As cheias e inundações que afetaram a província de Gaza entre Janeiro e Março deste ano provocaram a morte e dispersão de centenas de animais no Parque Nacional de Banhine, agravando o conflito entre comunidades locais e fauna bravia nos distritos de Mabalane, Chigubo e Mapai.
O fenómeno climático teve impactos significativos sobre a área de conservação, com a destruição de infraestruturas, a fuga de espécies e o enfraquecimento dos esforços de repovoamento faunístico em curso no parque.
De acordo com residentes, a convivência com a fauna bravia tornou-se mais difícil nos últimos meses, com registo de ataques a pessoas e aumento da presença de animais em zonas habitacionais.
“O conflito com a fauna bravia é o pão de cada dia, para dizer que a população reclama dia após dia. Cerca de 60 mil hectares foram devastados”, relatou Salvador Machava, produtor da área do parque.
Já a Administradora de Mapai descreveu episódios recentes de ataques envolvendo búfalos, incluindo ferimentos a membros da comunidade.
“Temos búfalos que chegam até a menos de dois quilómetros da vila, aqui no Matadouro. Uma criança foi agredida por búfalos. Nos últimos dois meses podemos falar de seis pessoas que foram agredidas”, disse Maria Helena, Administradora de Mapai.
Além do impacto sobre a fauna, as cheias destruíram infraestruturas estratégicas do parque, incluindo um santuário de proteção e maneio da vida selvagem, com prejuízos estimados em mais de 30 mil dólares.
“Foi destruído. O santuário praticamente está destruído. Os danos podem rodar acima de 30 mil dólares”, referiu Abel Nhabanga, Administrador do Parque Nacional de Banhine.
Segundo a administração do parque, a situação foi agravada pela subida do nível das águas, que cobriu grande parte do perímetro da reserva e levou à dispersão de espécies e à perda de animais recentemente introduzidos.
“Este ano o conflito com a fauna bravia agudizou-se. Tivemos chuvas intensas e água espalhada quase em todo o perímetro do parque”, explicou o responsável, acrescentando que estão em curso medidas de mitigação.
Entre as acções em implementação estão a vedação eléctrica de machambas e a criação de equipas de fiscais especializados em mediação de conflitos entre comunidades e fauna.
As cheias comprometeram ainda o programa de repovoamento do parque, incluindo a dispersão de mais de 400 animais translocados em 2025, numa operação avaliada em cerca de 350 mil dólares.
“Perdemos muitos animais devido à cheia. Alguns ficaram entalados em lama, sobretudo impalas e cabritos-do-mato. Tivemos também uma migração de animais não comum”, indicou Abel Nhabanga.
Paralelamente aos impactos ecológicos, o parque registou a deslocação incomum de espécies como zebras e búfalos para zonas habitacionais, aumentando a tensão com as comunidades locais.
Apesar dos prejuízos, o Parque Nacional de Banhine avançou com a entrega de 20% das receitas da conservação às comunidades, como forma de reforçar o envolvimento local na protecção da área.
“As comunidades precisam sentir que o parque também lhes pertence”, referiu Claudino Soupada, beneficiário, sublinhando que os fundos estão a ser aplicados em apoio agrícola e distribuição de insumos.
As autoridades do parque estão neste momento a realizar o levantamento completo dos danos e a mobilizar recursos para reforçar a protecção da área de conservação, restaurar infra-estruturas destruídas e mitigar os impactos sobre a fauna e as comunidades circunvizinhas.
O movimento xiita libanês, Hezbollah, rejeitou o acordo de cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos entre os governos do Líbano e de Israel e insiste que qualquer entendimento só será possível com a retirada total das forças israelitas do sul do território libanês.
O anúncio norte-americano dava conta de um entendimento entre Beirute e Telavive para a implementação de um cessar-fogo. Entre as condições propostas estava a suspensão dos ataques do Hezbollah e a retirada dos seus combatentes das zonas fronteiriças do sul do Líbano.
No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou publicamente a proposta, alegando que o grupo não participou nas negociações e que os termos apresentados favorecem os interesses israelitas.
Qassem classificou o plano como uma ameaça à soberania libanesa e aos direitos da população afectada pela guerra.
Os confrontos entre Israel e o Hezbollah intensificaram-se novamente no início de Março, quando o grupo abriu uma nova frente de combate em apoio ao Irão. Desde então, várias tentativas de cessar-fogo anunciadas por Washington falharam em travar os bombardeamentos e ataques transfronteiriços.
