Cabo Verde vai ser a Capital Africana da Cultura em 2028, no âmbito de um projecto com o mesmo nome promovido por uma associação que junta 44 entidades do continente, anunciou o Governo cabo-verdiano.
“Cabo Verde será o País anfitrião da Capital Africana da Cultura em 2028”, anunciou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na Internet, referindo que o protocolo foi assinado na quarta-feira, em Marrocos, e que o País “será palco de um amplo programa de iniciativas”.
O cartaz, a divulgar, pretende promover “o intercâmbio artístico, valorizar o património e impulsionar o desenvolvimento urbano sustentável, consolidando a cultura como motor de crescimento e afirmação global”, acrescentou.
De acordo com a informação institucional da organização promotora, o programa “Capitais Africanas da Cultura”, dinamizado pela organização Cidades e Governos Locais Unidos de África (UCLG Africa), foi criado em 2018.
A iniciativa nasceu durante a cimeira Africities, em Marraquexe, Marrocos, com o objectivo de afirmar a cultura como “o quarto pilar do desenvolvimento sustentável, a par das dimensões económica, social e ambiental”.
A cidade ou país designado como Capital Africana da Cultura acolhe, durante dois anos consecutivos, “celebrações da excelência artística, cultural e criativa do continente, funcionando igualmente como espaço de reflexão sobre políticas públicas para a cultura, artes e indústrias criativas”.
O Papa Leão lavou os pés a 12 padres esta quinta-feira, 2 de abril, num ritual tradicional da Quinta-Feira Santa, apelando aos católicos para que demonstrem solidariedade com os mais vulneráveis.
A cerimónia, que evoca o gesto de humildade de Jesus Cristo na véspera da sua morte, decorreu na Basílica de São João de Latrão, em Roma, e marcou o início das celebrações pascais no Vaticano.
Durante a homilia, o pontífice destacou a importância da compaixão num contexto global marcado pela violência. “Num momento em que a humanidade é colocada de joelhos por tantos atos de brutalidade, devemos também ajoelhar-nos como irmãos e irmãs ao lado dos oprimidos”, afirmou.
Leão sublinhou ainda que o exemplo de Deus não é o do poder, mas o da libertação: “Deus deu-nos um exemplo — não de como dominar, mas de como libertar”.
Após as palavras, o Papa ajoelhou-se para lavar, secar e beijar os pés dos 12 homens, repetindo o gesto simbólico de serviço e humildade.
Esta foi a primeira celebração da Quinta-Feira Santa presidida por Leão desde que assumiu o pontificado, em maio do ano passado. A escolha da Basílica de São João de Latrão representa um regresso a uma prática mais tradicional, após o seu antecessor, Francisco, ter optado por realizar este ritual em locais como prisões, lares e hospitais, numa abordagem mais próxima das periferias sociais.
Os terminais interprovinciais e internacionais da cidade de Maputo registam um fluxo reduzido de passageiros nesta Páscoa. O cenário está associado ao receio de viajar devido às interrupções frequentes na EN1, devido às inundações e as longas filas na fronteira de Ressano Garcia, factores que já começam a impactar as receitas dos transportadores.
Habitualmente marcados por enchentes e intensa circulação de pessoas que deixam a capital em direcção às suas zonas de origem, os terminais apresentam agora um ambiente calmo, com poucos passageiros e longos períodos de espera.
Nos terminais de transporte, motoristas e operadores descrevem um cenário difícil, longe das expectativas para um período que, em anos anteriores, garantia ganhos significativos. O transportador, Eugénio Abílio, relata a fraca procura desde as primeiras horas do dia. “Não há movimento nenhum. Eu cheguei aqui às 5h30… estou a seguir os carros, vou a Xai-Xai, mas o primeiro carro ainda não saiu para essa hora. Nem parece ser o Good Friday… não estamos a ter passageiros. Nem as chapas de Inhambane estão aqui retidas, por falta de passageiros. É quebra para nós, de verdade”, afirma, sublinhando que algumas viaturas são obrigadas a sair com menos de metade da sua capacidade, o que compromete seriamente a rentabilidade das viagens.
