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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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O Zimbabwe pagou cerca de 732 milhões de euros em indemnizações a agricultores brancos pelos terrenos expropriados em 2000, durante o programa de reforma agrária do então Presidente Robert Mugabe, anunciou hoje o ministro das Finanças zimbabweano.

“Salientei os progressos na compensação pelas terras, com 820 milhões de dólares pagos aos antigos proprietários de quintas, a par das reformas em curso no domínio da propriedade fundiária e da governação”, declarou Mthuli Ncube, na rede social X (antigo Twitter).

O ministro pronunciou-se após ter participado, na terça-feira, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizada em Banguecoque, capital da Tailândia, na qual também partilhou os avanços do Zimbabwe em matéria de estabilização macroeconómica.

Esta nova actualização dos números surge após o Governo zimbabweano ter anunciado, em 29 de Setembro, que tinha desembolsado cerca de 521 milhões de dólares em indemnizações e que um total de 623 agricultores tinham beneficiado dessas compensações em três fases.

O governante não forneceu novos dados sobre os números de agricultores beneficiados por esta medida.

O pagamento de compensações aos proprietários das explorações agrícolas constitui um passo importante no processo de liquidação dos pagamentos em atraso e na resolução da avultada dívida contraída por este país da África Austral, em incumprimento desde 1999, a fim de recuperar a confiança dos credores internacionais.

O Governo do já falecido Robert Mugabe, que dirigiu o país com mão de ferro entre 1980 e 2017, quando foi afastado do poder pelos militares, expropriou em 2000 cerca de 4.000 agricultores brancos das terras a que tinham acedido na época colonial, num momento em que o país vivia uma recessão económica.

Os agricultores brancos desempenharam um papel fundamental na economia agrícola até 2000, produzindo tabaco e produtos hortícolas, como flores, para exportação. A população negra começou então a ocupar de maneira informal os campos que ficaram vazios.

Utilizadores do serviço de transporte da City Link já podem efectuar  pagamento das viagens através da carteira móvel M-pesa.  A Vodafone M-Pesa e a transportadora assinaram, ontem, um memorando que oferece uma alternativa ao pagamento tradicional das viagens.

Pagar uma viagem de transporte poderá tornar-se tão simples quanto enviar dinheiro pelo telemóvel. É o que vai produzir  esta assinatura de memorando entre a Vodafone M-pesa e a transportadora City Link. 

O acordo rubricado, nesta quarta-feira, pretende criar um sistema que permite efectuar o pagamento de bilhetes de viagens através da carteira móvel M-Pesa.

Segundo os signatários, o memorando aproxima duas realidades que fazem parte da rotina quase diária de milhares de cidadãos, o transporte e o telemóvel. Com a integração, os passageiros passam a ter uma alternativa ao pagamento tradicional.

O Instituto de Cereais de Moçambique suspendeu, por tempo indeterminado, as operações de importação de arroz e trigo pela Companhia Industrial da Matola, pela África Indústria e da Pembe Mozambique, devido à violação do decreto ministerial que rege a importação de cereais no país.  A suspensão vigora desde 13 de outubro do ano em curso. 

Segundo o Instituto de Cereais  de Moçambique (ICM), a Companhia Industrial da Matola, a África Indústria e Pembe Mozambique violaram o diploma ministerial  que designa o ICM como agente exclusivo do Estado para a condução da importação de arroz e trigo.

“É designado o Instituto de Cereais de Moçambique (ICM, IP) como agente do Estado com mandato para conduzir o processo de importação de cereais, especificamente o arroz e trigo, para o país, sem prejuízo de intervenção, nos termos da lei, de seus parceiros e demais agentes económicos na materialização da importação dos aludidos cereais”, diz o Diploma Ministerial no seu Artigo 1.

No Artigo 2, o diploma indica que “Compete ao ICM, IP, a disponibilização onerosa do arroz e trigo aos agentes económicos para a comercialização no mercado nacional.” 

De acordo com o comunicado a que o “O País” teve acesso, a anulação da suspensão depende da regularização das operações com base no cumprimento do quadro normativo.  