O líder do Hezbollah defende que qualquer acordo deve incluir a retirada das forças israelitas das áreas ,actualmente, ocupadas no sul do Líbano.
O Governo defende a transformação dos recursos minerais e energéticos em instrumentos efectivos de industrialização, criação de emprego e desenvolvimento económico inclusivo.
A posição foi manifestada pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia durante um encontro com o sector privado, no qual destacou que Moçambique dispõe de uma combinação estratégica de recursos energéticos, incluindo gás natural, energia hídrica, carvão, energia solar, eólica e outras fontes renováveis.
Segundo o governante, a existência destes recursos, por si só, não garante energia acessível para a população e para o sector produtivo. Para alcançar esse objectivo, é necessário investir em infra-estruturas de geração, transporte e distribuição de energia, melhorar a eficiência operacional e mobilizar financiamento em condições favoráveis.
O ministro sublinhou que o Governo tem vindo a implementar reformas para aumentar a previsibilidade e atrair investimentos para o sector energético. Entre as medidas destacam-se a aprovação do regulamento sobre atribuição, execução e extinção de concessões de energia eléctrica e o regulamento da Taxa de Acesso Universal à Electricidade.
De acordo com o dirigente, estas iniciativas visam reforçar a transparência, a segurança jurídica e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento sustentável da indústria energética nacional e para a expansão do acesso à energia.
O governante apontou ainda a necessidade de melhorar o aproveitamento das infra-estruturas críticas, como portos, linhas férreas, estradas, sistemas de energia e abastecimento de água, de modo a reduzir custos operacionais e facilitar o acesso de pequenos e médios investidores ao sector.
Na ocasião, defendeu uma maior participação das empresas moçambicanas na cadeia de valor dos projectos de mineração e hidrocarbonetos, através da prestação de serviços de manutenção, logística, transporte, construção, formação profissional e subcontratação industrial.
“O nosso objectivo é que a energia sirva a indústria e que os grandes projectos gerem oportunidades para as empresas moçambicanas, contribuindo para uma economia mais forte, diversificada e inclusiva”, afirmou.
O ministro reiterou que o Governo permanece aberto ao diálogo com o sector privado e considera a CTA um parceiro estratégico para garantir que os recursos minerais e energéticos sejam colocados ao serviço da transformação económica e social de Moçambique.
A crescente onda de sequestros de estudantes voltou a levar centenas de pessoas às ruas da capital nigeriana. Manifestantes concentraram-se em Abuja para exigir a libertação de alunos e professores raptados por grupos armados e cobrar uma resposta mais eficaz das autoridades.
Os protestos foram convocados por organizações da sociedade civil após mais um caso de sequestro em massa numa escola do estado de Oyo. A insegurança continua a afectar várias regiões da Nigéria, onde grupos armados utilizam os raptos como fonte de financiamento através da cobrança de resgates.
Durante a manifestação, activistas denunciaram aquilo que consideram ser uma incapacidade do Governo para proteger a população e travar a acção dos grupos criminosos.
“Chega! Basta de sequestros, basta de assassinatos. Eles nos matam como galinhas. Matam nossos filhos como galinhas. Não somos animais. Somos cidadãos de primeira classe da Nigéria”, apeloi a activista Arije Alao.
Entre os participantes esteve o activista e ex-candidato presidencial que criticou duramente a actuação das forças de segurança e acusou as autoridades de não tratarem a crise com a urgência necessária.
“Estou muito preocupado com as crianças que estão em cativeiro. Soldados que deveriam estar na mata procurando crianças estão aqui protegendo seus opressores, os políticos nigerianos”, disse o ex-candidato presidencial, Omoyele Sowore.
Dados divulgados pelos organizadores indicam que pelo menos 46 estudantes e funcionários foram sequestrados no estado de Oyo no dia 15 de Maio. No mesmo dia, cerca de 42 pessoas também foram raptadas no nordeste do país, incluindo no estado de Borno.
Os manifestantes prometem manter a pressão sobre o Governo até que os reféns sejam libertados e medidas mais eficazes sejam adoptadas para travar uma crise de segurança que continua a afectar milhares de famílias nigerianas.
Um dos sectores mais afectados pela escassez dos combustíveis é o empresarial. Exemplo disso é que no fim de Maio último, mesmo com a aparente estabilização no fornecimento, o sector privado continuou a ressentir-se.
