Skip to main content

O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

Vídeos

NOTÍCIAS

A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou ontem que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita lhe pediu o reforço da presença naval europeia no Mar Vermelho, perante os ataques dos Huthis.

Em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo, Kaja Kallas condenou a “intensificação dos ataques dos Huthis” contra o aeroporto de Riade, enviando condolências às famílias das vítimas.

A chefe da diplomacia da UE indicou que, no domingo, falou ao telefone com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, para perceber o que é que os europeus podem fazer para ajudar o país a lidar com a situação.

“Temos a operação Aspides e o apelo deles foi que reforçássemos esta operação, para que possa trabalhar em estreita coordenação com a força internacional a fim de manter aberto o estreito de Bab el-Mandeb e garantir a saída dos navios mercantes do Mar Vermelho”, afirmou.

A operação Aspides, lançada em fevereiro de 2024, visa proteger navios comerciais e mercantis no Mar Vermelho, Golfo e Oceano Índico Ocidental de ameaças crescentes, designadamente de ataques dos grupos Huthis do Iémen.

Kaja Kallas tem apelado, nas últimas semanas, ao reforço desta operação – argumentando que é necessário dotá-la dos meios de que precisa para conseguir cumprir o seu mandato –, e, em Setembro, indicou que dois Estados-membros se tinham disponibilizado para enviar mais navios para a região.

Nestas declarações aos jornalistas, a chefe da diplomacia da UE confirmou ainda que os ministros deverão aprovar hoje a criação de uma nova missão no Líbano.

“Terá uma componente civil e outra militar. Se esta decisão for aprovada, esperamos que a missão esteja pronta para iniciar operações no terreno dentro de alguns meses”, referiu.

Kallas recordou que visitou o Líbano na semana passada e acrescentou que a criação desta missão “é muito bem vista pelas autoridades locais”.

A Arábia Saudita anunciou três ataques contra o aeroporto da capital desde sexta-feira, que causaram mais de 15 mortos no total e centenas de feridos.

Os Huthis, que controlam Sanaa (capital do Iémen) desde 2014, reivindicaram nas últimas semanas vários ataques com drones e mísseis balísticos contra instalações civis e militares sauditas, incluindo aeroportos e infra-estruturas energéticas.

Os insurgentes iemenitas não são o único grupo que lançou ataques contra o território da Arábia Saudita nos últimos meses: o maior produtor de petróleo da OPEP também tem sido alvo de vários movimentos armados pró-iranianos que têm visado infraestruturas energéticas e civis do reino árabe.

O chefe da equipa de investigadores da ONU para os crimes em Myanmar afirmou que os ataques contra civis no oeste do país impedem o regresso da minoria rohingya que está refugiada no Bangladesh.

Há duas semanas, pelo menos 50 pessoas morreram e outras 58 ficaram feridas durante um ataque aéreo em Rakhine, onde vive a minoria muçulmana rohingya.

O chefe da equipa de investigadores da ONU para os crimes em Myanmar (antiga Birmânia) afirmou hoje que os ataques contra civis registados no oeste do país impedem o regresso da minoria rohingya que está refugiada no Bangladesh.

Há duas semanas, pelo menos 50 pessoas morreram e outras 58 ficaram feridas, segundo dados da ONU, durante um ataque aéreo contra um mercado no estado de Rakhine, onde vive a minoria muçulmana rohingya.

O ataque foi atribuído ao Exército birmanês pelo movimento rebelde Exército de Arakan, uma guerrilha budista que também discrimina esta minoria.

“O Mecanismo [Independente de Investigação da ONU para Myanmar] investiga denúncias de crimes internacionais muito graves que estão a ser cometidos atualmente no estado de Rakhine por autores de diferentes etnias, religiões e afiliações políticas”, apontou Nicholas Koumjian num comunicado.

O responsável pela investigação do mecanismo da ONU concluiu ontem uma visita oficial de seis dias ao Bangladesh, país para onde fugiram mais de 154 mil rohingya desde o início de 2024 devido à violência exercida contra esta minoria durante o conflito entre o Exército de Arakan e o Exército birmanês.

