As cheias e inundações que afetaram a província de Gaza entre Janeiro e Março deste ano provocaram a morte e dispersão de centenas de animais no Parque Nacional de Banhine, agravando o conflito entre comunidades locais e fauna bravia nos distritos de Mabalane, Chigubo e Mapai.
O fenómeno climático teve impactos significativos sobre a área de conservação, com a destruição de infraestruturas, a fuga de espécies e o enfraquecimento dos esforços de repovoamento faunístico em curso no parque.
De acordo com residentes, a convivência com a fauna bravia tornou-se mais difícil nos últimos meses, com registo de ataques a pessoas e aumento da presença de animais em zonas habitacionais.
“O conflito com a fauna bravia é o pão de cada dia, para dizer que a população reclama dia após dia. Cerca de 60 mil hectares foram devastados”, relatou Salvador Machava, produtor da área do parque.
Já a Administradora de Mapai descreveu episódios recentes de ataques envolvendo búfalos, incluindo ferimentos a membros da comunidade.
“Temos búfalos que chegam até a menos de dois quilómetros da vila, aqui no Matadouro. Uma criança foi agredida por búfalos. Nos últimos dois meses podemos falar de seis pessoas que foram agredidas”, disse Maria Helena, Administradora de Mapai.
Além do impacto sobre a fauna, as cheias destruíram infraestruturas estratégicas do parque, incluindo um santuário de proteção e maneio da vida selvagem, com prejuízos estimados em mais de 30 mil dólares.
“Foi destruído. O santuário praticamente está destruído. Os danos podem rodar acima de 30 mil dólares”, referiu Abel Nhabanga, Administrador do Parque Nacional de Banhine.
Segundo a administração do parque, a situação foi agravada pela subida do nível das águas, que cobriu grande parte do perímetro da reserva e levou à dispersão de espécies e à perda de animais recentemente introduzidos.
“Este ano o conflito com a fauna bravia agudizou-se. Tivemos chuvas intensas e água espalhada quase em todo o perímetro do parque”, explicou o responsável, acrescentando que estão em curso medidas de mitigação.
Entre as acções em implementação estão a vedação eléctrica de machambas e a criação de equipas de fiscais especializados em mediação de conflitos entre comunidades e fauna.
As cheias comprometeram ainda o programa de repovoamento do parque, incluindo a dispersão de mais de 400 animais translocados em 2025, numa operação avaliada em cerca de 350 mil dólares.
“Perdemos muitos animais devido à cheia. Alguns ficaram entalados em lama, sobretudo impalas e cabritos-do-mato. Tivemos também uma migração de animais não comum”, indicou Abel Nhabanga.
Paralelamente aos impactos ecológicos, o parque registou a deslocação incomum de espécies como zebras e búfalos para zonas habitacionais, aumentando a tensão com as comunidades locais.
Apesar dos prejuízos, o Parque Nacional de Banhine avançou com a entrega de 20% das receitas da conservação às comunidades, como forma de reforçar o envolvimento local na protecção da área.
“As comunidades precisam sentir que o parque também lhes pertence”, referiu Claudino Soupada, beneficiário, sublinhando que os fundos estão a ser aplicados em apoio agrícola e distribuição de insumos.
As autoridades do parque estão neste momento a realizar o levantamento completo dos danos e a mobilizar recursos para reforçar a protecção da área de conservação, restaurar infra-estruturas destruídas e mitigar os impactos sobre a fauna e as comunidades circunvizinhas.
A Primeira Secretária Provincial da FRELIMO em Inhambane, Adélia Macucule, lançou um apelo firme aos quadros do partido para que assumam um papel mais activo na resolução dos problemas que afectam as comunidades, defendendo que o actual contexto nacional exige liderança, unidade e capacidade de transformar desafios em oportunidades.
A mensagem foi apresentada durante a Conferência Provincial de Quadros da FRELIMO, realizada em Inhambane, um encontro que decorre quase uma década depois da última edição e que serviu de espaço para reflexão sobre o papel do partido perante os novos desafios políticos, económicos e sociais que o país enfrenta.