A preocupação estende-se também aos representantes do sector, que apontam a insegurança nas estradas como um dos principais factores para o afastamento dos passageiros. Raul Estevão, representante dos transportadores da Junta, explica que a situação actual está ligada a episódios recentes que afectaram a circulação. “As pessoas estão a temer essa situação, porque cada vez mais há receio de interrupções. Tem que se arranjar as estradas, porque é por onde as pessoas fazem as suas deslocações”, defende. O responsável acrescenta que muitos utentes optaram por alternativas ou simplesmente desistiram de viajar, receando ficar retidos por longos períodos, sobretudo em zonas críticas como Xai-Xai.
Do lado dos passageiros e transportadores que fazem ligações internacionais, os relatos confirmam as dificuldades, sobretudo na travessia da fronteira. Pedro Sitoe, transportador, conta que a experiência recente foi marcada por horas de espera. “Levei muito tempo na fronteira. Cheguei às duas e meia e só saí às sete e trinta. O congestionamento é mesmo do lado sul-africano para entrar em Moçambique”, explica, acrescentando que, apesar de algumas medidas de alívio, como a criação de vias alternativas, o processo continua lento. A situação é confirmada também por passageiros como Jaime Oliveira, que descreve uma viagem marcada por atrasos e incertezas. “Está difícil… pode-se levar muito tempo para chegar. Até agora muitas pessoas ainda estão lá. Atrás está péssimo”, relata, referindo-se às condições enfrentadas ao longo do percurso.
Até ao fecho desta reportagem, às 12 horas desta sexta-feira, o fluxo mantinha-se reduzido, com a saída e entrada de menos de 15 transportes de passageiros, entre autocarros e mini-buses. Na Junta, apenas um autocarro havia partido com destino à Beira, enquanto outras viaturas seguiam, de forma intermitente, para diferentes pontos do país e para a África do Sul. Raul Estevão reforça que o contraste com anos anteriores é evidente. “Nos anos com movimento, poderiam ter saído mais de vinte ou trinta carros pequenos, e dois ou três grandes. Mas hoje, das sete até às dez, só entraram quatro viaturas. Normalmente, há muitos carros a entrar da África do Sul, mas agora não temos passageiros do lado”, explica.
No terminal da Baixa, apesar de algumas partidas registadas ao longo da manhã, o silêncio substitui o habitual movimento intenso da Páscoa.
Apesar das dificuldades, prevalece ainda a esperança de uma recuperação gradual do movimento nos próximos dias, à medida que se aproxima o auge das celebrações festivas.
A Primeira Dama da República visitou, ontem, pela primeira vez, o mercado Estrela na cidade de Maputo.
Gueta Chapo interagiu com os jovens vendedores de um dos maiores mercados informais do país, inteirando-se das suas condições de trabalho. Gueta Chapo manteve contacto directo com diversos jovens que desenvolvem actividades comerciais no local, tendo escutado as suas preocupações, desafios e
expectativas em relação ao futuro dos seus negócios.
A visita da esposa do Presidente da República visa reforçar o apoio ao empreendedorismo juvenil como via de inclusão económica.
O Mercado Estrela é um importante espaço de sobrevivência económica para numerosos jovens e famílias de baixa renda, funcionando como um centro dinâmico de comércio informal e geração de rendimentos.
Cerca de 240 empresas suspenderam temporariamente as suas atividades na província de Gaza, no sul de Moçambique, devido às cheias que atingem a região desde o início do ano. A situação já afetou mais de 3.000 trabalhadores, de acordo com estimativas da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.
Segundo uma fonte da CTA, este número pode ainda aumentar, uma vez que o levantamento dos prejuízos continua nos distritos afetados. Do total de trabalhadores impactados, cerca de 24% têm vínculos permanentes, enquanto os restantes são sazonais.
Os danos abrangem vários setores da economia, incluindo a agricultura, pequenos negócios e trabalhadores independentes. No entanto, a dimensão total das perdas ainda é difícil de calcular, já que muitas áreas agrícolas permanecem inundadas. A produção agrícola continua sob ameaça, especialmente porque a província ainda enfrenta a época chuvosa e novas inundações em diversos campos de cultivo.