Com a crise instalada, as dificuldades de operação das empresas agravaram-se, uma situação que culminou com a perda da confiança das empresas, tendo estas atingido o nível mais baixo no mês passado desde Novembro do ano de 2016.
“O sector privado moçambicano manteve a tendência de contração em Maio, à medida que as empresas continuaram a enfrentar desafios devido à escassez de combustível no mercado interno”, refere o relatório PMI do Standard Bank.
Com as restrições no abastecimento dos combustíveis diversos, os gastos dos clientes das empresas diminuíram no período em análise, num contexto em que a produção e a cadeia de abastecimento sofriam rupturas em algumas empresas.
“O ambiente de procura permaneceu difícil para as empresas moçambicanas durante o mês de Maio, com as novas encomendas a diminuírem pelo segundo mês consecutivo, embora a um ritmo moderado”, refere o mais recente relatório.
De acordo com o inquérito feito em mais de 40 países, as empresas apontaram a escassez de combustíveis como um factor que limitou tanto a capacidade das empresas como também o poder de compra dos consumidores ou clientes.
Com a redução significativa das encomendas, a produção das firmas deteriorou-se pela primeira vez desde Janeiro de 2025. Em Maio, os custos de aquisição também aumentaram ao ritmo mais acelerado dos últimos três meses.
O relatório do PMI do Standard Bank mostra ainda que o desempenho da cadeia de abastecimento continuou a deteriorar-se em Maio, principalmente devido à escassez de combustíveis, que ditou os atrasos nas entregas dos fornecedores.
Embora 24% dos inquiridos tenham antecipado um crescimento da produção ao longo do próximo ano, em comparação com a média de longo prazo de 51%, a maioria dos restantes não prevê qualquer alteração, conclui o relatório.
Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, explica o significado do inquérito PMI do Standard Bank Moçambique. Segundo ele, com a pontuação de 49,9, o índice esteve abaixo da marca dos 50 pelo segundo mês.
“Resultados do PMI abaixo do valor de referência de 50 significam uma deterioração mensal consecutiva da saúde da economia do sector privado”, sublinha o economista-chefe do Standard Bank Moçambique.
Os subíndices de produção, novas encomendas e quantidade de aquisições permaneceram abaixo dos 50, afectados pela escassez e reajustes dos preços dos combustíveis e pelas pressões ao mercado cambial.
Diante da situação, Mussá refere que reduziu a procura agregada, e o conflito no Médio Oriente resultou no aumento do preço local dos combustíveis em Maio, o que deverá resultar numa subida da inflação, que foi de 4,4%, em Abril.
Entretanto, o subíndice de emprego manteve-se acima da marca dos 50 desde Junho de 2025, o que pode reflectir alguma recuperação da crise pós-eleitoral e o progresso na fábrica de gás natural liquefeito em Afungi, na Área 1.
“No entanto, o sentimento empresarial deteriorou-se ainda mais, com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a registar o valor mais baixo de quase uma década”, considera o economista-chefe do banco.
Com a política monetária mais restritiva, a taxa de juro de referência inalterada nos 9,25%, o aumento das reservas obrigatórias em 10 pontos percentuais para 39%, Fáusio Mussa acredita que o custo do dinheiro vai aumentar em breve.
“É provável que se assista a subidas na taxa de juro referência da política monetária, MIMO, no segundo semestre do ano, à medida que aumenta o risco de uma inflação de dois dígitos no curto prazo”, considera Fáusio Mussa.
De acordo com as empresas inquiridas, houve uma nova contracção ligeira da produção em meados do segundo trimestre de 2026.
“Esta foi a primeira redução mensal consecutiva da produção em quase um ano e meio. Várias empresas referiram que a escassez de combustível tinha limitado a actividade e conduzido a uma redução das vendas aos clientes”, refere a nota.
No que diz respeito a novas encomendas, o índice destas permaneceu ligeiramente abaixo dos 50 em Maio, indicando uma redução nas carteiras de encomendas pelo segundo mês consecutivo.
“Nos casos em que as aquisições de meios de produção sofreram cortes, os membros do painel atribuíram esta situação, sobretudo, a uma redução na aquisição de combustível devido à escassez, assim como a um fraco poder de compra”, aponta o inquérito publicado pelo Standard Bank Moçambique.
