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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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Numa altura em que o país reforça o quadro legal de protecção dos sistemas de informação, através do seu quadro legal de cibersegurança, há uma nova área de negócio que aposta na identificação de vulnerabilidades e no reforço da segurança dos servidores. A Bubble Cloud Mozambique lançou esta terça-feira a Bubble Cyber Security, uma nova área de negócio dedicada à cibersegurança, com serviços orientados para a identificação de vulnerabilidades, o reforço da protecção dos servidores e a monitorização contínua da segurança dos sistemas informáticos das organizações.
A iniciativa representa uma expansão da oferta da empresa, que passa a disponibilizar serviços especializados de segurança informática para organizações que procuram reduzir a exposição dos seus sistemas a possíveis ciberataques. A nova área resulta da experiência acumulada pela Bubble no trabalho com dezenas de organizações, durante o qual identificou necessidades recorrentes de avaliação e acompanhamento da segurança dos servidores.
Para concretizar a iniciativa, a empresa estabeleceu uma parceria com a Eurotux Informática, organização portuguesa com 25 anos de actividade no sector das tecnologias de informação e competências especializadas em cibersegurança. A colaboração pretende combinar o conhecimento da Bubble sobre o mercado moçambicano com a experiência técnica da parceira na área da segurança informática.
Segundo Yumna Bhikha, administradora da Bubble Cloud Mozambique, a criação da nova área surge na sequência das necessidades identificadas junto dos clientes.
“Começámos pela Cloud e foi no trabalho com os nossos clientes que percebemos que havia esta necessidade. A Bubble Cyber Security é um passo natural na evolução da Bubble e permite-nos alargar a nossa oferta a uma área muito próxima do trabalho que já fazemos”, afirmou.
A Bubble Cyber Security integra dois serviços complementares, concebidos para responder a diferentes necessidades de protecção dos sistemas informáticos.
O primeiro, denominado Bubble Penetration Testing, consiste na avaliação da segurança dos servidores, com o objectivo de identificar vulnerabilidades que possam aumentar a exposição das organizações a ciberataques.
O segundo serviço, Bubble Server Security, centra-se na melhoria e no acompanhamento da postura de segurança dos servidores ao longo do tempo. Para esse efeito, contempla actividades de avaliação, correcção de vulnerabilidades e monitorização contínua.
A combinação das duas soluções procura permitir às organizações identificar fragilidades nos seus sistemas e acompanhar a evolução das respectivas condições de segurança, em vez de limitar a intervenção a avaliações pontuais.
Os serviços estão disponíveis para organizações que operam em Moçambique, independentemente de serem ou não clientes dos serviços Cloud da Bubble.
O lançamento da Bubble Cyber Security ocorre num contexto de reforço do enquadramento jurídico moçambicano na área da segurança digital.
De acordo com a informação divulgada pela empresa, a iniciativa surge duas semanas após a entrada em vigor da Lei de Segurança Cibernética, Lei n.º 13/2026, e da Lei dos Crimes Cibernéticos, Lei n.º 14/2026, diplomas que reforçam o quadro jurídico nacional relativo à protecção dos sistemas de informação e ao combate às ameaças e aos crimes cibernéticos.
Neste cenário, a identificação de vulnerabilidades e a adopção de medidas de protecção dos sistemas informáticos assumem particular importância para as organizações que dependem de servidores e aplicações digitais para assegurar as suas operações.
Com a entrada neste segmento, a Bubble Cloud Mozambique alarga a sua intervenção para além dos serviços de computação em nuvem, passando a disponibilizar também soluções dedicadas à segurança dos servidores. A parceria com a Eurotux Informática constitui a base técnica desta nova oferta, dirigida ao mercado moçambicano.

O distrito de Magude tem, neste momento, uma população de mais de 68 mil pessoas, diz o censo piloto realizado pelo Instituto Nacional de Estatística. O recenseamento serviu para testar as metodologias e tecnologias a usar no V Censo Geral da População, em 2027, que será 100% digital.

Pelo menos 68 492 pessoas em 16 230 agregados familiares foram abrangidos pelo censo piloto de população no distrito de Magude, província de Maputo. A contagem, que durou 15 dias, de 1 a 15 de Agosto, serviu para testar a tecnologia a ser usada em 2027, e os resultados foram apresentados ao INE esta terça-feira.

De acordo com o consultor do INE, Cimar Pereira, a metodologia a ser usada não abre espaço para o empolamento de dados.

“Tudo funcionou online, de forma digital. No momento que colocamos o equipamento na mão de um recenseador, temos tempo, tem percurso, e o contexto local, isso não permite manipular números.”  

