A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.
A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.
Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.
A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.
Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.
Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.
Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.
O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.
A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.
Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.
Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.
Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.
A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.
Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.
O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.
Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.
O INNOQ anunciou o reforço da fiscalização do peso do pão em Moçambique, exigindo balanças verificadas e advertindo sobre sanções para os estabelecimentos que não cumpram a legislação.
Assim, os estabelecimentos são obrigados a disponibilizar balanças verificadas aos consumidores. Em comunicado, o INNOQ indica que a medida visa assegurar o cumprimento da legislação metrológica e a protecção dos consumidores na produção e comercialização do pão, acrescentando que os panificadores devem garantir que o pão seja produzido e comercializado de acordo com os pesos nominais legalmente estabelecidos.
Aponta ainda que os estabelecimentos de venda ficam obrigados a afixar, em local visível, tabelas com os respectivos pesos e preços.
O INNOQ determina ainda que todos os locais de comercialização de pão disponham de balanças devidamente verificadas e com marca de verificação metrológica válida, colocadas em locais acessíveis para que os consumidores possam conferir o peso do produto adquirido.
Para garantir o cumprimento das disposições, o INNOQ anuncia a realização de acções de controlo metrológico e fiscalização junto dos estabelecimentos de produção e comercialização de pão em todo o território nacional, avisando: “O incumprimento das disposições legais aplicáveis poderá determinar a adopção das medidas administrativas e sancionatórias previstas na legislação em vigor”.
O INNOQ considera que o cumprimento destas medidas contribuirá para aumentar a transparência das transações comerciais, reforçar a proteção dos consumidores e promover a confiança no mercado nacional.
O mercado de Nicadine, no distrito de Pebane, província da Zambézia, entrou em funcionamento a 9 de Outubro de 2026, após obras de reabilitação realizadas pela empresa Shuang Long, Limitada, no âmbito do Projecto 8637. A intervenção incluiu a disponibilização de cinco arcas congeladoras para a conservação de produtos perecíveis.
A cerimónia de entrega contou com a presença do administrador do distrito de Pebane, Cássimo Manuel Jamal, e de representantes da empresa. Durante a visita às instalações, os participantes observaram as bancas e os espaços destinados à venda de produtos, bem como os equipamentos disponibilizados.
O mercado constitui um espaço de trabalho para os vendedores locais e uma fonte de abastecimento diário para a população. A reabilitação das instalações e a disponibilização dos equipamentos visam melhorar as condições de funcionamento do espaço e apoiar a actividade comercial.
A conservação do pescado, da carne e de outros produtos perecíveis exige condições adequadas de armazenamento, desde a aquisição até à venda. Neste contexto, as cinco arcas congeladoras passam a integrar os meios disponíveis para a conservação dos produtos, contribuindo para a gestão das existências e para a redução de perdas.
A Shuang Long, Limitada, subsidiária da Hainan Zirconium Titanium Resources Holding Group Co., Ltd., enquadra a intervenção nas suas iniciativas de responsabilidade social, desenvolvidas no âmbito do Projecto 8637, que incluem a melhoria de infra-estruturas públicas de apoio às actividades económicas e à vida das comunidades.
Única fábrica nacional de produção de painéis solares passa a ser gerida pelo grupo Jampur, do Dubai, ao abrigo de uma concessão de 20 anos que pretende reactivar a produção, modernizar equipamentos e responder à procura de soluções de energia solar no mercado nacional e nos países vizinhos. A transferência da gestão, assinalada esta quarta-feira, na Matola, ocorre depois de cerca de quatro anos de paralisação e de dificuldades técnicas que limitaram a competitividade da unidade industrial.
Inaugurada em 2013, no Parque Industrial de Beluluane, a fábrica representou um investimento de 13 milhões de dólares, financiado pelo Governo da Índia, e foi concebida para apoiar a produção nacional de painéis solares e os programas de electrificação, sobretudo nas zonas rurais. A retoma, porém, não será imediata: a nova gestão prevê substituir parte significativa dos equipamentos existentes e estima alcançar a produção plena no primeiro trimestre de 2027.