Já os stocks de meios de produção mantiveram-se em contracção em Maio, embora a taxa de descida tenha abrandado em relação ao mês anterior. A grande maioria dos inquiridos não observou qualquer alteração nos seus inventários.
Por fim, depois de ter aumentado nos últimos dez meses, as despesas salariais no sector privado mantiveram-se estáveis em Maio, um factor evidenciado pelo Índice de custos com pessoal, que caiu para o ponto neutro, que é 50.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recuperação económica de Moçambique na ordem dos 0,5% em 2026. De acordo com a instituição financeira, a evolução de preços de matérias-primas e a dinâmica de mercados globais terão influência decisiva no desempenho.
Este posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira, em Maputo, pelo representante residente do FMI em Moçambique. Olamide Harrison falava numa mesa redonda sobre as Perspectivas Económicas Regionais e os impactos dos choques dos preços dos combustíveis na economia.
O responsável sublinha que as estimativas são baseadas em dados recentes, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador revela um desempenho mais fraco do que o anteriormente previsto, com a taxa de crescimento de 2025 revista para apenas 0,2%.
“Estamos a trabalhar para incorporar a informação mais recente que saiu do Instituto Nacional de Estatística”, afirmou Harrison, acrescentando que o processo de actualização das projecções procura reflectir de forma mais precisa a realidade económica do País.
O crescimento previsto representa uma desaceleração significativa face aos anos anteriores, em que a economia moçambicana chegou a registar crescimentos acima dos 5%.
O abrandamento é associado à redução do dinamismo em vários sectores produtivos, bem como às restrições financeiras e cambiais que continuam a afectar empresas e consumidores.
Diante do cenário de fragilidade, o FMI considera que existem condições para uma retoma gradual da actividade económica.
“Esperamos um crescimento gradual. Estamos ainda a incorporar vários elementos que influenciam a economia, incluindo a evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais”, referiu Harrison e destacou a forte dependência do País por factores externos.
Entre os elementos externos com maior impacto, segundo o Fundo Monetário, estão os preços dos combustíveis, do gás natural e de outras matérias-primas exportadas pelo País, cuja volatilidade continua a influenciar as receitas nacionais e o equilíbrio macroeconómico.
O Fundo Monetário Internacional alerta que uma trajectória de recuperação dependerá, em grande medida, da estabilidade dos referidos mercados internacionais.
Outro ponto considerado positivo pelo representante do FMI foi a recente retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), um passo que reforça a confiança dos investidores internacionais.
Harrison reiterou ainda o compromisso do FMI em continuar a apoiar Moçambique em áreas estratégicas, incluindo a gestão das finanças públicas, o fortalecimento da administração tributária, a melhoria da governação económica e o reforço da transparência institucional.
Segundo o FMI, a consolidação da estabilidade macroeconómica e a criação de condições para atrair investimento serão determinantes para transformar a recuperação projectada em ganhos concretos para a economia e melhores condições de vida para a população.
As empresas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e Aeroportos de Moçambique (ADM) continuam a constituir uma grande fonte de risco para as finanças públicas, revela o Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais 2025 publicado pelo Ministério das Finanças.
De acordo com o documento, as duas empresas “irmãs” beneficiaram-se de um apoio do Estado de aproximadamente 1,5 mil milhões e 0,5 mil milhões de meticais respectivamente no ano passado, o que terá agravado a vulnerabilidade das finanças públicas.
São cerca de 2 mil milhões canalizados às empresas no ano passado, num contexto em que 91% das participações da companhia aérea foram alienadas às empresas Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Caminhos de Ferro de Moçambique e Empresa Moçambicana de Seguros.
De acordo com a informação que consta do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais, publicado no portal do Ministério das Finanças, só no ano passado, apesar das iniciativas em curso para melhorar a gestão e a rentabilidade das empresas participadas pelo Estado, algumas instituições continuam a enfrentar dificuldades financeiras significativas.
O relatório foi divulgado num contexto de fortes constrangimentos económicos. Entre os factores apontados pelo Ministério das Finanças estão o abrandamento da actividade económica, as receitas públicas abaixo das previsões, o crescimento da dívida pública e os impactos de fenómenos climáticos extremos que afectaram várias regiões do País.
