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O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a trabalhar com o Ministério das Finanças para regularizar dívidas aos professores e mobilizar recursos para a impressão e distribuição do livro escolar para o ano lectivo de 2027.

Segundo uma actualização divulgada esta segunda-feira, está em curso a validação de dívidas relacionadas com horas extraordinárias, segunda turma, salários, progressões e actos administrativos.

O MEC informa ainda que o pagamento das horas extraordinárias referentes a 2023 está a ser feito de forma faseada, mediante disponibilidade financeira, enquanto prossegue a validação das dívidas relativas ao período de 2024 a 2026.

Os dois ministérios comprometeram-se a manter encontros mensais para acompanhar e avaliar o andamento do processo.

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O presidente da Comunidade de Santo Egídio em Moçambique, Nelson Moda, defendeu, ontem, na Beira, que o país deve recorrer à sua história de reconciliação e diálogo para travar a onda de assassinatos de figuras políticas, sublinhando que ser adversário político não significa ser inimigo.

Moda falava à imprensa à margem da cerimónia em que foi distinguido com a Ordem da Estrela de Itália, condecoração honorífica atribuída a cidadãos estrangeiros que se destacam na promoção da amizade, cooperação e dos laços culturais entre Itália e outros países. A distinção foi entregue pelo embaixador de Itália, que destacou o compromisso dos dois países na promoção da paz.

Reagindo aos assassinatos de figuras políticas que têm abalado o país, o dirigente apelou à memória colectiva e à necessidade de aprender com a história de Moçambique.

“Precisamos sempre de recorrer à nossa história. Como é que a guerra civil, o conflito político-militar, começou em Moçambique? Foi através das incompreensões. Não esqueçamos a nossa história, porque esquecer a nossa história faz-nos repetir, no presente”, afirmou.

Nelson Moda foi peremptório na defesa da tolerância política e do respeito pelas diferentes opções partidárias.

“Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido histórico como a Frelimo. Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido novo como a ANAMOLA. Ninguém deve ter medo por pertencer à Renamo, com a sua história. Todos nós temos opções políticas e é de lei. Nenhum partido político vai engrandecer eliminando membros de outro partido político”, disse.

O presidente da Comunidade de Santo Egídio alertou ainda para os perigos da utilização da violência como instrumento político, defendendo o diálogo como principal via para a resolução das divergências.

“Não se pode experimentar a violência, porque a violência é como um fogo que arde. A pessoa que inicia a violência pode ter a capacidade de iniciar, mas gradualmente perde a capacidade de controlar. Cada incompreensão que existir em Moçambique deve voltar sempre pelo diálogo”, defendeu.

Para Nelson Moda, o recurso ao diálogo não representa um sinal de fraqueza, mas uma alternativa à violência.

“Quem dialoga reconhece que a força das armas nunca leva à paz. Não existe paz alguma que já se conseguiu por via das armas”, afirmou.

Sobre a condecoração, Nelson Moda manifestou a sua gratidão e reafirmou o compromisso da Comunidade de Santo Egídio com a promoção da paz em Moçambique.

A cerimónia decorreu na Assembleia Municipal da Beira e contou com a participação de representantes de vários sectores da sociedade.

 

Pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 14 raptadas durante ataque de supostos grupos terroristas, no distrito de Muidumbe, na província moçambicana de Cabo Delgado, afetada pela insurgência armada desde 2017, disseram hoje à Lusa fontes locais.

As vítimas, segundo as fontes, foram mortas na zona baixa de Naneve, aldeia de Nangunde, após serem surpreendidas na terça-feira, em plena atividade de destilação de bebida caseira local.

“Chegaram terroristas em Naneve, na baixa de Nangunde e encontram pessoas a destilar nipa [bebida alcoólica local] e cercaram-nas e ordenou para que seguissem com eles a uma distância de menos de um quilómetro, atiraram contra dois homens do grupo e mataram outros dois que se encontravam estado de embriaguez e que não conseguiram fugir” disse uma fonte a partir de Muidumbe.