“A medida vigorará até à regularização das situações que deram origem à suspensão, mediante o cumprimento integral da legislação em vigor. A medida resulta da realização reiterada de importações irregulares, sem a devida autorização do ICM, IP, em violação do quadro normativo em vigor, designadamente o Diploma Ministerial n.º 132/2025, de 31 de Dezembro, que designa o ICM, IP, como agente exclusivo do Estado para a condução da importação de arroz e trigo, bem como do Diploma Ministerial n.º 31/2026, de 24 de Abril, que aprova os Mecanismos e os Procedimentos Operacionais para a Importação destes produtos”, lê-se.

No âmbito da medida, foram apreendidas 3.300 toneladas de trigo importadas irregularmente pela Companhia Industrial da Matola, SA, no dia 9 de Outubro de 2026, através do Porto da Matola, 6.000 toneladas de trigo da Pembe Mozambique e 25.000 toneladas de arroz da África Indústria que serão revertidos a favor do Estado caso não haja regularização da situação.

CIM RECORRE DA DECISÃO DO ICM

A Companhia Industrial da Matola (CIM) rejeita a legalidade da sua suspensão da importação de arroz e trigo pelo Instituto de Cereais de Moçambique e submeteu ao Tribunal Administrativo duas providências para travar a medida do ICM.

Através de um comunicado, a Companhia Industrial da Matola se posicionou depois da sua suspensão das operações de importação de arroz e trigo pelo Instituto de Cereais de Moçambique.

A Companhia diz ter tomado conhecimento da decisão através da comunicação social e que não foi notificada sobre a decisão.

“A CIM não foi notificada de qualquer processo de transgressão que pudesse fundamentar tal suspensão, não foi previamente ouvida, nem lhe foi concedida a oportunidade de responder às alegações. É, por conseguinte, juridicamente inadmissível aplicar uma sanção de tal gravidade sem que a CIM seja previamente informada dos factos que lhe são imputados e lhe seja assegurado o correspondente direito de defesa”, lê-se no comunicado.

A Companhia diz ainda que “importa igualmente esclarecer que a CIM, no exercício das garantias legais conferidas pela Constituição da República de Moçambique e demais legislação aplicável num Estado de Direito, instaurou devidamente processos judiciais junto do Tribunal Administrativo, visando a declaração de nulidade das normas invocadas pelo ICM para impor aquilo que a CIM considera ser um regime monopolístico e ilegal de importação de cereais.”

O comunicado refere ainda que “o ICM já foi formalmente citado/notificado pelo Tribunal Administrativo, encontrando-se, por conseguinte, juridicamente vinculado aos efeitos dessa citação/notificação e devendo abster-se de iniciar ou prosseguir a actuação administrativa impugnada contra a CIM. A CIM considera, assim, que o ICM deve conformar a sua actuação com os processos judiciais em curso e abster-se de qualquer intervenção incompatível com essa posição jurídica.”

A Companhia Industrial da Matola diz rejeitar a qualificação desta operação como uma “importação irregular”, por ter sido submetida aos procedimentos aduaneiros aplicáveis e às Autoridades Aduaneiras de Moçambique autorizarem a descarga das 3.300 toneladas de trigo.

A modernização da fronteira de Machipanda, a maior obra do Corredor da Beira, foi parar ao tribunal. O concurso público internacional de 37 milhões de dólares foi suspenso por decisão do Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo, mas o Governo garante que não foi cancelado.

Está em causa o Concurso Público Internacional lançado pelo Ministério dos Transportes e Logística para o Desenvolvimento do Projecto Integrado da Fronteira de Machipanda, em regime de Parceria Público-Privada.

O projecto prevê a construção do Terminal Internacional de Mercadorias, Terminal de Passageiros, uma nova ponte internacional sobre o Rio Machipanda e todas as infra-estruturas do Posto de Fronteira de Paragem Única. O concurso foi adjudicado à empresa UNION ENERGY / ZHONGMEI, pelo valor de 37 milhões  de dólares.

Inconformada com o resultado, a concorrente SAFAGA INTERNATIONAL MANAGEMENT, que alega ter investido mais de 5,8 milhões de dólares na candidatura, apresentou reclamação e depois apresentou recurso contencioso ao Ministro dos Transportes e Logística.

Segundo os autos, o recurso foi declarado improcedente por falta de um formalismo, a junção da garantia bancária. A concorrente decidiu então avançar para o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo, com um pedido de suspensão de eficácia do acto de adjudicação, alegando ilegalidades como insuficiência de fundamentação, deficiente avaliação dos critérios, dúvidas sobre a exequibilidade técnica e financeira da proposta vencedora, composição irregular do júri e violação dos princípios da igualdade, transparência e concorrência.