O presidente do Conselho de Administração do FUNAE, Mety Gondola, justificou a entrega da operação ao sector privado com limitações tecnológicas e de escala que impediam a fábrica de competir. A unidade produzia painéis com potência na ordem dos 270, enquanto produtos concorrentes chegavam a cerca de 670, além de apresentarem uma diferença de preço próxima de mil meticais. “A dimensão não nos permitia melhor escala. A potência máxima daquilo que se produzia não nos permitia ser competitivos com os produtos disponíveis no mercado, e havia ainda a questão do preço”, explicou Gondola.
A decisão enquadra-se, segundo o PCA do FUNAE, numa visão em que o fundo deve concentrar-se no financiamento e no apoio às políticas de energia, deixando a implementação e a operação de actividades industriais para operadores privados. Gondola ressalvou, contudo, que a passagem de gestão não significa o afastamento total do Estado. O FUNAE continuará a acompanhar a iniciativa e discute com a Jampur possibilidades de novos investimentos, incluindo a produção de contadores e outras soluções ligadas ao sector energético.
O responsável sublinhou ainda que a fábrica não deve orientar a sua produção apenas para grandes encomendas do Estado ou de empresas. Na sua perspectiva, a modernização deve permitir fabricar soluções de menor dimensão, acessíveis a famílias, pequenos produtores e agricultores que precisam de energia para desenvolver actividades nas suas machambas. A capacidade de responder a diferentes segmentos de mercado será, assim, uma das medidas da utilidade económica e social do empreendimento.
“Vamos determinar qual é a procura no mercado moçambicano, porque acreditamos que é elevada. Ainda não temos um número específico, mas será necessário investir bastante e serão criados muitos postos de trabalho”, declarou Muhammad shafiq, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Jampur , acrescentando que a empresa pretende introduzir equipamentos novos. Segundo o gestor, parte dos equipamentos actualmente instalados tem entre dez e quinze anos e deverá ser substituída, por não corresponder às necessidades tecnológicas da produção que a Jampur pretende implementar.
A empresa afirma já ter iniciado os preparativos para trazer os novos equipamentos e indica que um fornecedor, identificado na intervenção como Red Solar, esteve recentemente no local. A meta anunciada é atingir a produção plena no primeiro trimestre de 2027. Até lá, permanecem por esclarecer o montante global a investir, a capacidade diária que será instalada e o calendário detalhado de entrada em funcionamento das diferentes fases da linha de produção.
Os dados apresentados pelo FUNAE ajudam a dimensionar o desafio. Antes da paralisação, a unidade conseguia produzir até 100 painéis por dia, segundo Joaquim Macanguisse, administrador do pelouro de projectos do fundo. O responsável afirmou que a Jampur está a avaliar as instalações para determinar a capacidade futura, mas espera que a adopção de tecnologia moderna permita aumentá-la de forma significativa.
Macanguisse explicou que a fábrica enfrentava dificuldades de manutenção e de acesso a matérias-primas e assistência técnica, num contexto em que as mudanças tecnológicas na indústria tornavam mais difícil manter os equipamentos em funcionamento. A falta de apoio especializado podia prolongar as interrupções, reduzindo a regularidade da produção e a capacidade de responder às encomendas. A transferência para um operador privado pretende, entre outros objectivos, ultrapassar estes constrangimentos operacionais.
A concessão também levanta questões sobre o emprego e a continuidade dos conhecimentos acumulados pela equipa anterior. De acordo com Macanguisse, os 14 trabalhadores que estavam afectos à fábrica eram funcionários do Estado e foram integrados em diferentes sectores do FUNAE após a paralisação da unidade. A nova gestão poderá contratar trabalhadores, em função das suas necessidades, e existe a possibilidade de alguns dos antigos funcionários transitarem para a Jampur, caso haja interesse e disponibilidade.
