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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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A Câmara de Comércio Moçambique–Itália e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos  mobilizam pequenas e médias empresas para uma maior aproximação aos investidores internacionais, com o objectivo de criar oportunidades de negócio no sector energético. A iniciativa decorreu no âmbito da Africa Energy Week 2026, realizada de 12 a 16 de Outubro, na Cidade do Cabo, África do Sul, segundo indica um documento da CCMI.

A mobilização envolveu jovens empresários e grandes operadores económicos moçambicanos, procurando facilitar contactos com multinacionais e potenciais parceiros comerciais. Em parceria com a ANIMA, Federação das Associações Nacionais da Indústria Mecânica de Itália, a CCMI promoveu igualmente a cooperação empresarial entre os dois países, com destaque para as áreas da engenharia, tecnologias energéticas, equipamentos industriais e serviços especializados.

O documento destaca ainda a participação do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), sublinhando a importância das instituições financeiras no apoio ao investimento e à internacionalização das empresas nacionais. A iniciativa pretende promover a «transferência de conhecimento e desenvolvimento de fornecedores locais», criando condições para uma maior participação das empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento da indústria energética.

Entre as oportunidades destacadas está o projecto Mozambique LNG, na Bacia do Rovuma, cujo investimento inicial está estimado em 20 mil milhões de dólares norte-americanos. Segundo a CCMI, os grandes investimentos energéticos apresentam potencial para impulsionar a criação de emprego, o desenvolvimento de infra-estruturas e a contratação de empresas nacionais para o fornecimento de bens e serviços, desde que estas consigam responder às exigências técnicas e financeiras dos projectos.

Para a CCMI, o sucesso dos investimentos energéticos deve traduzir-se em benefícios concretos para o empresariado nacional. «O verdadeiro sucesso dos grandes investimentos energéticos mede-se também pela capacidade de gerar oportunidades concretas para as empresas moçambicanas, promover a transferência de tecnologia e transformar o potencial energético nacional em desenvolvimento económico», refere a instituição, defendendo o reforço das parcerias entre entidades públicas, empresas privadas e investidores internacionais.

 

O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) alastrou-se à província do Ubangi do Norte, situada junto à fronteira com a República Centro-Africana, elevando para oito o número de províncias congolesas afectadas pelo vírus. A informação foi avançada por dois responsáveis da saúde à agência Reuters, embora ainda não tenha sido oficialmente anunciada pelas autoridades do país.

Segundo as fontes, foram registados dois casos na nova província, depois de uma série de mortes suspeitas na zona sanitária de Wapinda, próximo da fronteira com Bas-Uele, ter levado à realização de testes para detectar a presença do vírus.

O actual surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual não existe, até ao momento, vacina ou tratamento específico aprovado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), está previsto o início de um primeiro ensaio clínico de uma vacina na RDC até ao final de Outubro.

O surto foi declarado a 15 de Maio e, segundo dados divulgados na quarta-feira, já provocou mais de nove mil casos e 4.441 mortes.

A epidemia também afecta outros países da região. No Uganda, foram igualmente registados casos, apesar de o país ter anunciado estar livre do Ébola em Agosto. Já o Quénia confirmou, na quarta-feira, o segundo caso da doença, envolvendo um familiar do primeiro paciente, que morreu a 5 de Outubro.

A propagação do vírus para novas áreas reforça as preocupações das autoridades sanitárias quanto à contenção do surto e ao risco de transmissão transfronteiriça na região.

 

Moçambique poderá enfrentar crises recorrentes no abastecimento de combustíveis devido aos desequilíbrios do mercado e à dependência das importações, alerta Júlio Saramala. O economista defende que o Governo identifique as causas e adopte medidas preventivas para reduzir os impactos sobre transportadores, empresas e consumidores.

Em entrevista ao País Económico, Saramala considera que as dificuldades resultam da combinação de factores externos e internos, entre os quais a subida dos preços internacionais do petróleo, as condições de financiamento das importações, a disponibilidade de divisas e os constrangimentos logísticos na distribuição.

“Eu não diria que é uma crise provocada ou uma crise real. Eu diria que é uma crise que tem tido consequências e acções muito mais reactivas, olha-se muito mais para aquilo que são as consequências, mas não para as possíveis causas”, afirmou, defendendo uma mudança na forma como as autoridades enfrentam as perturbações no abastecimento.