O Ministério dos Transportes e Logística, através da Secretária Permanente Irina Amélia Soares Ribeiro, contestou o pedido, invocando ilegitimidade e incompetência daquele tribunal, defendendo que o caso deveria ser apreciado pela Primeira Secção do Tribunal Administrativo, por ter sido o Ministro a proferir a decisão final.

Mas o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo rejeitou as excepções. No Acórdão de 24 de Setembro de 2026, os Juízes   consideraram que a decisão do Ministro foi meramente confirmativa e que a autora do acto de adjudicação impugnável é a entidade requerida, pelo que aquele tribunal é sim competente.
 

Nestes termos, o Tribunal julgou procedente o pedido da SAFAGA INTERNATIONAL e decretou a suspensão da eficácia do acto administrativo pelo qual o Ministério adjudicou à contra-interessada.   


O Tribunal determinou ainda que o Ministério se abstenha de celebrar o Contrato de Concessão, emitir ordem de início dos trabalhos ou praticar qualquer outro acto de execução susceptível de consolidar os efeitos da adjudicação, até à decisão do recurso contencioso principal ou até decisão judicial que modifique ou faça cessar a providência. A decisão contou com o parecer favorável do Ministério Público. 

 

GOVERNO NEGA CANCELAMENTO DO CONCURSO

Em Comunicado de Imprensa emitido nesta terça-feira, através do Gabinete de Informação, o Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, esclarece que o concurso não foi cancelado.

O Executivo explica que a providência cautelar constitui uma medida judicial de natureza provisória, destinada a salvaguardar direitos enquanto decorre a apreciação da matéria, e que não representa o cancelamento do concurso, nem uma decisão definitiva sobre a legalidade do procedimento.

Segundo uma fonte ligada ao processo, nos termos das alíneas e) e a) do artigo 28 da Lei n.º 24/ 2013, de 1 de Novembro  na redacção da Lei nº 7/  2015 , de 6 de Outubro o Pedido de Suspensão de Eficácia deve ser submetido à Primeira Secção do Tribunal Administrativo, visto que o último acto de tutela graciosa foi praticado pelo Ministro dos Transportes e Logística, membro do Governo.

Assim sendo, em razão da matéria, o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo não é competente para conhecer, quer do recurso contencioso, quer da providência cautelar, tendo em atenção o último acto administrativo praticado a nível da impugnação graciosa, nos termos do artigo 101 do Código de Processo Civil, conjugado com as alíneas a) e j) do nº 1 do artigo 50 Lei n.º 24/ 2013,   de 1 de Novembro do na redacção da Lei nº 7/ 2015, de 6 de Outubro.

Por essa mesma razão — ser o Ministro, a parte legítima —, a jurisdição competente para apreciar a causa deixa de ser o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo e passa a ser, por imposição legal estrita, o Tribunal Administrativo.

O Governo reafirma que o processo observou os critérios de elegibilidade, qualificação e avaliação previamente estabelecidos e, por se tratar de um projecto estratégico para o desenvolvimento do Corredor da Beira e para a melhoria da circulação de pessoas e mercadorias, mantém o compromisso de assegurar a sua implementação em condições que salvaguardem o interesse público, reiterando o respeito pelas decisões dos tribunais e o compromisso com a legalidade, a transparência e a defesa do interesse público.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, defende uma transformação digital do Estado  orientada para a eliminação da burocracia desnecessária, a  redução dos custos dos serviços públicos e a melhoria do  atendimento aos cidadãos, independentemente da sua  localização geográfica, considerando que a modernização  administrativa deve produzir resultados concretos na vida dos  moçambicanos.

Falando hoje, em Maputo, na abertura da Conferência Citizen  Connect Africa – Mozambique, o Chefe do Estado afirmou que a  digitalização deve ir além da introdução de equipamentos e  plataformas tecnológicas, implicando mudanças nos  procedimentos e na cultura de funcionamento da Administração  Pública. 

“Não queremos digitalizar a burocracia. Queremos acabar com a  burocracia desnecessária”, declarou, defendendo maior  coordenação entre as instituições públicas e a partilha de  informação, nos termos da lei. 

