de Moçambique (EDM), o projecto procura, igualmente, estimular a criatividade e a competitividade artística dos jovens, através das categorias de teatro, poesia e música.
Durante a cerimónia de lançamento, o presidente da ACUP, Ézar Nharreluga, destacou a importância da parceria com a EDM, considerando que a iniciativa permitiu aproximar os sectores da electricidade e da cultura e criar novas oportunidades para a expressão e criatividade juvenil.
“Quando damos espaço à criatividade de um jovem, não estamos apenas a formar um artista, estamos a formar alguém capaz de imaginar um futuro diferente”, afirmou Ézar Nharreluga.
Por seu turno, a representante da EDM apelou aos jovens participantes para assumirem o papel de embaixadores da eficiência energética nas suas comunidades, contribuindo para a sensibilização da sociedade sobre a importância de uma utilização mais consciente da electricidade.
Os participantes consideram a iniciativa uma experiência enriquecedora, destacando os conhecimentos adquiridos sobre eficiência energética e os impactos negativos da vandalização e do roubo de energia eléctrica.
Jéssica Vidal, participante na categoria de poesia, destacou as actividades de formação realizadas no âmbito do projecto, particularmente as aulas específicas para cada categoria artística.
“Como escolhi a poesia, aprendemos a explorar a nossa veia artística para transmitir mensagens, usando a linguagem corporal, pois o corpo também expressa”, explicou.
O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, felicitou a ACUP pela iniciativa e recordou o projecto anterior, denominado Histórias por Contar, que culminou com o lançamento de um livro com textos produzidos por estudantes participantes.
Ferrão manifestou a expectativa de que o EcoArte Jovem resulte igualmente num produto concreto e apelou à continuidade da ligação dos jovens à universidade.
A iniciativa entra agora numa nova fase, com a realização do Festival EcoArte Jovem, sob o lema “Arte e cultura com energia”.
O projecto pretende consolidar a arte e a cultura como instrumentos de sensibilização dos jovens e das comunidades para uma utilização mais consciente e eficiente da energia eléctrica.
Persiste a venda informal em avenidas consideradas protocolares na Cidade de Maputo. Entretanto, alguns pontos antes dominados pelo comércio informal estão a ser policiados para evitar que os “informais” voltem a ocupar.
A Avenida 24 de Julho, no entroncamento com a Guerra Popular, cidade de Maputo, anda diferente, principalmente nas primeiras horas. Quem por lá passa com certa regularidade percebe uma significativa diferença, com os passeios livres para circulação de pedestres.
“Hoje está muito limpo, está tudo bonito. Gostaria que ficassem assim e que as autoridades continuassem a trabalhar”, expressou Osvalda Luisa.
Normalmente, a avenida é tomada por vendedores informais que transformam os passeios em montras para expor e comercializar vários produtos.
“De manhã, nas primeiras horas, a via fica limpa, sem alvoroço. À tarde, a partir das 17h, 18h, começamos a disputar o passeio e a estrada com os carros. Tanto para os próprios comerciantes é perigoso, tanto para nós, os peões”, lamentou Angelo Mutuque, outro transeunte da via pública.
A livre circulação é resultado de uma operação da polícia municipal para desobstruir os passeios. A operação divide opiniões.
“Essa actividade do município é correta, mas outra parte também não é, porque temos nossos adultos, que estão vendendo por aqui. Também estão a garantir o pão de cada dia”, advertiu Nélio Ngulele, pedindo ao município da capital a encontrar consenso com os vendedores.
Joaquim, outro utente, apela à construção de mercados condignos nos bairros, para descongestionar o centro da cidade.
“Tem que organizar o mercado nas zonas suburbanas, porque essas pessoas que vêm para aqui não tem mercado para que eles possam vender algo.”
A avenida Guerra Popular e a Rua Ngungunhane, junto à Fortaleza de Maputo, são alguns casos de exemplo de sucesso nas operações municipais contra o comércio informal.
Os dois pontos, de longe, contrastam com várias avenidas da capital ainda dominadas pelo comércio informal. Vende-se um pouco de tudo, com destaque para alimentos e vestuário, enquanto os transeuntes disputam os passeios.
O Município de Maputo tem identificadas vias consideradas protocolares, onde o comércio informal não é tolerável, entre elas, 25 de Setembro, Guerra Popular e Eduardo Mondlane.