Num discurso marcado por referências à história da luta de libertação nacional e por constantes apelos à responsabilidade política, Adélia Macucule afirmou que a conferência não deve ser encarada como um simples encontro interno, mas como um momento de redefinição do compromisso dos dirigentes com o povo.
“A história ensina-nos que os grandes desafios nunca foram vencidos pela improvisação, mas sim pela organização, disciplina, unidade e pela capacidade de transformar dificuldades em oportunidades”, afirmou perante centenas de quadros do partido.
A dirigente começou por enquadrar a reunião no contexto das celebrações dos 51 anos da Independência Nacional, considerando que a geração actual tem a responsabilidade de consolidar os ganhos alcançados e preparar o país para um novo ciclo de desenvolvimento.
Para Adélia Macucule, Moçambique atravessa uma fase particularmente exigente, marcada pelo desemprego juvenil, pelos impactos das mudanças climáticas, pelo aumento do custo de vida e pelo surgimento de discursos que, na sua perspectiva, procuram dividir os moçambicanos e enfraquecer as instituições do Estado.
Perante este cenário, defendeu que a resposta não pode ser a acomodação nem o silêncio.
“A FRELIMO foi forjada nos momentos mais difíceis da história deste país. Foi na adversidade que aprendemos a resistir e na escassez que aprendemos a construir. Este não é momento para desânimo. É momento para trabalho, para reforçar a ligação entre o Partido e o povo, para escutar mais, compreender melhor e responder com maior eficácia às preocupações dos cidadãos”, declarou.
Ao longo da intervenção, a Primeira Secretária insistiu que os quadros do partido devem assumir uma postura mais interventiva e próxima das comunidades, rejeitando uma actuação limitada à gestão administrativa.
Segundo afirmou, os dirigentes da FRELIMO devem posicionar-se como agentes de transformação social, capazes de mobilizar cidadãos, organizar comunidades e encontrar soluções concretas para os problemas locais.
“O povo não espera de nós discursos, mas sim respostas, liderança e exemplo”, sublinhou.
Num dos momentos mais marcantes da sua intervenção, Adélia Macucule alertou para aquilo que considera serem ameaças internas ao próprio partido, identificando a intriga, o individualismo, a indisciplina e a cultura de conflito permanente como factores que podem comprometer a capacidade de organização da FRELIMO.
Na sua visão, nenhuma organização consegue alcançar resultados quando as suas energias são consumidas por disputas internas, defendendo que a unidade continua a ser o principal activo político do partido.
A dirigente apelou, por isso, ao reforço da ética, da disciplina e da responsabilidade política, lembrando que os cargos de direcção representam uma missão de serviço público e não privilégios pessoais.
“Cada quadro deve sentir-se guardião dos valores da FRELIMO. Cada dirigente deve compreender que o cargo que ocupa não é um privilégio pessoal. É uma missão de serviço ao povo e ao país”, afirmou.
Num momento em que o partido começa a preparar futuras batalhas políticas e eleitorais, Adélia Macucule procurou afastar a ideia de que as vitórias se conquistam apenas durante os períodos de campanha.
Segundo explicou, o sucesso político constrói-se diariamente através da resolução dos problemas das comunidades, do fortalecimento dos órgãos de base e da manutenção de uma relação permanente de proximidade com os cidadãos.
Para a dirigente, a força da FRELIMO não assenta apenas no seu percurso histórico, mas sobretudo na capacidade de continuar presente nas comunidades, organizar a sociedade e responder às necessidades do país.
“A história, por si só, não garante o futuro”, advertiu, defendendo a necessidade de renovação permanente do partido, da formação de novos quadros, da valorização da juventude e da colocação do interesse nacional acima dos interesses individuais.
Ao encerrar a intervenção, Adélia Macucule afirmou que a actual geração recebeu uma missão diferente daquela que conduziu a luta de libertação nacional.
Se aos fundadores coube conquistar a independência, considera que cabe agora aos actuais dirigentes consolidar o desenvolvimento, preservar a paz, fortalecer a unidade nacional e criar melhores oportunidades para as futuras gerações.