Na sua análise, a guerra no Médio Oriente e a subida das cotações pressionam o mercado, mas não explicam, isoladamente, todas as dificuldades. A forma de importação, os encargos financeiros e a distribuição também condicionam a disponibilidade e o preço dos combustíveis.

A vulnerabilidade do país é agravada pela dependência do combustível importado. Segundo os dados apresentados na entrevista, o barril de petróleo Brent passou de cerca de 63 dólares em Janeiro para aproximadamente 104 dólares em Outubro deste ano.

“Temos uma forte dependência das próprias importações, isto quer dizer que qualquer oscilação no mercado internacional o país pode sofrer alguma oscilação no seu preço. Depois, há uma grande necessidade dos operadores desta indústria recorrerem à banca para poder ter certos financiamentos ou até importação, seja cartas de crédito, que geralmente é um crédito, moeda estrangeira e, por fim, acaba caindo para o consumidor final”, explicou.

Os custos de aquisição e distribuição repercutem-se no transporte de passageiros, na circulação de mercadorias e nos preços de bens e serviços. Como o impacto varia entre operadores, as medidas devem considerar as diferenças do sector.

 

SUBSÍDIOS DEVEM CHEGAR A QUEM MAIS PRECISA

Perante as reivindicações dos transportadores e a discussão sobre possíveis aumentos das tarifas, Saramala defende que o debate não deve ficar circunscrito à diferença entre os valores propostos pelos operadores e os considerados pelo Governo. É necessário avaliar as causas, os custos e o impacto sobre cada actividade.

“A questão não é de cinco ou de 20 meticais, é de perceber, primeiro, quais são as causas, qual é o impacto que se espera e se amanhã a situação reverter-se, é pouco provável, porque os preços têm uma tipologia sempre progressiva e não muito regressiva”, afirmou.

Para o economista, subsídios generalizados podem beneficiar agentes que não enfrentam as mesmas dificuldades dos transportadores públicos. Defende, por isso, apoios diferenciados, dirigidos aos segmentos que mais precisam.

“Esses subsídios não devem ser de uma forma genérica, devem ser de acordo com a tipologia de trabalho, com o impacto da crise, assumindo todo o custo de transporte”, sustentou.

Saramala sublinha que o combustível representa apenas uma parte das despesas das empresas de transporte e logística. Outros custos operacionais também podem aumentar, pelo que um subsídio ao combustível não garante, necessariamente, a sustentabilidade financeira dos operadores. Transportes urbanos, serviços interprovinciais e empresas de mercadorias devem ser avaliados de forma diferenciada, tendo em conta a dimensão das operações e o peso dos combustíveis nos custos.

 

DESEQUILÍBRIOS PODEM MANTER AS CRISES

A aproximação da época festiva e da estação chuvosa acrescenta incertezas, num contexto de dependência externa e pressão sobre os custos de transporte. Para Saramala, as perturbações podem manifestar-se tanto através da falta física de combustível como de interrupções nos diferentes pontos da cadeia de abastecimento.

“Agora, a crise, infelizmente, pode ser uma realidade e pode tender a acontecer, porque, assim como também manter o preço cria essa crise de falta de abastecimento. Ou seja, as crises irão acontecer porque o mercado está desnivelado”, alertou.

A curto prazo, algumas dificuldades poderão ser difíceis de evitar, dada a exposição às oscilações internacionais e ausência de produção interna que reduza a dependência. Uma gestão eficiente e maior capacidade de antecipação podem, contudo, minimizar os impactos.

“São crises que, a curto prazo, serão inevitáveis, seja por aumento ou pela estagnação do preço, como podemos estar a ver agora, que tem acontecido quase periodicamente”, afirmou.

Saramala defende uma estratégia que combine acompanhamento dos preços internacionais, financiamento das importações, distribuição eficiente e apoios direccionados. Sem prevenção, Moçambique continuará exposto a perturbações que comprometem o transporte e agravam o custo de vida.

 

O Conselho Municipal de Maputo realiza, na quarta, quinta e sexta-feira, no Paços do Município e no Jardim Tunduru, a Feira do Livro de Maputo. A presente edição homenageia Luís Carlos Patraquim e tem como patrona Noémia de Sousa.