Os dados do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais mostram ainda que a consolidação financeira das empresas públicas continua a ser um dos principais desafios para a estabilidade das contas públicas. Tal ocorre num momento em que o Governo moçambicano procura reduzir os riscos fiscais e reforçar a sustentabilidade do Sector Empresarial do Estado.
O relatório conclui que “este comportamento sugere a contínua monitoria e um melhor tratamento na programação orçamental, por forma a mitigar os efeitos negativos nas finanças públicas”.
O Presidente de Gana, John Mahama, lançou um apelo à comunidade financeira internacional para que reveja a forma como avalia a dívida dos países africanos. Defende mecanismos mais rápidos, justos e inclusivos para a reestruturação das obrigações financeiras do continente.
Trata-se de uma posição apresentada pelo governante do país africano durante uma conferência de investidores realizada em Londres. Na ocasião, o estadista procurou reforçar a confiança dos mercados na economia ganesa e nas perspectivas de crescimento de África.
Num discurso centrado nos desafios do financiamento ao desenvolvimento, Mahama sustentou que a dívida africana continua a ser avaliada de forma desfavorável no mercado internacional, o que encarece o acesso ao crédito aos países devedores do continente africano.
Segundo o Presidente, a forma como é feita a avaliação reduz ainda a capacidade dos governos de investirem em sectores estratégicos. Para si, a percepção de risco associada aos países africanos não é realista e não corresponde ao potencial de crescimento dos países.
“Os mecanismos de reestruturação da dívida devem tornar-se mais rápidos, mais justos e mais inclusivos”, afirmou Mahama e defendeu reformas que permitam aos países ultrapassar crises financeiras sem comprometer os seus objectivos de desenvolvimento.
O governante acrescentou que as actuais soluções internacionais continuam a apresentar limitações significativas para responder às necessidades das economias emergentes. As declarações surgem numa altura em que o Gana procura consolidar a recuperação económica.
Depois da grave crise financeira que levou o país ao incumprimento da dívida em 2022, a situação obrigou as autoridades ganenses a avançarem com um amplo processo de reestruturação da dívida pública, envolvendo diversos credores nacionais e internacionais.
O processo decorreu ao abrigo do Quadro Comum do Grupo dos 20 (G20), mecanismo criado para facilitar a renegociação das dívidas soberanas, mas criticado pela sua lentidão. Mahama defendeu uma mudança de paradigma na relação entre África e seus parceiros internacionais.
De acordo com o presidente de Gana, o continente não deve continuar a ser visto apenas como destinatário de ajuda externa, mas como espaço de oportunidades de investimento. Na ocasião, defendeu um aumento do financiamento climático destinado aos países africanos.
“A relação com o Reino Unido deve evoluir de uma relação moldada pela ajuda para uma relação ancorada na inovação empresarial e no investimento”, declarou, sublinhando a necessidade de fortalecer parcerias económicas sustentáveis e mutuamente benéficas.
Mahama argumentou que África enfrenta consequências severas das alterações climáticas, apesar de contribuir com uma parcela reduzida das emissões globais de gases de efeito estufa. No seu entender, deve ser uma prioridade a mobilização de recursos para adaptação climática.
O governante procurou ainda contrariar a narrativa frequentemente associada aos mercados africanos, afirmando que o continente possui condições para se transformar num dos principais pólos de crescimento económico das próximas décadas.
“África não é um risco a ser gerido. África é uma oportunidade a ser aproveitada”, enfatizou Mahama perante investidores e representantes do sector financeiro internacional.
Dos 26 convocados dos Bafana Bafana para o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá, 19 actuam no campeonato sul-africano, o maior número entre as selecções africanas presentes no Mundial de 2026.
A divulgação das listas oficiais para o Mundial de 2026 mostra que várias selecções continuam a confiar nos seus campeonatos nacionais como principal fonte de recrutamento.
Entre as equipas africanas, a África do Sul destaca-se por apresentar o maior número de jogadores provenientes da liga doméstica, numa demonstração da crescente competitividade do futebol local.
Os Bafana Bafana convocaram 19 atletas que actuam na Premier Soccer League (PSL), principal competição sul-africana. A base da equipa é composta por jogadores do Mamelodi Sundowns e do Orlando Pirates, clubes que fornecem oito atletas cada à selecção orientada por Hugo Broos.
A forte presença de jogadores locais contrasta com a tendência observada em muitas selecções africanas, que dependem maioritariamente de futebolistas a actuar no estrangeiro. No caso sul-africano, apenas sete convocados jogam fora do País, distribuídos por campeonatos da Europa, Ásia e América.