“Todos os trabalhadores que estavam aqui na fábrica já foram integrados em vários sectores do FUNAE”, afirmou Macanguisse, esclarecendo que os contratos existentes permanecem, em princípio, ligados ao fundo. O administrador não avançou uma previsão do número de novas vagas, remetendo a estratégia de recrutamento para a empresa concessionária. Assim, a promessa de criação de emprego ainda não está acompanhada por metas quantificadas, nem por um calendário de contratação.
O governador da província de Maputo, Manuel Tule, considera que a retoma poderá contribuir para alargar o acesso à energia, em particular nas comunidades onde a extensão da rede eléctrica convencional é difícil ou dispendiosa. O governante apontou a produção local como uma oportunidade para responder à procura interna e externa e reduzir a dependência de importações, embora o alcance desse efeito dependa da capacidade produtiva que vier a ser instalada e da competitividade dos painéis no mercado.
O governador apelou igualmente à contratação e capacitação de jovens locais, defendendo que a fábrica deve gerar benefícios para a população da região onde está instalada. Tule reconheceu que alguns candidatos poderão não dominar inicialmente a tecnologia a utilizar, mas considerou que a formação pode prepará-los para trabalhar na unidade. O apelo coloca a qualificação da mão-de-obra nacional entre as expectativas associadas à concessão, numa fase em que o plano concreto de contratação ainda não foi divulgado.
A passagem para a Jampur constitui, por isso, uma tentativa de recuperar um investimento público de 13 milhões de dólares e converter uma unidade inactiva num activo industrial operacional. O acordo abre espaço à modernização e a novas oportunidades de negócio, mas deixa por quantificar elementos essenciais para avaliar o seu impacto económico: o capital que será aplicado, a capacidade instalada, os empregos efectivamente criados e a parcela da procura nacional que poderá ser satisfeita pela produção local.
O primeiro trimestre de 2027 será o marco para avaliar a retoma. A execução dos investimentos, a produção e os empregos criados dirão se a concessão tornou viável este activo industrial em Moçambique.
Está patente ao público até 5 de Novembro, na Mediateca do BCI, em Maputo, a exposição individual “Versos d’Alma”, do artista plástico moçambicano Miqueias Rocha, conhecido no meio artístico por Das Rochas.
A mostra reúne obras em aguarela sobre papel que traduzem memórias, emoções e experiências marcantes do autor, convidando o público a uma reflexão sensível sobre o quotidiano, a identidade e as referências culturais moçambicanas.
A cerimónia de abertura teve lugar na terça-feira, e contou com a presença de artistas, representantes do meio cultural e convidados, tendo sido marcada por intervenções que evidenciaram a dimensão estética e simbólica da exposição, bem como o percurso criativo do seu autor.
Na ocasião, a Coordenadora das Mediatecas do BCI, Telma Jorge, destacou a importância da iniciativa enquanto espaço de valorização da expressão artística nacional, sublinhando que as obras convidam o público a um exercício de memória e observação da realidade moçambicana.
Reafirmou, igualmente, o compromisso do Banco com a promoção da cultura, particularmente no ano em que celebra três décadas de existência. Por sua vez, o curador Titos Pelembe realçou a riqueza temática e expressiva da exposição, identificando três dimensões fundamentais na produção artística apresentada: as memórias da infância, as dinâmicas da vida urbana e a exploração de símbolos de matriz africana, numa linguagem simultaneamente contemporânea e enraizada na identidade cultural.
Destacou, ainda, a diversidade de abordagens e a importância do regresso do artista à apresentação pública dos seus trabalhos.