De acordo com dados atualizados a 31 de março pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a atual época chuvosa já provocou 309 mortes e afetou cerca de 1,06 milhões de pessoas em todo o país desde outubro.
Só as cheias de janeiro causaram pelo menos 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, atingindo mais de 715 mil pessoas. Nos últimos dias, algumas regiões do sul voltaram a registar novas inundações. Já o ciclone Gezani, que passou pela província de Inhambane a 13 e 14 de fevereiro, resultou em quatro mortes e afetou 9.040 pessoas.
No conjunto desta época chuvosa, foram parcialmente destruídas 24.229 casas, enquanto 11.996 ficaram totalmente destruídas e 209.219 foram inundadas. Além disso, 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas sofreram danos.
As cheias também tiveram forte impacto no setor agrícola: cerca de 316.267 hectares de cultivo foram perdidos, afetando mais de 371 mil agricultores. Houve ainda a morte de 531.116 animais, incluindo bovinos, caprinos e aves.
Em termos de infraestruturas, registaram-se danos em 9.522 quilómetros de estradas, 51 pontes e 237 aquedutos em todo o país.
Cerca de 214 pessoas ligadas a grupos armados que actuam no leste da República Democrática do Congo foram reintegradas esta semana na sociedade, em Ruanda. Entre os beneficiários estão ex-combatentes e civis associados a movimentos rebeldes, incluindo, segundo as autoridades, membros das FDLR, um dos grupos que continuam a preocupar o Governo ruandês em matéria de segurança.
Antes do regresso às comunidades, os reintegrados passaram vários meses no centro de desmobilização de Mutobo, onde participaram em programas de educação cívica, apoio psicossocial e preparação para a vida civil.
O processo é conduzido pela Comissão Ruandesa de Desmobilização e Reintegração, que desde 2001 já apoiou mais de 12 mil pessoas neste tipo de transição.
As autoridades destacam que a reintegração não depende apenas dos ex-combatentes, mas também da forma como as comunidades os recebem. O apelo é para que deixem de ser vistos como ameaças e passem a ser encarados como cidadãos com uma nova oportunidade de vida, após abandonarem os grupos armados.
Grande parte dos reintegrados deverá regressar às suas zonas de origem, com destaque para o distrito de Rubavu, junto à fronteira com a cidade de Goma.
O processo decorre num contexto em que a presença de grupos armados na região continua a ser um dos principais desafios de estabilidade entre Ruanda e a República Democrática do Congo.
Os países do Golfo intensificaram a pressão diplomática junto da Organização das Nações Unidas para uma intervenção no estreito de Ormuz, após alegações de que o Irão está a impedir a livre circulação de navios comerciais e petroleiros.
A posição foi defendida pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que acusa Teerão de condicionar a passagem marítima, colocando em risco uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional.
A proposta, liderada pelo Bahrein e apoiada pelos Estados Unidos, prevê a possibilidade de uso da força para garantir a reabertura da via marítima. O documento está em discussão no Conselho de Segurança e já passou por várias revisões, numa tentativa de alcançar consenso entre os membros com poder de veto, num contexto de forte tensão geopolítica.
Apesar dos ajustes, a iniciativa enfrenta resistência de países como a China e a Rússia, que alertam para o risco de escalada militar. As duas potências defendem que a autorização do uso da força pode agravar o conflito e comprometer ainda mais a estabilidade na região. Também o Presidente da França manifestou reservas quanto à viabilidade de uma operação militar neste cenário.
A versão mais recente da resolução introduz a possibilidade de acções de carácter “defensivo” para proteger a navegação, numa tentativa de suavizar posições divergentes.
Dezoito anos após a sua criação, a Autogas continua a enfrentar dificuldades para firmar um contrato com o Governo para a alocação de gás natural veicular (GNV) destinado ao abastecimento do mercado, situação que contribui para o elevado custo do produto. O Executivo promete flexibilizar o vínculo, mas ainda não avançou prazos concretos.