Em Massingir, o responsável pelo depósito de medicamentos foi afastado e está sob investigação por alegado fornecimento de fármacos do SNS. Em Chigubo, uma unidade sanitária continua sob monitoria após denúncia de administração de medicamentos fora do prazo de validade. Os casos ocorrem numa altura em que a Saúde em Gaza tem cinco processos disciplinares em curso.
O caso veio à tona depois de um cidadão ter sido encontrado, no dia 10 de Setembro, na posse de medicamentos de uso exclusivo do Ministério da Saúde.Segundo o administrador de Massingir, Sérgio Costa, durante a audição, o cidadão indicou o responsável pelo depósito de medicamentos daquela unidade sanitária como seu fornecedor.
“Confirmamos que às 15 horas do dia 10 de setembro, um cidadão foi flagrado na posse de medicamentos, medicamentos que estão de uso exclusivo do Ministério da Saúde, e durante a audição ficamos a saber que ele menciona o nome de um servidor público, que por sinal é o responsável do depósito de medicamentos do Centro de Saúde de Massingir como sendo o seu fornecedor, ao que imediatamente a polícia também tomou providência de recolher esse cidadão para a devida audição”, disse Sérgio Costa.
Na sequência da denúncia, foi instaurado um processo criminal contra os dois envolvidos, enquanto a administração distrital determinou o afastamento do funcionário para permitir o apuramento da sua eventual responsabilidade.
“Há questão de desvio de medicamentos que se propala a nível do nosso distrito. Tomamos a postura de exarar uma ordem de serviço, ordem de serviço que afasta este cidadão do setor em que está afeto atualmente, para permitir que, quer o processo criminal que foi aberto contra os dois decorra na sua normalidade, mas também para permitir que administrativamente sejam acionados mecanismos para se apurar o real envolvimento deste cidadão ou não”, explicou o administrador.
A directora provincial de Saúde de Gaza, Malassua Simango, diz que o reforço da fiscalização nas unidades sanitárias já resultou na abertura de cinco processos disciplinares, incluindo casos relacionados com má gestão e cobranças ilícitas.
“Nós temos 172 unidades sanitárias, porque é fácil dizer que temos mau atendimento, temos cobranças ilícitas, mas quando a gente diz, está bem, vamos então para poder seguir e depois dão para trás. Temos em curso cerca de cinco processos disciplinares sobre alguma questão de má gestão e tivemos uma questão também de cobrança ilícita, por estes próximos dias os processos vão fechar”, afirmou.
Segundo a directora provincial, a falta de denúncias constitui um dos principais obstáculos à identificação e responsabilização dos envolvidos em práticas irregulares no sector da Saúde.
No distrito de Limpopo, a morgue do Centro de Saúde de Chicumbane continua inoperacional há cerca de cinco anos.
Malassua Simango admite que a situação está relacionada com o abandono das obras pelo empreiteiro e com a falta de instalação de uma câmara frigorífica.
“O que faltou lá é a alocação da câmara frigorífica, ele precisa de uma câmara de três gavetas, no mínimo, para aquela infraestrutura. Só que nessa altura o processo, depois ele não fez, o processo foi as ações de justiça para que a procuradoria pudesse fazer a justiça ao governo em relação ao caso. Mas como setor e como governo do distrito estamos em busca de parcerias para poder ver onde buscamos”, explicou.
A inoperância da morgue obriga algumas famílias do distrito de Limpopo a conservar os corpos dos seus familiares em casa ou a recorrer a outras unidades sanitárias para a conservação dos cadáveres.
A directora provincial de Saúde também se pronunciou sobre as denúncias de administração de medicamentos fora do prazo de validade no Centro de Saúde de Ndindiza, no distrito de Chigubo, caso denunciado em Abril deste ano.
Segundo Simango, está prevista uma segunda visita de monitoria à unidade sanitária, antes da conclusão do processo.
“Sei que está agendada uma segunda visita de monitoria para poder conseguir conversar com as pessoas, porque algumas das pessoas que deviam ter sido escutadas na altura não estavam no distrito, mas eles foram e trabalharam com o setor para fazer o levantamento daquilo que eram as constatações que tinham sido feitas. Fechado o processo, poderemos depois também partilhar aquilo que foi o resultado”, revelou.
O caso envolve Elias Chaúque, de 56 anos, que alegou ter recebido, durante uma consulta no Centro de Saúde de Ndindiza, um medicamento cujo prazo de validade havia expirado em Dezembro de 2025.
Segundo a denúncia, o medicamento terá sido administrado no dia 21 de Abril deste ano, cerca de quatro meses após o limite estabelecido pelo fabricante.