O autor Das Rochas descreveu a exposição como um momento de renascimento artístico, depois de um longo período afastado da pintura. Revelou que o nascimento das suas filhas constituiu um dos principais impulsos para retomar os pincéis e reencontrar uma paixão que o acompanha desde os tempos de formação. Para o artista, cada trabalho representa uma parte da sua própria história, traduzindo sentimentos e experiências que agora partilha com o público.
A exposição assinala, igualmente, um marco no percurso de Miqueias Rocha, que, apesar de já ter participado em diversas mostras colectivas, apresenta agora a sua primeira exposição individual.
Ao acolher “Versos d’Alma”, o BCI reafirma o seu papel enquanto parceiro da cultura e dos criadores nacionais, proporcionando espaços de encontro entre artistas e público e contribuindo para a divulgação do talento moçambicano, numa aposta contínua na valorização da identidade e do património cultural do País.
Os fazedores das artes e cultura na Zambézia defendem maior valorização das manifestações identitárias da província no Plano Estratégico da Cultura 2027–2036. A auscultação nacional, que decorre durante dois dias, procura recolher contribuições para um documento que deverá orientar as políticas culturais na próxima década.
A cultura da Zambézia quer deixar de ser apenas uma expressão da identidade dos seus povos para assumir um papel mais expressivo na promoção do turismo, na criação de oportunidades económicas e na dinamização das indústrias culturais e criativas.
É neste contexto que a província acolhe uma auscultação nacional no âmbito da elaboração do Plano Estratégico da Cultura 2027–2036, um processo que pretende reunir contribuições dos fazedores das artes e cultura para a definição das prioridades do sector nos próximos dez anos.
Num território marcado pela diversidade de manifestações culturais, pela riqueza gastronómica e pelo talento dos seus jovens, os participantes esperam que o documento final reflicta as particularidades da identidade zambeziana e reconheça a cultura como um recurso estratégico para o desenvolvimento social e económico.
A expectativa é que as propostas apresentadas não se limitem ao registo formal das manifestações culturais, mas contribuam para a criação de mecanismos de promoção, preservação, valorização e sustentabilidade das actividades artísticas e culturais.
A auscultação coloca, assim, uma questão central: como transformar a riqueza cultural da Zambézia num instrumento de desenvolvimento, capaz de gerar oportunidades para artistas, criadores, promotores de eventos, agentes turísticos e comunidades.
“Não estamos nesta reunião como meros ouvintes, mas como actores importantes que possam contribuir para construção de um instrumento que possa nortear o sector da cultura”, disse Pio Matos, governador da Zambézia, lembrando aos fazedores das artes e cultura no sentido de partilharem propostas que reflitam a nossa realidade”.
MUCAPATA E GALINHA À ZAMBEZIANA NA ESTRATÉGIA CULTURAL
Entre as propostas que se pretende ver reflectidas no Plano Estratégico da Cultura está a valorização da gastronomia zambeziana, com destaque para a mucapata e a galinha à zambeziana, pratos que constituem referências da identidade culinária da província.
Mais do que alimentos tradicionais, estas especialidades representam conhecimentos transmitidos entre gerações, práticas comunitárias e formas de expressão da identidade local. A sua valorização pode contribuir para promover a gastronomia como património cultural e como elemento de diferenciação turística.
“Precisamos que os nossos pratos, a nossa mucapata e o nosso caril de coco estejam também na componente de dinamização das indústrias culturais e criativas. Precisamos que festivais como Zalala constem neste plano estratégico, pois ao constar estaremos a dotar os fazedores das artes e culturas de capacidade de gerar renda, incrementando postos de trabalho e assim devolver a dignidade de vida aos nossos fazedores das artes e culturas” disse Ivan Bonde, director nacional das Artes e Cultura
A integração destas referências numa estratégia de promoção cultural poderá abrir espaço para iniciativas que aproximem a gastronomia das actividades turísticas, dos festivais, das feiras culturais e dos circuitos de comercialização de produtos locais.