“Muitos rohingya partilharam comigo as suas experiências recentes e traumáticas que os levaram a procurar refúgio no Bangladesh e estes testemunhos são cruciais para fazer avançar as nossas investigações”, salientou Koumjian.

Esta perseguição junta-se à sofrida pelos rohingya durante a brutal campanha lançada pelo Exército em Agosto de 2017, que levou mais de 720.000 membros desta etnia a fugir também para o Bangladesh.

Segundo dados da ONU, mais de 1,2 milhões rohingyas estão em campos de refugiados localizados no território de Cox’s Bazar, no Bangladesh — a maior rede de campos do mundo.

Koumjian defendeu a necessidade de “pôr fim à violência contra a população civil” e de que os responsáveis respondam perante a justiça, apontando estas medidas como “passos cruciais para garantir que a comunidade rohingya possa regressar aos seus lares de forma segura”.

Este mecanismo da ONU, criado em 2018, forneceu material ao Tribunal Penal Internacional (TPI), às autoridades da Argentina, que abriram um processo em 2024 com base na jurisdição universal, e ao Tribunal Internacional de Justiça, no âmbito dos casos iniciados para investigar o possível genocídio contra o povo rohingya.

A campanha de repressão do exército de Myanmar contra esta minoria foi descrita pela ONU como uma limpeza étnica. Myanmar, de maioria budista, não reconhece esta minoria e impõe múltiplas restrições aos rohingyas, nomeadamente a liberdade de movimentos.

Um estudo revela que o índice de estigma e discriminação contra pessoas com HIV em Moçambique caiu para menos de metade desde 2013, mas ainda afeta 21% do total, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

Segundo o  índice de estigma e discriminação contra pessoas que vivem com Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) citado pela Lusa, em Moçambique caiu para menos de metade desde 2013, mas ainda afeta 21% do total, segundo um estudo ontem divulgado.

O Índice de Estigma e Discriminação de Pessoas Vivendo com HIV e Populações-Chave, realizado em 2025 na cidade de Maputo e em seis províncias do país, ainda em versão preliminar, apresentado hoje em Maputo e desenvolvido pela Kuyakana – Rede Nacional de Organizações de Mulheres e Raparigas Vivendo com HIV/SIDA, compara com o registo de 51% há 12 anos.

“Mesmo assim ainda temos uma batalha pela frente”, disse aos jornalistas o ativista Adelino Mechico, na apresentação do estudo, defendendo a continuidade das ações de sensibilização e consciencialização para reduzir a discriminação contra as pessoas que vivem com o vírus.

Segundo escreve a Lusa, o estudo abrangeu a cidade capital e as províncias de Maputo, Gaza, Sofala, Zambézia, Nampula e Cabo Delgado, tendo analisado as experiências das pessoas que vivem com HIV/Sida, com as futuras recomendações a servirem para reforçar a resposta nacional ao HIV, segundo o Ministério da Saúde moçambicano, que organizou a apresentação de hoje.

De acordo com Mechico, vão ser propostas medidas dirigidas a diferentes setores da sociedade e estabelecido como meta reduzir o índice de estigma e discriminação para menos de 10%.

No estudo foram ainda analisadas experiências relacionadas com o acesso aos serviços de saúde, os cuidados prestados nas unidades sanitárias e a gestão da informação clínica, recolhendo percepções dos participantes sobre situações vividas durante a procura de assistência.

Moçambique tem uma prevalência estimada de HIV de 11,6% entre pessoas com 15 ou mais anos, contra 12,4% identificados num estudo comunitário realizado em 2021, segundo explicou na cerimónia Francisco Mbofana, secretário executivo do Conselho Nacional de Combate ao HIV/Sida.

De acordo com Mbofana, as estimativas de 2025 apontam para cerca de 2,5 milhões de pessoas a viver com HIV no país, das quais 87% conhecem o seu estado serológico, 87% encontram-se em tratamento e 76% alcançaram a supressão viral.

“Uma das principais barreiras que estamos a lutar contra é exatamente a questão do estigma e discriminação”, afirmou Mbofana, defendendo que a redução destes fenómenos pode levar mais pessoas a fazer o teste e a permanecer em tratamento.