Com cerca de 4.000 a 4.500 autocarros movidos a gás no país, a maioria concentrada na região da Grande Maputo, a Autogas pretende expandir a sua presença no mercado nacional, mas as dificuldades persistem. Desde a sua criação, a empresa tem vindo a adquirir gás junto de operadores privados, enfrentando constrangimentos para aceder directamente ao produto fornecido pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
“Estamos há quase 10 a 15 anos a tentar assinar contrato de aquisição de gás com a empresa do Estado que comercializa este produto, neste caso a ENH, mas tem sido difícil. Não sabemos quais os constrangimentos, mas continuamos a crer que um dia vamos chegar a um consenso”, lamentou Octávio Mutemba, PCA da Autogas.
A ausência de um contrato oficial também dificulta o processo de expansão dos postos de abastecimento, actualmente limitados aos municípios de Maputo, Matola e Marracuene. “Os consumidores querem o gás disponível mais próximo e maior capacidade de abastecimento. Um posto de GNV custa aproximadamente 1 milhão de dólares. Para massificar o uso do gás, é preciso investir na expansão da rede de postos e na sua capacidade. Cada novo posto deve ser acompanhado por um aumento de consumidores um novo posto não garante automaticamente mais utilizadores. Além disso, a conversão de viaturas custa, em média, cerca de 1.000 dólares”, explicou o dirigente.
Em resposta às preocupações, o Governo prometeu intervir, sem indicar datas concretas. “A infraestrutura existente será aproveitada, e o gás veicular é bastante importante, podendo suprir as necessidades de consumo local. Esta alternativa contribui também para reduzir a dependência de combustível importado, incluindo a diminuição de custos associados. É uma solução que deve ser encarada com seriedade, pois precisamos de utilizar os recursos disponíveis no país”, afirmou Estevão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia.
O governante acrescentou que a redução do custo de conversão dos veículos depende da importação de equipamentos e acessórios, sendo necessário encontrar alternativas mais económicas e envolver novos parceiros que facilitem a transição para o uso generalizado do gás veicular.
Apesar das limitações, acredita-se que a Autogas está no caminho certo. Segundo o Ministério dos Transportes, estão previstos, ainda este ano, cerca de 100 novos autocarros a gás, o que deverá impulsionar a utilização do combustível e melhorar a situação do contrato. Depois de Maputo e Marracuene, a província de Gaza será a próxima a receber um posto de abastecimento de gás natural veicular.
Gás veicular apontado como alternativa aos combustíveis
Empresários, operadores de transporte e parceiros defendem que o país deve acelerar o processo de conversão e regulamentação do uso de gás veicular, de modo a facilitar a transição no mercado, numa altura em que a Agência Metropolitana de Transportes anuncia a chegada de 190 novos autocarros movidos a gás.
Num contexto em que o mundo enfrenta dificuldades no acesso aos combustíveis, devido às tensões no Médio Oriente, agentes económicos e autoridades do sector dos transportes apontam o gás como uma alternativa viável.
Aliado a este cenário, a região da Grande Maputo prepara-se para receber uma frota de mais de 190 autocarros movidos a gás, número que poderá aumentar até 2029.
“Para o quinquénio 2025-2029, está prevista a aquisição de 1.145 autocarros para o transporte público de passageiros ao nível do país, dos quais 190 unidades serão alocadas à Área Metropolitana de Maputo e a gás (GNV). O restante será distribuído para o resto do país, movido a combustíveis fósseis (diesel)”, anunciou Armando Bembele, em representação da Agência Metropolitana de Transportes.
Enquanto Maputo avança com a implementação, o Município da Manhiça manifesta interesse em adquirir autocarros movidos a gás, mas enfrenta limitações devido à inexistência de postos de abastecimento.
Reunidos em Maputo, os intervenientes da cadeia de valor dos transportes, com destaque para a Autogas, debateram, esta quinta-feira, soluções para dinamizar o mercado, considerado uma alternativa aos combustíveis fósseis.