O Consultor do INE,  assegura que mesmo debaixo de condições climáticas extremas os sistemas de recolha e envio de dados não vão oscilar. A presidente do Instituto Nacional de Estatística, Eliza Magaua, desafiou as equipas a aperfeiçoar as tecnologias e adaptá-las às condições de cada distrito.

“Deste modo, é necessário assegurar que os equipamentos, as aplicações, a comunicação, as infra-estruturas tecnológicas, os mecanismos de segurança e as equipas técnicas estejam devidamente preparadas para responder às exigências de uma operação desta magnitude. É igualmente indispensável garantir que as inovações tecnológicas sejam acompanhadas pela capacitação dos intervenientes e por estratégias adequadas às diferentes realidades do nosso território”, desafia.  

O Censo Populacional de 2027 está orçado em pouco mais de 110 milhões de dólares americanos, equivalentes a pouco mais de 7 mil milhões de meticais. De acordo com o plano, 29 % do valor será gasto com salários e subsídios, e 27% com equipamento informático. Entretanto, o valor ainda não existe na totalidade.

Pelo menos 4.445 pessoas fugiram entre setembro e outubro de várias localidades da província moçambicana de Cabo Delgado devido a ataques de grupos insurgentes armados, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM citado pela Lusa, os movimentos populacionais ocorreram entre 21 de Setembro e 02 de Outubro nos distritos de Nangade, Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia, envolvendo 4.445 pessoas, correspondentes a 1.493 agregados familiares.

Segundo a organização, as deslocações foram desencadeadas por ataques e pelo receio de novos ataques perpetrados por grupos armados não estatais, com os maiores movimentos registados na localidade de Nambedo, distrito de Nangade, de onde saíram 2.682 pessoas, seguindo-se Chai, em Macomia, com 569 deslocados, e Miengueleua, em Muidumbe, com 370.

A maior parte da população deslocada foi registada em Nangade, que acolheu 3.041 pessoas, equivalente a 68% do total, incluindo 2.307 deslocados instalados em Nambedo e 734 que seguiram para o Centro de Muadi, na localidade de Mualela.

No distrito de Macomia foram registadas 1.174 chegadas, sobretudo no Centro de Nondje, em Muagamula, que acolheu 815 pessoas, seguindo-se os centros de Xinavane, Serração e Songueia.

No relatório refere-se ainda a deslocação de 156 pessoas para o distrito de Mueda, 48 para comunidades de acolhimento em Namacande, distrito de Muidumbe, e 26 provenientes de Mocímboa da Praia para a localidade de Mpeme, em Mueda.

A maioria dos deslocados fez o percurso a pé ou de autocarro, incluindo 691 homens, 1.364 mulheres e 2.390 crianças, que representam 54% do total da população afetada.

A OIM identificou ainda 85 mulheres grávidas, 73 idosos com mais de 60 anos, 31 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias, 31 pessoas com deficiência e 10 pessoas com doenças crónicas entre os deslocados.

Segundo o levantamento, a duração do deslocamento permanece incerta, enquanto alimentação, abrigo e bens não alimentares constituem as necessidades mais urgentes da população afectada.

Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhões de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Os incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em Setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respectivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) admite haver agentes a serviço de crime organizado dentro da corporação, facto que tem inviabilizado o trabalho da instituição. Ainda assim, o SERNIC assinala que o registo de um ano sem raptos no País resulta do facto  deste órgão estar sob tutela da Procuradoria-geral da República. 

O SERNIC está num processo de reestruturação e já está a produzir resultados. Segundo o Director-Geral do SERNIC, que falava nesta terça-feira numa conferência de imprensa, é preciso não apontar as falhas do passado, ou “algo que tenha falhado”, mas sim destacar as mudanças em curso, que permitiu o resultado de 12 meses sem os crimes de rapto.

A passagem da instituição para tutela do Procurador-geral da República é apontado como um dos factores determinantes para a reestruturação do SERNIC.

  “Hoje sentimos-nos com maior autonomia e, paralelamente, com recursos materiais e humanos suficientes para responder aos desafios que enfrentamos. Como sabeis, enfrentar o crime organizado exige recursos à altura, desde meios humanos, meios materiais, mas, sobretudo, à componente humana”, disse. 

O SERNIC alerta que não é o momento para relaxar, até porque há fragilidades internas.