O responsável indicou que Moçambique registou cerca de 77 mil novas infecções por VIH em 2025, contra aproximadamente 160 mil em 2010, considerando que o número de novas infecções continua elevado e que o objetivo é interromper a transmissão do vírus.

Mbofana apontou as províncias da Zambézia, Maputo, Sofala e Nampula entre as com maior número de pessoas afetadas, explicando que a dimensão da população influencia estes números, mesmo quando a prevalência não é das mais elevadas.

“Em termos de prevalência mais alta, continua a ser Gaza. Gaza tem cerca de 20%”, afirmou Mbofana, acrescentando que a cidade de Maputo apresenta uma prevalência de aproximadamente 16%.

Acrescentou que outra meta do país é chegar a 95% das pessoas com HIV a conhecerem o seu estado serológico, sublinhando que o diagnóstico precoce, a continuidade do tratamento e a supressão viral são fundamentais para reduzir novas infecções.

A activista social moçambicana Graça Machel foi distinguida na 10.ª Gala de Prémios da Lusofonia, realizada no Casino Estoril, em Portugal, pelo seu percurso na defesa dos direitos humanos, com destaque para os direitos das crianças e das mulheres.

Ao reagir ao reconhecimento, Graça Machel afirmou que o prémio representa as centenas de milhares e milhões de crianças cujos direitos contribuiu para divulgar, promover e defender.

A activista manifestou, igualmente, preocupação com os retrocessos na protecção dos direitos humanos e com a situação das crianças em zonas de conflito, nomeadamente em Gaza, no Sudão, na Ucrânia, na República Democrática do Congo e no Norte de Moçambique.

Graça Machel chamou ainda a atenção para a violência contra as mulheres e o fenómeno do feminicídio, considerando que os esforços para garantir o respeito pelos direitos humanos continuam a ser insuficientes.

O prémio foi recebido, em nome da activista, pela embaixadora de Moçambique, que assegurou que a distinção será entregue a Graça Machel.

O Presidente da República admite dificuldades no exercício da função do professor e prometeu reformas para a melhoria das condições de trabalho. Daniel Chapo recebeu hoje, saudação da Organização Nacional de Professores. A classe apela à união, independentemente das diferenças de opiniões. 

O país celebrou nesta segunda-feira o Dia dos Professores. Por ocasião da data, a Organização Nacional dos Professores saudou o chefe de Estado, com a renovação do compromisso da classe com o desenvolvimento do capital humano.

Em representação à agremiação, o Secretário-geral da instituição, Teodoro Muidumbe, destacou a necessidade de valorização da classe, como responsável pela formação de quadros que promovem o desenvolvimento do país. Disse ainda que o mínimo que o Professor quer é a valorização do seu esforço e entrega diária. 

“No dia-a-dia, o Professor desdobra-se para cumprir a sua missão, muitas das vezes enfrentando turmas sobrecarregadas, escassez de material didático e longas distâncias para chegar às escolas, demonstrando uma resiliência e vocação exemplares que transcendem o mero exercício de um emprego. Os principais desafios técnicos e humanos incluem a necessidade urgente de contínua superação pedagógica para responder às reformas curriculares, à melhoria das condições socioeconómicas e habitacionais, especialmente nas zonas rurais, e à garantia de um ambiente de trabalho seguro e motivador”, defendeu o gestor. 

Com um histórico de crispações entre membros da mesma classe, o secretário-geral da ONP deixou um apelo.

“A pluralidade das visões deve convergir para o mesmo propósito comum, a dignificação do professor e a qualidade da educação pública sem espaço para fragmentação da classe. Rogamos que o Governo continue focado na responsabilização progressiva das carreiras profissionais, no pagamento das horas extras e na alocação de mais recursos para a formação contínua. Acreditamos que investir no Professor é o caminho mais seguro para combater a pobreza e assegurar o desenvolvimento sustentável”, completou o seu discurso, convidando a plateia a aplaudir, em pé, enquanto oferecia uma escultura simbolizando a união de esforços, para um só propósito: o desenvolvimento do país.