O Egipto ocupa a segunda posição entre as selecções africanas que mais recorrem aos seus campeonatos nacionais, com 17 jogadores provenientes da liga local. A Tunísia surge em terceiro lugar, com sete atletas.
Já Argélia e Marrocos contam com apenas três jogadores dos respectivos campeonatos nacionais, enquanto o Gana apresenta apenas um representante da sua liga doméstica.
Especialistas associam esta realidade ao fortalecimento financeiro e organizacional de algumas ligas africanas. Na África do Sul e no Egipto, os clubes conseguem oferecer condições competitivas e reter parte significativa dos seus principais talentos, reduzindo a necessidade de transferências precoces para o exterior.
A aposta em jogadores locais não é exclusiva do continente africano. Entre as principais selecções europeias, Inglaterra, Espanha e Alemanha mantêm uma forte representação de atletas que actuam nos respectivos campeonatos nacionais.
A proximidade competitiva e o conhecimento mútuo entre os jogadores são frequentemente apontados como factores que favorecem a coesão das equipas.
No Médio Oriente, o Qatar volta a apostar quase exclusivamente em futebolistas da liga nacional, repetindo a estratégia utilizada nas últimas competições continentais. Na região da Concacaf, o México apresenta uma convocatória equilibrada, integrando vários jogadores provenientes da Liga MX.
Com o arranque do Mundial marcado para 11 de Junho, a competição servirá também para avaliar a eficácia dos diferentes modelos de construção das selecções nacionais.
Enquanto algumas equipas apostam em atletas dispersos pelos principais campeonatos do mundo, outras continuam a encontrar nas ligas locais a base para a sua identidade competitiva.
SERNIC investiga possível rede de desvio de fármacos na província de Gaza, depois de um militar ter sido encontrado na posse de medicamentos que, alegadamente, pertencem ao Sistema Nacional de Saúde.
Um militar de 56 anos foi detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, na posse de uma quantidade significativa de medicamentos alegadamente desviados do Sistema Nacional de Saúde (SNS), num caso que poderá revelar a existência de uma rede organizada de desvio e comercialização ilegal de fármacos.
A detenção ocorreu no passado dia 2 de Junho, na sequência de uma operação conduzida pelas autoridades criminais, que culminou na apreensão de diversos medicamentos pertencentes ao circuito público de saúde.
Durante os primeiros interrogatórios, o suspeito admitiu estar na posse dos fármacos, alegando que pretendia comercializá-los para sustentar a sua família. O indiciado afirmou ter conhecimentos na área de saúde adquiridos durante o período em que serviu nas Forças Armadas, onde exerceu funções ligadas à assistência médica.
“Estava a tentar conseguir meios de sobrevivência para os meus filhos”, declarou o suspeito, que disse ser pai de seis crianças.
Entretanto, o SERNIC considera que o caso poderá ir além da actuação individual do militar. Segundo o porta-voz da corporação em Gaza, Zaqueu Mucambe, as investigações em curso apontam para a possível existência de um esquema organizado envolvendo diferentes intervenientes ligados ao circuito de distribuição dos medicamentos.
De acordo com as autoridades, os indícios recolhidos sugerem que os fármacos tenham sido retirados ilegalmente do Sistema Nacional de Saúde antes de chegarem aos pacientes a quem se destinavam.
O suspeito é acusado da prática do crime de exercício ilícito de funções públicas ou de profissão titulada, previsto e punido pelo artigo 344 do Código Penal moçambicano. As autoridades admitem avançar com a aplicação da medida de prisão preventiva enquanto decorrem diligências para o esclarecimento completo do caso.
O porta-voz do SERNIC sublinhou que a investigação prossegue para identificar a origem dos medicamentos apreendidos e determinar eventuais responsabilidades de outros indivíduos que possam estar envolvidos no alegado esquema.
Casos de desvio de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde têm sido apontados como uma das preocupações do sector, por comprometerem o acesso da população a medicamentos essenciais e favorecerem a comercialização ilegal de produtos destinados ao atendimento gratuito ou subsidiado nos estabelecimentos públicos de saúde.
As autoridades acreditam que os próximos dias poderão ser determinantes para o aprofundamento da investigação e eventual responsabilização criminal de outros suspeitos ligados ao caso.

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