“O futuro será conquistado pela nossa capacidade de nos reinventarmos, de corrigirmos erros, de valorizarmos a juventude e de colocarmos sempre o interesse nacional acima de qualquer interesse individual”, afirmou.
A Conferência Provincial de Quadros da FRELIMO decorre numa altura em que o partido intensifica o processo de preparação da 11.ª Conferência Nacional de Quadros, prevista para Agosto próximo, e assume um papel estratégico na definição das prioridades políticas e organizacionais da formação política na província de Inhambane.
Mais do que uma reunião partidária, o encontro serviu para reafirmar uma mensagem central: perante um contexto marcado por desafios económicos, sociais e climáticos, a liderança da FRELIMO em Inhambane entende que a resposta deve passar por maior proximidade com as comunidades, mais disciplina interna e um envolvimento activo dos seus quadros na procura de soluções para os problemas que afectam diariamente os moçambicanos.
O Arcebispo da Arquidiocese de Maputo considera que a morte do bispo de Quelimane é uma grande perda para a Igreja Católica. Diz que a conferência Epoiscopal irá pronunciar-se, assim que forem esclarecidas as circunstâncias.
A Igreja Católica em Moçambique está de luto pela morte de Dom Osório Citora Afonso.
O Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Nunes, recordou o legado do prelado, destacando a sua dedicação à missão evangelizadora, a experiência pastoral e a visão universal da Igreja que procurava transmitir.
Segundo Dom João Carlos, a morte de Dom Osório foi recebida com surpresa e tristeza. O arcebispo recordou que teve o privilégio de trabalhar com o falecido bispo durante o período em que este serviu como bispo auxiliar da Arquidiocese de Maputo.
Durante esse tempo, Dom Osório participou em diversas visitas pastorais, celebrou sacramentos, animou comunidades cristãs e esteve envolvido em iniciativas de reforma e renovação da vida diocesana. Para Dom João Carlos, a experiência que o prelado adquiriu junto da Santa Sé constituiu uma importante mais-valia para a Igreja em Moçambique.
“Nós acreditamos que, acima de tudo, Deus é Pai e o Senhor é Deus. Vai saber consolar os corações que estão sendo sentidos por esta terra. E a mensagem que temos, acima de tudo, é que não percamos a esperança. É mais uma provação que nós passamos e que penso que, juntos, unidos, focalizados na nossa missão de evangelizar, acima de tudo, penso que isso ajudará a todos neste momento.”
O arcebispo lamentou que a missão de Dom Osório à frente da Diocese de Quelimane tenha sido interrompida prematuramente. Segundo explicou, o bispo encontrava-se ainda numa fase de reorganização e reestruturação da diocese, trabalho que ficou por concluir.
Num momento de dor, Dom João Carlos apelou aos fiéis para que mantenham a esperança e a confiança em Deus.
Relativamente às circunstâncias da morte, o arcebispo referiu que ainda não existem informações conclusivas, aguardando-se o resultado das diligências em curso para o esclarecimento dos factos.
Ao recordar o legado deixado por Dom Osório, Dom João Carlos destacou a sua capacidade de transmitir uma visão ampla da missão da Igreja. Segundo afirmou, o prelado procurava constantemente recordar que a Igreja Católica é uma comunidade universal, presente em todo o mundo, e que os fiéis devem olhar para além das realidades locais, mantendo uma perspetiva global da fé e da vida cristã.
Para a Igreja Católica em Moçambique, a memória de Dom Osório permanecerá associada ao seu espírito de serviço, ao compromisso pastoral e à promoção da comunhão entre as comunidades cristãs.
O Governo moçambicano concluiu os preparativos para o repatriamento de mais 169 cidadãos afectados pelos actos de xenofobia registados na província sul-africana do Cabo Ocidental.
De acordo com um comunicado do Gabinete de Informação, os compatriotas encontram-se actualmente acolhidos em centros comunitários temporários nas localidades de Mossel Bay e Hermanus, estando a sua partida prevista para esta sexta-feira, com chegada ao Posto Fronteiriço de Ressano Garcia agendada para sábado.