O Chefe de Estado, dirigindo-se a uma plateia composta por professores de todos níveis, gestores escolares, bem como governantes, além de valorizar o papel desta figura para a construção social, recordou e mostrou conhecer os desafios impostos à classe, ao mesmo tempo que destaca o seu esforço, em meio a dificuldades. 

“Os professores ajudam a formar gerações capazes de escutar o próximo com calma e serenidade, compreender as diferenças e construir consensos, fortalecendo a unidade nacional, a reconciliação nacional e a paz em Moçambique. Do mesmo modo, a nossa ambição de alcançar a independência económica começa nas escolas. Precisamos de cidadãos qualificados, criativos, inovadores, capazes de produzir, investigar, empreender e transformar os nossos recursos em riqueza para todos. O professor é, por isso, um agente essencial da transformação econômica e social do nosso país”, declarou o Chefe de Estado. 

A necessidade de valorização da classe ganhou destaque no discurso de Daniel Chapo. 

“Reconhecemos igualmente os desafios que afectam a classe docente, incluindo a gestão das carreiras, o desenvolvimento profissional dos nossos Professores e o processamento das horas extraordinárias. Estas matérias exigem respostas responsáveis, transparentes e sustentáveis,  assentes no diálogo e na procura de soluções conjuntas que temos feito com os nossos professores. Orientamos, por isso, o Ministério da Educação e Cultura  a desenvolver mecanismos para reconhecer e valorizar os professores que se distinguem pelo seu mérito, dedicação, competência e responsabilidade”.

Neste ano, a ONP celebra 45 anos de criação, contando actualmente com cerca de 34 mil Professores Associados, contra um total de mais de 160 mil profissionais, só no sector público.

PROFESSORES DIVIDIDOS 

Alguns professores dizem que não há motivos para celebrar o dia 12 de Outubro. O Secretário-geral do Conselho Fiscal da Associação Nacional dos Professores, Carlos Muhate, aponta o não pagamento das horas extras e dos subsídios de funeral, falta de material didático e superlotação das turmas como alguns dos desafios que entristecem a classe.  

As declarações foram captadas depois que Professores saudaram o Presidente da República, por ocasião do 12 de Outubro, na Praça dos Herois, onde prestaram homenagem aos melhores filhos da pátria. 

O ambiente era de festa, mas nem todos os Professores encontraram motivos para celebrar.

“Não há motivos para celebrar, não há motivos para festejar. Só estamos aqui para simbolizar o dia, mas não porque, de facto, estamos felizes com o que nós estamos a vivenciar”, declarou Carlos Muhate, secretário do Conselho Fiscal da ANAPRO. 

As razões são antigas e vêm ao de cima, sempre que chega a efeméride. 

“O professor está a descontar o valor da assistência médica e medicamentosa a subsídio funeral e não se beneficia. Nos hospitais não há medicamento, não há subsídio funeral para o Professor. Fora disso, o Professor está devendo horas extras desde 2022. Até hoje, não está sendo pago. O Professor também vive numa tristeza profunda por falta de progressão e promoção na carreira. Desde 2022, as promoções, progressões e mudanças de carreiras estão estagnadas. Hoje, pode ser contratado um novo funcionário licenciado, já está a receber como licenciado. Um Professor em exercício que terminou de estudar em 2022  ainda continua a receber como N3 até hoje. A falta de salas de aula, turmas numerosas, falta de livro, esses são os problemas que apoquentam a nossa profissão”.  

A Organização Nacional dos Professores reconhece os desafios, mas justifica que, sobre horas extras, alguns Professores  dificultam o processo.

“Nós temos conhecimento que as finanças pagam, o dinheiro sai da conta central para o professor, mas o Professor não partilha essa informação que já recebeu. Só quando não tiver o valor completo. Ele diz que pagaram horas reduzidas, não sei quanto, mas eles não partilham a informação ao nível do seu sindicato. Então, isso dificulta”, defende Teodoro Muidumbe, reiterando a necessidade de maior colaboração. 

A ANAPRO acusa a gestão da ONP de aliar-se ao Governo, contra os Professores. Carlos Muhate chegou a chamar a ONP de mentirosa.