Uma vez mais, a Feira do Livro de Maputo vai honrar o compromisso de promover a literatura moçambicana e, por conseguinte, garantir a partilha de leituras entre diferentes personalidades e munícipes. Como tem sido habitual, ao longo de três dias, a iniciativa do Conselho Municipal de Maputo vai proceder ao lançamento de livros, à realização de mesas redondas e de oficinas criativas e ainda celebrar autores que se revelam determinantes para a afirmação da arte literária no país.

Na presente edição, o grande momento da Feira do Livro de Maputo será a homenagem a Luís Carlos Patraquim, poeta que há meio século faz da escrita a arte de pensar e projectar a humanidade. A sessão de homenagem está marcada para sexta-feira, às 16h, no Salão Nobre do Conselho Municipal.

Natural de Maputo (1953), o poeta, escritor, guionista, dramaturgo e jornalista, Luís Carlos Patraquim, iniciou-se nas letras ainda novo. Aos 17 anos de idade, começa a colaborar com o jornal A Voz de Moçambique, mas o ambiente que se vivia em Moçambique leva a que, em 1973, com apenas 20 anos de idade, procure refúgio na Suécia. No início de 1975, entretanto, com a independência a poucos meses de distância, regressa à Cidade de Maputo, integrando os quadros do jornal A Tribuna. Patraquim é um dos membros do núcleo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e faz também parte da fundação do Instituto Nacional de Cinema, no qual exerce, entre 1977 e 1986, a função de roteirista, argumentista e redactor principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema.

Luís Carlos Patraquim também coordenou a prestigiada Gazeta de Artes e Letras da revista Tempo, órgão que muito ajudou a promover e a renovar a literatura moçambicana. No entanto, além da actividade de jornalista, encontrou na poesia uma paixão. Em 1980, estreia-se nos livros e publica Monção, para muitos estudiosos, um marco importante no que concerne à poesia que era produzida e passará a ser produzida nos anos seguintes. Cinco anos depois de Monção, o autor publica outro livro icónico, A inadiável viagem. Em 1986, fixa-se em Portugal e passa a colaborar com meios da imprensa portuguesa, como o Jornal de Letras, o Diário de Lisboa, o Expresso ou o Público. Também é autor de Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora (1992) ou O osso côncavo e outros poemas (2005).

Em 2010, investe no romance com A Canção de Zefanías Sforza e, nos anos seguintes, também publica Matéria concentrada (2011), O cão na margem (2017) e o deus restante (2017).O lema para a presente edição da Feira do Livro de Maputo é Se me quiseres conhecer, vem sonhar com o livro. A proposta é inspirada no poema “Se me quiseres conhecer”, do livro Sangue negro, de Noémia de Sousa, a patrona deste ano. Essencialmente, o lema invoca e convoca o leitor a sintonizar-se com o legado da autora que, se estivesse viva, teria completado 100 anos de idade no passado dia 20 de Setembro. Portanto, o tributo à ‘mãe dos poetas moçambicanos’ justifica-se pelo excelente contributo para as letras nacionais e pela inspiração inequívoca aos autores de Moçambique e do mundo.

A Feira do Livro de Maputo é uma iniciativa do Conselho Municipal de Maputo, que, há duas décadas, constitui um espaço de promoção da língua portuguesa, da literatura e do intercâmbio cultural entre países africanos, europeus, americanos e asiáticos. Ao reunir diferentes intervenientes das indústrias criativas, como escritores, poetas, ensaístas, editores nacionais e internacionais, livreiros, bibliotecários, professores, gestores, jornalistas e leitores de todas as idades, o evento tem, inclusivamente, contribuído para tornar Maputo uma cidade criativa.

Durante três dias, o evento do Conselho Municipal tem funcionado como uma plataforma de lançamentos de livros, oficinas, actividades infantis, sessões de autógrafos, exposições, debates e apresentações artísticas, criando um ambiente de intercâmbio cultural e de valorização do livro como instrumento de desenvolvimento humano e, consequentemente, social.
À semelhança dos anos anteriores, a Feira continua privilegiar iniciativas que consistem em levar a arte literária às escolas, no caso deste ano, através da Festa do Livro de KaNyaka, no Distrito Municipal KaNyaka, e o A caminho da feira, no Distrito Municipal KaMpfumo.

