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O País – A verdade como notícia

Dono de fábrica clandestina de diesel detido em Dondo após incêndio e denúncias de poluição

O suposto proprietário de uma fábrica clandestina de produção de diesel à base de óleo queimado foi detido no fim da tarde do passado sábado, no distrito de Dondo, em Sofala e foi aplicada uma multa de pouco mais de 325 mil meticais por despejos ilegal de resíduos sólidos.

A detenção, confirmada esta segunda-feira pelas autoridades, surge na sequência de denúncias de poluição ambiental e de um incêndio registado na semana passada nas imediações da unidade fabril.

De acordo com Domingos Ncuinda, delegado provincial de Sofala da Agencia Nacional para o Controlo de Qualidade Ambiental, empresa exibiu uma licença ambiental e um plano de gestão. Na altura da detenção o proprietário da fabrica não apresentou nenhum documento que lhe autoriza a produzir diesel na base de óleo queimado.
Neste momento as autoridades continuam a investigar a actividade da empresa.

Segundo moradores e trabalhadores de empresas vizinhas, a fábrica, pertencente a cidadãos de nacionalidade asiática, operava sem a devida autorização e despejava os resíduos da produção – descritos como um óleo preto e com cheiro nauseabundo – num terreno baldio por trás das instalações, local onde a comunidade possui machambas.

“Esse cheiro entra até dentro de casa. As nossas couves, o milho, tudo está a morrer por causa desse óleo preto que eles deitam”, queixam-se os residentes.

A situação agravou-se na semana passada quando uma queima alegadamente provocada para reduzir o volume de resíduos descontrolou-se.

“Houve uma queimada descontrolada. Esses chineses estão a fazer combustível de maneira ilegal. Eles têm resíduos, restos daquele combustível que não serve, deitam por trás do muro deles. Parece que quiseram diminuir a quantidade e criaram um incêndio. O fogo foi subindo até atingir a faixa da nossa empresa. Ficámos assustados”, relatou à nossa reportagem, José Saica, segurança de uma empresa contígua que presenciou o incêndio.

O fogo, de acordo com a testemunha, ameaçou a linha de transporte de energia eléctrica da zona e várias infra-estruturas. “Estamos em risco aqui. O combustível um dia que arder a sério pode nos atingir. Onde está aquele resto para eles é lixo, para nós é um perigo de vida”, acrescentou.

Contactada na altura, a empresa visada recusou-se a prestar declarações e trancou as portas à equipa de reportagem. Vídeos amadores a que tivemos acesso, alegadamente gravados no interior da unidade, mostram o combustível armazenado em pequenos recipientes.

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