“Reconhecemos que há desafios, mesmo no nosso seio, por isso continuamos com o processo de purificação das fileiras, mas isso não é um fenómeno que se circunscreve apenas na Polícia e ao SERNIC. O crime organizado tende a cooptar, a infiltrar-se nas instituições críticas para a lograr os seus resultados e cabe a nós impermeabilizarmos-nos como instituições, impedir que, efetivamente, o crime organizado penetre o nosso seio. Temos colegas que deixaram de fazer parte das nossas fileiras, exatamente por esse comportamento, é um facto que não podemos recusar.”

Calcula-se que o primeiro caso de rapto em Moçambique foi registado em 2011. A partir de 2022, o crime foi apontado como parte das indústrias que financiam o terrorismo, desafiando adopção de vasta legislação especfíca contra os dois tipos de crime.

O tema de defesa para obtenção do grau de Doutor é Medidas de controlo fronteiriço da Polícia de Fronteiras na gestão da migração irregular e as suas implicações para a segurança nacional: o caso da Província de Tete (2018-2023). Estudo identifica fragilidades no controlo das fronteiras em Tete e alerta para limitações de recursos, comunicação e capacidade institucional no combate à migração irregular.

Aquilasse Kapangula Manda, vice-comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), é, desde esta terça-feira, 13 de Outubro de 2026, doutor em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica de Moçambique (UCM), com média de 17 valores.

Perante um júri de reconhecido mérito académico, Manda defendeu a tese intitulada “Medidas de Controlo Fronteiriço da Polícia de Fronteiras na Gestão da Migração Irregular e as suas Implicações para a Segurança Nacional: O Caso da Província de Tete (2018–2023)”, na qual analisa os desafios enfrentados pelas autoridades policiais na fiscalização das fronteiras e na prevenção da entrada irregular de pessoas no território nacional.

A investigação incidiu sobre a província de Tete, que partilha fronteiras com a Zâmbia, o Malawi e o Zimbabué, uma localização geográfica que coloca desafios particulares à actuação da Polícia de Fronteiras, sobretudo devido à extensão territorial, à dispersão dos pontos de passagem e às dificuldades de acesso a determinadas zonas fronteiriças.

Entre as principais conclusões, o estudo aponta a insuficiência de recursos, as limitações dos mecanismos de comunicação e a participação desigual dos intervenientes como factores que condicionam a eficácia das medidas de controlo fronteiriço. A investigação identifica ainda vulnerabilidades territoriais resultantes da combinação entre a extensão das fronteiras, a dispersão geográfica, as condições de acessibilidade e as desigualdades na capacidade institucional.

Na apresentação dos resultados, o novo doutor chamou a atenção para as dificuldades operacionais enfrentadas pelos agentes no terreno, que nem sempre conseguem detectar entradas irregulares no território nacional.

“Os agentes, quando vão ao terreno, não conseguem detectar os que entram irregularmente nas fronteiras, ou os prevaricadores usam manobras para ludibriar e, assim, permitir o acesso ao nosso território nacional de forma ilegal através da fronteira de Tete”, explicou.

No que diz respeito às implicações para a segurança nacional, a investigação conclui que, embora se tenha verificado um reforço parcial da presença policial e da capacidade do Estado, os resultados não permitem estabelecer uma relação causal entre essas medidas, a redução da migração irregular e a melhoria da segurança nacional em sentido amplo.

Os resultados colocam, assim, em evidência a necessidade de reforçar os meios operacionais, melhorar os sistemas de comunicação e aprofundar a coordenação institucional, de modo a tornar mais eficaz o controlo das fronteiras e a resposta aos desafios da migração irregular.

Com esta investigação, Aquilasse Kapangula Manda acrescenta uma abordagem académica ao debate sobre a gestão das fronteiras, a actuação policial e a segurança nacional, num contexto em que o controlo migratório exige não apenas presença policial, mas também capacidade institucional, cooperação e instrumentos eficazes de fiscalização.

Milhares de pessoas saíram à rua em Ceuta para saudar os reis de Espanha, agitando bandeiras espanholas e de Ceuta e exibindo cartazes com mensagens de boas-vindas, numa manifestação pública de afirmação da identidade espanhola deste território situado no Norte de África.

Após aterrarem no heliporto de Ceuta, o rei Filipe VI e a rainha Letícia cumprimentaram os populares ao longo do percurso até à Câmara Municipal, onde apertaram mãos e conversaram com os residentes.

O casal real surgiu posteriormente na varanda do Palácio da Assembleia, com vista para a Praça de África, acompanhado pelo presidente do Governo de Ceuta, Juan Vivas.

A visita, com a duração de dois dias, inclui encontros com responsáveis locais, uma deslocação a uma escola, uma homenagem no cemitério muçulmano de Sidi Embarek às pessoas que morreram durante as travessias marítimas em massa registadas em Julho, bem como reuniões com representantes da sociedade civil.