Segundo relatos de populares, os insurgentes assassinaram duas das vítimas após estes alegarem não possuir o dinheiro exigido para garantir a sua libertação. Os corpos foram enterrados esta quarta-feira pela força local.

Segundo as fontes, no mesmo local do incidente, os rebeldes raptaram pelo menos oito pessoas, que continuam desaparecidas.

“Levaram oito pessoas e não sabemos o paradeiro” , disse.

Além de Nangunde, as fontes denunciaram ainda o rapto de pelo menos seis pessoas por supostos grupos terroristas na segunda-feira na aldeia de Xitaxi, localizada a cerca de 50 a 60 quilómetros da sede distrital de Muidumbe, ao longo da estrada nacional número 380 (EN80).

Província rica em gás natural, Cabo Delgado é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças, alerta a ONU.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), consultado na terça-feira pela Lusa, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respectivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

Mototaxistas denunciam uma escalada de assassinatos na província de Gaza e exigem investigação aos casos registados nos distritos de Limpopo, Chongoene e Chókwè. A preocupação aumenta após a família de um jovem mototaxista, encontrado morto nas matas de Chilembene, denunciar a extração de órgãos do corpo. Este ano, 12 mototaxistas morreram em acidentes de viação que provocaram 43 mortes na província.

Mais de 100 mototaxistas, reunidos na capital provincial de Gaza, Xai-Xai, denunciaram uma nova onda de perseguição e assassinatos dos seus membros em Chongoene, Limpopo e Chókwè.

A preocupação ganhou força na sequência do caso de um jovem mototaxista que desapareceu e foi encontrado morto nas matas de Chilembene. Segundo a família, o corpo foi encontrado “sem os órgãos genitais, dedos decepados, cortes na cabeça e em várias partes do corpo”, situação que levou os familiares a exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.

A classe aponta, entre os factores de risco, a entrada de menores e de indivíduos sem licença na actividade de mototáxi e exige uma investigação para esclarecer a morte do jovem, bem como outros casos que continuam por esclarecer.

“É terrível o que estamos a viver nestes últimos tempos. Estão a perseguir e matar. O último caso aconteceu em Chongoene, onde tiraram armas e levaram a motorizada”, contou Gervásio Manave, representante dos mototaxistas.

Já Amiel Moiane e Salomon Pedro, também mototaxistas, apontam as zonas de Mahumane e Baixa de Chicumbane, nos distritos de Limpopo em Xai-Xai, como áreas de alto risco, onde, segundo eles, os malfeitores levam a cabo as suas incursões.

“A polícia deve fazer alguma coisa, principalmente na zona de Mahumane e Chicumbane. São zonas onde barram-nos e levam as motos. Estamos cansados”, lamentou.

Face ao cenário, as autoridades defendem a criação de associações locais e provinciais que permitam, entre outras medidas, a partilha dos roteiros de viagem dos operadores, numa tentativa de reforçar a prevenção de sequestros e assassinatos de mototaxistas.

“A partilha de roteiros vai garantir a monitoria e a segurança em tempo real”, disse Alfeu Macaringue, delegado do INATRO em Gaza.

As autoridades defendem ainda o reforço das medidas de segurança nas vias, numa altura em que os acidentes de viação já tiraram a vida de dezenas de mototaxistas em Gaza somente este ano.

“São, ao todo, 43 pessoas que morreram este ano, sendo que 12 são mototaxistas, resultantes de sete acidentes.”

As preocupações foram apresentadas esta quarta-feira, em Xai-Xai, durante um encontro que reuniu mototaxistas, autoridades policiais, INATRO e Polícia Municipal.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, e o Presidente da UN Sustainable  Development Solutions Network, Jeffrey Sachs, analisaram esta  terça-feira, em Nova Iorque, formas de acelerar o desenvolvimento  económico de Moçambique, através de investimentos em  educação, saúde e infra-estruturas e da mobilização de parcerias  internacionais. 

O encontro de trabalho decorreu à margem da participação do  Chefe do Estado na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações  Unidas. Jeffrey Sachs disse acreditar que Moçambique pode alcançar um  rápido desenvolvimento económico, referindo que, durante o  encontro, foram discutidas estratégias para orientar o país nesse  sentido. 