As autoridades asseguram que estão reunidas todas as condições logísticas necessárias para garantir o transporte e a assistência dos cidadãos durante o percurso de regresso ao país. A operação segue-se a uma acção semelhante realizada anteriormente pelo Governo moçambicano.
Entretanto, as missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul continuam a acompanhar de perto a situação, prestando apoio aos cidadãos afectados e coordenando as acções necessárias para assegurar o seu regresso em segurança.
Por seu turno, as autoridades sul-africanas reiteraram a condenação dos actos de violência e intimidação dirigidos contra cidadãos estrangeiros. Após a sessão do Conselho de Ministros realizada na quinta-feira, a Ministra na Presidência da República da África do Sul, Khumbudzo Ntshavheni, garantiu que o Governo não permitirá qualquer paralisação nacional ou acções que comprometam a ordem pública e a segurança das comunidades residentes naquele país.
Apesar deste posicionamento, informações partilhadas pelas autoridades da província do Cabo Ocidental apontam para a possibilidade de novas manifestações anti-imigração nas próximas semanas, cenário que continua a ser monitorizado pelas autoridades moçambicanas.
O Governo assegura que o acompanhamento da situação prossegue em coordenação com as autoridades sul-africanas, com vista a garantir a assistência e a protecção dos cidadãos moçambicanos afectados.
A epidemia de Ebola volta a testar a capacidade do sistema de saúde congolês. Em Bunia, cidade que concentra a maioria dos casos, uma das principais unidades sanitárias está lotada e enfrenta dificuldades para atender a crescente procura por cuidados médicos.
A epidemia de Ebola volta a testar a capacidade do sistema de saúde da República Democrática do Congo. Em Bunia, cidade que concentra a maioria dos casos, uma das principais unidades sanitárias está lotada e enfrenta dificuldades para atender a crescente procura por cuidados médicos.
A situação agrava-se numa altura em que o número de infecções continua a aumentar rapidamente. Dados actualizados das autoridades congolesas indicam que o país já registou 452 casos confirmados de Ebola e 82 mortes desde a declaração do surto, em meados de maio. Só nas últimas 24 horas foram confirmados mais 71 novos casos, sinal de que a transmissão comunitária continua intensa.
O surto está concentrado principalmente na província de Ituri, mas já se estendeu a outras regiões do leste do país. As autoridades sanitárias enfrentam desafios relacionados com a falta de medicamentos, insuficiência de centros de tratamento e dificuldades no rastreio de contactos.
Entretanto, a ajuda internacional começa a mobilizar-se. A Organização Mundial da Saúde e o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças lançaram um plano de resposta avaliado em 518 milhões de dólares para apoiar o combate à epidemia, reforçar os sistemas de vigilância e preparar os países vizinhos para uma eventual propagação da doença.
Dois cidadãos moçambicanos encontram-se detidos sob suspeita de envolvimento no assassinato de um casal sul-africano no Parque Nacional Kruger, na África do Sul, e no roubo da viatura das vítimas. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) informa que a detenção dos implicados ocorreu na província de Gaza.
O crime de que os indivíduos são acusados ocorreu no dia 22 de Abril, no Parque Nacional Kruger, na vizinha África do Sul.
De acordo com o SERNIC, o casal foi assaltado, assassinado e despojado da sua viatura. Posteriormente, os corpos foram abandonados num riacho.
Após a realização de perícias no local e o desenvolvimento das investigações, as suspeitas recaíram sobre cidadãos moçambicanos, o que levou a Polícia sul-africana a solicitar a colaboração das autoridades moçambicanas.
A detenção dos dois suspeitos ocorreu em Phafure, na província de Gaza.
O SERNIC revelou ainda que a viatura das vítimas foi vendida por 600 mil meticais, facto que poderá implicar o envolvimento de mais pessoas no caso.
Dos dois detidos, um admite o seu envolvimento no crime, enquanto o outro rejeita todas as acusações.