A deslocação decorre num contexto diplomático delicado, uma vez que Marrocos reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla, duas cidades espanholas localizadas na costa norte-africana. A última visita dos monarcas a Ceuta, em 2007, provocou uma forte reacção das autoridades marroquinas.

A actual deslocação ocorre na sequência da crise migratória de Julho, quando mais de 70 mil pessoas terão entrado em Ceuta provenientes de Marrocos, num período de dois dias, exercendo uma forte pressão sobre o território.

Perante a visita, Marrocos chamou o seu embaixador em Madrid para consultas. Por sua vez, o rei Mohammed VI criticou aquilo que classificou como a «instrumentalização» política da crise migratória.

Para muitos residentes, a forte adesão popular à visita constitui uma demonstração pública da ligação de Ceuta a Espanha.

Os reis deverão pernoitar em Ceuta antes de seguirem, na quarta-feira, para Melilla, a segunda cidade espanhola no Norte de África abrangida pela reivindicação territorial marroquina.

A circulação de motorizadas continua a representar um risco na cidade de Chimoio, província de Manica, devido aos elevados índices de sinistralidade rodoviária envolvendo este meio de transporte. Dados disponíveis indicam que 18 operadores de táxi morreram e outros 28 ficaram feridos em acidentes de viação durante o primeiro semestre do ano.

A gravidade da situação preocupa também o partido Frelimo, que afirma ter perdido dois dos seus membros em acidentes de motorizadas no espaço de menos de uma semana.

Perante este cenário, o primeiro secretário da Frelimo em Chimoio, Mário Melo, anunciou a oferta de mil capacetes aos mototaxistas, numa iniciativa que visa reforçar a segurança dos operadores e contribuir para a redução dos acidentes.

Mário Melo considera urgente a adopção de medidas para travar a sinistralidade rodoviária, apelando aos mototaxistas para o uso de capacetes e o cumprimento das regras de trânsito.

O responsável defende que a prevenção deve ser uma prioridade, tendo em conta as perdas humanas registadas entre os operadores deste serviço de transporte.

Entretanto, o presidente da Associação dos Mototaxistas reconhece que os acidentes de viação continuam a constituir uma preocupação, mas afirma que a situação relativa aos assassinatos de operadores apresenta sinais de melhoria.

Segundo o responsável, a redução dos casos de homicídio estará associada ao trabalho desenvolvido pela Polícia da República de Moçambique (PRM), através da Polícia de Protecção, e pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).

O presidente da associação refere que, anteriormente, chegavam a ser assassinados três a cinco mototaxistas num único dia. Actualmente, segundo explicou, podem decorrer várias semanas sem registo de casos semelhantes, situação que atribui à intervenção das autoridades policiais.

Apesar dos progressos no combate à criminalidade, a sinistralidade rodoviária continua a exigir atenção. Informações disponíveis indicam que uma parte significativa dos doentes internados nas enfermarias de Pediatria e Cirurgia do Hospital Provincial de Chimoio é constituída por vítimas de acidentes envolvendo motorizadas.

O Governo de Angola oficializou ontem, em Roma, Itália, a candidatura da embaixadora Josefa Sacko a diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O Governo de Angola oficializou ontem, em Roma, Itália, a candidatura da embaixadora Josefa Sacko a diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A cerimónia decorreu na sede da FAO, em Roma, num evento organizado por Angola, à margem do Fórum Mundial da Alimentação, que decorre em Itália, e no qual o país está representado ao mais alto nível pelo Presidente da República, João Lourenço.

O lançamento oficial da campanha da candidatura da embaixadora angolana foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e conta com o apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana.

Engenheira agrónoma de formação, Josefa Sacko é actualmente embaixadora de Angola em Itália, e apresenta para a FAO “uma visão centrada na valorização da agricultura familiar, das mulheres e da juventude, na modernização dos sistemas de produção e no reforço da segurança alimentar, segundo divulgou o Governo angolano.

Em comunicado, o executivo salienta que “a candidatura de Josefa Sacko à direção-geral da FAO constitui uma das prioridades da diplomacia angolana no quadro da participação do país nos fóruns multilaterais ligados à agricultura, à alimentação e ao desenvolvimento sustentável”.

Angola sustenta a candidatura com “a experiência profissional e institucional da candidata, que exerceu as funções de secretária-geral da Organização Interafricana do Café e de Comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável”.