“Acredito que Moçambique pode alcançar um desenvolvimento  económico muito rápido, uma quantidade tremenda de progresso,  e discutimos algumas das estratégias para um futuro brilhante de  desenvolvimento para Moçambique”. 

Sachs destacou a educação como uma das áreas fundamentais  para o desenvolvimento económico, defendendo que todas as  crianças devem adquirir competências que lhes permitam ser  produtivas e qualificadas na economia actual. 

“Pessoalmente, dou muita ênfase à educação como sendo  absolutamente fulcral para um desenvolvimento económico bem sucedido, porque todas as crianças em Moçambique devem ser  dotadas de competências, de modo a que, quando os rapazes e  as raparigas crescerem, sejam pessoas muito produtivas e  qualificadas na economia do século XXI”. 

A par da educação e da saúde, o responsável apontou a  necessidade de investimentos em infra-estruturas, incluindo o acesso  à electricidade, internet, conectividade digital e estradas, bem  como a protecção contra fenómenos naturais que afectam  Moçambique. 

Segundo Sachs, também foram discutidas possibilidades de  estabelecimento de parcerias com diferentes países e de  realização de investimentos em Moçambique, tendo mencionado a  China e a Índia entre os países interessados em apoiar o  desenvolvimento económico. 

“Por isso, discutimos que tipo de parceiros e que tipo de estratégia”,  afirmou, acrescentando que pretende, junto dos seus colegas, dar  seguimento às discussões e prestar apoio ao desenvolvimento do  país. 

Centenas de iranianos-americanos e apoiantes da oposição iraniana manifestaram-se, na terça-feira, em frente à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, onde decorre a Assembleia Geral da ONU.

Os manifestantes expressaram apoio ao Conselho Nacional da Resistência do Irão (CNRI), uma coligação de oposição sediada em França, e à sua presidente eleita, Maryam Rajavi.

Durante o protesto, a analista financeira Fereshteh Dameshfar defendeu que uma intervenção militar dos Estados Unidos não seria suficiente para provocar a queda do actual Governo iraniano. Segundo a manifestante, apenas o povo iraniano, com o apoio do CNRI e de Maryam Rajavi, poderá derrubar o regime.

Na mesma linha, o engenheiro mecânico Jafar Sadaghi criticou os ataques que têm provocado vítimas entre a população iraniana, defendendo que a solução deverá passar pelo apoio internacional ao povo iraniano e ao CNRI.

O general norte-americano reformado Wesley Clark, antigo comandante supremo aliado da NATO na Europa, também afirmou que os problemas do Médio Oriente não serão resolvidos através de forças externas. Para Clark, caberá ao próprio povo iraniano decidir sobre uma eventual mudança de Governo.

Os protestos aconteceram no mesmo dia em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na Assembleia Geral da ONU e voltou a ameaçar uma acção militar contra o Irão.

Trump questionou se ainda seria possível alcançar um acordo que permitisse ao Irão reconstruir-se ou se, pelo contrário, os Estados Unidos deveriam avançar para a destruição rápida da República Islâmica.

As declarações ocorreram enquanto responsáveis norte-americanos e iranianos mantinham, à margem da Assembleia Geral, conversações directas pela primeira vez em vários meses, com mediação do Qatar. Até ao momento, não foi anunciado qualquer avanço nas negociações.

Em resposta às ameaças de Trump, as Forças Armadas iranianas advertiram que estão preparadas para responder com ataques que classificaram como “devastadores” contra os Estados Unidos e Israel.

O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, deverá discursar nesta quarta-feira perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

 

Presidente norte-americano afirma que terá de escolher entre um acordo com Teerão e a destruição da República Islâmica, num discurso marcado pela retórica de força e dirigido também ao eleitorado dos Estados Unidos.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na terça-feira, que terá de decidir entre alcançar um acordo com o Irão ou “aniquilar” o país, durante um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

A declaração surgiu no contexto da guerra entre Washington e Teerão, que se prolonga há quase sete meses e que Trump justifica com a necessidade de impedir o Irão de desenvolver armas nucleares.