“O que está acontecendo com o secretariado da ONP é vir aqui  falar em nome do Governo, proferir mentiras e inverdades.  Isso não corresponde à verdade. Se quiserem, senhores jornalistas, a comunicação social toda, andem nas escolas, procurarem saber quem é o Professor que recebeu horas extras.  Isso não corresponde à verdade.  A ONP não é Governo. E a ONP é a organização dos Professores: nós queremos uma organização que, de facto, defende os professores. A ONP com o Governo, não há diferença. É farinha do mesmo saco. São todos mentirosos”.

A ministra da Educação e Cultura, por seu turno, confirma o pagamento de horas extras a alguns Professores, mas fala de um processo complexo.

“Temos casos em que adulteram as horas, até chegam a receber, depois descobrem que, afinal de contas, não fizeram as horas, têm que andar atrás do processo para voltarem os nossos Professores a fazer o pagamento, portanto, das horas que receberam de forma indevida. É complexo, nós temos que migrar para as tecnologias, efectivamente, temos que  ter a componente digital, estamos todos a trabalhar no sentido de mobilizarmos mais recursos para termos a componente digital, porque isso vai permitir que qualquer, nem  que seja a Samaria, que esteja numa escola secundária e que esteja a dar aulas, vai estar programado de forma que a Samaria, para além das 24 horas, faz, por exemplo, mais  cinco horas, já diz que a Samaria fez exatamente 29 horas”. 

REGULARIZAR A PROBLEMÁTICA DE LIVROS ESCOLARES 

A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela promete regularizar o problema dos livros.

 “No ano passado, tivemos de fazer o ajustamento e a análise, a adequação de tudo que era pacote a nível do ensino primário. Trabalhamos nos programas de ensino para ajustar a nova lei. Estamos já falando dos programas do ensino secundário, portanto, desde a sétima à décima segunda classe.  E, neste momento, estamos já trabalhando exactamente para fechar a questão dos materiais do ensino secundário. Portanto, a questão de não haver livro tem a ver exactamente com o ajustamento da lei. Porque tem que ocorrer para fechar os livros do ensino secundário. Fechamos o ensino primário, mas temos que fechar o ensino secundário. Não é possível ter livro sem ter feito o livro adequado em função da nova lei do Sistema Nacional de Educação. Nós estamos já a trabalhar para isso.   Só temos que corrigir. Depois de corrigir, imprimir. Pode atrasar, sim. Mas estamos já a trabalhar exatamente para possamos ter livro”, garante Samaria Tovela.

O Presidente da República defende que o aprofundamento do canal de acesso ao Porto de Maputo é estratégico para reforçar a competitividade de Moçambique, atrair investimentos e aumentar a capacidade de produção e exportação do país.

Falando no lançamento do projecto de dragagem, o Chefe do Estado afirmou que a intervenção deverá permitir a entrada de navios de maior dimensão e eficiência, complementando os investimentos realizados nos terminais portuários e noutras infra-estruturas de movimentação de carga.

Avaliada em cerca de 150 milhões de dólares, a obra integra um programa de investimentos no Porto de Maputo superior a dois mil milhões de dólares. O objectivo, segundo o Presidente, é preparar o porto para responder às necessidades actuais e competir no sistema logístico regional e internacional nas próximas décadas.

O estadista considera que a localização geográfica de Moçambique constitui uma vantagem que deve ser transformada em oportunidades económicas, através de infra-estruturas capazes de ligar os centros de produção aos mercados regionais e mundiais.

Na sua intervenção, defendeu igualmente que os corredores de desenvolvimento devem gerar benefícios para a economia nacional, criando oportunidades para os transportadores moçambicanos, pequenas e médias empresas, jovens e mulheres, além de contribuírem para a geração de receitas para o Estado.

O Presidente destacou ainda a importância regional do Porto de Maputo, que estabelece ligações entre Moçambique e importantes centros industriais e produtivos da África do Sul, Essuatíni, Zimbabwe, Botsuana e outros países da região.