A aposta na gastronomia constitui, deste modo, uma oportunidade para valorizar os conhecimentos tradicionais e, simultaneamente, criar condições para que cozinheiros, pequenos empreendedores, produtores e outros agentes económicos beneficiem da crescente procura por experiências culturais autênticas.
Para os fazedores das artes e cultura, a questão não se resume à inclusão dos nomes dos pratos tradicionais no documento. O desafio consiste em garantir que a sua valorização seja acompanhada por acções concretas de promoção e divulgação, capazes de projectar a identidade gastronómica da Zambézia para além das fronteiras provinciais.
NIKETCHE NA VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO
A proposta de valorização cultural abrange igualmente o Festival de Zalala e de Niketche, este último é dança tradicional praticada na Zona alta da Zambézia. As mulheres e os homens, colocam objectos de latas que criam sons que dão “gosto aos ouvidos”
O Festival de Zalala representa uma oportunidade para promover manifestações culturais, reunir diferentes expressões artísticas e aproximar a cultura das actividades turísticas e económicas. A sua valorização estratégica poderá contribuir para ampliar a visibilidade da província e criar novas oportunidades para artistas e agentes culturais.
A eventual valorização destas referências no âmbito da estratégia cultural poderá contribuir para reforçar a divulgação do património artístico e literário moçambicano, promovendo o diálogo entre a tradição e as expressões contemporâneas.
A intenção é que a cultura da Zambézia seja reconhecida na sua diversidade, incluindo a gastronomia, a literatura, a música, a dança, as festas tradicionais e outras manifestações que caracterizam a identidade dos seus povos.
FAZEDORES DAS ARTES QUEREM PARTICIPAR NAS DECISÕES
A auscultação nacional pretende colocar os fazedores das artes e cultura no centro do processo de elaboração do Plano Estratégico da Cultura 2027–2036.
A participação dos agentes culturais é considerada importante para que as prioridades definidas no documento correspondam às necessidades concretas de quem trabalha diariamente na criação, produção, divulgação e preservação das manifestações artísticas e culturais.
O desafio lançado aos participantes é o de assumirem um papel activo na discussão, apresentando propostas que possam contribuir para a construção de uma estratégia ajustada à realidade do país e às especificidades de cada província.
Na Zambézia, a expectativa é que a diversidade cultural e o potencial criativo dos jovens sejam reconhecidos como processos que podem contribuir para a dinamização das indústrias culturais e criativas.
Este sector pode abrir oportunidades de emprego e geração de rendimento, desde que existam condições para a formação artística, o acesso a financiamento, a circulação de obras, a promoção de eventos e a protecção dos direitos dos criadores.
DO DOCUMENTO À VALORIZAÇÃO EFECTIVA DA CULTURA
Durante dois dias, os actores das artes e cultura serão ouvidos, num processo destinado a recolher contribuições para a matriz do plano estratégico.
O resultado desta auscultação será particularmente importante para determinar em que medida as propostas apresentadas poderão influenciar as prioridades e as acções a desenvolver ao longo da próxima década.
Para Zambézia, a expectativa é que a sua identidade cultural encontre expressão efectiva no documento final, através de iniciativas que promovam as manifestações tradicionais, valorizem os criadores e reforcem a ligação entre cultura, turismo e desenvolvimento económico.
A elaboração do plano representa, assim, uma oportunidade para discutir não apenas a preservação das tradições, mas também a criação de condições para que a cultura continue viva, renove e produza benefícios para as comunidades.
Mercado central de Quelimane, quem te viu e quem te vê! A expressão traduz a transformação vivida pelas mulheres que diariamente comercializam hortícolas, mariscos e comida confeccionada naquele que é um dos principais espaços de actividade comercial da capital provincial da Zambézia.
As novas instalações, inauguradas a 21 de Agosto, por ocasião da celebração dos 84 anos da elevação de Quelimane à categoria de cidade, estão em funcionamento e representam uma mudança significativa nas condições em que as comerciantes exercem as suas actividades.