Perante uma sala repleta de líderes mundiais, o Presidente norte-americano apresentou a sua política externa como uma estratégia de confronto bem-sucedida com os adversários dos Estados Unidos e de reforço da influência norte-americana na ordem internacional.

“Enquanto outros falavam de paz, eu construí a paz. Enquanto outros ignoravam as ameaças, eu confrontei-as”, afirmou Trump.

Apesar de se apresentar como um pacificador, o Presidente fez uma ameaça directa ao regime iraniano ao defender que Washington poderá optar por uma solução militar definitiva.

“Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irão que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior?”, questionou.

“Ou devo aniquilar rapidamente a República Islâmica, sem nunca mais lhes dar a oportunidade de matar e destruir pessoas e países? Devo expulsá-los para o inferno, sem qualquer possibilidade de sobrevivência?”, acrescentou.

Trump voltou a afirmar que o Irão poderá aceitar um acordo depois das eleições intercalares norte-americanas, marcadas para Novembro. O Partido Republicano corre o risco de perder o controlo do Congresso, num contexto de descontentamento provocado, entre outros factores, pelo aumento dos preços dos combustíveis associado à guerra.

O discurso pareceu igualmente dirigido ao eleitorado norte-americano, numa altura em que cresce o cansaço em relação aos conflitos militares prolongados e às suas consequências económicas.

 

CRÍTICAS AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

Durante a intervenção, Trump atacou também o Tribunal Penal Internacional, acusando a instituição de ultrapassar as suas competências e de visar injustamente os Estados Unidos e os seus aliados.

O Presidente norte-americano tem criticado repetidamente o TPI por investigar alegados crimes cometidos por responsáveis norte-americanos e israelitas. Washington não reconhece a jurisdição do tribunal e rejeita qualquer tentativa de responsabilizar os seus cidadãos perante aquela instância.

As declarações de Trump reforçam a posição da Administração norte-americana contra organismos internacionais que, segundo o Presidente, procuram limitar a soberania dos Estados Unidos ou interferir nas decisões militares e diplomáticas de Washington.

 

RETÓRICA DE FORÇA

O discurso na ONU foi marcado por uma sucessão de afirmações sobre a força militar e política dos Estados Unidos. Trump declarou que a sua Administração está a confrontar os adversários do país e a remodelar a ordem mundial em benefício dos interesses norte-americanos.

A ameaça dirigida ao Irão surge depois de meses de confrontos e de tentativas diplomáticas sem resultados duradouros. Embora Trump continue a admitir a possibilidade de um acordo, as suas declarações indicam que a opção militar permanece sobre a mesa.

A referência às eleições intercalares acrescenta uma dimensão política interna à crise. O Partido Republicano enfrenta dificuldades para manter o controlo do Congresso, enquanto os custos económicos da guerra alimentam o descontentamento entre os eleitores.

A Administração norte-americana sustenta que a pressão militar e económica poderá obrigar Teerão a aceitar um acordo. O Governo iraniano, contudo, tem rejeitado as exigências de Washington e acusado os Estados Unidos de ameaçarem a soberania do país.

 

Salva Kiir prepara novo Executivo de transição horas depois de aprovar alterações à legislação eleitoral que permitem realizar as eleições sem Constituição permanente ou censo nacional

O Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, dissolveu, esta terça-feira, o Governo de transição, horas depois de aprovar alterações à legislação eleitoral que eliminam a exigência de conclusão de uma Constituição permanente e de realização de um censo nacional antes das eleições.

A dissolução do Executivo ocorre num momento de elevada tensão política no país, que se prepara para realizar, a 22 de Dezembro, as primeiras eleições da sua história. A votação já foi adiada por duas vezes e continua a enfrentar vários obstáculos previstos no acordo de paz de 2018.

De acordo com o gabinete presidencial, a dissolução do Governo ocorreu à meia-noite, hora local, em conformidade com o calendário eleitoral acordado. Salva Kiir deverá agora nomear um novo Governo de transição para supervisionar o processo eleitoral.