“Eles estavam parados e nós apanhámo-los e amarrámo-los. Foi então que o meu amigo esfaqueou os dois, enquanto estavam amarrados, e deixámo-los no riacho. Eu disse ao meu amigo que não precisávamos de os matar, mas ele insistiu que era necessário. Continuei a insistir, mas ele pegou na faca e matou-os”, declarou um dos indiciados.
O outro suspeito nega qualquer envolvimento no crime.
Na ocasião, o SERNIC apresentou algumas peças apreendidas durante rusgas efectuadas no Mercado Estrela Vermelha, na cidade de Maputo, e espera devolvê-las aos respectivos proprietários.
As autoridades advertiram que irão intensificar as operações de combate ao roubo e comercialização ilegal de peças de viaturas.
Dois cidadãos moçambicanos estão detidos pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, indiciados pelo assassinato de um casal sul-africano e pelo roubo da respectiva viatura, crime ocorrido a 22 de Abril no interior do Parque Nacional Kruger, na África do Sul.
Segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), as vítimas foram assaltadas, mortas e os seus corpos abandonados num riacho. As investigações conduzidas pelas autoridades sul-africanas apontaram para o envolvimento de cidadãos moçambicanos, levando a uma operação conjunta entre a Polícia da África do Sul e o SERNIC.
O porta-voz da instituição, Hilário Lole, explicou que as diligências permitiram localizar os suspeitos em território moçambicano.
“Foi instaurado o respectivo processo-crime que sustentou a realização de diligências operativas coordenadas com a nossa congénere dos serviços de polícia sul-africana, a SAPS, e culminaram com a identificação dos suspeitos autores que se encontravam na posse da referida viatura no distrito de Chókwè, província de Gaza”, afirmou.
A captura dos dois indivíduos, de 21 e 26 anos, ocorreu na localidade de Pafúri, distrito de Massingir. De acordo com o SERNIC, durante os interrogatórios preliminares os suspeitos confessaram a prática do crime.
“Durante os interrogatórios preliminares confessaram a prática dos factos, tanto o homicídio assim como o roubo da viatura em causa, admitindo ter tirado a vida às vítimas e, posteriormente, metido os corpos no riacho e apoderando-se da viatura”, disse Hilário Lole.
As investigações revelaram ainda que a viatura foi retirada da África do Sul com o alegado auxílio de um guarda florestal do Parque Nacional Kruger e posteriormente vendida em Chókwè por cerca de 600 mil meticais.
“Após a consumação do crime, os suspeitos contaram com o auxílio de um guarda florestal do Parque Nacional do Kruger para introduzir a viatura em território nacional, com o propósito de a comercializar na cidade de Chókwè pelo valor monetário de 600 mil meticais”, explicou o porta-voz.
O caso levou igualmente à identificação de uma alegada rede de receptação e comercialização de viaturas roubadas. Segundo o SERNIC, um cidadão apontado como líder do grupo encontra-se foragido, juntamente com outro suspeito responsável pela adulteração das características identificativas dos veículos.
Um dos detidos reconhece ter participado nos acontecimentos, mas atribui a autoria material dos homicídios ao comparsa.
“Eles estavam parados, e nós pegámo-los e amarrámo-los. Foi então que o meu amigo esfaqueou os dois, enquanto estavam amarrados, e os deixámos no riacho. Eu disse ao meu amigo que não precisávamos de os matar, mas ele disse que era necessário”, declarou.
Entretanto, o segundo indiciado rejeita qualquer envolvimento no crime.
“Nunca matei ninguém e nunca roubei nada. Fiquei a saber que eles tinham sido detidos e disseram que eu também estava envolvido, mas eu não estava envolvido”, afirmou.
Além de apresentar os suspeitos, o SERNIC exibiu diversas peças de viaturas recuperadas durante operações realizadas no mercado Estrela Vermelha, na cidade de Maputo.
A instituição garante que prosseguirá com as investigações para responsabilizar todos os envolvidos e reforçar o combate ao roubo e tráfico transfronteiriço de viaturas.