O jornal o país visitou o mercado e encontrou um ambiente marcado pela satisfação das vendedeiras. Entre bancas organizadas e produtos expostos para a comercialização, as mulheres reconhecem que as novas infra-estruturas vieram responder a algumas das dificuldades que enfrentavam no passado, sobretudo a exposição permanente ao sol e à chuva, que condicionava o trabalho e colocava em risco a conservação da mercadoria.
Para muitas destas comerciantes, o mercado é mais do que um espaço de compra e venda. É a principal fonte de rendimento e o meio através do qual asseguram o sustento das suas famílias. Por isso, a melhoria das condições de trabalho representa também uma oportunidade para desenvolver a actividade comercial num ambiente mais protegido e organizado.
“Não temos palavras para agradecer o conselho municipal por livrar-nós das dificuldades do passado. Hoje temos dignidade, aqui buscamos sustento para a nossa família e estamos felizes com o nosso novo mercado” disse Paulina Emílio uma vendedeira do mercado central a mais de 25 anos.
DA EXPOSIÇÃO AO SOL E À CHUVA A MELHORES CONDIÇÕES DE CONSERVAÇÃO
Antes da entrada em funcionamento das novas instalações, as condições de trabalho constituíam um dos principais desafios para as mulheres que vendem produtos alimentares no mercado central de Quelimane. A exposição às condições climáticas dificultava a actividade diária e podia comprometer a qualidade dos produtos colocados à disposição dos consumidores.
Com as novas bancas, as comerciantes passam a dispor de melhores condições para acomodar e conservar a mercadoria, reduzindo a exposição directa aos factores ambientais que afectam os produtos perecíveis.
A conservação dos hortícolas e de outros produtos alimentares assume particular importância numa actividade em que a qualidade da mercadoria influencia a confiança dos clientes e as possibilidades de venda. Para as mulheres que trabalham neste segmento, a existência de instalações adequadas constitui, assim, uma melhoria que ultrapassa a componente estética do mercado.
“Hoje podemos conservar melhor as nossas hortícolas e, quando largamos até deixamos aqui e ninguém rouba. As condições mudaram para melhor” explicou Josina Isaías uma vendeira de alface, que nesta época trás do vizinho Malawi.
A satisfação manifestada pelas vendedeiras reflecte a importância de investimentos públicos e de cooperação que respondam às necessidades concretas dos pequenos comerciantes, sobretudo das mulheres que encontram no comércio informal uma fonte essencial de rendimento.
INVESTIMENTO SUPERIOR A 44 MILHÕES DE METICAIS
O projecto de requalificação permitiu a construção de cerca de 300 bancas, num investimento superior a 44 milhões de meticais, financiado pela organização GAIN, através de fundos provenientes da Noruega.
As novas instalações são compostas por três edifícios com estrutura de betão e incluem sistemas de drenagem e esgoto, instalações eléctricas e outras infra-estruturas de apoio ao funcionamento do mercado.
A presença destes equipamentos procura proporcionar melhores condições para o exercício da actividade comercial, ao mesmo tempo que contribui para uma maior organização do espaço e para a criação de um ambiente mais adequado à comercialização de produtos alimentares.
A intervenção representa um passo na melhoria das infra-estruturas comerciais de Quelimane, cidade onde os mercados desempenham um papel importante no abastecimento das famílias e na geração de rendimento para centenas de vendedores.
O DESAFIO DE PRESERVAR AS NOVAS INFRA-ESTRUTURAS
Apesar da satisfação com as melhorias introduzidas, a utilização e conservação das novas instalações constituem um desafio que exige o envolvimento das comerciantes e das entidades responsáveis pela gestão do mercado.
A manutenção da limpeza, a utilização adequada dos sistemas de drenagem e esgoto e a preservação das bancas serão determinantes para garantir que o investimento continue a produzir benefícios ao longo dos anos.