As alterações à Lei Eleitoral Nacional, aprovadas na segunda-feira, permitem que as eleições avancem mesmo sem a aprovação de uma Constituição permanente e sem a realização de um censo nacional.

A nova legislação também prevê alterações à estrutura do poder executivo durante o período eleitoral, incluindo a saída dos vice-presidentes nomeados ao abrigo do acordo de paz de 2018.

As mudanças suscitaram críticas de analistas e representantes políticos, que consideram que a nova legislação poderá concentrar poderes nas mãos do Presidente.

Michael Wani, advogado e antigo membro da comissão responsável pela elaboração da Constituição, afirmou que Salva Kiir poderá ficar como a principal figura de poder durante o período eleitoral.

Por sua vez, o analista independente Machot Amuom alertou para a existência de ambiguidades na nova legislação e defendeu que as alterações poderão permitir ao Presidente prolongar o período de transição.

 

TENSÃO AUMENTA EM JUBA

A dissolução do Governo foi acompanhada por um reforço da presença militar nas ruas da capital, Juba. Um jornalista da AFP relatou ter observado um aumento significativo do número de soldados nas principais estradas da cidade.

Um comerciante, que pediu anonimato, afirmou ter encerrado o seu estabelecimento devido à presença militar nas ruas.

O Gabinete de Segurança Interna emitiu, entretanto, uma directiva ordenando que todas as forças de segurança permanecessem uniformizadas e em estado de alerta máximo durante três dias, a partir de 22 de Setembro.

Um funcionário público, também sob anonimato, relatou que o seu ministério foi encerrado sem aviso prévio e que militares foram destacados para as imediações do edifício.

 

ELEIÇÕES SOB PRESSÃO

O Sudão do Sul tornou-se independente em 2011, mas mergulhou, poucos anos depois, numa guerra civil que durou cerca de cinco anos e provocou milhares de mortos e deslocados.

Apesar do acordo de paz de 2018, várias das condições estabelecidas para a realização das eleições continuam por cumprir. Até ao momento, não foi concluído o registo dos eleitores, os exércitos rivais não foram plenamente unificados e a Constituição permanente continua por aprovar.

A tensão política permanece elevada, sobretudo entre o Governo e sectores da oposição. O líder oposicionista Riek Machar encontra-se actualmente detido, acusado de traição.

Perante este cenário, observadores internacionais manifestam preocupação com a possibilidade de o processo eleitoral agravar as tensões entre as diferentes forças políticas e militares e provocar um novo ciclo de violência no país.

 

A fábrica de processamento de grafite de Nipepe, na província moçambicana do Niassa, construída com investimento do Grupo Jinan Yuxiao, está a abrir novas perspectivas de emprego e formação profissional para os jovens da região, no quadro do esforço de industrialização e de aumento do valor acrescentado dos recursos minerais do país.

Inaugurada a 30 de Janeiro de 2026, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, a unidade industrial já emprega mais de 800 trabalhadores locais. Com o avanço da segunda fase do projecto, prevê-se que o número de postos de trabalho ultrapasse os 2.000.

Na cerimónia de inauguração, Chapo sublinhou a importância de processar os recursos minerais no próprio país, aumentar o valor acrescentado dos produtos e criar emprego através do investimento industrial. Por sua vez, Wu Tao, presidente do Conselho de Administração do Grupo Jinan Yuxiao, informou que a empresa iria implementar um programa sistemático de formação destinado a desenvolver as competências dos trabalhadores locais.

A formação da mão-de-obra local passou, assim, a integrar as necessidades de gestão da fábrica, a par da expansão da produção.

Já em Setembro de 2024, durante uma visita ao projecto, o então Presidente Filipe Nyusi manifestara a expectativa de que a fábrica se tornasse um espaço de aprendizagem para a mão-de-obra local. Nessa altura, decorriam ainda as obras e a instalação dos equipamentos. Hoje, os postos de trabalho associados à linha de processamento de grafite oferecem aos jovens da região oportunidades concretas de contacto com a tecnologia industrial e de aquisição de experiência profissional.