Na altura, o então administrador de Chigubo, Almeida Guelume, confirmou a denúncia e indicou a existência de suspeitas de negligência envolvendo vários gestores da unidade sanitária, incluindo a directora distrital de Saúde.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, vai co-presidir, na sexta-feira, 25 de Setembro, em Gaborone, capital do Botswana, à nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação entre Moçambique e Botswana.
A reunião será co-presidida pela Ministra Maria Manuela Lucas e pelo Ministro das Relações Internacionais do Botswana, Phenyo Butale, que deverão traçar estratégias para alavancar e dinamizar a cooperação bilateral em áreas consideradas prioritárias para os dois países.
Entre os sectores em análise estarão os transportes e logística, comunicação e transformação digital, recursos minerais e energia, finanças, defesa e segurança, justiça, obras públicas, habitação e recursos hídricos, agricultura, pescas e meio ambiente.
Durante a nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação, as partes deverão igualmente abordar o fortalecimento das relações bilaterais nos domínios do trabalho, género e desenvolvimento social, juventude e desporto, informação e comunicação social, educação e cultura, saúde, administração estatal e serviço público.
A reunião ministerial será antecedida pelo encontro dos Altos Funcionários, que decorre entre os dias 23 e 24 de Setembro, sob direcção do Director para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hermenegildo Caetano, e do Secretário Permanente do Ministério das Relações Internacionais do Botswana, Thuso Ramodimoosi.
A nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação constitui, assim, uma plataforma para o aprofundamento e dinamização da cooperação bilateral entre Moçambique e Botswana nos diversos sectores de interesse comum.
O Clube de Petróleo e o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) passam a trabalhar em conjunto para impulsionar o sector energético nacional. As duas instituições formalizaram, nesta quinta-feira, em Maputo, um acordo de cooperação para o fortalecimento das Pequenas e Médias Empresas (PME´s), com enfoque na facilitação do seu acesso às oportunidades e no desenvolvimento do conteúdo local.
A parceria estabelece uma ligação entre o conhecimento técnico da indústria petrolífera e o tecido empresarial moçambicano, com vista a preparar as empresas para responder às exigências da cadeia de valor do sector energético.
A directora de Operações do Clube de Petróleo, Kate Niconte, destacou, na cerimónia, a importância da cooperação para o desenvolvimento das empresas nacionais e apontou a necessidade de maior clareza sobre os recursos disponíveis para apoiar o crescimento das PME.
Este ano, a Assembleia da República aprovou, por consenso, a proposta de lei que cria o Conteúdo Local. O documento estabelece normas a observar no processo de aquisição de bens e contratações de serviços nos megaprojectos instalados no país.
A lei do Conteúdo Local estabelece, também, regras na contratação e formação de mão-de-obra nacional, no contexto da implementação dos projectos e empreendimentos de petróleo e gás natural dentro do território nacional.
Kate Niconte, a nova legislação sobre o Conteúdo Local representa um avanço importante, mas não garante, por si só, o acesso das empresas nacionais aos contratos. “As indústrias não contratam somente pela legislação. Contratam pela preparação das empresas, capacidade técnica e certificações. É aí onde o Clube de Petróleo entra”.
A responsável destacou, igualmente, a relevância da experiência do IPEME na preparação das PME´s para responder às exigências do mercado energético.
Por seu turno, o director-geral do IPEME, Feliz Malate, defendeu que o acordo com o Clube de Petróleo deve traduzir-se em acções concretas com impacto directo nas empresas. “Esperamos que seja uma parceria que traga resultados céleres em benefício directo das PME´s, concretamente no sector de petróleo e gás”.
As equipas técnicas das duas instituições deverão definir um plano de acção para envolver as PME´s interessadas e facilitar o seu acesso às oportunidades existentes no sector energético, disse Feliz Malate.
“Olhamos para este acordo como uma contribuição muito intrínseca, não sob o ponto de vista institucional, mas grandemente sob o ponto de vista do mercado, para habilitar as empresas a terem acesso a este sector”, vincou Malate e assegurou que o IPEME mantém a disponibilidade para trabalhar com o Clube de Petróleo na concretização dos objectivos definidos no acordo.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou em Nova Iorque, a intenção do Governo de criar uma coligação estratégica de financiamento destinada à electrificação fora da rede em Moçambique. O projecto, apresentado durante uma Mesa Redonda de Alto Nível, visa mobilizar recursos, reduzir riscos e transformar uma carteira de empreendimentos em investimentos financiáveis, de forma a acelerar o acesso universal à energia até 2030.
