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IIAM introduz novas variedades de arroz na Zambézia para reforçar produtividade agrícola

O Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) está a disponibilizar novas variedades de sementes certificadas de arroz, desenvolvidas para aumentar a produtividade e reforçar a resiliência dos produtores face aos impactos das mudanças climáticas.

O destaque vai para a variedade Macassane, já disponível no mercado através do instituto, com distribuição prevista para os perímetros irrigados das províncias da Zambézia e Sofala. A semente será comercializada ao preço de 200 meticais por quilograma, destinada sobretudo à produção de semente certificada.

Segundo o IIAM, a introdução destas variedades pretende impulsionar a produção de arroz nos sistemas de irrigação, num contexto em que muitos produtores ainda registam baixos níveis de produtividade.

Actualmente, a produção média ronda as duas toneladas por hectare, mas com o uso de sementes melhoradas, irrigação adequada e mecanização agrícola, espera-se um aumento significativo dos rendimentos.

“São 200 meticais ao quilo de semente básica, que deve ser adquirida por produtores que vão produzir semente certificada e não grão”, explicou Hermínio Abade, gestor do centro de pesquisa de arroz.

O responsável acrescentou que o projecto integra um consórcio financiado pela organização Agra, e prevê a instalação de áreas de produção nos perímetros irrigados das duas províncias, com o objectivo de assegurar o abastecimento de sementes melhoradas para futuras campanhas agrícolas.

A nova variedade Macassane foi desenvolvida para responder aos desafios impostos pelas alterações climáticas, especialmente a irregularidade das chuvas e os períodos de seca que têm afectado a produção agrícola no País.

O IIAM destaca que a resistência climática da semente poderá garantir maior estabilidade produtiva e reduzir perdas agrícolas, contribuindo para a segurança alimentar.

“Ora chove, ora não chove, e isso muda a agricultura”, explicou a produtora Helena Terra, sublinhando os impactos directos das mudanças climáticas no sector.

A Agência do Zambeze, envolvida na cadeia de produção e distribuição, explica que o modelo prevê a multiplicação da semente certificada e a sua utilização no fomento de pequenos produtores, com vista ao aumento da produção de arroz no País.

“A semente certificada é alocada e parte dela é usada para produção de grão através do fomento aos pequenos produtores”, afirmou Eduardo Mucavel, representante da instituição.

Apesar do entusiasmo com a introdução das novas variedades, os camponeses alertam para a necessidade de garantir mercados de escoamento capazes de absorver o eventual aumento da produção, de forma a assegurar sustentabilidade económica para os produtores.

A iniciativa do IIAM é vista como um passo importante na modernização da agricultura moçambicana, num contexto em que a aposta em sementes melhoradas e tecnologias agrícolas surge como factor-chave para o aumento da produtividade e da segurança alimentar no País.

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