Competências exigidas pela indústria

Em Setembro deste ano, um anúncio de recrutamento da DH Graphite apresentou 200 vagas para serventes de fábrica, destinadas a candidatos com a 10.ª à 12.ª classe ou escolaridade equivalente, sendo a experiência profissional relevante considerada uma vantagem. A necessidade de recrutamento evidencia a importância de ligar a educação escolar à formação prática no local de trabalho.

As funções de apoio constituem frequentemente um primeiro contacto com a produção industrial. Ao ingressarem na fábrica, os trabalhadores precisam de conhecer o ambiente de trabalho, compreender as exigências de segurança e executar as tarefas que lhes são atribuídas. Para os jovens sem experiência fabril anterior, as capacidades de leitura, escrita e compreensão adquiridas na escola passam a ser aplicadas às instruções de trabalho, à sinalização dos equipamentos e aos registos diários.

O processamento de grafite compreende uma sequência de operações. Na DH Graphite, o processo produtivo inclui britagem, moagem, flotação, filtração, secagem, crivagem, embalagem e armazenamento. À medida que a matéria-prima percorre estas etapas, o estado dos equipamentos, os procedimentos operacionais e a qualidade do produto influenciam-se mutuamente. Conhecer uma função exige, por isso, compreender também a sua ligação às operações anteriores e seguintes.

Operar um equipamento, por exemplo, envolve os procedimentos de arranque e paragem, a observação do seu funcionamento, a comunicação de anomalias e os registos de passagem de turno. Memorizar um gesto isolado dificilmente permite responder às variações que ocorrem na produção. A formação precisa, por isso, de abordar os equipamentos e as funções em concreto, para que os trabalhadores compreendam os procedimentos, as razões que os justificam e os dominem através da prática.

Estas tarefas explicam a necessidade de uma formação sistemática. Para ser útil à produção diária, a formação tem de estar ligada aos processos, equipamentos e normas de segurança efectivamente utilizados na fábrica. Numa equipa composta por trabalhadores chineses e moçambicanos, a transmissão clara das exigências técnicas e das instruções de trabalho também influencia directamente a aprendizagem.

Processamento local exige formação a longo prazo

A construção do projecto de Nipepe estendeu-se para além do recinto industrial. A ponte sobre o rio Lúrio, as estradas de ligação à rede regional de transportes e uma linha de transporte de energia de 110 kV, com cerca de 100 quilómetros, apoiam o transporte e o abastecimento eléctrico da fábrica. Processar os recursos no local onde se encontram exige estas infra-estruturas, bem como pessoal capaz de assegurar a continuidade da produção.

A passagem da construção à operação altera as necessidades de pessoal da empresa. As obras têm prazos definidos, enquanto o funcionamento da fábrica exige uma organização permanente da produção, da manutenção dos equipamentos e do controlo de qualidade. Os trabalhadores que conhecem os processos acumulam experiência no trabalho diário. A transmissão dessa experiência, através da colaboração entre equipas e da orientação no posto de trabalho, pode contribuir para formar gradualmente uma equipa técnica local estável.

Para os trabalhadores locais, esta formação influencia as perspectivas de desenvolvimento profissional. Depois de ingressarem na fábrica e passarem a auferir um rendimento, a possibilidade de continuar a aprender e de assumir tarefas mais complexas pesa nas suas escolhas a longo prazo. Os postos de trabalho, as condições de segurança e as oportunidades de aprendizagem proporcionados pela empresa mantêm, assim, uma ligação duradoura à vida das famílias da região.

Ao defender o aumento do valor acrescentado dos recursos minerais na cerimónia de inauguração, Chapo enquadrou o projecto no desenvolvimento industrial de Moçambique. A capacidade de processamento desenvolve-se a par da experiência técnica e de gestão. O grau de participação dos trabalhadores locais na produção influencia a permanência desses conhecimentos no país. O programa de formação sistemática anunciado pelo Grupo Jinan Yuxiao está ligado a estas necessidades futuras de pessoal da fábrica de Nipepe.

Moçambique e Angola vão reforçar a cooperação no domínio da segurança interna, com destaque para o combate ao crime organizado e terrorismo. O compromisso foi assumido nesta terça-feira, em Maputo, durante a reunião ministerial entre os dois países, que prevê ainda o reforço da formação policial, do controlo de fronteiras e da proteção civil.