A Autogas tem em carteira projectos de expansão de postos de abastecimento, sendo a província de Gaza apontada como o próximo destino, mas condiciona o avanço à existência de garantias e à harmonização do quadro legal.
“A Autogas tem em carteira projectos de expansão de postos de abastecimento, sendo a província de Gaza apontada como o próximo destino. Contudo, o avanço depende da existência de garantias e da harmonização do quadro legal, para que possamos dinamizar o mercado de forma sustentável”, explicou João Neves, Director-Geral da Autogas.
Para os parceiros da empresa, Moçambique reúne condições para se afirmar como alternativa energética, sobretudo face às tensões no Médio Oriente.
“Precisamos aumentar esta utilização do gás natural, especialmente pelo que está a acontecer à volta do mundo, com o aumento dos preços do petróleo e combustíveis líquidos. Por isso, é hora de utilizar o gás natural. A boa notícia é que, por exemplo, nós viemos do Egipto, onde temos grande experiência na utilização do gás natural nas viaturas e no sector dos transportes”, explicou um representante da TAQA Arabia.
O Governo, representado pelo MIREME, acompanhou o debate e manifestou abertura para apoiar o sector, destacando os progressos na construção de infra-estruturas de transporte de gás.
Sob o lema “Aproximando os intervenientes para a massificação do uso do gás natural”, o seminário anual serviu também para reforçar compromissos do sector com vista à expansão do uso desta fonte de energia no país
A Associação Moçambicana de Bancos anunciou uma nova redução da taxa de juro de referência para o crédito no País, fixando-a em 15,50% a partir do mês de Abril. O corte de 10 pontos base representa o terceiro ajustamento em baixa desde o início de 2026.
Desde Janeiro de 2024, a taxa de referência tem vindo a recuar de forma consistente, depois de ter permanecido durante cerca de seis meses no pico de 24,1%, reflectindo um período anterior de forte aperto monetário para conter pressões inflacionárias.
Ao longo de 2026, o comportamento da taxa tem sido marcado por ajustamentos cautelosos. Em Janeiro, a prime rate foi fixada em 15,70%, mantendo-se em Fevereiro, apesar de alterações na taxa directora. Em Março, registou uma nova descida para 15,60%, seguindo-se, agora, o corte para 15,50% em Abril.
Apesar desta tendência descendente na taxa de referência praticada pelos bancos comerciais, o banco central decidiu manter a taxa MIMO em 9,25% na última reunião do Comité de Política Monetária (CPMO). A decisão interrompeu um ciclo de cortes sucessivos iniciado em 2024 e reflecte uma postura mais prudente face ao agravamento dos riscos macroeconómicos.
O Banco de Moçambique justificou a decisão ao afirmar que “esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspectivas da inflação”.
O banco central sublinha ainda que, “neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos. Os riscos e incertezas associados às projeções da inflação agravaram-se significativamente”.
Entre os principais factores de pressão externa, destaca-se a instabilidade no Médio Oriente, com impacto directo nas cadeias de abastecimento globais, sobretudo no sector energético. A volatilidade dos preços dos combustíveis e dos produtos alimentares continua a influenciar o custo de vida e a estrutura de preços na economia moçambicana.
A nível interno, persistem desafios associados às cheias e inundações registadas durante a época chuvosa, que afectam a produção agrícola e a logística de distribuição. Estes factores têm potencial para pressionar os preços dos bens essenciais, sobretudo nas zonas mais vulneráveis, contribuindo para a incerteza nas projecções de inflação.
Dados recentes indicam que a inflação anual atingiu 3,2% em Fevereiro de 2026, após 3% em Janeiro, apontando para uma tendência de ligeira aceleração no curto prazo.
No plano financeiro, a redução da prime rate poderá traduzir-se num alívio gradual no custo do crédito, com impacto directo no financiamento das empresas e das famílias. Taxas mais baixas tendem a estimular o investimento privado, facilitar o acesso ao crédito e impulsionar o consumo, factores essenciais para a recuperação económica.
O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, em Maputo, que o país deve concentrar esforços na transição definitiva do crescimento económico para o desenvolvimento inclusivo, através de reformas estruturantes e de um diálogo nacional abrangente.
