As mesas de voto abriram este domingo no Brasil para a segunda volta das eleições presidenciais, disputada pelo actual Presidente, Lula da Silva, e pelo senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do antigo chefe de Estado Jair Bolsonaro. A votação decorre num clima de forte polarização política, num país dividido entre os dois candidatos.
Na primeira volta, realizada a 4 de Outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma diferença de 2.224.965 votos.
As sondagens apontam para um empate técnico entre os dois candidatos. Desde a introdução do sistema de duas voltas nas eleições presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que tenha terminado a primeira volta em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
As assembleias de voto abriram às 08h00 de Brasília, correspondentes às 11h00 de Lisboa, e encerram às 17h00, mantendo o horário unificado adoptado em 2022, apesar dos diferentes fusos horários do país.
Mais de 158,7 milhões de eleitores estão habilitados a votar nas cerca de 564 mil urnas electrónicas distribuídas por 5.571 municípios brasileiros. A votação decorre igualmente em 186 cidades no estrangeiro, incluindo Lisboa, Porto e Faro.
Fora do Brasil, estão inscritos 918.876 eleitores, dos quais mais de 134 mil em Portugal, o segundo maior contingente de votantes brasileiros no estrangeiro, depois dos Estados Unidos. Lisboa constitui o maior colégio eleitoral fora do país, com cerca de 79 mil eleitores.
Lula da Silva deverá votar na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, pouco depois das 08h00 locais. Após a votação, o Presidente acompanhará a contagem dos votos no Hotel Renaissance, na capital paulista, ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, deverá votar numa escola municipal da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, seguindo depois para Brasília, onde acompanhará os resultados eleitorais.
Aos 80 anos, Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, procura a reeleição e um quarto mandato presidencial. Antigo sindicalista, o actual Presidente enfrenta Flávio Bolsonaro, senador do Partido Liberal, apoiado pela direita, que procura devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota eleitoral do pai, Jair Bolsonaro, frente a Lula.
Numa declaração ao país, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, assegurou que a Justiça Eleitoral estará mobilizada em todo o território nacional para garantir a livre manifestação da vontade dos eleitores e assegurar um ambiente de tranquilidade e respeito, à semelhança do que, segundo afirmou, se verificou na primeira volta.