O Presidente Chapo considerou que a integração dos serviços deve  permitir que os cidadãos tratem de documentos e outras  solicitações sem percorrer várias instituições, enfrentar filas ou  suportar custos elevados de transporte e alojamento. No seu  entender, o tempo dos cidadãos tem valor e o Estado deve  organizar-se para responder às suas necessidades com rapidez,  transparência e eficiência. 

Neste contexto, o estadista destacou a iniciativa Centro Pronto,  apresentada durante o evento, considerando que representa um  passo na construção de serviços públicos mais acessíveis e  integrados. Sublinhou que a experiência, iniciada em Maputo,  deverá ser progressivamente aperfeiçoada e alargada a outras  cidades e regiões, incluindo bairros e localidades onde a  população enfrenta dificuldades de acesso aos serviços. 

O Presidente da República defendeu igualmente que a  transformação digital deve abranger as zonas rurais, os distritos e as 

comunidades mais distantes, sem excluir os cidadãos que não  dispõem de telefone inteligente, acesso regular à Internet ou  conhecimentos para utilizar plataformas digitais. 

“A distância geográfica não deve determinar a qualidade dos  serviços públicos a que um moçambicano tem acesso”, afirmou,  defendendo a combinação de soluções digitais com atendimento  presencial e assistido. 

Na vertente económica, Daniel Chapo apontou a simplificação dos  procedimentos administrativos como um factor importante para  melhorar o ambiente de negócios, estimular o empreendedorismo,  atrair investimentos e criar oportunidades de emprego para jovens e  mulheres. Destacou, igualmente, a plataforma electrónica de vistos,  eVisa, pelo seu contributo para facilitar a mobilidade internacional  e criar condições favoráveis ao desenvolvimento do turismo, do  comércio e do investimento. 

O Chefe do Estado apresentou quatro orientações para aprofundar  a transformação digital: reforçar a integração e a coordenação  institucional; assegurar a inclusão digital e o equilíbrio territorial;  garantir a protecção de dados pessoais, a cibersegurança e a  soberania digital; e estabelecer resultados concretos e mensuráveis. 

Segundo explicou, o sucesso deve ser avaliado pelo tempo, pelas  distâncias e pelos custos que os cidadãos deixam de suportar, e  não apenas pelo número de plataformas ou equipamentos  instalados.

O Presidente Daniel Chapo apelou aos responsáveis das instituições  públicas para trabalharem de forma coordenada, simplificarem os  procedimentos e colocarem o cidadão no centro das decisões. 

Ademais, defendeu parcerias com o sector privado que mobilizem  tecnologia, investimento, inovação e conhecimento, assegurando  a transferência de competências para a juventude moçambicana  e salvaguardando o interesse público e a soberania nacional. 

A Conferência Citizen Connect Africa – Mozambique reúne  representantes de governos, instituições públicas, sector privado,  academia e parceiros internacionais para a partilha de  experiências e a identificação de soluções para a modernização  dos serviços públicos. 

O encontro conta com participantes de vários países africanos e do  Brasil, constituindo uma plataforma de reflexão sobre a  transformação digital e a construção de administrações públicas  mais eficientes e próximas dos cidadãos. 

A ligação lacustre entre Moçambique, Tanzânia e Malawi está condicionada na sequência do incêndio que destruiu completamente a embarcação Chambo, no último domingo, no Lago Niassa, que provocou três mortos. 

A governadora da província do Niassa, Judite Massengele, revelou, nesta quarta-feira, em entrevista ao “O País”, que entre os passageiros da embarcação estavam 23 cidadãos moçambicanos. E entre as vítimas mortais, uma idosa é tanzaniana, o jovem é Malawiano e o bebé de três meses é moçambicano. 

“Todos eles já foram entregues às famílias e realizados os seus funerais. Quanto aos sobreviventes, os tanzanianos disponibilizaram uma embarcação até Côbuè e de Côbuè vieram via terrestre até Metangula, alguns apresentavam cansaço mas estão bem”, explicou a governante. 

As causas do incêndio continuam sob investigação. O fogo destruiu completamente a embarcação, que acabou por afundar, deixando por esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o acidente.

Ainda assim, Massengale avançou que o curto circuito é apontado como causa preliminar do incêndio. 

A governadora afirmou que ainda não é possível estimar os prejuízos provocados pelo sinistro. Entretanto, a perda do Chambo representa um constrangimento para a circulação de pessoas e mercadorias entre Moçambique, Tanzânia e Malawi, uma vez que a embarcação era considerada o único meio de transporte seguro no Lago Niassa.

