A Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial dedicada ao desenvolvimento do sector privado, manifestou interesse em aprofundar a cooperação com Moçambique para mobilizar financiamento e investimento em agricultura, energia, infra-estruturas logísticas, turismo, transformação digital e desenvolvimento empresarial, com particular atenção aos pequenos produtores agrícolas e às micro, pequenas e médias empresas.
O interesse foi manifestado durante um encontro entre o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e o Vice-Presidente Regional da IFC para África, Ethiopis Tafara, realizado à margem do Fórum de Investimento da África Lusófona, que decorreu nos dias 26 e 27 de Outubro, na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Uma das principais novidades das conversações foi a proposta da IFC de avaliar a introdução, em Moçambique, da Global AgriConnect Platform, uma iniciativa que combina tecnologia digital, instituições financeiras, empresas de fornecimento de insumos e operadores comerciais para melhorar a produtividade e integrar pequenos agricultores nas cadeias de valor.
O modelo poderá constituir uma oportunidade para responder às dificuldades de acesso ao financiamento, tecnologia e mercados enfrentadas por cerca de 5,2 milhões de pequenos produtores agrícolas moçambicanos, identificados pelo Ministro Salim Valá como uma das prioridades da estratégia de transformação económica do País.
Segundo a IFC, experiências desenvolvidas noutros países africanos alcançaram aproximadamente quatro milhões de produtores na Etiópia e cerca de um milhão na Nigéria, além de abrangerem 250 mil hectares em Marrocos. Em determinadas iniciativas, foram registados ganhos de produtividade entre 30% e 50%, resultados apresentados como referências para avaliar a adaptação do modelo à realidade moçambicana.
A plataforma utiliza informação geoespacial, inteligência artificial e ferramentas de tecnologia agrícola para identificar produtores, avaliar necessidades de sementes, fertilizantes e mecanização, facilitar o acesso a serviços financeiros e estabelecer ligações com compradores. A IFC revelou ter identificado 15 empresas africanas de tecnologia agrícola com potencial para colaborar no desenvolvimento de iniciativas desta natureza, devendo ser avaliadas as possibilidades de participação de algumas destas empresas em Moçambique.
Durante o encontro, Salim Valá destacou a necessidade de associar a modernização agrícola ao desenvolvimento dos corredores económicos e à expansão da indústria de processamento, melhorando as condições de escoamento da produção e a ligação dos agricultores aos mercados. Mphanda Nkuwa e Corredor da Beira Entre as Prioridades no sector energético, a IFC manifestou interesse em continuar a apoiar os compromissos de Moçambique no âmbito da iniciativa Mission 300, orientada para acelerar o acesso à electricidade em África através da mobilização de capital privado.
PROJECTO DE MPHANDA NKUWA
Ethiopis Tafara destacou o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, salientando a importância de aprofundar o diálogo entre os promotores para avaliar as condições de uma eventual participação da IFC no desenvolvimento do empreendimento. No domínio das infra-estruturas, a instituição propôs avaliar oportunidades de cooperação no Corredor da Beira, tendo em conta o seu potencial para facilitar o transporte e escoamento de mercadorias de Moçambique e dos países do interior da região, particularmente a Zâmbia e o Zimbabwe.
A abordagem poderá abranger o porto e as infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias associadas ao corredor, numa perspectiva de melhoria da competitividade logística e de integração económica regional. As partes destacaram igualmente a importância da ligação Norte–Sul para a circulação de pessoas e mercadorias, a dinamização da actividade produtiva e a integração territorial.
IFC Admite Avaliar Garantias Bancárias Para Facilitar Crédito às MPME O financiamento às micro, pequenas e médias empresas constituiu outro dos principais assuntos abordados. A IFC manifestou disponibilidade para estudar, em articulação com instituições financeiras nacionais, mecanismos de garantias bancárias, soluções de tecnologia financeira (FinTech) e instrumentos de financiamento das cadeias de fornecimento, visando facilitar o acesso ao crédito por empresas que enfrentam limitações na apresentação das garantias normalmente exigidas pela banca comercial.
IMPACTO DO FDEL
O Ministro Salim Valá apresentou as iniciativas do Governo destinadas a ampliar o financiamento à actividade económica, com destaque para o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o Fundo para a Promoção Económica da Mulher, o Fundo de Garantias Mutuárias e o Banco de Desenvolvimento.
As conversações incidiram ainda sobre oportunidades de cooperação no turismo, particularmente na identificação de destinos prioritários com potencial de atracção de investimento privado, bem como na transformação digital, área em que a IFC manifestou disponibilidade para aprofundar o diálogo técnico. Governo e IFC Vão Aprofundar Identificação de Projectos Prioritários Como resultado do encontro, foi proposta a designação de pontos focais para assegurar a articulação entre as equipas do Governo e da IFC, com vista à identificação de projectos prioritários, potenciais parceiros e instrumentos de financiamento.
O trabalho de seguimento deverá concentrar-se na avaliação da plataforma AgriConnect, no desenvolvimento de oportunidades associadas ao Corredor da Beira e à ligação Norte–Sul, no aprofundamento do diálogo sobre Mphanda Nkuwa e na definição de mecanismos de apoio financeiro às pequenas e médias empresas. As iniciativas encontram-se ainda numa fase de avaliação e preparação técnica, não tendo sido anunciados novos compromissos financeiros.
O encontro permitiu identificar possibilidades de cooperação orientadas para a mobilização de capital privado, a modernização da agricultura, o desenvolvimento de infra-estruturas económicas e o fortalecimento do tecido empresarial nacional, em alinhamento com as prioridades de transformação económica e desenvolvimento inclusivo e sustentável de Moçambique.