Moradores do bairro Boquisso A, no município da Matola, exigem soluções urgentes para as persistentes inundações que afectam a zona desde 2023, numa situação que já obrigou algumas famílias a abandonar as suas residências. O edil do município, Júlio Parruque, reconheceu a gravidade da situação, mas apontou limitações técnicas e financeiras como entraves ao avanço das obras.
Num gesto incomum, os munícipes dirigiram-se ao Conselho Municipal para um encontro directo com o edil, Júlio Parruque, pressionando as autoridades a apresentar respostas concretas. A iniciativa levou à interrupção dos trabalhos da Assembleia Municipal para que as preocupações fossem ouvidas.
“Estamos numa situação extremamente grave. Já tive de abandonar a minha casa por causa da água. Não conseguimos sequer usar sapatos normais, porque tudo fica inundado”, relatou uma das moradoras, descrevendo o impacto das cheias no quotidiano da comunidade.
Os residentes acusam ainda o município de não ter cumprido promessas anteriores. Segundo afirmam, foi garantida a construção de uma vala de drenagem num prazo de cinco dias, mas as obras não avançaram. “As máquinas foram retiradas sem qualquer explicação. Ninguém veio dar satisfação”, queixou-se outro munícipe.
Face à pressão, o vereador de Planeamento Territorial, Aurélio Salomão, apresentou as soluções em análise, apontando a necessidade de criação de um sistema de drenagem até ao rio Mulaúze.
Em alguns casos, admitiu, poderá ser necessário reassentar famílias em zonas seguras. “Nas áreas onde a água se acumula, não há outra alternativa senão retirar as famílias e transformar esses locais em bacias de retenção”, explicou.
Por sua vez, o edil reconheceu a gravidade da situação, mas apontou limitações técnicas e financeiras como entraves ao avanço das obras. “O trabalho foi suspenso para avaliação topográfica do terreno. Mas quero garantir que o bairro não está esquecido”, afirmou Júlio Parruque, acrescentando que a situação tem sido motivo de preocupação constante.
O presidente do município prometeu ainda a retoma dos trabalhos já na próxima semana, com a mobilização de máquinas para intervenções iniciais, incluindo a reconfiguração de áreas de retenção de água.
De acordo com a edilidade, está previsto o arranque de um projecto mais amplo de drenagem, que inclui a construção de uma vala com cerca de 12 quilómetros de extensão, atravessando os bairros de Matlemele, Nkobe e Matola Gare. O investimento estimado ultrapassa os 500 milhões de meticais.
Enquanto aguardam por soluções definitivas, os moradores de Boquisso A continuam a viver entre águas estagnadas e incertezas, exigindo respostas rápidas para um problema que consideram já insustentável.