Antes do acidente, as viagens entre a Tanzânia e Metangula duravam cerca de cinco horas e eram realizadas duas vezes por semana. Entre os principais utilizadores desta ligação estavam comerciantes que dependiam da rota para desenvolver as suas actividades, num contexto em que as vias rodoviárias se encontram degradadas.

Com a destruição do Chambo, o transporte de passageiros e mercadorias no lago passa a depender de pequenas embarcações de pesca, consideradas precárias, aumentando os constrangimentos à circulação na região.

O secretário-geral da Organização Nacional dos Professores (ONP), Teodoro Muidumbe, atribui o atraso na realização do V Congresso da organização, inicialmente previsto para 2024, ao incumprimento do pagamento de quotas pelos membros, situação que, segundo afirma, compromete a capacidade financeira do sindicato e dificulta a mobilização de parceiros para financiar o processo eleitoral.

Muidumbe reconhece que todos os órgãos da organização se encontram fora do mandato, desde os secretários ao nível das escolas até aos órgãos centrais, mas considera que as reclamações sobre a falta de eleições devem ter em conta as dificuldades financeiras enfrentadas pela ONP e as obrigações dos próprios membros.

“Nenhum órgão da ONP agora está dentro do mandato. Desde o secretário da escola até aos órgãos centrais, ninguém”, declarou o dirigente, ao responder a uma questão sobre a ausência de renovação dos mandatos.

O responsável admite, assim, que a situação abrange toda a estrutura sindical, numa altura em que a organização ainda procura reunir as condições necessárias para realizar o congresso e eleger os seus órgãos. Segundo explicou, o encontro deveria ter acontecido em 2024, mas o processo continua por concretizar.

Para Teodoro Muidumbe, a insuficiência de recursos financeiros está directamente relacionada com o incumprimento do pagamento de quotas pelos membros. O secretário-geral afirma que a ONP tem procurado apoio junto de parceiros, mas as respostas dependem também da demonstração de capacidade financeira da própria organização.

“Nós falamos com os parceiros, mas os parceiros querem saber quanto é que vocês têm como ONP para ver o congresso”, explicou.

A declaração evidencia, segundo o dirigente, uma dificuldade para garantir o financiamento necessário à realização do V Congresso. Os parceiros procuram saber qual é a contribuição que a organização consegue assegurar antes de se comprometerem com o apoio ao evento.

Muidumbe responsabiliza os membros pelo não pagamento das quotas e entende que a organização não pode depender exclusivamente de apoios externos para financiar as suas actividades.

“Eu sempre defendo que não se vai à casa de alguém a pedir tudo. Não tenho sal, não tenho colorau, não tenho pão, não tenho isto. Isto desgasta, vai-te cansar”, afirmou, numa comparação usada para ilustrar o que considera ser uma dependência excessiva de terceiros.

O secretário-geral defende que os membros devem assumir as suas responsabilidades financeiras para permitir que o sindicato disponha de recursos próprios, assegure o seu funcionamento e tenha condições para organizar os processos previstos nos seus instrumentos normativos.

A ausência de eleições não afecta apenas os órgãos centrais. De acordo com Muidumbe, toda a estrutura da ONP se encontra fora do mandato, incluindo os responsáveis sindicais ao nível das escolas e os membros que ocupam cargos de direcção.

Questionado sobre como se explica que tanto os dirigentes como os membros estejam fora do mandato, o secretário-geral insistiu na necessidade de os membros compreenderem as condições necessárias à realização do congresso, com destaque para a componente financeira.

“Não pagam quota, mas querem o congresso. Esta forma de agir, eles próprios, estão a desenquadrar-se”, declarou.

O dirigente foi ainda mais incisivo ao questionar a legitimidade das reclamações apresentadas por membros que, segundo ele, não cumprem as suas obrigações contributivas.

“Esse não é membro. Sim, para mim, não é membro, porque o membro tem que pagar quota”, afirmou, defendendo a existência de uma relação entre o cumprimento dos deveres sindicais e o exercício dos direitos dentro da organização.