Em ambos os casos, os encontros permitiram que os alunos exprimissem as suas sensibilidades literárias através da partilha de textos poéticos que, depois da selecção e edição, serão editados em livro pela Kuvaninga Cartão d’Arte durante o evento. Assim, com efeito, mais alunos primários tiveram com quem partilhar o talento que possuem e complementar o processo de ensino e aprendizagem através da actividade extracurricular promovida pela Feira do Livro de Maputo.
Ciente da importância do vosso órgão, solicitamos a divulgação da informação e a respectiva cobertura.

A taxa de desemprego em Angola recua de 31,5%, em 2024, para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 10,2 pontos percentuais, segundo dados apresentados, esta quinta-feira, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, em Luanda. Apesar da descida, o mercado de trabalho continua marcado pelo desemprego juvenil, pelas desigualdades de género e pelo peso da informalidade.

Ao apresentar o balanço da situação económica e social do país, o Chefe de Estado angolano destacou a evolução dos indicadores do emprego como parte dos resultados alcançados pelo Executivo nos últimos dois anos. A redução da taxa de desemprego representa uma melhoria face ao nível registado em 2024, embora os números disponíveis revelem que o acesso ao trabalho continua a constituir um dos principais desafios da economia angolana.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), Angola tinha 2.593.206 pessoas desempregadas com idade igual ou superior a 15 anos no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a população empregada era estimada em 9.562.740 pessoas, enquanto a taxa de emprego se situava em 42,3%.

Os dados oficiais mostram, entretanto, que a descida do desemprego face a 2024 não correspondeu a uma redução contínua ao longo dos primeiros meses deste ano. Comparativamente ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego se fixou em 20,1%, o indicador aumentou 1,1 ponto percentual no primeiro trimestre de 2026. O número de pessoas desempregadas cresceu 15,5%, correspondendo a mais 347.311 indivíduos.

O desemprego juvenil continua a ser uma das principais preocupações do mercado de trabalho angolano. Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingiu 40,7% no primeiro trimestre de 2026, um nível significativamente superior à taxa geral da população.

A situação evidencia as dificuldades de inserção profissional enfrentadas pelos jovens, num contexto em que a procura por oportunidades de trabalho exige respostas que articulem formação, qualificação profissional e criação de postos de trabalho.

As estatísticas revelam igualmente diferenças entre homens e mulheres. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego feminina situou-se em 23,4%, contra 19,3% entre os homens. A taxa de emprego também foi superior no grupo masculino, fixando-se em 45,6%, enquanto entre as mulheres atingiu 39,2%.

Para além do número de pessoas sem trabalho, a qualidade do emprego constitui outro desafio para a economia angolana. A elevada informalidade limita o acesso de muitos trabalhadores à protecção social e a condições laborais estáveis, tornando necessária a expansão de oportunidades formais e sustentáveis.

Em Agosto deste ano, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, anunciou que Angola registou mais de 774 mil empregos formais entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. Na mesma ocasião, a governante reconheceu a necessidade de reforçar a criação de empregos dignos, sustentáveis e acompanhados de protecção social.

Os dados relativos a 2025 indicavam que cerca de 77,7% da população empregada se encontrava na economia informal, realidade que continua a colocar pressão sobre as políticas públicas destinadas à formalização das actividades económicas.

O Banco Letshego pretende alcançar mais de 500 mil clientes nos próximos cinco anos. A ambição passa pelo reforço da inclusão financeira, pela modernização dos serviços e pela disponibilização de soluções acessíveis às famílias, aos empreendedores e às pequenas e médias empresas. A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração desta instituição, David Seie, esta quinta-feira, na Matola, província de Maputo, durante a inauguração de um novo balcão do banco.

David Seie afirma que a abertura da agência representa um compromisso de maior proximidade com a população e os agentes económicos, numa cidade que considera estratégica para o desenvolvimento do país. O responsável defende que a expansão da rede deve traduzir-se em respostas concretas às necessidades dos clientes, através de serviços financeiros adequados às suas condições e aspirações.

“Este momento representa muito mais do que a abertura de um espaço físico. Representa para nós proximidade, confiança e um compromisso renovado com as famílias, com os empreendedores e com as instituições que constroem diariamente o futuro desta cidade e da província de Maputo”, declarou o presidente do Conselho de Administração do Letshego.