Para o Chefe do Estado, a competitividade portuária depende não apenas das infra-estruturas marítimas, mas também da eficiência das estradas, das fronteiras, dos sistemas de pagamento e dos operadores logísticos. Defendeu, por isso, que as instituições envolvidas devem funcionar de forma integrada, de modo a evitar que procedimentos administrativos desnecessários comprometam os ganhos dos investimentos.

O Presidente considera que o aprofundamento do canal de acesso ao Porto de Maputo deve contribuir para uma economia mais produtiva, industrializada, diversificada e competitiva.

O piloto Rodrigo Almeida terminou a época da Porshe Carrera Cup Asia 2026 no terceiro lugar da classificação geral, após o último fim-de-semana de competição (10 e 11 de Outubro), em Singapura.

Integrado na equipa Phantom Global Racing, o resultado permitiu-lhe fechar o campeonato no pódio. Depois de lutar pelas primeiras posições na corrida de sábado, Rodrigo Almeida arrancou de terceiro na corrida de domingo, com um ritmo que lhe permitiu disputar o pódio. O desfecho não correspondeu, porém, ao que o piloto e a equipa esperavam.

“Saio deste fim de semana com sentimentos mistos, mas sobretudo orgulhoso de tudo o que conseguimos ao longo da época. Dei sempre o meu melhor, lutei até ao fim e procurei também contribuir para os objectivos da equipa”, afirmou Rodrigo Almeida.

O piloto destacou ainda o contributo da equipa, dos patrocinadores e dos parceiros para o resultado alcançado. “Um enorme obrigado a toda a equipa por todo o trabalho, dedicação e apoio ao longo desta temporada. E, claro, aos meus patrocinadores e parceiros oficiais, que tornam tudo isto possível. Este resultado também é vosso”.

Apesar de um final exigente em Singapura, Rodrigo Almeida faz um balanço positivo da participação na Carrera Cup Asia. “Não foi o final que idealizámos, mas fechar o campeonato no TOP 3 à geral é motivo de orgulho. Agora é aprender, continuar a trabalhar e voltar ainda mais forte”.

Com a participação na Porsche Carrera Cup Asia 2026 concluída, Rodrigo Almeida prepara-se, agora, para a próxima prova do Supercars Endurance, que decorrerá de 6 a 8 de Novembro, em Jerez de la Frontera, Espanha. O piloto chega a esta etapa na liderança do campeonato.

Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior defende maior ligação entre universidades, investigação científica e sector produtivo

O Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson da Graça Francisco Macuácua, considera que o ensino superior, a investigação científica e a inovação são pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável de Moçambique e para a conquista da independência económica do país.

O governante falava esta segunda-feira, 12 de Outubro, na cidade da Beira, durante a aula inaugural da Primeira Conferência Internacional de Pesquisa, organizada pela Universidade Adventista de Moçambique, sob o lema “O Papel da Investigação Científica, Inovação e Ensino Superior no Desenvolvimento Sustentável de Moçambique”.

Na ocasião, Macuácua defendeu que o desenvolvimento do país não deve depender apenas da exploração dos recursos naturais, das reservas de gás ou das terras aráveis, mas também da capacidade intelectual, científica e criativa dos moçambicanos.

Segundo o governante, as instituições de ensino superior devem assumir um papel activo na procura de soluções para os problemas que afectam as comunidades, privilegiando a qualidade do ensino, a empregabilidade e a aplicação prática do conhecimento científico.

“O nosso desafio actual mudou de escala: o nosso compromisso agora é com a qualidade, relevância e empregabilidade”, afirmou, sublinhando que as universidades não devem limitar-se à formação de graduados, mas preparar cidadãos críticos, líderes éticos e profissionais capazes de responder às necessidades do mercado de trabalho e aos desafios do país.

O Secretário de Estado destacou igualmente a importância da investigação científica na procura de soluções para os efeitos das mudanças climáticas na agricultura, no combate às doenças endémicas e na gestão sustentável dos recursos naturais.

Para Macuácua, a produção de conhecimento científico nacional permite reduzir a dependência de soluções estrangeiras e reforçar a capacidade de Moçambique para determinar o seu próprio rumo de desenvolvimento.