Apesar das dificuldades apontadas, o secretário-geral anunciou uma nova etapa preparatória para a realização do V Congresso. Segundo Muidumbe, em Novembro deste ano, os órgãos centrais vão convocar a terceira sessão do Conselho Nacional, encontro que deverá aprovar os instrumentos legais necessários para orientar o processo.

“No próximo mês de Novembro, nós, como órgãos centrais, vamos convocar uma sessão do Conselho Nacional, cujos membros vão aprovar instrumentos legais que nos conduzirão a realizar o nosso quinto congresso no ano de 2027”, anunciou.

O dirigente garantiu que os documentos a serem submetidos à apreciação dos membros já estão preparados e que a reunião deverá concentrar-se em matérias concretas relacionadas com a organização e a realização do congresso.

“Os documentos já estão prontos”, afirmou, acrescentando que o secretário nacional já tem os temas previstos para discussão e aprovação.

Entre as matérias a serem apreciadas está a revisão dos estatutos e dos regulamentos da ONP, com o objectivo de adequar os instrumentos internos à realidade actual da organização.

A expectativa, segundo o responsável, é que a aprovação desses documentos permita estabelecer regras mais claras para o funcionamento das estruturas sindicais, o cumprimento das obrigações dos membros e a responsabilização dos dirigentes.

O Japão vai disponibilizar 1,8 milhões de dólares para assistência alimentar a 94 mil pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, através do Programa Alimentar Mundial (PAM).

“Esta contribuição permitirá apoiar cerca de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado através da distribuição de arroz e conservas de peixe”, disse o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, citado pela Lusa, na cerimónia de assinatura do financiamento, formalizado ontem, em Maputo.

Segundo o diplomata, a assistência será assegurada através da distribuição de arroz produzido localmente e conservas de peixe, procurando ajudar as famílias afetadas pelo conflito a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.

Keiji Hamada acrescentou que, desde 2019, o Japão contribuiu com cerca de 21,38 milhões de dólares  para as operações do PAM em Moçambique.

A diretora nacional do PAM no país, Claire Conan, que também assinou este acordo, afirmou que o financiamento chega numa altura em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos disponíveis continuam insuficientes para responder à totalidade das populações vulneráveis.

“Permitirá ao PAM prestar assistência alimentar a 94 mil pessoas, ajudando famílias vulneráveis a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas”, afirmou Claire Conan.

Segundo a responsável, o apoio pretende evitar que os agregados familiares recorram a estratégias prejudiciais para lidar com a escassez de alimentos.

A assistência irá combinar produtos adquiridos em Moçambique com conservas de peixe, contribuindo simultaneamente para o apoio às populações afetadas e para a dinamização dos mercados locais.

“Este apoio do Japão não é apenas oportuno, é profundamente significativo”, afirmou a representante do PAM, agradecendo ao Governo japonês pela contribuição.

Claire Conan alertou ainda para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño, considerando que um agravamento da seca poderá aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar numa altura em que o financiamento humanitário enfrenta fortes constrangimentos.

Por sua vez, o vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, destacou a cooperação japonesa na assistência humanitária e na prevenção de desastres, referindo o apoio à construção de sistemas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, e os estudos em curso para encontrar soluções para as inundações urbanas em Maputo e Matola.

A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a viver com os efeitos do conflito, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.

Os incidentes associados à insurgência aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de uma vaga de calor, com temperaturas máximas entre 35 e 39 graus Celsius, em várias regiões das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, a partir de 15 de Outubro até domingo, dia 19 de Outubro de 2026.

Segundo o INAM, a situação resulta da persistência do transporte de ar quente e húmido e deverá afectar, na província de Maputo, os distritos de Boane, Namaacha, Moamba, Magude, Manhiça, Marracuene e Matutuíne, bem como as cidades de Maputo e Matola.

Na província de Gaza, estão em risco os distritos de Chibuto, Guijá, Mapai, Chicualacuala, Mandlakazi, Chókwé, Massingir, Mabalane, Massangena e Limpopo, além da cidade de Xai-Xai. Em Inhambane, a previsão abrange os distritos de Zavala, Mabote, Funhalouro, Panda e Inharrime.

O INAM alerta ainda que as temperaturas continuarão muito elevadas na região Centro do país, sobretudo nos distritos localizados ao longo do vale do Zambeze.

Face à previsão, o instituto recomenda a adopção de medidas de precaução e segurança para minimizar os efeitos da vaga de calor e do calor intenso.

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