O responsável sublinha que a inclusão financeira não deve ser entendida apenas como a abertura de contas bancárias ou a concessão de empréstimos. Na sua perspectiva, o acesso aos serviços financeiros deve permitir que mais cidadãos participem na economia, invistam em actividades produtivas e melhorem as condições de vida das famílias.

“Para o Banco Letshego, a inclusão financeira não se resume à abertura de contas ou à concessão de créditos. Significa permitir que mais cidadãos participem plenamente na economia nacional; que uma família possa investir na educação dos seus filhos; que um jovem transforme uma ideia num negócio; que uma mulher empreendedora amplie a sua actividade; e que uma pequena empresa adquira meios para crescer, criar emprego e gerar rendimentos”, explicou.

O banco iniciou as operações na Matola em Janeiro de 2012 e serve actualmente mais de cinco mil clientes na região, com uma carteira superior a 650 milhões de meticais. Segundo David Seie, estes números reflectem a confiança conquistada junto das famílias, dos empreendedores e das instituições locais.

Para ultrapassar 500 mil clientes nos próximos cinco anos, a instituição pretende melhorar os serviços e introduzir ferramentas que tornem as operações mais rápidas e acessíveis. A transformação digital assume um papel central nesta estratégia, sem afastar a componente humana do atendimento bancário.

“Para concretizar esta ambição, continuaremos a implementar serviços melhores, mais simples, mais rápidos e acessíveis, concebidos para responder às necessidades dos matolenses e de todos os moçambicanos. A transformação digital será central neste percurso”, declarou.

No domínio do crédito, David Seie defende que o financiamento deve ser concedido de forma responsável e acompanhado de informação clara sobre as condições e obrigações assumidas pelos clientes. Através das soluções de poupança, pagamentos e financiamento, o banco pretende apoiar iniciativas produtivas e necessidades concretas das famílias e dos negócios.

“Quando o financiamento é concebido com responsabilidade e acompanhado de informação clara, deixa de ser apenas uma transacção financeira e torna-se uma ferramenta de transformação. Ajuda a melhorar uma habitação, a reforçar um negócio, a enfrentar uma emergência, a adquirir equipamento e a construir maior segurança financeira”, declarou.

BANCO DE MOÇAMBIQUE PEDE ACESSO RESPONSÁVEL

Na mesma ocasião, o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola, Bento Baloi, considerou que a expansão da rede de instituições financeiras é importante para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos aos produtos e serviços formais. Alertou, contudo, que a abertura de balcões deve ser acompanhada por medidas que garantam a adequação, a transparência e a utilização responsável desses serviços.

“A expansão da rede de instituições financeiras constitui um importante instrumento para a promoção da inclusão financeira, na medida em que contribui para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos a produtos e serviços financeiros formais”, afirmou Bento Baloi.

O representante do banco central explicou que a abertura de novos balcões pode favorecer a poupança, dinamizar as actividades produtivas e contribuir para a geração de rendimentos e para o desenvolvimento económico e social. Considera, no entanto, que a inclusão financeira não se mede apenas pelo número de agências ou pela quantidade de produtos disponibilizados.

“A inclusão financeira não se resume apenas à abertura de balcões ou à disponibilização de produtos financeiros. Pressupõe, igualmente, que os serviços sejam acessíveis, adequados às necessidades dos cidadãos, transparentes, seguros e utilizados de forma responsável”, frisou.

Bento Baloi defendeu o reforço da educação financeira, para que os clientes compreendam as características dos produtos, conheçam os seus direitos e deveres e estejam informados sobre os riscos das decisões financeiras. A literacia financeira e a protecção do consumidor, acrescentou, são essenciais para consolidar a confiança da população no sistema bancário.

“É fundamental que a expansão das actividades financeiras seja acompanhada por iniciativas de educação financeira, que permitam aos cidadãos compreender os produtos e serviços disponíveis, os seus direitos e deveres, bem como os riscos associados às decisões financeiras”, declarou.

“Importa reforçar a necessidade de uma concessão responsável de crédito, assente na adequada avaliação da capacidade de reembolso dos clientes, na comunicação clara das condições contratuais e na prevenção do sobreendividamento”, afirmou.