O governante defendeu ainda que os resultados da investigação devem chegar às comunidades e contribuir para a formulação de políticas públicas eficazes, para a melhoria dos serviços e para o bem-estar dos cidadãos.

No domínio da inovação, considerou fundamental criar condições para que os jovens transformem ideias em empresas, tecnologias em postos de trabalho e projectos de investigação em soluções aplicáveis ao mercado.

Neste contexto, saudou a inauguração da incubadora de inovação e negócios da Universidade Adventista de Moçambique, realizada no domingo, 11 de Outubro, considerando a iniciativa uma oportunidade para estimular o empreendedorismo juvenil e a criação de emprego.

Macuácua defendeu igualmente uma maior colaboração entre as universidades e o sector produtivo, de modo a transformar o conhecimento académico em iniciativas economicamente viáveis e capazes de responder às necessidades da sociedade.

Entretanto, anunciou que o Governo está a preparar uma proposta de Lei de Investigação Científica, com vista a melhorar a regulamentação do sector. Está também em preparação a Primeira Conferência Nacional de Investigação Científica, que deverá contribuir para impulsionar a pesquisa e reforçar a coordenação entre as instituições de ensino superior e de investigação.

O governante considerou que o cumprimento dos objectivos de desenvolvimento sustentável exige uma comunidade científica forte, activa e comprometida com os desafios nacionais.

A Primeira Conferência Internacional de Pesquisa reúne investigadores, professores, estudantes e outros intervenientes do meio académico para debater o contributo da investigação científica, da inovação e do ensino superior para o desenvolvimento de Moçambique.

 

O suposto proprietário de uma fábrica clandestina de produção de diesel à base de óleo queimado foi detido no fim da tarde do passado sábado, no distrito de Dondo, em Sofala e foi aplicada uma multa de pouco mais de 325 mil meticais por despejos ilegal de resíduos sólidos.

A detenção, confirmada esta segunda-feira pelas autoridades, surge na sequência de denúncias de poluição ambiental e de um incêndio registado na semana passada nas imediações da unidade fabril.

De acordo com Domingos Ncuinda, delegado provincial de Sofala da Agencia Nacional para o Controlo de Qualidade Ambiental, empresa exibiu uma licença ambiental e um plano de gestão. Na altura da detenção o proprietário da fabrica não apresentou nenhum documento que lhe autoriza a produzir diesel na base de óleo queimado.
Neste momento as autoridades continuam a investigar a actividade da empresa.

Segundo moradores e trabalhadores de empresas vizinhas, a fábrica, pertencente a cidadãos de nacionalidade asiática, operava sem a devida autorização e despejava os resíduos da produção – descritos como um óleo preto e com cheiro nauseabundo – num terreno baldio por trás das instalações, local onde a comunidade possui machambas.

“Esse cheiro entra até dentro de casa. As nossas couves, o milho, tudo está a morrer por causa desse óleo preto que eles deitam”, queixam-se os residentes.

A situação agravou-se na semana passada quando uma queima alegadamente provocada para reduzir o volume de resíduos descontrolou-se.

“Houve uma queimada descontrolada. Esses chineses estão a fazer combustível de maneira ilegal. Eles têm resíduos, restos daquele combustível que não serve, deitam por trás do muro deles. Parece que quiseram diminuir a quantidade e criaram um incêndio. O fogo foi subindo até atingir a faixa da nossa empresa. Ficámos assustados”, relatou à nossa reportagem, José Saica, segurança de uma empresa contígua que presenciou o incêndio.

O fogo, de acordo com a testemunha, ameaçou a linha de transporte de energia eléctrica da zona e várias infra-estruturas. “Estamos em risco aqui. O combustível um dia que arder a sério pode nos atingir. Onde está aquele resto para eles é lixo, para nós é um perigo de vida”, acrescentou.

Contactada na altura, a empresa visada recusou-se a prestar declarações e trancou as portas à equipa de reportagem. Vídeos amadores a que tivemos acesso, alegadamente gravados no interior da unidade, mostram o combustível armazenado em pequenos recipientes.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Galeria