Cerca de 1200 pessoas, incluindo 500 crianças, fugiram da vila de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, após uma vaga de ataques em Abril e Maio deste ano. A informação consta no relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, publicado esta quinta-feira.
Os deslocados afectados por três ataques, durante os últimos 2 meses, pertencem a 258 famílias, revela o relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados.
Entre Abril e Maio de 2026, houve deslocação de 1.200 pessoas, dos quais 466 crianças, 45 mulheres grávidas, 62 idosos e 301 homens, provenientes de 258 famílias afectadas pelos ataques terroristas, na vila de Mocímboa da praia.
O relatório divulgado esta quinta-feira, aponta que a maioria das pessoas abandonou as suas comunidades em busca de segurança, enquanto outras permanecem em trânsito ou escondidas em zonas consideradas mais seguras devido ao receio de novos ataques.
Os testemunhos recolhidos pela agência das Nações Unidas descrevem um cenário de violência marcado por mortes, agressões físicas, saques, destruição de bens e perda dos meios de subsistência.
Muitos deslocados relataram discriminação nas zonas de acolhimento, segundo a ACNUR.
Pelo menos nove pessoas deram entrada, este ano, no Hospital Distrital de Mocuba, vítimas de ataques de crocodilos no Rio Licungo, sem registo oficial de óbitos.
Os casos mais frequentes são provenientes dos bairros Samora Machel, nas zonas de Magogodo e Macuia, em Mocuba. O hospital recebe igualmente pacientes oriundos do Baixo Licungo, em Nante, distrito de Maganja da Costa, e do Baixo Lugela, no distrito de Lugela.
O director do Hospital Distrital de Mocuba explicou que os ataques por crocodilos continuam a representar uma séria ameaça para as populações que dependem do rio para as suas actividades diárias.
Entretanto, circulam informações nas comunidades, ainda não confirmadas oficialmente, de que pelo menos duas pessoas terão perdido a vida no mesmo período, vítimas de ataques de crocodilos no Baixo Lugela.
As autoridades apelam à população para redobrar os cuidados ao utilizar as águas do Rio Licungo, sobretudo nas zonas consideradas de maior risco.
Terminou hoje, 5 de junho, no Campo de Treino da Katembe, o Curso Prático Básico de Munições, ministrado às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), por uma Equipa Móvel de Formação e Aconselhamento (MATT) das Forças Armadas Austríacas, e que contou com o apoio da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).
A cerimónia de encerramento do curso foi presidida pelo Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, e onde estiveram igualmente presentes altas entidades das FADM.
Esta formação especializada foi conduzida por três instrutores da Escola de Logística das Forças Armadas Austríacas, e teve como objetivo desenvolver competências técnicas essenciais numa área crítica para a segurança e eficácia operacional das FADM, nomeadamente o manuseamento, armazenamento e gestão de munições.
Nestas últimas duas semanas, os militares das FADM que concluíram com aproveitamento o Curso Teórico Básico de Munições, realizado em março deste ano, consolidaram os conhecimentos adquiridos em contexto prático e operacional.
Este curso integrou uma abordagem sustentada de capacitação, orientada para dotar as FADM de conhecimentos técnicos e práticos fundamentais, reforçando a sua capacidade de resposta aos atuais e futuros desafios de segurança.
A realização deste curso ministrado pela MATT austríaca constitui mais um exemplo da parceria entre a União Europeia e Moçambique na afirmação da promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento de capacidades das FADM.
Relembrando que em agosto de 2024, a Áustria financiou a construção de Depósito de Munições, que visou garantir as condições adequadas de armazenamento e manuseamento de material explosivo e perigoso, no Campo de Treino da Katembe.
A EUMAM MOZ é uma missão não executiva, com mandato até dezembro de 2026, focada no ciclo de formação operacional e na manutenção, prestando aconselhamento, mentoria e formação especializada, de modo a permitir que as FADM se tornem autossuficientes na resposta à insurgência em Cabo Delgado. Esta Missão da União Europeia conta com mais de 80 militares e civis de 12 nacionalidades, incluindo um militar da Áustria.

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