Para Bento Baloi, o crescimento do sector financeiro deve ser avaliado também pelos resultados que produz na vida dos cidadãos, pela melhoria do acesso aos serviços e pela criação de oportunidades para uma participação mais activa na economia formal. A Matola, devido ao crescimento populacional e à diversidade das suas actividades comerciais e industriais, apresenta condições para aprofundar esse processo.

“Esperamos que este novo balcão contribua para facilitar o acesso aos serviços financeiros, apoiando as iniciativas empreendedoras e fortalecendo a relação de confiança entre a instituição e os seus clientes”, declarou o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola.

Baloi concluiu que o crescimento sustentável do sector depende do compromisso das instituições financeiras, das autoridades públicas e dos cidadãos, num ambiente de responsabilidade, integridade e respeito pelas normas que regulam a actividade. A inauguração do balcão do Letshego coloca, assim, em evidência o desafio de ampliar o acesso aos serviços bancários sem perder de vista a protecção do consumidor e a sustentabilidade do crédito. A instituição espera, desta forma, consolidar a sua presença local e ampliar o acesso a serviços financeiros formais.

Entre as vítimas mortais estão três crianças. Sete pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades hospitalares.

Pelo menos seis pessoas morreram, incluindo três crianças, na sequência do desabamento de um edifício residencial de cinco andares no Cairo, capital do Egipto. As equipas de emergência recuperaram os corpos das vítimas nos escombros, enquanto prosseguiam as operações de busca por eventuais sobreviventes.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, sete pessoas ficaram feridas e foram transportadas para o hospital para receber assistência médica.

As operações de resgate prosseguiram na quarta-feira, com as equipas de emergência a removerem os destroços na tentativa de localizar pessoas que possam ter ficado soterradas.

Por precaução, as autoridades ordenaram a evacuação dos edifícios vizinhos e instalaram estruturas provisórias de aço para reforçar a sua estabilidade e proteger os moradores.

O Governo egípcio anunciou a abertura de procedimentos legais e o início de uma investigação para apurar as causas do desabamento e eventuais responsabilidades.

Os desabamentos de edifícios são recorrentes no Egipto, onde a construção de baixa qualidade, a falta de manutenção e as deficiências na fiscalização das normas de construção contribuem para a insegurança de vários imóveis residenciais.

Perante este cenário, as autoridades têm procurado intensificar o combate às construções ilegais e retirar moradores de edifícios considerados em risco de desabamento.

O exército do Mali confirmou ontem um “incidente trágico” com “vítimas mortais” numa operação antiterrorista, referindo-se a um aparente bombardeamento por engano contra um grupo de civis que se deslocava de motocicleta, sem fornecer mais detalhes.

O exército do Mali confirmou hoje um “incidente trágico” com “vítimas mortais” numa operação antiterrorista, referindo-se a um aparente bombardeamento por engano contra um grupo de civis que se deslocava de motocicleta, sem fornecer mais detalhes.

“O Estado-Maior-Geral das Forças Armadas foi informado de um trágico incidente ocorrido numa zona de operações, que causou vítimas mortais e feridos”, referiu o exército do Mali, em comunicado, sem fornecer informações sobre o número de vítimas.

Na mesma nota o exército acrescentou que “segundo as primeiras informações disponíveis, às pessoas afetadas deslocavam-se em motociclos de grande cilindrada entre duas localidades”.

No comunicado publicado nas redes sociais, o exército referiu que já está em curso uma investigação “para determinar com precisão as circunstâncias deste acontecimento”, ao mesmo tempo que expressou as suas condolências aos familiares das vítimas e desejou uma “rápida recuperação” aos feridos.

O exército recordou, ainda, uma ordem emitida em 03 de Junho que “suspende a circulação” de motociclos com cilindrada igual ou superior a 125 centímetros cúbicos “fora das grandes aglomerações urbanas”, uma vez que considera que estes veículos são utilizados por grupos terroristas para o deslocamento dos seus membros e a execução de ataques.

“Esta medida responde a imperativos de segurança relacionados com o contexto operacional. O seu cumprimento rigoroso contribui para reduzir os riscos a que a população pode estar exposta nas zonas onde as operações militares continuam”, argumentou o exército na nota de comunicação emitida, em que apelou à população para que “cumpra rigorosamente as medidas e instruções de segurança em vigor”.