Intervindo, nesta quinta-feira, no lançamento da obra “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado”, da autoria do Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, o Chefe do Estado sublinhou que a mudança exige decisões arrojadas e um novo “mindset” focado no empreendedorismo, garantindo que o Governo está empenhado em transformar ideias académicas em políticas públicas que beneficiem as futuras gerações.
Durante a cerimónia, o Estadista destacou o valor teórico e prático da nova obra, considerando que a mesma “é um livro que traz uma contribuição extremamente importante para o nosso processo de desenvolvimento”.
Por conseguinte, enalteceu a abordagem do autor ao distinguir os conceitos de progresso económico, notando que “o professor Salim Valá faz questão de colocar uma grande diferença entre o crescimento e o desenvolvimento”, uma premissa que considera fundamental para a actual fase de governação do país.
Analisando o percurso histórico de Moçambique, Chapo reconheceu que, embora tenham existido avanços quantitativos, o foco deve ser agora qualitativo e social. Para o governante, o autor “mostra de forma clara e inequívoca durante o livro que ao longo dos nossos 50 anos de independência fomos registando alguns sinais de crescimento, mas o que nós temos que nos concentrar é, sem margem de dúvidas, o desenvolvimento, porque nem sempre o crescimento significa desenvolvimento”.
O Chefe do Estado reiterou a importância da inclusão no processo de transformação nacional, defendendo que o debate público é o motor da mudança. Fez menção ao Diálogo Nacional Inclusivo em curso, que envolve todos os estratos sociais, incluindo partidos políticos, sociedade civil e lideranças religiosas e tradicionais, sublinhando que “o debate é extremamente importante para o processo de mudanças; e nós, quando dissemos e temos dito sempre que temos que fazer coisas de forma diferente para obter resultados diferentes de forma positiva, é mesmo no sentido em que o professor Salim Valá tem feito referência neste livro”.
Para operacionalizar estas transformações, o Presidente da República referiu-se à criação do Gabinete de Reformas e Projectos Estratégicos na Presidência, uma estrutura desenhada para acolher e amadurecer contributos da academia. Segundo explicou, esta iniciativa visagarantir que o Estado possa implementar soluções inovadoras “para que realmente a mudança possa se registar”, frisando que o objectivo final é garantir um legado de estabilidade e prosperidade para os filhos, netos e bisnetos dos moçambicanos.
Ciente de que as reformas estruturais podem enfrentar resistência inicial, o Chefe do Executivo pediu compreensão à sociedade, reconhecendo o hiato entre a implementação de medidas e a percepção dos seus benefícios. “Estamos vindo a tomar decisões arrojadas com consciência que as pessoas não nos vão perceber agora, porque no momento em que as pessoas tomam decisões para imprimir mudanças e colocam reformas que possam imprimir mudanças, dificilmente são entendidas”, admitiu, assegurando que o tempo validará a eficácia destas acções. Outro ponto fulcral da intervenção foi a necessidade de reformar o sistema educativo para fomentar a criação de riqueza. Para oPresidente Chapo, a educação não deve estar essencialmente direccionada para a formação de funcionários, apelando a uma mudança de mentalidade na juventude.
“A nossa educação está virada principalmente para ensinar-nos a sermos empregados e não a sermos empreendedores, não a sermos patrões, como se diz, para podermos gerar renda, criar emprego e também podermos desenvolver a economia moçambicana”, pontuou.
Neste âmbito, o estadista assegurou que o Governo está a rever quadros legais e fiscais para facilitar a vida às Pequenas e Médias Empresas (PME), evitando que jovens empreendedores enfrentem a mesma carga tributária que grandes corporações.
A fechar a sua intervenção, o Presidente da República apelou à unidade nacional e à participação activa de todos os cidadãos na produção intelectual e no debate público, independentemente de origens ou filiações. “Todos nós temos que continuar a escrever, a ler, a debater, a falar sobre o desenvolvimento do nosso país”, concluiu, reforçando que a construção de um Moçambique próspero depende do contributo individual de cada cidadão em prol do colectivo.

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