O encontro, subordinado ao tema “Financiamento da Próxima Fase: Redução de Riscos no Mercado de Electrificação Fora da Rede em Moçambique”, congregou representantes de instituições financeiras de desenvolvimento, fundos climáticos, parceiros de cooperação, fundações e investidores privados.
“Queria usar este momento para anunciar a intenção do governo de Moçambique de lançamento de uma coligação estratégica de financiamento da electrificação fora da rede”, afirmou o Chefe do Estado. Segundo explicou, a estrutura da iniciativa, liderada a nível nacional, tem como objectivo central articular o Executivo e os seus parceiros em torno da mobilização de capital e da viabilização de projectos concretos.
ROTEIRO NACIONAL E METAS AMBICIOSAS
O primeiro produto desta iniciativa será um roteiro nacional de financiamento, que deverá identificar a carteira de projectos prioritários, as principais lacunas de financiamento, os riscos associados e as responsabilidades de cada interveniente.
Esta coligação surge como resposta à necessidade premente de ampliar o financiamento, num cenário em que o Governo prevê a execução de aproximadamente 2,5 milhões de ligações fora da rede para atingir a meta de acesso universal. Para este efeito, o Presidente moçambicano indicou ser necessária a mobilização de cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos.
Para assegurar a transição da intenção para a acção, Daniel Chapo delineou três compromissos fundamentais aos participantes: a confirmação do interesse de cada instituição em integrar a coligação; a identificação clara dos riscos, instrumentos financeiros ou etapas de mercado onde cada entidade poderá contribuir; e, por fim, o mandato para que as respectivas equipas trabalhem com o Executivo na preparação de propostas concretas de financiamento até Novembro de 2027, em antecipação à COP2032.
RESILIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
Durante a sua intervenção, o Presidente destacou que a expansão da electrificação combina a rede nacional com soluções descentralizadas que já contribuem com cerca de 12 por cento do acesso à electricidade, sublinhando que a prioridade deve incidir sobre as comunidades rurais. Desde 2015, a taxa de acesso à energia em Moçambique evoluiu de cerca de 26 por cento para aproximadamente 70 por cento, com um registo de 400 mil novas ligações anuais nos últimos dois anos.
O estadista realçou ainda a importância das soluções descentralizadas para a resiliência climática das comunidades. “Sistemas isolados e construídos com mecanismos de resiliência podem permitir que determinadas comunidades mantenham o fornecimento de energia quando interrupções na rede nacional afectam cidades ou distritos inteiros”, observou.
Para Daniel Chapo, o acesso à energia deve estar intrinsecamente ligado ao desenvolvimento económico e social, fomentando actividades produtivas como a irrigação e a conservação de alimentos. Neste âmbito, defendeu a criação de um mercado “financiável, previsível e capaz de crescer à escala nacional”, que beneficie famílias e empresas, com particular atenção para a capacitação de jovens e mulheres.
Moçambique conta já com o suporte financeiro de 47 milhões de euros do Fundo Verde para o Clima e 20 milhões de euros da União Europeia para mini-redes e usos produtivos, além do apoio do Banco Mundial, através do programa “Mais Energia”, e outras iniciativas apoiadas pela KfW, reforçando o compromisso nacional com o acesso universal à energia até 2030.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta quarta-feira, em Nova Iorque, que Moçambique continuará a pautar a sua actuação no plano internacional pela defesa intransigente do diálogo como via preferencial para a resolução de conflitos. No balanço da sua participação na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), o Chefe de Estado apelou a uma resposta global e coordenada aos desafios prementes da paz, do terrorismo e do desenvolvimento sustentável.
Daniel Chapo elegeu a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável como os três eixos fundamentais da intervenção de Moçambique no fórum nova-iorquino, sublinhando a relevância do multilateralismo e o papel crucial das Nações Unidas na prevenção e na pacificação. O Presidente moçambicano recordou, a propósito, o contributo histórico daquela organização para a independência nacional e para o processo de paz, incluindo a implementação do Acordo Geral de Paz de 1992, experiências que, a seu ver, comprovam a eficácia da diplomacia internacional.
“O diálogo deve ser a base para a resolução de conflitos e não a força, como tem-se registado nos últimos anos”, defendeu o estadista, ao abordar os focos de tensão que afectam diversas regiões do globo. No que concerne à situação de segurança em Cabo Delgado, o Presidente assegurou que nenhuma vila da província se encontra, actualmente, sob ocupação de grupos terroristas, embora tenha reconhecido a persistência de ataques esporádicos que continuam a provocar o deslocamento de populações. Neste âmbito, destacou o valor do apoio humanitário prestado pelas agências das Nações Unidas.