Delegados dos ministérios do Interior de Moçambique e Angola, incluindo gestores dos serviços de Migração e de Salvação Pública, partilharam nesta terça-feira a mesma sala, em Maputo, para reforçar a cooperação ministerial entre as duas nações.

Para Moçambique, o reforço da parceria vai permitir a partilha de conhecimento,  técnicas e informações para o combate à criminalidade organizada e transnacional. O encontro foi orientado ao mais alto nível pelos ministros do Interior dos dois países.

Paulo Chachine, de Moçambique, defende a necessidade de os países cooperarem cada vez mais para fazer face a uma tipologia criminal que não respeita fronteiras.

“No domínio policial, validaremos a troca de informações operativas contra o crime e projectaremos a indicação mútua de adidos de polícia até ao final de 2027. Reforçaremos igualmente o intercâmbio no combate dos crimes cibernéticos e ambientais,  na segurança rodoviária e no policiamento comunitário. Destacamos com orgulho a concessão mútua da bolsa de estudo para a formação contínua de quadros na nossa Academia de Ciências Policiais ACIPOL e nos Institutos e Escolas  Policiais de Angola a partir de 2027”, avançou o ministro, diante de quadros das duas delegações. 

Manuel Gomes reitera que a cooperação histórica entre as nações ganha uma nova etapa com esta reunião de quadros que já garantiu a existência de relatórios e diagnósticos precisos sobre os desafios e realidades de cada instituição. 

“Enaltecemos o excelente trabalho realizado pelas equipas de peritos, onde foi  possível tratar-se e consolidar toda uma actividade de grande relevância, para que pudéssemos identificar e alcançar entendimentos e definir programas e planos de actuação que certamente irão prevenir e combater várias tipicidades de crimes, promover a troca de  experiências e a formação de quadros cujas realizações, com certeza, contribuirão para que efectivemos uma cooperação cada vez mais sólida”.

ACORDO DE COOPERAÇÃO MIGRATÓRIA 

Durante a reunião ministerial,  as delegações de Maputo e Luanda assinaram um acordo bilateral de Cooperação no domínio Migratório, com objectivos bem definidos: facilitar e tornar mais seguro e menos burocrática a circulação entre as duas nações irmãs.

“Constitui um marco histórico na nossa relação bilateral. Ao assinarmos este importante instrumento, respondemos diretamente aos anseios dos nossos povos e estabelecemos as bases para facilitar a mobilidade humana, promovendo uma circulação mais fluida, segura e digna para os cidadãos de ambos os países, fortalecendo os laços comerciais, culturais e acadêmicos que nos unem. Modernizar e desburocratizar, simplificando os procedimentos migratórios e os serviços de identificação, garantindo um atendimento mais célere, eficiente, humanizado e livre de entraves burocráticos. Garantir a segurança e o controle de fronteiras, combatendo com firmeza a migração ilegal, o tráfico de seres humanos e a falsificação de documentos, através de partilha de dados, de informação e de coordenação operacional entre os nossos serviços migratórios”, defendeu Chachine. 

Facilitar a mobilidade segura e livre de burocracias é o que espera a contraparte de Angola, daqui para frente, sem pôr de lado o combate ao crime transnacional. Manuel Gomes diz que está convicto de que a cooperação trará resultados positivos para os dois países, no domínio da gestão de pessoas.

“A dinâmica do mundo actual e a crescente internacionalização dos fenômenos criminais impõe-nos a necessidade de agirmos em conjunto e de forma coordenada, com vista à protecção de interesses recíprocos  no plano da segurança dos nossos países alinhados aos objectivos da frente da SADC e da União Africana, tendentes à garantia da estabilidade da África Austral. Para o efeito, é fundamental estabelecer e reforçar as relações de cooperação no âmbito da actividade policial, gestão migratória, protecção civil e bombeiros”. 

Manuel Gomes efectuou um convite para o seu homólogo visitar oficialmente Angola, um convite imediatamente aceite, embora sem avançar datas.

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