A sua candidatura “dá prioridade ao fortalecimento da agricultura familiar, ao acesso das mulheres e dos jovens aos meios de produção, à criação de oportunidades de emprego para a juventude e à renovação geracional no setor agrícola”.

A candidata propõe “a digitalização dos sistemas agroalimentares, a utilização da inteligência artificial, o reforço da capacidade de adaptação às alterações climáticas e a mobilização de financiamento para projetos sustentáveis e economicamente viáveis”.

Durante a sua intervenção que fez hoje, em Roma, o chefe da diplomacia angolana, Téte António, defendeu que a FAO deve continuar a ser “uma organização que coloque a ciência, a inovação e a tecnologia ao serviço da agricultura”.

Uma organização, acrescentou, “que apoie os pequenos produtores e as comunidades rurais, que promova o investimento e facilite o acesso ao financiamento e aos mercados, que fortaleça a cooperação entre países e regiões e que contribua para que os sistemas agroalimentares sejam mais produtivos, inclusivos, resilientes e sustentáveis”.

Esta é a visão que a embaixadora Josefa Sacko submete à consideração dos Estados-membros e é uma visão que Angola considera poder contribuir para aproximar ainda mais a FAO das necessidades concretas dos seus países membros, segundo o Governo angolano.

Piloto moçambicano prepara a quinta participação na prova, acompanhado pelo navegador Tiago Magalhães, com o objectivo de melhorar os resultados na categoria SSV e promover a imagem de Moçambique no estrangeiro.

O piloto moçambicano Paulo Oliveira vai participar na edição de 2027 do Rally Dakar, naquela que será a sua quinta presença numa das mais exigentes competições de todo-o-terreno do mundo. Acompanhado pelo navegador Tiago Magalhães, o piloto pretende alcançar os 20 primeiros lugares da categoria SSV.

A participação foi anunciada esta segunda-feira, em Maputo, durante uma apresentação dos objectivos desportivos da equipa e das iniciativas de promoção internacional de Moçambique através do desporto motorizado.

Para a próxima edição, Paulo Oliveira contará com uma nova viatura, que considera mais competitiva, e pretende concluir todas as etapas dentro dos tempos regulamentares, conquistar a medalha de finalista e lutar por uma posição entre os 20 primeiros classificados da categoria.

Depois de quatro participações concluídas em diferentes categorias, o piloto aposta na experiência acumulada e numa preparação reforçada para enfrentar os desafios da competição, marcada por percursos exigentes, dificuldades de navegação e condições extremas.

Paulo Oliveira considera que a participação no Dakar representa não apenas um desafio desportivo, mas também uma responsabilidade na representação do País nos palcos internacionais.

O piloto pretende transformar a experiência adquirida nas edições anteriores em melhores resultados, mantendo como prioridade a conclusão da prova e a divulgação da bandeira moçambicana.

 

DAKAR COMO PLATAFORMA DE PROMOÇÃO TURÍSTICA

 

Para além da vertente competitiva, a participação de Paulo Oliveira no Rally Dakar 2027 pretende contribuir para a promoção internacional de Moçambique, através da divulgação das suas potencialidades turísticas, naturais e culturais.

Na qualidade de Embaixador do Turismo de Moçambique, o piloto pretende aproveitar a visibilidade internacional da prova para reforçar a notoriedade do País junto de diferentes públicos e mercados.

A Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR) assegura o apoio institucional à participação, reconhecendo o contributo da iniciativa para a projecção da imagem de Moçambique além-fronteiras.

O presidente do Conselho de Administração da ANDITUR, Héder Jauane, considera que a presença do piloto na competição constitui uma oportunidade para afirmar o potencial do País e transmitir uma imagem positiva de Moçambique ao mundo.

Segundo Jauane, a instituição continuará a apoiar a participação, por entender que a promoção turística também pode ser feita através de figuras que representam o País em eventos internacionais e inspiram pela sua capacidade de superar desafios.

 

EXPERIÊNCIA PARA ENFRENTAR NOVOS DESAFIOS

 

Reconhecido pela dureza dos percursos e pelas exigências físicas, psicológicas e mecânicas, o Rally Dakar submete pilotos e equipas a milhares de quilómetros de competição, em terrenos imprevisíveis e sob condições particularmente adversas.

A edição de 2027 representa, assim, mais uma etapa no percurso de Paulo Oliveira, que pretende aliar a experiência adquirida nas quatro participações anteriores à ambição de alcançar uma classificação entre os 20 primeiros da categoria SSV.

Ao lado de Tiago Magalhães, o piloto moçambicano procura concluir a prova e aproveitar a projecção internacional do Dakar para levar o nome de Moçambique a novos públicos.

 

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