“Não há desenvolvimento sem paz e não há paz sem desenvolvimento. São duas faces da mesma moeda”, declarou, relacionando a consolidação da estabilidade com a estratégia do Executivo em lançar os alicerces para a independência económica e a diversificação da economia nacional.
APOSTA NO GÁS E ELECTRIFICAÇÃO RURAL
No domínio do desenvolvimento sustentável, Daniel Chapo realçou os progressos significativos na electrificação rural, indicando que o acesso à energia eléctrica em Moçambique ascendeu de cerca de 26 por cento para mais de 60 por cento da população. A meta, segundo o Presidente, é acelerar este processo através do programa “Energia Para Todos”, contando com o suporte de parceiros nacionais e internacionais, com vista ao cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Quanto aos contactos bilaterais efectuados à margem da Assembleia Geral, o destaque vai para o projecto de gás natural na Bacia do Rovuma. O Chefe de Estado revelou que o Governo trabalha em estreita colaboração com a ExxonMobil para a aprovação do plano de desenvolvimento e, consequentemente, da decisão definitiva de investimento. “Tudo indica que, antes do final do ano, vamos conseguir aprovar o plano de desenvolvimento deste projecto e também a decisão definitiva de investimento”, garantiu.
Segundo as projecções apresentadas, a concretização destes projectos na Bacia do Rovuma poderá mobilizar entre 50 e 60 mil milhões de dólares norte-americanos em investimentos na próxima década. Chapo sublinhou, contudo, que a direcção estratégica do Executivo é utilizar as receitas provenientes do gás para impulsionar sectores estruturantes — como a agricultura, turismo, infra-estruturas, digitalização, economia azul e agronegócio — visando diversificar a economia e elevar as condições de vida dos moçambicanos.
O Presidente da República classificou o balanço desta visita como “extremamente positivo”, destacando a oportunidade de levar ao fórum internacional as posições de Moçambique e de reforçar o contacto com parceiros estratégicos para a mobilização de investimentos.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e o Vice-Presidente da ExxonMobil Corporation e Presidente da ExxonMobil Upstream, Dan Ammann, reuniram-se esta quarta-feira, em Nova Iorque, para uma avaliação detalhada do progresso do projecto Rovuma LNG. A multinacional norte-americana indicou, no final do encontro, estar próxima da adopção da Decisão Final de Investimento para a execução do empreendimento na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.
Em declarações aos jornalistas, a Directora-Geral da ExxonMobil Moçambique, Johanna Boothey, classificou a reunião como extremamente produtiva, sublinhando os progressos significativos registados nos últimos meses, factor que aproxima o projecto da fase de decisão sobre o investimento. “Hoje tivemos uma reunião excelente com o Presidente e com Dan Ammann. Foi uma discussão produtiva, onde constatámos que o projecto progrediu muito bem e que estamos muito perto de poder tomar uma decisão final de investimento”, afirmou Boothey.
Durante a audiência, o Chefe de Estado destacou a relevância estratégica do projecto para Moçambique, enfatizando o seu potencial no que concerne à geração de emprego, ao fomento do desenvolvimento económico e à criação de oportunidades para os cidadãos nacionais. “O Presidente foi muito positivo sobre o projecto, salientando a sua importância para garantir postos de trabalho, desenvolvimento e oportunidades dentro de Moçambique”, reiterou a responsável.
As partes abordaram, igualmente, temas cruciais como o conteúdo local, a criação de emprego e o desenvolvimento de capacidades técnicas. O objectivo central é assegurar uma maior participação de empresas e trabalhadores moçambicanos nas oportunidades geradas pelo desenvolvimento dos projectos de gás natural liquefeito.
O encontro permitiu ainda reforçar o diálogo em torno da segurança operacional e da transição energética, pilares fundamentais da cooperação entre o Governo e a ExxonMobil. “A ExxonMobil compreende a importância do projecto e fará todo o possível para garantir o cumprimento dos compromissos solicitados pelo Presidente”, assegurou Johanna Boothey.
O Projecto Rovuma LNG, desenvolvido pelos parceiros da Área 4 sob a liderança da ExxonMobil Moçambique, enquanto Operador Delegado, assume-se como um dos maiores empreendimentos de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma. A sua viabilização está intrinsecamente ligada à expansão do investimento, à adopção de políticas de conteúdo local e à formação de mão-de-obra qualificada em Moçambique.