O comunicado foi publicado depois de a emissora francesa Radio France International ter noticiado a morte de, pelo menos, oito pessoas, entre as quais três meninas com menos de 10 anos, numa série de bombardeamentos contra a localidade de Zanakoro, na região de Ségou, após um batismo, sem que as autoridades tenham fornecido detalhes sobre o assunto nem tenham esclarecido se se trata do mesmo incidente.

O Mali é atualmente governado por uma junta militar instaurada na sequência dos golpes de Estado perpetrados em Agosto de 2020 e Maio de 2021, ambos liderados por Assimi Goita, actual Presidente de transição.

Desde então, Bamako tem vindo a aproximar-se da Rússia e a distanciar-se dos seus aliados ocidentais tradicionais, entre os quais a França, antiga potência colonial.

Após quase duas décadas de progressos, a fome no mundo aumentou face a 2018, afastando o objectivo de erradicar a fome até 2030, indica uma ONG. A presidente da Welthungerhilfe alerta que guerras são um dos factores que contribuem para a crise alimentar global.

Após quase duas décadas de progressos, a fome no mundo aumentou face a 2018, afastando cada vez mais o objectivo internacional de a erradicar até 2030, indica hoje uma organização não-governamental internacional.

Para a presidente da Welthungerhilfe (Ajuda Mundial contra a Fome), Marlehn Thieme, a situação é alarmante, uma vez que as guerras são um dos fatores que contribuem para esta situação, salientando que os conflitos, apesar de terem um alcance regional, ameaçam a segurança alimentar à escala global.

Thieme falava na apresentação do relatório anual desta organização não-governamental alemã, elaborado em conjunto com o Instituto de Direito para a Manutenção da Paz e Direito Internacional Humanitário (IFHV) da Universidade de Bochum e a organização suíça Helvetas, em que é analisada a relação entre a fome e a segurança.

“As 645 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo são um sinal de alarme. Com demasiada frequência, a segurança é entendida apenas em termos militares. No entanto, a segurança alimentar é uma condição prévia para a paz e a estabilidade”, salientou.

“As guerras provocam frequentemente fome, e a fome pode agravar ainda mais os conflitos. Ao mesmo tempo, os conflitos actuais ameaçam empurrar ainda mais pessoas para a fome, incluindo em regiões distantes das frentes de batalha”, referiu.

A interrupção das rotas comerciais, a subida dos preços da energia e dos fertilizantes e a paralisação das cadeias de abastecimento põem em risco a alimentação de milhões de pessoas, mesmo longe das regiões diretamente afectadas pelos conflitos, acrescentou.

Thieme apontou como exemplo a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, uma vez que os dois países representam um quarto do comércio mundial de trigo.

Devido aos bloqueios às exportações no mar Negro e à redução das sementeiras nos dois países, o trigo escasseia cada vez mais em todo o mundo. Consequentemente, especialistas das Nações Unidas preveem aumentos de preços com consequências de grande alcance para muitos países do Sul Global.

Esta tendência é agravada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e pelas perturbações no tráfego marítimo no estreito de Ormuz e no estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho.

Segundo Thieme, estas situações estão a provocar a subida dos preços dos fertilizantes e do gasóleo e, consequentemente, dos custos energéticos para a economia e a agricultura, não só na Alemanha, mas sobretudo na Ásia e em África.

Por esse motivo, Thieme defendeu um alargamento do conceito de segurança, sublinhando que tal “significa mais do que força militar, proteção das fronteiras e capacidade de defesa” e que “começa onde as pessoas conseguem satisfazer as suas necessidades básicas”.

“Quem combate a fome reforça também os alicerces da coesão social, da estabilidade e de uma paz duradoura. Sem segurança alimentar, não pode haver, em qualquer caso, segurança duradoura”, afirmou.

Thieme assinalou que o Índice Global da Fome (GHI), que em 2018 se situava nos 17,6 pontos, subiu para os atuais 18,1 pontos. Acrescentou que é particularmente alarmante o facto de a situação da fome se ter agravado em 32 países desde então, enquanto noutros 20 os progressos estagnaram.

“Todos estes números mostram que nós estamos a afastar cada vez mais do objetivo internacional de acabar com a fome até 2030. É particularmente preocupante que, em 57 países, seja muito provável que, se a tendência se mantiver, nem sequer seja possível alcançar um nível baixo de fome até 2030”, alertou Thieme.

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