“O nosso desvio agora, passa por conservar o mercado central. A responsabilidade neste sentido é nossa e esperamos cuidar para ficar muito e longos anos num bom estado” precisou Manucha João, outra vendeira.
Mais do que inaugurar infra-estruturas, o desafio consiste em assegurar que estas permaneçam funcionais, limpas e organizadas, proporcionando condições adequadas tanto para quem vende como para quem procura produtos no mercado.
Em Quelimane, a transformação do mercado central demonstra que a melhoria das infra-estruturas comerciais pode ter um impacto directo no quotidiano de quem depende do pequeno comércio. Para as vendedeiras, a mudança é visível nas condições em que trabalham, na protecção da mercadoria e na esperança de desenvolver uma actividade com maior segurança e dignidade.
A Frelimo reafirma o seu compromisso com o esclarecimento das causas e circunstâncias da morte do primeiro Presidente de Moçambique, considerando que se trata de uma preocupação legítima do povo moçambicano. O partido reconhece, contudo, que a tragédia ocorreu num período particularmente crítico da história mundial, do continente africano e do país.
Segundo o representante da formação política, os esforços para apurar os factos continuam, havendo a convicção de que a justiça será feita, apesar da demora no esclarecimento do caso.
Noutro desenvolvimento, o representante da Frelimo abordou a questão da participação nacional e local no conteúdo dos recursos do país, referindo que os instrumentos normativos estabelecem uma participação nacional inicial de 15%, bem como uma reserva de 10% para o conteúdo local.
O responsável explicou que estas medidas constituem os primeiros passos para a industrialização de Moçambique e o reforço da capacidade produtiva nacional, com vista a garantir que os moçambicanos beneficiem efectivamente dos recursos existentes nas comunidades e nos distritos.
Acrescentou que o país dispõe actualmente de instrumentos normativos e regulatórios que anteriormente não existiam, apelando à colaboração de todos os intervenientes do sector para assegurar a sua implementação efectiva.
Nova sondagem dá 45% a Flávio Bolsonaro e 44% a Lula da Silva. 2% dos eleitores estão indecisos e 9% não vão votar ou votarão em branco.
A poucos dias da segunda volta das presidenciais de domingo, no Brasil, os dois candidatos continuam em empate técnico. Uma nova sondagem, divulgada nesta quarta-feira, dá 45% das intenções de voto a Flávio Bolsonaro contra 44% para Lula da Silva.
A sondagem da Quaest, encomendada pela Globo e pelo jornal “O Globo”, mostra ainda que 2% dos eleitores estão ainda indecisos, enquanto 9% não tenciona ir votar ou irá votar em branco.
Para o director da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas, Felipe Nunes, a sondagem mostra um cenário de disputa “muito acirrada”.
“O quadro quase não se alterou entre as duas rodadas. A distância de 2 pontos passou para 1 ponto, mas essa oscilação na margem de erro não nos permite tirar nenhuma conclusão sobre ‘virada’, ‘mudança’ ou ‘vantagem'”, escreveu na rede social X.
Em relação à anterior sondagem da Quaest, divulgada há uma semana, no dia 14, Flávio Bolsonaro perdeu um ponto (tinha 46%) e Lula manteve os 44%. A situação já era de empate técnico e assim se mantém.
Também a percentagem de votos nulos, brancos ou de abstenção, manteve-se nos 9%. Já o número de indecisos subiu (era de 1% na semana passada).
Na primeira volta, realizada em 04 de Outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
O Consulado-geral do Brasil em Lisboa alertou esta semana para a possibilidade de os títulos eleitorais físicos poderem estar desatualizadas e pediu aos cidadãos brasileiros que confirmem os seus dados no ‘site’ do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“O consulado-geral do Brasil em Lisboa recomenda que os eleitores consultem o ‘site’ oficial do Tribunal Superior Eleitoral (www.tse.jus.br) para verificar os dados da sua inscrição eleitoral, especialmente a secção em que estão registados. As informações impressas nos títulos físicos podem estar desatualizadas e não corresponder aos dados atuais do cadastro eleitoral”, alertou a representação diplomática brasileira numa nota de imprensa enviada à Lusa.
Na mesma nota explicou que os títulos emitidos até 2006 que não tiveram movimentação foram excluídos do cadastro eleitoral. Por isso, mesmo que o eleitor ainda tenha o documento físico, ele pode não corresponder a uma inscrição eleitoral ativa, acrescentou.
“Já os títulos emitidos entre 2006 e 2017/2018 podem apresentar informações incorretas ou desatualizadas. A partir de 2017/2018, a Justiça Eleitoral deixou de emitir títulos no antigo modelo de papel-moeda”, referiu.
Assim, o consulado esclarece que os eleitores podem utilizar o e-Título – uma aplicação oficial da Justiça Eleitoral – ou emitir uma versão simplificada do título pelo ‘site’ do TSE, que pode ser impressa em papel.
“A consulta aos dados atualizados nos canais oficiais é fundamental para confirmar as informações eleitorais”, aconselhou.
Especificamente sobre Lisboa, o maior colégio eleitoral fora do Brasil, constituído 78.607 pessoas, o consulado alerta que, no e-Título, “aparece a indicação ‘Universidade de Lisboa – Reitoria – Direito – Letras’, todas juntas, sem distinção”.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em campanha para as legislativas de 27 de Outubro, defendeu que derrubar o Governo iraniano é a única opção para eliminar a ameaça existencial que Teerão representa.
“Só há uma forma de eliminar esta ameaça de uma vez por todas: derrubar o regime iraniano. Foi essa a instrução que dei ao Exército, à Mossad (serviços secretos externos israelitas) e aos serviços de segurança”, afirmou Netanyahu, perante apoiantes em Dimona, no sul de Israel.
Há anos que o chefe do Governo israelita acusa Teerão de tentar obter a bomba atómica.
“O regime iraniano ainda não aprendeu a lição”, acrescentou Netanyahu, referindo-se à guerra lançada por Israel juntamente com os Estados Unidos contra o Irão, a 28 de Fevereiro, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Segundo o primeiro-ministro israelita, o atual líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, “decidiu seguir os passos do pai”, morto no primeiro dia da guerra: “Tirou a cavilha da granada, e o Irão está a tentar, mais uma vez, desenvolver bombas mortíferas”.
“O regime iraniano está mais fraco que nunca, e consideramos que essa fraqueza pode levá-lo a adotar as medidas mais extremas, incluindo contra o Estado de Israel. Se o Irão atacar Israel, o Irão arderá!”, declarou, por sua vez, o ministro da Defesa, Israel Katz, durante uma cerimónia militar.
Na terça-feira, ao agradecer ao Presidente norte-americano, Donald Trump, o seu apoio para as eleições legislativas, numa conversa telefónica, Netanyahu declarou: “Donald, temos uma missão a concluir”, referindo-se à sua promessa eleitoral de “eliminar a ameaça iraniana”.
O tom de Netanyahu em relação ao Irão tornou-se mais severo nas últimas semanas, em paralelo com as ameaças de Trump de retomar a guerra que os dois aliados desencadearam contra a República Islâmica no final de Fevereiro.
De acordo com uma notícia do diário Financial Times ontem publicada, Netanyahu ordenou às Forças Armadas israelitas que retomassem os ataques ao Irão no início deste mês, mas Trump terá acabado por vetar o plano.
O chefe de Estado norte-americano declarou publicamente que não tinha a intenção de retomar as hostilidades contra Teerão – impopulares nos Estados Unidos devido ao seu impacto no preço do petróleo — antes das eleições intercalares no país, agendadas para 03 de Novembro.